Só Que Não

14 Perigo: Excesso de informação


Notas iniciais
Oi, guris!!! Tudo beleza? Não postei antes porque estava escrevendo o capítulo... espero que tenha ficado bom!

Acordei e uma luz branca me cegou. Na hora, pensei: “Morri e Deus, num ato misericordioso, me trouxe para o céu. Thanks, God”.

Mas eu não tinha morrido e ido para o céu. Eu estava apenas na enfermaria da casa onde estávamos. Oh, que ótimo. Por que eu estava ali, afinal de contas? O que havia acontecido?

Alguma coisa do meu lado fez barulho e eu me assustei. Um susto digno de novela.

Eu pulei e acabei caindo da cama, além de arranhar a costa numa cadeira de plástico que estava do lado da cama.

– Shit! – falei, me levantando, com raiva.

Vi o desgraçado que me acordou e vi na verdade duas: Kioko e Larissa. Elas me olhavam com os olhos arregalados.

– Oi para vocês também! – murmurei, passando a mão na costa.

– Você se machucou? – perguntou Kioko em pânico.

– Arranhei a costa – grunhi, com raiva.

Kioko deu um suspiro de alívio.

– Pensei que tivesse sido sério.

– FOI sério, droga! Eu ARRANHEI A COSTA! Agora ela ficará horrenda. – virei a cabeça numa tentativa de ver minhas costas.

– Deixa eu ver se foi sério – falou Larissa em meio as risadas.

Mostrei minhas costas a ela, e a mesma bufou, logo depois rindo.

– Qual é, foi um arranhãozinho de nada.

Fiz beicinho.

– Nem se importam comigo. Mas tudo bem, tudo bem. Eu vou arranjar novas amigas.

Elas riram e me abraçaram.

– Você não tem ideia do quão preocupada ficamos, Branca. Você é doida de desaparecer do nada? — disse Larissa.

Revirei os olhos.

– Estou aqui e estou viva. Mesmo que arranhada.

Elas me largaram e me deram uma roupa, uma toalha e disseram:

– Tomar banho se não quiser perder o café da manhã.

Agradeci aos céus pelas amigas que tenho. Deus sabe que eu estava precisada de um banho.

Tomei um banho médio, vesti a camisa preta e a saia comprida e rodada (vermelha, ainda por cima) e saí do banheiro. Fiquei em dúvida de perguntar de quem foi a ideia brilhante de me dar uma saia rodada e vermelha.

Logo depois fiquei em pânico. Como eu conseguiria encarar Leandro???

AIIII!!!

Fingi estar normal, e segui as garotas até lá fora. Aí me lembrei de uma pergunta importante.

– Como eu fui parar na enfermaria?

– Você meio que dormiu no carro quando estávamos chegando, e a enfermeira cismou que você e Leandro tinham que dormir na enfermaria, porque ela tinha que ver se estava tudo bem e blábláblá. – respondeu Kioko. – Ah, você sabe da última nova?

Franzi o cenho e a olhei.

– Hm... estando “desaparecida” – fiz aspas com os dedos – acabei não sabendo.

Kioko abafou a risada.

– Bem, a Larissa... – enrolou ela.

Larissa a lançou um olhar fulminante e eu fiquei curiosa.

– O que aconteceu? – perguntei, olhando as duas.

– Ela... – começou Kioko.

– Não é nada, Branca – disse Larissa, parecendo raivosa e desesperada.

– Não, eu quero saber! – cismei.

Larissa revirou os olhos e disse:

– Eu... fiquei com o Pedro. – ela corou.

Paralisei por dois segundos e depois comecei a gargalhar, fazendo com que todos do salão (já havíamos chegado nele) nos olhasse.

– Quer parar de rir alto assim? – cochichou Larissa.

Tive de parar de andar, pois o acesso de riso só piorava. Minhas bochechas, minha garganta e minha barriga começaram a doer. Larissa ficou da cor de um camarão.

Depois de uns minutos, consegui me recuperar e me sentar com as garotas para apreciar uma mesa cheia de coisas gostosas. Eu não comia a quase um dia inteiro.

O salão era bem grande e amplo. As paredes eram brancas e o piso era branco e preto. Ele era iluminado pela luz do sol que vinha de umas janelas enormes e de vidro. Estava minimamente nublado lá fora. Tinham três mesas, e elas estavam recheadas de muita comida. Se duvidar tinha até arroz e feijão ali.

Mas logo levei um tapa na cara ao ver Leandro. A gente se encarou por dois segundos. Meu coração havia saltado e era possível o sentir galopando na minha garganta.

Porque só um cavalo consegue correr tão rápido quanto o meu coração naquele momento. Minhas mãos ficaram frias e suadas, e eu comecei a ficar com calor. Também, com uma saia daquele tamanho.

Kioko também estava com saia, mas era uma saia jeans, preta e de tamanho normal. Ela usava uma camisa “masculina” azul de mangas longas, que estavam dobradas. Já Larissa estava com uma camisa preta de mangas, com os dizeres “I Love New Orleans” e com uma bermuda.

Saí da mesa para pegar um vento, e lá fora, encostada numa árvore, comecei a me sentir muito idiota. Qual é, podia ser qualquer outro menino. Mas eu tinha que gostar justamente do Leandro.

Uma voz me assustou.

– Por que está vestida de anos 70?

Era ele. Leandro. MeuDeusJesusMeProtejaNesteMomento. Ai, Senhor. Meus olhos deviam estar arregalados, mas fingi estar normal e respondi com um leve desdém:

– Estou assim porque eu quero. É estiloso estar vestida deste jeito.

Ele riu.

– Ai, ai, Branca, Branca.

Ele me puxou para um beijo. Minhas mãos deslizaram do tronco da árvore para seu rosto. Uma corrente elétrica perpassou na minha pele até os ossos, quase num frenesi.

Era difícil resistir, mas eu tentei.

– Não... eu não posso...

Nem preciso dizer que não adiantou nada, né. Nós nos separamos, arfantes, e eu o olhei em pânico.

– Você... não pode ficar fazendo isso! – falei.

Saí andando rápido. Ele já estava quase chegando perto, e eu comecei a correr.

Infelizmente, ele era mais rápido. O incrível foi que, naquele cidade quente que estávamos, começou a chover em cima de nós. Que clichê.

Um casal na chuva, se reconciliando. Não parece familiar?

Ele agarrou meu braço, mas continuei a andar, só que na velocidade normal. Ele decidiu me largar e andar do meu lado. Uma árvore enorme estava um pouco a frente, no meio do caminho.

– Sabe, Branca... você sabe por que eu terminei com Clara?

Dei de ombros, mirando a árvore e sentindo a chuva na minha pele.

– Nem faço questão de saber.

Ele ignorou.

– Por que eu gosto de você de verdade. Você chegou de tão longe, me abalou... como você fez isso, garota? Eu acho que... amo você.

Lembra aquela árvore enorme que falei?

Acabei batendo de frente nela e sentindo um estalar no meu nariz. Crack.

Notas finais
Ahahaha, essa Branca é desastrada mesmo! Bem ficou meio curto se comparado aos outros, mas... taí. Beijossas!