S L Y T H E R I N
3 II - Ruptura.
Notas iniciais
CAPÍTULO II
Ruptura (ou sobre frustrações e abraços inusitados)
[SÁBADO – 17 DE SETEMBRO, 1977]
Mais frustrado do que pensava ser possível, James caminhou rapidamente pelos corredores, ofegante. Nunca em toda sua vida havia se sentido daquele jeito por causa de uma garota. Como era possível alguém ser tão fria? Como era possível alguém ser tão... megera? Por que, em nome de Merlin, Lily Evans agia daquela forma? Qual era o problema dela, afinal de contas?
Bem, ele não sabia responder.
Lily Evans era como um grande ponto de interrogação na vida de James. Sempre fora, na verdade. Ela era bonita, inteligente e extremamente esforçada. Ia bem em todas as aulas, os professores a idolatravam. Lily Evans brilhava sem qualquer ajuda e James tinha certeza de que, se ela quisesse, poderia ter toda escola aos seus pés.
Só que, aparentemente, ela não queria. Ninguém sabia o que, de fato, ela queria. Talvez nem mesmo ela soubesse.
Apesar de seus conhecimentos excepcionais em magia e suas performances maravilhosas em sala de aula – e também fora dela – Evans não parecia gostar de atenção. Ela evitava toda e qualquer tentativa que as pessoas faziam de aproximação. Nem mesmo Snape, que sempre havia sido o melhor amigo dela, que passara a maior parte do tempo junto dela até seu quinto ano, parecia estar mais dentre os agraciados com a sua simpatia. E, levando em consideração às cenas as quais James presenciara nos últimos dias, onde ambos tinham agido como dois estranhos, talvez nem mesmo amigos eles fossem mais.
Não que James ficasse chateado por aquilo.
Bulstrode, Doge e Barnow pareciam raras exceções, pois sempre estavam junto dela em suas refeições ou passeios e, apesar de Lily nunca parecer muito amigável com eles, eram as únicas pessoas capazes de manter uma conversa com ela por mais do que alguns segundos sem receberem um olhar congelante em resposta.
Não que James a observasse muito para saber tudo aquilo.
— A quem você está tentando enganar, James? — Murmurou consigo mesmo e passou as mãos pelos cabelos, sentindo-se exausto.
— Prongs? — A voz conhecida soou logo atrás dele. James voltou-se para encontrar um Remus Lupin parecendo confuso.
— E, aí, Moony? — Cumprimentou-o com um aceno de cabeça e então continuou a caminhar a passos lentos, sendo seguido pelo amigo que o observava atentamente.
— O que está fazendo perambulando pelos corredores à essa hora, James? — Remus indagou, curioso.
— Se está pretendendo me mandar para a detenção, saiba que a Evans já fez isso, portanto nem perca seu tempo. — Bufou, descontando levemente sua irritação no amigo.
Percebendo seu péssimo humor, Remus ficou em silêncio, apenas acompanhando-o pelo caminho, enquanto o estudava atentamente. Fazia muito tempo desde que James começara a agir daquela forma toda vez que Lily Evans estava envolvida: irritável, mal-humorado e carrancudo.
Remus tentava não tocar muito no assunto, principalmente porque suspeitava que James negaria qualquer suposição, mas sabia que, uma hora ou outra, ele teria de falar sobre o que o estava incomodando antes que acabasse explodindo.
E, conhecendo James tão bem quanto o conhecia, ele iria explodir.
Suspirando, preparou-se para o que sabia que não seria algo bonito de se ver.
— Você não parece bem. — Disse, após mais alguns metros caminhados em silêncio.
James precisou segurar-se para não acabar soltando um gemido de frustração. Ali estava o motivo para que, quando estava mal e precisava encher a cara para esquecer de suas babaquices, nunca convidava Remus. Ele era observador demais, pegava coisas no ar e sempre tinha um conselho para tudo. Não que seus conselhos fossem ruins, claro que não: eram ótimos.
Remus sempre tinha razão. Francamente, era como se, até mesmo quando ele estava errado, o mundo simplesmente desse uma volta louca para que o que ele dizia fizesse sentido. Era uma característica extremamente irritante, principalmente porque, quando James estava se sentindo péssimo, não queria pensar ou se sentir culpado pelas coisas que fizera. E era exatamente o que acontecia quando Remus lhe dava suas lições de moral.
Sirius, por outro lado, era o cara certo para momentos como aquele: não se importava com as consequências, prezava pela diversão e, bem... sentir-se culpado por suas ações era uma coisa que simplesmente não fazia qualquer sentido para ele.
Os dois melhores amigos eram opostos e, talvez por conta daquilo, é que se dessem tão bem. Equilibravam-se entre os três, sempre melhores quando estavam juntos. É claro que houvera uma época em que eles eram quatro. Mas aquela era uma coisa na qual James não queria pensar naquele momento.
Não quando já se sentia mal o suficiente sem lembrar de Pettigrew.
Suspirando, sabendo que não havia como fugir da afirmação de Remus, afinal, ele era Remus e, também porque era noite e eles eram os únicos caminhando por entre os corredores, portanto não havia por onde fugir, respondeu:
— Eu estou mal.
Ao ouvi-lo, Remus parou de andar, virando-se de frente para James, fazendo-o parar também e então o encarou com as sobrancelhas arqueadas e aquele olhar de sabe-tudo permeando seus olhos âmbares.
— Que é? — James indagou, esmorecido, sabendo que estava prestes a participar de mais uma “sessão de conscientização” e que, no final, acabaria se sentindo pior do que já estava.
— Você tem andado estranho, Prongs. — Ele disse simplesmente. — Está acontecendo alguma coisa com você? Está diferente, quieto... não parece mais o mesmo.
James passou as mãos pelos cabelos, nervoso.
— Nada está acontecendo, Moony. Pelo menos nada que eu queira que aconteça está acontecendo. — Resmungou, querendo mais do que qualquer outra coisa fugir do assunto, mesmo sabendo que provavelmente não conseguiria.
— Faz algum tempo que está assim. — Remus continuou falando como se James não tivesse dito nada. — Para falar a verdade, você está assim desde a primeira semana, quando discutiu com a Evans por causa do trabalho de Poções. — Arqueou a sobrancelha para James, a expressão de quem sabia muito bem o que estava falando.
— Hm... — James não soube o que dizer.
— Você gosta dela, James? — Sem restrições, Remus indagou, encarando-o com seriedade.
James ofegou ao ouvi-lo, sentindo-se ultrajado e apenas um pouquinho nervoso diante da pergunta.
— É claro que não, Remus! Você já reparou no modo como tratamos um ao outro? Seria assinar uma sentença de morte pensar em gostar da Evans. — Disse de olhos arregalados, voltando a caminhar, ansioso.
Por Merlin, como ele poderia pensar em algo como aquilo? Tudo bem que, nos últimos tempos, James havia pensado mais do que era absolutamente necessário em Evans, mas aquilo não queria dizer nada além de que ela o infernizava tanto que sua mente não conseguia simplesmente desconectar.
E, é claro, o tempo que passara resmungando sobre ela durante as férias também não significava nada. Sem falar que ela definitivamente não era o seu tipo. James gostava de garotas doces e alegres e que não fossem frias como pedras de gelo.
— Não. Eu não estou nem mesmo perto de me sentir interessado pela Evans. — Fingiu estremecer para dar ênfase em sua frase.
Remus estreitou os olhos.
— E você está totalmente convencido disso? — Insistiu, como se não percebesse firmeza nas palavras de James. E, para falar a verdade, nem mesmo ele percebia.
— Totalmente. — Assentiu. — Ela é sonserina, Moony.
— Sua mãe também é. — Remus pontuou, certeiro como sempre. James fez uma careta, lembrando de sua mãe e do fato que constantemente esquecia.
— Ela é uma sonserina legal. Não fazem mais pessoas como ela atualmente, Remus. Você sabe que noventa por cento dos sonserinos são aspirantes a comensais e os outros dez por cento são chatos como a Evans. — James deu de ombros, desconversando.
Rolando os olhos para James, Remus continuou:
— Bem, isso é bom. — Remus disse e suspirou. — Não gostaria de ver a cara de Sirius caso você se interessasse por ela.
James não pôde discordar.
— Realmente. — Assentiu. — Sirius odiaria me ver saindo com uma sonserina. Ele odeia aquela casa.
Remus riu levemente antes de continuar.
— Ah, mas não digo pelo fato de ela ser da Sonserina. — Meneou a cabeça com um sorrisinho nos lábios. — Sonserinos não são tão ruins, James. — James fez uma careta, mas não quis contestar, afinal segundos antes Remus havia usado sua mãe como exemplo. No entanto, como sempre, Moony o entendia bem demais. — Certo. Você não concorda comigo. — Riu e deu de ombros. — Mas, eu tenho certeza de que, se uma sonserina bonita como a Evans desse uma chance para Sirius, ele com certeza não negaria. — Os olhos de James estreitaram-se minimamente com o pensamento, mas ele controlou-se rapidamente, odiando-se por ter aquele tipo de reação. — Sirius apenas odiaria te ver envolvido com uma amiga do Snape.
— Eu também não. — James suspirou, passando as mãos pelos cabelos antes de menear a cabeça. — Mas eu não acho que eles continuem sendo amigos, na verdade.
Parecendo interessado nas palavras de James, Remus arqueou uma sobrancelha em óbvia indagação.
— Eles não têm andado mais juntos. — James explicou. — Sem falar que a Evans parece muito desconfortável toda vez que ele está por perto.
— Deve ser porque ela não aprova a adoração de Snape pelas Artes das Trevas.
— E essa é a única parte sensata de Lily Evans.
— Qual é, James, ela não é tão ruim. — Remus bufou. — Na verdade, Lily é bastante legal. Difícil, verdade, mas muito legal depois que você a conhece um pouco.
— E você presume isso por todas as rondas nas quais ela te disse “oi”? — James retrucou, embora soubesse que a relação de Remus com Evans era muito melhor do que a dele.
— Nós conversamos mais do que isso, James. — Moony rolou os olhos pelo que parecia ser a milésima vez. — De qualquer forma, se não é por causa da Evans que você está carrancudo desse jeito, qual é o seu problema?
— Sabe por que eu estava fora da cama, Remus? Vi os nomes de Regulus, Roockwood e Rosier numa sala de aula vazia do segundo andar. Eu estava indo lá para tentar descobrir o que... merda! — James interrompeu-se e deu um tapa na testa, sentindo-se mais estúpido do que pensava ser possível. E, levando em consideração o tanto que se sentia estúpido nos últimos tempos, aquilo era dizer muito.
— O que houve, James?
— A Evans! Foi isso que houve! — James bradou, irritado demais para controlar o tom de voz antes de começar a voltar pelo corredor. O quadro de um frei dentuço resmungou qualquer coisa como “cale a boca”, mas James o ignorou. — Ela ficou com a minha capa da invisibilidade! Preciso pegá-la. — Disse e começou a dar meia volta no corredor.
— James, para! — Remus segurou-o antes que continuasse a caminhar. — Ela confiscou de você. Se você for até lá agora, quando está tão nervoso, ela provavelmente vai te dar mais uma detenção.
— Mas, Moony! Eu preciso da minha capa! Ela não pode simplesmente pegar e confiscar a minha capa!
Remus fez uma careta.
— Na verdade, sim, ela pode.
— Oh, sério? E o que a rainha de gelo não está autorizada a fazer? Pelo que vejo, daqui a pouco ela vai ser nomeada diretora da escola. — James reclamou, sentindo a irritação de minutos atrás retornar, mas parou de caminhar, sua parte racional reagindo, sabendo que estava com a cabeça quente demais e que acabaria fazendo algo imprudente.
— Oh, então não é por causa da Evans que você tem estado tão irritado? — O sarcasmo de Remus fez com que James fechasse a cara. Ele não precisava daquilo.
— Talvez seja um pouco por causa dela! — James jogou os braços para o ar, rendendo-se. — Ela insiste em se meter na minha vida. Insiste em estar em todos os lugares onde eu estou. Ela nunca me deixa em paz! Se eu vou no jardim, Evans está lá. Se eu vou respirar, Evans está lá. Se eu saio durante a madrugada por motivos totalmente sérios, Evans também está lá! Nem mesmo quando estou dormindo ela... — Mas parou de falar ao perceber o que estava dizendo.
Remus tinha um sorrisinho malicioso nos lábios.
— Cale a boca, Remus Lupin! — James adicionou quando o amigo abriu a boca para falar o que ele sabia que seria uma zombaria. — Cale essa maldita boca!
— Tudo bem, James. Se acalme. — Remus disse, ameno. — Anda, vamos para a sala comunal. Daqui a pouco alguém vai nos encontrar e, apesar de eu ser monitor-chefe, já passou do meu horário de fazer ronda.
Muito a contragosto, James anuiu e então eles continuaram seu caminho em direção a Sala Comunal da Grifinória enquanto ele contava a Remus o que mais havia visto no Mapa do Maroto.
X—X
— Merlin, Potter, qual é o seu problema? — McGonagall resmungou, irritada enquanto lia o pergaminho à sua frente. — Só não irei lhe castigar, pois imagino que Evans já tenha feito isso.
— É. — James concordou, emburrado.
Arqueando uma sobrancelha, a professora encarou-o, curiosa.
— Há algum problema entre vocês dois que eu deva saber, Potter? — Indagou.
— O que...? Não, professora. Está tudo bem entre nós dois. — James pontuou, não muito convincente, mas McGonagall assentiu, aceitando sua resposta.
Estava tudo bem entre eles. Exceto que não estava.
— Ótimo. Não quero saber de encrenca com a Evans, Potter. Ela é uma das nossas melhores alunas. — Ela suspirou, incrédula. — Vocês deveriam se dar bem, afinal você também é um dos nossos melhores.
— Ela é sonserina. — James reclamou, irritado com o rumo que a conversa estava tomando. Como era possível que tudo voltasse sempre para Evans?
— Isso é óbvio. — McGonagall revirou os olhos para ele, fazendo-o ofegar com o comportamento indulgente. — Pare de implicar com a menina, Potter. Ela já tem problemas o suficiente sem você a enchendo.
— Problemas? — James arqueou uma sobrancelha, imediatamente interessado. McGonagall, parecendo envergonhada por falar demais (o que era algo raro de se ver), fez um gesto de descaso. — Do que a Senhora está falando, professora?
— Nada, Potter. Só deixe a menina em paz. — Suspirou. — Agora suma da minha frente e evite entrar em mais problemas. Não quero ver o capitão do meu time sendo impedido de jogar por causa de detenções antes mesmo da temporada começar.
Entendendo a reprimenda e sabendo que não iria conseguir mais nenhuma informação de McGonagall, James saiu da sala dos professores, afastando-se pelos corredores enquanto pensava... quais problemas a perfeita Lily Evans poderia ter?
Havia atingido noventa e nove por cento em uma prova? Recebera detenção por ser certinha demais? Seus cabelos não eram brilhantes o suficiente? Bufando, reprimiu os pensamentos, percebendo que, pelo que parecia ser a milésima vez nos últimos dias, estava pensando nela mais do que o necessário.
Caminhando à esmo pelos corredores, James deparou-se com Emmeline Vance, uma das artilheiras do time da Grifinória, parada próxima a uma janela enquanto observava o horizonte com concentração.
— Hey, Emme! — James chamou-a, caminhando até estar ao lado dela. Desviando o olhar da janela, a garota encarou-o, sorrindo levemente.
— E aí, James. — Cumprimentou-o. — Como vai?
— Bem. — Ele disse, embora soubesse que não era totalmente verdade.
— Ansioso para os testes de hoje? — Ela perguntou, simpática como sempre.
— Um pouco. — James assentiu, lembrando que, durante à tarde daquele dia seriam realizados os testes para as posições que haviam ficado vagas no time após Bing e Hunter terem concluído o sétimo ano. — Estou curioso sobre quem vai se candidatar. Vai ser bom ter sangue novo, afinal faziam dois anos que estávamos com o time fechado.
— É, vai ser bom renovar. Acho que a Jones vai se candidatar ao cargo de batedora. Vi ela treinar, ela é muito boa. — Emme comentou enquanto eles começavam a caminhar pelo corredor. James meneou a cabeça, lembrando da garota de cabelos curtos e pele escura do terceiro ano, tentando imaginá-la em campo.
— Diggory vai tentar também. — James complementou, franzindo o cenho enquanto lembrava do garoto com quem não mantinha uma relação muito cordial.
— É. Ele é uma boa opção também. — Emme deu de ombros. — Vai ser difícil de escolher, capitão. Mas você vai se sair bem. — Ela piscou para ele, sorrindo antes de se distanciar em direção as escadas onde Nicole Thomas, sua namorada, a esperava. Nick acenou para ele e James retribuiu o cumprimento antes de voltar-se em direção aos jardins.
Continuando sua caminhada, sorriu ao encontrar Sirius e Remus sentados à beira do lago, acompanhados de Dorcas Meadowes e Marlene McKinnon.
— James! — Marlene cumprimentou-o, sorridente. — Como vai, capitão?
— Ótimo. — Ele respondeu e então sentou na grama ao lado de onde Sirius estava esticado preguiçosamente. — Fiquei sabendo que a Gwenog Jones vai participar dos testes.
— A terceiranista? Sério? — Sirius indagou, genuinamente surpreso. — Nunca pensei que ela jogasse, mas, levando em consideração a surra que ela deu no Carrow no ano passado ela já tem o meu voto.
— E desde quando você vota? — Marlene interpelou-o. — Que eu saiba o James é que é capitão.
— Marley, deixe de ser estraga prazeres. — Sirius rolou os olhos para a garota, fazendo-a bufar.
— E quanto a você, Marley? Não vai tentar? — James indagou, levemente ansioso. Marlene já havia sido do time principal da Grifinória, mas decidira sair no quinto ano por conta dos N.O.M.s o que, sem dúvidas, fora uma perda enorme para o time inteiro. Ela era uma ótima artilheira.
— Esse ano temos N.I.E.M.s, James. Você sabe que não posso perder tempo com Quadribol. — Disse, mas, ao ver a expressão no rosto do garoto, suspirou. — Mas, se alguém se machucar, você sabe que pode me chamar.
— Ótimo. — James disse, feliz.
— Com essa expressão, já consigo te imaginar chutando alguns jogadores só para ter a Marley de volta, James. — Dorcas comentou, divertida. James corou, pois ela chegara bastante perto de acertar o que ele estava pensando.
— De qualquer forma, que bom que você chegou. Estávamos combinando o primeiro passeio “oficial” em Hogsmeade. — Sirius disse e piscou, sabendo que eles já haviam ido à Hogsmeade uma semana antes dos primeiros dias de aula durante a Lua Cheia. — As meninas disseram que a Zonko’s renovou o estoque. Estou mesmo precisando de umas bombas de bosta novas...
— Bem, vocês terão de ir sem mim. — James comentou, sentindo-se murchar.
— Por quê? Você não vai? — Remus indagou, confuso.
— Evans me impediu de ir à Hogsmeade até o final do ano. — James murmurou, contrafeito, lembrando do que havia acontecido durante a madrugada.
— Sério? O que você fez, James Potter? — Dorcas perguntou, séria.
— Por que você acha que eu fiz alguma coisa? — Ele retrucou.
A garota rolou os olhos, sarcástica.
— Então você está dizendo que não fez?
James sentiu as bochechas esquentarem.
— Talvez ela tenha me pego fazendo algo minimamente fora das regras da escola. — Deu de ombros em descaso.
— Minimamente? Céus, James, você vai levar àquela garota à loucura. — Dorcas resmungou. — Como se a Evans já não tivesse problemas o suficiente.
Franzindo o cenho com o comentário, James encarou-a com uma expressão mais do que um pouco curiosa.
— Do que está falando? Que problemas que a perfeita Evans poderia ter? — Indagou, fingindo retórica, quando, na verdade, estava mesmo querendo saber. Era a segunda pessoa que dizia que Lily Evans possuía problemas naquele dia. James só não conseguia imaginar que tipo de problemas alguém como ela poderia ter.
— Bem, ela não está mais falando com o Snape, está? E, pelo que se sabe, eles eram melhores amigos. Creio que o fato de ele ter se bandeado para os projetos de comensais tenha pesado para ela. — Dorcas meneou a cabeça. — Isso para não falar sobre todas as responsabilidades que ela tem, principalmente agora que ela é monitora-chefe.
— Dorcas, você está apaixonada pela Evans? — Sirius perguntou, inclinando-se na direção da garota. — Porque o modo como você fala dela é tão cheio de adoração que é o que parece.
— Dorcas tem certa obsessão pela Evans. — Marlene revirou os olhos para a amiga. — O hobby dela é tentar descobrir o que cada expressão da Evans significa. Sinceramente, acho perda de tempo porque, para mim, a garota está sempre com cara de tédio.
— Totalmente. — James concordou com Marlene e estava prestes a comentar aquele fato quando percebeu o olhar de Remus sobre ele. Sentindo-se estranhamente envergonhado, James calou-se.
— Vocês não sabem interpretar. — Dorcas bufou. — Acho ela interessante. Sempre tão séria e imponente...
Sirius fingiu que estava roncando o que fez com que Meadowes se esticasse para bater em seu ombro. Seguido disso, todos começaram a rir enquanto Sirius desviava dos golpes da garota.
O resto da tarde passou sem mais problemas e, quando os testes finalmente acabaram e Gwenog Jones e Benjamin Fenwick estavam escalados, James sorriu para os novos jogadores, congratulando-os pela conquista.
— Este é o nosso ano, pessoal! — Disse, feliz e muito mais leve do que se sentira nos últimos dias. — Esse é o ano da Grifinória!
— Assim como os cinco anos anteriores. — Sirius adicionou, arrogante. Todos bradaram em resposta, contentes demais com as escolhas.
Gwen fora, sem sombra de dúvidas, a melhor batedora dentre os aspirantes. Rebatera tantas bolas certeiras que até mesmo Sirius, que não era de se impressionar, havia ficado boquiaberto. Benjamin também tinha sido incrível, fazendo tantos gols quanto era possível fazer. Internamente, James estivera torcendo para que o garoto vencesse a competição contra Diggory e ficou exultante quando ele conseguiu.
Quando, por fim, dispensou todo mundo, após o que Sirius gostava de apelidar de “palestras motivacionais”, James decidiu ficar um pouco mais no campo. Queria aproveitar enquanto não escurecia e praticar um pouco. Havia ficado tão focado nos temas e em Lily Evans nas duas últimas semanas que quase tinha esquecido completamente como montava sobre uma vassoura.
Relembrar a sensação fora indescritível. Todos os problemas pareceram desvanecer de sua mente, transformados em nada perto das emoções que transbordavam por ele enquanto fazia manobras no ar.
Somente quando o sol já estava se pondo é que James decidiu desmontar e voltar para o castelo. Não queria dar mais nenhum motivo para que alguém implicasse com ele.
Sorrindo e acenando para Hagrid, o grande guarda-caça que aguava o que James supunha ser uma abóbora gigante, afastou-se do campo, caminhando lentamente através dos jardins, perdido em pensamentos sobre jogadas e estratégias quadribolísticas.
O primeiro jogo da Copa das Casas seria Grifinória contra Sonserina e, infelizmente, James precisava admitir que o time das serpentes naquele ano – pelo pouco que vira durante os testes da sonserina que ele havia utilizado a capa da invisibilidade para observar – estava muito bom. Seria necessária muita prática e treinos para que pudessem oferecer resistência contra eles. E, levando em conta sua disposição para ganhar a Copa naquele ano – seu último ano – James faria o que precisasse para acabar com qualquer um que se colocasse em seu caminho.
Estava totalmente absorto em técnicas e possibilidades que demorou até perceber que o que estava ouvindo não eram seus pensamentos, mas sim duas pessoas discutindo. E, infelizmente, James reconhecia ambas as vozes.
—... disse que não é da sua conta, Lily! — A voz masculina penetrou em seus devaneios.
— E eu já disse que o que você está fazendo é totalmente nojento e errado! — A voz feminina retrucou, exasperada, fazendo com que James estacasse pouco antes de uma grande árvore próxima ao lago. James reconhecia aquele lugar porque era onde geralmente ele e seus amigos sentavam após aulas exaustivas. E também reconhecia aquela voz, porque ela estivera constante em seus pensamentos nos últimos dias.
— Você precisa entender... — O outro, que James reconheceu se tratar de Snape, começou a falar, a irritação transparecendo em sua voz, embora parecesse estranhamente cansado. — O que estou fazendo é para o nosso bem! Para o bem de todos!
Tentando não fazer barulho ao se aproximar, James caminhou lentamente, observando atentamente o chão sob seus pés, sem querer pisar em algo que revelasse sua posição. Quando estava próximo o suficiente da árvore, esticou um pouco a cabeça até conseguir enxerga-los. De sua posição pouco confortável, James reconheceu Snape e Evans, um de frente para o outro, com expressões igualmente furiosas estampadas em suas faces.
James sabia que era errado escutar a conversa alheia, mas não conseguia simplesmente ignorar o que estava acontecendo ali. Sem falar que, se ele continuasse andando, Evans o perceberia e provavelmente lhe daria uma detenção por nada menos do que o fato de que estava respirando.
— Para o nosso bem? O nosso bem, Severus? A quem você está tentando enganar, por Merlin? Como é possível que se envolver com toda essa bosta de Artes das Trevas e ficar babando o ovo de um cara narcisista e xenofóbico como Voldemort pode remotamente significar “nosso bem”? Você não está usando a cabeça, é isso? — Os cabelos de Evans balançavam às suas costas enquanto ela gesticulava furiosamente com as mãos. Ao ouvi-la falar, James sentiu-se paralisar em choque.
Sua voz, que normalmente era cadenciada e fria, estava impregnada de irritação e... mais. Era emoção. Não um poço sem fundo de gelo como sempre, mas sim emocionada e frágil. Um tom de voz de alguém que sentia. E James jamais havia imaginado que Lily Evans era capaz de utilizar aquele tom, quanto mais sentir alguma coisa.
Uma vontade quase irresistível – e totalmente imbecil – se alastrou por James: por alguns instantes ele quis ir até lá e lançar um feitiço em Snape por deixa-la naquele estado. Por fazer com que a voz, que normalmente era fria demais, estivesse transformada naquele desmoronamento de emoções. Entretanto, quase ao mesmo tempo em que aquela vontade surgiu, outra assomou-se logo em seguida: a de sair correndo e se atirar no lago por cogitar uma coisa daquelas.
Que merda ele estava pensando, por Merlin?
— Lily, ouça... não é assim. Você não entende... — Snape tentou argumentar, mas ela o interrompeu, furiosa demais para tentar se controlar.
— Não, Severus, eu não vou ficar aqui ouvindo essas merdas novamente! “Oh, Lily, serei poderoso” e “ninguém nunca mais terá coragem de se meter em nosso caminho”. — Ela bufou e então riu em zombaria. — Eu cansei, Severus! Cansei! Passei tempo demais tentando te fazer ver as coisas do jeito certo... tempo demais tentando te fazer entender... — Meneou a cabeça. — Mas simplesmente não adianta. Não é que você não entenda... você não se importa. Está tão cego com todas essas bostas, tão desesperado por poder e atenção que sequer percebe o que está fazendo. — Ela suspirou e deixou os ombros caírem, parecendo mais cansada do que James lembrava de tê-la visto antes. — Se prefere pensar que massacrar milhares de pessoas inocentes só porque elas não têm sangue puro é algo bom, ótimo! Mas não continuarei te acompanhando, observando enquanto você se deteriora até não mais ser o Sev que conheci anos atrás. — Sua voz, tremida, se elevou algumas oitavas.
Snape encarou-a por alguns instantes, seus cabelos negros e sebosos nem mesmo pareciam se mover contra o vento enquanto os dela refestelavam-se à sua volta, dando-lhe um ar de rebeldia e agressividade. Os olhos de Evans estavam fixos sobre os dele. Amargos.
— Você... vai me dar as costas, Lily? — Snape finalmente indagou, fracamente, o vento trazendo sua voz baixinha até onde James estava. — Vai fazer isso justamente quando eu mais preciso de você?
Evans parecia nem mesmo respirar ao retribuir o seu olhar, cansada.
— Você não percebe, Severus? — Ela balançou a cabeça e fechou os olhos, como se sentisse muita dor. James precisou se segurar para não gemer em frustração. — Foi você quem me deu as costas. Você que jogou tudo fora. — Evans encarou-o por mais alguns instantes, séria demais, concentrada demais. E então, quando voltou a falar, sua voz estava em seu tom frio habitual. — Estou cansada de ficar me preocupando mais com você do que comigo.
— Eu estive do seu lado por todos esses anos e agora...
— Eu estive do seu lado também, Severus! E eu já aturei toda essa merda por tempo demais! Já chega!
James pôde ver perfeitamente quando a expressão de Snape mudou. Ele estava ofendido, magoado. Irritado. Era a mesma expressão que Snape tinha toda vez que o encarava.
— Nunca mais — ele disse enquanto se aproximava para encará-la de perto. Evans retesou-se, assim como James, que tentava se controlar para não acabar fazendo alguma coisa da qual se arrependeria futuramente. — Ouse chegar perto de mim. — Snape apontou para ela de forma quase ameaçadora. Um tremor de irritação perpassou pela espinha de James ao vê-lo agir daquela forma. — Você vai se arrepender, Lily... pois, quando eu tiver poder e...
Mas ele não terminou de falar, pois, naquele momento, a mão da garota virou seu rosto deixando a marca de cinco dedos vermelhos ardendo na face pálida de Snape. Era quase possível sentir o calor da raiva dela emanar até onde James estava observando. Ele jamais a havia visto tão furiosa.
— Como ousa...? Como você ousa?! Que tipo de pessoa você pensa que eu sou, Snape? Nunca me interessei por você por causa de poder! — Evans disse e, embora sua voz fosse baixa, James poderia jurar que até mesmo se estivesse em seu dormitório naquele momento seria capaz de escutar o desprezo contido nela. Encarando-o, ela então riu em zombaria. — Você poderoso, Snape? — Riu mais um pouco. — O garotinho que usava as blusas da mamãe para poder se vestir e era arrogante demais para admitir? Não passa de um João-ninguém que sonha em ter coisas que não lhe pertencem. — Ela estreitou os olhos, cínica. — Você não é e nunca será melhor do que ninguém, porque esses seus pensamentos de grandeza, se é que é possível chamar isso de grandeza, vão acabar te consumindo antes que você conquiste qualquer coisa!
Um silêncio pesado recaiu sobre eles.
Snape, que parecia ter perdido a voz em algum lugar onde não conseguia achar, encarou Evans como se fosse a primeira vez que a estivesse vendo e, sem proferir uma única palavra, deu as costas para a garota, afastando-se à passos largos, fazendo com que suas vestes voassem ao seu redor dando a impressão de que ele era um grande morcego.
James observou-o se afastar, uma vontade quase incontrolável de segui-lo e... fazer alguma coisa parecia corroê-lo. E estava prestes a seguir aquele instinto... até que, ao voltar-se para o local onde Evans estava, demorou até conseguir compreender o que estava vendo.
A garota ainda estava lá, no mesmo lugar, contudo já não mais parecia raivosa e determinada como segundos atrás. Não, não mais. De uma forma que James jamais havia sequer imaginado, Lily Evans estava sentada, encolhida no chão enquanto abraçava suas pernas em um balanço fraco. Os soluços reverberavam por suas costas e chegavam até onde ele estava como pequenas adagas.
O que, diabos, estava acontecendo com ele? James perguntava-se enquanto sentia seus pés levarem-no até onde ela estava, sem conseguir controla-los ou compreender o que estava fazendo.
Ao chegar ao lado dela, James abaixou-se até sentar ao seu lado, silencioso. Não sabia exatamente o que estava fazendo, a única coisa que sabia era que simplesmente não conseguia parar de fazer.
A garota sequer pareceu notar que ele estava ali. Ela soluçava e tremia e James batalhava mentalmente, o dilema do que deveria fazer ao vê-la daquela forma abatia-se sobre ele. Ela parecia tão... vulnerável. Tão solitária e triste. Tão não como ela mesma.
Eles ficaram daquele modo pelo que parecia uma eternidade para James – ele sem saber o que fazer e ela sem conseguir se controlar – até que, por fim, ela falou:
— Me abrace. — A voz dela soou abafada por entre seus braços, fazendo com que James duvidasse de que havia, de fato, ouvido certo.
Será que ela o estava confundindo com Snape? Não que eles fossem remotamente parecidos – graças a Merlin que não – mas Lily Evans sempre lhe parecera louca, portanto não seria assim tão improvável...
— Eu... não sou o Snape. — Ele disse, sucinto, sem saber exatamente como reagir.
Evans finalmente ergueu os olhos para ele. Estavam inchados e transbordando lágrimas e James tinha certeza de que jamais os havia visto tão escuros. Não era o verde-prateado com o qual estava acostumado. Sequer eram verdes. Eram olhos negros de dor e solidão. E eles lhe pediam em silêncio por algo que, estranhamente, ele parecia ávido para dar.
— Eu sei. — Ela disse simplesmente.
— E, mesmo assim, quer que eu a abrace? — A incerteza era audível na voz de James.
— Apenas... — ela começara a falar, porém outro soluço reverberou pelo seu corpo, fazendo-o puxá-la para perto quase de imediato. O impulso de mantê-la próxima era enlouquecedor, portanto James a apertou forte contra seus braços, sentindo-a encaixar-se contra ele como se fosse feita para estar ali. Seus cabelos tinham o cheiro de lírios como os que sua mãe, Euphemia, tinha em casa e seu corpo não era frio como sua voz. Era quente. Absurdamente quente. Quente demais.
Ele não saberia dizer por quanto tempo haviam ficado daquela forma, somente que, quando ela finalmente se afastou dele e limpou os olhos, o sol havia sumido há um bom tempo.
Os olhos dela já estavam do tom de verde usual, embora não tão brilhantes.
— Obrigada. — Ela disse, sucinta, antes de erguer-se do solo e ajeitar suas roupas.
James sentiu-se totalmente surpreso, tantos pelas ações da garota quanto pelo fato de ela tê-lo agradecido. O que, por Merlin, estava acontecendo?
Imitando-a e erguendo-se da grama, James encarou-a sem saber exatamente como reagir. Ela voltou a encará-lo, abrindo e fechando a boca várias vezes antes de finalmente suspirar.
— Isso não muda nada entre nós, Potter. — Ela falou, monótona. — Mas, obrigada, mesmo. — E então, como se não houvesse acabado de sair de seus braços, afastou-se rapidamente em direção ao castelo.
Demoraram vários segundos até James processar o que, de fato, havia acontecido ali. E, assim que o fez, sentiu a garganta secar enquanto engolia em seco tentando fazer com que o amargor que surgira em sua boca ao ouvir as palavras dela desaparecesse.
Que droga Lily Evans pensava que ele era, afinal? Por que ela precisava agir sempre tão... estupidamente misteriosa? Tão confusa? Por que ela havia pedido conforto só para falar logo em seguida que de nada adiantava? Que aquilo não mudava absolutamente nada entre eles?
Como ele seria capaz de ignorar aquilo quando sabia que tudo em que seria capaz de pensar pelos próximos dias era na forma como ela parecia quente demais, frágil demais? Em como seu cheiro era estupidamente inebriante. Na forma como seu corpo havia se adequado perfeitamente contra o dele. O modo como seus olhos, pela primeira vez em muito tempo, não o encaravam com desgosto?
James se odiava por cada um daqueles detalhes. Odiava-se por não ser capaz de simplesmente deixar para lá.
Odiava-se por perceber-se inegavelmente atraído por aquela maldita sonserina.
X—X
A passos largos, Snape caminhou em direção à entrada da Sala Comunal da Sonserina, murmurando a senha assim que chegou em frente à porta de pedra e adentrou rapidamente. Algumas pessoas ergueram os olhos ao verem a movimentação, mas assim que perceberam que era ele, voltaram a baixar o olhar.
Por mais que Severus Snape nunca tivesse dado indícios de que era alguém descontrolado, as pessoas evitavam encará-lo por muito tempo, com medo do que ele poderia fazer se os percebesse. Aquele comportamento por parte dos sonserinos era bastante comum, na verdade. Todos sabiam da existência de um grupo que apoiava o Lorde das Trevas. E todos também sabiam que grande parte dos integrantes deste grupo eram sonserinos. Portanto, por mais que alguns concordassem com os ideais mesmo não estando envolvidos ou que não se importassem o suficiente com o que faziam, ninguém queria ter seus integrantes como inimigos. Já haviam ouvido falar do que tinha acontecido com Mary Macdonald, a lufana, e todos os outros ataques contra nascidos-trouxas e traidores do sangue da escola. Não queriam dar motivo para serem os próximos alvos.
Mesmo que até então ninguém da sonserina houvesse sido atacado.
Sentindo-se frustrado, Snape olhou para os lados, irritado com o comportamento dos colegas. Mulciber estava do lado oposto da sala e era um dos únicos que ainda o encaravam com atenção, junto de Bellatrix e Regulus Black.
Caminhando rapidamente, Snape se aproximou dos três, cerrando os punhos para tentar amainar a raiva que sentia pulsar por todo seu corpo. Sabia que não deveria agir por impulso, que acabaria se arrependendo depois, mas não conseguia entender o que havia acontecido entre ele e Lily, somente que, no final de tudo, ela o havia abandonado. E, por mais que tentasse, não conseguia ignorar aquela dor.
— Snape. — Mulciber cumprimentou-o quando este prostrou-se à sua frente.
— Aconteceu alguma coisa? — Bellatrix indagou, atenta.
— Quero que mandem uma mensagem para ele. Quero que digam que eu aceito. — Snape disse, sucinto, fazendo com que Mulciber e Bella trocassem um olhar surpreso e, Regulus, que tinha um livro de Transfiguração em mãos, ficasse boquiaberto.
— Você vai ter de avisar o Pettigrew. Ele também quer. — Mulciber falou após alguns instantes de silêncio, os olhos brilhando diante da nova possibilidade.
— Tudo bem. — Snape concordou, embora não gostasse muito da ideia de ter de falar com o grifinório. Por mais que Pettigrew houvesse os ajudado muito ao revelar informações bastante interessantes, por mais que todos os outros parecessem tê-lo em alta estima, Snape não conseguia confiar no garoto. Afinal, apesar de tudo, só conseguia defini-lo pelo que ele era: um traidor.
E o que garantiria que ele não iria traí-los também?

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