Notas iniciais
Nesse capítulo vcs vão saber como começou a desavença entre os Swans e os Cullens.
Desculpem a demora em postar, aconteceram várias coisas inesperadas...
Bjs, meninas, curtam o capítulo!

POV BELLA

Bella andava pelos corredores, tendo o cuidado de se manter sempre em locais onde havia maior circulação de pessoas. Ainda não se sentia confiante para andar em locais mais desertos.
Acabara de sair da ala hospitalar, e era quase hora do jantar.
Ainda tinha o olho um pouco inchado, por isso usava óculos escuros.
Lembrou-se dessa manhã, um pouco antes do almoço, quando acordara e vira, ao lado de seu travesseiro, uma margarida, e um bilhete.


"Espero que esteja bem. Passei por aqui pra te ver, mas vc estava dormindo tão bonito que não tive coragem de te acordar. Um beijo, E.C."


A flor, bem como o bilhete, estavam no bolso de seu casaco.
Se encaminhava para a sala do professor Cullen. Ficara sabendo da rigorosa detenção que ele havia imposto ao filho. E não achava aquilo justo.
Bateu na porta e ouviu um "entre".
- Professor Cullen.
- Sim, srta. Swan. O que deseja?
- Eu...
- Se incomodaria em tirar os óculos? Prefiro conversar olhando nos olhos das pessoas.
Ela fez como ele havia pedido, e notou o olhar espantado dele, ao ver o estado de seu olho e como o arroxeado estava feio. Mas logo o espanto foi substituído pela tão comum expressão neutra.
- Eu estou aqui para pedir ao sr. que retire a detenção que deu ao seu filho.
- Eu dei a detenção a um "aluno" da escola, srta. Swan.
- Que seja. Não acho justo ele ser punido por ter ajudado uma aluna a se livrar de uma situação difícil.
- Ele agrediu um outro aluno.
- O aluno em questão estava tentando me estuprar, prof. Cullen. Graças a Deus, o seu FILHO ouviu os meus gritos, e me salvou. Sua filha também é aluna dessa escola. Qual seria a sua atitude se esse fato houvesse ocorrido com ela?
- O ato não tem justificativa, srta. Swan. Agressão dentro dos limites dessa escola é terminantemente proibida, e o sr. Cullen transgrediu as regras, tomando para si o papel de justiceiro.

- Vou falar com o sr. agora, como uma filha falaria com seu pai. Não entendo o rigor exagerado com que trata os seus filhos. Nunca tem uma palavra de incentivo, ou elogia o que eles fazem de bom. Divido aulas com Rosalie desde o primeiro ano, e nunca vi o sr. reconhecer quando ela melhorava o desempenho ou acertava alguma fórmula.
- Não posso favorecê-la só porque é minha filha.
- Não se trata disso, e o sr. sabe muito bem... reconhece os esforços de outros alunos, mas faz questão de não reconhecer os da sua própria filha, assim como castiga seu filho, duramente, dando uma detenção pesada, quando com a maioria dos outros alunos, uma limpeza no laboratório bastaria!
- O seu empenho em defender o meu filho é muito grande... talvez haja algo por trás disso.
- Há sim. Há gratidão. Eu devo, talvez, minha vida a seu filho. Ele pode não ser a pessoa mais correta do mundo. Mas não seria qualquer pessoa que desviaria do seu caminho para ajudar outra em dificuldades. Mas eu não esperaria mesmo que o sr. reconhecesse. Não deveria mesmo ter ilusões de que o rapaz do qual tanto ouvi falar através dos meus pais houvesse se transformado em um homem diferente.
- Eu poderia lhe dar uma detenção por falar desse jeito comigo, mocinha! — disse Carlisle, quase saindo do sério.
- Vá em frente, faça como preferir. Sabe, professor... eu chego a ter pena dos seus filhos. Será que o sr. sabe a falta que faz um carinho, um incentivo, saber-se amado pelos seus pais? Eu acho que não... senão, vc os trataria de forma exatamente diversa...
E saiu da sala, sem perceber que outra pessoa, perto da porta, ouvira toda a conversa dela com o homem que, um dia, chamara de pai... e se escondeu em um vão do corredor quando ela passou.
Antes de ir para o salão jantar, ela deu uma passada na cozinha.
- Dinah!
A velha senhora veio correndo falar com ela.
- Minha menina, estava preocupada!
Dinah, a responsável pela cozinha, era uma velha amiga da avó de Bella.

- Estou bem, Dinah, na medida do possível, muito obrigada pela preocupação. Preciso muito de um favor seu.
- Pode falar. Tudo o que quiser.
- Qual a comida favorita de Edward Cullen?
- Hum... ele gosta muito de camarão.
- Será que eu poderia ficar aqui com vc e preparar algo que eu pudesse colocar numa cesta? Podia ser um empadão de camarão com suco e mousse de limão?
- Claro! Foi ele que te ajudou, não foi?
- Foi sim. E o pai dele deu uma detenção muito pesada, ele não vai nem ter tempo pra jantar durante uma semana. Eu quero levar uma cesta com comida pra ele, todas as noites, mas ele não pode saber que eu estou fazendo isso, ok?
- Pode deixar, que da minha boca não sai nada... eu juro!
- Muito obrigada, Dinah, vc é uma fofa! — ela deu um beijo no rosto da velha senhora.
Rapidamente as duas preparam a comida, e Dinah observava Bella.

Parecia que estava vendo Joanne, a avó de Bella, ali, exatamente como há tantos anos atrás, quando haviam se empregado como ajudantes de cozinha na escola.
Fora servindo as mesas que Jo conhecera Arthur Swan, bolsista da escola. E também John Cullen, rapaz rico, acostumado a ter tudo o que queria. E ele quisera Jo. O problema é que Joanne já havia se apaixonado por Arthur, e sabia que John só queria se aproveitar dela, pois nunca largaria a noiva rica e nem se casaria com uma simples empregada. Prezava demais o dinheiro que herdaria para isso.
Até então, Arthur e John eram camaradas, mas depois que Arthur começara a namorar Joanne, John se sentiu traído e os dois saíram no tapa, nunca mais se entendendo ou se falando e cultivando ressentimentos, passados para os descendentes. Arthur e Joanne se casaram, John ficara com sua noiva e fim da história.
E era incrível como Bella se parecia com Joanne, tanto fisicamente quanto em temperamento. O menino Cullen também se parecia bastante com o avô, mas talvez ele tivesse uma doçura escondida que o mais velho nunca tivera.
Quem sabe as voltas que a vida dá...

POV EMMETT

Emmett estava, na tarde daquele mesmo dia, na sala de química, juntamente com Rose.
A namorada estava concentrada no preparo de uma fórmula particularmente difícil, enquanto ele tinha a cabeça baixa no texto que estava escrevendo, para a segunda edição do jornal.
A primeira edição fora um sucesso, e ele resolvera seguir a linha denunciatória que adotara para o caso do desaparecimento de Alice. A segunda edição viria com uma análise do caso da irmã. Ele relutara muito em expor a situação, mas a própria Bella dissera que não se importava, era necessário que se fizesse a elucidação da questão, mesmo pq na Forks nada era segredo. Melhor que ficassem sabendo da verdade, ao invés de ficarem de mexericos.
E ele decidira que era melhor mesmo. Já ouvira vários absurdos, tais como sua irmã ter um caso com James e Edward, estar grávida de gêmeos de um deles, ter apanhado dos dois e depois os caras terem se engalfinhado pq cada um tava jogando a responsabilidade da gravidez pra cima do outro.
Decidiu enfocar, na matéria, a necessidade de leis mais severas quanto à agressões de cunho sexual, e o reconhecimento à Edward Cullen, por ter agido contra aquele ato.
Pensativo, não percebeu que Rose veio por trás dele, até que ouviu a voz da garota junto de sua orelha, causando um arrepio gostoso.
- Acho que eu já terminei. Será que dava pra deixar isso um pouquinho só e vir verificar?
Ele se levantou da cadeira. E, ao examinar a fórmula, teve a grata surpresa de que Rose tinha acertado. E de primeira!
- Parabéns! Está exatamente como devia ser. Borbulhante e de coloração roxa.
- Perfeita, como eu! — ela disse, fingindo limpar as unhas.
- O que é que está pegando, Rose? Vc está estranha desde que a gente se encontrou.
- Quer que eu seja sincera com vc, Swan?
- Sempre, Cullen.
- Fiquei encucada com o lance de vc achar o meu irmão capaz de fazer algo como aquilo. E vc ainda falou que se não estivesse comigo...

- Peraí. Pode ir parando por aí mesmo. Eu estava nervoso, ok? E quando estou nervoso, eu viro uma anta. Não vejo nada à minha frente. Minha mãe até me compara ao meu pai, me chama de legume insensível!
- Ei, gostei dessa!
- Essa mania de falar coisas sem pensar é um dos meus piores defeitos. E, na maioria das vezes, são coisas que nem sinto, ou penso, de verdade. Se eu tivesse pensado um pouco, teria lembrado que o Redfield levou um tapa da Bella na social de vcs. E que o seu irmão tem um monte de garotas no pé, pra que ele ia querer algo, justamente com a minha irmã? Sabendo que eu ia arrebentar com ele, se fizesse mal a ela?
Pareceu que Rose ia falar alguma coisa, mas, no fim, a garota mordeu o lábio, como se impedindo de falar.
Ele achou aquilo muito engraçadinho, e beijou o biquinho que se formara.
- Tá tudo bem agora? Estou perdoado?
- Se me der mais um beijo... vai estar!
O movimento que Emmett fez com o braço, ao rodear o corpo da namorada, acabou por derrubar o conteúdo do vidro onde estava a fórmula.
- Ai que desastre! — disse Emmett.
- Pq? É só limpar, aqui ó — disse Rose, pegando um pano. Depois de um minuto...
- Emmett, a mancha não quer sair.
- Eu sabia... essa fórmula é pra evidenciar vestígios de impressões digitais, pra casos investigados pela polícia. Não sai tão fácil assim... são precisos dias e dias de limpeza. Limpeza pesada!
- E quem vai limpar o laboratório é...
- O seu irmão!
- Oh, Deus... mais essa!

POV BELLA

Depois do jantar, Bella se levantou rapidamente da mesa, e ia se afastar pra ir até a cozinha rapidamente, quando Emmett segurou seu braço.
- Onde vc vai com tanta pressa, mocinha?
- Quero voltar logo pro dormitório, Emm. Não dormi quase nada essa noite.
- Ok. Mas espere eu acabar, então eu mesmo te levo lá.
- Não precisa, Emmett. A Angie também vai logo, não é, Angie?
A amiga, que estava sentada ao seu lado, só soltou um:
- Mas eu ainda não acab...
- Não é, Angie? — disse novamente Bella, dando um beliscão na garota, por baixo da mesa.
Ela soltou uma careta de dor, sem entender porque a amiga estava com tanta pressa, mas acabou por assentir.
As duas se afastaram do salão de jantar, e Angie viu a amiga se desviar do caminho.
- Afinal, o que é que vc está fazendo, Bella? A gente devia estar indo pro quarto, não rodando por aí...
- E nós já vamos... mas eu preciso fazer algo antes...
Entrou na cozinha, e viu Dinah já trazendo a cesta com o jantar de Edward.
- Pronto, tudo aqui, Bella.
- Obrigada, Dinah, vc é dez!
- Pq vc merece!
As duas saíram da cozinha.
- A Dinah te adora, né?
- É como minha terceira avó!
- Mas agora... vc pode me explicar o que estamos fazendo com uma cesta cheia de comida perto do laboratório?!
- Eu vou te dizer, mas não é pra vc abrir a boca pra mais ninguém, ouviu?
- Ouvi. Desembucha.
- Estou levando comida pro Edward Cullen. Mas ele não sabe disso.
- Como?! Você é louca? É o Cullen... aquele cara que tem um monte de mulher no pé, que é membro daquela família que é inimiga da sua, que joga no time adversário do seu irmão!
- E que me salvou de ser estuprada. Não esqueça isso.
- Um obrigada bastaria, Bella.
- Ele está de detenção por minha causa, Angie! Por me defender! Sem tempo nem pra ir jantar!
- Ele tem um monte de garotas que poderiam levar comida pra ele. Não tem de ser você!
- E vc está vendo alguma delas por aqui? Tem alguma outra preocupada se ele vai se alimentar direito ou não?
- OMG! Você está apaixonada por ele!
- Não estou não! — disse ela, tentando negar o fato para a amiga.
- Está sim! Você está com aquele olhar das heroínas dos romances e das fics que você lê!
- Como vc sabe? Você fala que é tudo besteira, que nunca ler... Angie Weber, vc andou surrupiando meus livros pra ler às escondidas?
- Bom... é... sabe como é... é que acho um mico ser pega lendo aquilo em público. Mas... não desvia do assunto não! Está apaixonada sim! Rolou algo entre vocês?

- Uns beijos. Nada mais que isso. E nada que eu vá me iludir, ok?
- Tá. Que seja. Só tome cuidado. Ele não é cara de se prender a uma garota só, todo mundo sabe disso.
- É. Até eu sei disso. Vamos logo deixar essa cesta lá antes que ele chegue, pq eu não quero que ele saiba que fui eu a fazer isso.
- Ok.

POV ALICE

Alice tinha a nítida impressão de que, se ficasse ali por muito tempo, ficaria louca!Recostada no travesseiro, tentava pensar em qualquer outra maneira de escapar dali, já que sua tentativa anterior foi frustrada. Assim que conseguira sair pela janela, caíra, literalmente, em cima de um homem que estava de guarda nos fundos da cabana. Deixou uma lágrima cair. Sentiu o coração apertar e lembrou-se dos pais, dos amigos e de Jasper. Será que ele ainda não tinha percebido que havia algo errado? Tipo... Que ela estava sumida?! Aquilo era ridículo. Parecia que ninguém fazia nada para encontrá-la... Será que ficaria ali para sempre?
Estava tão perdida em reflexões que não percebeu que alguém se aproximava até que pôde ouvir uma voz muito familiar sussurrando-lhe:
- Alice?
- Canalha... me tira daqui. Eu quero sair daqui! — ela falou, tão calma que se espantou.
- Não, Alice, eu não vou te tirar daqui.
- Não?
- Por quê? — nenhuma resposta — Por quê?
- Porque eu não posso.
- Como não pode, Ferdinand? – ela se desesperou e se levantou com brutalidade, o que fez com que sua pressão abaixasse e a deixasse tonta. Por pouco não caiu, o rapaz fora mais rápido e aparou-a antes de ela colidir com o chão.
Com a garota semiconsciente em seus braços, aproximou-se e depositou um beijo nos lábios pálidos dela. Isso fez com que ela começasse a recobrar a consciência.
Alice o empurrou, cuspindo no rosto dele.
- Prefiro morrer a deixar vc me tocar de novo! Vc é desprezível, Ferdinand e a coisa que mais me arrependo no mundo, foi um dia ter me deixado envolver por você! Felizmente meu gosto melhorou, e muito!
Então ela saiu correndo e se trancou no banheiro, só saindo dali quando ouviu Ferdinand sair e trancar a porta.
Quanto tempo mais ela aguentaria aquele inferno? Esperava que algum socorro chegasse, e logo, senão ela iria enlouquecer.

POV ED

Ed olhou o laboratório de ponta a ponta, querendo esganar cada aluno que tivesse sujado ali. Como estudante, ele nunca fizera idéia de que uma simples aula podia bagunçar tanto um lugar.
Vendo que aquilo levaria a noite toda, ele já se sentiu cansado. Pelo menos conseguira uma detenção sem supervisão do zelador ou de algum outro professor. Por essa razão, se permitiu sentar em uma das carteiras, pensando nos últimos acontecimentos.
Sabia que falara para o Swan que fizera pela irmã dele o que teria feito por qualquer outra garota, o que não deixava de ser mentira, mas não seria por qualquer outra que ele sentiria o que estava sentindo agora, nem teria se preocupado tanto por qualquer outra.
Ele não sabia explicar o que estava acontecendo, nunca sentira nada parecido. A única pessoa com que se preocupava era Rosalie. Pq pensar tanto na Swan?
Rose também ocupava bastante seus pensamentos. O que ela fizera mais cedo, diante de Carlisle e dele, havia sido algo inédito. As frases que a irmã costumava usar com o pai limitava-se em “Sim senhor” e derivados. E ela o defendera. Com a fibra de uma Cullen, ela o defendera de um castigo do pai.
Desde a revolta direcionada ao pai, Edward lutava para que a irmã visse o lado imperfeito do homem. Que parasse com os “sim senhor”, e que se mexesse para defender o que pensava. Gritar, espernear, ter alguma atitude rebelde, mas não ser a filha-modelo que se tornara. Foi pensando naquilo que ele havia feito sua primeira letra de música.
E isso o fez novamente lembrar-se de Bella. Ele escutara. Não tudo, mas escutara quando ela também o defendera na frente do pai. Era uma sensação nova e boa ver que haviam pessoas preocupadas com ele.
Ed escutou o estomago roncar. Teria que limpar tudo aquilo, e ainda ficar sem jantar... Alguns até deveriam se perguntar por que ele não tomara nenhuma atitude, como sempre fazia. Mas algo dentro dele o mandava ficar quieto e obedecer, ao menos daquela vez.

Sabia que era inteiramente inocente, mas também não queria levar fama de herói. Estava longe de ser isso...
Foi quando ele se aproximou para pegar os instrumentos de limpeza, encostados na parede ao fundo da sala, que ele viu. Sobre a mesa do professor, estava uma enorme cesta, coberta com uma toalha quadriculada em branco e vermelho.
Curioso, ele se aproximou, espiando para o interior e arregalando os olhos. Camarão! Muitos e muitos camarões em um apetitoso empadão. E se tinha uma coisa de que se declarava amante, era de camarões. Também havia uma jarra de suco, mousse de limão e mais algumas guloseimas.
Poderia ter muito trabalho a fazer, mas pelo menos seu estômago estaria feliz.

Notas finais
E então, o que acharam?
Até o próximo, bjs!