Ryudan - a História de Um Monstro
5 Capítulo 5 - Novos Poderes
Enzo abriu os olhos, e foi se acostumando com a escuridão do lugar. Sentia muito frio, sua vista estava embaçada, e ele não consegui se lembrar de quase nada.
- Onde estou?
- Bem-vindo, Enzo, o Criador. Você está em casa.
Quem dizia isso era uma mulher linda, que estava de perfil para Enzo. Quando ela se virou, o Criador pode ver o outro lado de seu corpo: um cadáver em descomposiçao, com ossos e musculos expostos, e vermes perambulantes.
- Deusa Hel. Então, estou em Nifflheim?
- Sim, meu querido. Isso não é ótimo? Podemos ficar aqui, juntos, por toda eternidade. Até o Ragnarök.
- Vim justamente para isso. Vou acertar minhas contas com Ryudan.
- Você vai fazer o quê? Matá-lo? No inferno?
- Vou devolver-lhe a vida. Depois fazê-lo pagar por todas as vidas que ele tirou. Cada uma delas.
- Enzo, Enzo... Ryudan é uma lenda em Midgard. Só você está contra todos!
- Não! O mundo precisa saber quem foi seu carrasco!
- Você quer conhecer Ryudan? Venha, pois vou te levar até ele.
As pasagens escuras de Nifflheim estavam amedrontadoras naquela noite. Um cheiro forte de carniça pairava no ar, e após alguns metros, Enzo começou a perceber movimentos. A medida que adentrava o Reino dos Mortos, ele via seus residentes: seres deformados, ensanguentados, velhos, desmembrados...
- Ora, não se assuste, meu querido. Vamos ver pessoas mais agradáveis agora.
Bem distante, no horizonte, Enzo viu uma luz. Parecia ser o sol, mas era impossível. Estava noite bem atrás dele.
- O que é isso, Hel?
- Nifflheim é o Reino de todos os que perecem; bons ou maus. Digamos que se formaram panelinhas, e os maus não simpatizam com os do bem.
Ao ser tocado pelos raios de sol, o humor de Enzo mudou. As casas ao redor eram belas, e o cheiro no ar agora era dos perfumados jardins que lá se encontravam. Pessoas rindo, conversando, praticando com suas espadas, namorando e meditando eram vistas em todos os cantos. E elas eram bem diferentes do que Enzo conhecia. Um homem estava no centro de uma roda de amigos, tocando em seu alaúde uma música conhecida. Crepúsculo Sangrento, Enzo lembrou-se. Mas aquela música era apenas ensinada aos Bardos, e aquele homem definitivamente não era um Bardo ou um Menestrel. Depois da melodia acabar, uma garota linda se juntou ao homem, e eles tocaram um dueto nunca ouvido por Enzo antes. Mas aquela não era uma Odalisca nem uma Cigana. Como poderia então ter uma voz tão bem treinada?
Depois de mais um tempo de caminhada, Enzo viu uma arena de batalha. Nela se enfrentavam um majestoso guerreiro montado num Ferus Verde contra um outro muito bem defendido, numa grossa armadura brilhante e um grande escudo protetor. O segundo estava ao lado de um grifo domesticado. O primeiro usava uma armadura prateada, envolto em uma capa longa. Em seus ombros e no cinto jaziam runas muito brilhantes. Ele investiu contra o outro, brandindo sua lança num movimento rápido que deu a impressão de que a lança havia se multiplicado, em sucessivos golpes. O que se defendia ergueu seu escudo, bloqueando e refletindo os golpes, mas sem deixar de tomar algum dano. Em todos os anos, o Criador nunca havia visto tal performance com uma lança, nem do mais habilidoso dos Lordes.
- Vejo que gostou das habilidades de Hamilton Chan e seu irmão, Rick.
Enzo apenas ficou queto, enquanto iam se distanciando dos combatentes. Chegaram a outra arena, onde monstros temíveis corriam para o mesmo lado — o centro da arena. Ele ouviu alguém proferir uma magia, e um frio cercou a região. Todos os montros caíram mortos. Um jovem estava de pé, onde antes os monstros se direcionavam. Ele trajava roupas pretas, uma longa capa, e estava com os braços erguidos.
- Também lhe apresento Fernando Dez. E devo admitir, ele não é muito experiente.
Ao andaram mais um pouco, Enzo viu o que parecia ser uma oficina. Uma criação muito estranha estava parada em meio a um maquinário também estranho. Duas pessoas estavam fazendo ajustes na máquina, trajando calças e protetores de braços. Eram roupas simples, mas pareciam ser eficientes.
- Keky é o da direita, e Tyrart Battle o da esquerda. Eles são muito criativos, e também muito astutos na batalha.
Hel notava que Enzo estava surpreso, porém apenas sorriu e seguiu o caminho. Eles estavam prestes a entrar numa construção muito semelhante a uma igreja, quando foram barrados por uma mulher. A mulher era linda, muito parecida com uma Suma Sacerdotisa, mas as roupas eram muito mais finas e ela emanava uma aura espiritual muito mais forte.
- Não é qualquer um que pode adentrar Asgard, Hel. — Disse a mulher.
- Não é o Escolhido que é qualquer um, Nami Takahashi.
Eles entraram. Enzo sentiu um estranho formigamento em todo o seu corpo, e depois começou a se sentir distante... Uma súbita dor tomou conta dele. Parecia que sua alma estava sendo rasgada e esmagada... E ele desmaiou. Quando abriu os olhos, Ryudan estava num salão inteiramente feito de ouro. Hel estava sentada em uma cadeira perto, e um homem estava sentado de costas para eles. Hel se pronunciou:
- E por fim lhe apresento, Enzo, o Criador; Ryudan Mairt, o Shura.
Ryudan estava meditando no que parecia ser um pequeno espaço de repouso. Ele se virou, e chamou o Criador.
- Aproxime-se, Enzo.
O visitante estremeceu, mas avançou.
- Sei o que você pretendia quando veio até Nifflheim em minha procura. Mas antes de tudo, eu gostaria de te apresentar a Profecia. Antes de você nascer, Enzo, uma Professora muito poderosa superou os limites de sua transcedência, se tornando a primeira Feiticeira do Universo. Invocando os poderes dos elementos, ela pôde conversar com o próprio Universo, e este lhe revelou alguns segredos. Segredos que eu não sei e que nunca saberei, se ela não nos contar. Entretanto, ela nos revelou um deles, o qual chamamos de "A Profecia". Bem clichê, não acha?
E Ryudan esboçou um sorriso. Enzo estava muito confuso com tudo aquilo, mas se manteve firme.
- Continue, Shura.
Uma sombra surgiu no fundo da sala, e em seguida, um vulto. Das sombras, saiu uma mulher. Seu corpo era curvilíneo e seu rosto maravilhoso. A pele lisa como uma maçã madura. Ela trazia pesadas roupas longas, que a deixavam elegante. Do seu lado, um outro guerreiro como Hamilton Chan, mas este era mais alto e sério. Trazia uma insígnia em seu peito, assim como a mulher e como Ryudan, fato que Enzo não havia notado antes.
- Enzo, estes são Ultra Magnus, o Cavaleiro Rúnico, e Nikita Ymir, a Feiticeira. Ultra é o líder do clã Guerreiros do Emperium, do qual eu faço parte. A propósito, o Ultra e a Nikita são casados. Nikita, se puder fazer o favor...
Mal Ryudan terminou de falar, a Feiticeira começou a entoar numa voz que parecia a mistura de várias:
- "Aquele quem salvou o passado acabará o presente, sob o olhar do que pensa no futuro."
- Eis a Profecia, em sua forma bruta. — E Ryudan riu.
Mais sombras surgiram em torno de Nikita e Ultra, e depois de um tempo, eles sumiram novamente na escuridão.
- Enzo, acho que você percebeu uma coisa. Toda a geração de Ryudan que morreu no Ragnarök e conviveu com ele aqui superou sua transcedência. Eles estão agora na Terceira Classe. Você viu — o Trovador, a Musa, Hamilton, um Cavaleiro Rúnico, Rick, o Guardião Real, Keky e Tyrart, os Mecânicos, Fernando, o Arcano, Nami, a Arcebispa, Nikita, a Feiticeira, e Ultra, outro Cavaleiro Rúnico.
- Hm... — Disse o Criador.
- A questão é que ele fez o bem aqui. Ele fez o bem no passado. E você quer levá-lo de volta a vida, dizendo que fará o futuro. Parece que isso se aplica exatamente como diz a Profecia, não acha?
Enzo parou para pensar por um instante.
- Você está morto. Fique aqui, e vire um Bioquímico. Além do fato de que você está nos MEUS domínios, e eu não o deixaria fugir e levar Ryudan assim tão fácil...
- Bom, acho que está tudo resolvido. Passe a noite em minha casa, Enzo. Hel, ficarei aqui em Asgard por mais um tempo, e depois retornarei a Nifflheim.
- Tudo bem, Shura. Adeus. — Hel despediu-se, e foi saindo.
- Até mais, Enzo. — E Ryudan sorriu.
- Até... — A voz saiu fraca, e o Criador virou-se e seguiu Hel.
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