S Project
1 Não, não sou um agente secreto
"Com os olhos entreabertos observava os flashs de luz nas lâmpadas do teto, com os dois ouvindo zunindo escutava barulho de disparos, meus membros não respondiam, eu estava fortemente dopada, consegui com bastante força mexer minha cabeça, olhei para trás... Havia um garoto, um olhar destemido, em sua mão um revolver, ele parecia determinado a fazer algo, apenas depositei minha confiança nele, afinal não conseguia me mexer. Após muito tiroteio, ao final do corredor, que parecia não ter fim, as portas se abriram e pela primeira vez em dezesseis anos... Vi a luz do sol, senti a chuva em meu rosto... Que sensação maravilhosa."
Damon
Por que as pessoas gritam? Minha mãe em si, adora, qualquer motivo ela já esta esbanjando sua voz, mas nesses dias ela teve motivos, tem estado bastante nervosa com o trabalho, acabo sendo sua válvula de escape. Hoje foi diferente, ela gritou, não dei muita bola, mas escutei algo sendo quebrado, desci as escadas correndo, ela havia arremessado um de seus vasos na parede, estava uma macha marrom gigante na parede de terra úmida, corri ao seu lado e perguntei qual era o motivo, ela não respondeu e desabou mais uma vez em lagrimas, a segurei pelo braço e ajudei-a sentar na poltrona, perguntei mais uma vez o que estava acontecendo, ela apontou para uma carta no chão, logo que bati o olho vi o brasão de um dos hospitais mais caros da região, se não o mais; Me ajoelhei ao chão e virei a carta para mim, bati o olho rapidamente pois estava preocupado com minha mãe, mas parei para ler quando reparei nas palavras "Devemos", "Eliminar" e "Filha".
— Mãe... Você pode explicar?
Ela balançou a cabeça de forma negativa. — Não... Apenas vamos... Se você quiser ir.
Me levantei e deixei a carta ali, depois de subir as escadas, escutei ela quebrando os enfeites do criado mudo do lado da poltrona e fui direto para o meu quarto. Coloquei uma roupa mais formal, claro que do meu ponto de vista, uma calça jeans e uma camiseta azul, peguei meu celular de cima da cama, 5 mensagens não lidas, todas da mesma pessoa e eu torci para ser a operadora, mas era June, uma menina legal até, tirando o fato de ser muito pegajosa, eu a tratava bem, talvez esse tenha sido o erro, mas eu gostava dela, hoje esta realmente difícil conviver com ela, joguei o celular de volta na cama para fingir que nunca havia visto. Minha mãe já estava do lado de fora dentro do carro, um carro popular mas que atendia nossas necessidades, quando tranquei a porta de casa e olhei para dentro do carro ela estava socando o volante, admito que tive medo de entrar naquele carro, mas entrei. Nos vivemos em um bairro "nobre" em relação aos outros bairros, o índice de violência aqui é bem baixo, mas alguns quilômetros e lá estava, o muro que nos separava da vida lá fora, sempre fico com medo de chegar perto do muro, mas a avenida fica ao lado dele, o muro é de concreto puro, nunca alguém de fora invadiu, nem tentativas terroristas, me perdi em pensamentos e lá estávamos nós, em frente ao hospital mais caro dali, minha mãe saiu do carro e o trancou, as lagrimas ainda estavam escorrendo de seus olhos, de tanta raiva acho que ela havia esquecido que tinha como abrir o carro pelo lado de dentro, depois que as portas automáticas se abriram, contei até dez e desci do carro; No momento que abri a porta do carro achei que o alarme iria soar e ela voltaria correndo para me repreender, mas acho que ela precisa levar o carro no concerto.
Quando entrei no hospital, dei de cara com a recepcionista, eu não estava devidamente vestido para o nível daquele hospital e ela ficou me encarando, fiquei encarando-a também, até o momento que ela quebrou o gelo.
— Posso ajudar ?
Depois de uns três segundos encarando o contraste dos lábios vermelhos , seu cabelo negro em sua pele branca, consegui ser o cara mais retardado do mundo. — Vermelho.
— Vermelho?
— NÃO! Entrou uma mulher aqui, um pouco menor que eu, cabelo loiro.
— Ah... Ela não falou comigo, mas seguiu reto e foi em direção a ala da esquerda.
Quando ela disse aquilo, no canto de sua boca surgiu um sorriso forçado e seu olho direito tremeu, percebi facilmente que era mentira, coloquei um sorriso na cara e debrucei no balcão, olhando nos olhos dela.
— Claro... E por quê o nome dela esta na prancheta a sua frente?
Foi o blefe mais ridículo da minha vida, afinal, nunca tinha blefado antes, mas ela deu um tapa em cima de sua prancheta fazendo ecoar e algumas das enfermeiras olharem para nós, ela abaixou a cabeça e estava vermelha. Xeque mate.
— Onde ela foi?
— Não posso dizer! Desculpa!
— Seu decote é lindo.
Realmente, ela estava com uma camisa social azul, consegui ver parte de seu sutiã que também era vermelho.
Ela olhou para o decote e tirou a mão da prancheta para poder tampar o decote, agarrei a prancheta rapidamente e consegui ler "Patricia Freitas" "Sala 51", devolvi a prancheta a ela que estava entrando em colapso nervoso.
— Você não pode ir lá...
Voltei até o balcão, ela estava virada de lado, com vergonha, segurei em sua mão. — Eu não poder e alguém me impedir, são coisas distintas... — Olhei em seu crachá. — Julia.
— Vou te dar alguns minutos antes de chamar a segurança... A não ser que eles já tenham percebido.
Dei as costas depressa. — Que lado fica?
— Não posso falar.
— Obrigado...
— A propósito, qual seu nome?
— Damon...
— Um nome não muito normal aqui no Brasil...
Olhei em seus olhos e lancei um sorriso. — Por quê não sou.
Comecei a andar, as alas no começo estavam vazias, um corredor solitário, ao final estavam duas placas, "1 ao 49" para a esquerda e para a direita estava "51 ao 100". Olhei para a esquerda e ao final não tinha nada, para a direita havia uma escada de emergência como ultima porta, comecei a andar e portas de quartos apareceram, o corredor era imenso e eu já estava começando a ficar irritado, então comecei a correr dentro de um hospital, quase fui atingido por duas portas de enfermeiras saindo dos quartos, quando abri a porta de emergência as luzes se acenderam, havia escadaria para baixo e para cima, coisas tenebrosas sempre ficam no subsolo, as acho que só havia estacionamento ali, então comecei a subir, abri a porta do segundo andar e dois seguranças estavam andando pelos corredores e me perceberam, fiquei parado, correr pioraria minha situação, os dois chegaram perto de mim com olhares ameaçadores.
— O que esta fazendo?
Comecei a encarar o maior, era negro, com a mão no tazer pronto para me acertar. — Batata.
— Escapou mais um da ala psiquiátrica.
Os dois me seguraram pelos ombros, acho que apenas o negro já conseguia me levar facilmente. Chegamos em um corredor onde as luzes não eram tão claras como as dos outros corredores, o outro segurança perguntou.
— Devemos passar com ele por aqui? Pode dar problema.
— Não, ele é burro, não vai reparar em nada demais.
Os dois olharam pra mim e eu rapidamente olhei para o zíper em minha calça com a boca aberta. — Brilhoso...
O corredor era totalmente vazio, a não ser por uma porta e uma janela de vidro que parecia blindado. Ao final dos corredores haviam duas câmeras mas estavam filmando para os outros corredores, quando passaram comigo perto da janela, reparei em uma mulher loira olhando para uma menina de cabelos quase brancos, levemente loiros também, aquela mulher era minha mãe, quase gritei por ela mas lembrei que precisava manter a calma, quando saímos de perto da janela, minha mão estava na altura do tazer dos dois, rapidamente apertei o botão de ligar e acertei a costela dos dois que caíram no chão, acertei mais uma vez os dois que começaram a se debater no chão, dei sorte que mais pra frente tinha o armário do faxineiro, arrastei um corpo de cada vez até a porta, tentei girar a maçaneta mas estava trancada, olhei no cinto do segurança negro e estavam algumas chaves ali, no começo eu estava calmo, mas quando vi a sombra de alguém na janela em que estava minha mãe, me desesperei e abri a porta e arremessei o corpo dos dois no chão, mas ali não era o armário do faxineiro, era a sala de segurança, onde os dois deveriam estar, agora estão. Para não correr riscos, tirei os computadores da tomada, tirei a cabeça para fora da sala e as câmeras estavam caídas, lembrei que precisava ver onde minha mãe ia, então liguei eles na tomada outra vez, dei sorte que não havia senha.
Após alguns minutos, consegui ver minha mãe no corredor em que fui pego pelos dois, ela se ajoelhou e começou a socar o chão, e da sala onde eu estava escutei-a gritar, precisava entender o por quê daquilo e por minha conta e risco e sai da sala
— Mãe?
Ela voltou de ré até o corredor onde eu estava, olhou para mim com uma cara de raiva, meio andando até mim com expressão de ódio, mas quando chegou perto de mim, não se aguentou, desabou a chorar e me abraçou forte.
— O que esta fazendo aqui?
— Quem é aquela menina?
— Ela... É sua irmã Damon... Sua irmã.
Sai do abraço de minha mãe. — Irmã? Tudo bem que eu percebi que não sou seu filho biológico faz tempo, mas... Você já teve uma filha? Por quê esconder tudo?
— Ela... É MUITO especial... até demais.
— Como assim?
— O sistema imunológico dela... É perfeito, até demais, quando ela nasceu, tentaram implantar o chip mas seu corpo destruiu o chip em cerca de alguns segundos e ela foi tirada de mim. A força. Hoje vão matar ela pois ela se recusou a fazer parte da pesquisa de "Super Humanos". Vamos embora...
— Claro... Pode indo, preciso acabar de falar com uns amigos ali dentro.
— Amigos? Eu não sabia disso.
— Pois é, você não sabe muita coisa. Agora vá.
Minha mãe foi andando e virou no corredor, voltei correndo para a sala, um deles dois já se mexia, tive que acertar o tazer outra vez, dessa vez foi menos tempo pois tive medo de mata-los. No canto da sala estavam dois armários, peguei as chaves e abri de primeira o primeiro armário, dentro dele não havia nada demais, apenas roupas, o segundo eu tentei todas as chaves e nenhuma funcionou, então comecei a chutar até que abrisse. Agora entendi o por que estava trancado. Dentro dele estavam dois revólver, não sei o nome deles, mas acho que estavam carregados, eu acho. Lembrei de alguns filmes de ação, desça o pino e depois desça bala. Por precaução peguei um deles, vai que eu preciso. Sai da sala apressado e quando passei pela janela, a menina continuava deitada, seu olho agora estava entreaberto, sua boca mexia de leve, mas nada demais, nada que parecesse palavras completas. Um médico apareceu andando, me escondi e olhei devagar para a janela, ele estava com uma bandeja, duas seringas, uma estava escrita "Sedativo" e a outra tinha uma figura de caveira, meio clichê mas vai entender.
Ele deu um peteleco na agulha da seringa e apertou um pouco, apertou mais o braço dela com um cinto, me arrastei até a porta e coloquei o ouvido nela, e escutei ele dizendo "Esse daqui é bem forte... Talvez você desacorde por mais de trinta segundos dessa vez". Olhei pela janela outra vez e ele estava prestes a injetar a seringa nela, meu senso de retardado heroico ativou pela primeira vez em quinze anos, puxei a arma da minha cintura, desci o pino e puxei o gatilho, mas não disparou na fechadura, olhei outra vez e a seringa já estava nela, ele estava rindo enquanto falava com ela. Me desesperei e lembrei outra vez dos filmes de ação, precisava destravar a arma, puxar a parte de cima, descer o pino e ai descer bala, respirei fundo e fiz o mais rápido possível, destravei puxei desci atirei, quando atirei na maçaneta, acertei um chute logo em seguida e a porta se abriu, havia uma mesa e do lado outra porta, as não me interessava, apontei a arma para o médico e ele levantou as duas mãos.
— Se afasta dela!
Ele começou a tremer estava mais amedrontado que eu, no chão do lado da mesa havia uma bolsa, peguei, a abri e joguei tudo de dentro no chão, pisei em seu celular, coloquei a seringa com a caveira dentro da bolsa, empurrei com meu pé a cadeira dele para longe, tirei a seringa do braço dela, afrouxei dois dos quatro cintos, mas apareceu uma enfermeira para averiguar o barulho do disparo, apontei a arma para ela e o médico tentou me desarmar, mas enfiei a seringa com sedativo na perna nele e a apertei, não sei se injetei no lugar certo, mas ele começou a ficar fraco e depois caiu no chão, a enfermeira estava em choque, continuei apontando enquanto afrouxava os cintos, segurei a maca e sai com ela do quarto.
— Onde tem um elevador?
Ela tremia enquanto falava. — Vire a direita aqui, vire a direita outra vez e vá até o final do corredor e vire a direita outra vez.
— OU POSSO VIRAR A ESQUERDA AQUI, NÃO? TRAIDORA.
Ela recuou. — sim...
Comecei a andar com uma maca pelo corredor, abri a porta da sala de segurança e os dois continuavam inconscientes, suponho que estavam mortos. Apertei o botão do elevador mais ou menos dez vezes com medo de que seguranças me vissem , e as câmeras de mexeram, foi o estopim para começar a dar merda, quando abriu a porta do elevador, uma senhora estava ali dentro.
— Sobe, meu rapaz.
Tive total impotência aquela hora, não podia ameaçar uma senhora que aparentava tão simpática com uma arma. Sorri e neguei com a cabeça.
— Tenha um ótimo dia bonitão.
A porta de se fechou e comecei a correr em direção a escada de emergência, e as câmeras continuavam a me seguir, abri a porta, quando olhei para trás os dois seguranças estavam no final do corredor mancando em minha direção. Um deles levantou a arma, tirei rapidamente a menina da maca e me joguei com ela para dentro da escada, e chutei a maca em direção a eles. Coloquei ela de cavalinho em minhas costas com bastante dificuldade, sua pele era macia, ela tinha um cheiro de comida de hospital, como sopa. Era seu halito, e aquilo estava me dando ânsia, quando cheguei no andar térreo, dois seguranças estavam de prontidão no final do corredor correndo em minha direção, virei a direita e comecei a correr, os corredores eram quadrados com quartos em todos os lados, virei a esquerda onde eu sairia se tivesse de elevador e entrei em um quarto qualquer, por milagre ele estava vazio, olhei pela janela e estava chovendo, dentro do quarto estava uma cadeira de rodas, uma maca, o leito e alguns aparelhos que faziam Bip constantemente, eu a coloquei na cadeira de rodas, mas a cadeira quebrou assim que a sentei, ela bateu a cabeça no chão e isso a fez acordar, a peguei no colo outra vez e coloquei-a na maca, vi duas sombras andando lentamente e parando em frente ao quarto onde estávamos, quando abriram a porta usei a maca contra eles, que foram prensados na parede, acertei outra vez para debilita-los, mas só funcionou no da frente, comecei a correr, peguei a arma outra vez e comecei a correr empurrando a maca com uma mão só, quando virei o corredor, outros dois seguranças estavam ali, com seus cassetetes, vieram em minha direção e atirei outra vez em direção a eles, acertei o ombro de um, mirei na perna do outro e por milagre acertei o joelho, com o terceiro tiro dado, mas acertei, o que acertei no ombro ficou escorado na parede, ele ia tentar me parar, apontei outra vez e ele recuou, atrás de mim senti um tiro zunindo e acertando a porta que estava no final do corredor, tentei dar uma de super espião, diminui a velocidade da maca, soltei-a e pulei atirando para trás, nenhum dos tiros pegou, bati com minhas costas no chão, mas no chão tive mais mira para atirar e acertei ele na coxa, a maca havia acertado a porta no final do corredor, comecei a correr com dor nas costas atrás da maca e depois comecei a andar devagar até o hall, quando estava prestes a chegar no hall, a porta de emergência se abriu e os dois seguranças saíram de lá correndo, um deles atirou em mim e eu revidei mas as balas acabaram, pelo menos recuaram, quando cheguei no hall, Julia estava olhando fixamente para mim, acenei para ela, dando tchau e ela sorriu.
— Não quer meu celular?
— Quero sair vivo daqui.
Ela acenou, para minha surpresa, do lado de fora June estava conversando com minha mãe dentro do carro, corri com a menina na maca e a chuva estava forte, parecia cortar meu rosto, estavam nuvens em cada canto e a luz do sol emanava pelo meio delas, minha mãe estava olhando fixamente para mim e para maca, June também, empurrei a maca em direção a porta automática e entrei com a menina no carro. Minha mãe apenas acelerou.
June olhou indignada para mim. — Você acabou de sair de um hospital com uma arma na mão, uma menina em uma maca e um buraco de bala no seu ombro. Damon, que porra é essa? Por que você não responde mensagem? Julia me mandou mensagem falando de um super gato chamado Damon dentro do hospital, você deu em cima dela?
— Primeiro, não, não sou um agente secreto. Segundo, fique quieta, estou com dor de cabeça e TEM UM BURACO DE BALA NO MEU OMBRO CARALHO TIRA ISSO DE MIM. Terceiro, alguém me deve explicações.
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