S Project
4 Não me deixe sozinho com ela... Por favor.
" Seu velho broxa."
Scarlet
Me senti meio ameaçada por Victoria após ela me expulsar da casa e ficar sozinha com meu amigo, sinto que eles transaram ou... Fizeram coisas obscenas ou ele esta morto. Estou seriamente apostando na ultima.
Oliver estava sendo tão gentil, fomos dar uma volta pelas redondezas, as pessoas sempre ficavam olhando para nós dois, como se fossemos namorados ou algo do tipo. Paramos para comer alguma coisa, um lugar que vendia hotdog, mas ficamos receosos por causa de algumas pessoas saindo correndo de um mercado ali perto, algumas viaturas chegaram, Oliver se levantou, pagou a conta e me puxou. Ele estava de cara fechada, ficamos sem falar nada até chegar a uma rua antes da casa dele.
– Oliver, você esta bem?
– Estou, mas estou com medo.
– Por que?
– Nada importante...
Pensei em questionar a atitude dele mas ele parecia perturbado agora, com alguma coisa.
Chegamos a casa dele, Victoria e Damon não estavam ali, acho que saíram para comer também. Estranhei que havia sangue no chão, fui até outro cômodo, na pia da cozinha estava uma faca com sangue. — Acho que... Se divertiram sem a gente.
Oliver estava na sala e me escutou. — Não, ele esta vivo ainda, o carro não estava ai na frente.
– Será que ele a matou!?
– Se nem nosso pai conseguiu matar ela, duvido que um garoto consiga.
– Calma... Por que seu pai? Como assim?
Ele expirou como se fosse um desabafo. — Nosso pai era um ex-militar , lutou na guerra das nações e foi condecorado como "O Homem que vale por um exército."
Interrompi. — Guerra das Nações?
– Sim, acho que nunca te falaram sobre. Foi a guerra que decidiu qual país iria ser o mais forte de todos, e foi quando todos os países da Europa se uniram e formaram um só e exterminaram todos os outros. Meu pai era um homem forte, comandava a casa com punhos de ferro, mas quando fizemos mais ou menos dez anos, ele teve um ataque de nervos e ficou louco, o psiquiatra que acompanhou ele disse que o peso na consciência de ter matado tantas pessoas começou a pesar mais. No meu aniversario de quinze anos, ele chegou bêbado em casa, e sem motivos começou a me bater, eu não quis levantar minha mão para meu pai e ainda mais bêbado.
– Mas e Victoria?
– Ai que ela entra, ela chegou em casa alguns minutos depois e viu a cena de meu pai me espancando e eu sem reagir e ela foi para cima dele, ela já era quase profissional nas artes que lutava, imobilizou-o facilmente. Na madrugada do mesmo dia, eu acordei com barulho de disparos.
– Mas calma, sua mãe não entra em nenhum momento? Nem para te defender, questionar as ações do seu pai?
– Ela não se envolvia, apenas cuidava de nós dois, mas nesse dia ela parou de cuidar. Eu me levantei da cama, fui em direção ao quarto dos meus pais e... Minha mãe estava deitada na cama com dois buracos de tiro em seu peito e uma poça de sangue em volta dela, gritei por Victoria, ela saiu do quarto ela cambaleando de sono, a luz do banheiro do corredor estava acesa, a porta se abriu e meu pai saiu secando as mãos manchadas ainda de sangue, ele estava sóbrio, mas o que chamamos de sanidade já não existe mais naquele corpo. Ele puxou a arma da cintura, quando estava recarregando, Victoria correu em sua direção pronta para desarma-lo, mas ele a segurou pelo braço e a jogou para dentro do banheiro, eu corri para o telefone, comecei a ligar para a policia, escutei o barulho do espelho quebrando, alguns vidros e um barulho muito forte de algo batendo. Eu fui caminhando em direção ao corredor, quando olhei para o banheiro, Victoria estava com a cabeça no vaso, meu pai estava com a cabeça sangrando e alguns cacos de vidro pelo seu cabelo e roupa.
– Mas...
– Scarlet, sem mas, por favor. — Ele sorriu mas fechou a cara outra vez. — Meu pai veio caminhando em minha direção, a policia não atendia, corri para a gaveta de talheres, puxei uma faca de cortar carne, me encolhi no canto, meu pai apareceu na porta com a arma já apontada para mim, ele foi chegando mais perto, eu não tinha alcance para acerta-lo e nem coragem se tivesse, mas por milagre Victoria apareceu pelas costas dele enforcando-o, ela jogou o peso dela para trás e o fez cair batendo a cabeça na mesa, depois disso ele não acordou mais...
– Ele morreu?
– Não, apenas ficou inconsciente, Victoria queria mata-lo, mas eu não deixei, depois disso ligamos para a policia e resolvemos tudo.
– Poxa Oliver... Que historia pesada...
– Um pouco... Mas, estamos tocando a vida para frente, fomos treinados militarmente alguns meses depois por alguns anos e agora prestamos serviços secretos.
– Ah... Entendo. Você não deveria me dizer essas coisas, mal nos conhecemos.
– Estou pondo minha conta em risco, me garanto se algo acontecer.
Depois disso a porta se abriu, escutei Damon conversando indignado com Victoria.
– Como assim? Me matar?
– É a terceira vez que você pergunta, falei que daqui a pouco respondo. Esta tudo bem?
Oliver sorriu. — Sim, houve uma confusão lá fora, mais para o centro, acabamos de voltar.
Victoria por algum motivos abaixou a cabeça e riu um pouco, devia ser algo envolvendo ela, mas não comentei nada, ainda tenho medo de beijar o asfalto outra vez.
Oliver perguntou a Victoria. — Ligaram para você também?
Victoria respirou fundo, com expressão de frustrada. — Sim...
– Vamos lá fora, os dois esperem aqui.
Eles dois saíram da casa e escutamos o barulho da porta sendo trancada enquanto a encarávamos.
– Como esta indo? — Tentei quebrar o silêncio.
– Relativamente bem.
– Damon, certo?
– Sim...
– Prometo não esquecer.
Ele balançou a cabeça rindo enquanto fazia movimento de reprovação com ela, foi andando em direção ao que parecia um sofá, levantou os lençóis e havia diversas armas arrumadas ali. Ele pegou uma delas e então questionei.
– O que vai fazer com isso? Vai matar eles?
– Não.
Ele colocou o lençol de volta, segurando a arma foi subindo as escadas.
– Vou contar pra eles que você roubou uma arma deles!
– Você tem o que? Dez anos? Toma vergonha na cara, estou fazendo isso para sobrevivermos. Finja que não viu nada.
Eu queria continuar a discutir, mas ele tinha razão. Não tenho dez anos!
Victoria e Oliver voltaram. Victoria olhou para os lados. — Cadê?
Pensei em ajudar ele... Pensei em contar a verdade... Ele salvou minha vida. — O que?
Victoria abriu a porta outra vez e apontou para a rua. — Ta vendo aquele asfalto, ele me disse que esta apaixonado por você, acho que você pode dar uma chance a ele, vou te ajudar a beija-lo.
Graças a um milagre divino, Damon desceu as escadas. — Estava olhando como era a casa, bem antiga pelo visto.
Oliver começou a encarar Damon de forma agressiva. — O que esta fazendo ai em cima?
Damon desceu as escadas rindo. — Vê se eu tenho cara de DVD pra ficar repetindo as coisas.
Oliver cerrou os punhos e eles começaram a tremer, acho que Oliver queria espancar Damon, mas não podia por algum motivo.
Victoria fechou a porta. — Esta escuro suficiente, vocês dois, hora de dormir.
Olhei pela janela e ainda estava claro, era final de tarde, o sol estava se pondo, o dia passou rápido demais.
Olhei para ela. — Ainda esta cedo...
– Esta o que eu disser que esta e agora esta escuro o suficiente.
Fui até a janela e apontei para fora. — Claro.
– Escuta, eu acho que você precisa bater um papo com o senhor asfalto.
– Eu acho que preciso dormir.
Quando olhei para os colchões no chão, Damon já estava deitado em um deles.
Deitei no colchão que não tinha sangue e puxei ele um pouco para longe do sangue. Continuei deitada olhando para o teto, Victoria e Oliver foram para o lado de fora outra vez.
– Ei Damon...
Ele já estava dormindo. Cutuquei ele.
– Damon...
– Fala.
Ele estava fingindo muito bem.
– Não quero dormir.
– Melhor você dormir, hoje vai ser um dia agitado. Pense comigo, você foi tirada de um hospital antes de quasem te matar, logo depois policiais assassinam minha mãe e agora dois mercenários europeus estão nos mantendo sob custódia. Teremos uma noite relativamente agitada.
Ele virou para o lado. Virou de volta para mim, segurou minha mão e beijou minha testa.
– Nada de mal vai acontecer a você. Prometo. Mas você precisa confiar em mim, você confia em mim?
Depois de tudo que ele fez por mim, como não olhar para aqueles olhos negros e não se sentir segura? — Confio.
Ele sorriu, soltou minha mão e virou para o outro lado. Fechei meus olhos, comecei a pensar em tudo que poderia acontecer e acabei pegando no sono.
Acordei depois de um tempo, havia movimentação na casa. Abri os olhos, Damon ainda estava dormindo, alguns homens estavam andando pela casa, deixei os olhos entreabertos, eles iam da cozinha para o lado de fora, alguns pegaram as armas amontoadas em baixo do lençol e também levaram para o lado de fora. Nem sinal do Oliver ou de Victoria.
Alguns minutos deles andando, todos saíram da casa, me apressei em acordar Damon, mas quando fui cutuca-lo, ele já estava acordado.
– Continua deitada, quando eu falar para você correr, você corre.
Ele se levantou e subiu as escadas correndo. Escutei o barulho de uma porta abrindo e fechando, depois a porta da frente se abriu, Oliver entrou, ele estava com um colete e segurando uma arma.
Escutei o barulho dos passos dele se aproximando, depois o barulho parou e senti a mão dele arrumando meu cabelo. — Scarlet, acordou?
Eu não conseguia mais fingir.
– Seu rosto esta ficando vermelho, vamos, levante-se.
Abri os olhos, ele estava ajoelhado na minha frente, me levantei.
– Onde esta o garoto?
Quando ele disse isso, as palavras de Damon ecoaram em minha cabeça, "Você confia em mim?" — Ele deve ter acordado antes de mim, não o vi.
Alguns homens abriram a porta da casa, todos de mascaras, dois ficaram na porta, dois vieram em nossa direção, empurraram Oliver e me algemaram de forma violenta. Eu queria questionar a atitude deles com Oliver, mas lembrei que Damon disse que a noite iria ser longa e que eles dois, Oliver e Victoria eram mercenários, talvez estivessem fazendo apenas a missão deles.
Um dos homens que me algemou se virou para os dois na porta. — Os dois, verifiquem lá em cima, podem usar força bruta caso ele tente reagir.
Os dois subiram as escadas rapidamente com as armas apontadas para frente. Oliver começou a me levar em direção a porta da frente, quatro barulhos diferentes em 2 segundos, foi impressionante. Uma porta se abre, uma explosão, um som agudo e outra explosão.
– O que houve? Vá lá em cima verificar.
O terceiro subiu correndo, outra explosão e ele foi projetado escada a baixo, Oliver me tirou da frente do trajeto.
– Oliver, suba lá.
Oliver me soltou na hora, segurou sua arma e começou a subir as escadas. Certo ponto, ele parou e ficou imóvel, Damon apareceu segurando a arma que havia guardado apontando para Oliver. — Pense, o que é mais rápido, seu corpo ou meu dedo?
Oliver continuou parado, o ultimo agente sacou sua arma depressa, quando foi apontar para Damon, eu senti a necessidade de ajudar, joguei meu corpo contra ele, ele facilmente me desequilibrou e me jogou no chão, mas consegui tempo para Damon agir, ele chutou o peito de Oliver que rolou escada abaixo e acertou um tiro no agente que faltava.
Ele desceu as escadas correndo. — Ele esta inconsciente.
Oliver estava no hall da escada quase morto, Damon recolheu a arma dele, foi até o agente que havia ficado, procurou por algo e achou um revolver em sua cintura.
– Vamos embora, antes que Victoria apareça e as coisas engrossem para nós.
– As algemas?
– A gente se livra dela depois.
Damon abriu a porta, quando demos três passos em direção a rua, percebemos Victoria sentada no gramado a frente da casa. Segurando uma garrafa de bebida ela disse. — Já foram três passos, no quarto eu levanto.
Damon apontou a arma para ela. — Acho que não vai conseguir me bater se estiver com uma bala no cérebro.
Victoria se levantou, deixou a garrafa no chão. — Se é homem o suficiente, enfie essa bala agora. — Segurou o cano da arma de Damon e colocou em sua cabeça. — Vamos, puxe o gatilho.
Damon começou a tremer.
– Você não é homem o suficiente.
Damon mexeu o dedo, por um momento achei que ele fosse estourar os miolos de Victoria, mas ele soltou o gatilho.
– Não posso fazer isso com você...
Damon abaixou a arma, segurou-a pelo cano e a apoiou no chão.
Victoria virou de costas, foi em direção a sua garrafa.
– Me desculpe... — Damon pegou a arma e acertou o cabo dela no joelho de Victoria que caiu no chão. — CORRE PRO CARRO!
Fui correndo para o carro, olhei para trás e Damon empurrou Victoria com o pé, pegou a garrafa e pôs perto dela e veio correndo em minha direção.
– Queria perguntar qual é o gosto de chão pra ela.
– Se ela levantar a gente esta morto, você sabe.
Ele entrou no carro. — Estamos sem a chave.
Saímos do carro e começamos a correr em direção a avenida pela qual dava caminho ao centro. Ele jogou a arma dentro de um arbusto e começamos a correr depressa.
– Qual o seu plano? — Perguntei a ele.
– Nenhum, vamos arranjar carona.
Começamos a andar na calçada, Damon ficou com dedo levantado enquanto andávamos.
– O que é esse gesto?
– Estou tentando conseguir carona.
Depois de alguns minutos andando sem rumo, um carro vermelho parou, um homem abriu a janela. — Estão indo para onde?
– Não sabemos, para onde você esta indo?
– Aeroporto.
Nesse momento, os olhos de Damon brilharam como se ele tivesse tido uma ideia.
– Pode nos dar carona até lá?
– Claro.
Entramos no carro, o homem possuía cabelos grisalhos, quase brancos, devia ser um senhor de idade.
Depois da avenida pegamos uma rodovia. Antes de pegarmos a rodovia, alguns carros grandes, perguntei a Damon o nome, ele disse que eram camburões, serviam para transportar uma grande quantidade agentes especiais e piscou para mim.
– Estranha movimentação da policia hoje, parece que teve um atentado a um mercado hoje, mas agentes especiais acho exagero.
Damon puxava assunto com o senhor, que por sinal era simpático. — Sim, olha que vivemos na parte nobre e ainda acontece essas coisas.
– Então garoto, qual seu nome?
– Damon, ela se chama Scarlet.
– Não são nomes comuns... Quais seus nomes de verdade? Ou vou parar o carro aqui mesmo.
Damon puxou um papel verde, o senhor olhou. — Damon Freitas... Interessante. Esta fugindo de quem Damon? Quer viver com sua namorada em paz?
– Ela não é minha namorada...
– Amiga?
– Sim... Uma amiga por assim dizer.
Mostrei minha dog tag para ele.
– Scarlet... Realmente, que nomes bonitos. Agora sério, estão fugindo de quem?
– Ninguém... — Damon recuou.
– Garoto, você não sabe mentir, não sabia para onde ia no meio de uma avenida e quando eu disse aeroporto seus olhos brilharam, você na verdade é um foragido da lei que eu sei... Mas fique calmo, também não sou a melhor pessoa do mundo.
Damon riu aliviado. — Obrigado...
– Pretende ir para África, não?
– Sim... Exatamente.
– Não vai conseguir nada com seu nome verdadeiro.
Ele parou o carro no meio da rodovia, ligou o pisca alerta, saiu do carro e foi até o porta malas.
– Achei!
Voltou para o carro com o mesmo papel verde e agora um pequeno livro.
– Seu nome agora é... Marco Delacour e o seu pequena garota... É Celine Delacour.
Ele me deu o livrinho e o papel verde.
Damon estendeu a mão para o homem. — Somos eternamente gratos...
Continuamos a caminho do aeroporto.
Eu estava quase dormindo quando li uma placa enorme. "Aeroporto Internacional".
– Scarlet, estamos chegando, se prepare, se por um acaso você veja Oliver ou Victoria, me avise imediatamente e não deixe eles te verem.
Estávamos prestes a chegar ao aeroporto quando dois carros pretos começaram a costurar por entre os vãos e aceleraram e direção ao aeroporto.
– Chegaram primeiro que você garoto, boa sorte.
O senhor havia mentido para nós, ele não ia pegar nenhum voo, apenas quis nos ajudar. Me despedi dele com um abraço bem forte, ele sorriu de volta e disse "Boa sorte".
Antes de entrarmos no aeroporto. — Se lembra do que eu disse no carro?
– Avisar.
Ele concordou com a cabeça e entramos no aeroporto. Fomos andando até notarmos uma movimentação vinda de um lado do aeroporto, ele me puxou em direção a uma fila.
– Vamos pegar passagens.
– Pegar? Não seria comprar?
– Não, vamos para um país de classe baixa, não importa quem você é ou o que vai fazer lá, eles apenas te dão a passagem de graça, quanto menos gente no país melhor.
– Nossa... Não é crueldade?
– Não, na guerra das nações, o lugar para onde vamos nem chegou a se envolver, logo ficou em ultimo.
Ficamos parados na fila, de vez em quando eu me escondia sobre o peito de Damon, para que não me vissem. Quando chegou nossa vez, a atendente olhou para nós dois e fixou os olhos em Damon.
– Boa tarde, como posso ajuda-los?
– Duas passagens para África.
– Desejam viajar hoje mesmo? Não querem esperar o dia amanhecer?
– Hoje mesmo, depressa...
– Registro e passaporte.
Damon entregou o livrinho e o papel verde.
– Tudo bem senhor e senhora Delacour... Temos uma nova política, você agora precisa justificar sua viagem. — Ela estendeu um papel para Damon e ficou parado. — Senhor?
Damon torceu o nariz e pegou o papel junto com a caneta.
– Pode sentar-se ali senhor, para melhor conforto.
– Acabei.
A atendente fez questão de ler em voz alta. — Minha mãe foi assassinada e não tenho motivos para continuar aqui.
Ela carimbou as duas passagens. — Boa viagem.
Damon puxou da mão dela.
Começamos a andar sem rumo, aquele lugar era grande. Damon pegou os papeis para ler. — Vamos viajar daqui a duas horas... Merda.
Minha barriga roncou e tive a impressão que Damon escutou. — Vamos comer alguma coisa.
Ele começou a procurar por algum lugar para comer, aparentemente ele achou e começou a se distanciar de mim, indo em direção ao restaurante, acabei gritando sem querer. — Damon, me espera!
Dois agentes que estavam nos perseguindo e não percebemos saíram correndo e imobilizaram Damon com bastante violência, depois de algema-lo, acertaram uma coronhada em sua cabeça.
Comigo eles foram mais cautelosos, apenas me algemaram, mas colocaram um pano em minha boca e desmaiei.
Tempo depois acordamos dentro de uma sala, Damon estava sentado em uma cadeira, amarrado, a alguns metros de mim. Dois homens entraram na sala, um deles era conhecido, o mesmo homem que atirou na cabeça da mãe de Damon.
– Vejamos... Duas passagens para África, passaportes falsos, registros falsos... Querendo ou não vocês estão bem encrencados.
Damon cuspiu em direção ao velho. — Encrencado vai estar você quando estiver com um buraco de bala em sua testa.
O senhor foi andando calmamente até Damon e começou a surrar sua barriga. — Cale a boca.
Ele sentou em uma cadeira entre eu e Damon. — Fui pago para manter os dois vivos... Não me force a te matar garoto.
– Então você quer me matar? Da mesma forma que matou minha mãe? Por que não me tira daqui e resolvemos como homens? A coluna não deixa?
O velho outra vez levantou, dessa vez acertou o rosto de Damon.
– Mandei ficar quieto.
– Fácil bater em alguém que não se mexe, aliás, é fácil atirar em uma pessoa desarmada também. Velho escroto.
O senhor tirou uma arma de dentro de sua jaqueta e apontou para a cabeça de Damon. — Pretende continuar?
– FROUXO! Velho covarde, vamos, atire, pinte a parede com meu cérebro, seu velho broxa.
O senhor engatilhou a arma, eu fechei os olhos, mas fomos interrompidos por uma voz familiar, era Victoria.
– Abaixa essa arma,você não vai matar ninguém.
Ele obedeceu Victoria, Damon decidiu provocar mais ainda. — Boa cachorrinho, agora rola. Otário.
O senhor sem hesitar acertou a arma no rosto de Damon. — Vou te matar ainda.
Damon cuspiu sangue no chão. — Depois que ela te soltar da coleira? Veremos.
Ele saiu da sala e Victoria começou a encarar Damon que estava com um ar de riso, mas não queria rir. Ela abriu a porta e gritou por Oliver, ele veio correndo, sua cabeça estava enfaixada.
– Tire-a daqui. Tenho assuntos para resolver.
Damon se mexeu na cadeira. — Meu deus, não me deixe sozinho aqui dentro com ela, por favor!
Oliver me pegou no colo. — Não consigo te odiar.
Abracei ele.
Quando estávamos saindo da sala, escutei as ultimas palavras de Victoria.
" Você deu mais de cinco passos para fora da casa. Me acertou um chute pelas costas. Precisamos resolver esse impasse."
Um grito de Damon ecoou pelo corredor onde Oliver me levava.
Ele puxou mais passagens de dentro do bolso. — Vamos fazer uma viagem...
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