SAVE-ME GIRL

18 Capítulo 18-Pensei que estivesse morto...Irmão.


Respirou fundo pela milésima vez e pediu mentalmente a Deus com que aquela reunião maldita acabasse.

—Senhores.- Falou baixo e se levantou da cadeira lentamente.- Não iremos discutir sobre algo tão irrelevante quanto isso. Estamos reunidos por uma razão nesta tarde, infelizmente como já sabem, as ações estão caindo e o nosso ganho também. Gosto de sua ideia, senhor Hwang, mas após a morte de Jung-lee, a empresa está decaindo de forma rápida então sugiro que deixem de agir como crianças.- Falou encarando os senhores que poderiam ter o dobro de sua idade.

Jeon Suyin não se importava com isso.

Era mais nova que a maioria de seus companheiros mas era a chefe deles, pois utilizava de todas as formas a sua inteligência e esperteza dentro de seu local de trabalho.

—Entendam, levei em conta todas as ideias e dentro de meu escritório decidirei sozinha qual ideia é a melhor, obrigado a todos, reunião encerrada.- Falou e caminhou em direção a janela grande que havia ali, encarando os prédios e o trânsito infernal.

Ouviu os resmungos dos empresários se silenciando, um a um, até que não restasse nada além do silêncio e encostou a testa contra o vidro, fechando os olhos cansada.

—Eu realmente odeio isso tudo.- Falou sozinha e depois abriu os olhos, encarando o sol que lançava seus últimos raios no céu.

—Senhorita Jeon?-Ouviu a chamarem e se virou lentamente, encarando sua secretária que estava com o seu Ipad em mãos.- Acho que...gostaria de ver isso.

Entregou o ipad para a chefe, que encarou a tela se assustando em seguida ao ver o que se passava ali.

Viu seu irmão sair de dentro das chamas do hospital, a câmera que havia o filmado tinha conseguido focar nos mínimos detalhes, mostrando o quão diferente ele estava desde que se haviam encontrado pela última vez.

Piscou algumas vezes e se afastou, deixando o aparelho sobre a mesa.

Encarou o vidro por um tempo, sentindo suas emoções se descontrolando dentro de sua mente e depois encarou a secretária por um tempo

—Cancele tudo que eu tenho para hoje, mande tirar meu carro do estacionamento e deixe tudo pronto para mim em cinco minutos.- Mandou e viu a secretária com uma expressão confusa.- Ande!-Exclamou vendo a mulher correr da sala.

Jeon Jungkook

Encaro Namjoom que estava sentado a sua mesa, me encarando com raiva.

—Ficou maluco de vez, moleque?-Perguntou e eu ri, deixando a cabeça pender para trás.-Sumiu com a agente e entrou dentro de um hospital em chamas?

—Não necessariamente nessa mesma ordem.- Brinco e me assusto quando ele soca a mesa.

—Eu não estou para brincadeira com você!-Exclamou me encarando.- Sabe o quão ferrado você está?

—Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.- Respondo calmo e ele pasma, abrindo a boca.

—Você não...você bebeu?-Perguntou e eu ri me levantando da cadeira.

—Agora eu entendi porque não queria que eu saísse do administrativo.-Falo e começo a gargalhar fraco-Tudo faz sentido agora.- Bati as mãos e passei a destra no rosto.- Eu entendo agora o porque disso tudo e vou te dizer uma coisa, não devia ter me deixado ir para aquele hospital em chamas, Namjoom.

—Você vai aquietar seu facho e se por no seu lugar, Jeon Jungkook.- Falou e eu neguei com a cabeça, rindo animado.

—Não senhor, me deixou provar do mel porque quis agora arque com as consequências-Falo e passo a mão pelos cabelos.- Eu apareci na TV!-exclamo o olhando

—Não, você apareceu na TV por fazer uma loucura e ainda por cima meteu a Amanda, que não é autorizada a fazer esse tipo de coisa e muito menos tem experiência. Vocês dois podiam ter se matado e matado todos os enfermeiros que foram com você.-Falou e eu concordei com a cabeça.- Você é mais surtado por colocar ela no meio disso do que ter se auto posto ali, sabe muito bem que isso não é o seu lugar.

—Viviam esfregando na minha cara que ela era melhor que eu e no momento que eu decido unir o útil ao agradável, ela é ruim?-Pergunto e ele se cala.- Namjoom…-Rio fraco negando com a cabeça.- O que eu fiz hoje foi o que eu deveria ter feito a minha carreira inteira...sempre cuidando de pequenos casos...no administrativo...Por que eu nunca…?Tudo bem, eu admito que conseguiu me enganar bastante.

Falo e o vejo se calar, negar enquanto me encarava.

—Então é isso?...Eu não posso ser algo... mas porque?-Pergunto.- Por que elas são mulheres ou por quê o Seokjin é o seu melhor amigo?-Perguntei e ele se manteve calado.- Só porque é meu chefe, não significa que vai me deixar sem fazer nada.

Mando mentalmente meus sentimentos se acalmarem e solto lentamente o ar.

—Eu sou o delegado desse distrito, eu me formei como todos vocês então eu mereço respeito.- Falo baixo e ele me olha de forma estranha.-Eu vou continuar e você não vai fazer nada para me impedir, isso é algo que nenhum de vocês podem fazer mais.

Paro por um tempo e me viro, olhando para a porta.

—Meu nome…

Pare com isso…
O respeite, você não é nada.

Meu nome é Jeon Jungkook, sou o delegado do distrito norte...se quiser algo comigo, me procure na minha sala.

Me retiro da sala e fecho a porta atrás de mim, sentindo todo o meu corpo ficando leve.

Senti como se todo o peso que eu sentia a meses tivesse se esvaído de uma vez, finalmente me deixando em paz.

Deixei o primeiro sorriso verdadeiro, sem deboche ou ironia aparecer como não aparecia a muito tempo.

Olhei para trás por um tempo e respirei fundo, indo em direção as escadas.

Quebra-Tempo

Arregalo os olhos quando sinto minhas costas baterem com força contra a parede e encaro o rapaz que havia me puxado pela gola da blusa.

—ME FALA O QUE TU FEZ COM A MINHA IRMÃ SEU VAGABUNDO!

—O SOL AINDA TÁ NO CÉU!-Grito.

—OU OU PORRA!-escuto gritarem e encaro uma moça dos cabelos médios escuros e baixa, encarando o rapaz.-LARGA ELE.

—Fica na tua, Isobell!-Mandou e eu me assustei sentindo empurrarem. Olho para baixo, encontrando Amanda que havia se metido entre nós dois.

—Fica na sua você!-Mandou ao irmão que levantou a mão, a olhando.- Prata ou Chumbo,pô?-Levantou o rosto e andou, fazendo o irmão se afastar lentamente.

—Que confusão é essa?-Viro a cabeça para encontrar Lyunn que estava parada na porta do galpão.

A vi soltar o cabelo e bater a porta de ferro com força, fazendo o barulho reverberar por todo o local, tremendo até as janelas.

—O que é isso?-Repetiu e arrumou o jaleco.-Vocês são agentes ou são um bando de desqualificados que não sabem o que é argumento para estar usando o grito como resposta?-Perguntou nos encarando.

Eu fiquei calado, não ousaria abrir a boca para discutir com aquela mulher, até porque só de olhar na cara dela dá para perceber que ela tem muitos argumentos que eu provavelmente não tenho para responder, então é melhor ficar bem quietinho e prestar atenção no que estava acontecendo.

Todos haviam se calado, só conseguimos ouviu o som das respirações e do salto da cientista, que ecoava a cada passo que ela dava.

—Por Deus...vocês por acaso sabem o que significa ser profissional ou ter senso do rídiculo?-Ela perguntou e atirou um porta lápis ao chão, nos olhando irritada.- A Delegacia inteira está ouvindo essa palhaçada de vocês, tenham um pingo de vergonha na cara e comecem a agir de acordo com a profissão de vocês.- Mandou e respirou fundo, se sentando em uma das cadeiras que acompanhava uma grande mesa oval, centralizada no meio do galpão.- Se sentem e calem a boca.

Me sento e encaro Amanda que estava sentada a minha frente. Viro o rosto olhando para Lyunn que massageava as têmporas.

—Qual o motivo da discussão?-Perguntou e encarou Amanda.- Me diga, Amanda.

—Mas ela…

—Se cale ou eu vou fazer você se arrepender de ter atrapalhado sua irmã.- Ela falou e fez sinal para Amanda.

—Depois do que aconteceu no hospital, Jungkook me levou para um mirante, conversamos sobre aquilo que você me disse e estamos dando uma trégua.- Respondeu e eu a encarei arqueando a sobrancelha.

—Sim, isso eu sei.- Respondeu e eu a encarei levemente assustado.

Minha vida tá pior que cabaré, todo mundo entra, faz o que quer e vaza e ainda por cima todos ficam sabendo.

Credo.

—Eu quero saber o motivo do Marcelo está tentando matar o delegado.-Falou encarando o rapaz que me fuzilava com os olhos.- Aliás, sinto muito delegado.

—N-não tem problema.- Respondo a olhando.

—Ciúmes?-Amanda sugeriu.

—Eu não tenho ciúmes de você, sua problemática.- Rebateu irritado.- O problema é que esse idiota.- Apontou para mim- Te enfiou em um hospital em chamas e ainda por cima sumiu com você. Entrar em um hospital em chamas já não é muito por um dia?

—Hospital em chamas?-Lyunn perguntou e Amanda sorriu.- Tá evoluindo prodígio….-Concordou com a cabeça e as duas concordaram com a cabeça.

Então...cúmplices?

—Você não apoia não!-Marcelo mandou e passou a mão pelo rosto.- Isso é ridículo, um idiota te dá uma missão e você já tá abrindo as pernas para o primeiro que vê pela frente.

Eu até iria rebater, mas o que ela fez já o manteve bem calado.

Da forma que ela estava se levantou e acertou um tapa bem estalado no rosto do irmão, que o fez se calar na hora.

Encaro as duas mulheres que estavam tão incrédulas quanto eu.

Amanda levantou o rosto e puxou o irmão pela gola da jaqueta, o fazendo se abaixar.

—Preste atenção...só porque é o meu irmão não te dá o direito de falar assim comigo.- Falou entredentes e soltou o ar pela boca.- Vou falar baixinho para informação entrar direta e sem delay na sua cabeça...Repete o que você falou de novo para mim, repita para ver se você vive por muito tempo.

O soltou e passou a mão pelos cabelos, se levantando da mesa e andando em direção a saída.

—Não sei quando eu volto.- Respondeu e abriu a porta, saindo do galpão e batendo a porta como a cientista havia feito mais cedo.

—Delegado, poderia nos dar licença?-Lyunn perguntou e eu concordei, me levantando.- Eu lhe levo até a porta.

Se levantou comigo e me acompanhou. Sai do local e a encarei, vendo ela me olhar por baixo, como se estivesse envergonhada.

—Eu…

—Eu não vi nada.- Me adianto e ela me encara por um tempo, sorrindo fraco.- Não se estresse, okay? Você já tem muita coisa que fazer, não se preocupe...se ela demorar, mando alguém atrás dela.

—Obrigada, Jungkook, aliás...bom trabalho no hospital.- Falou e eu acenei com a cabeça, dando as costas para ela.

Quebra-Tempo.

—Cadê o Bonitão?-Olho para porta e sorrio fraco ao ver Hoseok fazendo uma das suas dancinhas malucas.-Apareceu na TV...coisa linda, meu Deus.- Falou e eu ri fraco o encarando.

—Aprendi com você- Respondo e deixo os documentos em cima da mesa, tirando o óculos do rosto.-Cadê o Taehyung?

—Ih...isso é assunto delicado.- Respondeu e puxou a cadeira, se sentando a mesa.- Ele e a Thalia foram para casa gritando aos ventos o quanto os dois se odeiam.

Fiz careta e tombei a cabeça para o lado, o olhando confuso.

—Daqui a pouco ela chora e ele pede desculpas, vão passar a noite inteira se amando e amanhã vai estar tudo tranquilo.- Hoseok falou e cruzou os braços.- Vamos jantar?Hoje é um dia importante, até circulei na minha agenda e nomeei ‘’Dia que o Jungkook provou a todo mundo que é macho o suficiente para encarar um hospital em chamas e salvar crianças.’’

—Mas isso não ficou muito longo?-Pergunto rindo fraco.


—A Agenda é minha, se eu quiser escrever o nome de todos os países em um título, eu o faço.-Falou e eu gargalhei.

—Nossa já é noite?-Pergunto e o vejo concordar.- Sabe dizer se a Amanda voltou?

—O que tá rolando entre vocês dois?-Hoseok perguntou e eu neguei com a cabeça, revirando os olhos.

—Hoseok, não tá rolando nada.- Falo e me levanto da cadeira, indo buscar minha jaqueta.

—Que pena...mas respondendo sua pergunta, eu não vi ela a tarde toda.-Falou e me encarou.- Dá uma arrumada nos cabelos, tão todos para cima.- Falou e eu olho no espelho.

—Gente...que coisa mais feia.-Falo começando a arrumar os cabelos.- Ela brigou feio com o irmão hoje.

—Por isso a gritaria de hoje mais cedo?-Hoseok perguntou e eu concordei com a cabeça.- Mas gente…

—Teve tapa e tudo.-Respondo e passo a mão no rosto.- Confesso que estou levemente preocupado.

—Com o quê?-Hoseok perguntou e eu o encarei.

—A Amanda não conhece nada da cidade, não é uma pessoa...feia e ainda por cima é mulher. Sabe como é, é perigoso ela sair sozinha.

—Mas que tá caído por ela…..-Me olhou e negou com a cabeça.- Aquilo é Barbie, Jungkook….dá pra gente não.

—Vai a merda, Hoseok.- esbravejo e encaro a porta que acabara de ser aberta, revelando Jimin que estava sem a cor do rosto.-Jimin?

—V-você….

o encaro por um tempo e fecho o cenho, o olhando preocupado.

{...}

Bato a porta da viatura e encaro o porto da metrópole, passando meu olhar por alguns barcos que estavam ali, sentindo o coração bater forte.

—Pensei que estivesse morto...Irmão.

Me viro lentamente, vendo debaixo de um poste uma mulher de cabelos loiros. Não conseguia ver seu rosto, mas conseguia enxergar seus cabelos reluzindo com a luz.

Ela se aproximou lentamente de mim, me fazendo enxergar seu rosto pálido.

—Suyin...