Só Mais Uma História

9 Em direção ao Chile - Jesse


Notas iniciais
OIiii meus anjos. Eu estava revendo meus capítulo e encontrei um grande erro meu. A minha mania de sempre terminar o capítulo com o personagem dormindo, então fiz o melhor que pude para contornar isto hehe. Boa Leitura

Está tão quentinho e cheiroso, me bate uma vontade de abraçar mais forte esse ser abençoado, assim eu faço. Como tudo que é bom dura pouco, eu acordo e observo a pessoa a quem estou abraçada. Minha visão permanece um pouco nebulosa por uns instantes.

Enquanto ela se ajusta, posso notar um cabelo loiro jogado de forma espontânea, um rosto sereno, relaxado enquanto dorme. Suspiro e me lembro que dormi em cima do Gabriel — se esse é realmente seu nome. Me levanto com cuidado e me direciono ao banheiro. Eu realmente estou apertada de tanta coisa que bebi. Assim que volto dou de cara com um Gabriel acordado, olhando a vista pela janela. Ele fica realmente bonito de perfil, despreocupado.

— Bom dia... eu acho. É... desculpa por dormir em cima de você.

— Sem problemas, eu acabei dormindo também. Ah, o voo teve uma mudança na rota. Estamos quase chegando ao Chile.

Como assim estamos chegando no Chile??!! Eu me lembro perfeitamente de ter comprado passagem para o Peru. Olho para o meu relógio, são 4h30 da madruga.

— Por que estamos em direção ao Chile? Esse voo não era para o Peru?

— Sim, mas o tempo está péssimo na rota que pegaríamos para ir. Vamos ficar uns dois dias no Chile, com Hotel pago e tals, aí depois vamos para o Peru. — Ele me explica calmamente. Vendo ele assim, parece mais um menino educado e perdido do que... não sei ao certo, aquele grosso da academia.

Estou morrendo de tédio, fico me remexendo sem saber o que fazer. Solto um suspiro de injúria e chamo a aeromoça, tenho quase certeza que perdi a comida. Alguns segundos depois vem uma aeromoça, diferente da primeira, muito mais bonita e elegante.

— Hello, what can I do for you? — A primeira falava espanhol, a segunda inglês. Não tem ninguém falando português aqui? Vamos gente, acabamos de sair do Brasil!

— Hello, I want my breakfast. — Olho no cardápio ao meu lado, tem uma variedade de dois cafés da manhã — Toast with eggs and orange juice, thanks. — Logo em seguida ela desaparece por detrás da cortina.

Olho para a janela, ao mesmo tempo observo o menino sentado entre ela e eu. Ok, sei que foi muita criancice sair correndo para dentro da Duth Free — olha que levei um sermão da Linda — , mas quem sabe eu sou criança mesmo, não tenho problemas com isso. Quando for a hora de agir como adulta, assim o farei. Como o tédio está me consumindo por inteira, resolvo puxar assunto.

— Para que você está indo ao Peru?

— Vai ter uma competição de esportes radicais, eu conheci as pessoas que arranjavam o evento, ano passado. Aí eles me chamaram esse ano.

— E você vai escalar?

— Pra competição sim, mas vou fazer outras coisas no evento. E você? O que a leva ao Peru?

— Linda queria visitar o Machu Pitcchu. Apesar de já conhecer, eu aceitei ir com ela.

Se instaura um silencio enquanto a aeromoça deixa meu café da manhã e sai. Olho para a comida e percebo que estou morta de fome. Começo a comer e ofereço ao Gabriel, ele nega e continuo a comer.

— Tem algum plano? Digo, enquanto estiver no Chile?

— Não, já não sei Linda, do jeito que ela é deve ter pensado em algo.

— Conheço um lugar bem bacana para ir, é na divisa do Chile com a Argentina. Quer ir? Podemos levar a ruiva também. — Ele fala a ultima parte brincando. O que me lembra que eu tenho que ver como minha amiga está.

Olho para trás e a vejo dormindo tranquilamente. Olho para o Gabriel e dou um sorriso travesso, lembro de quando eu costumava aprontar com a Vic. Eu estou precisando de um pouco de diversão.

— Pode ser. Mas como iremos até a fronteira, Gabriel? Você tem carteira?

— Pode me chamar de Biel, e não. Onde estaria a graça? — Ele solta uma risada e continua. — Eu dou um jeito, existem táxis fora do Brasil, sabia?!

— Tá bom então. Se for ruim o lugar você paga o táxi de ida e volta, ok Biel?

— Ok, ok, você é difícil, hein?

A aeromoça veio pegar meu prato, pois já iríamos pousar. Olhei a vista por cima do Biel, estava praticamente em seu colo. O avião deu umas sacudidas e pousou, dando aquela adrenalina no exato momento em que suas rodas tocam o chão e somos arremessados para frente, e ao mesmo tempo se instala um frio na barriga, delicioso, quando o sinto faz o seu papel de nos manter seguros. De todo o vôo acho que essa é minha parte preferida.

Give me, give me, give me your attention baby... Bruno Mars ecoou pelo aeroporto internacional do Chile.

Um homem com uma cara engraçada e um bigode tosco nos aguardava do lado de fora do avião com o cartão que deveria ser entregue a empresa aérea e ela nos dirá o hotel em que ficaremos e o transporte que usaremos.

Começo seguir a multidão de passageiros que estão quase em fila indiana. Me atrapalho toda com a minha mochila super pesada, por conta do notebook e minha bolsa. Enquanto tento achar um posição, perto o bastante de ser confortável, sinto algo puxar minha mochila, noto um Gabriel sorridente carregando-a. Tento puxar de volta, só serve para que ele acelere o passo. Sigo ele desistindo, enquanto Linda dá sorrisinhos ao meu lado. — Eles meio que estão se ignorando, dado as circunstâncias de como se conheceram. Pelo menos não estão discutindo.

Estamos em quatro pessoas dentro do táxi, um nerd simpático, eu, Linda e o Biel. O motorista é homem gordo, com um queixo duplo enorme e roupas bem arrumadas, contradizendo com sua aparência. Paramos em frente ao Hotel, bem luxuoso por fora, com incríveis pilares de marfim de uns dois metros e meio. Ele é todo feito de pedra, com um ar exótico, suas portas são de vidros. Ao entrar percebo que por dentro também é bem elegante, suas cores variando em vermelho e dourados, com belos sofás com um tipo de pêlo branco e uma enorme lareira.

Cada um ficou em seu próprio quarto, logo que pego as chaves do quarto subo para tomar um bom banho de banheira e refletir, um pouco sobre mim mesma, e um pouco sobre o modestamente lindo, garoto em algum quarto desse hotel.

Jogo um sal de banho qualquer que encontro e entro na banheira cheia e acolhedoramente quente.

O mundo é realmente pequeno, apesar de ser imensamente grande. Esse próximo ano será único, terei de decidir que rumo que minha vida seguirá. Lembro de um filme, onde dizia que a escolha verdadeira era feita ao acaso. Eu escolhi salvar Victoria, isso não foi uma escolha verdadeira? Não, eu não escolhi salva-lá, ela me escolheu no dia em que bateu na minha casa, tarde da noite. Me levanto e ligo meu celular, nenhuma mensagem de Edgar.

Toc, toc, toc... Alguém bate em minha porta, me liberto dos meus pensamentos e pego uma toalha e me seco enquanto grito para esperar em espanhol — estamos no Chile, não tem sentido falar em português. Coloco o roupão que estava em cima da bancada da pia, e atendo a porta.

Notas finais
Gente, minhas aulas começam nessa segunda e como passei pro terceiro (Aeeeee 0/) vai ficar um pouco mais corrido para mim, com isso os capítulos poderão demorar um pouco mais. Peço que tenham paciência. Ah, espero também reviews, como presente de aniversário, já que o meu é dia 30. Beijinhos!!!1