Notas iniciais
Boa leitura!

— Cadê??? — gritei, levantando rápido da maca.

— Cadê o que, criatura? — Carla e Sara me encararam.

— Ah... Desculpe. Sonhei que estava em uma apocalipse zumbi e eu tinha perdido a minha metralhadora — cocei a cabeça e as duas riram.

— Se declarou para o Luca, não foi? — Carla sorriu maliciosa e eu corei.

— Foi... — sentei na maca.

— Aí que fofa! Finalmente vai namorar o Luca — disse Carla, me fazendo corar mais.

— Namorar? — gaguejei, imaginando a cena de nós dois se beijando. — Nyah!!! — gritei, afundando a minha cara na almofada e a Sara riu alto com a Carla.

— Aí como o amor é lindo — caçoou Carla e a Sara riu. — Melhor você ir ajudar o resto do povo a pintar o ginásio.

— Agora? — fiz biquinho.

— Sim. Aproveita e fica coladinha com o Luca — senti meu rosto queimar ainda mais. Revirei os olhos e comecei a andar em direção a porta da enfermaria.

— Posso ir junto com você, Lily? — perguntou Sara.

— Claro — sorri e ela veio até mim.

Conversei com a Sara até chegarmos ao ginásio. Conversamos sobre coisas sem pé nem cabeça, mas a gente riu bastante. Ela é muito verdadeira e, se eu não tivesse dezesseis anos, diria que essa menina é minha filha. Ela sabe que o Alan gosta da Miranda e ela até me falou que o Fernando estava dando em cima de uma menina. Coitada dessa garota, mato ela se ela ficar toda oferecida para o Fernando. Quando cheguei no ginásio, vi o Luca todo lindo, pintando a parede e o Alan segurando a mão da Mira que estava com o rosto vermelho. Será que o Alan tomou coragem e resolveu se declarar para ela?

— Li, olha o Nando na arquibancada — falou Sara e eu olhei. O filho da mãe está beijando uma garota!

— Fernando, seu vagabundo! — gritei, mas ele nem ouviu, ou se ouviu, não deu importância e continuou beijando a vaca. Ah, mais ele e ela vão levar uma boa surra!

Dei três passos em direção ao Fernando para bater nele, mas fui puxada para trás por um ser muito perfeito. Luca passou suas duas mãos pela minha cintura e me puxou para o outro lado do ginásio (do mesmo jeito que o Alan fez comigo quando eu ia matar a vaca da Elaine). Como não sou a criatura mais quietinha da face da terra, me debati com raiva e gritando, pedindo para ele me soltar, mas ele não me deu ouvidos. Sara nós seguiu e, quando o Luca me soltou, eu lhe encarei com raiva. Ele sorriu de canto e passou a sua mão no meu rosto, acariciou o local com carinho e com um sorriso encantador na face. Minha raiva foi embora no mesmo instante. Dei um pequeno sorriso e me senti corar.

— Deixa o Fernando namorar um pouco? — pediu sorrindo, fazendo uma cara de menino pidão e eu não resisti.

— Tá... — respondi com as maçãs do rosto coradas.

— Vocês dois são perfeitos um para o outro — comentou Sara, sorrindo com os olhos brilhando. Fiquei feliz com o comentário, mas não podia deixar transparecer. Somente apertei a bochecha dela com carinho e ela sorriu.

— Concordo com você — disse Alan, chegando por trás do Luca, que estava do meu lado esquerdo, acompanhando da Mira, que estava com um sorriso bobo na cara. Aí tem coisa!

— Cale-se — mandei, semicerrando os olhos, com um sorriso nos lábios.

— Aonde essa garota aprendeu essa magnífica palavra? — perguntou Alan, todo debochado, sorrindo.

— Não te interessa — respondi brincando. Olhei para a Mira com curiosidade. Tenho que conversar com essa mocinha AGORA! — Miranda, vem comigo no banheiro rapidinho? — ela assentiu. Olhei para os meninos e disse: — Daqui a pouco a gente volta.

O Alan fez condolência com as mãos e o Luca sorriu. Sara fez bico e eu entendi o que ela queria.

— Vem com a gente, Sara? — ela abriu um sorriso enorme na cara e veio correndo atrás da gente. — Conta tudo — falei para Mira, quando estávamos bem distantes dos meninos.

— Também quero saber — avisou Sara, com um sorriso travesso.

— O... — começou Mira, mas foi interrompida por uma lágrima fugitiva, que escapou para fora de seus lindos olhinhos de menina apaixonada. — O Alan falou que gosta de mim...

— Aleluia! — comemorei. — Já estava pensando que vocês dois não iriam se declarar nunca — sorri.

— Olha quem fala — Mira me encarou. — A menina que esperou três anos para se declarar. Aliás, você se declarou?

— Desculpe, querida, mas essa informação não está disponível — respondi, fazendo pose de madame, com um sorriso brincalhão na cara.

— Eles dois se declararam — Sara contou, olhando para Miranda sorrindo e, depois, para mim. — Eu estava assistindo tudo de camarote.

— Gloria Deus! Estava começando a achar que você viraria freira, Lily — Miranda zombou e a Sara riu.

— Nossa, que engraçada — revirei os olhos, rindo sem graça. — Estou morrendo de rir, hahaha.

— Que bom — disse Miranda, e eu bufei de raiva.

— Aonde as moças estão indo? — perguntou a diretora, aparecendo do nada.

— Banheiro — nós três respondemos juntas.

— Por que não vai uma de cada vez? — ela começou a encher o saco.

— Porque é mais rápido se formos juntas — respondi, impaciente.

— Prefiro que demorem — aí está a veia carrancuda, destruindo a nossa diversão novamente. — Miranda, você pode ir no banheiro primeiro. Sara e Lily, vocês duas vão voltar para o ginásio comigo.

— Fazer o que, né?! — murmurei, revirando os olhos.

Dei meia volta e caminhei ao lado da Sara para o ginásio. Mira foi para o banheiro com um sorrisinho de canto. Adentrei no ginásio e percebi que o Fernando estava muito carinhoso com a morena, semicerrei os meus olhos e encarei o Nando. Caminhei em direção aos dois e o Luca me puxou pelo braço.

— O que você vai fazer? — ele estava sério.

— Confie em mim — sorri de canto para ele.

— Não vai bater na garota, vai?

— Já disse, confie em mim!

— Tá... — me soltou, ainda preocupado.

Alan arregalou os olhos quando me viu ir em direção ao novo casal da escola. Acho que ele está imaginando que eu irei fazer aquela mesma cena que fiz mais cedo, quando aquela loira oferecida estava em cima dele. Mas desta vez não vou fazer nada demais. Tenho que deixar os meninos viverem a vida deles, infelizmente não posso ser babá deles pro resto da minha vida.

— Oi — sorri e o Nando me encarou preocupado.

— Oi, Lily — a morena sorrindo amigavelmente, igual a mim.

— Nossa, você já sabe o meu nome? — perguntei, um pouco surpresa.

— Você não é a garota mais invisível da escola — explicou, e eu entendi.

— Verdade. Faço muitas loucuras, não é?! — ela riu e eu também. Fernando sorriu fraco, com certeza com medo do que eu possa aprontar.

— Ah, o meu nome é Elisa.

— Prazer, Elisa — dei um abraço rápido na morena. — Hum... Cuida bem do meu amigo, ok? — Fernando ficou de boca aberta, surpreso, com certeza.

— Claro! Ele está em boas mãos — ela sorriu e eu sorri de volta.

— Feche a boca antes que um mosquito entre aí, Fernando — ele semicerrou os olhos e depois abriu um grande sorriso e me abraçou forte.

— Te amo, viu, ruquinha?! — sussurrou no meu ouvido, ainda me abraçando.

— Também te amo, loirinho — sussurrei de volta e sorri. — Melhor eu ir ajudar os outros — me libertei do abraço gostoso do Fernando.

–— Ok — Nando e Elisa responderam em uníssono.

Caminhei feliz da vida por não ter brigado com o Fernando ou com a Elisa e, feliz por ver o Nando feliz. Sem falar que finalmente o Alan se declarou para Mira! Tudo está dando certo! Deuszinho maravilhoso da luz brilhante que iluminou o meu dia, obrigada! Tudo está mais que perfeito! Tudo está mais que magnífico!

— Que felicidade é essa, em? — perguntou um menino, que não faço ideia de quem seja.

— Te conheço? — fui mal-educada, eu sei. A Sara apontou pra mim e o Luca me olhou.

— Ainda não — ele chegou mais perto de mim. — Mas pode começar a conhecer — ele me segurou forte pela cintura e rapidamente colou os nossos lábios.

Puta merda, estou ferrada!