SAVE-ME GIRL
9 Capítulo 9-O bom filho à casa torna

Amanda Leal
Encaro os prédios que iam passando encantada. Eram tantas luzes e cores que faziam minha mente se embaralhar por inteiro. Eu não tinha parado para observar a cidade em si, realmente era linda. Prédios altos e com formas variadas, música alta e o som dos carros e das pessoas se fundindo e criando uma sonorização inquieta.
Era maravilhoso.
Encaro Lyunn que sorria calma e me arrumei devagar no banco do carro, passando a mão nos cabelos. O carro parou e eu encarei a moça que deu dinheiro pra o taxista , me puxando em seguida para sair.
Encaro o estabelecimento que tinha algumas flores e cores pastéis, em tons de rosa e azul, olho para Lyunn que segurou minha mão, me puxando para dentro do estabelecimento. Sinto um aroma agradavelmente doce e a sigo, pegando um pequeno pote. Chego próximo aos freezers e abro a boca.
—Sorvete?-Pergunto a encarando animada e ela concordou. Sorri enquanto pegava os sabores que eu queria e a acompanhei. Nós sentamos na mesa e eu levo um pouco do sorvete a boca, sorrindo ao sentir realmente o sabor da fruta.-Uau...isso é bem melhor do que o sorvete da base.- Rio a encarando.
—Não é hidrogenado, por isso é mais gostoso.- Falou e relaxou os ombros.- Somos pessoas normais em uma sorveteria, tomando sorvete e falando sobre besteira.
Concordo dando risada e descanso a mão na perna que tinha o coldre. Estava usando um por baixo do vestido, nunca se sabe quando vai precisar.
—Certo, pessoa normal.- Falo a encarando e cruzo os braços.- A Thalia me odeia.
—Odeia mesmo.- Ela deu risada e abriu o blazer.- Você foi mexer com a cria dela, ninguém mandou.
—Ninguém mandou ele ser insuportável-Falo simples e pus uma cereja na boca.- Como é doce!-Falei a olhando.
—Você é uma criança.- Falou e respirou fundo- Tem quantos dias?
—Quatro.- Respondi e limpei a boca.- O que fizemos?Nada.
—Em quatro dias você conseguiu se encrencar com o delegado e a namorada do Oficial, Amandinha pelo amor de cristo.
—Eu sou uma pessoa legal, se ele não gosta de mim o errado é ele.- Respondo simples.
—Cuidado que o destino brinca com a nossa cara.- Respondeu simples e arrumou óculos no rosto.
—E o Marcelo e a Isobell?Aquilo é ridículo.- Ela me olhou enquanto comia.- Sinceramente, se eu sou lerda o Marcelo consegue ser marcha ré parando- respondi a olhando.
—Você não sabe dirigir.- Lembrou e eu neguei.
—A questão é que eu não aguento mais isso.- Respondo a encarando.
—Deixe ela tomar a iniciativa.- Falou e me encarou.- Poder feminino é tudo.
—Isso é vergonhoso- Resmungo e a vejo reclamar.- O que foi?
—Cérebro congelado.
—Certo, outra coisa que é um pouco estranho é aquele cara.- Respondo e ela franziu o cenho.- O que tem a cara redonda.
—O yoongi?
—Sei lá o nome daquele ser, só sei que ele é estranho. Mas ele é interessante, não gosta do Jungkook.- Falei a encarando.
—Por que tanto ódio?-Ela perguntou e eu a encarei por um tempo.
Vasculho minha mente e respiro fundo.
—Ele não está ajudando, não tem como gostar dele.
Respondo simples.
Min Yoongi.
“Oh, it's just me, myself and I solo ride until I die cause I got me for life”
Encaro a estrada enquanto dirijo calmo. Minha mente estava focada nela, naquela mulher que tirava minha sanidade toda vez que me encontrava.
Evie
Evie Brown seu nome de invocação.
Quando essa mulher morrer, que Lúcifer dê passagem porque quem herda o inferno e suas almas perdidas é ela. Evie era impiedosa, ela não queria saber se tinha família, se tinha nome público, ela não queria saber. Infeliz é a pessoa que cruza seu caminho.
Eu sei disso por experiência própria.
Aquela mulher era um pecado...um pecado lindo e que eu amava cometer.
‘’Que lúcifer nos dê boas vindas, a rainha e o rei do inferno chegaram.’’
Lembro dela falando isso.
O Sul era um local totalmente diferente dos outros distritos, era mais escuro e tinham muitas árvores altas. Cheio de prédios em locais indevidos, casas subindo os morros e locais subterrâneos. Era um grande labirinto, você não a achava, ela te achava e julgava se você era digno de encontrar ela.
Infelizmente eu sei onde achar ela todas as vezes que preciso.
Boates era seu forte, principalmente a qual ela fundou…
A Boate que nós dois fundamos, na verdade.
Paro na divisa vendo dois caras se aproximarem e desço o vidro, puxando a manga da minha jaqueta para cima, mostrando o código que estava tatuado em meu pulso. Os vejo concordar e relaxo, subindo novamente o vidro e entrando no distrito. Graças a Deus nada tinha mudado.
Era o que eu achava.
Dirijo até o local e estaciono o carro atrás do prédio. Aquele local me fazia ter lembranças desagradavéis, infelizmente.
아스트랄 판돈
(Pandemônio Astral.)
Era tão tosco e ao mesmo tempo tão assustador. Aquilo era horrível, o cheiro era podre e o ambiente também. Observo as mulheres que dançavam em cima do palco, a maioria enganada e com os documentos roubados estando como imigrantes ilegais. Era de fazer lágrimas se formarem nos. Infelizmente, o mundo era horrível não seria eu que iria o fazer se tornar um local da paz.
Ando pelas pessoas e com os ouvidos tapados pela batida extremamente alta, procuro com os olhos por alguém conhecido ali. Como não achei ninguém, provavelmente ela já deve ter acabado com tudo.
Caminho em direção a parte inferior do local, chuto uma porta e vejo a escadaria. A subo lentamente e paro no início do corredor, vendo a porta cheia de fechaduras.
Algumas coisas não mudam.
Ando até a porta e abro fechadura por fechadura, passando um tempo ali. Lembro das noites que eu tranquei cada fechadura dessa para hoje estar às abrindo. Eu era um louco de carteirinha.
Abro a porta e encaro o quarto que era em tons de dourado e vermelho carmim, a cara dela. Ando por ali e vejo sua silhueta na sacada, admirando a noite. A lua iluminava seu rosto pálido, dando um ar angelical para ela. Sua boca estava com seu típico batom vermelho escuro e seus olhos bem delineados estavam fechados, aproveitando a friagem noturna que o lado sul possuía.
O Demônio tinha suas façanhas, quem a visse assim diria que ela é alguma mulher rica que está sendo feliz sozinha, o rosto dela enganava a todos. Desço os olhos para seu corpo e vejo as pulseiras de ouro que ela gostava de usar, o anel que ela usava no dedo anelar da mão direita, era um anel de ouro com uma pedrinha vermelha. A vejo levar a taça de vinho até a boca, beber um pouco do líquido e abrir os olhos.
—O bom filho à casa torna.- Falou e virou o rosto, me olhando.
Mordo a boca e passo a língua sobre o lábio inferior, vendo ela se aproximar.
—Preciso ter um bom papo contigo.- Falo e ela sorriu de forma insinuante.
—Adoraria conversar com você.- Falou e seguiu o olhar para suas mãos, que subiam do meu peito até meu pescoço. Me olhou nos olhos e mordeu o lábio.
Cachorra.
—Não esse tipo de conversa.- Falo a olhando e ela estala a língua no céu da boca, se afastando de mim.
—O que tiver que falar é melhor ir se apressando, eu não tenho tempo a perder não.- Falou de costas pra mim e eu suspirei concordando.
—Mais uma pessoa morreu no sul.- Falo a encarando e ela concorda, andando no quarto e se sentando em uma poltrona. Me sento e ela sorriu deixando as pernas abertas, me olhando cínica.
Eu disse que ela era o diabo.
—Eu sei.- Falou calma e apoiou o cotovelo no braço da poltrona.- Aquela ruivinha…-estalou os dedos.- A enfermeirinha sexy do seu amigo deu problema com o Seokjin , Jeon foi atrás dele, foi maravilhoso.- Riu fraco e olhou para as unhas.- Pensei que aquele delegado não tivesse voz ativa, pelo o que fiquei sabendo deu uma lição no Jin. As coisas mudam.- Falou e me olhou.- Quer saber da Benzodiazepina ou de como eu vou fazer você mudar de ideia?
Brincou com a língua e eu abri a boca com o ato ousado dela.
Ela estava pior que nunca.
—Nós dois sabemos o que você faz e o que você vende, vamos lá Evie.- Pedi e ela descruzou as pernas, as descansando e me encarando.- P-por favor preste atenção no que eu estou dizendo. Evie ou você está vendendo isso para a criminosa ou a criminosa é você.
—Se eu fosse Sophia Pheobe já teria te matado a muito tempo.- Me encarou calma e respirou fundo, tombando a cabeça levemente para trás.- Infelizmente não sou eu e não, eu não estou vendendo nada para ninguém, caso queira que eu venda algo para você se vira, de vendedora de bugiganga eu não tenho nem o olhar.
—Mas a língua é de uma cobra todinha.- Falo e depois noto o que falei, a olhando vendo ela se levantar de uma vez, me levanto junto dela e paro em sua frente.- Ok Evie, ou você começa a fazer a sua parte no acordo ou você vai pra cadeia de verdade.
Ela me olhou e se aproximou de mim lentamente.
—Eu estou cumprindo sim.
—As pessoas estão morrendo, você se vira pra resolver.- Mando e ela sorri fraco. Sinto seu corpo encostar no meu. A encaro vendo ela não se importar e se inclinar, apoiando as mãos em meu ombro depositou um beijo em meu pescoço, me fazendo arrepiar.
Fecho os olhos sentindo as mãos dela apertarem o colarinho da minha camisa e os abro novamente, vendo seu rosto quase colado ao meu.
—Acha que manda em mim?—Sussurrou baixo e deviou o olhar da minha boca e o subiu para meus olhos.- Amo quando paga de alpha…
Solto o ar pela boca e desço a mão para sua cintura, a deixando ali. Sinto seus lábios roçarem nos meus e arfo, sentindo suas unhas arranhando meu pescoço.
A desgraçada sabia me tirar do sério.
—Mas quem dita as regras do jogo sou eu— Falou e se afastou de mim, sorrindo perversa.
Abro os olhos completamente e a encaro, vendo ela sorrir mordendo a boca. Respiro fundo e nego com a cabeça.
—Você não presta, Evie Brown.- Falo a olhando e ela riu fraco.
—Sou eu que não presto ou é você que não sabe se controlar quando eu estou perto?-Perguntou e eu a encarei bestificado.
Ela conseguia se superar a cada dia mais.
Cachorra.
—Evie, você brinca com o fogo.
—Não Yoongi, você que brinca com a mulher do diabo que na verdade é você, sinto muito dizer querido mas a moda é empoderamento feminino, tá com nada não.- Me encarou e cruzou os braços.- Antes que venha me julgar de novo, saiba que eu tenho mais o que fazer do que ficar ouvindo você me xingar e me torrar o saco, eu vou criar rugas e não é você que vai pagar minha cirurgia plástica então me erra.- Mandou e se afastou, indo para sacada.
—Eu não preciso te julgar, você já faz as pessoas fazerem isso sem ao menos te conhecer.- Falo indo atrás dela.- Ainda continua com isso? Até eu que sou eu mudei.
—Mudou ou ficou com medo de ser pego?-Se virou me encarando. Riu negando por eu ter ficado quieto.- Vamos refrescar a sua memória, lembra quem foi que fundou essa merda?Oh quem foi?!-Perguntou e sorriu batendo as mãos.-Com vocês, senhoras e senhores, Min Yoongi, o maior pilantra que eu conheci na minha vida de crimes.
—Eu mudei, Evie.- A encaro e ela negou rindo.
—Não, você não mudou, você só não é homem o suficiente para admitir quem é. Yoongi presta atenção, uma mulher conseguiu assumir que é uma vadia e ainda por cima passa a perna em todos os policiais de quatro distritos, me poupa. Até eu sou mulher o suficiente pra isso.
—Cobra não tem perna.- A lembro.
—Mas tem boca e eu sei que dessa tu gosta muito.- Falou e eu me calei a encarando.- Fica na tua, não brinca comigo. Eu brinquei, tentei até ganhar uma distração noturna mas eu canso. No teu distrito e na tua delegacia pode me xingar e fazer o que for, mas aqui a regra é diferente.- Se aproximou de mim e eu fui andando para trás.- Nesse distrito é uma mulher que manda e como eu te conheço, sei muito bem quanto isso afeta teu ego. Yoongi, aqui quem berra na tua cara sou eu.- Sinto minhas costas baterem na parede e a encaro.- Vaza daqui.
Mandou e se afastou de mim, indo até a porta e a abrindo. Posicionou a perna de uma forma que mostrasse que ela usava uma liga na coxa, mostrando o revólver que estava preso ali.
—Cai fora.- Mandou me encarando e me recompus, me arrumando. Ando em direção dela e a mesma segura meu colarinho, me obrigando a olhar nos olhos dela.- Só volta aqui quando for me pedir em casamento, até lá...nem sonha.- Mandou e me soltou.
—Espera sentada, sua biscate imunda.
—Queria estar sentada em outro lugar, infelizmente não é macho o suficiente pra me satisfazer mais, tchau.- Sorriu e me empurrou, batendo a porta na minha cara.
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