S Project

5 Uma nova realidade


Damon

Fiquei com medo do que Victoria pudesse fazer, então supliquei aos berros. — Victoria vá com calma, por favor! Eu fiz aquilo para sobreviver, entenda!

Ela veio andando até mim, sem dizer nada, acertou um tapa na minha cara.

– Por que você fugiu de mim? — Ela me acertou outro tapa. — Eu teria fugido com você!

– Você foi paga para me matar ou... Me sequestrar, como eu poderia confiar em você?

Depois de tudo que passamos aqueles dois dias juntos, percebi que a escolhas de palavras foram rudes. Notei que realmente foi pois tomei um tapa na cara.

– Você não tem sentimentos?

Os olhos dela tremiam, não acredito que ela ia chorar.

– Isso prova que não posso realmente confiar em ninguém...

– Victoria, não é assim! Eu precisava me salvar e salvar Scarlet...

– AH CLARO! Salve a menina estranha.

Ela soltou as algemas da minha mão, mas eu continuei sentado.

– A estranha é minha irmã...

Victoria ficou alguns segundos me encarando, talvez tentando ver se eu estava mentindo.

– Não pode ser... Vocês não se parecem em nada!

– Adoção... Sim, sou adotado. As diferenças entre eu e minha mãe eram gritantes, notei isso ao longo do tempo.

– Como sabe que ela é sua irmã? Como tem certeza?

– Isso é uma longa historia... Te conto com mais detalhes quando tiver tempo.

– Não temos? Eu dou as ordens aqui e temos bastante tempo...

Nos encaramos por algum segundo, ela se aproximou de mim, colocando a mão em meu ombro, curvou as costas e ficou cara a cara comigo.

– Repetindo... Eu dou as ordens aqui. Pelo que me lembre, eram cinco passos fora da casa e você morria.

Nesse mesmo momento, a mão dela que estava no meu ombro grudou como uma garra e ela me jogou no chão. Enquanto no chão, ela apoiou o joelho nas minhas costas puxando meu braço para trás. — Sabe, eu odiei ser acertada por trás, me senti fraca... Como você se sente agora? — Ela forçou mais o joelho. — Melhor impossível...

Ela soltou meu braço e pegou as algemas que estavam atrás dela. — Nunca tentei com algemas, será que é divertido?

– Descubra sozinha. — Joguei-a com força para trás, mas tentativa de fugir, ela foi mais rápida e prendeu a algema a minha canela, e o outro lado em seu pulso.

– Não. Acho que não.

– Victoria meu deus! Pare com isso, assusta bastante!

Ela me puxou com força, fui de encontro com o chão.

Ela levantou, sentou-se em cima de mim e puxou o braço com a algema, no começo não doía, mas passou a doer...

– Sabe, não sou mulher de brincar com algemas de pelúcia, brinco para valer.

– Sabe, não sou um escravo sexual de uma ruiva gostosa.

Virei minha cabeça e notei um pequeno sorriso no canto de sua boca.

– Você é sim...

Ela começou a puxar mais minha perna, só parou quando percebeu que mais força apenas quebraria e claro eu estava quase chorando.

– Victoria por favor pare com isso!

– Você sabe o que eu quero, não vou parar enquanto não conseguir...

Não ia gritar outra vez, é vergonhoso! Mas fui salvo por um telefonema em seu celular.

– Alô? Sim... Mudanças de planos? Escolta? Tenho cara de guarda costas? Sou uma dama.

Comecei a rir e ela puxou minha perna mais ainda. — CACETE, VAI QUEBRAR!

– Não... Só um estranho na rua, não se preocupe... Esta bem, vou escolta-la.

Ela desligou o celular.

– Pronto, podemos continuar de onde paramos...

Fui salvo outra vez por alguém batendo a porta, ela me arrastou no chão até a porta.

– Fale!

Era o velho broxa outra vez.

– FALA VELHOTE! Veio buscar suas pílulas pra controlar a urina e não se mijar nas calças?

Ele me ignorou de forma fria.

– Vamos, mudanças de planos, já entraram em contato com você?

– Sim.

– Devo perguntar? — Olhou para mim no chão com uma algema na canela.

– Não.

Ele estendeu duas passagens para Victoria. — Portão 7. Uma garota de pijamas.

– Claro, por que uma garota de pijamas é única na merda de um aeroporto internacional.

– VELHO BURRO! — Victoria acertou um chute em meu saco com o calcanhar que eu senti meu corpo vibrar de dor.

– Se ela não estiver lá, estará dentro do avião provavelmente.

– Sim senhor.

Ele foi andando, Victoria começou me arrastar para fora da sala, pelos corredores, até que atravessamos outra porta e saímos dentro do aeroporto.

– Isso é vergonhoso.

– Calado.

– Você esta me fazendo passar vergonha...

– Você me fez passar um sufoco do caralho.

– Sim, mas já resolvemos.

– Claro, vou resolver nosso pequeno impasse aqui.

Ela soltou a algema do pulso dela e me prendeu em um banco. — No chão.

– Ahn?

– Chão! Agora!

– Escuta, eu não sou um cachorro.

Ela agarrou pelo meu cangote e me jogou contra o chão e pisou na minha cara. — Você... É... Meu... Cachorrinho... CALA A BOCA E FICA NO CHÃO!

O berro dela ecoou pelo aeroporto, algumas pessoas olharam, outras nem se atreveram. Continuei deitado.

– Volto em alguns minutos.

– Rala.

Ela tirou o pé de meu rosto e foi andando e se perdeu na multidão. Fiquei alguns segundos no chão e depois voltei a sentar na cadeira. Fiquei encarando algumas pessoas que passavam, todas estavam bem vestidas, pareciam felizes, malas enormes, famílias unidas... Aquilo mexeu comigo... Nunca havia conhecido meu pai de verdade, nem mãe de verdade... Besteira, minha mãe de verdade foi assassinada, minha mãe foi quem me criou e me deu carinho. Não uma fracassada que abandonou o próprio filho... Por mais que eu tivesse ódio daquele velho, meu desejo de vingança não se pronunciava, apenas o desejo de proteger Scarlet, como se fosse uma promessa que fiz a minha mãe, da qual não fiz. Enquanto ainda olhava as pessoas, notei uma figura incomum, incomum mesmo! Uma menina escoltada por dois homens seguia caminho apressada, o mais intrigante era os cabelos azuis e longos, aquilo me deixou realmente confuso, mas o sentimento de confusão se esmaeceu quando senti algo em minhas costas.

– O que eu mandei ?

Era Victoria... Antes que eu pudesse agir ou falar, ela me empurrou com o pé dela para o chão. — Chão.

Olhei na mão dela, ela estava segurando uma coleira.

– Não, não, não, não, não!

Ela estralou os dedos. — Vamos resolver isso aqui mesmo?

– Mediante a minha honra, devo entender que isso é um desafio, certo?

– Sim.

– Valendo?

– Você pode usar essa coleira em mim.

Pensei por alguns segundos e percebi que era burrice, sentei na cadeira. — Pode por.

– Que parte você não entendeu?

Ela me segurou pelo cangote outra vez, me jogou no chão e se ajoelho sobre mim ajustando a coleira. Me levantei com a sensação horrível de algo no pescoço, agora sei como cachorros se sentem.

– Vamos, hora de dar uma volta.

Eu não acreditava mas eu estava sendo arrastado por um aeroporto com uma coleira. O sorriso no rosto de Victoria era impressionante, ela estava adorando.

Alguns minutos andando ela parou e olhou para uma placa, olhou para onde apontava o portão 7.

– Vamos precisar escoltar quem? Para onde?

– A filha do ministro de segurança da Europa.

– Ah, entendo.

Chegamos a poucos metros do portão de embarque, não passamos pela revista, nem detector de metal, acho que era algum tipo de entrada VIP. Entramos em uma sala, Scarlet estava sentada com Oliver, sentamos nas cadeiras opostas a eles, ela estava rindo, Oliver parecia ser alguém engraçado pelo visto. Uma mulher entrou na sala. — O embarque será feito em vinte minutos, faremos escala em Marrocos para a entrada de mais passageiros.

Concordamos com a cabeça e ela saiu da sala, voltei a olhar para os dois e eles estavam olhando minha coleira. Scarlet indagou. — Damon, por que?

– Pergunte a Victoria.

Victoria nem esperou ela perguntar. — Animais de estimação rebeldes precisam ser repreendidos, não posso dar mais liberdade, não é?

– Não.

Ela puxou a coleira para perto. — Não é?

– Pode ser.

– Bom garoto.

A porta se abriu outra vez, era a mesma mulher. — Embarque será efetuado mais cedo do que o previsto.

Atrás dela, a mesma garota de cabelos azuis passou por ela, ainda escoltada pelos dois brutamontes. Victoria me puxou pela coleira, ela já estava de pé. Oliver e Scarlet ainda riam, acho que agora era de mim.

– Vou beber água. — Victoria soltou a coleira de mim. — Acho que já aprendeu a lição, mas vou ficar com isso.

Haviam três filas de embarque, agora havia o detector de metal. Oliver me deu um tapinha no ombro e me estendeu com a outra mão as passagens. — Vai precisar.

Continuei andando na fila. — Claro, embarcar sem passagem vai ser bem radical.

Enquanto andava e falava com Oliver, sem querer trombei com a garota de cabelos azuis, no mesmo momento em que a toquei, um dos seguranças me imobilizou e brutalmente me projetou contra o chão, segurando meu braço para trás das costas. — Se afaste!

– Você já fez isso por mim, agora me solte. — Ele começou a puxar mais meu braço.

– Vai aprender a olhar para a frente.

Ele começou a puxar mais, senti uma dor absurda no braço, ele estava disposto a quebrar meu braço, as pessoas a minha volta olhavam fixamente para a cena.

A garota de cabelos azuis se pronunciou, uma voz calma e preocupada. — Vai machuca-lo! Pare!

Ele a ignorou, mas não pôde ignorar um chute de Victoria na lateral de seu rosto, jogando-o para fora da fila. — Quer brigar? Faz tempo que não arrebento alguns dentes.

O guarda-costas se levantou, o outro se aproximou. — Exato, precisam arrebentar seus dentes. — Disse ele estralando os dedos.

Victoria jogou o cabelo para trás, o ajeitou em um coque. Enquanto os dois se aproximavam dela, Oliver cruzou os braços e riu da cena, como se já soubesse como iria acabar, enquanto olhava para a pré-briga, senti uma mão delicada e relativamente pequena tocar meu ombro e outra vez veio a tona a voz calma e preocupada. — Você esta bem?

Olhei para trás com um sorriso. — Claro que esta, não se preocupe!

Ela corou e escondeu um pouco o rosto. — Peço desculpa pela atitude rude de meus subordinados, sou contra a forma com que eles agem, mas é a única que eles sabem.

– Não precisa se desculpar, você não tem culpa. — Me levantei com um pequeno esforço, enquanto levantava, aproveitei para reparar em tudo. Ela era a garota que precisava ser escoltada. Cabelos azuis, um pijama um tanto quanto incomum também. Levantei de forma errada, acabei ficando cara a cara com ela, mas seus olhos verdes me prenderam a atenção mais tempo do que devia. Me afastei um pouco, ainda sem falar nada, de cima, seu pijama era ainda mais bonito. Na sua camiseta branca, estava estampado um circulo, com dois olhos e o que parecia uma estaca atravessando o circulo, não me era estranho, a cor preta tomava o desenho.

Quando terminei de olhar para ela, lembrei de Victoria, olhei para trás e ela estava sendo segurada pelos seguranças do aeroporto, enquanto os dois guarda-costas estavam no chão. Já era de se esperar.

– Próximo.

As filas voltaram a funcionar normalmente, soltaram Victoria e ela veio para a mesma fila que eu e a garota. Passou a minha frente. — Você, garota, filha do ministro?

Ela recuou um pouco assustada.

– Você é surda?

Puxei Victoria para trás de mim. — Calma, ela só é grossa as vezes. Ela e o ruivo na outra fila são contratados para escoltar você até sua casa, mas só precisam saber se é você mesmo.

Ela olhou nos meus olho mais calma. — Sim, sou eu...

Victoria percebeu que ela olhava para mim fixamente e colocou os braços sobre meu ombro e olhou para a menina. — Não vai dizer seu nome? — Em tom rude.

Tirei os braços de Victoria de meu ombro. — Diga quando estiver se sentindo segura, ou quando quiser.

Victoria sussurrou no meu ouvido. — Esta apaixonado? Se estiver, só me avisar, mato você aqui mesmo.

Essas palavras entraram no meu cérebro como projeteis, aquilo me assustou.

Fomos andando na fila, ninguém mais ousou dizer uma palavra, Oliver e Scarlet estavam andando na nossa frente, todas as outras pessoas eram normais, ninguém aparentava ser pobre, ou nobre.

Já dentro do avião, fui ao banheiro antes, quando voltei olhei no papel, poltrona 78B, quando olhei para meu assento, Victoria estava na janela, a garota estava na poltrona do corredor. Justo no meio. Quando me sentei, percebi que eu era o ultimo a me sentar. O avião estava relativamente cheio, sobravam uma ou duas poltronas.

"Senhores passageiros, apertem os cintos, desliguem seus telefones celulares. O avião logo ira decolar.".

Eu estava começando a achar que iria morrer naquele silêncio.

Depois de alguns minutos, o avião decolou, a menina colocou um fone de ouvido, Victoria parou em frente a janela e começou a encarar o céu.

Cruzei as mãos e esperei alguma coisa acontecer, acabei pegando no sono. Acordei um tempo depois, estávamos voando no meio do nada.

Victoria continuava olhando pela janela, a garota já estava dormindo, aquele cabelo azul me deixava hipnotizado, parecia tão natural. Victoria por outro lado parecia estar emburrada com aquilo tudo, uma de suas mãos estava no braço da poltrona, entrelacei meus dedos nos dela e deitei minha cabeça em seu ombro. Adormeci outra vez.

Acordei com uma leve turbulência, Victoria também estava dormindo em sua poltrona, tentei me soltar mas meus dedos estava presos ao dela, decidi deixar minha mão ali para não acorda-la. Olhei para o lado, a garota estava acordada, agora mexendo a cabeça enquanto escutava sua musica, não fazia ideia do tempo que levaria até chegar em Marrocos, já estava insuportável ficar ali dentro. Depois de horas dentro de um avião, o piloto ligou o alto-falante.

"Senhores passageiros, vamos passar por uma aterrissagem forçada, mantenham-se sentados, mascaras cairão."

Victoria acordou na hora, a garota manteve a calma, eu fiquei alvoroçado e segurei na mão de Victoria mais forte ainda. — Vamos morrer?

Victoria passou a mão em meu cabelo, sorriu para mim. — Não bebê, não vamos...

Continuei sentado, fechei os olhos, o avião tremia bastante, passou a chacoalhar, comecei a afundar em minha poltrona. Abri os olhos, estávamos chacoalhando muito, depois de alguns segundos, a frente do avião foi brutalmente amassada, aquela cena de sangue se espalhando pelas paredes do avião foi muito pesadas, depois que o avião parou, Victoria se levantou, a garota também, esperei as duas se levantarem, olhei ao fundo, as pessoas já estavam evacuando, Oliver estava com Scarlet. Quando tentei abrir o cinto, estava emperrado, Victoria e a menina já estavam ao fundo, tentei gritar por elas mas a gritaria das outras pessoas estava atrapalhando, gritei duas vezes por Victoria mas ela não escutou.

A turbina do meu lado do avião começou a pegar fogo. Victoria entrou no avião. — Damon!?

– Saia!

Ela olhou para mim ainda sentado. — Calma, estou indo!

– Victoria, saia! Agora!

Ela veio andando em minha direção, mas a turbina do avião explodiu, ela estava longe o suficiente para não me matar, mas perto suficiente para me avariar. Escutei mais alguns gritos de Victoria e depois o silêncio. Meu braço estava com queimaduras, eu estava em baixo de muito aço do avião. A fumaça começou a tomar o lugar do oxigênio, tirei minha camiseta e a fiz de mascara. Não adiantou muito, estava quente, meu braço com queimaduras aparentemente graves, acho que era hora de dar adeus, não conseguia ver nada, nem ninguém. Não escutava nem falava, eu não era nada ali, apenas um pedaço de carne prestes a ser assado. Em uma ultima tentativa, tentei tirar o cinto, dessa vez eu consegui, caí no chão e comecei a me arrastar em direção ao corredor, o teto começou a cair, as cadeiras seguraram a carcaça, mas certeza que não sustentaria por muito tempo.

Eu não podia deixar Scarlet sozinha, Oliver pode ser uma boa pessoa, mas eu sou a família dela, preciso sair vivo daqui, preciso protegê-la. Ela não sabe a verdade, mas eu sei.

Continuei a me arrastar pelo chão, os fundos do avião estavam cada vez mais longe, eu tinha impressão que aquilo havia virado um infinito, talvez eu já estivesse morto e aquilo fosse imaginação da minha cabeça, se for imaginação ou não, preciso sair daqui.

Continuei a me arrastar, estava difícil fazer isso com um braço só. O calor só aumentava, as vezes olhava para trás, as chamas continuavam a se aproximar, finalmente o final do corredor chegou, a porta estava encostada, me sentei e empurrei com a mão a porta, ela estava emperrada, me deitei outra vez e comecei a chutar a porta, havia algo bloqueando a porta, ela nem se mexia. Voltei para o corredor, precisava abrir uma das janelas, por sorte as janelas perto do final do corredor estavam livres ainda, sem escombros ainda, as chamas estavam longes, dava para agir. Abri os compartimentos de bagagens atrás de algo duro ou pontudo, depois de abrir algumas malas, encontrei um cinto, amarrei ele no meu pé, coloquei a parte de ferro em meu calcanhar, coloquei minha camiseta outra vez, acertei alguns chutes na janela, a partir do quinto chute, começou a rachar, as chamas começaram a se aproximar, felizmente quebrei o vidro da janela antes das chamas consumirem tudo.

Acho que preferia ter morrido queimado, a altura da janela até o chão era muito alta, não havia nada para amenizar a queda, mas fazer o que? Fechei os olhos e me joguei, o medo de altura crescia absurdamente enquanto eu caía, quando cheguei no chão, o impacto foi bem doloroso, o terreno era de areia, amenizou um pouco a queda, me levantei relutante, estava doendo demais, tudo.

Comecei a me arrastar em direção a carcaça do avião para me apoiar e esperar ajuda, não consegui ver ninguém por perto, apenas fumaça e chamas, quando me levantei para acelerar o processo, eu cambaleava, mal me mantive em pé, piorou quando a outra turbina explodiu e o avião pendeu para o meu lado, aquele monstro estava lentamente caindo em minha direção, o pânico me fez agir, o pânico me fez errar, depois que me joguei... De nada consigo lembrar.

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– Hey, acorde!

Alguma coisa cutucava, quando abri os olhos, uma menina, cabelos castanhos escorriam pelo seu rosto, alguns cachos. Quando ela tirou o cabelo em seu rosto pude reparar melhor, olhos grandes, verdes como esmeraldas. Pálida, lábios rosados e bochechas grandes, uma beleza de certo inigualável.

– Você esta bem?

Balancei a cabeça de um lado para o outro, tentando me localizar.

– Na verdade, eu não me importo, só quero saber seu nome.

Olhei nos olhos dela. — Nome?

– Sim!

Meu nome? Qual é o meu nome?

– Não sei.

– Meu nome é Bruna, toda pessoa tem um nome, qual seu nome?

– Juro que não sei.

Ela me deu um tapa na cara. — Esta brincando comigo seu filho de uma puta?

Eu ignorei o tapa na cara, sentei no chão, passei a mão sobre minha cabeça, um pouco de sangue seco caiu.

A garota abaixou minha cabeça. — Garoto, agora entendi.

Minha cabeça doía, olhei para trás e uma mancha de sangue estava escorrida pela carcaça.

– Seu nome.

Eu realmente me esforcei para tentar lembrar, mas estava um vazio em minha mente, não conseguia lembrar de nada. — Me perdoe... Mas eu não lembro meu nome. Me desculpe.

Ela sentou-se ao meu lado, começamos a olhar uma planície deserta, junto com escombros de um avião queimado. — Tudo bem, seu braço dói? Sua cabeça dói?

Reparei que meu braço estava queimado e minha cabeça com certeza tinha algum ferimento sério, quando notei, eles começaram a doer, mas fingi. — Não, esta tudo bem.

Alguns homens reviravam os escombros, alguns carregavam partes do avião, seguiam em direção ao nada com grandes carcaças de ferros.

Olhei para eles. — Devo perguntar?

– Sabe, algumas pessoas precisam de casas para morar.

Ela se levantou, me deu a mão para levantar. — Bom, Christian, só quero dizer que agora você é minha propriedade.

– (...)? Christian?

– Exato, eu encontrei você, você não sabe quem é, logo é meu prisioneiro. Você não sabe seu nome, logo eu decido.

– Por que eu deveria ir com você?

– Seus machucados, seu estado deplorável, aposto que você esta com fome.

É, não posso negar, me joguei sobre ela, ela me segurou em seu ombro, começamos a caminhar, a planície parecia não terminar. Após um longo tempo andando, o sol começou a ficar mais quente, mas não paramos, meu couro cabeludo queimava, meu braço ardia, acho que eu já estava em estagio de ficar mais moreno. Mais ainda. Eu percebi que estava fedendo, a tudo que pudesse imaginar, não entendi como ela estava me aguentando ali do lado dela.

Algo começou a soar, um bip incansável, um dos homens dela olhou para trás, ela acenou com a cabeça.

– Vamos, plano A.

Rapidamente ela me pegou nas costas e começou a correr de cavalinho, os homens ali se apressaram com as carcaças, alguns abandonaram as mais pesadas e ajudaram a levar as menores. Logo chegou uma parede de pedras, ela me sentou ali. — Espere aqui, vamos precisar resolver alguns imprevistos.

Ela me deixou sozinho ali, um cara saiu correndo com uma mala preta, eles puxaram algumas armas, começaram a subir a parede de pedras e se esconderam dentro de algumas fissuras ou atrás de pedras muitos grandes. Eu continuei lá sentado. Deixaram as carcaças a vista por algum motivo.

Passaram-se alguns segundos, o sol estava fritando meu rosto. Um ronco de motor ao fundo soava, ficou mais alto, mais alto, até que parou, uma porta se abriu, depois outras também se abriram e se fecharam. Um grupo de pessoas fardadas começaram a caminhar, olharam para a carcaça, depois para mim, eu não tinha saída ali, era uma meia lua.

Eles me encararam, um deles puxou um walkie talkie, disse algo, o desligou e depois confirmou com a cabeça para seus companheiros. Ali eles sentaram.

Uma voz vinda da parede, sussurrou. — Ei, vamos dar cabo deles, espere mais alguns minutos.

Então passaram-se esses minutos, os homens fardados se levantaram, outro carro chegou, mas esse parou alguns metros a minha frente, uma mulher desceu do carro correndo gritando "Damon", ela era muito bonita, ruiva, corpo esbelto e bem distribuído.

Quando ela estava se aproximando, Bruna pulou e deslizou pelas pedras apontando a arma para a ruiva. — Se afaste da minha propriedade.

Ela apontou para mim. — Ele? Sua propriedade? — Ela então começou a rir.

Bruna atirou em direção a ela, ela mexeu a cabeça alguns centímetros, alguns fio de cabelos voaram. Os homens atrás da ruiva se mexeram mas ela levantou a mão e eles pararam. — Ele pertence a mim.

– Seu nome não esta nele. Mesmo se estiver, eu encontrei ele em estado deplorável, se pertence a você, você não deu valor devido.

– Damon, pare com essa brincadeira, vamos logo, não tenho tempo para joguinhos.

Aquele nome, Damon, começou a ecoar na minha cabeça, eu conhecia de algum lugar, o esforço fez minha cabeça doer, coloquei a mão no meu ferimento, que agora latejava de dor.

– O que aconteceu com ele? — Ela perguntou para Bruna.

– Apenas encontramos ele no chão inconsciente, um ferimento na cabeça, queimaduras no braço.

Ela andou em minha direção e Bruna atirou no chão a sua frente. — Já disse, se afaste.

– Esta bem, se eu não o conhecesse, não saberia que há um ferimento em sua perna, em baixo de sua bunda.

Coloquei minha mão dentro da calça, passei a mão sobre minha perna, realmente havia uma pequena cicatriz. Confirmei com cabeça para Bruna.

– Pois é...

A ruiva começou a andar em minha direção outra vez, deslizou sua mão sobre meu rosto. — Vamos voltar para casa...

Bruna guardou sua arma. — Ei, ruiva.

Quando a ruiva de virou, Bruna acertou um chute com seu coturno preto em seu rosto. — Nenhum momento eu disse que podia tocar nele.

Bruna puxou de suas costas um algo pequeno, tirou o pino e jogou em direção aos homens fardados que vinham correndo. Aquilo explodiu em um clarão muito forte e ensurdecedor, Bruna me pôs em suas costas enquanto eu ainda estava atordoado. A ruiva continuava no chão, um corte em seu lábio e ela estava com as mãos no ouvido, com certeza pelo barulho.

Depois que me recuperei do atordoamento, os homens da ruiva já estava no chão, e a mesma estava nas costas de um homem alto, amarrada e amordaçada. — Vão levar ela de prisioneira?

– Exato.

– Já pode me colocar no chão se quiser.

Bruna me colocou no chão, recuperei os sentidos. — Vai demorar muito?

Ela puxou o que parecia um celular. — Venham nos buscar.

Sentamos no chão, em meio aquela planície imensa. — É seguro ficarmos aqui?

– Sim, estamos longe o suficiente e relativamente bem armados.

Após alguns minutos sentados jogando conversa fora, dois utilitários apareceram rasgando a paisagem. — Nossa carona chegou. — Bruna se levantou, depois todos se levantaram.

Os utilitários chegaram, um deles uma loira de óculos dirigia e o outro um velho barbudo. A loira abriu a janela olhando para mim. — Carne nova?

Bruna foi andando até a ruiva e deu dois tapas em sua bunda. — Duas, uma delas de qualidade.

– Ei! — Olhei para mim mesmo, meu estado era deplorável. — Deixa quieto.

Subi na caçamba do utilitário da loira, junto com Bruna e a ruiva. No outro foram os homens de Bruna e as armas. A ruiva ficou jogada, não esboçava reação alguma, Bruna ficou sentada na lateral da caçamba, tentei puxar conversa com a loira. — Oi.

– Oi.

– Desculpe a falta de sutileza, mas qual seu nome?

– Amy e o seu?

– Eu não lembro, mas a Bruna me nomeou de Christian.

Ela riu.

– Achou engraçado? Quer me dar um melhor? Estou disposto.

– Não, longe de mim ir contra uma ordem da Bruna. Christian era o nome de um cachorro de pelúcia que ela tinha, mas na ultima evacuação de emergência ela o perdeu.

– Ah... Entendo.

– Como assim você não lembra?

– Eu me acidentei na queda de um avião, isso é a única coisa que eu sei pois eu estava junto dos restos. Essa ruiva diz me conhecer, mas Bruna não liga para isso, talvez depois eu tente falar com ela.

– Chris, aguente alguns segundos, vamos ter alguns problemas técnicos.

Quando olhei para trás, um carro nos seguia, Bruna já estava com arma em mãos, o carro a nossa frente estava com a caçamba vazia, jurava que havia pessoas ali. O carro da frente fez um 180º e um cara apareceu com um lança mísseis atirando em direção ao carro que nos seguia.

Amy tirou a cabeça para pela janela e gritou para eles. — Dessa vez foi em cheio!

O carro que nos seguia ficou queimando. — Já estamos chegando?

– Na verdade, chegamos.

Me deparei com mais uma parede de pedras, mas dessa vez havia uma passagem nela. Passamos de carro, quando chegamos ao outro lado, era uma mini cidade. Um pequeno caminho contornado por pedras, aparentemente a rua, alguns comércios simples, havia mais casas simples, feitas de madeiras, ou de panos. Algumas crianças se divertiam, pessoas estava com sorrisos no rosto, por mais que fosse precária a situação.

– O que é isso?

– Isso é a felicidade. — Disse Bruna. — Isso é o único lugar onde pessoas tem para morar, sem serem assassinadas, violentadas ou tratadas com descaso.

– Por que disso?

– Em baixo desse solo, há riquezas incalculáveis em pedras preciosas, mas se você tem um povo que vive sobre ela, você precisa elimina-los, caso não saiam por bem. Mesmo eles saindo, vão para outro território com pedras preciosas em baixo de seus pés. No final, estarão sempre atrapalhando o enriquecer de certas pessoas, que prefere mata-las. Nós, lutamos contra essa invasão, essa terra pertence ao povo Africano, não a estrangeiros ambiciosos.

– Como veio parar aqui?

– Não me lembro ao certo. Na verdade não me lembro.

Virei para Amy. — Como veio parar aqui?

– Justiça Chris. Justiça. Fui recrutada.

Virei para Bruna. — Entendo... Como você alimenta a todos eles? Não é muita gente?

– Existem algumas cidades da burguesia, centros de comércio, aqueles que tem dinheiro compram coisas lá. Sempre que juntamos o suficiente, com extração ou pedidos de resgate, alguém de nosso meio vai para a cidade comprar comida, o suficiente para meses, lotamos cerca de 3 a 4 carros. Falando nisso Amy, final da semana precisamos reabastecer.

– Sim senhora.

Bruna segurou em minha mão e me puxou de leve. — Vamos, nos descemos aqui.

– E ela? — Apontando para a ruiva.

– Vai para o cárcere. Lá vamos resolver o que fazer com ela.

– Promete não machuca-la?

– Como assim? Você nem a conhece.

– Sim, mas ela me conhecia e se dar ao trabalho de me procurar, de querer me ter de volta a qualquer custo, eu devia significar algo para ela e... — Hesitei por alguns segundos. — Meu coração acelerou quando a vi, não sei o por que, por isso, não a machuque muito, por favor.

– Amy, fale para eles pegarem leve. Você vem comigo. — Dessa vez ela me puxou com força.

Começamos a andar por entre ruelas e ruas principais, até que chegamos a um portão de ferro, ela pegou um controle e abriu o portão clicando em um botão, o cenário era totalmente diferente, pessoas sérias, um clima pesado, a maioria ali eram adultos, aparentemente de todas as nacionalidades. Homens, mulheres, sorrisos no rosto era algo que faltava ali. Um dos homens se aproximou de Bruna. Sua voz era grossa, petulante. — Quem é esse ai?

– Meu prisioneiro.

Ele me mediu, não troquei olhares pois ele tinha o dobro do meu tamanho, tanto em força quanto em altura, cicatrizes em seu rosto o tornava amedrontador. — Mais uma boca para alimentar, se ele não servir para nada, melhor dar cabo dele.

– Duke, sou eu que decido o que fazer com ele, se ponha no seu lugar, volte para seu dormitório com sua equipe.

Ele tentou dizer alguma coisa mas ela estralou os dedos. — Sim senhora. — E me olhou pelo canto do olho, com desgosto.

Depois de nos afastarmos. — Parece que não vou ser bem vindo aqui.

– Não mesmo. — Disse ela rindo.

Começamos a subir uma escadaria natural de pedras, o sol começou a brilhar em meu roso conforme subíamos, quando chegamos no topo, havia um trailer, enferrujado, com detalhes quadrados. — Você mora aqui?

– Não é bem morar, pois não temos lugar fixo.

Ela abriu a porta, estava um caos, nada menos que imundo. — Sua casa esta imunda.

Ela me empurrou para fora. — Já pra fora! Saia.

– Calma, eu disse que estava imunda, não que eu não entraria. — Ela fechou a porta.

Me sentei no pé da porta. — Bruna, me deixa entrar, por favor. — Bati a porta e ela não respondeu.

Comecei a me entreter com o que tinha, comecei olhar para o vale entre o topo do morro e a planície, olhei para o outro lado, os subordinados de Bruna, recuei com a cabeça, comecei a olhar meu corpo, a queimadura já estava com bolhas, fiquei com medo de infeccionar.

Alguns minutos parado tapando a cara do sol, Duke apareceu a minha frente. — Onde esta ela?

– La dentro.

– Achou que ela o deixaria entrar?

– Não.

– Você não sabe mentir, por que mentiu? — Ele me levantou pelos cabelos. — Todo se achando, sem camiseta, cabelinho bagunçado, queimaduras no braço, se achando o machão.

Eu não consegui fazer nada, não queria entrar em conflito. — Longe de mim me achar alguma coisa.

Ele me jogou no chão, bati as costas contra algumas pedras no chão. — Você luta alguma coisa?

– Não. — Eu disse enquanto me contorcia.

– Que legal, mais uma boca para alimentar e ela não serve para nada, imagino o quanto tempo você pode durar aqui.

Estampei um sorriso ousado no rosto, parecia familiar a minha reação, como se já tivesse a feito diversas vezes. — Com certeza mais tempo que a sua mãe com o vizinho de vocês. Bastardo.

Ele me esmurrou na cara e fui contra o chão de forma violenta. — Esta irritado? Talvez o mesmo sentimento que o seu pai, quando descobriu que era corno.

Ele abaixou a cabeça, veio andando lentamente até mim, se ajoelhou em meu peito e começou a bater em meu rosto, mas não doía tanto quanto deveria, talvez eu tivesse tocado em alguma ferida, mas golpes consecutivos logo fariam efeito.

Bruna saiu do trailer, quando nos viu no chão veio correndo e empurrou Duke. — Ei, quem mandou você subir aqui? Quem mandou toca-lo?

Ele deu as costas a nós dois e começou a sumir enquanto descia o morro.

– O que foi isso? — Me ajudando a levantar.

– Um mal entendido.

– Pode entrar agora e me perdoe pela bagunça.

Não havia mudado muita coisa, mas agora mais arrumado do que antes. — Precisamos cuidar desse ferimento no seu braço.

Ela me levou para o banheiro, o chuveiro ficava em cima da banheira. — Ué, não tem vaso?

– Tem uma casinha ali fora... Se é que me entende.

Rimos, ela ligou o chuveiro, o vapor da água quente fez meu corpo tremer, todas as partes agora doíam, eu pendi para o lado e Bruna me segurou. — Esta cansado não é?

Respondi com um sorriso.

Ela me encostou na parede. — Por favor, não entenda mal! — Pegou em minha calça e a desceu. — A cueca você tira e entre na banheira.

Ela virou de costas, a mão da queimadura estava doendo, fiz a acrobacia de tirar minha cueca enquanto meu corpo todo doía, andei em direção a banheira e sentei dentro. Ela estava olhando para mim.

– Você estava de costas.

– Pois é, a tentação foi maior. Vou te ajudar, tampe seu pequeno amigo.

– O grande joe vai perdoar seus insultos só dessa vez. — Eu disse enquanto ria, fazendo uma voz grossa.

Ela fez um sorriso sacana. — Sei... — Ela saiu do banheiro e voltou segundos depois com um xampu.

– Seu cabelo ta tão limpo, espera ai. — Ela puxou um chuveirinho e o molhou, uma água marrom com vermelho escorreu pelo meu corpo. — Credo, depois minha casa que estava imunda. — Ela colocou um pouco de xampu e começou a massagear minha cabeça, eu fechei os olhos, aquilo era maravilhoso. Quando abri os olhos, ela estava passando um sabonete pelo meu corpo. — Calma, pode deixar que eu termino.

Olhei para ela e ela sorriu. — Você dormiu enquanto eu limpava sua cabeça, melhor continuar quieto.

Eu apenas aceitei, ficamos ali cerca de uma hora, ela limpou quase meu corpo todo, cuidou das queimaduras no meu braço, me deu alguns remédios, me deu um shorts dela para vestir e me deitou em seu sofá para dormir.

Eu dormi era de dia, acordei a noite com Bruna cozinhando semi nua, descalça, calcinha e camiseta.

– Você pode colocar um shorts se quiser.

– Ah, acordou? Não precisa, esta calor.

Ela estava cozinhando arroz e assando peixe, reconheci os dois pelo cheiro. Logo comecei a reparar em sua calcinha, era verde claro e listras horizontais, me lembrava seus olhos, suas pernas eram longas, estava começando a mexer comigo.

– Sério, vista alguma coisa.

Ela parou de mexer o arroz, começou olhar para eu encarando suas pernas. — Sabe, as vezes me olho no espelho. — Deslizou a mão sobre sua bunda. — E percebo que eu devo fazer qualquer homem delirar.

Eu estava perdendo a cabeça. As provocações pioraram.

– Sabe qual a melhor sensação de todas? — Enfiou a mão dentro da camiseta. — Quando fico sem sutiã.

Quando ela soltou as alças, seus seios cresceram de forma significativa, então ela largou o sutiã no chão. Andou até mim olhando em meus olhos, me segurei e virei o rosto.

– Bruna, eu acho melhor pararmos por aqui, não me sinto confortável.

– Algo de errado?

– Sim, essa com certeza não é a hora.

Bruna me olhou indignada e confusa, deve ter imaginado o que estava de errado comigo, ela deu as costas e foi andando, no meio do caminho abaixou para pegar seu sutiã, olhou para trás e disse. — Sabe, eu gosto de você, se não esta confortável espero que não falte nada. Se eu puder te ajudar, me diga. — e continuou em direção ao seu quarto.

Senti um peso na consciência, mas ali não era a hora certa...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.