Sádico Capitão
9 Aquele dia
Notas iniciais
Dias depois
Ainda não acredito nisso. Depois que aquele tarado e eu tomamos o café da manhã, (ainda morro de vergonha disso), Toushirou me avisou que estudaria na Academia de Artes Espirituais. Em primeiro momento fiquei com raiva, mas depois aceitei quieta. Sabe-se lá o que ele faria se me negasse. Então ele se arrumou e foi para seu esquadrão, me deixando sozinha. Uma ruiva escultural me visitou pela parte à tarde, para me levar a comprar mais roupas e material escolar. Enquanto andávamos pelo caminho do comercio entreouvi uma coisa que me deixou mais receosa com o Toushirou.
Todos o chamavam de sádico. Sádico Capitão. Rangiku, (esse era o nome da ruiva peituda, os seios dela era enormes!) fingia que não escutava, mas eu percebi que apertava os lábios quando achava que não vi. Isso só me fez pensar numa coisa. Na ameaça que ele me fez. Porque foi uma ameaça. Eu não posso ter nenhum cara em minha volta. Se por acaso essa pessoa esbarrar em mim sem querer, Toushirou vai querer matá-lo. Se bem que… Talvez ele estivesse sendo mais especifico em relação aos toques.
– Então quer dizer que não posso namorar ninguém?
– O que disse Karin-chan?
Apenas neguei com a cabeça e ela deu de ombros.
– Nada!
Sorri para ela e comecei a andar mais rápido. Já tínhamos terminado de fazer todas as compras e ainda estava surpresa pela montanha de roupas que Rangiku havia comprado.
– Hunm, vamos voltar logo! Quero provar essas roupas!
Sorri de canto enquanto eu e Rangiku começávamos a correr no shunpo. A mulher peituda me elogiava por ser rápida e por ter aprendido essa técnica rapidamente. Sorri amarelo para ela. Mal ela sabia o treinamento que eu tive com Toushirou… Aquele homem é um tarado bipolar psicopata.
XxX
Rangiku já provava sua décima peça de roupa. Suspirei enquanto a via desfilar pela sala.
– E então, como eu estou?
A ruiva me encarava curiosa e ansiosa. Eu apenas confirmei com a cabeça.
– Você esta linda!
Rangiku abriu a boca para falar alguma coisa, porém ela logo a fechou. Pegou rapidamente minha mão, me fazendo levantar do sofá e sumiu no shunpo junto comigo. Aparecemos dentro do banheiro e eu a encarei confusa.
– Tire a roupa!
A encarei corada e ela apenas sorriu gentilmente.
– Vamos tire! Não vou fazer nada de mais!
Suspirei, retirando meu uniforme e o jogando em cima do armário. Ela rapidamente pegou a peça de roupa e a dobrou.
– Coloque isso aqui!
Ela me deu uma roupa e saiu do banheiro, me deixando sozinha. Olhei melhor a roupa. Escutei vozes na sala e fiquei curiosa.
– Kurosaki, desça imediatamente.
A voz rouca ecoou longe. Engoli em seco. Tinha que descer rápido, senão sabe-se lá o que ele poderia fazer. Provavelmente iria me buscar no banheiro… Não iria ser uma coisa muito boa.
Decidi me vestir rapidamente e descer para ver o que ele queria. Encarei a peça de roupa e… Droga, Rangiku!
A ruiva tinha me dado um vestido. Um vestido preto com detalhes brancos. Mas não era esse o problema e sim porque ele era curto.
Escutei Toushirou me chamar novamente. Tinha que ser rápida. Olhei ao redor, procurando por alguma coisa que puderia me ajudar e…
– Achei!
Peguei o roupão azulado, que estava jogado de qualquer jeito em cima do armário. Eu poderia vestir o roupão por cima do vestido e dar uma desculpa qualquer indo para o quarto me trocar. Ou eu ia diretamente para o quarto e me trocava?
– Kurosaki.
Eu tinha acabado de fazer o nó no cordão do roupão quando Toushirou adentrou o banheiro e me encarou. Ele ficou parado na porta e logo vi uma certa ruiva aparecer atrás dele.
– Taichou o que foi?
Ela piscou os olhos azulados e logo me encarou, inocentemente. Uma veia saltou no topo da minha cabeça. Espero que ela já tenha escrito o próprio testamento.
– Nada que te interessa, Matsumoto. Vamos.
Ele agarrou minha mão e me puxou para fora do banheiro. Rangiku já tinha descido as escadas e o aguardava na sala. Ainda não entendi o porque dela estar ali.
– Ela vai comer e dormir aqui. Foi expulsa de seus aposentos devido ao fato de ter acordado com três homens em seu quarto.
Ele disse calmamente, como se adivinhasse meus pensamentos. Mas… Três homens?! Encarei a ruiva sentada no sofá. Ela sorriu gentilmente para mim e eu desviei o olhar. Como uma pessoa com um sorriso tão gentil e tão acolhedor pode ser…
– Kurosaki, vamos preparar a comida.
Ele me empurrou para a cozinha e depois fechou a porta da mesma. Engoli em seco. Por que ele estava trancando a porta? Ele se virou para mim e passou reto.
– Não pense coisas erradas sobre Matsumoto. Ela não é nenhuma vadia como Hinamori — Ele pegou uma tabua e começou a picar um alho.- Apenas teve uma grande perda, que era seu maior amor e acabou virando aquilo que é hoje. Usa as bebidas e o sexo para se esquecer.
Observei ele pegar uma panela e colocá-la no fogo. Por que ele dizia aquilo como se a entendesse? Sera que ele também…
– Kurosaki…
O ar morno em meu pescoço me fez dar um pulo e logo me virei, encarando (corada) Toushirou . Ele me encarava calmamente como se não fosse uma pessoa sádica.
– O-oque foi?
Ele estreitou o olhar e se aproximou de mim. Bati em alguma coisa e com o canto do olho percebi que foi na mesa.
– Por que você esta usando um roupão?
Prendi a respiração. Como vou dizer pra ele? Meu rosto esquentava de vergonha e também sou péssima em mentir.
– Ah… é que… bem, eu estava indo tomar um banho e você me chamou.
Arregalei os olhos. Mas o que foi que eu disse? Toushirou levantou as sobrancelhas e então seu olhar lentamente se encheu de malícia. Deslizando os olhos em mim ele se aproximou mais, me fazendo inclinar pra longe. Agarrando a mesa.
– Bom saber… — sua mão foi ao laço do cordão, entrei em pânico — Mas meu roupão não está marcando todo o seu corpo. Eu o conheço muito bem.
Levantou o olhar, estreitando enquanto puxava rápido o laço. Tentei agarrar as abas estremecendo e agitada.
– Co-como assim seu roupão?! Ei! Para com isso!
Nem me deu atenção. Abriu a peça de roupa, encarando o vestido curto. Eu tentava fechar as abas, mas eles segurava com mais força abrindo mais. Meu coração batia na garganta. Era pior do que se estivesse mesmo nua. Meus seios estavam apertados, quase saltando do tecido. A barra do vestido chegava mesmo que dez centímetros abaixo da virilha. Eu estava parecendo…
– Uma vadia.
Arquejei de susto. Suspirando serio ele voltou a me encarar. Causando um arrepio gelado na minha espinha. Era tão… irritado.
– As roupas que comprou são assim também?
Neguei timidamente com a cabeça. Ele suspirou mais irritado, olhando com desprezo o vestido que a Rangiku me emprestou.
– Esse vestido vai já para o fogo.
Soltando uma aba do roupão, ele esticou o braço atrás de mim. Fiquei confusa e então vi que ele havia pegado uma faca. Soltei um grito. Ele vai me matar! Fechei os olhos, esperneando e senti uns zunidos a centímetros dos meus ombros, no peito, na barriga. Eram tão rápidos que nem senti a dor e então pararam. Tremendo esperei a dor vir, mas não senti nada. Desconfiada abri os olhos e Toushirou estava um passo afastado de mim. Me olhando curioso e sorrindo. Peraí, sorrindo?
Ouviu uns rasgos e arfei chocada. O frio me atingiu me arrepiando e ele soltou um risinho, girando o punho da faca na mão. Olhei chocada para baixo. Tiras de tecido negro cobriam o chão. Fechei o roupão de uma vez.
– Por que você fez isso?!
O olhar dele ficou debochado e apontou a mão livre no vestido estraçalhado. Saltei pra longe e uma energia avermelhada atingiu os panos queimando em segundos.
– Eu não quero que se vista assim. Se aparecer com mais um desses eu arranco e queimo — Me encarou serio, se dirigindo até o fogão. — Não me importa o lugar.
Pisquei espantada. Apertando bem firme as abas do roupão.
– V-você está dizendo que vai me deixar nua? Mesmo na rua?
Ainda de costas ele jogou o alho na panela, acrescentando azeite e mais cebolas picadas. Quando ele as cortou?
– Fui bem claro, Kurosaki.
Estremeci nervosa e chocada. Quer distorção de pensamento é essa? É melhor me deixar pelada no meio de multidão do que estar vestida? Numa roupa nada decente, mas mesmo assim coberta. Ele é um louco bipolar tarado.
Ainda o observando, Toushirou foi até um armário e pegou um pacote de arroz e outra panela.
– Esta esperando o que? — Pisquei confusa e ele soltou um suspirou entediado — Vai querer ficar nua pelo resto do jantar?
Destranquei a porta e sai apressada da cozinha. Passei pela sala, sem olhar para Matsumoto que estava deitada no sofá vendo televisão. Subi as escadas e entrei correndo no quarto. Fechei a porta — sem trancar — e me encostei nela. Fui escorregando devagar, ficando sentada no chão e encostada na porta. O que estava acontecendo com Toushirou para ele estar me tratando mal…? É como se eu não conseguisse fazer nada sozinha. Encarei triste e confusa a palma da minha mão, a abrindo e fechando.
– Se acalme. Logo você irá conseguir fazer muitas coisas...se acalme.
Pulei no lugar e ofeguei de susto. Quem tinha falado? Olhei o quarto, mas eu estava sozinha… completamente sozinha.
– Você nunca está sozinha, menina.
A voz dessa era mais grossa. Esperei alguns minutos, mas não ouvi mais nada. Suspirei, me levantando e procurando com o olhar alguma roupa que eu pudesse vestir. De repente, o quarto começou a mudar de forma. O ar ficou pesado e um vento morno começou a girar, levantando meu cabelo e as abas do roupão. Soltei um gritinho, tropeçando ao recuar, meus pés escorregando no chão. Caí sentada, enquanto estalos ressoaram e chamas prateadas apareceram explodindo do chão e paredes, me assustando. A silhueta de um dragão surgiu na minha frente, rugindo. O som vibrou através de mim. Meus cabelos levantando pelo ar quente em minha volta e em seguida, explodiu num brilho prateado. Fechei os olhos pela luz e o vento pareceu se acalmar. Sussurros ecoaram pelo quarto, não conseguir entender o que diziam e abri os olhos. Estiquei a mão e um brilho prateado começou a se juntar na minha palma. O brilho cessou e algumas linhas negras começaram a surgir em volta dele. Como se fossem rachaduras. As rachaduras foram aumentando de tamanho, até que o brilho se ‘quebrou’ desaparecendo e deixando em seu lugar, uma espada.
P.O.V Karin Off
P.O.V Toushirou On
Já estava tudo pronto quando de repente, uma energia aumentou no segundo andar. Arregalei os olhos, incrédulo. Essa energia… vinha de Karin?
Estreitei os olhos, largando a faca em cima do balcão. O que diabos estava acontecendo? Escutei alguém pigarrear e encarei minha tenente sobre o ombro. Ela estava encostada na batente da porta, me encarando seriamente.
– Taichou… Essa energia…
Ela apertou os lábios. Suspirei caminhando até a porta, passando por ela enquanto olhava de relance as escadas.
– Eu sei. Está se formando.
Sem mais, sumi aparecendo diante da porta do meu quarto. Ignorando a pressão espiritual (ela não afetava tanto) a abri e arfei com o que estava vendo. Karin jazia sentada no chão, contra a parede do outro lado do quarto. Seu braço levantado segurava uma zanpakutou e a garota estremecia. Mas não foi o que me espantou. Tudo ao redor dela estava chamuscado. Baixei o olhar para o piso de madeira, o negrume formando uma figura e então olhei acima. O teto também enegrecido. Meus lábios se curvaram, reparando no que essa figura formava. Abrindo suas asas, a bocarra escancarada mostrando suas presas a sombra de um dragão urrava. Observei Karin. Parecia que ela nem acreditava, seus olhos arregalados tremiam e brilhavam. Quase ri. Um dragão… interessante. E pelos vestígios no teto e no chão, se tratava de um dragão de fogo. Soltei um risinho, enquanto a Karin admirava sua zampakutou. De fato, a espada era linda. A lamina brilhava com a luz da lua que filtrava pelas cortinas da janela e ela parecia bem afiada. Uma espada de dois gumes? Isso está ficando cada vez mais interessante.
– Kurosaki, onde a conseguiu?
Pela primeira vez desde que eu entrei no quarto ela me encarou. Confusa e indecisa. Arquei uma sobrancelha, enquanto ela engolia em seco.
– E-eu....
– Deixe-me ver.
Relutante me estendeu a zanpakutou. A segurei pelo punho prateado e negro. Analisei a lâmina enquanto trazia para mais perto de mim. Realmente, afiadissima. Então estreitei o olhar sentindo a energia espiritual, a espada vibrava num leve pulsar quase parando. Hum… Relanciei os olhos para Karin que havia ficado de pé. Suas mãos retorciam nervosas.
– ahn… algum problema com ela?
Quase ri baixando a zanpakutou. Seu olhar seguiu meu movimento e ela engoliu em seco. Estremecia nervosa.
– Me diga o que viu.
– O que?
Pestanejou no lugar. Me aproximei um passo e prendendo a respiração ela recuou. Os cabelos estavam soltos caindo desleixados por seus ombros, descendo pelas suas costas. E ela ainda usava meu roupão. Que provocação… Mas não totalmente carnal, me fez querer brincar com ela um pouco. Deixa-la sem graça e envergonhada como hoje de manhã. Sorrindo inclinei o rosto, girando o pulso trazendo a espada à direita e longe dela. De imediato seu rosto corou.
– Kurosaki… você me entendeu. Essa zanpakutou se materializou com seu poder. Ou seja, ela é sua. Deve ter visto algo que deixou meu quarto todo chamuscado.
Nesse instante, seus olhos arregalaram e encarou em volta. Me diverti quando ela ofegou, vendo a figura negra de um dragão rugindo no teto.
– Mas como…?
Suspirei e me aproximei mais, parando de sorrir mas ainda com os lábios curvados de um modo sarcástico.
– É o coração de sua zanpakutou. Que pelo o que pode ver se trata de uma criatura.
– Um dragão.
Sua voz saiu surpresa ainda encarando o teto. Dei mais um passo ficando diante dela. Com meu folego soprando tão perto de seu rosto ela se espantou, arquejando ao me encarar. Antes que se afastasse envolvi sua cintura com braço que segurava sua espada. Todo seu corpo retesou e havia apenas centímetros entre nós. Engolindo convulsivamente Karin estremecia. Em pânico por estar entre mim e a espada. Deu para perceber que qualquer um achava perigoso demais para si e meu ego inflou.
– Por que tá fazendo isso?
Humpf. Ela sabe mesmo estragar as coisas. Levantando a sobrancelha ignorei sua pergunta.
– Escute, nem toda identidade de zanpakutou tem a forma humana. Pode ser apenas elemental, de animais ou como a sua criaturas mitológicas.
Engoliu em seco mais nervosa.
– um dr-dragão.
– Sim. O fato de sua zanpakutou se manifestar sem treino algum mostra a razão por que te matriculei na Academia.
Recuei um passo me afastando. Ela respirou fundo com o folego que havia prendido.
– Você deve aprender a usar e controlar seu poder espiritual — sorri sarcástico — não quero minha casa destruída.
Se entalou indignada. Apertou os punhos fechados ao lado do corpo. Isso chamou minha atenção.
– Eu não vou detonar sua casa, seu pervertido!
Estremeceu respirando fundo pelo nariz. Cerrando os dentes. Simplesmente girei o pulso trazendo sua espada para frente zunindo no ar ao colocar o gume duplo para os lados. Ela piscou com o movimento sutil e rápido.
– Seja como for, você irá a partir de amanhã. Não precisa prestar o exame e… — ofereci a empunhadura para ela — … deve comportar como se deve bonequinha.
Me encarou mais indignada.
– Como é?! Tá insinuando que vou te passar vergonha?!
Simplesmente devolvi seu olhar com uma expressão séria. Ela se retraiu um pouco, dando um minimo passo pra longe de mim.
– Você vive comigo, sob minha responsabilidade. Toda a Academia saberá que me pertence.
Pegou mecanicamente o punho prateado e preto, seus dedos tremiam.
– E todos conhecem como sou.
Sem mais dei meia volta, seguindo até a porta. No corredor, instantes antes uma reiatsu desapareceu surgindo no andar de baixo. Arght, Matsumoto. Bisbilioteira como sempre. Mal segurei a maçaneta e um gritinho me confundiu. Olhei sobre o ombro e segundos depois um tinir de espada caiu no soalho. Gemi cansado.
Karin segurava o pulso direito. A palma ensanguentada.
– Itaiii.
– Sinceramente, bonequinha.
Menei a cabeça e caminhei até onde estava. Até que ela se arrume e cuide desse machucado o jantar já esfriou.
P.O.V Toushirou Off
P.O.V Karin On
Depois que me cortei Toushirou que saía voltou e pegou minha mão. Me olhava de um jeito risonho e debochado. Só me fez querer bater nele e meus joelhos amolecerem. Sem dizer nada ele segurou mais forte minha mão ferida, chiei de dor pelo aperto.
– Para! O que você…?
Minha voz sumiu enquanto sentia um formigamento no meu corte. Piscando surpresa encarei nossas mãos dadas e vi um brilho fraco e azulado saindo dentre elas. A luz pálida aumentava ao ponto que o formigamento também. Durou um longo minuto e a ardência sumiu. Soltando minha mão, Toushirou se afastou um passo e arfei impressionada. Exceto pelo sangue, minha palma não havia marca sequer, nem uma linha fina dizendo que abri um talho por segurar mal minha zanpakutou. Toushirou disse que a espada era minha então…
– Como fez isso?
Escutei um risinho abafado.
– Kaidon, Kidou de cura.
Olhei minha palma mais de perto. Impressionante… Espera aí. Olhei para ele e Toushirou sorria torto, estreitando o olhar malicioso.
– Daquela vez você disse que não tinha mais medicamentos. Porque não usou isso?
De repente, ele sumiu num borrão e segundos depois uma respiração morna batia na orelha. Meus cabelos afastados pra longe enquanto ele se curvava atrás de mim. Prendi o fôlego.
– Você queria fugir de mim. Com o pé ferido daquele jeito não poderia correr, além disso…
Seu braço enroscou na minha cintura, me apertando contra seu peito. Chiei estremecendo e ele me apertou mais, me puxando. Seus lábios roçavam minha orelha enquanto falava, me arrepiando.
– … você estaria a minha mercê e poderia fazer o que quisesse.
Então colou a boca na minha orelha, beijando. Cerrei os olhos agarrando seu braço, puxando-o de mim.
– Pa-para com isso!
Ouvi uma risadinha e então algo macio e molhado passou por toda minha orelha, subindo e descendo lentamente até que senti uma mordidinha no meu lóbulo. Eu entrei pânico.
– Para Toushirou!
A minha voz saiu suplicante e rouca. O braço em minha cintura apertou mais, como se eu fosse fugir para algum lugar. De repente, tudo não passava de um borrão. Escutei uma risada feminina e um baque. Apertei os olhos, sendo domada por uma dor de cabeça insurportável.
– Karin-chan?
Abri os olhos, piscando varias vezes na tentativa de me acostumar com a claridade. Olhos azuis claros me encaravam curiosos e risonhos.
– Rangiku-san…?
Ela sorriu largamente, se sentando na cadeira. Espera aí. Cadeira? Olhei ao redor, percebendo que eu estava na cozinha. Desta vez, tinham três cadeiras. Uma na extremidade e duas nas laterais, uma de frente para outra. Com o canto do olho, percebi um movimento na mesa. Rangiku-san se servia de uma porção de arroz branco e pedaços de peixe frito. Do lado do prato dela, tinha um pratinho com um molho preto. Provavelmente, era o shoyo. Parando de se servir me encarou risonha, sorrindo maliciosa.
– O que é isso, Karin-chan?
Ela apontou para a minha orelha. Confusa, tateei o local. Escutei um risinho atrás de mim, a medida que sentia minha orelha molhada.
– Algum problema com sua orelha, Kurosaki?
Chiei de susto ao sentir a respiração morna em meu pescoço. Escutei outro risinho, e um prato de sopa foi colocado na minha frente.
– Coma tudo.
Ele se afastou, indo se sentar na cadeira da extremidade. Rangiku-san comia em silêncio. Ela pareceria uma pessoa inocente, se nao fosse pelo largo sorriso malicioso que estava estampado em seus labios. Estreitei o olhar. Ela estava planejando algo.
– Algum problema com a comida, Kurosaki? Ou quer que eu faça como da outra vez?
Arregalei os olhos, o fitando. Um sorriso debochado brincava no canto de seus labios, enquanto ele se servia de mais arroz.
– N-não!
Encarei os legumes que boiavam. Aquilo era uma sopa ou uma poção feita por uma bruxa? Um tanto hesitante, peguei a colher.
– Karin-chan.
Levantei o olhar desaminada.
– hum?
– Você não se incomoda de jantar assim?
Gesticulou para as roupas negras que vestia e arregalei os olhos. Mais que merda! O roupão! Na extremidade da mesa escutei um risinho e um calor rendeu meu rosto, ficando quente e vermelho. baixei o olhar para sopa, xingando esse chibi pervertido (se bem que ele é mais alto que eu)
– Não tem problema, Matsumoto. Kurosaki está usando uma camisola por debaixo do roupão. Ela acha melhor, não é mesmo Kurosaki?
A voz maliciosa soou pela cozinha de um jeito, como se dissesse “Você está nua usando meu roupão…” Meu rubor aumentou e enchi a colher com um pouco da sopa, levando aos lábios enquanto assentia. Procurei não imaginar que ele usava também essa roupa.
– Ah, eu devia ter feito isso também. Vocês demoraram tanto lá em cima, falando nisso Karin-chan o quarto do Taichou estava muito quente não acha?
Espiei a ruiva. Os olhos azuis inocentes mas o sorriso malicioso. Me entalei com a sopa.
– Do que você está falando?
Pegando um punhado de arroz com os hashis, ela me olhou mais inocente.
– Você sabe, abafado… Está meio suada sabia?
Cuspi a sopa, melando meu queixo e a parte da mesa. A chuva de comida só não a molhou porque essa ruiva indiscreta e maliciosa sumiu da cadeira. Ainda tossindo escutei um risinho. Que odio!
– Matsumoto…
Olhei para a extremidade da mesa. Toushirou tinha parado de comer. Ao lado dele a tenente estava de pé segurando sua tigela. Me confundi com sua expressão, era séria.
– Kurosaki não é igual as outras. Só está aqui como hospede. Entendeu?
A encarou atravessado e me arrepiei com aquele olhar. Quase saía faíscas de tanta raiva neles.
– Não a desrespeite.
A tenente se entalou, estremecendo de medo. Eu também estava igual. Era a primeira vez que via Toushirou falar assim…
– H-hai, taichou.
Num borrão ela sumiu e apareceu quieta e sentada na cadeira. Voltei a comer minha sopa, pensando no dia que apareci em Soul Society, quando Toushirou me salvou e cortou aquele nojento. Realmente… tinha um bom motivo para todo mundo ter medo dele.
P.O.V Karin Off
P.O.V Toushirou On
Karin encarava seu prato, comendo silenciosamente assim como Matsumoto. Sorri satisfeito, mas de modo que elas não percebessem. Já estava ficando irritado com as indiretas de Matsumoto. Eu gostei de ver Karin envergonhada e encabulada, mas já estava ficando um incomodo. Terminei de comer rapidamente, absorto em meus pensamentos sobre a zampakutou de Karin. E pensar que ela sem treino algum, conseguiu algo que muitos demoram anos para conseguir. Mas o que a teria levado a fazer com que a espada se materalizasse? Ponderei sobre isso por um bom tempo, não percebendo que as duas me observavam curiosas.
– Taichou o senhor…
– Matsumoto, ajude Kurosaki a tirar a mesa.
Cortei-a antes que ela me fizesse um interrogatório. Me levantei e saí da cozinha, sentindo o olhar de Karin queimar sobre mim. Sorri de canto, subindo o lance de escadas e indo para o meu quarto. Ela parecia uma boneca de porcelana que se pode quebrar ao minimo toque. Todavia… Observei as queimaduras nas paredes e no chão do meu quarto. Ela tinha um poder um tanto perigoso para alguém de aparência frágil como ela. Fechei a porta com o pé, indo me sentar na cama. E isso, de certa forma, me cativava. Era engraçado o modo que ela ficava corada e encabulada quando tínhamos um toque mais ousado. Quando a vi usando aquele vestido curto, eu quase não consegui me controlar. Eu apenas queria rasgar aquele vestido do seu corpo e tirar sua pureza. Mas me contive, apenas rasgando e queimando o vestido. Deixando-a apenas de roupão. Oh, aquela foi certamente umas das melhores vistas. A pele pálida e macia, os seios medianos, a cintura fina, a bunda mediana e firme. E as pernas? As coxas eram firmes e as pernas torneadas devido aos vários anos de futebol. De imediato, as imaginei enroscadas em meu quadril, me apertando...
– Taichou?!
Arregalei os olhos, piscando varias vezes e encarando o rosto da minha tenente que estava na minha frente.
– O que quer, Matsumoto?
Suspirei irritado, me recuperando do susto inicial. Ela piscou varias vezes, franzindo o cenho em seguida.
– Ora, eu estou te chamando faz um tempo e o senhor estava encarando o nada com um sorriso no rosto… o senhor está bem?
Arquei uma sobrancelha. Eu estava fazendo o que? Um sorriso malicioso brotou nos lábios da ruiva, enquanto ela se inclinava mais para frente fazendo com que os seios praticamente saltassem para minha cara.
– Será que o senhor estava pensando em Karin-chan? Oh, que feio! Não se pode ter desejos obscuros por alguém que tem medo do senh--
Ela se calou, arregalando os olhos e colocando uma mão na boca. Estreitei o olhar, ficando cada vez mais furioso.
– Medo de quem, Matsumoto?
Ela começou a ficar pálida, sorrindo sem graça.
– Medo de ninguém, Taichou… Tenho que ir dormir!
Ela sumiu no shunpo e senti sua reiatsu se deslocar para a sala. Apertei os punhos, fechando os olhos em seguida.
– Matsumoto!
Escutei um chiado e a reiatsu da Kurosaki estremeceu. Abri os olhos, encarando a figura feminina na porta. Ela olhava para o chão, torcendo os dedos e apertando os lábios. Parecia insegura de algo. Suspirei entediado, esticando as pernas para frente.
– Diga.
Ela prendeu a respiração por alguns segundos e depois a soltou devagar. Argh, que irritante! A encarei de soslaio, já visivelmente irritado. Karin engoliu em seco, mordendo o lábio inferior em seguida.
– O-onde eu v-vou dormir?
A voz dela saiu fraca e hesitante. Franzi o cenho. Ela me encarou por alguns segundos e depois desviou o olhar. Suspirei mais uma vez, entendo.
– Aqui. Os outros quartos não estão arrumados.
Me levantei em um salto, saindo do quarto e passando por ela sem dizer nada. Desci as escadas e fui para sala. Matsumoto estava esparramada no sofá, bebericando alguma garrafa de sake que ela achou na geladeira. Percebendo minha presença, ela sorriu amarelo e se levantou lentamente. Como se temesse que eu a fosse devora-la a qualquer instante. E de fato, eu queria destroçar a mulher. Ela, percebendo meu humor, subiu rapidamente o lance de escadas me deixando finalmente sozinho. Suspirei irritado, me jogando no sofá e encarando o teto. Kurosaki tinha medo de mim, isso eu já tinha notado. Entretanto, não cogitava que ela tinha tanto medo ao ponto de não conseguir falar comigo sem lacrimejar. Estiquei o braço, tateando a mesa até encontrar a garrafa de vidro e a levando a boca. O liquido alcoólico desceu pela minha garganta, a arranhando e estabelecendo um calor confortante em meu corpo. Aquilo estava se tornando… cansativo. Não queria deixa-la com medo de mim, apenas assusta-la. Já fazem dias desde que chegou e ela, ainda, tinha a mesma reação. Pânico. Mal sabe ela o quanto posso ser perigoso. Quase ri.
– Garota inocente.
O divertimento sumiu, dando lugar para a raiva acumulada. Me irritava o fato de que se eu apenas encostar nela, ela estremece. No entanto… Isso era de certa forma, minha culpa. Bebi mais um gole da garrafa de sake, deixando-a pela metade. Minha mente já começava a ficar mais leve assim como meu corpo. Me reclinei no sofá, relaxando e parei de beber um pouco. Minha mente vagou para aquele dia…
Flashback on
– Com licença. Sou Takezoe Koukichirou, 7º oficial do 10º Bantai. O capitão Hitsugaya e tenente Matsumoto estão?
A voz abafada pela porta se pronunciou. Estreitei o olhar. O que esse oficial queria?
– O que foi? Abra a porta.
A reiatsu no corredor sequer estremeceu. Isso me confundiu. Matsumoto que estava jogada no sofá, (ela dormia sonhando com Ichimaru, repetiu o nome varias vezes) se remexeu, mas não acordou. A porta deslizou para o lado e encarei o sujeito ajoelhado no chão.
– Mil perdoes, por interrompê-lo, capitão. — ergueu o olhar — Momentos atrás recebemos noticias que o shinigami responsável pela cidade de Karakura foi atacado. O mesmo tipo de ataque nos últimos cinco anos.
Me levantei da cadeira. Finalmente uma pista.
– Me leve até o local. E é bom que está certo dessa vez Takezoe.
Um sorriso presunçoso se abriu. Me irritando.
– Claro, Taichou.
Saímos do gabinete, saltando no shunpo no instante que saímos do prédio. Takezoe estava muito arrogante para meu gosto. Soube que me desobedeceu semana passada e ainda havia o boato de assediar as recrutas… Isso realmente me irritava. Surgimos diante do Seikamon oficial e ao atravessarmos, correndo pelo tunel escuro de Dangai notei algo estranho. O shinigami não carregava sua zanpakutou e ainda havia um odor forte e nojento… Como se tivesse uma carcaça há dias por aqui. O que não tinha lógica, só havia ossos e ainda assim velhos. De repente, o som de staccato ecoou enquanto o portal se abria e aquela luz branca apareceu. Saltamos para o céu de Karakura e paramos no ar. Debaixo de nós um complexo de prédios se estendia. No entanto, não vi um sinal de luta. Os céus estrondaram, carregados de nuvens negras e o vento soprava forte. Suspirei irritado. Não precisei verificar em volta, vir aqui foi completa perda de tempo. Fechei os olhos, escutando o vento enlouquecer mais. O barulho de aço deslizando me fez estranhar. De repente, senti uma pontada em meu ombro direito e uma risada um tanto rouca. Abri os olhos e sumi no shunpo, reaparecendo alguns metros acima. Vi um movimento a minha esquerda e me joguei para o lado, sacando a espada a tempo de ver a lamina da outra alguns centímetros acima da minha cabeça. Sumi novamente no shunpo, aparecendo atrás do sujeito e desferindo um golpe diagonal em suas pernas.
– Não acha que está usando o shunpo demais, Taichou?
A voz sarcástica sumiu junto com o vulto a minha frente. Ele se movia rapidamente, não me dando muito tempo para raciocinar. Contudo, pela voz, percebi quem era. Takezoe.
Escutei um zunido atrás de mim e me abaixei. Um estrondo rimbombou alguns metros abaixo. Provavelmente era algum prédio caindo aos pedaços, e isso era mal. Muito mal. Os habitantes de Karakura nao podiam ser vitimas dessa luta, em um certo modo, futil. E ainda vão descontar do meu salário. Tsk. Isso apenas me irritou. Um riso ironico me fez olhar para direita, avistando esse shinigami covarde flutuando alguns metros abaixo.
– Nao acha melhor parar, Takezoe? Ou não gosta de viver?
Ele soltou uma risada, o som de piada aumentando essa raiva. Apertei os dentes, respirando fundo enquanto esse idiota desgraçado continuava se entalando nas risadas. Gostando da minha raiva.
– Eu não tenho medo de você, moleque.
Maldito de merda!
Rangendo os dentes, tomei impulso sumindo e um zunido de aço cortou o ar. Sangue respingou em meu rosto, nas minhas roupas e um berro de dor ecoou, me fazendo sorrir. Quem é o moleque agora? Um talho abria jorrando sangue desde seu pescoço até a cintura. Antes que reagisse girei acertando a perna em seu ombro, sentindo os ossos afundando e quebrando. Ele foi atirado para a avenida caindo num estrondo. Poeira levantou enquanto o concreto e asfalto quebravam. Arfei de raiva e gostando ao mesmo tempo. Ia fazer ele engolir as risadas. Se há algo que odeio é que riem de mim. Me joguei sumindo no shunpo. Antes que caísse em cima dele, o covarde sumiu e aproveitei o movimento e tomei o impulso, indo atras dele. O vento aumentou e então os trovões estouraram iluminando esse bairro deserto. Num clarão, um raio caiu a minha frente e desviei girando e firmei um pé no ar, derrapando e balancei a espada. A pressão de ar do golpe destruiu os postes uma parede de um predio. Ouvi um grito e soltei um riso. Correndo atrás dele sobre os escombros e me sentindo encharcar com a chuva finalmente entendi. O desgraçado não era um shinigami. O fedor de carcaça impregnava o ar. Percebi que ele corria para um lugar afastado, um campo.
Bem, acho que vou me divertir caçando esse monstro.
Flashback off
Suspirei. Isso foi há dias atrás. Mais tarde encontrei Karin correndo na chuva. Provocante e medrosa naquele uniforme escolar todo molhado. Relaxado pelo alcool pensei nessa garota, em como já estava me perturbando de raiva e luxuria. Ela seria uma boa shinigami se não fosse esse pânico. Aquele dia foi de fato de suspresas. O caso de espiritos e shinigamis devorados acabou quando destruí o maldito e Karin e eu nós vimos frente a frente depois de anos. Sendo realista. Eu vi essa pirralha crescer e se tornar garota desejavel que é agora. E também assisti os humanos cretinos a agredirem. Poderia ter intervido é claro, mas estava sendo vigiado, havia causado muitas mortes colaterais na Batalha de Inverno, o Soutaichou tinha espioes controlando meus passos. Karin tem potencial para ser grande, se não fosse irritante esse medo agora estariam ocupados na minha cama. Matsumoto não se importa. Arght. Tenho que parar de pensar em sexo por um momento e pensar no que é importante. Aquele dia, o hollow durante a batalha deixou escapar uma coisa importante e pretendia descobrir.
Continua...
Fale com o autor