S Project
3 Um abraço, um olhar, uma palavra sincera... Até demais.
" Melhor você beber, para que quando eu as quebre na sua cara você não sinta."
Damon
Não sei se agradeço ou grito, ou mando ela tomar no cu, acertar dois tiro na perna de uma pessoa não é algo a se fazer, mas antes na perna do que no rosto, ou no peito.
– Make more jokes, Mr. Clown, I have enough bullets.
(Faça mais piadas, senhor palhaço, tenho bastante balas.)
– Fuck off, Ms. Bitch.
( Vai tomar no cu, senhora vadia.)
Não satisfeita com as duas balas em minha perna, ela pisou em meus ferimentos e girou o pé, quando me contorci ela sorriu aparentemente satisfeita. Me colocou no ombro dela, ela era forte, na altura que eu estava consegui ver por cima do carro e Scarlet havia fugido. Pensei em tentar fugir, era apenas uma joelhada nos seios dela, e andar até o carro, dirigir não parece ser difícil, mas se ela levantasse mais rápido que eu, seria meu fim, decidi continuar quieto.
– What your name?
( Qual seu nome? )
– Victoria, and your?
(Victoria, o seu? )
– Damon.
Ela me colocou no banco de trás do carro deitado, me esforcei um pouco para ver pelo para-brisa, consegui ver Scarlet escondida atrás de um banco de pedra... No momento me perguntei o Q.I dela, mas Victoria não a viu.
Victoria entrou no carro, tentei reparar ao máximo nos movimentos dela para tentar aprender a dirigir, chave no contato, moveu o pé esquerdo, devia ser a embreagem, primeira marcha mas ela acelerou em direção ao banco, Scarlet pulou antes que o banco fosse massacrado pelo 4x4 de Victoria. Abriu então o porta-luvas e puxou um revólver, saiu do carro e apontou para Scarlet enquanto abria a porta de trás do carro. Scarlet veio andando devagar e entrou no carro, apoiei minha perna sobre ela e ela ficou encarando os dois ferimentos. Victoria não andou com o carro, começou a mexer no celular, devia estar falando com o ruivo. Mas do nada ela tremeu, estava fazendo download da nossa língua.
Olhou para trás em direção a Scarlet. — Me entende agora?
– Como você fez isso?
Ela olhou para mim, não havia reparado na beleza e na harmonia de seu rosto, seu cabelo solto escorria pelo seu ombro, seus lábios finos bem definidos pelo tom avermelhado natural, seus olhos diferentes de seu irmão eram verdes como um azeite puro.
Ela estalou os dedos e eu sai do transe. — O que foi?
– Explique para ela como funciona os chips. Nós vamos dar uma volta.
Olhei para Scarlet, comparei com Victoria, estava acirrado. — A muitos anos atrás, não chega a cinquenta, foram implantados chips em alguns bebês que estavam ligados direto ao cérebro, não matricularam elas nas escolas, mantiveram elas em suas devidas casas, única coisa que aprenderam foi falar, comer e brincar, nada além disso. Quando ficaram mais velhas, fizeram uma conexão de um celular até o chip, onde baixaram em seus cérebros uma quantidade absurda de arquivos relacionados a matérias escolares, colocaram elas para fazer provas e se destacaram mais do que crianças que tiveram escolaridade normal. Avançaram mais e fizeram download de arquivos de línguas diferentes, astrofísica, engenharia e de dez crianças que estavam no projeto, apenas uma teve o cérebro sobrecarregado de informações e acabou ficando louca. Hoje em dia não existe mais escolas, o governo tem uma pagina onde libera o necessário para você baixar no seu cérebro.
– Mas qualquer pessoa pode baixar coisas na cabeça das outras? Eu não tenho isso.
– Não, não funciona simples assim, hoje todos os celulares vem com um aplicativo que você compartilha coisas com seu cérebro, a tela dos celulares gravam sua impressão digital e automaticamente entra em sintonia com seu chip, então ela só pode baixar coisas no meu cérebro se arrancar minha mão e usa-la.
Scarlet parou a cabeça olhando para baixo, Victoria estava dirigindo já e continuou em silêncio, eu estava incomodado com as duas balas na minha perna mas fiquei em silêncio.
Após alguns minutos, Victoria parou o carro. Levantei o corpo e vi uma rua deserta e uma casa velha, estávamos estacionados em frente a essa casa. A porta da casa abriu e o ruivo saiu dela com um pano grudado no rosto por fita, na mão ele segurava um revólver, no rosto estava a expressão de ódio. Chegou em frente a porta do carro onde eu estava, abriu e me puxou pelo colarinho da camiseta, me jogou contra o chão e colocou a arma em minha cabeça.
– Não parece tão corajoso agora.
Nunca havia sentido uma dor tão grande na minha perna, o ferimento parecia ter piorado depois do impacto com o chão, achei que ele iria enfiar uma bala na minha testa, mas Victoria atrás de mim.
– Por que ele não é.
Olhei para trás e ela estava segurando Scarlet pelos cabelos enquanto o revolver esta apontado para a cabeça dela.
– Não teria coragem de atirar nela, precisamos dela viva.
– Tem certeza que quer duvidar de mim?
Ele abaixou a arma. Victoria também. Ele me segurou pelo colarinho e começou a me puxar, escutei um click, ele olhou para trás e Victoria estava apontando a arma outra vez, agora para a perna de Scarlet.
– Solte-o, você cuida dela, eu dele e você sabe que ela vai sofrer bem mais na minha mão do que ele na sua.
Ele me soltou, acabei caindo de cara no chão, ele pisou sobre meu ombro antes baleado e minha perna baleada, outra vez me contorci de dor no chão e Victoria se ajoelhou do meu lado.
– Você é uma gracinha... Quando esta sofrendo.
Aquilo entrou na minha mente, imaginei algum tipo de estupro violento, Victoria era linda mas parecia mentalmente perturbada.
Ela me pegou no colo e entrou comigo, atrás de mim observava Oliver ajudando Scarlet a levantar. Dentro da casa parecia filme de terror, a casa estava abandonada aparentemente, rachaduras enormes na parede faziam quase todo o ambiente, alguns moveis estavam quebrados, outros estavam com um lençol em cima. Havia dois colchões no chão, acho que onde eles dormiam. Ela me deitou no colchão, olhei no seu olho e suas pupilas estavam pequenas, um sorriso maléfico no canto da boca.
– Já volto. — E continuou do meu lado observando o sangue que ainda escorria em minha perna. — Você... Já se relacionou com uma menina?
Eu estava deitado de bruços, aquilo soou muito invasivo. — Na verdade não. Teve uma menina mas não saímos da amizade.
Eu fiquei extremamente irritado, quando acabei a frase, meu celular começou a tremer no bolso da frente e resoou pelo colchão.
– Não ouse atender, onde está?
Antes de eu responder ela me rolou do colchão para o chão, ajoelhou em cima de mim, agora com expressão de nervosa e começou a me revistar, achou o celular no bolso da frente.
– Alô?
Ajustei o som do celular no maximo, consegui ouvir quem estava do outro lado, era June.
– "Posso falar com o Damon?"
– Damon? Desculpa, ele esta ocupado agora. — Victoria colocou o joelho dela em minha coxa e colocou o peso todo, a dor do ferimento triplicou e não me aguentei, acabei gritando. Ela gemeu de prazer no vocal do celular. — Ligue mais tarde...
– "espere como assim!?"
Victoria desligou a chamada e olhou para mim, eu estava contendo meu grito rangendo os dentes. Aquilo parecia a cena mais excitante da vida dela.
– Vamos cuidar do seu ferimento. — Se levantou e foi em direção ao que parecia a cozinha.
Oliver entrou com Scarlet pela porta, Victoria saiu da cozinha com uma garrafa de vodka, olhou para os dois. — Oliver, saia com ela, vou cuidar dele e não quero ninguém dentro da casa além de nós.
Senti uma indireta. — Vamos precisar de duas garrafas, vou precisar estar bêbado ou inconsciente para aguentar você.
Oliver já estava abrindo a porta quando escutou. — Melhor você beber, para que quando eu as quebre na sua cara você não sinta.
Victoria gritou. — MANDEI SAIR!
Oliver obedeceu como um cãozinho. Victoria olhou para mim, se ajoelhou outra vez em cima de mim, levantou meu tronco, colocou a garrafa em minha boca e a virou, quando a tirou, levantou minha cabeça e senti algo estranho rasgando minhas narinas e minha garganta, colocou a mão em meu pescoço e começou a me beijar. Tirou a mão de meu pescoço e colocou-a em meu peito e me deitou no chão outra vez, levantou minha perna direita, pegou uma faca em uma bolsa em cima do cochão ao lado, cortou o pano de onde estava o ferimento e virou a garrafa de vodka em cima do ferimento. Me segurei para não berrar de dor, não queria mais alimentar o monstro dentro dela.
– Não vai gritar pra mim?
Ela sorriu de forma maléfica e continuou olhando para mim, se aproximou de meu rosto. — Se não fizer por bem... Vai ser por mal, e vou adorar...
Não achei que ela fosse levar a sério aquilo, mas percebi que as coisas estavam ficando realmente excitantes... Para ela.
Ela se levantou e foi até a cozinha e de lá escutei outra porta se abrir. Ela voltou segundos depois, eu estava fazendo pressão com a mão no ferimento. Quando ela chegou, chutou meu braço que fazia pressão, puxou um monte de pano das costas e uma faca. Secou o sangue em minha perna e sem hesitar enfiou a faca no ferimento.
No momento que senti o metal frio rasgando minha carne e pele, não hesitei em gritar de dor, Victoria ficou com as bochechas rosadas, sentou sobre minha perna e começou a balançar o quadril. Não consegui acreditar, ela estava se masturbando usando minha perna. Depois de abrir o buraco, ela tirou a faca e por livre e espontâneo prazer jogou mais vodka em minha perna, eu não ia dar esse prazer a ela, meus olhos escorriam lagrimas e ela continuava a sorrir como uma psicopata enquanto se esfregava em minha perna. Ela se deitou sobre meu corpo, segurava minha perna para o alto ainda, ela colocou a boca dela perto do meu pescoço e começou a respirar ali, com a dor que eu estava sentindo, aquilo nem fazia cócegas.
Ficamos alguns segundos assim, estranhei a atitude dela, mas então ela enfiou o dedo dentro da minha ferida, por reflexo projetei meu corpo para frente mas fui brecado pelo corpo dela, que no mesmo momento que enfiou o dedo, mordeu meu pescoço e começou a lambe-lo, aquilo sim fez efeito, tudo estava fazendo efeito, era uma dor lancinante junto com algo estimulante.
Até então aquilo parecia algum jogo dela, mas percebi que estava querendo tirar as balas da parte de trás da minha coxa e estava tirando um enorme proveito disso.
Depois de alguns segundos de chupões, mordidas e lambidas, ela tirou o dedo da minha ferida com um dos projeteis.
– Viu? Nem doeu
Quando ela disse aquilo senti vontade de enfiar aquela faca na perna dela e enfiar o dedo, mas era capaz dela gostar.
– O outro projétil não esta aqui, deve ter caído ou atravessado, não sei.
Quando ela se levantou, sua calça estava suavemente manchada.
– Melhor você ir se limpar.
Ela olhou para si mesma, olhou para mim.
– Melhor desmontar a cabana do escoteiro.
– Pode ir tomar banho e se limpar, não vou fugir.
Ela sorriu outra vez para mim e chegou bem perto do meu ouvido e com uma voz abafada disse. — Esta reparando muito, talvez você queira limpar. — E deu uma risada em tom fino enquanto deu um beijo em minha bochecha.
Quando ela se levantou, pegou os panos e colocou na minha coxa. — Segure aqui, vou buscar uma fita.
Eu imaginei que não iria ser mais virgem depois daquele momento, mas acho que nada é perfeito. Reparei que ela estava demorando, me arrastei até perto da cozinha e escutei ela conversando baixo no telefone.
"Entendi, tudo bem, vou chama-los aqui. Precisa mesmo?Sei que fui paga pra isso mas... Tudo bem.". Quando ela desligou o celular, arrastei-me até perto do colchão, ela veio da cozinha com a fita.
– Vamos, pois depois daqui vamos costurar.
Eu até lutaria contra o que ela diz, mas se ela não costurasse eu iria perder mais sangue. Ela parecia mais cabisbaixa agora, o sorriso maléfico havia ido embora, não que fizesse falta mas era melhor do que a cara de triste. Quando ela subiu as escadas eu achei que os degraus quebrariam, a casa era velha mesmo. Quando ela sumiu, comecei a fuçar em gavetas, os dois eram inteligentes demais para manter apenas uma faca e um revólver em mãos.
Depois de procurar em gavetas, comecei a procurar embaixo dos moveis com lençóis... Bingo! O que parecia ser um sofá quebrado era apenas um amontoado de armas estrategicamente montados para parecer um sofá. Havia de tudo, desde facões até shotguns. Escutei a porta de um quarto fechar e coloquei o lençol novamente, me arrastei para o colchão e Victoria apareceu saltitando pela escada.
– Achei um carretel de linha e uma agulha, estava uma caixa, devia ser da antiga dona. Liguei para o Oliver, eles vão voltar para a janta, tem ideia do que fazer para a janta?
– Não sei... Pense em algo rápido, pizza talvez...
– Vou pensar em algo, continue ai, vou esterilizar a linha e a agulha, já volto.
Sei cozinhar muitas coisas, mas precisaríamos sair para comprar alimento e eu precisaria cozinhar e eu não iria cozinhar para aquele ruivo imbecil. Victoria voltou da cozinha, levantei a perna e continuamos em silêncio enquanto ela costurava o rombo em minha perna, feito por ela.
– O que você faz para se divertir?
– Deixa eu pensar... Eu bebo, bastante e treino luta com Oliver.
– Que tipo de luta?
– Eu fui treinada para lutar Muay Thai e Kung Fu. Oliver luta boxe.
– Então quer dizer que você pode me quebrar todo agora mesmo se eu tentar fugir?
– Olha... Não querendo me gabar, mas se você conseguisse dar 5 passos fora dessa casa, seria muito.
Me senti intimidado. Ela se levantou e foi até a cozinha, escutei alguns barulhos de coisas abrindo e fechando.
– Não tem nada para comer, vamos sair para comprar algo.
– Eu espero aqui.
– Eu não perguntei se você quer ir ou não, falei que vamos.
Tentei me levantar mas minha perna estava doendo bastante, Victoria percebeu e me pegou no colo.
– Leve, levanto coisa mais pesada que você na academia.
Ignorei a piadinha, mas realmente ela estava me carregando com uma enorme facilidade.
– Desculpe por aquele momento no colchão...
– Esta tudo bem, não enfiando coisas em mim, ta valendo.
– Mas eu enfiei a faca em você... Ah, entendi...
Continuamos a caminho do carro, quando ela deu ré eu achei que fossemos bater no poste, me apressei para por o cinto de segurança. A cada cinco semáforos vermelhos, seis ela atravessava buzinando, isso quando ela não inventava de fazer curvas perigosas em alta velocidade. Chegamos em um super mercado, mais rápido do que esperava. Logo que ela saiu do carro se tornou o centro das atenções, quando ela me pegou no colo, eu me tornei o centro das atenções.
Ela me segurou com uma mão só, me jogando por cima do ombro dela, pegou o carrinho e me colocou ali dentro. Era a cena mais constrangedora da minha vida, ela não aparentava nem um pouco em ser minha mãe e eu era velho demais para andar no carrinho. Começamos andar pelas gôndolas, nada chamava a atenção dela, a não ser quando passamos pela prateleira de bebidas, foram três garrafas.
Ela parecia estar entediada, olhava para as comidas com desprezo.
– Vai se decidir ou não?
Ela me deu um tapa na cabeça e continuou a andar.
– Chega!
Ela me deu outro tapa na cabeça.
– Vamos comprar pão.
Ela ameaçou me dar um tapa, mas hesitou.- Pão com o que?
Segurei uma das garrafas de vodka. — No seu caso, pão com vodka. Brincadeira, vamos comprar frios ali, amanhã a gente come fora.
– Falando em fora... Você é procurado pela policia e estamos num local publico.
Quando parei para refletir, acho que na porta as pessoas não estavam olhando pela cena deprimente, e sim por que eu sou um procurado.
– Larga tudo aqui, vamos embora.
– Esta bem.
Victoria me largou ali e sumiu no fim do corredor, as pessoas continuaram olhando para mim com expressão de assassino. Comecei a fazer força para o carrinho se mexer, única coisa que se mexia eram as garrafas fazendo mais barulho, chamando mais atenção. Para piorar a situação, fui anunciado no alto-falante do mercado.
"Por favor senhores clientes, se afastem do corredor quatro. Para sua segurança a policia já foi acionada. Medidas por nossos seguranças logo serão tomadas."
Esse Logo foi o mais rápido da minha vida, por que dois seguranças apareceram armados na minha frente, não falando, nem gritando, mas berrando "Mãos ao alto."
Eu queria espancar Victoria, sinceramente, ela deve ter feito de propósito. Senti o cano de uma arma ser pressionado contra minha cabeça.
– Me desculpem senhores, ele esta sob minha custodia.
Uma mulher, baixa, gordinha, mostrou um emblema de alguma organização secreta, o que parecia. Nenhum dos seguranças abaixou as armas e um deles se pronunciou.
– Não fazemos ideia do que é, por favor se afaste dele. A policia local vai dar conta.
Ela andou em direção aos dois com a arma ainda apontada para mim. Mostrou o emblema de perto para eles e sussurrou alguma coisa que fez eles se espantarem e sair dali em marcha.
– Você esta sob minha custódia, qualquer movimento brusco e sou autorizada a imobilizar você com força bruta.
– Ta, pode ser.
Deitei no carrinho e ela cutucou minha perna com a arma. — Levanta.
– Tomei um tiro na perna, enfiaram uma faca depois e costuraram. Estou impossibilitado.
Antes que ela pudesse se pronunciar, Victoria apareceu pelo corredor cinco, atrás da mulher, acertando um chute em sua patela e a fazendo ajoelhar no chão, ela apontou a arma na cabeça da mulher.
– Quem é você, fale antes que eu exploda sua cabeça.
– Pode explodir minha cabeça, mas sua perna vai junto.
A arma da mulher estava apontada para o joelho de Victoria. Victoria deu uma coronhada de leve na cabeça dela. — Levante-se,você consegue ficar em pé, não acertei com muita força.
Quando a mulher levantou, Victoria manteve a arma em sua cabeça, mas foi surpreendida com uma cotovelada na costela.
Escutei do lado de fora o barulho de sirenes, já estávamos sozinhos dentro do mercado.
Voltei a prestar atenção nas duas, Victoria estava no chão e a mulher a prendia com uma chave de braço, eu não iria me envolver, mas lutas no chão não era a especialidade de Victoria, peguei uma das garrafas e joguei para o alto em direção a mulher, dei sorte, a garrafa ia cair em seu rosto, ela soltou Victoria e segurou a garrafa. Victoria aproveitou a chance, se levantou e puxou a mulher pela perna e a jogou de costas contra a prateleira. Victoria era incrivelmente forte, aquilo me assustava. A mulher quebrou a garrafa no chão e fez do que sobrou uma arma, quando ela avançou, foi em uma estocada, Victoria segurou seu braço puxou-a e jogou as costas dela em outra prateleira. A mulher caiu no chão, parecia não aguentar mais, devia estar doendo muito, mas infelizmente ela escolheu a pessoa errada para lutar, Victoria já estava com o sorriso no rosto. Victoria segurou ela pelos cabelos e começou a arrasta-la em direção a ala onde cortavam os frios, senti pena daquela mulher. Quando elas estavam chegando perto, a mulher segurou no pulso de Victoria, jogou seu corpo para cima dela e prendeu a perna no pescoço de Victoria e a puxou para o chão. Victoria estava imobilizada outra vez.
– Vamos, puxe, puxe até quebrar, por que se eu levantar, você não sai daqui viva.
Victoria parecia não sentir dor, eu levantei um pouco o corpo para ver a cena, não queria interferir outra vez. Elas estavam perto de umas mesas de madeira com frutas, Victoria acertou um chute no pé da mesa e arrebentou aquilo como se fosse um palito de dente, um amontoado de laranjas caíram por cima das duas, mas aquilo não afetou a mulher.
Olhei por entre o corredor, havia uma viatura do lado de fora, acho que não entrariam sem um batalhão, ou com um exército.
Quando voltei a olhar as duas, Victoria continuava na mesma situação, mas depois de alguns segundos, presenciei a coisa mais horrenda da minha vida. Victoria quebrou o próprio braço, se soltou da mulher, se levantou ao mesmo tempo que a mulher, pegou um pedaço de madeira no chão, mordeu e colocou o braço de volta no lugar, soltou a madeira, levantou seu joelho direito, entrou em guarda e esperou o primeiro movimento da mulher.
A mulher fez a besteira de avançar, tentou acertar um soco no rosto de Victoria, quando ela estava perto o suficiente Victoria abaixou o corpo e acertou um gancho no estomago da mulher que levemente saiu do chão, Victoria foi pra trás, antes da mulher cair no chão Victoria acertou um chute na cabeça dela. Agora ela estava inconsciente deitada na mesa de frutas. Victoria olhou para mim, comecei a bater palmas.
– Bobo!
– Vamos logo embora, vai começar a lotar de policiais aqui dentro.
A adrenalina no corpo de Victoria parecia ter passado, agora ela estava mais cansada.
Olhei outra vez para fora, tentei ver se havia chegado mais viaturas, agora eram quatro, logo iriam entrar. Quando voltei os olhos para Victoria, ela estava sendo sufocada pela mulher e uma estaca de madeira estava presa em sua coxa. Eu tentei me levantar do carrinho, precisávamos ir embora dali, aproximei o carrinho da mesa, sentei em cima dela, mas quando fui pisar no chão, Victoria colocou a mulher de cavalinho e a jogou de costas no chão. Montou sobre a mulher e começou a socar seu rosto repetidas vezes, quando o rosto estava quase deformado ela parou, tirou a estaca de sua perna, deu dois tapas no rosto da mulher.
– Ta olhando bem? O que você quer?
– Vaca burra, matar vocês todos. Se eu não fizer, alguém fará.
Victoria deslizou o dedo pelo rosto dela. — Quanto carinho... Me deixe retribuir. — Victoria enfiou a estaca na lateral do pescoço dela, não foi fundo suficiente para matar, começou a andar em direção ao corredor sete, pegou fluido de isqueiro.
– Vaca burra não é?
Victoria escreveu acima da cabeça da mulher com o fluido "vaca burra esteve aqui" e jogou o resto do fluido pelo corpo da mulher, puxou um isqueiro de ferro, acendeu e deixou a mulher queimando ali. Tentei andar mas não consegui, continuei sentado em cima da mesa enquanto ela recolhia as duas armas.
– Volta pro carrinho.
– Me ajuda?
– Por que saiu?
Ela estava estressada, preferi não responder que iria ajuda-la. Voltei para o carrinho depois de muito sofrimento enquanto ela procurava por alguma coisa, mas não achou.
– Confia em mim?
– Você quer que eu responda o certo, ou o que você quer?
Ela me encarou.
– Sim.
Ela empurrou o carrinho com toda a força em direção a entrada, alguns policiais estavam ali e gritaram para mim "mãos ao alto.", não hesitei em obedecer, olhei para trás e Victoria ainda estava sumida. Dois dos policiais foram se aproximando lentamente com a arma apontada para minha cabeça, olhei para trás outra vez e Victoria estava correndo em cima da prateleira, ela pulou lá de cima atirando, os dois que estavam chegando caíram no chão, os que estavam do lado de fora se posicionaram atrás dos carros e Victoria ficou atrás do meu carrinho.
– Alguma ideia?
Olhei para as janelas de vidro, nosso carro estava estacionado a frente de um.
– Destranque o carro. Quando você destrancar, jogue algo na janela e a gente pula dela.
– Tudo bem!
Quando ela destrancou, aconteceu o que eu esperava, os policiais se moveram para longe do carro com medo de que explodisse, eu só não esperava que ela fosse me jogar contra o vidro. Protegi o rosto dos cacos e fiquei de costas, quando escutei o vidro quebrar, não fui projetado para fora do carrinho, olhei para trás e Victoria estava segurando o carrinho enquanto atirava em direção aos policiais, aquela cena rodou em câmera lenta na minha cabeça, os cabelos dela estavam esvoaçando enquanto seu olhar penetrante focava em acertar os policiais. Ela era linda, demais.
Me tirou do carrinho e me colocou no chão, fui pulando em um pé só até a porta do passageiro, ela ligou o carro e deu ré manobrando, mas fomos surpreendidos com o impacto de uma batida de um camburão, Victoria nem se moveu, eu já havia colocado o cinto, ela acelerou e começou a costurar os carros que apareciam a nossa frente, entrando e saindo da contramão, atravessando os faróis vermelhos, não entendi como não batemos em nenhum carro, Victoria era uma piloto de fuga, não havia mais alguma explicação plausível do que essa.
Não fomos direto para casa, entramos em algumas ruas, ela começou a diminuir a velocidade, obedecer os sinais.
– Abre pra mim o porta-luvas e pegue um maço de cigarro, por favor.
– Cigarro pode matar.
Ela olhou para mim e rimos, entreguei para ela um cigarro, ela acendeu com seu isqueiro de ferro, notei melhor agora, havia uma gravura de uma fênix.
Ela segurava o volante com uma mão, enquanto fumava com a outra, observava com calma a rua, o rosto dela começou a aparecer um risco vermelho em sua bochecha e escorrer sangue. Eu estava sem nada para limpar, peguei a garrafa de vodka que eu havia trazido na hora de ir embora, tirei minha camiseta e joguei um pouco de vodka na minha camiseta.
– O que você ta fazendo? Isso é água benta!
Passei a camiseta no rosto dela devagar, limpei o sangue que escorria.
– Pronto.
Notei que ela havia começado a corar.
– Você esta bem?
Ela olhou para o lado de fora. — Estou ótima! Agora vista a camiseta por que esse seu corpo nu não ajuda em nada.
Vesti a camiseta e ficamos em silêncio, ela terminou o cigarro e respirou fundo e expirou, chegamos em uma rua paralela a da casa que estávamos, sai do carro, já conseguia andar com os dois pés, Victoria não ofereceu ajuda, acho que estava em estado pior que o meu, o ferimento em sua perna não tinha sido tão fundo, a mulher devia estar sem força para enfiar a estaca mais a fundo.
Estávamos andando pela calçada quando Victoria segurou em minha mão. Meus batimentos aceleraram e ela sorriu, acho que percebeu que eu havia começado a tremer. Ela parou e me abraçou, colocando a cabeça dela em meu ombro, olhou no meu olho.
–Me apaixonei tão rápido, gosto tanto de você... E pensar que eu preciso te matar me deixa tão triste.
Não precisava ser tão sincera.
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