Ryudan - a História de Um Herói
1 Capítulo 1 - A Noite Mais Fria
Estava mais escuro naquela noite. O ar estava diferente. Mais denso, talvez... O frio tomava conta de Prontera.
- Não estou gostando nada desse eclipse... — Disse um Mercador que fechava sua loja. As pessoas ao redor tremeram à menção da palavra, mas nada disseram.
O eclipse lunar não podia mencionar outra coisa: Hati estava obtendo êxito em seu objetivo — devorar a Lua. Com a missão cumprida, Skoll, perseguidor do Sol, alcançaria também o seu, desencadeando o cataclismo. Em desequilíbrio, o Universo treme, soltando os monstros que uma vez foram presos pelos Aesir, que por sua vez irão causar o Ragnarök.
Os mais jovens mantinham a fé, e ficavam fazendo barulhos com panelas e gritos, na vã tentativa de assutar a fera mística. Com exceção de um. Um rapaz de apenas 14 anos. Seu nome era Ryudan. Na manhã do dia seguinte, ele completaria 15 anos, e poderia ir para um centro de treinamento, cedido pelo rei, Tristan III, e se tornar um aprendiz, para escolher uma vocação mais tarde. Mas Ruydan estava desanimado. Aquela deveria ser uma noite de nervosismo, excitação, mas toda a vila estava preocupada com o eclipse, inclusive sua família.
A noite estava fria, e Ryudan adormeceu em sua cama, horas antes do resto da cidade.
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O dia amanheceu tranquilo. Para o alívio dos cidadãos, o eclipse solar não tinha se mostrado. Ryudan acordou cedo, nervoso. Seus familiares, que praticamente passaram a noite em claro, estavam dormindo. Ele resolveu ir até a casa de sua namorada, Nya, para se despedir.
- Ah, Ryu... Me parte o coração, mas você tem mesmo que ir... É um homem agora, e tem que assumir seus deveres...
- Nya... Prometo te visitar sempre que possível. Assim que cumprir meu treinamento, voltarei para nos casarmos.
- E eu estarei te esperando, meu amor.
Eles se beijaram, e Ryudan partiu para cumprir seu destino. Porém, não sabia ele que ficaria muito tempo sem ver sua amada, o que causou muito sofrimento para ele no futuro... Mas também não sabia da grandiosidade de seu destino.
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Chegando ao centro de treinamento, Ryudan entrou sem hesitar e foi falar com um balconista:
- Olá, com licença... Gostaria de me inscrever para o treinamento.
- Ah, sim... Preciso do seu nome e idade, inicialmente.
- Meu nome é Ryudan Mairt, e tenho 15 anos.
- Pode me mostrar a autorização de seus pais, por favor?
E assim se seguiu a inscrição. Tudo ocorreu bem. Os dormitórios foram apresentados, Ryudan conheceu seus colegas de treinamento, e tirou o primeiro dia para descansar.
No dia seguinte, os aprendizes foram tirados da cama para uma aula de combate. O novo aprendiz se levantou calmamente, foi até a sala e tentou prestar o máximo de atenção. Foram apresentadas características básicas de combates, para monstros mais serenos, e ele se saiu bem. Gostou da aula, embora esperasse muito as aulas práticas, onde ele sacaria sua espada e se defenderia de ameaças mortais. Claro, isso era o que ele imaginava. O verdadeiro teste, que veio apenas alguns dias após o início do treinamento, se tratava apenas de atacar e se defender de alguns monstros fracos com uma faca. Não foi tedioso, e Ryudan se saiu bem, mas foi menos do que ele esperava. A ansiedade existia em grande escala dentro do garoto.
Mês após mês, a dedicação do nosso conhecido aprendiz fez jus aos resultados obtidos. Era o melhor aprendiz, melhor até que os mais experientes. Mas não estava satisfeito. Tudo tinha sido muito \"fácil\" para ele, e ele queria mais. Foi quando chegou ao seu instrutor e disse:
- Senhor, acho que quero escolher minha vocação.
Para espanto do jovem, o instrutor parecia já saber da decisão, e não criticou a atitude.
- Ryudan, eu consigo ver o fogo no seu olhar. A busca por aventuras. Creio que você compreende a seriedade e a importância da sua escolha para sua vida, correto?
- Sim, senhor, sei disso... Ainda não sei que vocação escolher, mas me sinto pronto.
- Então passe mais esta noite conosco. Faremos um banquete em homenagem a sua escolha, e amanhã você pode se dirigir para Prontera. Estou muito orgulhoso, rapaz.
A festa foi até tarde. Sinal que os outros aprendizes teriam que ralar amanhã, mas Ryudan não ligou, apenas curtiu seu último dia como aprendiz, e foi dormir...
De repente, o aprendiz se viu numa sala branca, onde havia um círculo luminescente e ofuscante, que estava no centro. Uma voz parecia vir da fenda que estava no meio do ar, e retumbava:
- Ryudan Mairt, filho de Oiregor, o Fazendeiro, tenho uma mensagem para você.
O jovem aprendiz ficou calado, extremamente assustado. A voz continuou:
- Você é protegido pelos deuses. Seu destino é grandioso. Juntar-se-á à nós, e mudará o rumo da História.
Perplexo, o jovem nada disse. Apenas olhou para a estranha fonte de luz com olhos atentos e confusos ao mesmo tempo.
- Acorde. Acorde, Ryudan. Ryu, você irá se atrasar...
A imagem da sala foi ficando distante e esbranquiçada. O garoto acordou num pulo, e se viu sendo cutucado por um colega.
- Anda, Ryu! Você tem que ir pra Prontera escolher sua classe!
Atoradoado pelo sonho bizarro da noite passada, o rapaz foi todo desengonçado para o centro da capital. Já tinha feito sua escolha. Já sabia o que se tornaria.
Como aprendiz, Ryudan nunca valorizou muito o poder em si. Quem possui o poder? A força? Agora ele entendia. Agora ele acreditava no poder divino, na força dos deuses, e se juntaria a eles como pedira a estranha voz em seu sonho: se tornaria um noviço.
Chegou na capital e nem pensou em visitar sua família. Foi para a casa de sua namorada, Nya Kiru, mas ela havia partido para a cidade vizinha, Payon, na Grande Floresta. Sendo assim, o jovem partiu para a Catedral de Prontera, onde falaria com o Bispo Tomas Cerbantes, que seria seu novo Mestre.
Ryudan foi apressadamente. Tão apressado que não notou as pessoas tristes e agitadas. Tão apressado que não notou o eclipse solar que estava começando. Skoll também estava perto de devorar o Sol. A batalha final chegaria logo.
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