Notas iniciais
Meninas, aviso: este capítulo contém cenas de violência. Qualquer comentário dos personagens acerca dos motivos que puderam levar à agressão que Bella sofre, são os básicos que qualquer babaca alega quando comete tal ato horroroso como uma tentativa de estupro, e não concordo com eles, estão na história somente para gerar uma ação, ok? Bjs!
Ah, vejam o vídeo da música da Bella... já dá um indicativo que ela está bem perturbada pelo Ed.

POV BELLA

Alguns dias depois, Bella colocou uma saia folgada, quase no joelho, uma camisetinha, prendeu os cabelos em uma trança, pegou suas baquetas e se dirigiu à sala de música, disposta a testar uma nova batida que estava desenvolvendo em uma música que escrevera.

Precisava desestressar um pouco. O sumiço de Alice e os sonhos que ela continuava tendo, a faziam pensar que a garota estava sim, mais perto do que eles imaginavam, o lançamento do jornal (que fora um sucesso), o namoro de Emmett e Rosalie... fora que Edward Cullen não parecia querer sair da sua cabeça, depois que ela descobrira aquela faceta diferente dele... parecia que era a gota que faltava para acabar de vez com suas resistências. Mas não ia entregar os pontos tão facilmente, ah, não ia não...
Entrou na sala sem se dar conta de que um vulto a seguia.
Sentou-se na banqueta e começou a se ajeitar, a fim de começar a tocar.
A música era bem marcada no início, e falava de sonhos e corações despedaçados, com uma batida ritmada, no estilo pop new wave.

http://www.youtube.com/watch?v=owkfeHOn4ZA
Como sempre acontecia quando estava concentrada, ela não notava nada que estava à sua volta, por isso levou um susto ao sentir algo segurando sua mão.
James, aquele que levara um tapa seu na festa, estava ali, e a puxava com violência para si.
- Me larga!
- Acho que vc não está em condições de dizer o que devo ou não fazer, docinho...
- Seu bruto!
- Agora não tem mais ninguém aqui... e ninguém vai nos interromper...
- O que vc está pensando? — disse ela, o chutando e tentando se libertar.
- Não estou pensando. Estou fazendo!
Ele a agarrou rudemente e prensou a boca dele na dela. Mordeu os lábios do rapaz com violência, sentindo o gosto do sangue dele. Ele a esbofeteou com força, e dessa vez, ela sentiu o gosto do próprio sangue. Lágrimas lhe vieram aos olhos, e ela gritava com todas as suas forças, a fim de, quem sabe, chamar a atenção de alguém.
Ele tentava tapar a boca sua boca, ao mesmo tempo que a arrastava de encontro a uma mesa e a deitava lá, forçando para que ela abrisse as pernas e insinuando-se entre elas.
Começou a passar as mãos por debaixo da saia, arranhando as coxas, e ela se debatia, e tentava socá-lo.
Ela não queria pensar que ia ser estuprada. Não devia ser daquele jeito... não era assim que imaginara que aconteceria sua primeira vez.

Seria tudo muito romântico e Edward seria muito delicado com ela... Deus... estava mesmo apaixonada por ele! E não teria mesmo nem a chance de saber se um dia daria certo...
Sentiu-o imobilizá-la, e no instante seguinte, as mãos dele rasgavam sua blusa, expondo o sutiã. Ele puxou seus cabelos com força pra trás, e afundou a boca em seus seios, os mordendo, enquanto ela gritava. Ele desferiu um soco em seu rosto e falou:
- Vamos ver agora, vadia, o que eu posso ou não posso fazer... Isso é pra vc deixar de ser esnobe e achar que está acima de mim!
Ela gritava com todas as suas forças, e, de repente, sentiu o rapaz sendo arrancado de cima dela, o corpo sendo largado, e a cabeça batendo com força na mesa.
Antes de apagar, viu a imagem de Edward Cullen, parecendo possesso.

POV ED

Dois dias depois do acidente de Rose, o assunto principal nos corredores, entre as refeições, nos intervalos das aulas, e até mesmo durante as próprias, era a estréia do jornal feito pelos estudantes. A matéria de Emmett Swan havia chamado bastante atenção dos professores, além de despertar o interesse de vários alunos, visando um lado crítico do ocorrido e da falta de ação dos superiores no caso.
As meninas se esbaldavam com as colunas de Rose e Bella, e para a surpresa de Edward, não apenas os amantes de esportes pararam para ler sua matéria. Além de narrar o jogo (sem deixar de lado os auto-elogios), ele fizera um bom trabalho falando sobre cada jogador, das possibilidades perdidas de ambos os times, no que estavam bem e no que precisavam melhorar.
Mesmo vendo a irmã tão bem agora, ainda não parecia completamente recuperado do susto.
Por aquele motivo, ele deixara de lado uma nova matéria para a segunda edição do jornal, em que estivera trabalhando no salão comunal, e resolvera ir para a sala de música, treinar um pouco sua guitarra.
Tinha tempo que não ficava sozinho com seu xodó, e como andava se sentindo perturbado (ele negava até a ponta do fio de cabelo que Bella tivesse algo haver com isso) resolveu tocar um pouco.

Para ele, a música era mais do que uma simples provocação ao pai, que odiava a simples imagem de um dos filhos levando aquilo como vida. Para o rapaz, tocar era uma paixão. Era colocar para fora tudo o que sentia e não tinha coragem de assumir. Aliviava qualquer dor que sentisse, sem precisar chorar no ombro de alguém, como uma menininha de saias.
Quando estava na porta da sala de música, começou a escutar gritos. Gritos de uma menina desesperada. E seu coração disparou ao reconhecer a voz de Bella. Sem pensar duas vezes, ele entrou na sala, se deparando com uma cena grotesca.
Ela estava deitada na única mesa que havia na sala, a saia erguida, a blusa arrancada, expondo o sutiã, e entre suas pernas, James, o idiota que ela estapeara naquela festa. Teria ficado morto de ciúmes se ela não parecesse desesperada para se livrar do atacante.
Seu sangue ferveu. Primeiro, porque era totalmente contra aquele tipo de violência. Sempre fora muito bom com o sexo feminino, usando seu charme, então, para ele, obrigar uma mulher a satisfazê-lo contra a vontade dela era algo simplesmente incoerente. Metade do prazer daquele contato físico era proporcionar à garota tudo o que sentia. A atitude de James era, no mínimo, covarde. E segundo, não menos importante, era que ali, sendo atacada, estava Bella. A garota que era território somente dele.
Completamente possesso, escutando os gritos de desespero dela, ele puxou o outro pelo casaco, o empurrando contra a parede, e sem esperar por qualquer tipo de reação, o socou.
O nariz devia ter quebrado, lavando o rosto de James de sangue, deixando-o tonto o suficiente para Edward continuar o ataque.
Sua ação seguinte foi um chute no meio das pernas, fazendo o oponente se debruçar de dor, gemendo, dando a chance dele lhe dar uma joelhada na cabeça, derrubando-o por fim, ficando deitado no chão, sem se mexer. Mas Edward não estava satisfeito.

Mesmo com Bella desmaiada, os gritos que ela dera anteriormente ainda ecoavam em sua cabeça, e ele queria fazer o rapaz sentir toda a dor que ela sentira.
Com James deitado no chão, ele começou a chutar na área do estômago do rapaz, falando coisas incoerentes.
- Seu bastardo, filho da puta! Você nunca mais vai fazer nada assim, com ninguém! Eu vou te matar seu desgraçado! — disse, tirando um canivete do bolso — Ou pelo menos, vou te deixar inutilizado pro resto da vida... que tal perder seu brinquedinho?
Antes que ele pudesse concluir o que tinha em mente, a voz de Carlisle Cullen vindo da porta o despertou.
- Edward! – o pai parecia assustado, sem conseguir interpretar a cena que estava vendo.
Isabella Swan desmaiada sobre a mesa, seu filho espancando outro aluno, com um canivete nas mãos... Mas que diabos acontecera ali?
Pelo estado da coisa, as perguntas deveriam ser feitas depois. E ele agiu como qualquer professor que seguisse as regras faria:
- Você está encrencado, rapazinho. Muito encrencado.
Os gritos de Bella e a briga de Edward pareciam ter chamado bastante atenção, porque no segundo seguinte, atrás de Carlisle, a enfermeira apareceu, olhando para a cena com enorme espanto, além de duas garotas que passavam pelo corredor.
- Sem perguntas. Cuide da Srta. Swan e do rapaz ali. – ele disse para a enfermeira, se virando em seguida para Edward, com um olhar sério. – Eu vou cuidar da punição do Sr. Cullen.

POV ROSE

Rose esperou alguns minutos após a saída de Emmett para também sair da sala, a mochila em um dos ombros, enquanto ainda tinha o braço engessado. Havia sido um choque e tanto despencar daquela altura, e ainda se lembrava da sensação horrível que fora aquela.
Cair de uma altura daquelas não era nada agradável. O vento era gélido e cortante, e ela sentiu o sussurro da morte. Viu sua vida passar diante dos olhos. A mãe, o pai, o irmão, a avó, Emmett... Enquanto caía, se perguntava se teria feito algo diferente. Mas acima de tudo, sentia medo. Muito medo. Não queria morrer daquele jeito.

Mas depois, afinal de contas, ficara apenas com um braço quebrado e uma experiência de vida. E se fosse olhar pelo lado positivo da coisa, pelo menos descobriu que as pessoas se preocupavam com ela. Emmett ficara apavorado, e Ed fizera o papel de melhor irmão do mundo. Mas ouvir que o pai a amava valia a quase-morte. Despencaria de mais quantas alturas fossem necessárias para ouvir novamente aquilo. Ele a amava. Seu pai.
Seus pensamentos foram cortados ao chegar a um dos corredores e se deparar com Emmett segurando os pulsos de uma garota. Já vira a menina por aí, andando pra cima e pra baixo com a Swan. Tinha o mesmo estilo de se vestir que a “cunhada”, o que, obviamente, recebia a reprovação de Rose.
Ela torceu o nariz ao ver a proximidade do namorado com a amiga de Bella, mas logo captou a expressão de Emmett. A coisa era séria...
- Ela está na enfermaria, Emmett. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu, mas a informação que vazou é que o professor Cullen pegou o filho ameaçando James com um canivete, o qual já tava muito machucado e a Bella desmaiada em cima de uma mesa, com indicações de tentativa de estupro. O Cullen foi levado pra sala do pai e a sua irmã e o Redfield estão na enfermaria.
Ela escutou aquilo, e se sentiu confusa. No segundo seguinte, Emmett corria em direção a enfermaria, e foi a deixa para ela se aproximar de Angie, o nariz empinado.
- Weber... – Rose chamou Angie pelo sobrenome, fazendo a menina virar-se para ela. – Que história é essa?
- Desculpe Cullen, se quiser saber da fofoca, vai procurar outro... – Ela se virou para ir embora, mas com o braço bom, ela a puxou pelo casaco, parecendo mais ameaçadora do que o normal.
- Escute aqui, Weber. Eu ouvi o meu sobrenome duas vezes saindo dessa sua boca com batom vagabundo e que não combina com o seu tom de pele, então é melhor você falar logo o que está acontecendo, antes que eu resolva esquecer a dor que esse braço ta me causando e enfiar a mão em você!

Angie nunca teria respondido a uma pergunta de Rose. Muito menos naquele tom. Mas a garota nunca ameaçara ninguém fisicamente. Era sempre superior demais para isso, que foi simplesmente pela surpresa da agressividade que ela respondeu.
- A Bella foi atacada ainda há pouco, e só o que eu sei é que seu irmão foi flagrado pelo seu pai batendo em outro aluno.
Ela não precisou de mais nenhuma informação. Soltou a gola do casaco da menina, e com o cabelo balançando, rumou para a enfermaria, encontrando a enfermeira na porta, passando com algumas toalhas limpas.
- Que bom encontrar a senhora aqui... – se aproximou da enfermeira, que olhou para ela com surpresa.
- Srta. Cullen? O que deseja?
- Ahn, a senhorita podia dar uma olhada no meu braço? Estou achando esse gesso um pouco apertado...
- Claro, venha cá...
A enfermeira a levou até uma pequena sala que antecedia ao dormitório dos enfermos, se pondo a trocar o gesso da menina.
- Ainda com dor?
- Sim, bastante.
- Está tomando o remédio nos horários certos, como recomendei?
- Sim senhora, e é um alivio e tanto. Mas quando perto do próximo horário, a dor volta com tudo.
- Sim, eu sei. Mas creio que em duas semanas, no máximo, a senhorita terá um braço novo!
Rose sorriu educadamente, observando o trabalho da enfermeira em seu braço.
- Então... Eu fiquei sabendo sobre a história do meu irmão, a Swan e o Redfield... – comentou como quem não quer nada. – Como ela está?
- Ah, pobre menina! Deve ter sido horrível. Espero que o diretor tome medidas sérias!
Rose sentiu um nó na garganta ao imaginar que Bella tivesse sido realmente estuprada. Nunca havia se simpatizado com a menina, mas não desejava uma coisa daquelas pra ninguém. Imaginava só o desespero da coitada...
- Então... ahn... Ela... – Rose não tinha coragem de perguntar, mas a enfermeira respondeu do mesmo modo.
- Graças à Deus, não! Seja lá quem foi o defensor, chegou a tempo! Creio que os danos foram mais psicológicos.

- Claro... O defensor.
Se perguntou por que era tão fácil para as pessoas imaginarem que Ed seria capaz de uma coisa daquelas. Eles não o conheciam como ela. E se tinha uma coisa que Rose tinha certeza de que o irmão era incapaz, era forçar uma menina a algo como aquilo.
- Prontinho, Srta. Cullen.
- Obrigada.
Ela se levantou, se preparando para sair da sala, mas a enfermeira foi mais rápida, pegando as toalhas e saindo da ala hospitalar, deixando o caminho livre para Rose entrar no dormitório dos enfermos.
Ela deu um suspiro ao ver que Emmett zelava o sono da irmã. Ele podia ser um Swan, mas afinal de contas, não era tão diferente assim de Edward. Os dois amavam as irmãs, e fariam qualquer coisa por elas. Sentiam-se protetores e responsáveis por qualquer coisa ruim que acontecesse. Olhando para o namorado ali, ela viu o dia do próprio acidente, e Ed cuidando de si.
Com passos silenciosos, se aproximou do rapaz, colocando a mão em seu ombro, e viu que ele secou as lágrimas.
- Eu ouvi os comentários.
- Se eu não estivesse com vc, eu poderia ter protegido a minha irmã. — ele disse.
Ela sentiu um desconforto no estômago. Ele a estaria culpando pelo que acontecera?
- Bobagem... vc não podia imaginar. Como não pode andar atrás da sua irmã 24 horas por dia.
- Vc não entende... eu tenho negligenciado os meus cuidados com a Bells... e olhe o que aconteceu!
- Vc não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo...
- Enquanto ela não acordar, eu não vou poder saber se...
- Não. Não aconteceu nada além disso.
- Como vc sabe?
- Eu perguntei pra enfermeira. Foi a primeira coisa que eles constataram. O Redfield não terminou o que ele pretendia fazer.
- E como é que vc sabe que foi o Redfield e não o seu irmão? Ele também estava lá, ao que consta...
Ela se sentiu triste por dentro. Sentiu como se ela e o irmão estivessem sozinhos no mundo, tendo apenas um ao outro. Não era possível que nem mesmo Emmett acreditasse na inocência de Edward.

- O Ed seria incapaz de fazer isso com uma garota. Ele não precisa usar esses métodos, e além de tudo... vc pode não acreditar, mas ele tem bastante caráter. Eu seria capaz de apostar meu braço direito que foi justamente o contrário. O meu irmão viu o Redfield atacando a Bella e a defendeu.
- Seu braço direito não tá valendo muita coisa nesse momento...
- Pois eu acho que se eu bater com esse gesso nessa sua cabeça dura ele vai valer de muita coisa! Bom, estou indo. Se alguém me vê aqui, vai estranhar.
- Eu vou ficar. Não tenho estômago pra jantar e vou esperar ela acordar. Quero saber o que houve, e, pelo sim, pelo não, não vou deixá-la aqui com o Redfield na cama ao lado. E, se o seu irmão tiver mesmo defendido a Bella... eu vou ter uma dívida com ele pro resto da minha vida.
Ela balançou a cabeça e saiu. Agora, iria para a sala do pai, onde com certeza, ele e Edward estariam.

POV EMMETT

Emmett acabava de voltar da aula que dera a Rose, quando ouviu o zum-zum-zum que rolava pelas bocas do que ele considerava o serviço de informações paralelas de Hogwarts.
- Verdade... ela tá lá na enfermaria, desacordada. Com hematomas no rosto. Parece que o Redfield também tá lá, todo arrebentado...
- Quem faz o que ele tentou fazer, merecia era ser castrado!
- Também, ela anda por aí com aqueles decotes... parece que tá pedindo!
Ele viu Angie, a melhor amiga da irmã, se aproximar das três garotas que comentavam sobre a vida de uma outra coitada qualquer.
- Você deveria ter vergonha e dobrar a língua, Jessica, pq usa uma saia tão curta que nem sei pra que coloca a mão atrás quando vai subir as escadas... todo mundo vê! A Bella se veste normalmente, e se algum débil mental fdp a atacou, é porq...
Bella, atacada?! Rapidamente ele segurou Angie pelo pulso, perguntando, aflito:
- O que aconteceu com minha irmã?
- Emmett...
Ele nem percebeu que, naquele momento, Rose entrava no grande salão, e, ao vê-lo segurando a outra garota, fez uma cara feia, que se desfez ao notar a aflição no olhar do namorado.
Quando ouviu aquilo, não quis acreditar.
Tentativa de estupro? Não. Não podia ser...
Ele saiu correndo dali, direto pra enfermaria. Não houve quem o demovesse da idéia de entrar e ver a irmã. Assim que a viu, inerte, pálida e com grandes hematomas no rosto, e nos seios,um corte nos lábios, parecendo tão mais frágil, aquela menininha que seu pai o fizera prometer que iria proteger... e ele falhara. Deixara que a tocassem, que a machucassem.
Lágrimas vieram a seus olhos. Se Bella houvesse sofrido danos irreparáveis, nunca iria se perdoar.
Sentiu uma mão em seus ombros. Não precisava se virar para ver que era Rose. Enxugou as lágrimas.
- Eu ouvi os comentários.
- Se eu não estivesse com vc, eu poderia ter protegido a minha irmã. — ele disse.
- Bobagem... vc não podia imaginar. Como não pode andar atrás da sua irmã 24 horas por dia.
- Vc não entende... eu tenho neglicenciado os meus cuidados com a Bella... e olhe o que aconteceu!
- Vc não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo...
- Enquanto ela não acordar, eu não vou poder saber se...
- Não. Não aconteceu nada além disso.
- Como vc sabe?
- Eu perguntei pra enfermeira. Foi a primeira coisa que eles constataram. O Redfield não terminou o que ele pretendia fazer.
- E como é que vc sabe que foi o Redfield e não o seu irmão? Ele também estava lá, ao que consta...
- O Ed seria incapaz de fazer isso com uma garota. Ele não precisa usar esses métodos, e além de tudo... vc pode não acreditar, mas ele tem bastante caráter.

Eu seria capaz de apostar meu braço direito que foi justamente o contrário. — ela continuou — O meu irmão viu o Redfield atacando a Bella e a defendeu.
- Seu braço direito não tá valendo muita coisa nesse momento...
- Pois eu acho que se eu bater com esse gesso nessa sua cabeça dura ele vai valer de muita coisa! Bom, estou indo. Se alguém me vê aqui, vai estranhar.
- Eu vou ficar. Não tenho estômago pra jantar e vou esperar ela acordar. Quero saber o que houve, e, pelo sim, pelo não, não vou deixá-la aqui com o Redfield na cama ao lado. E, se o seu irmão tiver mesmo defendido a Bella... eu vou ter uma dívida com ele pro resto da minha vida.
Ela balançou a cabeça e saiu.
E, mais uma vez, ele ficou ali, na enfermaria, a segunda em poucos dias. Dessa vez, com outra garota que ele amava. E, quando ele soubesse a verdade, ai de quem ousara fazer aquilo com ela.
Enquanto passava as mãos pelos cabelos da irmã, sem se aperceber, ele ia cantando baixinho
"Menininha, que graça é você,
Uma coisinha assim, começando a viver.
Fique assim, meu amor, sem crescer,
Porque o mundo é ruim, é ruim, e você
Vai sofrer de repente uma desilusão
Porque o mundo somente é seu bicho-papão."

POV BELLA

Bella acordou ao som de uma música soando baixinho em sua cabeça, e o carinho delicado em seus cabelos. Por fim, acordava daquele pesadelo ruim.
Tentou abrir os olhos, mas um deles se recusou a enxergar o mundo. A pálbebra não levantava.
Ela viu, em um borrão, o irmão, de cabeça baixa.
- Emm...
- Finalmente vc acordou, bonequinha... — ele disse, usando seu apelido de infância.
- Onde eu estou? Minha cabeça dói, o olho também...
- Vc está na enfermaria.
Ela relanceou o olho bom ao redor e deu um pequeno grito ao ver o ocupante da cama ao lado, refugiando-se nos braços do irmão.
- Não deixa ele me tocar, não deixa! — ela disse, soluçando histéricamente.
- Ninguém mais vai te machucar, eu juro! Foi esse canalha bastardo que te atacou, não é? Eu vou acabar com a raça dele, e é agora!

Nesse momento, a enfermeira entrou no recinto e interrompeu o que seria uma nova tragédia.
- Acalme-se sr. Swan. Agora que sua irmã acordou, os fatos podem ser apurados e o agressor vai ter sua devida punição. Vai ser expulso do colégio, além de responder a processo por agressão e danos fisicos e morais, pois já é maior de idade.
- E tentativa de estupro?
- Infelizmente as leis do país são injustas nesse ponto. Como o ato, felizmente, não se consumou, não se pode afirmar que o acusado tinha realmente a intenção de estuprar, só de agredir, ou então poderia sofrer de impotência, o que impossibilitaria o estupro.
- Isso não é justo! — disse Emmett.
- Sei que não é, mas infelizmente a lei é falha.
- Srta. Philips...
- O que é, minha filha?
- E o Cullen? O que aconteceu com ele? A última coisa que me lembro de ter visto, foi ele tirando esse... esse daí de cima de mim...
- Ele está bem, pode ficar tranquila. No entanto, vai pegar uma detenção rigorosa, por ter espancado o Redfield e o deixado nesse estado. Quando o prof. Cullen encontrou vcs, o filho dele estava com um canivete, prestes a castrar esse aí. Se vcs querem saber, o jovem Cullen deveria era ganhar uma medalha, não uma detenção. Ele foi um verdadeiro herói...
E ela saiu, deixando os dois irmãos a sós, depois de fazer Emmett jurar que não ia cometer nenhum ato louco, como matar o Redfield.
Edward a salvara... e com isso, conseguira derrubar a última barreira que ela erguera. Estava irremediavelmente apaixonada por ele...

POV EDWARD

Ed olhava para um ponto fixo na parede, atrás do pai. O Cullen mais velho estava há bastante tempo passando um sermão que ele desistira de escutar, de braços cruzados.
Se remexeu em seu lugar, prevendo os segundos que faltavam para explodir. Aceitara a detenção sem dar um pio, pois estava com a cabeça girando pelo ocorrido, mas o pai estava abusando de sua paciência.

Com um suspiro, ele abriu a boca para fazer sua primeira queixa, quando a porta da sala abriu.
Rose atravessou a sala sem se anunciar, parando ao lado do irmão e olhando firme para o pai.
- Rosalie, que modos são esses? Isso não é comportamento para uma jovem como você. Poderia ao menos ter batido...
- Desculpe. – ela manteve o olhar firme, a mochila pendurada em um dos ombros e o braço com gesso apoiado em uma tipóia.
- O que deseja? – Carlisle suspirou, se sentando em seu lugar.
- Eu só quero saber o que vai acontecer com o Ed.
- O seu irmão agrediu outro aluno. Ele vai levar uma detenção. – informou em um tom frio.
- Mas você não pode fazer isso! – ela exclamou, revoltada com a atitude do pai, mas seu simples olhar a fez se recompor. – Isso é injusto. O Ed salvou a Swan!
- Nós ainda não sabemos disso, Rose. A menina está na ala hospitalar, e a única coisa que temos certeza foi da agressão vinda do seu irmão.
- Para defender a Swan! Aquele imbecil do James a atacou e Ed a defendeu! Pq é tão difícil pra vocês verem isso?
Ele olhava surpreso para a irmã. Ela nunca tivera uma atitude como àquela com o pai, nunca falara naquele tom de voz. Rose o estava defendendo, pela primeira vez na vida. E ele sentiu um orgulho danado por ela estar enfrentando o pai por algo que achava estar errado.
- Como você pode afirmar isso? Estava lá, por acaso? – Carlisle a olhou de modo sério, e Rose sentiu uma pontada no estomago.
- Você acredita que seu próprio filho teria coragem de uma brutalidade dessas?
Carlisle desviou o olhar do dela, e Ed achou que aquilo já tinha ido longe demais. Ele não se importava com a falta de confiança do pai, mas não queria que a irmã acabasse magoada com aquela história.
Ele se colocou de pé, apoiando a mão no ombro dela, dando uma imagem protetora.
- Está tudo bem, Rose. – ele disse, olhando para o pai. – Vamos embora. O professor Cullen já passou a detenção, o assunto acabou.

POV EMM

Após o café, no dia seguinte, a primeira aula era Literatura. Quando acabou, Emmett correu pra alcançar o Cullen, que já tinha saído da sala.
- Posso falar com vc?
O outro deu de ombros, o ar cansado.
- Chuta.
- Eu queria te agradecer pelo que vc fez ontem pela minha irmã.
- Não foi nada, Swan.
- Como nada? Vc impediu que a minha irmã fosse violentada por aquele canalha!
- Fiz o que teria feito por qualquer garota. Afinal, eu tenho uma irmã. Se houvesse ocorrido com ela, eu gostaria de saber que alguém faria o mesmo que eu.
Emmett não queria nem imaginar algo do tipo acontecendo tb com Rose.
- Olha... me desculpe.
- Pelo que?
- Enquanto ainda não se sabia o que de fato ocorrera...
- Você chegou a pensar que eu poderia ter feito algo com ela, não é mesmo?
- No calor do nervosismo... sim, achei. Afinal, a fama que vc tem com as garotas é bem conhecida no colégio.
- Por competência, Swan. Somente por isso. Nunca precisei atacar nenhuma delas para conseguir o que eu queria.
- É, eu deveria ter imaginado... e vc sabe que eu não estaria aqui te pedindo desculpas se não fosse verdadeiro. Não é um papel que me deixa muito à vontade.
- Imagino... — disse Edward, sarcasticamente.
- Se um dia vc precisar de algo, pode me procurar. No que vc precisar, eu te ajudo. Estou em débito com vc.
- Quer me ajudar mesmo? Faça da Rose um gênio em ciências... Quanto menos o professor Cullen pegar no pé dela, melhor...
- Pode deixar... estou fazendo o possível e o impossível. Agora, vou lá.
Emmett se afastava, quando ouviu o Cullen chamá-lo.
- Swan!
Ele virou-se.
- O que foi?
- Como está ela?
Emmett não precisou perguntar a quem ele se referia.
- Melhor. Agora que o Redfield está deixando o colégio, melhor. Dê uma passada na enfermaria. Acho que ela deve ter algo a te dizer.
E virando-se novamente, continuou o seu caminho. Tinha ainda outra aula a ter, antes de almoçar e ir dar aula pra Rose.

Notas finais
A música que o Emm canta é "Valsa para uma menininha", do Toquinho.
Obrigada pelos reviews recebidos, vcs são ótimas! Bjs!