Só Que Não

4 Primeiro dia de aula


Notas iniciais
Desculpem-me a demora. E se tiver algum erro ortográfico, claro.

Acordei cedo. Ou melhor, Larissa me acordou cedo:

– Acorda, Branca! Meu Deus, até uma pedra dorme menos!

Levantei da cama e chacoalhei o rosto. Pra mim a melhor maneira de acordar de um pesadelo era assim.

– Quem é você e o que está fazendo no meu quarto, intrusa? E pedras não dormem.

Quase berrei. Mas depois reparei que estava no quarto do internato. É, eu tenho memória curta mesmo.

Até demais.

– Ah, desculpa Larissa. Memória curta. — toquei minha cabeça.

– Cara, isso é sério, mas logo, logo me acostumo. Agora vai logo tomar banho e NÃO demora, ou então quem vai se atrasar é você. Vou te esperar lá fora.

Ela me deu um sorriso. Consenti com minha cabeça e varei pro banheiro. Depois de pôr aquele uniforme ridículo, fui pra fora.

– Ah, pelo menos não demorou.

Ela olhou meus saltos.

– Na hora da aula só se pode usar tênis.

Bufei.

– Odeio esses tênis (de qualquer tipo) desde que me entendo por gente.

Ela nem pareceu se importar.

– Problema seu. Agora anda rápido.

– Mas eu não tenho tênis!

– Usa o meu!!!

Ela já estava irritada. Corri pro quarto, procurei o tênis e o vesti num piscar de olhos. Quando tinha 4 anos usava isso e usei até os 10. Mas parte da minha revolta de deixar o Brasil incluía não usar mais tênis, então os deixei de lado. Mas eu tinha uma habilidade e tanto para calçá-los, e isso de algum modo não se perdeu. Fui para fora e perguntei a Larissa:

– Como estou? Lin...

–Sim, sim, sempre está linda, agora vamos. — ela completou minha fala com impaciência.

Fomos aos armários e o de Larissa curiosamente ficava ao lado do meu.

– Quando as pessoas são colegas de quarto ficam com os armários pertos uns dos outros?

– Geralmente sim, mas quem tem sorte/azar fica distante. — disse ela distraída.

Pelo visto Larissa não gostava de se atrasar. Corremos para a aula e não tinha chego nenhuma alma viva além de nós duas.

– Por que você me fez chegar adiantada? — quase gritei.

– Nós chegamos na hora. A professora e os outros que são uns atrasados.

Depois de uns dez minutos chegou o menino do jardim, o que tinha matado aula ontem.

– Olha só, a turista. — disse ele.

– Olha só, o menino do jardim. — debochei.

Ele amarrou a cara e se sentou longe.

– Conhece ele? — sussurrou Larissa pra mim.

– O quê? Ele? Ah, sim, meio que conversamos ontem. Eu estava dando uma passada no jardim e ele decidiu matar aula lá também.

Larissa arregalou os olhos para mim.

– Você acabou de conhecer o maior galinha daqui!

Ela distorceu a palavra galinha de um modo estranho.

– Não entendi. Ele é uma galinha? Por que não está batendo as asas fazendo aquele barulho: Po po po! — imitei uma galinha.

Ela girou os olhos.

– Me desculpe se não sei as gírias daqui. — falei.

– Ele nunca se prende a uma menina só. Do tipo, fica com você hoje e amanhã nem sabe mais seu nome.

Dei de ombros.

– Então eu mesma sou um... avestruz...?

Ela riu. Uma professora de cara séria e achatada entrou na sala. O tédio iria começar.

– Abram seu livro na página..

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem. Beijossas!