Notas iniciais
Leitorees amados, sorry a demora, mas como já havia avisado que estaria de férias na Argentina. Espero que gostem desse capítulo, eu amei. Eu amoo o Biel, já que ele é inspirado em um amigo meu. Boa leitura.

Seus cabelos cheiram camomila, eu costumava gostar desse cheiro, mas agora não me toca nem um pouco. Abraçar-lhe não faz muito diferença como antigamente. Estou no hospital visitando os pais da Pietra juntamente dela, que não pára de chorar desde que recebeu a notícia que eles estão em coma por tempo indeterminado.

Conheci ela alguns meses antes da morte dos meus pais, eu achava ela tão linda e o cheiro, amava aquele cheiro de camomila que nela era único. Tudo mudou quando eles morreram, perdi o interesse não somente nas coisas, mas também nas pessoas. Com o tempo percebi que nunca cheguei a amá-la, gostava dela sim, como uma amiga. Com todo o apoio que recebi dela quando perdi meus pais, não podia abandoná-la agora, que estava tão perto de perder os dela. Não sou tão filho da puta.

— Quer alguma coisa? Um café? — pergunto na tentativa de acalmá-la.

— Obrigada, estou bem. Eu sei que você viaja hoje, pode ir embora, eu vou ficar bem. — Dei um beijo em sua testa e quando já estou a uns dez passos dela, ela grita:

— Obrigada de verdade por ter vindo hoje comigo, mesmo não tendo obrigação, mesmo não estando juntos há muito tempo.

Marcus entra em meu quarto quase levando a porta consigo. Me olha com um olhar conspiratório e pula na minha cama se deitando. Ele está até bem vestido para um simples passeio à minha casa.

— Desembucha logo, pára de me olhar com cara de retardado!

— Já que você insiste, eu fui na festa da namorada de Toni, aquela que você não quis ir! Sabe quem eu encontrei lá? — Claro que o idiota não espera pela minha resposta — Uma certa morena que anda prendendo sua atenção.

— O quê???? Como assim? De onde que ela conhece a Marina?

— A amiga dela, aquela com quem você desceu o cacete, é melhor amiga da Marina! A propósito, o nome dela é Jesse ou Jéssica, e o mais interessante é que a mãe dela é amiga do meu pai. Eu só não lembrava, mas já fui na casa dela.

Era muita informação para processar, então a morena já conhecia o pessoal, mas como a mãe dela conhece o tio Andi? E como assim ele já tinha ido na casa dela?

— Como que o tio conhece a mãe dela? Por que você foi na casa dela?

— A mãe dela é uma grande advogada, Regina... Trabalhando no mesmo tribunal, mas parece que se conhecem há muito mais tempo. O meu pai fez faculdade com a mãe dela, então a Regina nos convidou para jantar em sua casa, como um encontro de amigos. — Ele olha pro lado, fica meio sem graça, me deixando desconfiado. — Acho que vou chamar ela para sair. O que você acha?

— Já se esqueceu da Daniele? Ah, faz o que você quiser. Cara, preciso ir tomar banho correndo, viajo daqui três horas.

Ele me deseja boa viajem e sai pela porta, mas coloca a cabeça para dentro e diz:

— A Daniele terminou comigo, eu só não sei o que fazer, realmente gostava dela. Achei que sair com outra pessoa iria ajudar. E a Jesse parece ser muito legal, gostei dela. Ela é diferente.

Enquanto tomo banho fico pensando em tudo que Mar disse. Quando eu terminei com a Pietra, ela deixou de ser a menina meiga e legal que era e começou a se fazer de puta. Acho que eu causei isso à ela.

Pego uma calça rasgada e uma blusa do Three Days Grace, coloco meu tênis e passo meu perfume. Desço com minhas malas e equipamentos, minha tia já me esperava no carro, pronta para dar partida.

Ela tem uma bela BMW preta, e esta acelerando a cada minuto nervosa. Minha tia é uma das melhores pessoas no mundo, contudo, ela se preocupa demais com tudo, devia deixar a vida rolar mais naturalmente.

— Tia eu preciso embarcar, prometo que vou me comportar, sem tentar me matar nem nada disso. Já está na hora do embarque começar.

— Meu Deus, se seu pai estivesse aqui ele diria: Pára de ser paranóica Carina, deixa o menino se aventurar, ele precisa aprender a virar homem sozinho. Como sinto falta deles. — Ela suspira e uma lágrima ameaça cair, porém não deixa descer e se ajeita. Me dá um abraço e me beija na testa, desejando-me boa sorte com o campeonato.

Estou na fila para passar pela Alfândega quando noto um rosto conhecido, a tal da Jesse, ela está tendo alguma dificuldade em conseguir se organizar. Com a papelada, o passaporte e a sua mala de mão — sinceramente, não sei como a deixaram passar com aquilo sem embarcar antes, aquilo parece mais minha mala inteira do que uma bagagem de mão.

Após passar pela alfândega vou ao seu encontro e noto que ela está com aquela ruiva. Penso em me virar, mas ela me vê na hora e abre a boca em um perfeito oh. Logo sua amiga também me vê e em vez de um oh ela abre a boca para sussurrar algo a Jéssica e sorri maliciosamente. A meu ver, ela preferiu fingir que não me conhece, se virando e puxando a menina junto para dentro do Duth Free.

Acho que não foi a coisa mais inteligente, afinal todo mundo tem que passar pela loja para chegar ao portões de embarque. Além de muito infantil da parte dela. Tenho que admitir que era bastante engraçado ter uma garota correndo de mim. Geralmente elas correm para mim.

Entro dentro do avião e olho o número do meu assento, 2B. Percebo que estou na classe executiva, não que eu me surpreenda, quem comprou a passagem foi tia Cari. Guardo minhas coisas em cima e me sento, coloco minha touca na cabeça e cochilo por alguns minutos até que alguém me acorda. Olho para uma aeromoça no auge dos seus 40 anos, de olhos verde esmeralda e uma expressão agradável.

— Perdon señor, esta señorita está sentada en su lado. — Ela diz em espanhol, eu olho para a “senhorita” e é minha vez de abrir a boca em um perfeito oh.

— Ah, só pode ser brincadeira, a vida deve tá tirando uma com a minha cara. Não acredito que vou sentar bem do seu lado. — Ela reclama.

Ela fechou a cara e se sentou, a ruiva — Caramba, elas não se desgrudam?! — sussurra algo para ela e vai se sentar a duas cadeiras atrás da nossa, ao lado de um cara com barba rala e uma aparência de uns 21 anos, que não parava de encarar os peitos dela.

Antes que a Jéssica tivesse tempo para colocar os fones de ouvido e se fechar completamente para o mundo afora, eu coloco minha mão na frente dela e me apresento:

— Meu nome é Gabriel Menzo, até agora não me apresentei corretamente, e tivemos algumas desventuras. — Ela me analisa com um olhar suspeito e diz:

— Meu nome é Jessica Obran, mas pode me chamar de Jesse.

Ela termina de colocar os fones e adormece. Depois de meia hora dormindo Jesse se encosta em meu ombro. Eu simplesmente começo a fazer cafuné. — Sim, meu deus, daqui a pouco vou começar a chamá-la de princesa. Seus ombros começam a se mexer de forma que ela fique encaixada em meu tronco, confortável.

O piloto avisa que por contratempo iremos para o Chile, para depois irmos ao Peru. O tempo estava muito terrível, e isso servirá como uma rota alternativa. A companhia também irá providenciar quartos de hotel, para esperarmos até o voo ser liberado.

Fecho meus olhos e vou me desligando, com lembranças felizes do meu passado. Sinto uma lágrima cair e depois me perco totalmente em um mar profundo de sonhos e pesadelos, com uma linda garota encostada em meu peito e um destino estranho a minha espera.

Notas finais
Comentem seus lindos, espero os comentários fantasmas. Beijinhos, até o próximo.