— Que se foda essa merda de vida!

Era essa a mensagem que não saia de sua cabeça desde que saiu do escritório com cara de poucos amigos. Aquele dia estava insuportavelmente azarado. Sabe aqueles dias em que você não deve sair da cama porque seu dia está predestinado a tudo, até as mínimas coisas da vida, sair errado?! Pois era essa a definição perfeita para o maldito dia de Camus Verseau.

E se o dia terrível não fosse suficiente, ainda tinha a sua miserável vidinha. Não agüentava mais a própria vida, a família, trabalho, amores, tudo! Sentia-se numa miséria deplorável onde se enfiou durante anos, anos e anos e simplesmente não via mais oportunidades ou caminho para mudar o seu destino. Sentia-se predestinado a morrer enfurnado dentro daquele merda de escritório de contabilidade, a conviver com pessoas medíocres e sem sal, e parentes que não fazem nada além de reclamar da sua vida, da sua postura, que tem que fazer isso, aquilo, e aquilo outro, porque isso está errado, aquilo está certo...

Ah, Camus queria dar um basta naquilo tudo! Queria não, precisava assim como o seu corpo precisava de oxigênio. E foi assim que acabou parando naquele bar, sentado e olhando com cara de serial killer para o garçom preguiçoso. Quem o visse certamente nem desconfiaria do furacão emocional que estava vivendo. Por dentro, Camus era a visão perfeita de uma catástrofe; Por fora, um elegante e contido homem a procura de alguma diversão.

Eu quero uma cerveja.— Ele pediu olhando para o pateta a sua frente. — Espera!—Chamou novamente o garçom. Cerveja? Quem em plenos trinta anos se embebeda com cerveja? Só o certinho e metódico Camus Verseau! Que papelão! — Esquece a cerveja, traga-me... – Camus só não lembrou que não entendia porra nenhuma de bebidas, até porque nunca tomou um porre na sua vida apagada e sem sal. Envergonhado, ele passou levemente as mãos pelos cabelos, desgrenhando os fios ruivos. – Traga-me algo bem forte. – Pediu desviando o olhar.

O garçom saiu de perto e o ruivo pôde finalmente suspirar sua amargura e maldizer mais um pouco a sua vida. Tudo elegantemente, se transparecer em nada da sua tormenta pessoal. Se ao menos o seu casamento lhe trouxesse um pouco de ânimo, vitalidade, entusiasmo, ele poderia fingir que estava tudo bem e que a monotonia de sua vida não lhe aporrinhava o tanto que aporrinhava. Mas não era o caso...

Ele era casado com uma francesa belíssima, mas a traía constantemente. Não que Camus fosse um safado, traidor, cafajeste, sem vergonha... nada disso! Ele era apenas um gay enrustido. Mais uma pra lista de intermináveis coisas com o qual o ruivo se envergonhava. Mas nem para se assumir ele tinha hombridade o suficiente!

Casou-se muito jovem com a namorada de infância, Natássia. E isso porque num momento impensado a engravidou e naquela época isso era algo muito sério. Os seus pais, muito conservadores, o fizeram se casar com apenas dezoito anos para poder assumir e dar uma família ao filho Hyoga, agora com doze anos. E desde então tenta manter a pose de marido exemplar e pai de família. Uma mentira, é claro, como quase tudo na sua vida.

E para piorar ela era uma mulher maravilhosa! Se pelo menos ela fosse um dragão cuspindo fogo sem razão ele poderia ter a desculpa perfeita, mas... Lamentável! Como se realmente precisasse de desculpas para terminar aquele casamento de mentiras que ele nem sabe direito como começou! Devia tomar vergonha na cara e acabar logo com aquela mentira! Ele recebeu o copo de algum líquido transparente e ainda imerso em seus pensamentos tomou de uma vez.

É claro que isso não deu certo. Não foi surpresa para ninguém que o ruivo com cara de lord francês se engasgasse e começasse a pegar fogo de tão vermelho que ficou. A bebida entrou rasgando e queimando-o por dentro e ainda afobado pelo fogo que sentia dentro de si, tomou um copo inteiro de água de uma vez. Sorte que sua tez vermelha pela bebida quente disfarçava a vergonha pelo mico que pagou. Ao menos o bar estava quase vazio e as poucas pessoas lhe pareciam tão blasés quanto ele próprio.

— Mas que porra é essa? — Reclamou baixinho com o garçom, esbaforido. Mas antes que o homem respondesse, ele ouviu uma voz respondendo logo atrás de si.

Knockeen Hills. Essa é bem forte mesmo...— O loiro respondeu e se sentou tranquilamente ao lado de um surpreso Camus. – Como vai, ruivo? – Ele perguntou sorrindo sensualmente para o velho amigo.

Loiro?— Camus balbuciou sem acreditar que era realmente Milo Seferis que estava bem ali na sua frente.

Eles eram amigos de infância, de uma época em que o pai de Camus trabalhava com o pai de Milo. Mas tão logo Camus foi forçado a se casar, Milo voltou com os pais para a Grécia, sua terra natal e desde então nunca mais tinham se falado.

— Surpreso em me ver?— O loiro perguntou e estendeu a mão para um cumprimento. Camus aceitou e depois desviou o olhar, maldizendo-se por ser tão transparente assim ao outro.

— Na verdade sim, o que faz aqui em Paris? – Perguntou curioso.

— Eu vim a negócios... Sou representante comercial de uma grande empresa lá na Grécia e tive que vir aqui para uma reunião importante. Eu iria te procurar mesmo, mas... o destino foi mais rápido. – Ele respondeu rindo logo depois de fazer seu pedido para o garçom. Camus riu.

— Ah entendo. Que interessante encontrá-lo aqui...

— Eu que o diga! Que eu me lembre você era avesso a bebidas.— Comentou achando graça do amigo.

— E ainda sou, mas... hoje eu realmente preciso beber.— Respondeu sem graça e olhou para ele mais atentamente. Lembrou-se imediatamente de uma festa que foram quando eram adolescentes. O loiro, como ele costumava ser chamado, sempre foi muito assediado exatamente por ser essa perdição em forma de homem. Um verdadeiro Deus grego... Lindo demais! Porém Camus não tinha muita certeza sobre a sexualidade do amigo. Mas porque ele estava pensando na sexualidade do loiro? Ele mal tinha chegado! Camus repreendeu-se desviando o olhar e sentindo-se um tarado pervertido.

— Dia difícil?— Milo perguntou bebericando sua bebida.

Pois é...— O ruivo não quis entrar em muitos detalhes.

— E como vai Natássia? Ainda casados?

Sim, estamos.— Respondeu sem muita animação. — E nós temos um filho, Hyoga.

— Isso é bom! — Milo voltou-se e sorriu gentilmente para Camus.

E você? Casou? Teve filhos?

— Não, nem uma coisa e nem outra.— Eles riram enquanto bebiam. Camus agora com uma bebida um pouco mais fraca.

Engraçado. Jurava que você já devia ser casado...

— Por quê?

— Sei lá... você era popular, todas as garotas eram a fim de você... — Deu de ombros. Milo riu.

— É verdade, modéstia a parte. – Os dois riram. – Mas é que elas não me interessam. – Ele disse de forma tão natural que Camus pensou não ter entendido.

— Como assim?

— Eu sou gay, Camus. – Ele respondeu e depois riu da cara assustada do amigo. – Algum problema?

— Não! Claro que não! — O ruivo apressou-se a dizer, mas sua face corada o denunciava.— Quer dizer, fiquei um pouco surpreso, só isso.

— Dá pra ver! – Milo riu olhando-o de lado.— Sua pele é tão clara que dá pra ver quando fica envergonhado. Ou melhor, surpreso. – Provocou.

— Eu não estou envergonhado. – Murmurou e voltou a beber, silenciando-se e tentando evitar os milhões de pensamentos pervertidos que passavam por sua cabeça agora. Ele lembrava-se também que Milo foi a razão de ter se descoberto gay, apesar de nunca terem tido algo mais íntimo.

— Eu terminei um relacionamento longo já tem um tempinho, e desde então estou solteiro. – Explicou.

— Entendo... – Disse tentando beber algo mais forte agora, mas ainda se engasgava fazendo Milo rir um pouco.

— Quer saber, eu vou me embebedar com você hoje, ruivo! Pelos velhos tempos! – Milo propôs animadamente e chamou um garçom.— Vou lhe ensinar a beber.

— Eu... – Camus não soube o que dizer, mas acabou aceitando a proposta.

— Vamos lá, tome essa! Mas devagar... não coloque tudo no copo, só um pouco... Nós vamos no três, certo? — Aconselhou pegando sua bebida. – Preparado?

Estou...

— Ok, no três: Um, dois, três! – Camus e Milo viraram tudo de uma vez e o ruivo novamente engasgou, mas dessa vez não tanto.— Calma, respira! — Milo ria enquanto ajudava o amigo a se recompor.

Acho que isso não é pra mim...— Ele chegou a conclusão ao ver Milo bem enquanto ele quase perdia o fôlego com a bebida.

Que isso! É só uma questão de hábito! Vamos de novo?— Perguntou Milo, animado.

— Você bem que gosta disso, não é?— Camus não evitou o riso descontraído ao ver a clara animação do loiro.

Confessa! É bom ficar entorpecido da vida de vez em quando... — Milo sorria divertido.

— Confesso que gostaria de passar a minha vida entorpecido...— Camus murmurou, mas Milo acabou ouvindo.

— Nossa! A situação está tão preta assim? — Camus o encarou e pensou em mentir e voltar a fingir que estava tudo bem, mas estava tão cansado disso que apenas não quis mais, então apenas concordou gestualmente sem olhar para Milo.— Quer conversar?

Está tudo bem... eu só preciso dar um jeito na minha vida.

Sei como é...— O tom completamente diferente que ele usou, mais sério, surpreendeu Camus, principalmente o semblante mais fechado.

— Sabe?

— Uhum... Às vezes você sente como se estivesse tudo errado e tem vontade de jogar tudo pro alto e simplesmente ir embora pra bem longe de tudo e de todos! Não é?

— É sim... — Camus sentiu uma comoção diferente ao perceber o quanto ele o compreendia e mais, o quanto ele sentia igual a ele. Milo deu de ombros e voltou a sorrir para Camus.

— Acho que todo mundo tem dessas coisas, às vezes...

— Sim, mas eu tenho sempre... Não é às vezes... Queria sumir e nunca mais voltar!

— Porque você não desabafa, Camus? – O ruivo hesitou um pouco. Não era um homem de abrir com qualquer um. Porém, Milo não era qualquer um, apesar de sumido. Além disso, Camus realmente precisava desabafar.

— Eu queria... Estou cansado de tudo. Queria mudar de vida, sabe? Fazer algo completamente novo, diferente. Algo que me revitalizasse e... me fizesse despertar novamente para a vida e a felicidade. E que me fizesse esquecer a vida que levo, nem que fosse por apenas um dia!

— Essa é uma excelente idéia! O que tem em mente?

— Eu não sei... é por isso que estou aqui, com isso. – Ele mostrou o copo e sorriu sem graça.— Mas acho que não foi uma boa idéia...

— Hunn... beber até cair é interessante também, o problema é que isso pode te tornar um alcoólatra. – Milo brincou. Camus sorriu contidamente, mas não disse nada. O loiro voltou a olhar para o seu copo e uma idéia lhe surgiu, mas era uma idéia que lhe parecia tão louca que o fez cair na gargalhada.

O que foi?— Camus não entendeu a repentina crise de riso do outro.

Não... é que eu tive uma idéia do que você pode fazer, mas... é uma idéia muito louca... enfim, deixa pra lá...— Disse entre risos.

— Conta, não tem nada mais ridículo do que isso mesmo... – Comentou olhando para a bebida. Milo mordeu o lábio inferior e sorriu para Camus.

Bem, você disse que queria algo novo. Algo que você nunca fez, algo que pudesse te fazer esquecer a vida chata em que vive, e que o revitalize, o faça sentir-se vivo novamente... Não é isso?

É isso...— Camus voltou a bebericar sem dar importância ao brilho nos olhos do loiro.

— Então... faça amor comigo.— O ruivo engasgou imediatamente e voltou a ficar vermelho como se estivesse sendo consumido pelo fogo. — Camus? – Milo por um momento achou graça da reação dele, mas depois ficou preocupado.

Por Deus! Milo! O que você disse!?— Perguntou exasperado.

Calma, foi só uma idéia louca! – Milo justificou-se.

— Mas que idéia mais louca é essa!?— Por mais que tentasse não conseguia manter a calma.

— Ora, o que pode ter de mais diferente na sua vida do que transar com um homem? Eu sei que posso te fazer esquecer-se de tudo e todos os problemas nessa noite... — A voz carregada de sensualidade fez o ruivo se arrepiar.

Mas, mas...— Camus olhava com olhos arregalados para Milo e a única coisa que passava pela sua mente era que essa não poderia ser a melhor oportunidade para realizar um desejo há muito tempo adormecido dentro de si, mas o complicado seria arranjar coragem para tal ato.

Eu sei... você é hétero. Por isso disse para deixar pra lá... sei lá!— Milo deu de ombros, mas profundamente tentado com a própria proposta. Camus ficou pensando por um tempo, uns segundo preciosos que fizeram aquele momento ainda mais eletrizante para Milo.

— Eu... bem, isso não é exatamente uma verdade. – Camus estava corado até a alma, mas se manteve firme. Apesar de a idéia ser absurdamente louca e sem proposto, era igualmente excitante e revitalizante. Milo o olhou surpreso.

— O que não é verdade? – Perguntou desconfiado. O ruivo desviou o olhar.

— Isso o que você disse... de eu ser hétero...— Provavelmente era a bebida que o estava fazendo falar todas essas coisas.

Quer dizer que você é gay?— Indagou num sussurro. Dessa vez foi Milo que ficou surpreso.

Não exatamente... quer dizer, mais ou menos.— Camus não sabia como se explicar. Ele mal se explicava para si mesmo que dirá para outra pessoa. – Quer dizer, eu nunca... fui... você sabe... eu nunca fiz isso.— Milo sorriu já se sentindo excitado.

Sei... Bom, nunca é tarde para uma primeira vez.

Err... bem, eu...

Se você topar eu prometo que só irei até onde você quiser... Se se sentir desconfortável, paramos. — Camus ficou encarando-o um pouco, sem saber se aceitava ou não. Ele estava profundamente tentado, mas não tinha certeza. Quer dizer, sempre teve esse desejo de ir para a cama com um homem, mas daí a concretizar era outra história. Se bem que concretizar uma loucura como essa só poderia ser mesmo com ele. Milo era o único que ele conhecia que era louco o suficiente para aceitar algo assim. E o único que lhe despertava tanto desejo que era capaz de fazê-lo cometer uma loucura como essa.

Se eu quiser parar...

— Eu paro imediatamente.— Sabendo-o tentado, Milo permitiu-se ser sedutor com o amigo. – Prometo que será uma experiência incrível. Você não vai se arrepender. Vou fazê-lo esquecer o mundo por uma noite. — Sussurrou segurando nas mãos do ruivo. Ele queria sim, mas não conseguia dizer. Não foi preciso, o loiro entendeu o seu sorriso tímido como um sim. — Vamos para o seu apartamento?

Eu... acho melhor no seu...— Temia que sua esposa os flagrasse.

— Perfeito!— Milo sorriu sensualmente e logo o levou para seu apartamento alugado. Camus estava tenso, extremamente tenso. Mas não se sentia ridículo por isso afinal estava prestes a cometer uma loucura sem tamanho. Ele observou o pequeno apartamento e sorriu, era a realmente a cara do Milo toda essa bagunça.

— Continua o mesmo...— Ele sorriu lembrando-se do antigo quarto dele. O loiro sorriu.

— Certas coisas nunca mudam...— Ele respondeu e guardou sua mochila. Depois foi para perto do ruivo e parou bem a sua frente, encarando-o. Foi inevitável, o seu nervosismo era tanto que começou a rir. – Desculpe, eu estou meio nervoso. — Confessou entre risos. Camus sorriu timidamente.

— Eu também...

— Então... Você quer alguma coisa? Uma água...

— Eu quero ir ao banheiro.

— Claro! É a segunda porta a direita. – Indicou, sentindo-se mais nervoso a cada momento. Não era novidade para Milo levar homens para sua casa. Mas dessa vez era especial, era Camus Verseau quem estava ali. Não que ele nutrisse pelo amigo um amor platônico, de modo algum. Mas também não lhe era indiferente. Aquele jeito blasé e sedutor tão natural do ruivo sempre fez seu sangue esquentar, mas sempre o respeitou por achar que ele não gostasse de homens. Mas agora com essa nova informação, poderia provar o gosto daquela pele sem restrição e fazê-lo gritar de tanto prazer. A imagem de Camus nu e gritando de prazer o arrepiou completamente e ele sorriu maliciosamente, sentando-se no sofá e esfregando as mãos ante a expectativa pelo momento.

O ruivo foi ao banheiro e abriu a torneira da pia, lavando abundantemente o rosto com água gelada. Ele estava apavorado e excitado e não entendia como esses dois sentimentos podiam coexistir dentro de si ao mesmo tempo. Suas pernas estavam bambas, seu coração batia forte e descompassado no peito, sua barriga estava fria como se tivesse um enorme bloco de gelo lá dentro e o seu baixo ventre formigava, ansioso em experimentar mais de Milo. Seria o ativo, com certeza... Ou será que ele iria querer ser ativo? Será que agüentaria o membro do loiro dentro de si? Ou pior, será que ele desejava o membro do outro dentro de si? Jogou um pouco mais de água no rosto e respirou fundo, tentando tomar coragem. Agora que estava ali não iria ser covarde para desistir. Então respirou fundo novamente e contou até dez e só depois saiu do banheiro.

Quando voltou para a sala viu o loiro sentado no sofá. Ele parecia bem, tranqüilo, apesar de ter dito que estava nervoso.

Você não costuma trazer homens para cá? — Perguntou achando aquilo curioso. Milo se levantou e foi para perto dele.

Trago sim, por quê?— Perguntou ficando bem perto do ruivo, a milímetros de sua boca encostar-se à dele.

Você disse que estava nervoso...— Sua atenção estava totalmente voltada para aquela boca carnuda e surpreendentemente gostosa. Agora que a tinha tão perto, sentia uma vontade absurda de provar os lábios do loiro, mas se conteve. Não sabia bem como se portar diante de um homem, então esperou.

Sim, eu estou. Mas não é pelo que vamos fazer, mas por ser com você.— Confessou e sorriu sem graça. Depois deslizou os lábios até a orelha do ruivo, mordendo-o de leve e sorrindo ao perceber um fraco gemido. – Eu tenho que te confessar que sempre quis isso, Camus. Você não tem idéia de como você é lindo e provocante... — Sussurrou e levou as mãos à cintura dele, apertando um pouco e começou devagar a distribuir beijos molhados no pescoço de Camus.

Tanto a declaração com aquela voz sedutora ao pé do ouvido quanto os beijos em seu pescoço tiveram um efeito imediato em Camus, que simplesmente fechou os olhos e gemeu baixinho. Aquilo era muito bom, muito gostoso, e mesmo que quisesse impedir agora, não teria forças. Não sabia como, mas tinha consciência de ter perdido o controle do seu corpo assim que ele o tocou minimamente. E o pior, não tinha a mínima vontade de recuperar esse controle.

Camus o abraçou pela cintura timidamente e então Milo parou seus beijos para encarar os belos olhos do ruivo. Eles se olharam e um arrepio diferente e desconcertante percorreu o corpo de ambos, naquele momento algo mais que tesão passou por eles, mas nem um e nem outro quis pensar muito nisso.

O loiro correu as duas mãos sobre o peito e abdômen, tocando por cima da camisa cada gomo da barriga do ruivo com uma expressão safada no rosto, fazendo Camus ofegar. Milo lambeu os lábios ao sentir uma prévia do corpo escultural a sua frente.

Então você também gosta de malhar?— Perguntou enquanto retirava a camisa dele.

— U-um pouco. – Era nítido o nervosismo de Camus.

Os toques suaves de Milo continuaram, acariciando e beijando na medida em que a pele era exposta. O ruivo fechou os olhos, tremendo por dentro. Mal podia acreditar que aquilo estava acontecendo.

Não se preocupe. Tente relaxar, você está muito tenso. — É claro que o loiro percebeu a tensão acumulada nos fortes músculos. Sorriu docemente e retirou a camisa e a jogando no chão. Contornou Camus e ficou atrás dele, encaixando-se nas costas brancas. Aos sentir o membro do outro contra suas nádegas, Camus abriu os olhos, um tanto assustado. — O que foi?— Perguntou enquanto deslizava as mãos na pele branca.

— Eu... eu prefiro... ahnn...— Não conteve o gemido ao sentir os dedos dele roçarem em seu mamilo.

Você gosta?— Perguntou ao vê-lo se arrepiar completamente e ofegar enquanto ele o tocava.

— Aham...— Respondeu ofegante, sua respiração alterada e seu rosto corado não lhe deixavam mentir. Milo sorriu e aprofundou os toques, agora ávidos em busca de dar mais prazer. Involuntariamente o ruivo se remexeu fazendo com que seus corpos roçassem prazerosamente, arrancando um gemido de ambos.

— E disso?...— Sussurrou novamente ao pé do ouvido de um Camus já todo mole, levando sua outra mão ao membro já ereto do outro, massageando-o por cima da calça.

Ahhh...— Camus gemeu deleitosamente, e mordeu o lábio inferior sentindo seu corpo todo esquentar pelo toque ousado. – Ahh Milo...— Gemeu enquanto sentia a mão habilidosa o torturar enquanto os beijos molhados distribuídos sensualmente por seu pescoço e orelha lhe faziam delirar.

— Se entregue Camus...— Pediu sensualmente enquanto se esfregava contra as costas do ruivo, que tentava racionalizar e impedir o que ele queria, mas aquilo estava levando-o num vórtice desconhecido e extremamente prazeroso e Camus simplesmente não conseguia racionalizar nada, nem sua razão, nem seus medos, nada ia além do enorme tesão que estava sentindo ao ter o corpo do outro se esfregando em si, as mãos fortes e grandes o tocando, aquilo era inebriante e confundia a sua mente, não o deixava pensar.

Aos poucos Milo, ainda colado às costas do outro, foi empurrando-o para o seu quarto, sem que o ruivo desse conta de tal movimento. Ele estava tão inebriado que não reclamou ou fez qualquer objeção. O loiro então o deitou na cama e, sem desviar os olhos do ruivo, o despiu lentamente. Milo lambeu os lábios assim que teve a visão do corpo alvo e completamente despido Não era exageradamente musculoso, mas também não era magro. O ruivo tinha um corpo definido, embora não fosse muito grande.

Você é lindo demais... — Murmurou ao encontrar com os belos olhos do ruivo. Ali ele via nitidamente um homem cheio de tesão, mas também com receios. Via um homem maduro, imponente, seguro de si; e também aquele menino tímido e reservado com o qual adorava implicar. Viu olhos marcados por uma vida difícil, olhos inundados de desânimo, e também olhos ávidos por uma nova chance, por algo que faça vibrar. Sorriu, sentindo-se ser tragado por aqueles belos e expressivos olhos.

— O que foi?— Camus estava ficando cada vez mais sem graça e desconfortável com aquele olhar sobre si, um olhar que ameaçava se afundar profundamente em sua alma e descobrir muitos de seus mistérios. Milo engoliu em seco e sorriu desconcertado.

Seus olhos parecem um oceano profundo. É difícil não querer mergulhar neles.— Ele explicou com uma seriedade na voz que Camus ficar ainda mais sem graça.

— Não precisa ser tão galanteador comigo, Milo...— Gracejou. O loiro sorriu, mesmo sem entender ao certo aquilo que estava sentindo. Tocou os lábios finos com os dedos, desejando-o mais do que o casual permitiria. Ok, já teve uma boa mostra de que aquilo passava longe de sexo casual e teria que aceitar essa verdade.

Devagar e carinhosamente Milo se apossou de seus lábios perfeitos. A dança lenta e harmoniosa de seus lábios amplificou a sensação de encontro marcado há muito por suas almas, uma sensação deliciosa e reconfortante, mas que também dava muito medo. Camus por ser casado e ter consciência do erro em trair a esposa, dessa vez não apenas carnalmente, mas principalmente no lado emocional. Estava irremediavelmente envolvido pelo amigo. E Milo por saber-se envolvido mais do que jamais esteve em toda a sua vida.

O gosto, a textura dos lábios, os caminhos sinuosos que suas línguas traçavam mais do que alcançavam um nível alto de excitação, alcançavam uma verdade incontestável da paixão que eles nutriam e que por motivos outros escondiam atrás do casamento, atrás da vida lasciva e superficial. Mais do que um carinho íntimo, aquele era um laço feito e que muito dificilmente seria desfeito. Era um compromisso velado de companheirismo entre duas almas perdidas nessa vida.

Milo apartou o beijo ainda de olhos fechados, apreciando o sabor que permanecia em sua boca. Abriu os olhos devagar e percebeu o quanto aquela aventura lhe custaria. Nunca mais em sua vida esqueceria esse beijo, nunca mais todos os outros seriam os mesmo, para sempre o teria para si em seu coração.

— Oh meu Deus...— A consciência se abateu também sobre Camus, certo de que sua vida mudava radicalmente a partir de agora. E ao contrário do que poderia imaginar, ele já não estava mais com medo.

— Incrível...— Milo sussurrou e sorriu sedutoramente ao olhar para os lábios entreabertos puxando o ar. Camus sorriu também, se arrepiando pela forma tão simples com que ele conseguia seduzi-lo. Sem pensar duas vezes, ele se entregou. Levou as mãos ao cabelo dourado e, agarrando-se a ele, o puxou para mais um beijo, dessa vez cheio de luxuria e desejo, beijando-o com paixão e desejo como se não houvesse um amanha.

Rapidamente Milo se despiu para deleito do ruivo. Nu, ele se deitou sobre o outro com uma perna entre as dele. Os membros se roçaram e ambos estremeceram. O peso do corpo dele sobre o seu, o calor que ele emanava, os toques ousados e carinhosos... tudo era incrivelmente maravilhoso e fazia Camus gemer deleitosamente e desejar mais, muito mais.

As mãos de Camus vagaram pelas costas do loiro enquanto sentia a boca de Milo vasculhar todo o seu corpo com mordidas e chupadas vigorosas. Antes que o ruivo pudesse buscar sua boca novamente, ele beijou seu pescoço de uma forma lasciva, fazendo-o esquentar e implorar por mais de seus beijos. Ele agarrou os cabelos loiros, incentivando e guiando para onde mais seus lábios lhe davam prazer.

O loiro chupou cada gomo da barriga alva e continuou descendo. Quando chegou a altura do pênis, Camus ondulou o quadril, incentivando-o sem agüentar mais de tanta expectativa. Milo também já estava quase enlouquecendo de tanto tesão, de tanta vontade de se afundar por inteiro dentro daquele corpo firme e gostoso. Mas sabia que teria que ir devagar ou o assustaria.

Oh, por favor... — Camus balbuciou ao sentir os lábios dele tão próximo de seu membro. Ele estava completamente arrepiado e enlouquecendo começou a perder o controle e gemer mais descontroladamente. — Me chupa logo, vai... – Praticamente implorou.

O loiro sorriu e atendeu ao pedido suplicante sugando devagar e sensualmente a glande, arrancando um gemido gutural, profundo, extasiante do ruivo. Milo sorriu satisfeito e novamente o sugou, agora descendo sua boca devagar até a base do pênis enquanto estimulava com as mãos as bolas do homem abaixo de si. Camus fechou os olhos e ofegou quase sem ar ao sentir-se todo na boca quente e úmida. Era o paraíso, sem dúvida.

Depois, quando o próprio já não agüentava mais esperar, passou a sugar mais intensamente enquanto se masturbava, fazendo o ruivo gemer descontroladamente. Camus gemia e se contorcia, gritando todos os palavrões que conhecia para divertimento do loiro.

Gemendo como um louco, Camus sentiu seu corpo inteiro estremecer e se arrepiar. Estava a ponto de gozar, sentindo o seu ápice chegar, e foi aí que Milo parou para o desespero do ruivo. Milo lambeu os lábios, divertido e foi até a boca ofegante do outro e sem aviso o virou de costas.

Você é uma delícia, sabia?- Sussurrou ao ouvido e se deitou sobre ele, esfregando seu corpo no dele insinuante. Camus gemeu e esquece-se completamente de quem seria ativo ou passivo. Ele queria era se deixar levar pela boca gostosa de Milo, que não pediu passagem ao explorar as costas musculosas do ruivo, passando para a cintura e alcançando as nádegas firmes e roliças.

O loiro ofegou ao chegar bem perto das bundinha arrebitada do outro. Camus também ofegou ao prever o que aconteceria, mas a sua imaginação era muito aquém do que realmente sentiu. O loiro apertou vigorosamente sua nádega e a separou, expondo sua entrada apertada para o deleite e excitação do outro. Camus corou, envergonhado ao se ver tão exposto. E parecia que Milo queria mesmo deixá-lo com vergonha, pois ele ficou um bom tempo apertando e separando os lados da bunda de Camus, expondo-o de forma que nunca tinha sido antes.

— Milo... ahhhhh!!!! –Camus gemeu surpreso ao sentir a língua atrevida lamber sua entrada. Seu coração acelerou em disparada e perdeu o fôlego, puxando o ar com força enquanto tentava controlar as reações desencadeadas por aquela língua quente em sua bunda. — Ohh... céus, o que... ahh...— As frases saiam desconexas na tentativa de extravasar a energia que percorria seu corpo. Rebolava instintivamente enquanto agarrava-se aos lençóis e mordia os lábios tentando conter essa violenta onda de prazer que subitamente o atingiu.

— Gostou disso hein... – Milo disse ao separar sua boca daquela entradinha tão apertava e foi se arrastando pelo corpo dele até alcançar seu ouvido, provocando.— Diz... diz que gosta quando eu faço isso, diz... – Então ele esfregou seu membro na bundinha arrebitada do ruivo, que ofegou e enterrou seu rosto no travesseiro tentando inutilmente se controlar. Milo rebolava acompanhando o ritmo do movimento involuntário do corpo do outro.

— Eu... ahnnn eu... eu gosto... faz mais... — Pediu rouco, completamente descontrolado e sem vergonha. Não havia espaço para questionamentos ou dúvidas, só mesmo o desejo de se fundir a ele. Milo o atendeu satisfeito ao pedido sensual e se dedicou ainda mais ao beijo grego, para a loucura do outro.

Depois de levá-lo a loucura com seus beijos, o loiro se esticou para pegar um vidrinho de lubrificante e camisinhas. Ele sorriu quando percebeu que o ruivo mal conseguia respirar. E então, cuidadosamente ele pôs o lubrificante nos próprios dedos e começou a prepará-lo. Camus gemeu um pouco desconfortável, mas não reclamou. Ele estava com tesão demais para pensar em qualquer coisa que não fosse ter aquele loiro de uma vez dentro de si. Sorriu com tal pensamento, era estranho tê-lo, mas não iria questionar agora. Estava louco e queria entregar-se ainda mais para Milo. Logo a sensação de desconforto passou e ele começou a gemer de prazer com a ousada carícia.

Ao perceber que Camus não sentia mais qualquer desconforto com seus dedos, ele os retirou e colocou o preservativo, lambuzando-o ao máximo com o lubrificante. O loiro então se posicionou abrindo mais as pernas do ruivo e se encaixando no meio delas.

— Relaxa…— Foi o que ouviu antes de ser mordido no ombro e sentir a glande o invadir lentamente. Ele sentiu uma dor aguda, mas calou-se. Forçou-se a não reclamar. O loiro enfiou suas mãos por baixo e começou um leve movimento de vai e vem no membro do ruivo, tentando distraí-lo, mas a dor era intensa e sabia disso. Camus respirou fundo e não conseguiu evitar um gemido dolorido ao sentir a invasão se aprofundar, rasgando-o por dentro.

Está doendo...— A excitação cedeu um pouco a dor inevitável, e então Milo parou. Só Deus sabe o quanto isso lhe custou, mas ele parou. Continuou masturbando-o e distribuindo beijos por seu pescoço e ombro como forma de desculpar-se pela dor.

— No começo dói mesmo...— Ele explicou.

Eu sei... – Camus sorriu ao perceber a preocupação dele consigo. – Relaxa Milo, vai ficar tudo bem! — Brincou ao sentir o outro tenso. O loiro riu.

— Não quero te machucar... – A voz muxoxa de Milo aqueceu o coração do ruivo.

— Não se preocupe... relaxa... – Disse e rebolou um pouco, arrancando um gemido surpreso do loiro.

— Ahh Camus... – Milo gemeu o voltou a penetrá-lo. A dor aos poucos foi cedendo e Camus acompanhando o ritmo imposto pelo loiro. As investidas começaram lentas e provocantes até que alcançasse no interior do ruivo aquele ponto especial que a fez delirar e gritar de prazer. Sem mais conseguir se segurar, Milo aumentou a velocidade de meus movimentos, agora saía quase que completamente dele e voltava a preenchê-lo.

— Assim… assim. – Camus estava delirando, mal acreditava que poderia ser tão bom ser penetrado dessa forma, com tanto vigor e paixão e instintivamente provocava o loiro, rebolando e empinando a bunda para obter mais dele.

Milo estava alucinado, gemia como um animal apoiado com as mãos na cama e se arremetia com tanta fúria para dentro dele que provavelmente o ruivo ficaria sem conseguir sentar por um bom tempo. Incentivado pelo próprio, o loiro não controlou seu ímpeto de possuí-lo ardentemente, até que eles enlouquecessem juntos de tanto prazer.

O barulho dos corpos se chocando se misturavam com os gemidos, o cheiro de suor, do sexo, os cheiros deles que se misturavam e tornavam o ambiente ainda mais excitante e os tornavam mais desejosos e selvagens do que nunca antes.

O loiro sentiu que Camus estava próximo do ápice quando o corpo dele se contraiu completamente e com um gemido gutural ele gozou, aumentando ainda mais o aperto em seu pênis o fazendo gozar logo depois, com um alto e extasiante gemido.

Assim que se esvaziou Milo tombou sobre o corpo suado de Camus. Os corações retumbavam no peito deles e ecoavam no silêncio daquele quarto. As respirações alteradas, o corações, os toques macios a deleitosos, satisfeitos, e uma certeza desconcertante foi o que restou daquela aventura mágica entre eles.

O loiro saiu de dentro do ruivo quando conseguiu recuperar um pouco de suas forças. Camus se revirou, dolorido, ficando de lado para encarar o loiro, mas não reclamou de nada. E nem tinha do que reclamar, fora a experiência mais incrível e intensa de toda a sua vida. Eles ficaram se olhando, admirando, satisfeitos e maravilhados.

— Obrigado, foi uma experiência nova e totalmente revigorante.— Camus agradeceu com um sorriso bobo no rosto.

Foi um prazer ajudá-lo... – Ele riu. O torpor do pós sexo se fez presente e o ruivo quis dormir, descansar, mas logo o seu celular tocou. Ele não ia atender, mas o toque estava começando a ficar irritante.

Oi, querida. – Viu que era sua esposa e senti-se estranho incomodado. O loiro não falou nada, mas também se sentiu desconfortável. — Ah, é. Eu encontrei um velho amigo e nós saímos pra beber... desculpe não ter ligado... Eu sei, eu esqueci me desculpe. Nós ficamos conversando e eu perdi a hora... aham... eu sei... Que amigo? É o Milo... se lembra dele? — Nessa hora Camus olhou para o homem ao seu lado e sorriu, correndo o corpo sarado e bronzeado com os olhos. – Ah ele está ótimo, muito bem.— Comentou com clara malícia fazendo Milo rir. — Ela te mandou um beijo. — Camus sussurrou para Milo e ele sorriu.— Ele te mandou outro, querida. Sim... eu vou ficar mais um pouco mais. O que? É, com ele sim... Depois eu volto para casa. Tá bom? Um beijo, tchau. — Camus desligou e se voltou para ele.

— Não pode dizer que mentiu para ela... você realmente está comigo. — O loiro disse. – Mas tem um problema.

— Qual? – Camus riu e deixou que ele novamente se colocasse sobre si.

Hoje você não volta para casa. Hoje você é meu!— Sussurrou e sorriu, voltando a beijá-lo apaixonadamente. Camus até recusaria, mas não quis. Não, hoje ele realmente queria se desligar de tudo e ser do Milo, ser todo dele, nem que seja só por essa noite.

Continua...

Notas finais
N/A: Oi pessoal... pois é né... então... Essa one shot não é mais one shot. Os leitores pediram e eu resolvi atender fazendo um capítulo especial para essa fic, mas eu quero fazer um comentário. Essa fanfic é uma história que não tem final... e isso porque eu quis retratar uma cena da vida real, e na vida real não se tem um final feliz, tem-se momentos felizes... Mesmo que gostemos de pensar que o amor vence tudo e que serão felizes para sempre, isso de "final feliz" não existe na vida real. De qualquer forma, eu farei um capítulo especial para mostrar a decisão do Camus quanto a sua vida. Então é isso... Beijos e até o especial com a decisão do Camus rs.