Notas iniciais
Boa leitura!

Afastei o moreno o mais rápido que pude para longe de mim e dei um soco na cara dele. Como esse ser idiota ousa me beijar? Ainda por cima na frente do meu amado? Vou matar esse infeliz! Comecei a empurrar ele, discutindo e xingando ele de tudo que é nome, mas o idiota-sem-cérebro tentava me agarrar, em vez de se defender. Dei um chute bem poderoso no meio das pernas dele, fazendo ele cair ajoelhado no chão gemendo de dor. A diretora me encarou e veio andando rápido em minha direção. Sem ao menos eu perceber, o Luca passou sua mão pela minha cintura e me olhou nos olhos. Senti a respiração dele pertinho de mim, senti o coração acelerado dele bater e senti os olhos dele me pedirem para eu ser somente dele.

Sorri constrangida e envergonhada. Ele sorriu de canto e aproximou a sua boca para mais perto da minha. Fechei os meus olhos devagar assim como ele, nos aproximamos cada vez mais, e a cada milímetro eu podia me sentir mais quente, mais feliz, mais viva. No momento em que os nossos lábios se encostaram, senti uma pequena onda de eletricidade passar dele para mim. Mas o nosso beijo foi interrompido pela diretora-cavala-veia-sem-amor, uma vontade dos Deuses me possuiu e eu queria muito acabar com a raça daquela diretora.

— Lily, o que você está fazendo?

— Nada demais — respondi, tentando me acalmar.

— Beijar um aluno na escola e bater em outro aluno não é nada demais? — perguntou, incrédula.

— Opa, opa! O moreno convencido que me beijou primeiro, eu somente me defendi da agressão sexual que eu estava sofrendo — me defendi.

— E o outro beijo?

— Que outro beijo? — me fiz de desentendida.

— O que você deu no Luca!

— Eu escorreguei e como ele é um cavaleiro muito educado tentou me segurar e com isso acabei beijando ele, mas não foi de propósito — respondi rápido, não queria dar tempo para ela raciocinar. — Só.

— Hum... — murmurou a velha. — Ok. Gabriel e Victor, levem o André para minha sala —mandou a Diretora, se distanciando da gente.

O André, que na verdade é o garoto assanhado-sem-amor-pela-vida, foi levado para diretoria pelos outros dois meninos que eu já esqueci o nome, mas quem se importa? Eu não me importo! Sara voltou a pintar a parede, assim como o resto do pessoal. O Luca me abraçou por trás me fazendo estremecer. Ele cochichou baixinho no meu ouvido:

— O beijo... não foi nada? — perguntou e eu arrepiei. Meu corpo todo perdeu a força. Se o Luca não estivesse me segurando nos braços dele agora, eu com certeza estaria caída no chão.

— Foi... tudo — sorri de canto e ele me deu um beijo no pescoço. Respirei fundo para não desmaiar.

Luca me soltou e voltou para perto da Sara. Cambaleei para o lado e me encostei em uma parede que já havia secado. Respirei fundo umas trinta vezes relembrando o momento do nosso beijo. Tem como isso melhorar? Na verdade, tem, mas tudo ao seu tempo!

Depois que me recuperei um pouco da pegada do Luca, caminhei em direção a Sara. No mesmo instante que eu ia falar com a Sara, a Mira entrou correndo no ginásio, avisando que a gente podia ir para casa, pois o sinal havia acabado de tocar e a gente não precisava ficar até a última aula. Abracei a Miranda, muito animada. Amo quando posso sair cedo da escola, é tão magnífico e maravilhoso! O povo das outras salas ficam morrendo de inveja, isso me deixa com um sorriso vitorioso na cara. Despedi-me da Sara, do Fernando e da namorada do Nando que eu esqueci o nome e do Alan.

— Gente, cadê as minhas coisas? — perguntei, já na minha sala. Aonde foi parar o meu skate e a minha mochila?

— Acho que está na enfermaria, quando o Luca te levou para lá eu deixei lá — respondeu Mira, colocando a mochila nas costas e indo pegar o seu skate que estava encostado na parede do fundo da sala.

— Valeu. Vou lá pegar — saí correndo da sala.

— Lily, te espero no portão da escola — gritou Luca e eu assenti.

Corri para a enfermaria e encontrei a minha madrinha conversando com alguém pelo celular. Pelo largo sorriso em seu rosto, já até imagino quem seja.

— Onde estão as minhas coisas? — perguntei, e ela apontou para o lado da última maca.

Caminhei rapidamente e peguei as minhas coisas. Dei um beijo na bochecha da Carlinha depois que ela desligou o celular.

— Tenho novidades — eu disse, sorrindo abobada.

— Quais?

— O Luca me beijou — dei pulinhos de alegria.

— E...?

— E o quê?

— Ele não te pediu em namoro?

— Não... Ainda é muito cedo pra isso.

— Cuidado para ele não te dar um rolé — ela sorriu.

— Não estraga a minha felicidade, por favor? — pedi e ela riu.

— Vai pra onde?

— Casa.

— Com essa roupa? — ela apontou pra minha roupa.

— Puts, cadê as minhas roupas? — perguntei, depois de perceber que eu ainda estava vestida com o jaleco dela.

— Dentro do banheiro — larguei as minhas coisas no chão e adentrei no banheiro.

Me vesti o mais rápido que consegui e arrumei o meu cabelo, deixando ele solto. Entreguei o jaleco pra dona e me despedi da mesma com um beijo na bochecha. Coloquei a minha mochila nas costa e subi em cima do meu skate e parti em direção ao portão da frente da escola. O Luca deve estar me esperando, acho.

— Que demora — reclamou Miranda, de mãos dadas com o Alan.

Gente!!! Eles estão de mãos dadas!!!

— Pensei que vocês já tinham ido pra casa — peguei o skate na mão.

— Mas não fomos — Luca passou o seu braço por cima do meu ombro. Sabe quando o garoto fica com o braço em volta do pescoço da namorada? Então, eu estou assim com o meu Deus grego!!!

— Hum... — murmurei envergonhada. — Cadê o Fernando e a...

— Elisa? — completou Mira.

— É — sorri sem graça. Nunca fui muito boa em gravar nomes.

— A Elisa mora longe e como o Nando é um cavaleiro, ele...

— Levou ela em casa — completei, interrompendo o Alan.

— Exatamente — o Alan disse.

— Fiquei surpresa por você não ter batido na Elisa ou no Fernando — comentou Miranda, me olhando.

— Agradeça ao Luca — eles riram. — Borá pra casa?

— Borá — respondeu Luca e Alan em uníssono, Miranda somente sorriu.