Ryudan - a História de Um Monstro
4 Capítulo 4 - Passagem Para Nifflheim
- Terceiro andar, é? — Perguntou Seyren. — E o que é que habita este luga?
- Não sei, mas temo que logo descobriremos... — Enzo preparou suas bombas ácidas. Estava preocupado, mas sua expressão era fria e calculista.
- Ficar aqui parados não é a resposta. Vamos, quero achar uma saída deste lugar!
E o grupo seguiu Lorde Seyren.
Enzo resolveu coletar o máximo de informações possíveis, então voltou a consultar o diário de Zenit.
"Após inúmeras tentativas, não consegui resolver o problema. Todas as minhas criações ficavam agressivas e assassinas depois de algum tempo. Cada vez mais cedo. Não pude mais ministrar seu comportamento, então as trancafiei no segundo andar do Laboratório, onde lá eles permanecem até hoje. Temo também informar que eles conseguem se multiplicar."
"Informação bem útil, agora que tudo passou" — Ironizou Enzo.
- O que tem no livro, Senhor Enzo? — Perguntou Lorde Seyren Windsor.
- Nada demais... Apenas... anotações de um Criador.
Enzo folheou algumas páginas. Já sabia como dar a vida. Já havia planejado o que fazer, e não queria mais saber das conclusões de Zenit. Até que, em uma página manchada de uma substância vermelha, aparentemente sangue, o Criador encontrou algo sobre o terceiro andar.
"Maldita sede por conhecimento; aprofundei meus estudos, e comecei a criar seres a partir de mim. Assassinei uma Atiradora de Elite, e retirei um pouco da essência de minha própria vida para tentar trazê-la de volta. Pobre Cecil... Ela voltou muito agressiva. E assim seguiram meus experimentos. Tentei várias vezes. Minhas vítimas foram o Mestre-Ferreiro Howard Alt-Eisen, a Suma Sacerdotisa Margaretha Sorin, a Atiradora de Elite Cecil Damon e a Arquimaga Kathryne Keyron. Cada vez minhas criações estavam mais fortes e mais resistentes..."
Enquanto Enzo lia silenciosamente, Lorde Seyren estava andando pelos estreitos corredores, que acabavam numa alta escada. Quando seu pé ia tocar o chão próximo a escada, ele ouviu um ruído, e uma flecha acertou sua coxa. A seta veio da escuridão, mas logo a silhueta de uma mulher surgiu.
Diferentemente dos monstros do segundo andar, que aparentavam ser crianças, esta era uma mulher formada. Adulta. Seyren pode ver suas feições: seus cabelos iam até os ombros; seus braços eram fortes, sustentando o arco longo que trazia, e suas pernas eram firmes. Nada extremamente musculoso para uma mulher; ela era linda. Mas aquela mesma aura estranha emanava do seu corpo. Um tipo de fumaça, uma névoa muito opaca.
- Frenesi!
Seyren se recuperou da flechada, em seu puro instinto de batalha, e foi em Frenesi para a Atiradora. A velocidade de ataque de ambos era impressionante, e a astúcia da Atiradora era surpreendente, mas depois de se esquivar por um bom tempo dos cortes de espadas, acabou sucumbindo a uma série de investidas do Lorde.
- Meus deuses... — Disse Enzo.
- Ela é muito forte. — Suspirou um Cavaleiro.
- Mais flechas! Cuidado! — Alertou um outro.
Da outra escada, outra Atiradora de Elite, exatamente igual a que havia sido derrotada, estava lançando suas setas mortais. Um Cavaleiro foi atingido por um série de flechas, e caiu, sem vida.
Seyren não hesitou, e correu para cima dela. Foi mais fácil dessa vez, e depois de alguns instantes, a espada do Lorde prevaleceu. Mas ele estava muito machucado, e pelo fato de ter utilizado Frenesi, suas forças vitais caíam a cada instante. O Lorde arfou por alguns instantes, até que parou. Ele estava em pé, com a cabeça baixa, de costas para o grupo, observando o cadáver da Atiradora. Ficou assim por um tempo, e, repentinamente, Seyren caiu para trás. Em seu lugar, havia um Algoz, que havia lhe fincado a katar.
Aquela foi a única vez na História foi registrado que, em seu estado de Frenesi, um Lorde falou. Seyren, caído, disse:
- Atrás... de você. — E deitou sua cabeça ao chão, morto.
Um outro Algoz estava a meio metro de Enzo. Seus cabelos eram compridos e num tom azul. Ele pareceu sorrir para o Criador, que congelou no momento. A última coisa que Enzo se lembra, foi do Algoz se misturando as sombras. Um Cavaleiro gritou:
- Vamos embora!
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- Obrigado, mais uma vez. — Disse Enzo a um Cavaleiro.
- Ora, Criador, não foi nada. Nossa sorte é que aquela foi a minha última Asa de Mosca Gigante... E o Lorde Seyren...
O Cavaleiro fraquejou. Enzo entendeu a mensagem. Eles haviam perdido seu líder, e era normal se sentirem para baixo. Em fila, os Cavaleiro foram saindo do Laboratório. Enzo se despediu mais uma vez, e fechou as grandes portas do seu local de trabalho. O que havia acontecido? Os monstros agora eram incrivelmente mais forte. E quanto ao Algoz, que não constava no diário de Zenit? Enzo resolveu checar o diário. Abriu na página que trazia as informações sobre o terceiro andar. Nada encontrou sobre o Algoz; aquela era a última página do diário, pois a que deveria ser a próxima estava rasgada. O Criador estava pensativo, quando ouviu alguém chegando.
- Entrega para Enzo. Uma carta, de Rune-Midgard.
Enzo abriu a porta, pegou a carta, e voltou-se ao Laboratório. Não disse uma palavra ao Aprendiz, que não ligou, e teleportou com seu Boné de Carteiro. A carta dizia:
"Enzo, boas notícias! Aqui quem fala é uma prima sua... Liana. Não nos conhecemos, mas resolvi avisar todos os cantos de Midgard que uma coisa maravilhosa aconteceu! Ajudei a fundar a cidade de Morroc, e o Imperador Morroc resurgiu para tiranizar a cidade. Passamos alguns anos sob seu poder, mas um bravo guerreiro chamado Thanatos passou por aqui e nos livrou do mal. Temo dizer que a cidade está completamente destruída, mas vamos reconstruí-la e espero sua visita em breve. Thanatos nos ajudou a explorar os arredores, e encontramos a Pirâmide e a Esfinge. Monstros perversos habitam estes lugares, mas muitos guerreiros têm vindo para a Esfinge encarar os Anubis, e ganham experiência muito rápido. Até mais,
Liana"
- Ah, se você visse meus monstrinhos... — Enzo riu.
"Monstrinhos". Bastaram alguns para derrubar um Lorde e um grupo todo da patrulha da polícia de Lightalzen. E o corpo de Seyren, não seria nem enterrado? O Lorde dera a vida pelo Criador, e assim que Enzo retribuiria? Não, não seria assim. Seria uma baita estupidez, mas ele voltaria ao Laboratório.
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Após passar, por sorte, sem problema pelo segundo andar, Enzo chegou naquela mesma entrada que o levaria para o terceiro.
- É aqui...
Não hesitou mais. Preparou suas bombas ácidas e adentrou o terceiro andar. Tudo parecia calmo. Enzo não notou nenhuma movimentação, de início, então resolveu andar mais um pouco. Ao chegar perto das escadas, viu Howard, o Mestre-Ferreiro. O monstro estava vindo em direção de Enzo...
- Bomba Ácida!
Após receber duas bombas de Enzo, Howard caiu. O mesmo silência sinistro que jazia outrora tomou conta do Laboratório. Parecia estar mais escuro, e Enzo estava sozinho. Ele desceu as escadas e virou à direita, encontrando umas salas, que serviram para se realizarem experimentos. Lá, a penumbra parecia diminuir... Enzo parecia até ver algum tipo de luz... Era mesmo uma luz. Estava vindo de uma das salas. O aventureiro preparou suas bombas e adentrou, num salto. Logo descobriu a causa das luzes: uma aura azul emanava dos pés de uma Cecil Damon.
"Esta deve ser a Cecil Damon original" — Pensou Enzo.
- Bomba Ácida! Bomba Ácida! Bomba Ácida!
A Atiradora de Elite parecia muito mais forte. Sua mira era muito precisa, e acertou Enzo várias vezes, em lugares quase vitais.
- Arremessar Poção Compacta!
Quanto mais bombas Enzo atirava, mais forte ela parecia. E os danos causados por ela também. Enzo já havia gastado muitas poções, e precisava pensar em algo para escapar.
"Esconderijo!"
A Atiradora perdeu o Criador de vista, e se teleportou.
- Ufa. Sorte ter guardado essa Carta Fumacento...
- Você não é o único que sabe se esconder. — Uma voz seca e moribunda disse. Era rouca, e vinha de lugar nenhum.
- Mas eu trouxe a Carta Horong também. Chama Reveladora!
O que Enzo mais temia aconteceu. O Algoz surgiu das sombras, e iluminou o lugar. Isso mesmo, a mesma aura que tomava conta de Cecil, estava aos pés do Algoz.
- Venho observando-o a um tempo. A propósito, sou o Algoz Eremes Guile. Aqui está meu... cartão de apresentação. — E mostrou um sorriso irônico, sinistro.
Enzo pegou o papel que o Algoz lhe passava. Seu sangue congelou quando percebeu que era a última página do diário de Zenit, a que havia sido arrancada. Ela dizia:
"A situação fugiu do controle, então chamei um exterminador de monstros para limpar o Laboratório, o Algoz Eremes Guile. Fui com ele ao Laboratório, mas uma multidão de monstros veio para cima de nós. Tudo estava indo bem, até as Garrafas de Veneno do Algoz se esgotarem. Ele foi pego por uma Kathryne Keyron, e eu estive ocupado com uma Margaretha Sorin. Ele morreu, infelizmente. Mas o pior está por vir: a Suma Sacerdotisa ressucitou-o, e ele voltou-se contra mim. Aparentemente, com o mesmo instinto que os outros: apenas alimentar-se. Mas ele era esperto, conversava. Ele me ameaçou, então pulei sobre ele usando uma Faca de Combate e retirei uma amostra de sua perna antes de usar uma Asa de Borboleta para fugir. Analizando a amostra, percebi uma coisa muito curiosa: uma alteração no DNA do Algoz. Ele não era mais humanóide. A formação de seu DNA se parecia com a de um demônio."
- Meus deuses...
O Algoz continuava com o sorriso no rosto. Ainda havia mais:
"Não comprovei com estudos, mas tenho uma teoria. Margaretha pode ressucitar os mortos, assim como eu, mas apenas o corpo. Coração, cérebro e tudo mais. Mas a alma vai para Nifflheim."
- Gostaria de te apresentar um conhecido. Ah, vocês já se conhecem?
Um Lorde surgiu das sombras. Seu porte físico era exemplar, apesar de seus cabelos grisalhos. Seus olhos eram vagos, mas Enzo sabia que ele também era um demônio. Afinal, era o Lorde Seyren Windsor.
- Então vocês vão me matar?
- Garoto esperto... — Disse o Algoz para Enzo.
- E eu vou para Nifflheim?
- Para o canto mais escuro. — Após essa resposta, Eremes se camuflou nas sombras, furtivamente, e Seyren partiu para o Criador.
Agora Enzo quem exibia um grande sorriso no rosto. Sacou uma Asa de Borboleta.
- Fiquei sabendo que você morreu por falta de Garrafas de Veneno, Algoz. Sem Encantar com Veneno Mortal, suas katares de nada valem? Duvido até que você consiga envenenar alguém.
- Meça suas palavras, insolente! — O Algoz surgiu, com raiva, ao lado de Enzo. Uma névoa rosa surgiu no chão, e Enzo começou a tossir e se retorcer.
- Obrigado. — Disse o Criador, e quebrou sua Asa de Borboleta.
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Enzo abriu os olhos no chão de seu Laboratório. O veneno de Eremes estava fazendo efeito rapidamente. Ele sentia sua vida sendo puxada de si.
- Ryudan, aqui vou eu. — O sorriso maléfico presente no rosto de Enzo foi se desfazendo aos poucos, conforme sua respiração.
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