Ryudan - a História de Um Herói
2 Capítulo 2 - O Fim do Começo
- Então, você quer se tornar um seguidor dos deuses? — Disse o Bispo.
- Não tenho dúvidas quanto a isso.
- Gosto do seu jeito, rapaz. Vejo a determinação emanando em sua alma. Bom, procure nosso querido amigo, o Irmão Simão, em frente a Abadia de Santa Capitolina, e depois retorne. Essa é sua missão.
E assim partiu o aprendiz determinado. O eclipse solar ainda estava em seu começo, mas ele nem notou. O Bispo também notou, devido às grossas paredes de mármore da Catedral. Ryudan apenas rumou ao norte de prontera, onde sairia pelo Castelo, passaria pelo Feudo e se embrenharia pela mata até encontrar a Abadia. Chegando ao Castelo de Prontera, Ryudan não pode deixar de notar os defensores dele: Templários. São guerreiros que lutarão na Guerra Santa. Será que ele havia feito a escolha errada? Seu destino era servir prontamente ao mundo em que vive e aos deuses ou carregar uma pesada armadura e combater em nome do divino? Não, ele estava certo. Agiu com o coração, e era um Noviço que ele queria se tornar. O primeiro Templário o parou:
- Alto! Quem vem lá?
- Ryudan Mairt, filho de Oiregor, o Fazendeiro.
- O que faz um filho de fazendeiro cruzando as fronteiras da cidade?
- Estou indo para a Abadia de Santa Capitolina, para me tornar um Noviço.
- Ah, sem problemas. Pode passar. Mas, amigo...
E o Templário fez um sinal para que o aprendiz se aproximasse, e cochichou em seu ouvido:
- Saindo daquela porta, há um Mercenário escondido. Eles são peritos em esconderijo, praticamente desaparecem em sua furtividade. NÃO ENTRE EM NENHUM CASTELO NO FEUDO, ou ele terá o direito de te matar.
Ryudan assentiu, assustado, e agradeceu ao Templário. Rumou até a porta, e quando chegou lá, sentiu uma presença estranha do outro lado. Obscura e forte. Não sabia de onde vinha exatamente, mas sabia que estava lá. Passou pela porta, e como não viu ninguém, tomou seu rumo.
Logo que caminhou, percebeu a importância da recomendação do templário. Havia guerreiros de todos os tipos — Lordes, Paladinos, Professores, Sumo-Sacerdotes, etc -, inúmeras vezes mais fortes que os templários do Castelo de Prontera. Ali acontecia a Guerra do Emperium, onde os melhores guerreiros do mundo lutavam pelo domínio de castelos, defendendo o seu clã.
Os números estavam relativamente pequenos. Quando mais novo, Ryudan percebia que haviam muitas pessoas chegando à cidade no período de Guerra. Mas dessa vez havia menos gente. Os guerreiros olhavam atentamente ao céu, e foi aí que o aprendiz notou o eclipse solar.
- Skoll está cumprindo sua meta!
- Ah, garoto, não tinha percebido? — Disse um Mestre-Ferreiro
- Não, não percebi! Você sabe há quanto tempo?
- Desde o raiar do sol. Toda a cidade sabe.
- E por que não relatam isso ao rei? O Ragnarök está chegando? Quanto tempo temos?
- Tenha calma, rapaz. Sim, isso é um sinal do Ragnarök, mas de nada adianta relatar ao rei, pois Tristan III já sabe do problema. Entretanto, não há nada que se possa fazer. E, quanto ao tempo, temos bastante ainda. Você ainda viverá muito, meu amigo. Estamos só no começo do fim. Agora me diga: o que você faz aqui?
- Estou indo pra Abadia de Santa Capitolina, pra dar ínicio ao meu treinamento como Noviço. O que quer dizer com o começo do fim?
- Ah, você está no fim do começo, então.
- Hãn?
- O Universo está no começo do fim. Logo, ocorrerão tragédias que levarão ao fim de tudo que existe. Mas isso vai demorar; batalhas serão travadas; pessoas morrerão; deuses cairão. Agora, você está no fim do começo, está finalizando o começo do seu treinamento
- Ah, sim. Aaaaaah, não. Não pode ser. É realmente o Ragnarök? Eu tinha esperanças de estarmos enganados...
- Infelizmente, tudo indica que sim. Mas a História vive sendo feita, e pode ser alterada. O destino do mundo já sabemos. O destino é imutável. Mas a História não.
Depois dessa conversa, Ryudan acelerou o passo e se embrenhou na mata, pensando nas palavras ditas pelo Mestre-Ferreiro.
Ao chegar, percebeu como sua missão seria complicada. A mata era extremamente fechada, e ele conseguia ouvir diversos barulhos estranhos. Não demorou muito até avistar um Poring — monstro comum no Campo de Batalha dos Aprendizes, no centro de treinamento, que ele sabia como derrotar -, mas viu também outros tipos de monstros, um pouco mais fortes, e percebeu que teria muita dificuldade para achar a Abadia.
O aprendiz se conduziu furtivamente pelas árvores, abaixando-se em cada arbusto. Em alguns momentos, ele teve que enfrentar monstros, mas isso não abalou a determinação do guerreiro. Ele seguiu por dias, rumando com cuidado e dormindo pouco, até certa noite, em que ouviu um barulho diferente e viu luzes estranhas. Vermelhas. Sentiu cheiro de fogo. Seria um incêndio? Um Bafomé e seus filhos, Bafomé Jrs?
Ryudan correu para o local, e, para seu alívio, não era nada disso. Era um Mago, invocando sua magia "Lanças de Fogo" para derrotar alguns monstros.
O Mago notou a presença do intruso em seu treinamento, e disse:
- Em que posso ajudar, já que você me atrapalha?
- Ah, me desculpe. Só fiquei assustado com as luzes e o cheiro do fogo. O que você tá fazendo aqui?
- Treinando. Acabei de me tornar um mago, e preciso de desafios para me fortalecer. A propósito, meu nome é Kenri, e o seu?
- Sou Ryudan.
- E para onde migra o poderoso aprendiz Ryudan?
- Estou indo para a Abadia de Santa Capitolina, para poder me tornar um Noviço.
- Ah, sim... Legal... Bom, vamos então.
- Vamos? Como assim?
- Dizem que existem uns monstros fortes pra lá. Yoyos, e até Chocos. Vou caçar alguns deles. Assim, além de te proteger em seu caminho, ainda consigo treinar. Estamos de acordo?
- Sim, eu acho... Obrigado!
E assim os dois seguiram juntos, por mais alguns dias, enfrentando desafios. O aprendiz havia colhido ervas, caso precisassem após alguns combates, e precisaram. Um Fumacento havia esgotado o Mago, e ele precisou de algumas ervas vermelhas pra recuperar o fôlego. Fora isso, a viagem fora tranquila.
Quando chegaram em frente à Abadia, logo avistaram um homem, que depois se identificou como Irmão Simão. Quando o caso do aprendiz foi apresentado, o peregrino tremeu e apresentou uma expressão de espanto.
Esse garoto é estranho. Diferente de todos, sem dúvida. A alma dele, parece ser maior e mais luminosa que o próprio Ifrit! - Pensou.
- Diga ao Bispo que você está altamente qualificado.
- Sem teste nenhum?
- Ele não mandou você simplesmente vir aqui e voltar? Então, tudo certo. Volte.
Após algumas congratulações de Kenri, os dois voltaram correndo para a capital. Fizeram a viagem em duas noites, muito mais rápido que na primeira. Quando caminhavam, perto da entrada para o Feudo, avistaram um dos sentimentos de Thanatos: o Ódio. Um dos mais perigosos.
- Maldição! Alguém invocou esse monstro. Será impossível passar!
No momento em que o Kenri disse a frase, saiu do feudo um Paladino, com uma armadura brilhante e uma lança afiadíssima, que chamou a atenção do monstro. O Ódio de Thanatos começou a atacar o Paladino violentamente, que não teve tempo de reação. Não fossem as habilidades do guerreiro, ele teria morrido. As habilidades e, claro, a ajuda. Kenri, ao ver o homem sendo trucidado, começou a conjurar Lanças de Gelo no monstro. O dano aparente foi mínimo, mas chamou a atenção do monstro. O Paladino, em reação, se curou, e depois foi para o ataque, brandindo sua lança enquanto usava Sacrifício do Mártir. Os reforços não chegaram, mas mesmo assim, o Paladino deteu o monstro sozinho.
Após o combate, não agradeceu os ajudantes. Nem mesmo parou para descansar. Seguiu seu caminho.
- Vamos, estamos perto! — Disse Ryudan.
Correndo, os dois atravessaram o Feudo e o Castelo de Prontera, até chegar no norte da cidade. Rumaram ao nordeste, até chegarem na Catedral.
- Meus parabéns, você agora é um Noviço!
Houve uma festa dos Noviços ali presentes. Ryudan ganhou um manto e uma clava. E um presente que viria muito a calhar: a habilidade "Luz Divina" foi ensinada. O novo Noviço desejou ter a namorada perto, pela realização do sonho de ter sua classe. Também desejou a família. Família! Ryudan saiu correndo, até chegar em sua casa. Entrou, mas não havia ninguém. Em seu quarto, achou o bilhete que dizia:
"Ryudan,
Estamos com muita saudade. Uma pena não ter se despedido de nós. Uma pena termos perdido seu aniversário. Já não nos vemos há meses. A família aposta em você. Apostamos que você ja está bem mais disciplinado do que quando saiu. Mais forte, mais responsável. Temos orgulho de você. E sabemos que você já tem idade para saber a verdade. Os estranhos acontecimentos de ultimamente são sinais do Ragnarök. Em desespero, as pessoas estão fugindo. Ilhas como Moskóvia, Brasilis e outras estão ficando super-populosas. Com a cidade em caos, está havendo uma ernorme onda de saques. Arruaceiros têm invadido nossa casa, sob o comando de um Desordeiro. O clã Lâmina Fatal tem nos importunado. Nos mudamos para Payon. Conseguimos achar uma casa perto da casa da Nya! Ela está morrendo de saudades também. Visite-nos em breve, filho. Te amamos.
Oiregor, em nome da família."
- Só faltava essa! Invasões e saques pela cidade, aproveitando-se do estado caótico! — Disse Kenri, que havia acompanhado Ryudan.
- Ah, nos perdoe, por favor... Só queremos garantir nossa sobrevivência...
Das sombras, saiu um homem sorridente, usando um manto estiloso e escuro. Um Desordeiro. Trazia uma insígnia no peito. Duas adagas cruzadas. "Lâmina Faltal", pensou Ryudan.
- Exatamente. Prazer, sou Genzs, líder do Lâmina Fatal. Esses são meus amigos.
Subitamente, vários Arruaceiros apareceram. Não são tão bons quanto Mercenários na habilidade de se esconder, mas traziam o senso furtivo dos Gatunos.
- Hehe — Murmurou um deles.
- Chama Reveladora! — Kenri invocou sua habilidade.
A luz ofuscou momentâneamente os invasores.
- Luz Divina! — Num ato de desespero, Ryudan atacou o Desordeiro. Por sorte, ele acertou a habilidade. O ataque só serviu como distração, mas foi suficiente para que os amigos fugissem.
- Tomaram minha casa. Minha famíla está em Payon. Não sei como chegar até lá. O Ragnarök está chegando. O que eu faço? Quero me vingar desses Arruaceiros. E desse Desordeiro. Eles verão...
E Kenri só respondeu:
- Vire um Monge.
Notas finais
Tentei abordar mais da vida de Ryudan, ao invés de falar só sobre o Ragnarök... Isso encurtaria muito a história. Nos próximos capítulos, tanto o destino do personagem quanto o do Universo serão narrados. Não percam e comentem! x.x
Fale com o autor