Só Que Não
13 Eu sou o Gummy Bear...
Notas iniciais
Acordamos de manhã e eu estava com muita dor de cabeça, e também estava dolorida. A minha cama estava muito dura, e eu não lembrava de nada da noite anterior. Levantei e vi que eu não estava no meu quarto, mas sim no meio de uma floresta. Levantei em pânico e fiquei levemente tonta. Não tinha ninguém por perto.
Ou melhor, pelo menos não tinha. Leandro apareceu do nada.
– E aí? Dormiu bem? – ele sorriu.
– Hã... eu estou com muita dor de cabeça, sério. – coloquei a mão na cabeça.
– Ninguém mandou você beber horrores.
Cheguei perto dele e segurei seu pulso.
– O que aconteceu ontem?
Ele me olhou diretamente nos olhos e eu meio que me perdi naquela imensidão verde-amendoada.
– Você simplesmente bebeu muito, dançou em cima de um palco e ficou cantando “Gummy Bear” em inglês enquanto vínhamos para cá. Eu sou o Gummy Bear... – cantou ele.
Soltei seu pulso e explodi:
– Não acredito que dancei num palco! Ai, droga! – minha cabeça doeu.
Bufei e ele deu risada.
– Quando voltaremos? – perguntei.
Sua cara se retorceu, e ele não respondeu.
– Fala! – eu já estava irritada.
Ele respirou fundo e gaguejou:
– E-eu não sei como voltar.
– VOCÊ O QUÊ? – perguntei. Ou melhor, berrei.
Dei tapas em sua cabeça e outros na sua cara, chutei sua canela e tentei dar um pontapé na sua coxa, mas quando levantei o pé perdi o equilíbrio e ele segurou meu pulso.
Resultado: caímos juntos na grama. Eu em cima e ele embaixo.
Ele ainda segurava meu pulso, e minha mão estava meio estendida para o próximo tapa.
Mas meus lábios ganharam vida própria. Eles se aproximaram dos de Leandro!
Eu beijei o matador!!!
Não vou começar uma palestra dizendo o quão bom foi, que perdi minha concentração totalmente, que ele beija muito bem, e que eu não devia estar dizendo isso porque "odeio" ele.
Mas ele beeeija bem, foi bom pra caramba, eu perdi minha sanidade, e eu não devia estar dizendo isso porque eu ODEIO ele, sem aspas.
Nos separamos e eu me levantei rapidamente, tentando espanar minha blusa que por bulhufas estava mais suja que chiqueiro. Além do meu short, é claro. O que havíamos feito? Nos deitado na terra?
Ele tentou espanar a camisa e o short que não era mais branco. Estava preto. Gente, nós estávamos na grama, por que estávamos tão sujos de terra??
Ele estava corado, e eu posso jurar que eu também estava. Nós estávamos nos limpando porque estávamos com vergonha de nos encarar.
Isso. É. Ótimo.
Aliás, eu contei? Tenho uma irmão. Ele se chama Frederick e morava comigo. Nem sei como não citei ele até agora. Ele é, basicamente, quase meu gêmeo. Cabelos louros, olhos verdes, alto, blábláblá. Papai o teve com uma mulher da Inglaterra, e já que Fred puxou a papai assim como eu, nascemos iguais. No dia da minha viagem pro Brasil, ele estava sei lá onde. Juro que se eu fosse outra garota, eu até o acharia bonito, afinal, ele é meu "gêmeo", haha, mas não. Ele é mais velho! Tem 17 anos. E vive pra me atazanar. Pensando por esse lado, até que foi bom vim pro Brasil.
Sei que não tem nenhum pouco haver com o assunto "beijo", mas decidi falar dele pra mudar um pouco de temática, ninguém quer saber se Leandro está com vergonha ou não.
Tá bom.
A gente se olhou e eu meio que gaguejei:
– Hum... n-nós temos que... achar o caminho de volta.
Leandro concordou e disse:
– A gente pode se banhar em alguma cachoeira. Se passarmos por alguma.
Assenti e peguei uma mochila que estava no chão. Era conhecida e tinha meu nome atrás.
Nós nos banhamos numa cachoeira que tinha por ali. Foi divertido. Quer dizer, apesar de nós brincarmos que nem criancinhas de 5 anos, foi divertido.
E, bem, depois disso a gente... se beijou mais uma vez.
Qual é, é tudo culpa dele, não minha! Não tenho culpa se esse garoto é mais lindo do que todos que eu tive na minha mão na Inglaterra, e que ele fica insistindo em me beijar!
Tá, ok, confesso que não resisti, mas continuo não tendo culpa.
Enfim nos separamos e ele me deu um sorriso lindo. Não tinha malícia, era mais como... ai, sei lá. Para sua informação, mente poluída, não, ele não pegou no meu traseiro. Para o bem da própria saúde das mãozinhas dele.
Eu sorri, inevitavelmente. Saímos da água, nos enxugamos e andamos
Se andamos. Andamos muito. Andamos com vontade.
Mas, apesar de tudo, não chegamos a lugar nenhum. Acredita? Nos andamos quilômetros, mas só chegamos no meio do nada.
E, apesar de tudo (de novo), eu gritei com ele. Eu sou muito retardada às vezes.
– Cara, tudo isso é culpa sua! — acusei-o.
– Minha?
– Sim! Ninguém mandou você ir atrás de mim e nos trazer para cá! Eu podia muito bem dormir naquele bar!
– Qual é, você queria dar uma de stripper para aqueles homens que provavelmente eram ricos, cheios de dinheiro e estavam traindo suas mulheres?
Revirei os olhos.
– Você nem me deixou terminar a música!
Ele começou a dar risada e dar uma de doido:
– Eu sou o Gummy Bear! Meu nome é Gummy Bear! Sou colorido e divertido, eu sou...
– Já entendi, você é o Gummy Bear, dá pra parar? — ele continuou dançando e cantando. Aquilo me deu nos nervos. — LEANDRO, CARAMBA!
Ele se assustou e parou da dançar.
– Okay, parei.
Larguei a mochila no chão e falei:
– Não vou mais andar.
Ele deu de ombros.
– Então fique sozinha com o bicho-papão.
E saiu andando. Eu, com medo, o segui de perto.
– Me deixa sozinha aqui não.
Ele riu e me abraçou com um só braço. Passei o meu braço por sua cintura e nós continuamos a andar, pra chegar no nada. Era tudo mato, mato e mato. Até peguei meu telefone, mas adivinha? Sem bateria. Ele pegou o dele e estava quase descarregando, mas deu pra ligar para alguém.
Foi meio triste. Pois é, apesar de tudo, eu ainda queria passar outra noite com ele. Sem pensamentos maliciosos, mente poluída!!!
É só que.. eu acho que estou gostando do... matador, pronto, falei.
Eu. Mereço.
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