Só Que Não
12 I'm telling you loose up my bottons, baby...
Notas iniciais
Acordei numa posição meio confortável e meio desconfortável. Eu estava respirando um ar meio estranho. Tinha cheiro de perfume e cheiro de... calor humano. Sei lá, era cheiro de alguma pessoa. Abri os olhos e dei de cara com um pescoço. Ou melhor, o pescoço de Leandro. Fiquei em pânico, porque sua cabeça estava em cima da minha e ele me envolvia num abraço quente, e eu queria sair dali o mais depressa possível.
Ele ficava fofo quando estava dormindo. É estranho dizer isso.
Me balancei um pouco, apertada, e ele acordou. Olhei ao redor e todos dormiam. Ele me olhou e me soltou.
– Desculpe. – sussurrou, rouco.
Ele se espreguiçou e depois me olhou de novo. Eu estava com meus olhos arregalados.
– O quê? – perguntou ele.
Balancei a cabeça, piscando duas vezes, e murmurei, rouca:
– Hum... nada. É... nada.
Ele pareceu dar de ombros e encostou a cabeça na janela, olhando a paisagem que havia mudado. Agora, além das árvores, apareciam algumas cachoeiras.
A professora de português nos olhou e sussurrou:
– Durmam.
E acordar quase beijando o pescoço de Leandro? Não, obrigada.
A professora olhou no relógio e falou:
– Ou melhor, não durmam, não. Vamos chegar daqui a pouco na lanchonete da estrada.
Foi só falar em lanchonete que minha barriga roncou. Leandro deu uma risadinha. Nem liguei.
– Chegaremos daqui a quanto tempo, professora? – perguntei.
– Falta apenas meia hora. Todos dormiram. – ela olhou ao redor.
Havia apenas uma ou duas pessoas acordadas, escutando música e lendo livros.
Depois eu fiquei com dor de cabeça, porque entramos numa estrada de chão, cheia de pedras. Após alguns minutos, chegamos numa lanchonete chamada “Bah, guria!”. Era meio estranho.
A professora levantou do banco e gritou:
– ACORDEM!
Todo mundo se assustou, até o motorista e os outros professores que dormiam também. Tinham 3 professores naquela viagem.
– Vamos lanchar! – chamou ela.
Todos se levantaram que nem zumbis, se espreguiçaram e saíram do ônibus. Saí do ônibus junto com Kioko e Larissa. Kioko havia sentado com um menino chamado Camilo e a Larissa se sentou com o Pedro, o “amigo” do Leandro. Ela estava de mal humor como eu.
– Camilo é legal, mas não falamos muito. Ele dormiu primeiro que eu. – refletiu Kioko.
– Pedro é um saco. Vive dizendo que eu sou chata e só ando com você porque você tem dinheiro. – ela apontou para mim. – Sendo que eu não sou tão interesseira assim, e sou sua amiga de verdade.
Ela bufou, enquanto Kioko ria.
– Eu e Leandro não conversamos. – resumi.
Nenhuma das duas esboçou qualquer reação, apenas deram de ombro.
Entramos naquela lanchonete de nome estranho, e vi que era um lugar meio mal iluminado, com algumas mesas, dois banheiros e a bancada.
Fizemos nossos pedidos, e reparei que lá só tinha comida gordurosa. Acabei pedindo um salgado chamado “coxinha”. Eu acho que já comi alguma vez, não lembro direito. Sei que o gosto era mais ou menos.
Depois de todos terminarem, voltamos para o ônibus. A professora disse para os pares continuarem até a viagem terminar, fazendo com que todos bufassem.
Não demorou muito e nós chegamos no lugar secreto do passeio. Era absolutamente lindo. A paisagem era inexplicável.
A professora nos mandou levar nossas coisas para os quartos que ficavam dentro de uma enorme casa. Ela disse que os quartos continham nossos nomes, e que os nossos colegas de quarto seriam os mesmos da escola. Ou seja, eu iria continuar com Larissa e Kioko.
Ótimo. Fomos ao quarto, e eu vesti meu biquíni, um short e uma blusa folgada, daquelas que a gente usa na academia, com os dizeres “I’m Sexy And I Know That”. Kioko vestiu seu biquíni, incrivelmente vestiu um short azul e uma blusa quase igual a minha, só que cinza e sem nenhuma frase. Larissa também vestiu seu biquíni, obviamente, e vestiu uma saia short com uma blusa meio chamativa demais. Dissemos isso a ela e a mesma apenas deu de ombros.
Voltamos para o local onde a professora e o resto do pessoal estava e a professora perguntou:
– Olha, vocês já vestiram suas roupas de banho?
Todos disseram “sim”.
– Então, vamos fazer um... tour até a cachoeira.
Todos puseram as mochilas nas costas e nós saímos em caminhada. A cachoeira não ficava assim tão longe, mas precisava andar. Percebi que, apesar de toda a paisagem e tal, havia uma cidade lá atrás, com bares, lojas e etc. Pensei em dar uma passadinha por lá depois.
Finalmente nós chegamos na cachoeira, e ela era enorme e linda. Todos tiraram suas roupas e pularam na água, que a professora disse ser meio fria. Estava muito calor, e todos aproveitaram a água. Eu me joguei na água, junto com Kioko e Larissa.
Uma visão meio que me... ai, que vergonha. Tá bom, meio que me deixou hipnotizada.
Eu sei que odeio ele, mas não é por isso que não posso o achar bonito. Tá, eu vi o Leandro sem camisa e paralisei. Pronto, falei. O corpo dele é definido, e com o uniforme não parecia nada disso, parecia mais um garoto magricelo normal. Mas magricelo que ele não é, definitivamente.
Ele estava de short, e estava jogando água na cara de uma garota. Fiquei com um sentimento meio desconhecido. Era ciúme. Me levantei da água, me enxuguei e me vesti. Depois fui embora para a cidade. Ninguém me seguiu nem percebeu.
Demorou um pouco até chegar lá, mas cheguei. Por algum motivo desconhecido, eu fui direto num bar. Incrivelmente estava ficando tarde, mas eu tinha trago meu celular, mesmo sabendo que não usaria. Entrei no bar e era mais ou menos apresentável. As luzes estavam apagadas, tinham apenas algumas luzes vermelhas e pratas iluminado o palco. Tinham algumas pessoas bebendo, outras fumando, a música estava meio fraca e o palco estava vazio.
Eu fui num balcão que tinha perto da porta de entrada e pedi uma cerveja.
– Você não é muito nova para beber? – perguntou o barman, me olhando com uma cara desconfiada.
– Passa logo essa bebida, eu tenho dinheiro e se eu quiser posso fechar isso aqui. – falei aborrecida.
Ele se assustou e passou a bebida, trêmulo.
Tomei a bebida e observei o céu mudar de cor pela janela. Quando já era de noite, o bar encheu, eu já estava bêbada e o palco pareceu-me um bom lugar.
Subi no palco e os homens começaram a aplaudir.
Uma música começou a tocar, e naquele momento tudo parecia as mil maravilhas. Dancei ali mesmo.
I’m telling you loose up my buttons, baby
(Estou te dizendo para abrir meus botões, baby)
But you keep fronting
(Mas você continua me encarando)
Saying what you gonna do to me
(Dizendo o que você vai fazer comigo)
But I ain’t see nothing
(Mas até agora eu não vi nada)
Rebolei um pouco e os homens fizeram “Uhh!”. No meio dos homens, que haviam levantado, estava Leandro, me olhando com uma cara de pânico. Comecei a dançar olhando para ele e o provocando.
Typical
(Típico)
Hardly the type I fall for
(Dificilmente você é do tipo que eu me apaixono)
I like when the physical
(Eu até estou gostando dos amassos)
Don’t leave me asking for more
(Não me deixe pedindo por mais)
I’m a sexy mama (mama)
(Sou uma garota sexy)
Leandro se meteu entre os homens até o palco e me carregou nos ombros.
– Me solte! Eu estou me divertindo... – dei uma risada. – A música ainda nem está no meio! – ri mais um pouco, batendo em suas costas. – Me deixe voltar! Eles irão me dar dinheiro no final...
– Você já tem dinheiro o suficiente, garota levada. – respondeu ele sério.
Ri mais um pouco e respondi com desdém:
– Até parece que nunca bebeu. Me solta...
– Não até voltarmos para um lugar seguro. Todos estão preocupados. Tem ideia de que horas são? – ele olhou no relógio. – Meia noite! – exclamou ele.
– Olha só, a noite ainda nem começou... deixa eu me divertir. I’m telling you loose up my bottons, baby... – cantei um pouco da música e ri mais.
Ele não falou mais nada e andamos até uma parte da floresta. Ou melhor, ele andou. Eu fui cantando até ele me deitar no chão coberto de grama.
– Você está horrível. – disse ele.
Dei risada.
– Pelo menos assim você me percebe. – falei.
Ele riu.
– Você é muito doida bêbada.
– Eu sei. – me sentei.
Ele riu e passou a mão pelos meus cabelos.
– Aí, eu já disse que você é muito bonito sem camisa? – falei, sem pensar.
Suas sobrancelhas se ergueram e depois se franziram.
– Hã, nããão, mas... ah, Branca, você torna tudo mais difícil! Você tá bêbada, eu não posso fazer nada!
Balancei a cabeça em negativo e o beijei, mas ele me afastou.
– Você tá bêbada, eu já disse. Agora bora deitar e dormir.
Ele se deitou do meu lado e me fez deitar, me puxando para baixo. Ele me abraçou e logo depois eu apaguei.
Fale com o autor