Ryan
1 Meu nome é Ryan
Notas iniciais
Meu nome é Ryan Scartinson, tenho 17 anos e acabo de me mudar para Rivertown, uma cidade pacata dos Estados Unidos. Moro com minha madrasta, Georgia, que não me suporta, depois que meu pai morreu ela teve que ficar responsável por mim, mas o que ela quer mesmo é que eu faça 18 anos e fugir com todo o dinheiro que meu pai deixou.
Não sou muito social, prefiro ficar na minha, não sou de falar muito, mas eu sou muito observador, sei gravar os rostos e nomes das pessoas, eu desenho muito bem e sou fanático pelos livros de Stephen King, meu preferido é Carrie, a estranha. Não sei, mas eu queria tanto ter os poderes de Carrie, seria maravilhoso.
– Ryan, seu ridículo — grita Georgia — Você vai ficar no quarto o dia todo seu imbecil, ou vai descer e me ajudar a limpar a merda dessa casa?
– Já estou descendo!
Georgia, minha madrasta é um monstro comigo, ela não suporta crianças, mas quando se casou com meu pai eu tinha 7 anos, ela teve que me suportar, mas quando meu pai viajava a trabalho, ela me tratava muito mal, uma vez chegou até a me queimar com cigarro, me empurrava, e costumava a colocar filmes de terror para eu ver, deve ser por isso que gosto de Stephen King.
Desci e olhei a vassoura, balde e panos, já sabia que tinha que limpar tudo.
– Escuta aqui moleque, eu quero essa casa bem limpa, senão vai ficar sem comida, aliás, você podia aprender a cozinhar né seu burro, e vê se não vai esquecer de acordar cedo amanhã pra escola.
– Não esquecerei — suspirei.
– Vou até o mercado, nada de filmes e nem de desenho, seu esquisito.
Quando ela bateu a porta, pude relaxar um pouco, eu não sei porque ela me trata assim, mas eu sei que um dia ela vai ter o que mereçe. Se ela acha que vai fugir com o dinheiro do meu pai, ela que se engana.
As horas foram passando, e eu já tinha limpado tudo, acho que não faz mal se eu for assistir Carrie mais uma vez, é claro que essa terceira versão é o máximo.
No meio do filme caí no sono.
Acordei com um jato de água em cima de mim, era minha madrasta.
– Muito bonito né, eu saio e você dorme — gritou
– Eu limpei tudo, pode ver.
– Você chama isso de limpar — ela falava e olhava para a sala toda — Foi você quem pediu por isso.
Georgia pegou a vassoura e me bateu no rosto com o cabo com toda a força, fui correndo para meu quarto, deitei na cama e só pude chorar de raiva.
Não percebi que tinha dormido novamente, mas meu rosto estava doendo, fui até o banheiro e vi que meu lado direito do rosto estava inchado e roxo, aquela vadia ainda me paga.
Desci para jantar e não queria olhar nos olhos de Georgia.
– É isso que vai comer, não reclama, você nem merecia comer esta noite.
– Por que me odeia? — perguntei
– Quando me casei com seu pai, eu só pensava no dinheiro, mas tinha que aturar ele e você que era bastante chato e mimado. Bendito dia que ele se acidentou no trabalho e não resistiu, foi bom que o dinheiro da indenização cai direto na minha conta e ainda tenho que dar uma merreca pra você — O olhar de Georgia era de ódio e satisfação -Não gosto de crianças, mas você era tão chato....enfim isso não importa...come essa comida e depois vai dormir.
Terminei meu jantar e subi, comecei a pensar sobre Georgia, ela era louca, mas sempre sou eu que sofro, como vou na escola amanhã com esse rosto do jeito que está, serei motivo de piada e no primeiro dia.
Cansei de ficar pensando e caí no sono, o primeiro dia de aula será uma festa de horrores, já até imagino!
Fale com o autor