Sádico Capitão
2 Boneca Quebrada
Notas iniciais
Era de manhã na cidade de Karakura.
Os pássaros cantavam felizes, o sol brilhava forte, a grama estava molhada por culpa da chuva e no ar aquele cheiro de terra molhada e orvalho.
Na casa dos Kurosaki, Karin despertava agitada de um sonho um tanto estranho. Gemendo e franzindo a testa, rolou na cama e depois não havia mais o colchão. Caiu de cara no piso de madeira enrolada no lençol.
– Ittaiii… Já começa logo de manha…
Ela reclamou suspirando e se levantou ainda preguiçosa indo ao banheiro.
Quando saiu vestiu o uniforme, trocou as faixas que estavam nos braços gemendo um pouco. Os hematomas ainda estavam doendo, mas não tanto quanto ontem. Colocou o material na mochila e olhou no despertador que horas eram.
08.15.
Karin ficou palida, depois seu folego faltou com certeza a deixando roxa em seguida azul e por fim vermelha. Faltavam 15 minutos pra primeira aula! E a escola ficava à quadras daqui! Saiu correndo do quarto descendo as escadas apressada. Jogou a mochila no sofá e foi correndo para a cozinha comer alguma coisa rápida e fácil, (além de comestível). Optou por uma maçã.
Logo depois ela já estava porta fora correndo feito uma maluca.
Chegando na escola foi diretamente para sua sala, que graças a Deus, o professor ainda não tinha chegado. Se sentou em sua mesa e carteira, retirando a material pra esse horário. Matemática.
Enquanto observava distraidamente os babacas da sua sala ela pensou um pouco sobre o sonho e logo se arrepiou decidindo que aquilo era só um pesadelo. Apenas um horrível pesadelo.
Nesse instante, o professor de Matemática apareceu e a lição começou. Mais um dia, pensou enfadada.
xXxxXx
O intervalo tocou anunciando o fim da chata aula de Geografia. Karin permaneceu no seu lugar observando as pessoas saírem da sala ate que sobrou ela e a melhor amiga.
– Hey! Você tá pálida. Por acaso tá se sentindo bem ?
Rinka Shuriemi perguntou. Sua melhor e única amiga.
– Hm… Sim.
Respondeu enquanto olhava para as próprias pernas e depois levantava o olhar para a garota a sua frente.
Ela era linda. Tinha longos cabelos loiros e ondulados, olhos verdes, magra e alta. Enfim, perfeita. Muitos caras do colégio a convidavam pra sair e com certeza quando passava nos corredores, vários pescoços masculinos se entortavam acompanhando seu andar e ela apenas sorria para eles.
Karin sentia um pouco de inveja dela porem nunca o disse.
– Você tem realmente certeza que está se sentindo bem, Ri-chan?
Perguntou docilmente Rinka enquanto se sentava na cadeira do lado dela.
– Hm.. Pode se dizer que encontrei uma pessoa que não gostaria…
Respondeu Karin enquanto olhava pela janela o céu azul e sem nuvens.
– Ohh! Sokka! (‘Oh, entendo!’) Desculpa parecer...etto...Bah! Você entendeu.
Rinka olhava para Karin sem graça que se limitou a sorrir e apenas acenou .
Rinka não tinha entendido nada, ela percebeu, mas preferiu assim. Não queria explicar seu problema com a tal pessoa. Alias, fazia quanto tempo que sentia isso? Sempre foi uma pessoa determinada e corajosa. Corria atrás do que queria e não tinha medo de nada. Exceto daqueles monstros que ninguém via. Mas garotos?! Isso era ridículo. Até que… Há quatro anos isso mudou.
Flashback On
Uma partida de football estava se aproximando. Faltavam poucos dias e Karin estava preocupada.
Sinceramente, ela era a única boa no time.
Enquanto caminhava pela cidade pensava em seu irmão e imaginava que ele estava matando um daqueles seres que ela tinha tanto medo, os tais Hollows.
Com raiva, ela chutou a bola que estava na rede que carregava e acabou por se quebrar liberando a mesma que foi voando e quicando. Indo parar em uma escada de concreto que levava à uma rua abaixo. Enquanto a bola ainda rolava na calçada alguém a para pisando nela. Parou de correr.
Encarando o sapato, assistiu o pé rolar para baixo da bola e então levantá-la. Seguiu com o olhar e sentiu seu coração bater errado com uma súbita falta de ar. Um menino. De calça jeans desbotada e camisa negra encarava sua bola numa mão enquanto a outra estava no bolso. O que de fato chamava sua atenção era o cabelo dele. Branco. O mais puro branco que já viu e de corte tão incomum...
De repente, ele a encarou. Levou um susto! Os olhos eram verdes e frios!
– É sua?
– Ah.. Hum!
Que resposta era essa?! E porque sua língua parecia enrolada? Pela expressão vazia dele, o menino pouco se importou.
– Foi perigoso. – então viu a sugestão de um sorriso sarcástico – Tome mais cuidado.
Jogando a bola pro chão, ele bateu o calcanhar nela a devolvendo. Encarou impressionada o passe amparando a bola com as mãos. Ao levantar a cabeça pra agradecer piscou confusa.
– Are?
Olhou pros lados, mas nem um sinal do menino. Sua confusão aumentou. Quem era ele?
(...)
Donny, seu baka! Porque sugeriu que Ichi-nii os ajudasse na partida? Tá certo que sábado estava chegando, mas mesmo assim... Eles precisavam de um jogador. Um tão bom quanto ela. E seu irmão não estava disponível. Aqueles imbecis metidos do ginásio jogavam muito bem e o preço da aposta era muito nojento (engolir espaguete pelo nariz! Arght!). Teriam que arranjar alguém. Urgente.
Enquanto andavam pela alameda acima da colina, terminando de subir a ladeira, Karin viu ao longe alguém encostado nas travas. Foram chegando mais perto até conseguir ver quem era. Levou um susto.
‘É o garoto que vi mais cedo...’
Saiu correndo, ignorando quando Heita a chamou. Parou perto do garoto, que logo desgrudou os olhos do celular que não parava de teclar e a encarou. A expressão confusa e um pouco desconfiada no rosto. Um belo rosto por sinal.
– Foi você que me devolveu a bola, não é?
Ele nem piscou.
– Foi.
– Arigatou.
– Não tem de quê.
Suspirando enfadado voltou a mexer no celular. Impressão ou estava ignorando-a? Não importa. Se inclinou um pouco pondo a mão no quadril.
– De que escola você é?
Ele se entalou arregalando os olhos. Ao encará-la estava cheio de raiva.
– O quê?! Eu não estudo em escola nenhuma. Vai embora daqui – estreitou os olhos irritado – está me atrapalhando.
Cara estressado. Ele voltou a ignorá-la mexendo no maldito celular. Continuou não se importando. Uma ideia se formava na sua cabeça.
– Você sabe jogar football, não é?
Parecia que quase revirou os olhos ao dar de ombros.
– Um pouco.
Karin se empolgou mais.
– A gente marcou um jogo no sábado. Quer jogar conosco?
Antes que o garoto respondesse, os quatro covardes atrás dela deram um ataque. Ryohei a agarrou pelo pulso, puxando para roda com os outros e discutir.
– O que foi?
– Ainda pergunta o que foi?
Ryohei a olhou atravessado e Usaka continuou sussurrando.
– Olhe só pra ele! Tem o cabelo branco! Deve ter pintado!
– E tem um olhar que dá medo! Deve ser um cara perigoso!
Olhou de novo pra Ryohei e depois pra Usaka. Esses dois estavam em completa negação. Além do fato de serem covardes.
– Não vai colocar esse cara no nosso time!
– Além disso, será que esse baixinho é bom mesmo de football?
Donny cochichou também. Antes que respondesse, uma voz rouca e irritada gritou:
– COMO É?! QUEM É O ANÃO DE JARDIM AQUI?!!!
Os quatros deram um pulo e olharam pra trás. Ela simplesmente achou graça. Se virou dizendo que ninguém falou em “anão de jardim”, mas o garoto nem esperou que terminasse. Fechou o celular com raiva e saiu andando. Até a ignorando quando o chamou. Então teve uma ideia.
‘Já que é assim...’
Jogou a bola pro alto e chutou. Ela voou direto para a cabeça do garoto. Se ele fosse bom desviava ou até agarrava. Porem, quando ia acertá-lo o viu virar o rosto um pouquinho e depois pra sua surpresa deu uma cambalhota, chutando a bola de volta num passe de bicicleta. O troço passou feito um tiro de canhão ao lado do seu rosto e acertou alguém atrás. Arregalou os olhos e engoliu em seco. Assistindo enquanto ele batia uma poeira imaginária na calça desbotada.
– É isso aí!
Achou a pessoa certa! Eles não iam pagar aquela aposta nojenta! E os garotos do seu time também se empolgaram. Cercaram o garoto que levantava a sobrancelha branca escutando os elogios. Donny mesmo com a cara vermelha da bolada perguntou seu nome e quase rindo, o garoto respondeu.
– Hitsugaya Toushirou.
Nome bonito. Depois foram elogios sobre o cabelo dele, o corte diferente e a cor. Mas antes que respondesse alguma coisa, o celular dele bipou, ao mesmo tempo aquela sensação horrível lhe deu um mal estar. Encarou ao longe, para o fim da colina. Outra vez aqueles monstros. Será que Ichi-nii estaria lá? Enquanto divagava escutou Usaka dizendo pra Toushirou aonde iriam treinar amanhã, mas ele (que corria apressado) recusou. Dizendo que estava ocupado.
Garoto estranho.
(...)
Sábado. Dia do duelo com o time do ginásio. Ela estava preocupada. Toushirou não apareceu nenhuma vez quando o chamaram pra treinar. Não queria admitir, mas estava nervosa. O time dos imbecis era muito bom e mesmo treinando como puderam no parquinho perto da colina, ainda era a única boa jogadora. Será que daria conta de levar a vitória?
De repente, levantou a cabeça determinada. Ignorando quando as pessoas que passavam pela rua estranharam. Não importa. Que isso, Karin?! Pensamento positivo. O time dela não é tão ruim e talvez ganhassem essa partida com certo aperto. Animada correu pra o campo de football. Com certeza iam ganhar e Toushirou talvez pudesse aparecer. Disse pra ele ontem onde seria o jogo.
(...)
Baka!
Baka! Baka! BAKA!
Fungou e depois espirrou meio engasgada. Irritada passou a mão com raiva no rosto, limpando o molho de tomate. Na sua blusa branca uma mancha enorme e amarela descia pela gola a irritando ainda mais. Pra completar, seu joelho direito doía, mas segurou a dor. Nunca foi de chorar e não seria agora. A partida foi um vexame. Tomaram uma verdadeira surra de gols e como perderam tiveram os narizes enfiados no espaguete. Aquele metido que machucou seu joelho comprou latas da comida.
Ela não foi covarde. Pegou um monte e enfiou ela mesma no nariz. Foi horrível, quase vomitou e ardeu pra caramba. Mas não fugiu. Se tinha orgulho de uma coisa era que não fugia de um desafio.
Voltava pra casa, subindo a ladeira da colina quando viu uma figura ao longe que a encheu de raiva. Um garoto de cabelo branco encostado nas travas. Apertou os punhos travando os dentes. Correu até lá pouco se importando que estava escurecendo. Ele ia ouvir.
Ao parar perto dele ofegando de raiva e cansaço o mesmo suspirou.
– Não se cansa garota?
Estreitou os olhos, respirando fundo pelo nariz (que ardia do molho de tomate)
– Porque você não foi?
Ele nem olhou pra ela. Continuou mexendo no maldito celular e esse bipe sinceramente estava lhe dando nos nervos.
– Hei!
Num impulso, agarrou com uma mão nas travas e pulou. Antes que ele se mexesse arrancou o celular da sua mão e fechou. Toushirou suspirou irritado e a encarou apertando os olhos. Ele estremecia, mas continuou calado. Ótimo.
– Eu te falei que era hoje. Porque não apareceu? Alias, o que tem tanto nesse celular que não para de mexer?
Não se segurou. Estremecia irritada além disso ele era misterioso demais. Toushirou a encarou e deu um sorrisinho de canto.
– Porque tem molho de tomate no seu rosto?
Corou de vergonha e raiva.
– Não te interessa.
– Ah! Então tinha mais coisa nessa partida estupida.
Com seu silencio, o sorriso debochado dele aumentou.
– Devia mudar de time, pirralha. Aqueles moleques são um peso morto. E antes de mais nada eu NUNCA disse que ia jogar. O problema não era meu. Agora seja uma boa garota e devolva meu celular.
Karin se entalou. Ele falava a olhando como se fosse mais velho. Pior, tinha ofendido seus amigos. Ficou possessa. Irritada, deu um passo ficando mais perto dele se tremendo de raiva.
– Escuta aqui, seu anão metido. Esse jogo era muito importante pra mim e meus amigos! Porque furou com a gente?! Eles contavam com você! E outra coisa...
Atirou o celular com toda força pro muro atrás dele. O troço bateu no concreto se espatifando e quebrando. Karin assistiu isso com um prazer e o encarou.
– ... O único pirralho aqui é você! Quantos anos tem? 10? Eu aposto que são uns 12 pelo seu jeito arrogante, mas pelo visto não cresceu. Você é um baixinho metido, anão de...
Um estalo e um vulto. Foi tudo o que percebeu antes de terminar a frase e então o ar deslocou a sua volta atordoando-a e de repente suas costas bateram em algo duro, áspero. Assustada, de olhos arregalados viu ao longe uma pessoa muito parecida com Toushirou caída de bruços na grama. Encarou a frente e estremeceu. Outro Toushirou estava parado bem na sua frente e estremecia de raiva. Olhou pra suas roupas e ficou mais chocada. Kimono negro, um sobretudo branco e um punho de uma espada aparecendo atrás do seu ombro direito.
– Vo.. você...
– Argh! Feche essa boca, mulher. Ou juro que agora mesmo arranco sua língua.
Se entalou. Não estava brincando. Os olhos verdes faiscavam de ira e de tão perto assim percebeu que era um pouco mais alto que ela. Atordoada, a única coisa que entendeu foi que Toushirou era um shinigami. Assim como Ichi-nii e o cidadão estava possesso. Dando um passo, ele ofegou de raiva.
– Pro seu governo, eu sou sim, muito mais velho que você. E posso te chamar de pirralha quantas vezes eu quiser. Sinceramente, mesmo que tenha um alto poder espiritual eu não te recrutaria nem que me torturassem.
Franziu as sobrancelhas.
– Recrut...
– CALADA!
Estremeceu com o berro. Toushirou estava perto demais dela. Sentia o folego em seu rosto enquanto arfava de raiva e nesse instante, à luz do crepúsculo viu uma coisa que a arrepiou. Numa aba do sobretudo, manchas úmidas e vermelhas o cobriam. Eram...
– Sangue.
Ouvi-o dizer e o encarou. A raiva estava refreada, mas a voz macia lhe dava um calafrio na espinha.
– Na..nani?
Toushirou estreitou o olhar.
– Você olhava com interesse pra meu haori manchado. E sim, é sangue.
Então o rosto dele ficou debochado.
– Olhe só pra você. Toda pálida e tremula. Ainda pouco me chamou de metido e anão. Pode ser, mas e quanto à você? Aposto que nunca usou nada que além desses shorts e blusas. Seus amigos são garotos e pelo jeito rústico mostra que vaidade é uma coisa estranha pra você, não é? Me diga uma coisa. Espera, sinceramente, que um cara vai gostar de uma menina que mais parece o oposto?
Ele esperou, mas não conseguiu dizer nada. Sua auto estima abalava. Dando um risinho de prazer Toushirou sussurrou deliciado do seu estado.
– Acho que não. Ser uma mulher é a última coisa que vai ser.
Seu coração apertou. Estremecendo, seu corpo gelava das palavras.
– CALA A BOCA, SEU PIRRALHO!
O deboche dele sumiu então sentiu um vulto ao lado do seu rosto, um segundo antes da pancada alta perto da sua orelha. Arregalou os olhos. Com o braço esticado, o punho rachando o tronco atrás dela, Toushirou por pouco não a soca. Pela primeira vez, Karin sentiu o que era medo. Escurecia e quase ninguém vem aqui...
– Que seja a última vez que me chame assim. Entendeu?
Karin engoliu, suas pernas tremendo tanto que ameaçava desabar. Todo seu sangue fugiu do rosto enquanto um vazio tomava seu estomago. Vendo, o shinigami a encarou risonho, espalmando a mão no tronco.
– Menininha assustada. Sabe, até que seu rosto assim é provocante.
Arregalou mais olhos. O que?! Toushirou se inclinou pra ela e então um dos joelhos dele se enfiou devagar, mas firme entre suas pernas. Karin quase gritou, mas a mão livre dele tampou sua boca.
– Quieta.
Se inclinando mais, sentindo a perna se enfiar mais entre as suas Karin estremeceu entrando em pânico. Encarando a frente, um hálito morno banhava sua orelha. A arrepiando de medo.
– Não está mais atrevida agora, garota. Talvez...
A perna dele subiu e pressionou seu sexo. O pânico a tomou e se agitou apavorada tentando empurrá-lo, mas tudo o que conseguiu foi um risinho na sua orelha. Em seguida, ele a empurrou contra a arvore, se apertando nela e Karin choraminguou. Os braços presos contra o peito dele, seus pés ficando nas pontas.
– Para. Para. Para.
Implorou contra a mão na sua boca, em resposta Toushirou se apertou mais nela. A perna no meio das suas dando um branco de pânico. Sussurrando ele lhe disse em sua orelha.
– Não confunda as coisas garota. Só estou mostrando o que acontece quando mulheres me irritam. Mas no seu caso... Bem que está gostando, não é?
Ele sorriu. Karin sentiu os olhos arderem, tremendo. Ela não acreditava que ele ia mesmo fazer isso. E não tinha como fugir. Toushirou era rápido, forte e poderia descarregar toda sua raiva nela.
Porem, ele se endireitou a olhando frio e dizendo.
– Dá próxima vez, pense antes de falar.
O ar deslocou e então ficou jogada sozinha contra a arvore. Abraçando em si mesma e tremendo. Seus olhos embaçaram e logo suas bochechas molhavam. Quando teve certeza que não ia cair, correu desesperada pra casa. Sentindo o tempo todo que alguém a observava.
Flashback off
Suspirou amuada. Desde esse dia, nunca ficava sozinha com garoto nenhum. Por mais banal que fosse o motivo.
xxXXxx
O sinal tocou, avisando o final das aulas e a sala se esvaziou rapidamente.
A única que restava na sala era Karin que arrumava lentamente o material na sua mochila.
De repente a porta é aberta e um professor passa pela mesma.
– Senhorita Kurosaki. Gostaria de ter uma palavra consigo.
Disse o professor e fez sinal para segui-lo.
Karin obedeceu e foi atrás pegando antes sua mochila.
O professor caminhou tranquilamente pelos corredores vazios e sombrios da escolapraticamente vazia. O professor, de nome Yuro Tanosh, parou na frente da sala dos docentes e abriu a porta, logo dando passagem à garota atrás de si.
– Sente-se.
Ordenou Yuro-sensei apontando para uma cadeira que tinha naquela imensa sala praticamente vazia e deprimente.
– O que deseja fala comigo,Yuro-sensei?
Perguntou Karin baixinho e nervosa.
O sensei sorriu e colocou uma das mãos no ombro dela.
– Não fique assustada, Kurosaki! Está tudo bem, só gostaria de informá-la que suas notas estão sendo excelentes! O diretor ficou impressionado, então ele me pediu para te dar isso.
Ele sorriu mais enquanto punha nas suas mãos pequenas e pálidas uma medalha de ouro onde estava escrito “Melhor aluna”.
Karin sorriu e agradeceu o sensei que riu e dispensou-a da sala.
Ela saiu da sala com um sorriso enorme, que logo desapareceu enquanto olhava para as pessoas a sua frente.
– Yare,Yare...se não é a Rinny-chan!
Disse uma garota com cabelos loiros e encaracolados, olhos cor de mel, alta e com um ar de superior.
– Ola para você também Yurai Sagashima.
Disse a morena enquanto tentava não revirar os olhos.
– Hey! Olha como fala com a Sagashima-sama, sua covarde!
Uma garota apareceu de cabelos negros e lisos, olhos castanhos escuro. Parecia um javali de tão gorda que era.
– Sinto muito, Kokori Yutami.
Respondeu Karin claramente irônica.
Mais três garotas apareceram.
Uma era baixa, os cabelos loiros e curtos, magra feito um palito, Kyumi Satoshi.
– Por acaso isso que está no seu pescoço é uma medalha, Bitch-chan?
Perguntou a de cabelos verdes e curtos. Os olhos azuis debochados. Amy Kitohi.
– Acho que é, Amy-chan! Pega pra mim Yurai-nee!
Falou uma garota que aparentava ter uns 9 anos, cabelos longos e encaracolados. Yumi Sagashima, irmã mais nova de Yurai.
– “Melhor Aluna” Quanta tolice!
Enquanto dizia, Yurai arrancava do pescoço de Karin a medalha, ferindo-a.
– Realmente… Acho que você ainda não aprendeu a lição, docinho!
Desta vez foi Kokori, que com sua força de javali, jogou Karin na parede.
– Docinho é a tua vó, seu javali!
Ela provocou enquanto se levantava do chão e olhava para Kokori que a olhou serrando os punhos.
– Quanta coragem, Rinny-chan! Mas pena que não serve pra nada!
Yurai deu um tapa na cara de Karin que virou o rosto levemente.
Amy chegou mais perto e chutou Karin no chão e distribuiu vários chutes no estomago da mesma.
– Bitch-chan, não vai pedir ajuda não?
Perguntou Amy enquanto levantava Karin pelos cabelos e dava um soco no peito da mesma. A morena o tempo todo com os lábios cerrados pra não dar o gostinho de gritar.
– Hey, Hey! Eu quero me divertir também!
Disse Kyumi enquanto empurrava Amy e dava um chute na canela de Karin, que já estava cuspindo um pouco de sangue.
– Garotas! Garotas! Chega! Não queremos que a Rinny-chan vá parar no hospital, queremos?
E todas riram .
Yumi se abaixou e arregaçou as mangas da camiseta de Karin, revelando o braço todo enfaixado que foi desfaixado pela menor.
Yurai se agachou e retirou do bolso da saia um canivete e começou a distribuir vários cortes pelo braço de Karin, que chorava em silêncio sem reagir.
–Bye, Bye!
E todas as garotas saíram da escola deixando Karin no chão, chorando e sangrando.
– Mas o que aconteceu?
Perguntou Yuro-sensei enquanto abria a porta da sala dos docentes e olhava para a garota no chão que se levantou com certa dificuldade e encarou o sensei e começou a chorar mais ainda.
– Está bem, Kurosaki?
Yuro-sensei se aproximou de Karin e tocou seu ombro, enrijecendo.
– NÃO ME TOQUE!
Berrou e deu um tapa na mão do sensei e saiu correndo da escola, chorando ainda mais.
Enquanto caminhava pelas ruas movimentadas, chorava e dizia palavrões atraindo atenção. Todos que passavam na calçada se viravam para ver o que era mas ela nem se importava .
Karin abaixou as mangas de seu uniforme e tentou limpar o sangue que tinha pingado na sua roupa.
Missão falida.
Irritada ela acelerou o passo e sentiu um arrepio .
Estava sendo observada.
Olhou por cima do ombro e viu um grupo de garotos, todos eles namorados das garotas que tinham batido e sempre batem nela.
Ofegou nervosa e decidiu pegar o caminho mais longo correndo.
Péssima ideia.
Os garotos também começaram a correr atrás dela, mas a uma certa distância. Olhou rapidamente sobre o ombro e se arrepiou. Eles sorriam divertidos e maliciosos, uns até riam. Aquele medo, que gelava sua espinha aumentava e aumentava.
Karin desesperada entrou em uma rua que dava direto pra um terreno abandonado. Com um pequeno prédio de 5 andares todo arruinado e velho.
Pulou com certa dificuldade o portão enferrujado que dava acesso ao terreno e jogou sua mochila no chão, para não dificultar a corrida.
Logo escutou um barulho de alguma coisa caindo, uma trás da outra e olhou para trás encontrando os garotos que jogavam as mochilas do lado de fora do portão e riam enquanto escalavam o mesmo.
Ela correu o mais rápido que pôde para o prédio sendo seguida por eles.
Sentiu uma mão em seu pescoço e caiu no chão escutando risos.
– Hey, bunny-chan! Não precisa correr!
Disse um loiro de olhos azuis, forte e alto. Parecia o líder.
– é ,é !
Disseram os outros em coro enquanto sorriam maliciosos e olhavam o corpo da garota.
– Ui! calcinha preta.
Informou o loiro para os garotos do grupo e rasgou a saia de Karin que tremeu e deu um chute na cara dele e saiu correndo mesmo de calcinha. A blusa do uniforme grande o suficiente servindo de camisola. Deu a volta no terreno, olhando desesperada, os pulmões queimando da corrida e encontrou uma janela quase aberta. Abriu a força, as mãos tremendo e ouvindo os gritos ao longe.
– Ei! Bunny-chan. Cadê você?
– A brincadeira só começou.
Risos. Karin ficou mais apavorada e puxou a janela de uma vez. Pouco se importando com o barulho. Agarrou o beiral e pulou. Arranhando um dos joelhos na pedra aspera. Ao cair agachada, correu curvada pro outro lado do hall. Tinha uma escada ali. Talvez encontrasse um quarto, podia se esconder e então…
– Ei! Ela entrou por aqui.
Arregalou os olhos e deu adeus a cautela. Correu pra a escadaria subindo de dois e dois os degraus, agarrando o corrimão pra não cair. Atrás dela ouviu os garotos pulando a janela. Rindo e dizendo o que fariam com ela. Engasgou de terror. Era um pesadelo. Tremia tanto. Seu pulso disparado nos ouvidos que quase não ouviu a perseguição. Passos apressados e risos divertidos.
– Ei! Bunny-chan! Volta aqui!
– A gente não vai te machucar.
Seus olhos arderam. Com certeza! Entrou num corredor. Testando todas as portas e infelizmente trancadas. Subiu mais lances de escadas. Indo pra andar e andar até alcançar o último. O quinto. E pro seu azar, as portas também estavam trancadas. Correu rápido pro fim do corredor e girou a maçaneta. A mesma se moveu fácil e a porta se abriu. Sorriu aliviada e correu pra dentro batendo a porta. Bem no instante que iam entrar. Tinha uma cadeira velha de metal e rápido empurrou encostando. Travando a maçaneta. Virou pro cômodo. Era um apartamento sem paredes e uma delas tinha um rombo. Correu para ela, parando perto da borda. Estava anoitecendo e uma brisa lhe deu um arrepio nas suas pernas nuas. Olhou pra baixo. Ver se tinha algo por onde podia descer e nada. De repente, pestanejou.
Esse terreno... Era muito parecido com o que viu no seu sonho… Antes que entendesse uma explosão de madeira soou atrás dela. Girou pra trás em pânico. Os caras, os namorados daquelas nojentas entraram rindo do seu pavor. Seus olhos embasaram. O coração batendo louco. O loiro forte que rasgou sua saia e em troca lhe deu um chute na cara se aproximou.
– Yare, Yare. Você é bem rápida correndo, coelhinha. Como deve ser saltando...
Karin estremeceu, criando um pouco de coragem.
– Eu não sou uma coelhinha. Seu bombado tapado!!
O cara se entalou e então correu pra cima dela, junto com mais dois. Karin chiou dando um pulo e disparou pro outro lado do apartamento. Tentando chegar até a porta arrombada. No entanto, enquanto chegava perto. Rapidamente um cara moreno com um pirceing na orelha barrou seu caminho. Correu pra direita desesperada e antes que percebesse o bombado tapado parou curvado na sua frente. Arregalou os olhos e antes que se desviasse ele a agarrou rindo. Gritou em pânico e esperneando. Só aumentou as risadas. Andando em dificuldade com seu esperneio, o cara chegou perto dos outros, que estavam próximos daquele rombo na parede.
– Ei esquisita. Conta pra gente. Esses monstros que você vê, são tipo aberrações?
– Acho que não. Devem ser feito bichinhos de pelúcia. Fofinhos e com asinhas.
Um ruivo debochou. Karin que segurava o choro não aguentou mais. Conseguiu se virar ficando de costas. Irritando um pouco o loiro.
– Ei, Laitou. Ela não tá curtindo nem um pouco.
– Logo ela vai. Né, esquisita? Ou bunny-chan?
Karin gemeu de raiva e medo. Tremendo tanto, dando um show pra esses babacas. Então decidiu que senão podia fugir, podia lutar. Juntou toda força e jogou a perna pra trás. Bem entre as parte intimas do bombado loiro. Ele gritou a soltando e Karin rapidamente agarrou uma barra de ferro no chão perto do rombo. Antes que a pegassem balançou a barra acertando três dos babacas na caras. Os narizes sangraram. Mas antes que desse outro golpe uma mão pesada agarrou seu braço, apertando tanto e sacudindo com força. A barra caiu das mãos e olhou pra pessoa. O loiro estava roxo de raiva e espumava.
– Sua… Sua cadela! Agora mesmo que eu vou…
– Laitou!!!!
Um dos caras gritou desesperado. Ela não entendeu até que deu um passo pra trás tentando se soltar dele e pisou em nada. Arregalou os olhos ofegando. O loiro olhou chocado pra ela caindo também. Soltando seu braço Karin mergulhou no ar vendo os olhos azuis do bombado aterrorizados mas logo mudaram para divertidos e depois uma pancada alta. Seguida de uma dor no corpo inteiro, principalmente na cabeça. Em seguida, tudo escureceu.
No final, a pequena boneca se quebrou.
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