S L Y T H E R I N

2 I - Maldita Sonserina.


Notas iniciais
Olaaaar! Primeiramente, FELIZ NATAAAAAL! Espero que estejam tendo uma comemoração incrível, que aproveitem bastante e que, acima de tudo, possam curtir essa data junto das pessoas que são importantes para vocês ♥ Assim como eu que, além de ter passado momentos incríveis junto da minha família, vim aqui ficar um tempinho com vocês que me proporcionaram um ano cheio de presentes nesse mundo de fanfics ♥ Ah, gente, eu tenho um grande problema de não conseguir segurar capítulos. Deus sabe o quanto tentei deixar para atualizar só no dia 01, mas foram tantos comentários maravilhosos que recebi nessa fic que simplesmente não resisti e decidi postar antes hehe [observações importantes para o entendimento do capítulo] — Bellatrix Black é 10 meses mais velha que Narcissa. Deste modo, ambas são colegas no mesmo ano em Hogwarts; — Elphias Doge é neto do Elphias Doge que foi colega e amigo de Dumbledore; — Anne Bulstrode NÃO é a mãe de Millicent Bulstrode; —----------------------------- PS: cada capítulo contém sua "playlist" e eu vou deixar as músicas linkadas no decorrer do texto, então para quem quiser ouvir enquanto lê, cliquem nos "•", ok? Músicas do capítulo: • Thirty Seconds To Mars - A Beautiful Lie: https://goo.gl/QosCfA • Ed Sheeran - Don't: https://goo.gl/zycnz7 • The Fray - Heartless: https://goo.gl/VRtjZF Ah, e para quem quiser o link da playlist completa (com as músicas sendo adicionadas no decorrer da fanfic), aqui está o link do spotify: https://goo.gl/sLVvgL Boa leitura ♥

CAPÍTULO I

Maldita sonserina (ou sobre detenções e orgulho ferido)

[QUINTA FEIRA – 15 DE SETEMBRO, 1977]

James caminhava apressado pelos corredores, irritação fluindo por suas veias; suas roupas estavam amassadas – assim como seu rosto – e seus cabelos não pareciam estar tendo um bom dia. Oh, por Merlin, a quem ele estava querendo enganar? Ele é que não estava tendo um bom dia.

Quando abrira os olhos, sentindo os raios de sol fortes baterem em seu rosto e uma dor descomunal por toda extensão de sua coluna, percebera que estava atrasado.

Mais rápido do que parecia ser possível, escreveu algumas coisas estúpidas (e provavelmente ininteligíveis) nos últimos centímetros de seu pergaminho e correu Torre da Grifinória à fora, sem se importar com o fato de que deveria estar com uma péssima aparência – ou tão péssima quanto alguém como ele, que era maravilhoso, poderia ter.

Infelizmente, apesar de sua insistência e de toda a atuação de vou-morrer-sem-essa-nota, Professora Douglas não pareceu convencida – talvez por conta das roupas amassadas de James ou pelo fato de seus cabelos estarem ainda mais bagunçados que o normal – e não aceitou os cinquenta centímetros de pergaminho que ele havia padecido para finalizar.

Com o humor em um nível totalmente novo de péssimo, James decidiu, por fim, voltar até a sala comunal onde tomaria um banho, afinal de contas os feitiços de higiene que havia utilizado enquanto corria pelo corredor não eram tão eficientes quanto a água quente do chuveiro para acalmar seus ânimos. Depois que fizesse aquilo, provavelmente procuraria por seus amigos para, quem sabe, falar algumas bobagens com eles e tentar se distrair da completa bagunça que fora o início de seu dia.

Entretanto, antes que pudesse começar a fazer o que havia pensado, James acabou deparando-se com algo interessante demais para que ele ignorasse: acabara de entrar em um atalho no corredor do quarto andar quando decidira abrir o Mapa do Maroto e procurar por Sirius e Remus para saber se eles já haviam saído da última aula da manhã, mas, ao fazê-lo, outros dois nomes lhe chamaram atenção: Severus Snape e Peter Pettigrew.

Intrigado com o encontro – embora não fosse assim tão difícil encontrar Peter andando com a turma de Snape nos últimos tempos – James pôs-se a caminhar na direção que o mapa estava indicando que os encontraria. Alguns corredores depois, ele parou pouco antes de dobrar, prostrando-se atrás de uma armadura quando ouviu as vozes. Murmurando “malfeito feito” para o mapa, guardou-o em suas vestes, apurando os ouvidos para que pudesse ouvi-los.

—... você não sabe. — Snape dizia e em sua voz James pôde reconhecer uma inflexão de desconforto nada usual.

Você não sabe, Snape! Eu já falei tudo para vocês, tudo. Está mais do que na hora de-

Cale a boca, Pettigrew. — Snape baixou a voz e murmurou algo que James não foi capaz de ouvir. — -têm ouvidos.

— Certo, tudo bem. Mas você entendeu, Snape. É melhor vocês darem um jeito nisso. E que seja rápido! — Peter resmungou em resposta, parecendo contrafeito e então James ouviu som de passos se distanciando, indicando que ele deveria ter se afastado.

Imaginando sobre o que eles poderiam estar falando – e sentindo-se mais do que um pouco irritado ao lembrar das palavras de Peter “eu já falei tudo para vocês, tudo”, imaginando saber exatamente o que “tudo” poderia significar – James caminhou até o final do corredor, voltando-se para a esquerda e observando com atenção.

Peter, como ele havia imaginado, não estava mais lá. Contudo, Snape se encontrava parado no meio do corredor, encarando o lugar pelo qual o outro deveria ter sumido até que, parecendo despertar de seu transe ao ouvi-lo se aproximar, voltou-se, surpreso. Ao perceber que era James, entretanto, seus lábios imediatamente crisparam e sua expressão transformou-se em uma máscara de desgosto.

Uma mudança de comportamento nada surpreendente se James fosse sincero.

— Ouvindo a conversa alheia, Potter? — Snape praticamente cuspiu as palavras, agindo como sempre agia na presença de James: como se este fosse a coisa mais absurdamente asquerosa que ele tivera o desprazer de ver.

Para James era recíproco.

— Conversa? Desde quando animais falam? — James bufou, tentando demonstrar descontração, embora tivesse os punhos cerrados. Snape não estava muito diferente: uma de suas mãos segurava o punho da varinha, pronto para o menor sinal de que Potter tentaria algo contra ele.

— Sua mãe deve saber, já que ela te pariu. — Snape retrucou, irritado.

James sentiu-se efervescer diante da menção de sua mãe, mas tentou não se estressar mais do que o necessário – não que fosse algo remotamente possível quando Snape estava envolvido.

— Fico me perguntando o que você está fazendo aqui, neste corredor vazio... — Ignorando explicitamente o comentário do garoto, James inclinou a cabeça, sarcástico, encarando-o com uma expressão de falsa confusão. — Você está pretendendo atacar algum nascido trouxa, Snape? Ou só vai torturar mais alguma lufana?

— Cale a sua boca, Potter! — A mão de Snape apertou ainda mais a varinha, externando sua irritação. Os nós dos dedos de James, brancos, deixavam bastante claro que ele também não estava conseguindo manter o controle.

Sorrindo de forma jocosa, James arqueou uma sobrancelha.

— E por que diabos eu faria isso? Eu te ofendi? Por acaso disse alguma mentira?

— Potter, é melhor você-

— O que está acontecendo? — A voz ressoou pelo corredor, assustando-os e fazendo-os voltarem-se na mesma direção. No canto oposto do corredor, por onde Peter havia desaparecido, Lily Evans os encarava com seus olhos verdes e frios. O distintivo de monitora-chefe parecia brilhar em seu peito, verde e prata, e o seu semblante não era dos mais amigáveis

James precisou segurar um gemido de desgosto ao vê-la, toda a raiva que sentira no dia anterior pela garota – e durante toda aquela manhã também – revivendo dentro dele.

— Lily- — Snape começou a falar, sua expressão mudando automaticamente para uma mais amena, quase carinhosa, o que era assustador, se James fosse honesto: nunca pensara em Snape como algo muito além de um adorador de você-sabe-quem desalmado, portanto era bastante inquietante ver algo tão humano em seu comportamento.

— Não está havendo nada. — James o interrompeu e então suspirou, aliviando a pressão dos punhos que estiveram cerrados desde o momento em que havia ouvido a conversa de Snape com Pettigrew, pois sabia que, com a sonserina ali, a interação com o garoto estava totalmente terminada.

Evans arqueou uma sobrancelha, parecendo não acreditar na afirmação de James.

— Devo acreditar em você? — Ela perguntou em tom de descrédito.

— Bem, seu amigo ainda está inteiro, o que obviamente significa que não aconteceu nada. — Ele retrucou e a irritação era visível em sua voz. — Agora, se vocês me dão licença, tenho coisas mais interessantes a fazer do que ficar aqui e confraternizar com... sonserinos. — Demorou-se ao pronunciar a última palavra, utilizando a maior quantidade de asco que poderia em seu tom de voz ao falar e então deu as costas para os dois, voltando pelo corredor por onde havia se deslocado até ali.

Ao se afastar, conseguiu ouvir Snape murmurar qualquer coisa sobre “Potter de novo”, o que decidiu ignorar, sabendo que acabaria se arrependendo se agisse de forma imprudente, principalmente quando ela estava por perto.

Em sua cabeça, as palavras de Peter pareciam reverberar: “É melhor vocês darem um jeito nisso, rápido”. O que aquilo queria dizer? Ao que ele estaria se referindo?

Peter... somente a menção daquele nome fazia com que James tivesse vontade de pular no pescoço de alguém. E pensar que, anos atrás, jamais teria imaginado que algo assim pudesse acontecer.

James estivera tão desnorteado pensando no que havia acabado de ouvir e imaginando o que poderia significar que demorou até perceber que seus passos não eram os únicos que ecoavam pelo corredor vazio; ao voltar-se para ver a quem pertenciam, surpreendeu-se ao deparar-se com Lily Evans, muito concentrada em seus próprios pés, caminhando na mesma direção que ele.

Sem pensar, James estacou.

— Parece que você não consegue mesmo resistir a mim, Evans. — Como sempre acontecia quando estava perto dela, as palavras escaparam de sua boca, imediatamente fazendo-o sentir-se estúpido.

Erguendo os olhos muito lentamente para ele – como se encará-lo não fosse tão interessante quanto seus pés— ela também parou de andar e fitou-o, sua expressão demonstrando toda a felicidade que ela sentia ao falar com James: nenhuma.

— Potter. — Lily disse seu nome como se fosse uma maldição e, por alguns instantes, James imaginou que era, de fato.

— Evans. — Ele retribuiu o cumprimento e então arqueou uma sobrancelha, curioso. — Veio atrás de mim para me dar mais alguma detenção? — Ele não conseguiu desviar o tom sarcástico de sua indagação.

A garota estreitou os olhos, o que nunca era um bom sinal.

— Sabe o que é realmente impressionante? — Ela indagou, mas prosseguiu antes que ele pudesse abrir a boca para responder: — O quanto você é egocêntrico. Por Merlin, eu gostaria de saber onde é que cabe tanta certeza de si... — Disse e então deu um sorrisinho, irônica. — Oh, não... nem precisa responder. Certo, eu sei, sim: vai para a sua cabeça e é por isso que está desse tamanho. — E então, aumentando o sorriso arrogante, voltou a caminhar, passando por ele e afastando-se, altiva, deixando-o completamente desmoralizado.

Era impressionante o quanto aquelas míseras palavras pareciam afetá-lo tanto quanto um soco no estômago.

Maldita Sonserina! — James resmungou, frustrado e então passou as mãos pelos cabelos, sentindo a respiração ofegante sem qualquer motivo aparente. Talvez fosse porque seu ego parecia desmedidamente diminuído naquele momento. Ou talvez fosse o efeito de Lily Evans surtindo sobre ele, fazendo-o parecer mais patético do que o normal.

James observou-a sumir pelo corredor, seu andar calmo e cheio de uma arrogância nata, que indicava o quanto era segura de si. O quanto parecia pensar que melhor do que todos os meros mortais que tinham a sorte de viver à sua volta.

Lily Evans parecia uma força da natureza; alta, com pernas longas e seus cabelos laranja-acobreados como fogo que irradiavam luz própria, fazendo com que, por mais vezes do que seria prudente admitir – se é que era prudente admitir qualquer coisa àquele respeito – James sentisse uma vontade quase incontrolável de passar os dedos por ali e deslizá-los através de seu rosto, sentir sua pele, que era de um branco quase translúcido, e descobrir se era tão sedosa quanto havia imaginado.

E, por Merlin, como havia imaginado. Como havia malditamente imaginado.

Contudo, por mais impressionante que fosse sua aparência, ainda não se comparava em nada com a extraordinária beleza de seus olhos, que eram de um verde esmeralda único e totalmente petrificador.

E era aquele último contraste que o levava a loucura: enquanto seus cabelos longos e ruivos ao sol pareciam brilhar em um tom de dourado ofuscante, seus olhos, tão verdes e intrigantes, transformavam-se em duas adagas verde-prateadas toda vez que ela ficava irritada. Ou apenas quando o encarava. O que era basicamente a mesma coisa.

Oh, sim, aquele verde-prateado em seus olhos, que contrastava absurdamente com o dourado de seus cabelos, fazia com que ele se lembrasse a todo momento o que, de fato, ela era: uma sonserina.

Uma maldita sonserina que parecia sempre pronta para tornar a vida dele mais difícil. Ou, bem, era o que parecia a James, que parecia passar mais da metade de seus dias ouvindo sermões da garota. Talvez quem observasse de fora pudesse encarar de uma forma totalmente diferente: ele merecia. Ele que, inadvertidamente, tornava a vida da notável monitora-chefe, Lily Evans, um inferno.

Mas que culpa ele poderia ter se ela parecia se materializar toda a vez que ele estava fazendo algo minimamente ilegal? Haviam centenas de estudantes em Hogwarts, vários dos quais ela poderia muito bem observar mais de perto, mas, aparentemente, ela havia decidido focar apenas nele. E em Sirius, é claro, afinal eles estavam sempre juntos.

Às vezes nem mesmo Remus, que também era monitor-chefe, se livrava de sua ira.

James sabia que não deveria dar atenção a ela, que não deveria nem ao menos pensar sobre ela. Não era como se eles tivessem muita coisa em comum, exceto o fato de que não se suportavam.

Mas, infelizmente, James sempre gostara de desafios.

E era simplesmente muito mais forte do que ele sentir atração por coisas que eram prejudiciais e potencialmente perigosas para ele: se embrenhar na floresta proibida, praticar quadribol e fazer manobras arriscadas, andar pelos corredores de Hogwarts no meio da madrugada, ser melhor amigo de um lobisomem... e Lily Evans – sendo esta última a mais perigosa.

James não sabia dizer quando aquela... obsessão - porque nada daquilo podia ser algo saudável, é claro que não - havia começado.

Evans sempre estivera por perto, embora não fossem da mesma casa e tampouco andassem com as mesmas pessoas. Ela era a garota irritante que sempre sabia todas as respostas na sala de aula, a garota de ouro dos professores. Aquela que intervia toda vez que James e Snape decidiam que se odiavam demais e que precisavam extravasar. A garota que sempre fora capaz de fazê-lo sentir-se envergonhado por algo que havia feito – mesmo que não devesse se envergonhar, afinal de contas. A garota que, com apenas um olhar, conseguia fazê-lo sentir-se mais insignificante que uma ameba.

Quando, em seu quinto ano, Merlin sabe o porquê, James perguntara a ela se queria ir à Hogsmeade com ele – o que ele atribuía ao cansaço que os N.O.M.s haviam dado em sua mente, fazendo-o agir de forma nada normal – Lily Evans voltara-se para ele, seus olhos transformando-se imediatamente em dois icebergs que pareciam congelar todos os seus ossos, e dissera em alto e bom som – em frente à várias pessoas que estavam à beira do lago depois da última prova daquele dia – que preferia beijar a Lula Gigante a sair com ele, as coisas pareciam ter se tornado ainda mais confusas para James.

Era só que... a Lula Gigante. Quem, por Merlin, poderia preferir um monstro cheio de tentáculos gigantes asquerosos e grudentos a ele, James Potter? Não que ele fosse a pessoa mais maravilhosa do mundo – coisa da qual sua mãe discordaria e diria que sim, ele era – mas, francamente, ela poderia ter sido um pouco menos... Evans.

Não que ele estivesse surpreso com a sua resposta, é claro. Afinal, de todas as pessoas que ele conhecia, Lily Evans era uma das únicas que parecia ter sempre uma resposta na ponta da língua para retrucar tudo o que ele falava. E ele já havia se orgulhado muito de sua capacidade de ganhar discussões..., mas não com ela.

O que o incomodava em tudo aquilo – e que havia continuado incomodando-o pelos anos seguintes àquele convite – era o quanto suas palavras o haviam afetado.

Apenas... não era legal perceber-se tão influenciado pela opinião de uma pessoa que outrora jurara odiar.

Suspirando e sentindo-se extremamente cansado – o que era bastante irônico levando em consideração que não fazia muito tempo desde que havia acordado – James refez seu caminho de volta à Sala Comunal da Grifinória e subiu até seu quarto, atirando-se sobre sua cama e fechando os olhos, mesmo sabendo que, em poucas horas, deveria ir para o período duplo de poções e que se acabasse dormindo poderia se atrasar novamente.

X—X

— Prongs. — A voz de Sirius o despertou do que havia sido um sonho muito estranho e inadequado, envolvendo Evans e armários apertados. Assustado, James ergueu-se do meio de seus travesseiros, sentindo-se perdido.

A luz que provinha da janela era muito mais escura do que ele lembrava de ser antes de acabar adormecendo. Xingando, percebeu que, pela segunda vez naquele dia, havia se atrasado.

Com o pior humor que a humanidade jamais vira, saiu da cama, caminhando apressadamente até o banheiro, sem se importar em responder o cumprimento amigável de Remus e Frank que adentravam no dormitório logo atrás de Sirius.

Fechando a porta bruscamente, despiu-se e foi para baixo do chuveiro, deixando a água quente descer por suas costas e acalmar um pouco de sua irritação. Terminou de se lavar e então se enrolou numa toalha, bufando ao lembrar que não havia pego uma muda de roupa para trocar e então saiu do banheiro, caminhando até sua cama e pegando algo que pudesse vestir do meio da bagunça que era o seu malão.

Quando, por fim, terminou de se vestir, voltou-se para seus amigos, deparando-se com os três encarando-o como se ele fosse algo muito interessante.

— Que é? — Bufou.

Sirius, que parecia divertido demais com o mau humor do amigo, voltou-se para Remus, sorrindo.

— Eu disse.

— Bem, você venceu dessa vez. — Remus murmurou e então, pegando um sicle de dentro do bolso interno das vestes, atirou para Sirius que o guardou, feliz.

— O que foi isso? — James indagou, irritado.

— Os garotos apostaram que o seu mau humor foi ocasionado pela Evans. Como Sirius chegou à conclusão de que foi, não posso dizer. — Frank, que estava deitado em sua cama, já sem o uniforme da escola, disse e então sorriu para James.

— Ele sempre fica parecendo uma velha rabugenta e reclamona quando a Evans briga com ele, Frank. Consigo ver que ela deve ter dado um fora nele há quilômetros de distância. — Sirius disse e então voltou-se para James. — Ela consegue mesmo acabar com você, Prongs.

— Ela não consegue nada. — James retrucou, embora não soubesse exatamente ao que estava se referindo. A verdade era que sempre acabava perdendo a cabeça quando aquela garota estava envolvida.

— O quê? Vai me dizer que não foi ela quem te deixou neste estado? — Sirius voltou a perguntar, interessado demais.

— Argh! — James jogou os braços para cima, como em rendição, e então bufou. — Ela parece não ser capaz de me enxergar sem me mandar para detenção! Eu passei o dia inteiro ontem limpando aquela maldita sala de troféus só porque eu petrifiquei um quintanista particularmente irritante da corvinal que...

— Então foi você que mandou o Runcorn para Ala Hospitalar! — Remus disse e então meneou a cabeça, parecendo desapontado. — Ele é um cara legal, James!

— Não, ele não é! Ficou me provocando por causa do jogo contra a Sonserina, dizendo que íamos acabar perdendo porque o Bing não está no time este ano! — James bufou, irritado, lembrando-se da discussão que tivera com o corvinal idiota no dia anterior. — Como se não houvessem outros artilheiros bons para o cargo! E, também, ficou menosprezando a capacidade da Grifinória de vencer sem um batedor bom...

— Ele não disse isso! — Sirius, que era um dos batedores do time, protestou.

— Sim, ele disse. — James assentiu, alterado. — Antes que ele começasse a falar sobre a Vance, o que ele estava prestes a fazer, acabei perdendo minha paciência e o petrifiquei para que calasse a boca. — Deu de ombros como se estivesse falando sobre o tempo. — Não entendi o porquê de ele ter ido para a Ala Hospitalar, afinal nem foi algo tão grave assim.

É claro que não foi. — Remus rolou os olhos, irônico.

Sirius, que parecia ter aceitado as justificativas de James sobre suas motivações, assentiu.

— Eu teria feito pior. — Disse.

— Qual o problema deles com a Vance? Quero dizer, ela é uma das melhores do time! Tem o maior número de pontos entre os artilheiros! — Frank, que era goleiro do time e também estava inconformado com os comentários de Runcorn, resmungou.

— O problema é que ela é mulher, Frank. E o Chad levou uma surra de pontos no último jogo em que a Corvinal esteve contra a Grifinória no ano passado. Suponho que seu ego deve estar bastante murcho. — Remus comentou e então sorriu para James. — Sabe de uma coisa, Prongs, foi muito bem feito.

— Esse é o nosso Moony. — Sirius deu palmadinhas em suas costas, orgulhoso.

Sentindo-se muito mais leve do que havia se sentido durante todo o dia, James embrenhou-se numa conversa bastante animada sobre quadribol – que era, sem dúvidas, o seu assunto favorito.

[SEXTA-FEIRA – 16 DE SETEMBRO, 1977]

“Foram registradas doze mortes de nascidos-trouxa nesta semana, todos com marcas de tortura e com resquícios de magia negra por todo o local onde seus corpos foram encontrados...”

Lily fechou o jornal, sentindo-se nauseada. Eram seis horas da manhã e a primeira coisa que havia lido tinha sido aquilo. Que tipo de dia alguém poderia ter quando a primeira coisa que se via era a notícia de que nascidos-trouxas haviam sido mortos por magia negra? Principalmente quando, perto demais de onde ela estava, Mulciber e Alecto Carrow pareciam deliciar-se ao lerem as mesmas páginas que ela.

Um dia não muito bom aparentemente.

— Eles são nojentos. — Anne Bulstrode comentou, irritada, ao seguir o olhar de Lily.

— Mas o que mais poderíamos querer de pessoas como eles, não é? — Elphias Doge disse, sempre muito sensato. — Era de se esperar que, tendo os pais que eles têm e agindo do jeito que agem, logo estariam apoiando você-sabe-quem. — Rolou os olhos, mas parou assim que Anne resmungou. — Me desculpe, Anne. Esqueci que a sua família é uma porcaria. — Deu de ombros.

— Você sempre esquece, Elphias. — Ela retrucou, venenosa, mas, por fim, sorriu. — E você tem razão, não é nenhuma novidade que eles achem isso — apontou para o jornal — legal. Depois do que fizeram com a Macdonald eu não duvido de mais nada.

Mary Macdonald era uma setimanista da Lufa-Lufa. Ela era nascida-trouxa e, no ano anterior, havia sido atacada por alunos mascarados que alegavam agirem de acordo com as vontades de Lord Voldemort. Desde então, ela usava camisas de manga comprida, independente da estação do ano, pois, em seus braços, as palavras “sangue ruim” haviam sido entalhadas a fogo. Ninguém tinha descoberto quem, de fato, a havia atacado, mas é claro que as desconfianças recaíam principalmente no pessoal da Sonserina. E com razão, afinal Lily – assim como todo o resto da escola – tinha quase cem por cento de certeza de que Mulciber estava envolvido em tudo aquilo. Ele e a legião de aspirantes a comensais que o seguiam para todo lado.

Lembrava de quando havia descoberto sobre Mary, do choque que fora. Por mais que fossem de casas diferentes a garota sempre havia sido muito gentil com Lily. Ela era monitora também e, por muitas vezes, haviam partilhado rondas. Lily gostava de Mary e saber que alguém tão legal quanto ela havia passado por algo como aquilo, somente por causa de um motivo tão estúpido como o seu sangue, era de dar náuseas.

— É, mas eles mancham a reputação da nossa casa, você sabe. — Elisa Barnow, que estava sentada em frente a eles, suspirou, irritada. — É injusto sermos tachados por algo com o qual não compactuamos.

— Mas também não temos muitos bons exemplos, não é? Quero dizer, olhe só: praticamente todos setimanistas e sextanistas estão envolvidos com essas “coisas”. — Doge comentou, visivelmente chateado. — Não é de se surpreender que nos vejam como os badboys da coisa toda. O que você acha, Lily? — Ele voltou-se para ela, que não havia se manifestado até então.

Suspirando, Lily deu de ombros.

— Eu acho que o chapéu seletor deveria escolher melhor quem deixa entrar nessa casa.

— Infelizmente nem todos os sonserinos são maravilhosos como nós. — Elisa concluiu.

— É, mas os grifinórios também não são tão legaizinhos assim, hm? Vocês viram que o Pettigrew tem aparecido junto da Black? E, bem, não do Sirius Black. Da Narcissa. — Anne disse e lançou um olhar rápido em direção à mesa da Grifinória.

— Já o vi com o Mulciber e o Avery também. — Doge concordou, entusiasmado com a fofoca. — Vocês acham que os outros podem estar nessa? Quero dizer, o Potter, o Black e o Lupin nunca pareceram gostar dessas coisas, mas com o Pettigrew envolvido...

— É totalmente impossível que o Potter esteja envolvido com esses caras. — Lily interrompeu-o, convicta. — Francamente, no dia que ele decidir seguir pelo caminho das Artes das Trevas eu me dou um crucius. Ele é fã demais de ser herói para andar com essa gente.

— Bem, nisso preciso concordar. — Anne anuiu e seu olhar pareceu brilhar levemente. Lily rolou os olhos para ela. Sabia que, assim como várias outras meninas, ela tinha uma queda pelo “rei” da Grifinória.

Como se ele precisasse de mais motivos para ter o ego inflado.

— E por falar em James Potter... parece que ele caiu da cama. — Doge indicou a entrada para o Salão Principal, por onde James Potter adentrava e uma expressão de poucos amigos estampava seu rosto.

Uma pontinha de curiosidade invadiu a mente de Lily, fazendo-a questionar sobre o porquê de ele estar tão acabado. Sem falar que, no dia anterior, ele não havia comparecido em nenhuma aula. Será que estava acontecendo alguma coisa? Ela tentou recapitular a cena entre ele e Snape que havia presenciado no corredor, lembrando das expressões e seu tom de voz, procurando por alguma coisa que pudesse indicar seu estado de espírito naquela manhã.

E então percebeu o que estava fazendo e imediatamente parou, sentindo-se estúpida. Por Merlin, se Potter estava com uma cara de poucos amigos, ela não tinha nada a ver com aquilo. Muito menos tinha de perder seu tempo preocupando-se em saber o que estava acontecendo com ele!

Sacudindo-se mentalmente, Lily terminou de tomar o suco de abóbora de seu copo, clareando os pensamentos e afastando-os de qualquer lugar perto de James Potter.

Seus companheiros continuavam conversando, alheios à completa falta de atenção de Lily. A verdade era que estavam acostumados, pois embora tomassem café, almoçassem e passassem muito do tempo livre juntos, Lily nunca se sentira totalmente próxima àqueles três. Anne, Elisa e Doge eram o que ela tinha mais próximo de amigos..., mas, havia algo nela que fazia com que não conseguisse se sentir totalmente à vontade com eles, apesar de os três terem basicamente a adotado no último ano, trazendo-a para suas conversas e reuniões, fazendo com que ela se sentisse o mais confortável possível junto deles... Lily simplesmente não se sentia parte do grupo.

Talvez porque, até seu quinto ano, Lily tivesse passado grande parte de seu tempo com Snape. Talvez porque ela estivesse ressabiada demais para conseguir confiar em alguém novamente.

Não saberia dizer.

Estava, pela segunda vez durante aquela manhã, tentando redirecionar os pensamentos para longe de coisas desnecessárias, quando, parecendo materializar-se de seus pesadelos, Snape sentou ao seu lado, encarando-a firmemente.

— Lily. — Ele a chamou em um tom de voz baixo. — Posso falar com você?

— E já não está falando? — Ela retrucou, sem tirar os olhos de sua torrada meio comida.

— Eu quis dizer em particular. — Ele deliberadamente ignorou a grosseria dela.

— Sobre o quê?

— Em particular. — Ele repetiu, incisivo.

Lily arqueou uma sobrancelha.

— Se quiser falar, fale aqui, Snape. Estou tomando café. — Murmurou, irritada, sentindo a raiva que sempre aparecia quando estava perto dele vir à tona.

Parecendo ter percebido que Lily não iria mudar de decisão, Snape suspirou e então empertigou-se, preparando-se para falar.

— Eu... — Ele começou a dizer, mas seus olhos perpassaram pelos três companheiros de Lily, que o encaravam, curiosos, fazendo-o retesar-se. — Ah, deixa para lá. — E então se ergueu e saiu, lançando um olhar triste em sua direção antes de caminhar lentamente até onde Mulciber e Alecto se encontravam e sentar-se junto deles.

Foi o que bastou para que Lily perdesse a fome.

Sentindo o estômago embrulhar, Lily ergueu-se e murmurou um “preciso fazer uma coisa na biblioteca” antes de se afastar rapidamente em direção à saída, ignorando completamente a expressão de incredulidade no rosto de Snape que havia sido descartado por ela.

Do outro lado do salão, James observava a cena atentamente, perguntando-se o que Snape poderia ter dito que havia deixado Lily Evans tão estranha e irritadiça. Ele havia pensado que somente ele era capaz de fazer aquilo com ela..., mas, aparentemente, sua relação com Snape – que já parecia bastante fraca no ano anterior – estava deteriorando ainda mais.

Tentando ocultar o sorriso, James voltou sua atenção para seus ovos com bacon, sentindo-se muito mais feliz do que no dia anterior.

X—X

— Você faz ideia de quanto barulho uma armadura dessas faz ao cair no chão? — A voz levemente rouca e fria dela preencheu seus ouvidos e ele xingou-se mentalmente ao sentir-se arrepiar pela proximidade.

Estava encoberto com a capa da invisibilidade, contudo deveria ter deixado algo escapar, pois, embora não estivesse nem mesmo respirando para impedir o barulho, Lily Evans estava bem em sua frente e o encarava como se ele não estivesse invisível. Seus olhos verdes brilhavam apesar da escuridão do corredor.

Em um gesto apático, ela esticou a mão e puxou a capa de cima dele, descobrindo-o.

— Deveria tomar mais cuidado com os pés. Você já está grandinho para isso. — Disse para ele, indicando o tecido prateado com a mão livre. — Sabe o que me choca, Potter? É a sua pretensão. Você acha que pode de andar por aí de noite, mesmo sabendo do toque de recolher, como se ninguém fosse te encontrar.

— Eu deveria saber que, com você cuidando cada passo que eu dou, não estaria livre. — James bufou, irônico, sentindo-se irritar. Odiava quando ela usava aquele tom professoral com ele, agindo como se James fosse uma criança de seis anos incapaz de compreender qualquer coisa. — Francamente, Evans, você tem uma vida quando não está no meu encalço?

James não saberia dizer o que sua expressão estaria transmitindo: raiva, frustração, desgosto? Talvez os três.

Lily arqueou uma sobrancelha para ele, arrogante e deliberadamente ignorou sua pergunta.

— E esses são outros vinte pontos que a Grifinória perderá por sua causa. Que vergonha para os seus fãs. — O tom de voz da garota era cadenciado e o distintivo de monitora-chefe em seu peito parecia brilhar, debochando da falta de sorte dele. — Me acompanhe, Potter.

Frustrado, ele caminhou em silêncio atrás dela, tentando não prestar muita atenção no modo estupidamente fluído como ela caminhava.

Como sempre fazia todas as noites antes de dormir, James murmurava “juro solenemente que não vou fazer nada de bom” para o Mapa do Maroto e observava os corredores da escola a procura de qualquer coisa que pudesse parecer estranha. Estava cansado, depois de ter passado o dia aturando aulas tediosas, portanto não estava prestando muita atenção no que via até que três nomes se movendo em conjunto fizeram-no despertar.

“Regulus Black, Augustus Roockwood e Evan Rosier”.

Era muita coincidência que três pessoas, as quais ele sabia pertencerem àquela espécie de seita de adoradores de Voldemort, estivessem perambulando pelos corredores àquela hora. Sem parar para pensar no que estava fazendo, James tentou acordar Sirius, mas este estava totalmente inconsciente sob as cobertas. Remus estava fazendo sua ronda da monitoria e Frank, bem, eles não eram tão amigos para aquele tipo de coisa.

Vestindo-se rapidamente, não querendo despertar Amos Diggory e ter de aturar seus sermões babacas, James pegou a capa da invisibilidade do fundo de seu malão e atirou-a por cima de si, saindo da sala comunal sem fazer barulho. Estava conseguindo se esgueirar pelos corredores, caminhando em direção à sala de aula vazia na qual o trio aparentemente estava fazendo uma reunião, quando acabou esbarrando naquela maldita armadura.

E, é claro, com a sorte que tinha, não havia sido Remus quem o encontrara. Não. Tinha de ser Lily Evans.

Quando ela finalmente parou de caminhar, estavam em frente à uma gárgula que ele sabia ser onde ficava a sala dos monitores. Evans murmurou algo, baixinho demais para que ele pudesse ouvir – embora ele soubesse que a senha era “amargor”, o que era bastante irônico já que Lily Evans era, de fato, muito amarga – e a gárgula girou, deixando uma porta à mostra.

A garota adentrou e deixou a porta aberta para que James passasse.

Lily parou em frente à escrivaninha e voltou-se para ele, observando-o enquanto fechava a porta e caminhava até estar à sua frente. Seus olhos verdes pareciam capazes de congelar o inferno tamanha era a frieza que emanavam.

Ela suspirou, parecendo entediada. O que não era nenhuma novidade, afinal ela sempre parecia estar entediada. Por mais de uma vez James havia se perguntado se ela era capaz de fazer qualquer outra expressão facial a não ser aquela.

Não que ousasse perguntar.

— Não irei te mandar para detenção, Potter, porque, sinceramente, elas não adiantam de nada. — Ela disse, enquanto encostava-se à mesa atrás de si, cruzando os braços sobre o peito, seus olhos sem nunca deixarem os de James. — Então, já que os castigos com você nunca parecem funcionar, decidi que, a partir de agora, irei te privar de coisas que gosta de fazer. Assim, quem sabe, alguma coisa entre nessa sua cabeça excessivamente dura. — Os olhos dela faiscaram, emitindo um brilho de diversão maldosa.

— Você não pode me tirar do time de Quadribol! — James apressou-se a dizer, sentindo um aperto no estômago ao ver o olhar maldoso que ela destilava. — Você não tem o direito de...

Ela o interrompeu antes que continuasse, um sorriso enviesado abrindo em seu rosto, deixando-a com a aparência mais cruel – e bonita – do que normalmente era. Remexendo na gaveta da mesa atrás de si, Evans puxou um bloco e uma pena recarregável, a qual baixou sobre o pergaminho e escreveu qualquer coisa que parecia muitíssimo divertida. Para ela.

— Ah, eu realmente não posso fazer isso, Potter. — Fez um gesto de descaso com a mão. — Sou apenas monitora-chefe..., mas eu posso garantir que você não vá mais à Hogsmeade por algum tempo. — Ela inclinou a cabeça, avaliando-o com os olhos estreitos. — Você está proibido de sair fora da área da escola até o final deste ano, Potter. Se o fizer e eu acabar descobrindo, informarei McGonagall sobre suas aventuras. Eu até posso não ter muito poder sobre você, mas eu tenho certeza de que ela pode te impedir de jogar Quadribol se assim o quiser. E ela vai querer.

James não era capaz de acreditar em suas palavras.

— O que... eu não posso ir à Hogsmeade? Você não pode fazer isso! — Sua voz subiu uma oitava devido ao nervosismo que sentia. Claro, ele poderia esgueirar-se pelas passagens secretas muito facilmente, mas aquilo significava que não poderia marcar qualquer evento fora da escola sem correr riscos de ser pego. E, levando em conta o nível de maldade de Lily Evans, ele seria pego se o fizesse.

— Posso sim. Tanto posso que até já fiz. — Ela sorriu mais um pouco, cruel como sempre. Seus olhos frios pareciam brilhar em diversão e então ela esticou o pergaminho no qual havia acabado de escrever. — Leve isso à Professora McGonagall para que ela saiba que você está impedido de sair. Eu saberei se não o fizer.

— Por que você me odeia tanto? — As palavras escaparam de sua boca antes que pudesse controlá-las. Evans, que ainda tinha o pergaminho estendido em sua direção, arqueou uma sobrancelha para ele, como se a pergunta a houvesse intrigado.

— Eu não te odeio, Potter. — Ela disse, sincera. — Não é culpa minha que você decida agir de forma estúpida e imprudente sempre que estou por perto. Faz parte do meu dever, como monitora, dar o exemplo para os outros alunos. Sem falar que, para odiar alguém é preciso se importar com essa pessoa, a princípio de conversa. E eu definitivamente não me importo o suficiente com você para odiá-lo.

E, mais uma vez, James sentiu como se houvesse levado um soco no estômago. Abriu e fechou a boca diversas vezes, procurando palavras que pudessem expressar o que estava sentindo naquele momento, mas nada saiu de sua boca exceto um grunhido irritado.

Como ela conseguia fazer aquilo? Como ela era capaz de, com uma única frase, deixá-lo tão desarmado? Tão humilhado?

Sentindo a raiva efervescer dentro de si, James retesou-se, sabendo que estava prestes a fazer algo do qual se arrependeria depois, mas não conseguiu se conter. Nunca havia sido conhecido pelo controle sobre suas emoções.

Sem saber exatamente o que estava fazendo, James terminou com o espaço que havia entre eles, baixando seus olhos até que estivessem no nível dos dela. Evans arqueou as sobrancelhas, como se esperasse pelo que ele iria fazer a seguir, mas James apenas a encarou por vários segundos, imóvel, sentindo a respiração ficar a cada segundo mais ofegante.

— O quê? Você vai me beijar, Potter? — Seu tom de voz irônico foi o que bastou para que ele perdesse seus últimos resquícios de sanidade.

Sim. — Ele disse e quase não reconheceu a própria voz devido a rouquidão. — Eu vou te beijar, Evans. — E, dizendo aquilo, terminou com os últimos centímetros que os separavam, aproximando seu rosto com o dela, cruzando as respirações, e então, ao perceber que ela não faria nada para impedi-lo – e a parte racional de sua mente realmente esperou que ela o fizesse –, encostou seus lábios aos dela.

O desencadeamento de emoções que somente aquele pequeno toque teve sobre ele quase o pregou no chão. James teria ficado paralisado se não estivesse tão concentrado nos lábios dela sob os próprios. Um calor pulsante espalhou-se por sua corrente sanguínea, esquentando-o e fazendo-o estremecer. A sensação era aterradora, como se precisasse continuar beijando-a para poder sobreviver.

Talvez tivesse sido por conta daquele turbilhão de emoções que o tomara que James demorou para perceber que Evans não o estava correspondendo. Para falar a verdade, ela sequer parecia estar respirando.

Sentindo-se desnorteado com a falta de reação da garota, como se houvesse tomado um choque, ele se afastou rapidamente.

Encarando-a, ofegante, observou que ela continuava lá, intacta sob seus cabelos ruivos, seus olhos verdes sem qualquer alteração, ainda gelados e ainda o encarando com aquela expressão de tédio imortal.

James sentiu como se a sala houvesse acabado de sofrer uma queda drástica de temperatura, sentindo um frio surreal perpassar por toda extensão de sua espinha.

— Terminou? — Ela voltou a perguntar, sem demonstrar qualquer coisa através de sua voz, exceto, é claro, o tédio.

Naquele momento, James sentiu-se como o maior parasita do universo. Sem conseguir reunir coerência o suficiente para respondê-la, simplesmente ficou ali, parado, encarando-a sem saber como reagir.

— Pegue este pergaminho, Potter e, assim que possível, entregue-o para a McGonagall. — Ela voltou a falar, indicando o pergaminho que ele não fazia ideia de como havia caído no chão.

Assentindo, sentindo-se completamente desmoralizado e querendo sair dali o mais rápido que os restos de seu orgulho permitiam, James abaixou-se para pegar o pergaminho do chão, guardando-o dentro de suas vestes antes de afastar-se em direção à porta.

Antes, porém, que saísse, Evans o chamou. Com muito custo, sentindo as bochechas esquentarem – de raiva ou vergonha, não saberia dizer – James voltou-se para encará-la.

— O que estava fazendo à essa hora nos corredores? — Ela indagou, parecendo muito interessada.

Estreitando os olhos, James grunhiu.

— Talvez devesse parar de perder tempo me infernizando para começar a fazer o seu trabalho direito. — James praticamente cuspiu as palavras. — Imagino que vá encontrar algo do seu interesse na quarta sala de aula à esquerda no corredor do segundo andar. — E, terminando de falar, abriu a porta e saiu em um rompante, sentindo-se irritado demais para se preocupar com o fato de que Evans havia ficado com sua capa da invisibilidade confiscada.

Para se importar com qualquer coisa que não fosse o fato de que havia acabado de ser rejeitado por Lily Evans.

Aquela maldita sonserina.

X—X

Ao ouvir a porta bater, Lily liberou o suspiro que havia lutado para conter. Seus dedos, os quais haviam se fechado sobre a beira da mesa para tentar controlar os impulsos estúpidos que a açoitaram enquanto Potter a beijara, reclamavam de dor.

Estremecendo, afastou-se da mesa, fechando os olhos por alguns instantes para clarear a mente, lembrando das palavras de Potter sobre a sala no segundo andar e imaginando que, por mais idiota que ele fosse, não deveria estar mentindo.

Antes de sair da sala de monitoria, contudo, ergueu uma mão para tocar os lábios.

— O que você está fazendo, Lily? — Repreendeu-se, irritada pelo rumo que seus pensamentos insistiam em tomar.

Notas finais
E aí, gente, o que acharam do capítulo? Ficou grandinho, portanto espero que não tenha ficado cansativo, btw Fiquei muito contente com a quantidade de leitores maravilhosos que decidiram ler SLYTHERIN, sério. É muito bom saber que estão dispostos a participarem dessa "aventura" que está sendo reescrevê-la junto comigo. Espero que tenham gostado do capítulo, amores! Não esqueçam de me contar o que acharam, sim? ♥ Dúvidas, sugestões e etc, estou sempre nas redes sociais: Twitter: @wolfistar Facebook: https://www.facebook.com/groups/millerfics/ E aqui nas MP's do Nyah também ♥ ♥ Beijinhos e até breve, amores ♥