Sádico Capitão
10 Perigo Encantador
Notas iniciais
Karin dormia tranquilamente, até o momento em que acordou com um sopro em sua orelha. Gritou tao alto que ficou surpresa que a janela não se partiu em milhares de pedacinhos. Escutou um riso contido e suspirou irritada, fuzilando Toushirou com o olhar. Ele estava encostado na batente, vestindo seu shuhakushou e a fitando com um ar de provocação.
— Bom dia, Kurosaki. Daqui exatamente 5 minutos, você não poderá mais entrar na academia por hoje.
— Ai, não!
A garota começou a entrar em desespero. Pulou da cama jogando longe o cobertor. Toushirou assistindo da porta sorria do seu jeito atrapalhado em tirar o pijama e colocar o uniforme, sem no entanto, ficar nua.
— Maneira interessante de se trocar.
Karin engoliu seco, o rosto quente ao tirar a calça de dormir por dentro do hakama.
— Ca..cala a boca!
Já pronta, rápido arrumou o cabelo e se calçou. Restava agora seus pertencentes. Procurava sua mochila e a zanpakutou embainhada, (já que tinha uma precisava levar) até que sentiu o vento se deslocar atrás de si e lábios cobriram sua orelha, enquanto um braço se enroscava em sua cintura.
— Que tal eu te ajudar a chegar mais cedo?
— N-n-não. Eu consigo sozinha.
Se remexeu incomodada, dando umas cotovelas nele que fingia não sentir. O riso baixo e abafado arrepiou toda sua pele e quase gemeu. Como sentiu ódio de si mesma. Os lábios mornos roçando e os dentes a mordicarem no lobulo derretiam seu cérebro.
— Eu acho… — ele fez um barulho, parecia um ronrono — Que você não dá conta Karin.
Arfou surpresa e então ele agarrou sua cintura, apertando e a levantou. Soltou um gritinho quando Toushirou a jogou no ar girando para ele e pegou, ainda segurando-a no alto. Ele riu quando berrou mais apavorada.
— Para com isso ! Me larga!
Os olhos verdes ficaram mais debochados com seu esperneio.
— Como é mal agradecida. Estou te fazendo um favor.
— O que?!
Sorriu descarado e reparou nos lábios dele. Bem feitos, desenhados e... Espera! Ele ia levá-la como? Arregalou os olhos ao entender.
— Não! Por favor!
— Tarde demais.
Sem o melhor cuidado a jogou no ombro direito, tirando o seu ar com o choque desse com seu estomago. Pra completar, recebeu um tampinha nas nádegas. Seu rosto queimou de tão vermelho.
— Me solte! Seu tarado, sem-vergonha, safado…!
— Hum… safado? Você ainda nem sabe como sou bonequinha, mas vamos deixar isso para depois.
Ele se virou para a porta e tudo virou borrão. O vento bagunçava seus cabelos e contra vontade se agarrou no quimono dele. Foi nesses momentos que reparou. Toushirou estava sem o haori e cadê a zanpakutou? De repente, o sentiu saltar e o borrão não era mais verde. Deviam ter entrado na cidade. Mal cogitou isso e o vento parou. O ambiente ao redor era branco e de concreto. A rua estreita de pedra. Foi rápido. Antes que olhasse mais em volta, mãos a seguraram na cintura num aperto forte. A descendo demorada e roçando no corpo dele Toushirou fazia questão de deixar seu folego soprando bem perto do seu pescoço, podia até dizer que estava sorrindo enquanto que ela, tinha os joelhos moles como gelatina.
Seu rosto queimou ao sentir o chão sob os seus pés. Não havia ninguém na rua, muito menos no imenso patio de pedra atrás de si. Graças à Kami.
— A..arigatou. Agora pode me soltar?
Ouviu o sorriso aumentar junto aos dedos em sua cintura a apertarem mais. Droga! Seu nervosismo aumentava a cada segundo enquanto encarava a gola da blusa dele. Já preparava um bom chute numa canela dele quando finalmente Toushirou a soltou. A leve lufada de ar com o shunpo a fez levantar o rosto. Ele tinha sumido e logo o sinal tocou. Correu entrando no patio usando essa técnica até alcançar o campus. Shunpo era a única técnica que era boa. Fugas do um certo capitão hentai com quem dividia o mesmo teto. Adentrou o prédio e seguiu direto para sua sala.
Como ao entrar todos da sua turma a olhavam de soslaio e… Desprezo. Os cochichos ainda eram os mesmos.
— Olha a protegida do Capitão.
— Queria saber como é dividir a casa com ele.
A voz dessa garota ronronou. Karin andou mais rápido até sua fileira, abraçando sua mochila e procurou seu lugar. No entanto, ao se sentar nele as pessoas continuaram. O tom irônico parecia destilar veneno pelas palavras atrás dela.
— Soube que é irmã daquele shinigami daikou. Não tem nenhum poder.
Risadas abafadas. Estremeceu de raiva sentindo os olhos arderem.
— Silêncio, por favor.
Piscou rápido controlando. Ela não faria aquele vexame do primeiro dia. Enquanto pegava os cadernos junto com o pincel e a tinta, lembrou daquele rapaz. Pousou seu olhar na primeira fila, procurando por um cabelo cor limão. O encontrou. O rapaz estava na parte da janela, sentado de qualquer jeito e batucando os dedos na mesa. Os olhos esverdeados olhavam com tédio e deboche o professor que explicava as técnicas de cura. Talvez ele percebera que alguém o fitava, pois ele virou sua cabeça para trás e os olhos verdes encontraram aqueles negros. As bochechas de Karin queimaram e ele esboçou um sorriso, movimentando os lábios em um silencioso bom dia. A Kurosaki sorriu envergonhada, abaixando a cabeça para a sua folha branca. Que vergonha! Ele a tinha pego olhando-o. O que ele pensaria de si? Talvez que era uma maníaca ou... Suspirou. Não, não achava que ele pensaria aquilo. Se lembrou do primeiro dia, quando ele a salvara. Rabiscou algumas anotações em sua folha e olhou para fora da janela.
Flashback on
Não era um dia ensolarado, o céu estava cinzento e ameaçava chover. Estava nervosa e sem querer, na entrada da academia, acabara esbarrando em uma loira. O material das duas voou pelos ares e o vento arrastou algumas folhas para longe. A loira devia ser uma nobre, já que quando a viu fez uma careta.
— Quem é você, pirralha?
A Kurosaki estava abaixada no chão, recolhendo as suas coisas e as dela. Apertou os lábios, se controlando. Odiava que a chamassem de pirralha.
— Kurosaki Karin, prazer em conhece-la.
Karin se levantou, estendendo a mão. A loura olhou com nojo para a mão de Karin.
— Eu não tenho muito o prazer de conhecer uma plebeia como você- ela empinou o nariz- você cheira mal.
Franziu o cenho. Que mentira! Tinha ficado uma boa hora se lavando, era impossível que estava cheirando mal.
— Mas eu tomei banho.
A outra soltou um riso, os lábios finos desenhados em um sorriso sarcástico.
— Não é aquilo que seu cabelo diz. Olha só essas pontas duplas! Ressecado. Aposto que você deve morar com um velho em Rukongai.
A imagem do capitão de gelo com uma bengala passou pela mente de Karin, que solto uma pequena risada.
— Com certeza o Toushirou é muito mais velho que eu, mas não acho que se parece com um velho. Mas se formos por idade, você também é uma velha.
As palavras pronunciadas inocentemente, pareciam mais eficaz do que qualquer veneno. A garota nobre fechou a cara.
— Quem você acha que eu sou?!
A loira levanto uma mão, pronta a desferir um tapa no rosto da Karin. Contudo, a morena sumiu no shunpo, aparecendo atrás da outra.
— Não me interessa.
Já que ela tinha se inclinado demais para tentar desferir o tapa, foi fácil para Karin empurra-la e faze-la se desequilibrar e cair de cara no chão. Foi quando notou que outros alunos observavam a discussão entre as duas. A reiatsu da garota no chão aumentou consideravelmente e Karin só viu uma bola avermelhada passar de raspão em seu rosto. Sua bochecha levemente ardendo do projetil. Essa garota… tinha mesmo lançando aquilo nela?!
—Como ousa me jogar no chão?
Os olhos esverdeados a encaravam com raiva e um outro encanto era conjurado. Arregalou os olhos, sumindo do shunpo e escapando de ter sua cabeça explodida. Reapareceu um pouco mais longe, no meio de alguns garotos. A loira, em questão de segundos, estava na frente dela já com a enorme massa espiritual vermelha em uma mão. Foi quando ele apareceu. Um braço se enroscou na cintura de Karin, puxando-a e desviando do ataque. Karin olhou para cima, vendo fios loiros e olhos esverdeados encara-la com um certo divertimento.
— Controle-se, Onee-san!
A outra arregalou os olhos para o rapaz atrás da morena, apertando os punhos.
— Mas...
— Mas nada, nee-san! Se não parar imediatamente, irei contar para o Otou-san.
O sinal tocou naquele momento e os olhos verdes da garota brilhavam de raiva.
— Tsc, você venceu dessa vez... plebeia.
E ela sumiu.
Flashback off
E foi assim que fora salva por aquele garoto. Após aquilo, ele ajudou-a com o material e mostrou-lhe a escola. Suspirou derretida. Uma coisa ela tinha que admitir: ele era muito lindo. A pele dele era morena, e isso era um grande contraste com o cabelo claro. Os olhos esverdeados sempre olhavam-na enigmáticos e ela gostava disso. Ele tinha um bom físico –constatou isso quando no primeiro dia, na saída, chovera e a roupa dele ficara colada, mostrando uma boa parte de seu abdome. E o loiro era também... sua linha de pensamento foi interrompida com um sonoro baque em sua mesa.
— Kurosaki, posso saber para o que tanto suspira derretida? Com toda a certeza, não para a minha explicação de como um hadou pode causar estragos não é?
Levantou o olhar para o professor que a encarava com um misto de desgosto e severidade. Engoliu em seco, suas mãos tremendo de leve.
— Perdão, sensei?
O olhar do homem se estreitou mais severo, causando risadinhas ao seu redor. Suas bochechas queimaram de vergonha.
— Como foi matriculada por alguém importante espero que saiba aproveitar melhor a oportunidade, Kurosaki.
— H-hai.
As risadinhas aumentaram, contribuindo em seu desconforto. Encarando suas mãos tremulas ouviu o professor voltando para a lousa, continuando a explicação que mal ouvia devido as conversas desses nobres.
— Garota idiota
— Você notou? Ela não tirava os olhos de Tabako
— Bem feito para ela
Cerrou os dentes, o rubor aumentando com as chacotas. Sabia muito bem que Satokan Tabako e ela viviam em “mundos” diferentes. Ela não era uma idiota. Em apenas uma semana soube do poder que os nobres têm naquela instituição e Tabako era uma exceção dentre esses arrogantes. Ele a tratava amavelmente com sorrisos e até a cumprimentava na frente de todos, mas… não passava de um colega. Até porque, dúzias de garotas corriam atrás dele todos os dias! Lindas princesas da nobreza. Não havia como competir com isso.
Suspirou amuada, erguendo os olhos no instante que um origami caiu pousando suave na sua mesa. Olhou ao redor espantada, todos os alunos assistindo o professor explicando uma sequência básica de primeiro — socorros. Pegando cautelosa, disfarçou trazendo as mãos para debaixo da mesa (não queria que seu colega atrás olhasse). O papelzinho estava dobrado em forma de cegonha e devagar o abriu, esticando bem para ler a mensagem.
“Não se importe com esse Oyaji. Eu também não entendi nada do que ele estava falando.
Satokan”
Arfou de leve e levantou o olhar. O rapaz a encarava voltado na sua direção, apoiando uma mão no queixo. Quando seus olhos se cruzaram um lento sorriso se abriu nos labios dele, causando um calorzinho no seu peito e Tabako-kun piscou, completando uma risadinha descontraída. Nem é preciso dizer que seu rosto estava mais vermelho que um tomate. Maldita palidez.
Quando o nobre se ajeitou na carteira, ela rapidamente guardou o bilhetinho entre as folhas do seu caderno. Seria o seu segredo.
[…]
As palavras do professor eram como um sonífero, ou talvez pior. Cruzou os braços sobre a mesa, tentando não dormir assim como muitos de seus colegas. O que tinha de tão importante em saber sobre os capitães? Ela morava com um e sabia o bastante para entender como eles são impressionantes. Em termos de poderes, porque de comportamento Toushirou era uma negação e intimidante ao extremo. Não era necessária uma matéria inteira sobre tal assunto.
— E agora vamos falar sobre o 10° esquadrão e seus líderes— Anunciou o velho.
Karin sentiu uma vontade enorme de bater a cabeça na parede ao seu lado, ou na sua mesa. Todavia, um riso atrás de si desconcentrou-a de seu pensamento suicida. Inclinou o rosto, conseguindo ver pelo canto do olho uma garota morena. Qual era mesmo o nome dela?
— O que tá olhando garota?
Desviou sua atenção para a garota ao lado da morena.
— Hey, eu perguntei o que você esta olhando!
Koro… Moro… Nakoro! Era esse o nome da morena, por aquilo que se lembrava. E a ruiva? Tentava se lembrar da hora da chamada, todavia so conseguia se lembrar de poucos nomes e rostos.
— Ficou encantada, garota?
— Porque tem sempre que ter uma nojenta na turma?— Arregalou os olhos ao perceber que tinha pensado alto—, n-não foi isso que eu quis dizer!
A morena se debruçou na mesa com o rosto vermelho de raiva. A ruiva agarrou as vestes dela, impedindo-a de se movimentar.
— Solte-me Sizuka! Eu vou mostrar o que é nojento para essa pirralha…
Uma veia saltou no topo da testa de Karin, que rangeu os dentes.
— Pi...pirralha? Eu vou te mostrar quem é pirralha.
Se levantou da cadeira esquecendo que estavam em aula ao mesmo que a morena se levantou também.
— Nakoro, calma!
A morena ignorou a amiga, sorrindo debochado para Karin. A sobrancelha arqueada.
— Me bata e será expulsa. — estreitou o olhar, sussurrando — Pirralha prostituta do capitão.
O..o que? Por um segundo todo ficou lento e devagar ao redor, as risadinhas baixas e cinicas da morena e a amiga. O olhar malicioso que lhe davam. Os lábios da garota odiosa se moveram bem lentamente formando e repetindo uma palavra.
“Prostituta”
Seu coração martelou na garganta e sua raiva explodiu. Subiu em cima da mesa da garota ignorando seus olhos arregalados e deu um bote com uma mão. Queria agarrar e arrancar os cabelos dela junto com o sorriso.
— Para, sua imunda!
Imunda?! Se jogou em cima dela caindo no chão derrubando cadeira e a mesa. Seus braços e costelas doeram, devia ter batido numa cadeira, de qualquer modo tudo o que queria era bater nessa…. cadela? Sim, era uma cadela! Enxergava tudo embasado pelas lagrimas. Que droga, ainda chorava.
— Saia de mim!
— Kurosaki! Kurosaki Karin!
A garota começou a espernear, dando tapas e a arranhando, seu cabelo foi puxado e vagamente ouvia gritos. Era o professor?
— Kurosaki, pare agora mesmo!
Prendeu o folego, paralisada pelo grito e a tal Nakoro aproveitou. Bateu o punho fechado no seu pulso lhe dando um choque de dor. Seus dedos largaram talvez a gola das blusas dela e em seguida alguém a segurou pelos ombros, levantando-a de qualquer jeito.
Desnorteada observou todos ao seu redor a encararem pasmos. Ouviu um riso atras de si, riso que poderia reconhecer em qualquer lugar.
— Guarde suas garras, Kurosaki. Não está em casa.
Congelou.
Uma energia pulsava pela sala acompanhada da leve sensação congelante, literalmente no ar. Trêmula viu nos rostos de cada um a surpresa chocada para a pessoa que lhe segurava por trás.
Apesar do riso, Karin sabia que o intruso estava irritado. Afinal deve ter interrompido uma das pegações com a Tenente insurportável.
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