Running Away

21 Capítulo 20 - Right here


Notas iniciais
Hey, leitores! Obrigada pelo feedback! Então, por unanimidade os capítulos continuarão a ser enormes. Esse capítulo é pra Iz, feliz aniversário adiantado (relaxe que eu não me esqueci do outro presente) Tenham um boa leitura.

I will show you the way back home

Never leave you all alone

I will stay until the morning comes

I'll show you how to live again

And heal the brokenness within

Let me love you when you come undone

I'll be right here now to hold you when the sky falls down

I will always be the one that took your place

When the rain falls, I won't let go

I'll be right here

(Right Here — Ashes Remain)

Felicity Smoak

A vida tem o estranho hábito de passar rapidamente por nossos olhos quando estamos concentrados demais em outra coisa. E eu estava. E diferente do que era esperado eu não estava surtando por causa do meu perseguidor, Oliver se esforçava para tirar isso da minha mente o tempo inteiro, com seu jeito atencioso, com seus carinhos e com seu amor aos poucos estávamos nos ajeitando de novo. Era incrível como toda a tensão da presença ameaçadora de Lawton não estava mudando muito as coisas entre nós.

Ainda éramos nós.

Ainda estávamos nos apaixonando cada dia mais e mais.

Havia medo é claro, esse era um sentimento impossível de evitar num momento como esse, por mais que eu quisesse apenas esquecer, sempre havia algo para me lembrar. Naquela semana, por exemplo, eu havia checado os meus e-mails, coisa que eu não fazia há anos, e havia ali um comunicado enviado a todos os funcionários das Empresas Wayne, informando sobre a morte de Selina e que Bruce Wayne em pessoa estaria financiando o enterro e realizaria uma homenagem à ela, além de criar um novo fundo de caridade para coibir a violência nas ruas.

Eu chorei por horas naquele dia. Eu sequer teria a chance de dizer adeus à Selina ou me desculpar por de alguma forma ela ter sido vítima daquele psicopata. Oliver apenas me abraçou e me acalmou naquela noite. E isso foi o que trouxe um pouco de paz ao meu coração. Oliver me passava segurança, ele me amava, e quando estávamos juntos era esse amor que sobressaía. Havíamos chegado a um novo nível de relacionamento, Oliver me contava tudo sobre a investigação da polícia, mesmo que ele não estivesse sendo tão ativo nos últimos dias e a polícia não tivesse feito muito progresso, mas acho que em parte era porque depois de invadir o apartamento de Oliver, Lawton havia simplesmente desaparecido. Era fácil me deixar ser levada pela rotina que Oliver e eu criamos, nós passavam todo o tempo juntos, isso não era negociável, a tarde nós visitávamos tio Gordon no hospital, que ainda não tinha acordado e a noite Oliver ia para o bar comigo, eu servia as mesas sob o seu olhar sempre atento e quando voltávamos para casa eu me perdia em seus braços, seus beijos tiravam qualquer tensão do meu corpo, seu amor me fazia leve e feliz. E quando acabávamos ele me segurava em seus braços dizendo-me palavras bonitas em sua voz sensual e doce e eu me rendia a um sono tranquilo e sem pesadelos. Eu sabia que não seria sempre assim, essa calmaria não duraria para sempre, mas era bom e confortador esse sentimento de amar e ser amada por alguém.

Eu amava Oliver.

E era difícil segurar essas palavras, mas ao mesmo tempo eu não conseguia dizê-las, por mais que eu quisesse. Havia momentos, quando estávamos na cama e ele me amava, seu olhar sempre junto ao meu, sua mão movendo-se por meu corpo com tanto carinho e desejo, enquanto seu corpo forte e firme se movimentava em cima de mim, levando-me ao ápice do prazer. Ou ainda quando ele me despertava pela manhã deixando pequenos beijos em meu pescoço que desciam sensualmente pelo meu colo, bastava abrir meus olhos e encará-lo para perder o meu fôlego ao ver seu sorriso feliz e seus olhos que brilhavam daquele jeito apenas para mim. Eu queria gritar meu amor por ele, eu queria dizer as palavras, mas sempre que elas chegavam em minha boca elas morriam e tudo o que eu fazia era tentar demonstrar meu amor por Oliver.

Eu sabia que Oliver compreendia a minha relutância em dizer, ele não parecia chateado com isso ou sequer preocupado, mas eu estava incomodada comigo mesma, com o modo em que eu deixava meu medo me controlar, e às vezes eu me questionava se ele havia quebrado algo tão profundo dentro de mim que fosse impossível de consertar.

— Você está bem? — Helena chegou por trás de mim, me assustando de tal modo que quase deixei o copo que eu lavava cair da minha mão — Parece pensativa demais, está há cinco minutos lavando o mesmo copo. — apontou, desci meus olhos para o copo percebendo que não havia mais onde limpar, apenas o enxaguei e sequei, virando-me para Helena que me encara com seus olhos aguçados.

— Eu poderia dizer a mesma coisa sobre você, ou pensa que não percebi o seu olhar perdido ou como fica olhando para o Tommy quando ele não está notando. — Devolvi, não muito disposta a falar sobre mim naquele momento e mudando o assunto para algo que estava me incomodando nos últimos dias — Então não vai mesmo me contar o que aconteceu naquele estoque? — Inqueri diretamente. Eu percebi no dia seguinte quando cheguei para trabalhar que algo havia mudado drasticamente entre Helena e Tommy depois que eu os trancara naquele estoque.

— Eu já te disse que nada demais aconteceu, Thomas e eu apenas conversamos aquela noite, acertamos nossas diferenças de um jeito racional e só. — Tive vontade de rir, Helena e Tommy se acertando de um jeito racional? Nunca.

— Certo, eu imagino bem esse jeito “racional” — fiz o sinal de aspas com as mãos.

— E você não deveria me perguntar sobre isso, na verdade eu deveria te demitir pelo seu atrevimento em trancar seus dois chefes lá dentro. — aquilo era para ter sido uma reprimenda, mas não havia nada no tom de Helena que lembrasse uma, então eu me senti livre para continuar.

— Ah, qual é Helena! Nós somos amigas ou o quê? — revidei — Você foi um maldito diabinho no meu ombro quando o assunto era Oliver, e veja só onde nós dois chegamos. — Olhei por cima do ombro indicando meu namorado que sorriu ao perceber meu olhar indo para ele, maldito sorriso que me fazia perder toda a concentração — Eu apenas estou tentando te dar uma ajuda, que eu sei que deu certo. Você e Tommy tiveram sexo quente e de alta qualidade no estoque, não minta para mim. — adverti quando ela abriu a boca para discordar — Eu conheço bem essa expressão satisfeita no seu rosto, eu a vejo todos os dias quando olho a mim mesma no espelho. Você teve sexo! Muito bom, e como sua amiga eu exijo saber dos detalhes sujos. — Acusei cruzando os meus braços e a encarando esperando que ela finalmente me contasse o que aconteceu, antes que eu morresse de curiosidade. Mas Helena apenas me deu seu melhor sorriso e jogou seu cabelo por sobre o ombro.

— Eu vejo que criei um monstro, mas não sei do que você está falando. — colocou uma expressão blasé no rosto, mas que não escondia o brilho em seu olhar — Oh, tem um cliente esperando para fechar a conta. — saiu de fininho indo em direção a caixa registradora.

Mesmo nenhum dos dois me dizendo nada, eu sabia que tudo havia mudado naquela noite, porque no dia seguinte eu vi Tommy chegar ao bar com o sorriso mais amplo e a expressão mais feliz que eu já havia visto nele, e então Helena o puxou para o estoque, eu não sei o que eles conversaram lá, mas isso tirou o sorriso de Tommy e colocou um olhar confuso no seu rosto.

Tommy não apareceu no bar por três dias.

Mas depois ali estava ele novamente, lançando seus sorrisos doces para Helena, embora as provocações fossem bem mais leves agora, ele quase agia como um verdadeiro cavalheiro, abrindo a porta para ela ou ajudando a carregar coisas. Ele até mesmo comprou flores para ela, graças a Deus não foram rosas, foram lírios amarelos, um belo buquê que agora ornava o balcão do bar, destoando de todo ambiente e sobrepondo sua fragrância ao cheiro de destilados.

Observei Helena fechando a conta dos nossos últimos clientes da noite, eu decidi tentar a sorte com Tommy, que estava concentrado em uma mesa no canto assinando alguns documentos.

— Loirinha... — Tommy disse me olhando de esguelha enquanto eu me sentava e fechou a pasta rapidamente como se não quisesse que eu visse o que era. — Seu namorado já está me lançando olhares assassinos, e eu já disse que tenho apreço ao meu rostinho lindo. — falou, mas seu bom humor habitual não estava presente.

— Oliver não está te lançando olhares assassinos.

— É, não está. — pareceu ligeiramente desapontado — Vocês dois eram mais divertidos antes, quando ele parecia querer te jogar em cima do ombro e carregar para fora do bar quando um homem apenas olhava para você de um jeito errado, ou então começar uma briga porque alguém disse que você tem uma bela bunda. — ergui uma das sobrancelhas — Não diga à ele que eu disse isso. — advertiu — O ponto é que agora vocês dois mais parecem um daqueles casais perfeitos de filmes românticos, que andam de mãos dadas em direção ao por do sol — sorri com a comparação — Patético.

— Você tem assistido a muitos filmes românticos então. — Arranquei um riso dele.

— Se eu respondesse essa pergunta, eu teria que te matar. — piscou para mim. — Ninguém pode saber o meu segredo. — Ri com ele, me sentindo um pouco aliviada por ver que Tommy ainda era o Tommy que eu conhecia.

— E se eu perguntar sobre Helena? É um segredo que ninguém pode saber também? -Tentei.

— Você não desiste, loirinha. — balançou a cabeça escondendo um sorriso um pouco triste.

— Como está sua lista? — perguntei apoiando meu queixo em uma das mãos enquanto o observava.

— Oh, a lista! Eu nem sei onde eu a coloquei, mas podemos dizer que risquei alguns itens importantes, mas isso não me levou ao final esperado. — suspirou frustrado encarando-me com seus olhos azuis tristes — Helena tem a cabeça mais dura do que uma pedra! Ela me quer, talvez até mesmo ainda me ame um pouquinho, mas tudo o que faz é me manter a distância, como ela pode agir assim depois de... — ele se calou de repente me olhando de um jeito exasperado — Eu não consigo entendê-la! Eu mando flores e ela agradece, mas quando quero me aproximar ela se afasta, eu não sei que jogo é esse que estamos jogando, mas eu estou perdendo feio.

— Tommy, — comecei num tom suave — Eu sei que isso não é da minha conta. Mas às vezes a melhor maneira de mostrar a uma pessoa o quanto você a ama, não é tentando demais, é simplesmente dando a ela o que ela quer. — ele me olhou confuso — Dê espaço à Helena, deixe-a ir e...

— E se ela voltar é porque ela era minha se não... — falou aborrecido. — Obrigado pela psicologia barata.

— Eu só...

— Não, é sério, Felicity. — me interrompeu antes que eu pudesse continuar — Você tem razão, eu preciso fazer algo, eu apenas não sou fã de desistir, principalmente de algo tão importante para mim. — Explicou seu olhar indo rapidamente para Helena que fechava o caixa daquele dia.

— Não é desistência, quando você coloca o bem da pessoa que você ama em primeiro lugar, eu chamo isso de altruísmo. Pense nisso. — Me levantei da cadeira e assim que o fiz Oliver começou a se aproximar, ele cumprimentou Tommy com um aceno de cabeça e então virou-se para mim, seu sorriso pequeno roubando meu ar por um momento.

— Pronta para ir? — Perguntou.

— Sim. — Oliver desceu sua mão até a minha entrelaçando-as.

— Eu te disse. — Tommy falou balançando a cabeça divertido, seu olhar preso na minha mão entrelaçada a de Oliver — agora só falta caminhar em direção ao pôr-do-sol, Loirinha.

— Tchau, Tommy. — Me despedi de Tommy e acenei para Helena, saindo do bar com Oliver.

— O que Tommy quis dizer com o lance do pôr-do-sol? — Perguntou curioso enquanto sentíamos o ar frio da noite cair sobre nós. Eu pensei um pouco antes de responder a pergunta do Oliver. Apesar da comparação de Tommy, nós não éramos um casal de um filme romântico, nossas vidas eram bem mais complicadas do que isso.

— Apenas bobagem. — Respondi, mas no fundo eu queria que finais felizes fossem assim tão fáceis.

***

Tommy Merlyn

Malditos dez dias haviam se passado desde a noite no estoque, eu pensei que Helena e eu finalmente tínhamos nos acertados, mas assim que coloquei meus pés no bar ela me puxou pelo braço levando-me para o estoque, por um instante eu pensei que ela estivesse desesperada demais para arrancar minhas roupas mais uma vez, mas qual não foi a minha surpresa ao escutar seu discurso de que a noite passada tinha sido um erro? Meu peito se afundou ao escutar aquelas palavras que doeram mais do que os tapas que ela me dera, e eu deixei o bar irritado demais para continuar ali, cansado demais de tentar fazer Helena enxergar o que tínhamos juntos. Mas eu voltei porque desistir não era uma palavra conhecida no meu dicionário, e Helena Bertinelle assombrava minhas noites com sonhos tão eróticos que eu acordava suado e excitado toda manhã, como um adolescente que passa pela puberdade. E agora eu havia voltado a estaca zero, Helena seguia fingindo que nada havia acontecido entre nós, e me tratava com certa cordialidade que me irritava. Eu me perguntava como ela conseguia esquecer as carícias, os beijos lânguidos ou a forma como ela gemeu meu nome enquanto orgasmo se alastrava por seu corpo?

Como ela ousava transar comigo daquele jeito e no outro dia apenas agir friamente? Eu estava me sentindo usado, de um jeito bom é claro, mas eu não gostava de ser o cara usado para uma noite de sexo por sexo, porque eu sabia que não tinha sido apenas sexo, tinha havido amor ali, em cada toque urgente, em cada beijo apaixonado. Nós deixamos que nossos sentimentos explodissem naquele momento e o resultado tinha sido uma noite incrível de paixão ainda melhor do que nos velhos tempos.

Eu queria todas as noites fazendo amor com ela, eu queria as manhãs de brigas intermináveis em que ela me jogaria coisas e me xingaria de idiota. Eu queria as tarde de diversão, com Helena eu queria o pacote completo por mais louco que isso pudesse parecer. Eu estava preparado para o seu arrependimento depois do sexo, eu estava preparado para tentar convencê-la de que éramos bons juntos e que aquela noite era prova disso, eu estava pronto para recomeçar com ela. Mas não estava preparado para seus sorrisos polidos enquanto ela fingia que nada tinha mudado entre nós, que aquela noite sequer tinha acontecido, isso era demais para mim. Eu não estava a fim de começar aquele jogo outra vez, mas era assim que as coisas eram com Helena, ela nunca era fácil de entender.

Por isso ela me enlouquecia, por isso ela me fascinava.

Eu era loucamente apaixonado pela minha caçadora.

Eu observava Felicity e Oliver deixarem o bar com suas mãos entrelaçadas como se estivessem prontos para caminhar em direção ao final feliz deles. Eu era ciente de que a vida da Loirinha não era fácil, e que Oliver deveria enlouquecer a cada segundo por saber que havia um psicopata atrás da mulher que ele amava, mas ainda assim eles tentavam, eles não desistiram porque as coisas estavam complicadas.

Ergui-me da cadeira e caminhei a passos firmes até Helena, era hora de dar um jeito nessa situação. Parei em frente ao balcão e olhei para ela, que apenas sorriu, um daqueles malditos sorrisos de Monalisa atrás do qual ela escondia seus segredos, seus mistérios, seus pensamentos.

— Helena... — Seu nome saiu meio baixo e me vi obrigado a tomar uma respiração antes de continuar. Porque ela tinha o poder de me deixar tão nervoso? — Será que podemos conversar sobre aquela noite?

— Que noite? — Ela piscou aqueles cílios negros e compridos para mim, enquanto se esforçava para não sorrir. Mas seus olhos pareciam reluzir certa diversão. Ela estava brincando comigo, eu não queria mais brincar.

— Vai me dizer que você não sentiu como foi bom? Como a cada beijo nossas bocas pareciam nunca ter o suficiente uma da outra ou como a cada toque uma nova sensação era despertada dentro de nós. Como nossos corpos se encaixaram perfeitamente? Não foi sexo por prazer, foi sexo por amor não ouse mentir para mim dizendo que não sentiu isso! Não ouse mentir para si mesma. Você me pertence, Helena — falei muito mais suave sentindo a emoção em minhas palavras, minhas mãos tocando os fios suaves do seu cabelo enquanto meus olhos estavam nos dela, obrigando-a a me encarar — E eu pertenço a você — a respiração dela saiu numa lufada só ao escutar minha declaração. — Eu amo você. Podemos, por favor, tentar outra vez?

— Não, Tommy... — Ela balançou a cabeça.

Uma única palavra me destruiu.

Não.

Maldita palavra.

Maldita Helena que seguia me torturando.

Eu era um tolo.

— Você é impossível! — Gritei com ela, eu nunca havia gritado com ela antes, não assim, não com tanta raiva e mágoa, mas eu estava tão frustrado. Ela é frustrante. Eu faço simplesmente de tudo por ela, mas Helena age como se não fosse nada, ela apenas adota a atitude de “foda-se o mundo” revira seus olhos e sempre me dá as costas. Estou tão cansado desse jogo de gato e rato, onde o rato sempre leva a melhor. — Estou indo embora. — Avisei mais controlado dessa vez, colocando sobre o balcão a pasta com os documentos que tenho enrolado tanto em entregá-la. Porque eles são a minha entrega, meu atestado oficial de que eu estava desistindo.

— Você não pode ir! Você é meu parceiro. — o uso do termo quase me fez sorrir, mas me retraí controlando o movimento involuntário da minha boca me impedindo de sorrir, eu estava cansado daquilo. E Felicity estava certa, amar não é sobre tentar demais, amar é sobre deixar a outra pessoa ir, se é isso o que ela realmente quer fazer.

— Não somos parceiros, éramos sócios, Helena. — falei mais controlado — E a partir de agora não somos mais. — bati o indicador duas vezes sobre a pasta que eu coloquei sobre o balcão, atraindo a sua atenção para aquilo. Dei as costas, eu não queria ficar e observar o momento em que ela lesse aqueles papeis, eu sabia que ela ficaria surpresa, mas sobretudo ficaria feliz, e eu gostava de saber que ao menos isso eu fui capaz proporcionar a ela, mesmo que eu não fizesse parte daquela felicidade.

— Você não pode ir! — Seu maldito tom de reprimenda me fez parar a porta, e virar a encarando. Eu já disse o quanto ela é frustrante? Ela estava de pé, me fitando, depois de me chutar tantas vezes da sua vida, eu não consigo entender porque quando eu finalmente cedo, ela não me deixa ir.

Ela é cruel e ela quer me punir.

É a única resposta que plausível. Afinal, o que mais poderia ser?

— E por que não, Helena? Aparentemente eu não consigo mudar sua opinião sobre mim, por mais que eu tente, por mais que eu faça você ainda me vê como o mesmo babaca que te largou grávida. Eu sei que errei, e eu sei que você não vai me perdoar, então porque simplesmente não desistimos desse jogo estúpido, onde nós dois apenas nos machucamos? — ela não me respondeu, e por um momento eu me permiti me iludir que é porque ela não quer admitir a verdade, ela ainda me ama. Dei passos firmes até ela, deixando aquela esperança estúpida me iludir mais uma vez, parei em frente à ela, seus olhos desafiadores me encaram, mas eu não recuo, não dessa vez, eu estou indo embora, ela me deve ao menos um momento de honestidade — Então me dê uma resposta, porque você não quer que eu vá, Helena?

Nos encaramos por um longo momento em um completo silêncio, e quando a resposta deixa seus lábios, ela sequer pisca.

— Porque eu te odeio.

Eu recuo sentindo o peso das palavras como um golpe final, eu dou as costas a ela, ainda me resta um pouco de orgulho masculino e não quero que ela veja o quanto as suas palavras me feriram.

— Eu sei disso, não preciso do seu lembrete. — resmunguei deixando o bar, irritado comigo mesmo por ter sido estúpido em acreditar que isso poderia acabar de um jeito diferente. Mas escuto o som de seus saltos me seguirem pela noite, sua mão toca meu ombro, e eu me viro para ela, eu sei que ela ainda não acabou, não sem antes Helena cravar uma adaga no meu coração. Eu permito, porque eu sei que mereço.

Eu a encaro e espero pelo golpe final.

— Você não entendeu, Tommy Merlyn. Eu disse que te odeio, odeio, odeio — as palavras deviam me machucar, mas por algum motivo não o fazem. Porque ela diz isso com um sorriso misterioso nos lábios, e um olhar doce, que há muito tempo eu não via em Helena — E se me lembro bem esse é o número nove da sua lista — ela pega o papel amassado e começa a lê-lo — “se nada der certo, amá-la ainda que ela me odeie”.

— Você... Você sabia? Esse tempo todo? — eu estava surpreso.

— Eu peguei algumas conversas entre você e Felicity, e na noite do estoque eu acho que a lista caiu do seu bolso e eu pensei em ver até onde você está disposto a ir para me conquistar. — Ela deu um passo a mais chegando ainda mais perto, a respiração quente dela fazendo-se visível pela noite fria.

— Isso foi cruel.

— Foi. — ela não negou, eu gostava disso em Helena, não havia falsidade nela — Mas eu precisava de tempo para perceber que era real. Você e eu. Que vale a pena tentar mais uma vez, mesmo você sendo um grande babaca. — ela deu mais um passo me fazendo sentir o gosto da sua respiração contra mim. — Você é o meu babaca.

— Helena... — Abaixei os olhos fitando seus lábios vermelhos, me esforçando para não beijá-la naquela hora. Mas ela não colaborava, ela ergueu os braços os colocando ao redor do meu pescoço enquanto roçava seu corpo junto ao meu — Não me diga que é um dos seus jogos. — Pedi baixinho.

— É claro que é um jogo, Tommy. O amor é sempre um jogo, é o que o deixa tão divertido. — um sorriso tentador de uma sedutora se espalhou por seu rosto — Nem por isso significa que não é bom jogo. — Ela inclinou o rosto para mim, seus lábios macios pressionando os meus. Eu reagi instintivamente, minhas mãos abraçando sua cintura e a puxando para mim, enquanto eu dominava aquele beijo que era muito mais do que bocas se encontrando. Era um beijo de amor, que marcava o fim de um momento ruim e o recomeço do que eu esperava ser algo muito bom. Ela suspirou se afastando um pouco de mim quando o beijo teve fim, suas mãos descendo por meu tronco brincando com a abertura do meu casaco. Ela ergueu os olhos para mim enquanto mordiscava o lábio inferior de um jeito que me prometia uma bela encrenca — Aliás, eu quero tentar a número oito da minha lista de “Nove passos para enlouquecer Thomas Merlyn.”

— Você tem uma lista? — Pisquei sem saber se estava ainda atordoado demais com aquele beijo que sugara um pouco da minha sanidade ou se era pela revelação de Helena.

— Quer descobrir os itens dela? Podemos fazer um “eu mostro o meu e você mostra o seu” — Piscou seus cílios para mim daquele jeito que me enlouquecia. Oh. Merda. Eu estava encrencado, Helena me tinha para si, naquele jogo confuso e eu adorava isso — Vamos para o estoque. — Ela sugeriu com um tom cheio de insinuações. Mas não foi isso o que chamou a minha atenção, não, foi quando Helena abaixou seus braços, pegou minha mão e entrelaçou na dela, enquanto me puxava de volta para o bar.

A noite estava fria, o céu nublado.

E a mulher que eu amava me oferecia sexo dentro de um bar.

Nada romântico.

Mas nossas mãos estavam unidas, como se fossem feitas para se encaixarem uma na outra e não quisessem jamais se soltar. Aqueles filmes românticos não sabem o que é um final feliz de verdade. Estar de mãos dadas com Helena daquele jeito era especial, em qualquer lugar que fosse, não precisávamos caminhar em direção o pôr-do-sol, para eu saber que era um final feliz. Aliás, tão pouco aquilo era um final.

Era um recomeço feliz.

***

***

Felicity Smoak

Acordei naquela manhã sentindo um cheiro de algo bom no ar, Oliver não estava na cama comigo, mas o seu lado ainda estava quente e seu cheiro impregnado nos lençóis e travesseiro, eu até mesmo rolei sobre o colchão pressionando meu nariz no travesseiro dele apenas para sentir um pouco mais do perfume dele. Mas não era esse o cheiro que eu havia sentido e que causara uma reação animada do estômago.

Era cheiro de comida.

Me espreguicei deixando a antiga cama que eu costumava dormir antes de Oliver e eu nos acertarmos, depois do “incidente” da rosa sobre a cama no quarto dele nós havíamos nos mudado de quarto. Segui aquele cheiro em direção a cozinha, a imagem que vi ali fazendo um sorriso gostoso se espalhar por meu rosto. Oliver Queen usando um avental branco enquanto cozinhava. Me apoiei no balcão para observá-lo mais de perto. Aquele homem usando nada além de uma calça folgada de moletom e um avental, era realmente meu? Apoiei o rosto sobre uma das mãos ainda sorrindo, meu sorriso se transformando em riso, quando Oliver queimou a ponta do dedo ao tirar a frigideira com bacon do fogão.

— Merda! — ele xingou, mas ao ouvir o meu riso ele imediatamente deu um pulo olhando para trás e balançando a cabeça ao me ver ali — Você não deveria ter acordado agora. — Reclamou, e eu estranhei a sua reação.

— Me desculpe? — Tentei, ainda sem saber o que eu havia feito de errado — Quer que eu volte para cama e acorde em alguns minutos?

— Não precisa, você já estragou a surpresa. — Ele desligou o fogão e veio até mim, seus braços me envolvendo no melhor abraço do mundo, enquanto sua boca repousava sobre a minha num beijo singelo.

— Surpresa? — Pisquei meus olhos para ele.

— Eu estou preparando o nosso café da manhã. — indicou a cozinha, com várias coisas espalhadas pelas bancadas, eu não fazia ideia do que Oliver realmente estava cozinhando, mas mais parecia um banquete do que um café da manhã.

— Eu estou vendo, Chef. — ri tocando o avental branco que ele usava.

— Mas agora que você está aqui eu não sei se consigo continuar. Como posso cozinhar se você está aqui, me distraindo? — suspirei ao sentir a pressão da sua mão em minha cintura se tornar mais forte enquanto sua boca descia até um ponto sensível do meu pescoço.

— Hum... — tentei encontrar minha razão, que era algo difícil de fazer com a boca de Oliver sugando a minha pele daquela maneira. — Eu acho que vou facilitar para você e ir tomar um banho rápido enquanto você termina o nosso café da manhã. — Oliver se afastou de mim de uma única vez, seus olhos me encarando com um fogo conhecido enquanto ele meneava a cabeça em reprovação.

— Esta tentando me fazer perder a cabeça, amor? — perguntou diretamente.

— É apenas um banho rápido assim eu não te distraio — Dei de ombros como se aquilo não fosse nada de mais, e dei um passo para trás me afastando de Oliver, mas não fui muito longe, logo senti suas mãos novamente em meu corpo me impedindo de me afastar mais.

— Um banho com você nua... — ele falou seriamente, a respiração muito mais agitada dessa vez, eu sentia aquela tensão sexual crescer entre nós, meu corpo se tornando completamente ciente do de Oliver, o jeito que ele movia a boca, suas palavras ditas num tom baixo e rouco, seus olhos penetrantes nos meus, tudo em Oliver estava me deixando excitada — ...água quente escorrendo por cada curva desse corpo que eu amo, eu tenho muita certeza que as imagens em meus pensamentos serão suficientes para me distrair, é provável que eu incendeie a cozinha. — os dedos de Oliver tocaram delicadamente a alça da camiseta que eu vestia fazendo-a escorregar um pouco para baixo do ombro — E você ainda está em débito comigo. — Ele lembrou, seu olhar indo para minha boca enquanto eu mordi o lábio inferior em expectativa, sim, eu queria tomar banho com ele. Mas Oliver apenas fechou os olhos enquanto respirava profundamente, tirou suas mãos de mim e se afastou — Inferno, vá tomar o seu banho, Felicity.

— Você realmente deve ter algo muito importante planejado para esse café da manhã tão especial. — Comentei confusa, ao ver que Oliver se afastava dando a volta na bancada parecendo muito mais controlado dessa vez. Era raro vê-lo recuar de sexo, ainda mais sexo no chuveiro.

Ele sorriu para mim.

E esse não era um sorriso que eu conhecia, ele parecia nervoso e ansioso ao mesmo tempo.

— Eu tenho algo importante para conversarmos. — Sua voz não teve a mesma segurança de sempre, mas era séria — Mas não se preocupe é algo bom. Eu acho que é. — suas sobrancelhas se uniram e ele pareceu um pouco incerto me deixando ainda mais curiosa — Apenas não se preocupe, amor, tome seu banho e quando voltar nós conversaremos.

***

Eu nem preciso dizer o quão rápido eu tomei meu banho, apenas porque estava curiosa demais com toda essa ideia de Oliver sobre conversar. O que poderia ser tão importante, e que fosse bom ao mesmo tempo? Eu cheguei a cozinha ainda secando os cabelos na toalha que apenas joguei sobre o encosto do sofá. Me surpreendi ao ver a mesa posta, Oliver terminava de colocar um pequeno arranjo de margaridas no centro dela.

Era adorável.

— Uau! Eu estou impressionada com suas habilidades domésticas. — exclamei observando com água na boca tudo o que ele havia preparado — Tudo parece delicioso e cheira muito bem. — Oliver exibiu seu belo sorriso para mim, enquanto desamarrava o avental as suas costas, deixando o torso despido e caminhava em minha direção, sua visão deixando minhas bochechas coradas.

— Você também parece deliciosa, e cheira especialmente bem. — elogiou, seu nariz roçando a base do meu pescoço enquanto ele inspirava profundamente — E eu gosto quando veste as minhas roupas. — Falou, sua mão tocando a barra da blusa branca dele que ia até meio das minhas coxas, seus dedos tocando suavemente a pele e me fazendo estremecer.

— Eu não sabia se essa “conversa” pedia um tipo certo de roupa, eu apenas decidi pegar algo confortável. — dei de ombros, escondendo a verdade que era o quanto eu gostava de vestir as blusas de Oliver.

— Está linda, amor. - seus olhos recaíram sobre os meus, sua mão que não brincava com a barra da blusa, puxou uma mecha do meu cabelo e a enrolou entre seus dedos Você sempre está linda.

— E você está muito galante, hoje. Devo me preocupar? — Estreitei meus olhos para Oliver que segurou um sorriso enquanto me guiava até a mesa, e puxou uma cadeira para mim. — Definitivamente, galante demais. — Comentei, mas Oliver se limitou a sorrir enquanto se sentava de frente para mim.

— Antes que eu me esqueça. — ele arrastou uma caixinha embrulhada em papel de presente — Pedi Sara que comprasse um novo celular para você, já que o seu está preso na delegacia. — segurei o pequeno embrulho, mas não o desfiz — Ela pediu que eu a avisasse que já salvou o número dela aí.

— É claro que salvou. — balancei a cabeça.

— Que tal se agora nós tomássemos o café? Eu preciso saber se você gostou do que preparei. — Oliver disse ainda sorrindo daquele jeito hesitante. Desisti de tentar entendê-lo aquela manhã e apenas tomamos café da manhã.

Falamos sobre algumas bobagens e um pouco de nós mesmos enquanto comíamos, era algo normal e era bom sentir que a vida era assim outra vez. Havia uma pequena parte de mim que dizia que eu não devia me apegar à isso, a essa sensação de normalidade com Oliver, ao jeito que havíamos criado uma espécie de vida quase doméstica aqui. Porque eu sabia que não poderíamos ficar nessa bolha por muito tempo.

— Quem diria que Oliver Queen sabia cozinhar bem. — falei terminando de beber o suco de laranja — Agora que já me deslumbrou com seus dotes culinários, vai me dizer o que queria conversar comigo? — O encarei em expectativa.

— Você é tão curiosa. — ele sorriu novamente, sua mão por sobre a mesa alcançou a minha e ali permaneceu, seu toque quente e suave me distraindo. Porque Oliver sorria tanto?

— Eu sou, e é por isso que você está protelando.

— Tem razão. — ele suspirou abaixando a cabeça e se remexendo na cadeira de um jeito nervoso que era raro de ver em alguém tão autoconfiante quanto Oliver — Eu queria conversar com você, na verdade eu queria saber quais são seus planos para o futuro. — ele ergueu seu olhar para mim, seus olhos tentando ver além dos meus — O que quer fazer quando tudo isso acabar? — franzi o cenho sem entender o que ele se referia como tudo isso, Oliver completou ao ver a minha confusão — Eu quero dizer quando não houver mais Floyd Lawton perseguindo você.

Eu não tinha uma resposta para aquela pergunta.

O futuro sempre pareceu tão incerto para mim. Eu costumava pensar muito nele quando a vida era mais simples. Eu tinha planos como toda jovem garota, pegar meu diploma, conseguir um bom emprego, talvez lecionando e seguir a vida como todas as pessoas normais. E havia os sonhos! Mais irreais e nem por isso menos possíveis, eu queria viajar e conhecer o mundo, eu queria me divertir mais e me apaixonar de verdade. Mas então ele aconteceu, e veio como um terremoto fazendo meus castelos de sonhos e planos desabarem e se enterrarem bem fundo nas fissuras do chão.

Exceto um deles.

Mesmo indo contra todas as possibilidades, eu me apaixonara de verdade, com tudo de mim.

— Eu queria que você morasse comigo, Felicity. — Oliver falou de uma única vez ao perceber meu silêncio, sua frase firme e o jeito como ele apertou minha mão na sua capturou a minha atenção.

— Mas eu já moro com você, Oliver. — Respondi sem entender aonde ele queria chegar com aquela conversa.

— Eu quis dizer de um modo mais permanente. — Explicou, eu vi os nuances de azuis em seus olhos parecerem mais fortes e determinados.

— Oh, Oliver... — eu não sabia o que dizer, agora que eu tinha Oliver em minha vida, eu não imaginava um amanhã sem ele, mas isso era difícil eu não estava acostumada a pensar num futuro que ia além de um dia depois de amanhã, e isso me assustava. Não morar com Oliver, mas meu medo de talvez não ter um futuro com ele. Era complicado, como eu poderia explicar toda essa confusão para ele?

— Eu sei que sua vida não é aqui em Starling City, se Gordon não a tivesse mandado para mim, nossos caminhos jamais teriam se cruzado. — por um momento imaginei minha vida sem Oliver, eu conseguia sentir que estaria faltando algo essencial nela, meu coração ainda estaria fechado para tudo e todos — Você deixou a faculdade, seus amigos, a sua mãe em outra cidade, quando se viu obrigada a fugir. Você me disse que não quer mais fugir, que não quer mais perder as pessoas que são importantes na sua vida. E eu entendo se, quando tudo isso acabar você quiser voltar para casa, para a sua vida de antes. — Oliver respirou fundo se controlando, sim, ele entenderia se eu quisesse minha vida de antes de volta, mas isso não significava que ele gostava da ideia — Mas eu apenas queria que você considerasse ficar aqui comigo. — Suas palavras foram doces e livres de qualquer pretensão, ele estava apenas sendo sincero e me dizendo o que ele queria. Eu conseguiria fazer o mesmo?

Eu sabia o que Oliver me oferecia e isso me assustava, porque desde o momento que ele dissera que me amava, ele estava sendo completamente aberto e claro sobre os seus sentimentos, sobre o que queria para nós.

E ele queria um futuro. Mas e se não houvesse um para nós?

— Eu acho que... — Inferno! Eu não poderia ser racional, não quando ele olhava para mim com tanta expectativa, com tanto amor, não quando eu queria viver o que Oliver me oferecia tão desesperadamente. Eu queria apenas segurar sua mão e fechar meus olhos, deixando que Oliver me guiasse para um futuro incerto, não me importava, desde que fosse com ele, eu aceitava. — Eu acho que posso transferir a faculdade para Starling ou tentar um novo vestibular.... — Oliver soltou o ar que prendia e sorriu feliz, um sorriso amplo e grande que chegava até seus olhos fazendo-os se enrugarem um pouco nas extremidades. — Eu posso pegar um avião e ir para Vegas visitar minha mãe ou para Gotham visitar Tio Gordon nos feriados, você pode ir comigo se quiser. — Oliver assentia enfaticamente com a cabeça parecendo animado com aquilo. — Oliver, eu não sei o que vai acontecer amanhã, talvez, eu sequer devesse te prometer um futuro. Mas eu quero um, e eu quero ele com você, aqui, nessa cidade, nesse apartamento. Eu apenas quero tudo com você.

Eu mal consegui assimilar o que aconteceu assim que terminei de falar. Oliver simplesmente havia se levantado e veio até mim, me erguendo da cadeira em seus braços enquanto ele me beijava. Era um daqueles beijos tão felizes e ansiosos em que queremos beijar cada parte da pessoa. E era assim, Oliver beijava meu rosto, meus lábios, meus cabelos e a ponta do meu nariz, me fazendo rir com sua alegria.

— Oliver...? — Me surpreendi quando senti suas mãos abaixo do meu quadril e num único movimento ele me ergueu no ar, meus tornozelos se entrelaçaram ao redor de seu tronco e minhas mãos circularam seu pescoço em busca de estabilidade — O que está fazendo? — Perguntei, enquanto ele caminhava comigo em seu colo, e seguia me dando pequenos, porém doces beijos.

— Minha surpresa tinha duas partes: eu iria acordá-la com um delicioso café da manhã na cama, eu estava determinado a mostrá-la todas as vantagens de morar comigo. A segunda vantagem é na cama.

***

Oliver se sentou na cama comigo em seu colo, ele parou de me beijar por um instante e apenas me olhou. Suas mãos subiram das minhas coxas, passeando por meu quadril e laterais do seio até se acomodarem ao redor do meu rosto. Seus dedos longos se afundando em meus cabelos enquanto seus polegares acariciavam o meu rosto. Havia um sorriso permanente nos lábios dele e seus olhos fitavam-me com um olhar perdidamente apaixonado.

Eu não sei ao certo quando foi que aconteceu.

Quando sorrir se tornou um hábito para Oliver, ou quando foi que o seu olhar ganhou aquele brilho especial. Não dá para precisar o exato momento em que o amor acontece, ele apenas acontece e eu sei que havia acontecido comigo também tão gradual e natural quanto era para Oliver.

E então ele me beijou novamente daquele jeito que me fazia pegar fogo lentamente e ao final me destruía. Seus lábios roçaram os meus vagarosamente, a língua provava do gosto deles apenas brincando, apenas atiçando, quando tudo o que eu queria era me queimar em seus braços de uma única vez. Mas Oliver gostava da apreciação lenta, então eu me controlei e permiti que ele fizesse do seu jeito.

E ele fez.

Ele me levava no limiar do prazer com apenas um beijo, que aos poucos se tornava mais e mais intenso. Deslizei minhas mãos por suas costas e movimentei meus quadris sentindo-o excitado embaixo de mim, me fazendo desejar que apenas arrancássemos nossas roupas de uma vez, porém Oliver acabava comigo aos poucos e com apenas um beijo.

Isso porque não havia nada de simples num beijo de Oliver. Ele não beijava apenas com a boca, seu corpo inteiro estava empenhado no ato. As mãos grandes deslizando por minhas coxas e entrando por baixo da blusa de Oliver que eu vestia, a tirando vagarosamente, quebrando o beijo por tão poucos segundos que nem parecia que havíamos parado de nos beijar.

Seus dedos percorreram a linha da minha coluna causando-me arrepios gostosos por cada parte do meu corpo. Desataram com facilidade meu sutiã e o logo seus dedos estavam em meus ombros deslizando as alças para baixo e jogando a peça para o outro lado do quarto.

Todos os seus movimentos eram sensuais e ao mesmo tempo cuidadosos.

Suas mãos deslizavam por minha pele e a apertavam quando o desejo se tornava demais e ele precisava extravasar de alguma forma. Eu fazia o mesmo, arranhando as costas de Oliver, pressionando o meu corpo contra o dele, sentindo a forma que nossas peles pareciam queimar com o contato uma com a outra, degustando daquele beijo longo e sensual, que me enlouquecia.

Seus lábios se arrastaram da minha boca para o meu pescoço de um jeito que deveria ser considerado pecado, a barba por fazer arranhando a pele e arrancando suspiros da minha boca. Uma de suas mãos se colocou na base da minha cintura pressionando-me contra a sua evidente ereção ainda coberta pelo tecido da calça de moletom, ao mesmo tempo em que a outra mão de Oliver alcançava um dos meus seios, apertando-o, acariciando-o e brincando com ele.

Seus deliciosos e excitantes beijos desceram um pouco mais, sugando a pele do pescoço, clavícula e por fim do colo e foi nessa hora que eu joguei a cabeça para trás ao sentir o toque molhado e quente da sua língua sobre o bico de um dos meus seios. Oliver brincava com ele em sua língua até vê-lo entumecido, para só então abocanha-lo, sugando e raspando os dentes sobre a pele sensível, eu simplesmente deixei-me a mercê de todas as reações que apenas Oliver era capaz de provocar, emaranhei meus dedos em seus cabelos puxando-os enquanto gemia seu nome em resposta ao prazer que ele me proporcionava.

— Você gosta disso, não gosta?- seu hálito quente bateu contra meu seio úmido, fazendo-me estremecer de um jeito bom, pisquei direcionando meu olhar para Oliver que tinha nos lábios aquele maldito sorriso sacana, que eu soube, seria a minha perdição no primeiro momento em que ele se atreveu a jogá-lo para mim.

— Eu amo tudo o que a sua boca faz. — Ele sorriu ainda mais ao ouvir a minha resposta, os olhos brilhando em uma promessa perigosa.

— Não deveria ter dito isso, amor. — falou naquele tom provocante que me excitava ainda mais. Oliver me girou, colocando-me de costas sobre a cama, mas seu corpo não veio para cima do meu como eu imaginava, oh não. Oliver me deixou ali ofegante e deitada apenas usando uma calcinha, enquanto ele se sentava na beirada da cama e se despia. Quando terminou ele se virou para mim, completamente nu e em toda a sua glória, a visão do seu pênis completamente ereto me fazendo ter pensamentos sujos e automaticamente passei a língua sobre meus lábios. — Menina má. — Oliver disse num sorriso lascivo e numa voz com falsa repreensão, adivinhando o que se passava em minha mente.

Senti as mãos de Oliver em meus pés, beijando as áreas mais sensíveis. E aos poucos subindo pelas pernas, seu toque era quente e provocativo, mas sua boca era a fonte do prazer, onde quer que ele a colocasse eu sentia uma reação imediata do meu corpo e Oliver estava cada vez mais perto de onde eu realmente o queria, ele beijava a parte interna das minhas coxas agora, e eu sentia a respiração quente dele bater contra o tecido fino da minha lingerie, me fazendo contorcer em antecipação.

Suas mãos se colocaram ao redor das tiras da calcinha, e num movimento muito mais lento do que eu gostaria, ele a deslizou para abaixo. Eu gemi vergonhosamente alto no instante em que sua língua deslizou pela entrada do meu sexo, minhas mãos se agarrando com força no lençol da cama. Meus gemidos apenas aumentaram, se juntando a frases e palavras desconhecidas, enquanto a língua de Oliver seguia acabando comigo. Quando eu senti as familiares sensações que antecedem o orgasmo Oliver simplesmente parou e olhou para mim com seus olhos azuis brilhando com excitação. Eu sabia o que ele estava fazendo, prologando o prazer com a espera.

— Você está sendo mau. — Falei e ele apenas sorriu me provocando. — Minha vez — falei empurrando o seu corpo para trás. Se Oliver podia brincar comigo daquele jeito, eu também iria.

Tomei seu pênis em minhas mãos, acariciando-o vagarosamente sob o olhar atento de Oliver que estava se esforçando para se controlar. Mas quando abaixei minha cabeça tomando em minha boca a parte superior seu pênis, um gemido languido deixou seus lábios, e sua mão se colocou em meu cabelo o acariciando enquanto eu seguia lhe dando prazer. Eu não era uma perita em sexo oral, eu apenas deixava que a reação de Oliver me guiasse e me deixasse saber o que era bom para ele.

— Oh, amor... Eu estou tão perto. — falou com dificuldade.

— Eu não vou parar, Oliver. — disse erguendo o rosto para Oliver, seu olhos se arregalaram para mim, quando novamente tomei seu pênis em minha boca, fazendo alguns movimentos com a língua sabendo que aquilo o enlouquecia. Eu parei, no instante em que ele gemeu novamente, e me afastei com um sorriso travesso antes que ele pudesse gozar.

— Sua pequena diabinha! — ele reclamou com um sorriso de divertimento ao me ver jogar tão sujo quanto ele. Oliver veio até mim, suas mãos se prendendo em minha cintura enquanto ele me girava e me colocava novamente de costas na cama.

Ele subiu o corpo dele sobre o meu, o calor dele me fazendo transpirar. Oliver colocou ambas as mãos ao redor das minhas coxas puxando-as para cima e fazendo minhas pernas se erguerem enquanto ele se ajeitava sobre mim, cruzei meus tornozelos ao redor de seu corpo apenas para ter certeza de que não iria a lugar algum. Mas Oliver não me penetrou, eu apenas senti seu pênis latejante em minha entrada úmida, deslizando por ela criando uma fricção enlouquecedora, enquanto sua boca exigente e faminta buscava pela minha me beijando como se mais nada importasse no mundo.

— Eu nunca me senti assim com mais ninguém antes de você, amor. — Oliver sussurrou as palavras durante o beijo.

— Eu também não. — devolvi, seus olhos se prenderam nos meus parecendo contentes em ouvir aquilo e então finalmente Oliver empurrou seu pênis para dentro de mim exigindo o seu espaço, eu arqueei sentindo meu corpo acomodá-lo enquanto ele ia mais fundo, meu sexo apreciando a sensação de ser preenchido por ele.

Sexo entre Oliver e eu era sempre maravilhoso. Mas ia muito mais além do que uma simples satisfação sexual. Cada toque, cada olhar tinha uma intensidade muito maior dessa vez.

Eu percebi isso enquanto Oliver se movimentava dentro de mim com vontade, mas ao mesmo tempo com tanto cuidado e carinho, se preocupando não apenas com o prazer dele, mas principalmente com o meu. Eu via isso no modo como nossas mãos se entrelaçavam, nossos olhares jamais se deixavam e nossos beijos clamavam por nunca terem fim. Ou na forma que sempre sussurrávamos o nome um do outro quando o prazer era demais.

Sexo com Oliver era divertido, excitante e absurdamente prazeroso. E havia amor. Deus! Havia tanto amor que eu sentia vontade de chorar por ter encontrado isso em Oliver, por poder sentir e viver tudo isso com ele.

Os movimentos antes deliciosamente lentos se tornaram mais rápidos e ritmados, as estocadas de Oliver era fortes e profundas, e meu corpo se movia junto com o dele, ambos suados e ansiosos pelo prazer.

— Amor, diga que está perto. — sua voz veio rouca e afobada, mas eu não consegui responder com palavras, só gemidos, porque naquele momento Oliver atingia o ponto perfeito dentro de mim — Eu quero gozar com você. — Oh, Inferno! Eu já estava no limiar, mas a voz de Oliver dizendo que queria gozar junto foi o estopim para o meu orgasmo — Agora? — eu apenas assenti sentindo meu corpo se quebrar num orgasmo intenso, minhas coxas se apertaram ao redor do quadril de Oliver enquanto meu sexo se contraia apertando seu pênis que se derramava dentro de mim.

Aquele ganhava o prêmio de melhor orgasmo da minha vida, eu mal conseguia me mexer, cada parte do meu corpo presa naquela letargia deliciosa pós-orgasmo.

— Isso foi... — Oliver começou a dizer, enquanto se retirava de dentro de mim.

— Magnífico. — consegui completar e Oliver concordou com a cabeça, seu rosto se aproximando do meu e sua boca tomando novamente meus lábios.

Eu ainda lutava para respirar e ter Oliver me beijando não estava me ajudando. Por que uma vez que meus lábios estavam nos dele, respirar parecia algo supérfluo e sem importância eu apenas queria continuar a provar do seu gosto viciante.

— Você não faz ideia do quanto eu amo você. — declarou enquanto roçava suavemente seu nariz no meu, o gosto daquelas palavras caindo em minha boca, me fazendo desejar repeti-las.

— Oliver...

— Eu te disse que há muitas vantagens em morar comigo. — ele me interrompeu e me beijou mais uma vez daquele jeito preguiçoso e bom, claramente ansioso para mudar o assunto, ele girou seu corpo deitando-se de costas e levando-me consigo, deixando meu corpo se acomodar sobre o seu.

— Eu posso perceber isso. — respondi, me ajeitando sobre seu corpo relaxado colocando ambas as mãos sobre seu peitoral enquanto o fitava. Oliver sorriu e senti sua mão sobre minha cabeça seus dedos brincando com os meus cabelos de um jeito gostoso e tranquilo, que quase me fizera adormecer.

— Eu já disse que amo os seus cabelos? — perguntou numa voz arrastada, quase sonolenta.

— Eu já disse que eu não sou loira de verdade? — Confessei, e ergui os olhos para ele, curiosa pela sua reação ao descobrir meu pequeno segredo.

— Não disse. — respondeu, porém sem sinal algum de surpresa no seu semblante — Mas eu já sabia, eu vi uma foto sua antiga. — franzi o cenho, temendo saber onde ele vira essa foto e afastando da minha mente aquela possibilidade, eu não queria pensar em coisas ruins estando com Oliver — Com cabelos escuros e compridos, eles eram bonitos assim também.

— Onde viu isso? — Perguntei, ainda incerta se queria saber a resposta.

— Fiz uma busca pelo seu nome no sistema da polícia. — respondeu um pouco envergonhado, me fazendo rir, eu gostei de saber disso.

— Você me stalkeou! — acusei ainda rindo — Ainda bem que não tenho um facebook...

— Eu estava curioso. E completamente fascinado por você, eu queria saber mais e você era tão arredia comigo.

— Você não quer dizer, eu não queria te dar sexo fácil. — corrigi, e ele balançou a cabeça.

— Você queria me dar sexo sim, mas era teimosa demais. — Ele bocejou — Eu não a culpo por isso, eu deveria ter sido menos direto com você e conhecê-la aos poucos. Mas como eu disse, eu estava fascinado demais e não vi outra alternativa. — completou, um novo bocejo saindo de seus lábios.

— Está cansado? — perguntei o observando fechar seus olhos e deslizar a mão para mais para baixo abraçando o meu corpo junto ao seu. Eu sabia que Oliver tentava esconder, mas ele vinha dormindo pouco, ele dormia depois de mim e acordava bem antes, e quase sempre também acordava no meio da noite ao menor barulho e começava a checar todas as trancas do apartamento.

— Eu estou bem, só vou fechar meus olhos por alguns instantes, conte-me algo feliz da sua infância talvez. — Estranhei seu pedido, mas segui tagarelando bobagens sobre quando eu era pequena, contando da primeira vez que andei de bicicleta sem rodinhas e o desastre que aquilo foi, e só quando fiz uma pergunta percebi Oliver havia adormecido. Fitei seu semblante tranquilo e feliz, acomodei minha cabeça sobre o peitoral dele escutando as batidas fortes e ritmadas do seu coração.

— Eu amo você. — Eu sorri levando uma das mãos a boca ao perceber o que eu havia dito, eu finalmente consegui dizer, embora possa parecer que as palavras tenham sido ditas em vão, afinal Oliver sequer as escutara. Mas eu as escutara e eu sabia que aquele medo de amar estava indo embora.

Eu só precisava encontrar o momento certo para dizer à Oliver com todas as letras o quanto eu o amava.

***

Oliver Queen

Eu havia adormecido. Como isso foi acontecer? Eu estava sendo vigilante com meu sono, eu não me permitia dormir a qualquer momento, eu precisava me manter alerta caso algo acontecesse e Felicity precisasse de mim.

Felicity.

Era ela a culpada.

Me lembrei da voz melodiosa da minha namorada contando coisas sobre si mesma quando criança, a voz dela me acalmava me dava a certeza de que ela estava bem e aqui comigo, e somente assim eu conseguia relaxar. Eu até mesmo sonhei, não me lembrava exatamente do sonho, eu apenas ouvia uma voz. A voz dela dizendo que me amava. Olhei para o seu corpo abraçado ao meu e sorri, ela poderia não dizer com palavras, mas Felicity me amava, eu sentia isso e eu esperava que logo ela se sentisse confiante o suficiente para dizer as palavras. Fitei seu rosto tranquilo descansando eu meu peitoral, uma das mãos espalmadas sobre meu estômago, eu não me cansava de acordar todas as manhãs com seu corpo junto ao meu. Ou tardes nesse caso. Estiquei o braço para alcançar o meu celular sobre o criado mudo, tentando me movimentar o menos possível para não acordar Felicity. Mas tudo o que fiz foi derrubar o maldito no chão.

Me desvencilhei dos braços de Felicity com cuidado e me levantei, aproveitei e vesti minha cueca antes de pegar o celular no chão.

Olhei as horas no telefone, me assustando com o quão tarde já era. Como eu consegui dormir por tanto tempo? Eu estaria me preocupando com isso se não houvesse outra coisa ali me preocupando mais, eu havia recebido uma mensagem de Sara. Eu já cliquei nela temeroso, estava acostumado as notícias ruins, ou a falta delas no caso, já que por mais que a polícia tentasse encontrá-lo, Floyd Lawton havia simplesmente desaparecido da face da terra.

Foi um alívio ver que a mensagem de Sara era algo bom, para variar.

Bom o suficiente para me fazer sorrir, porque eu sabia que essa notícia faria Felicity sorrir.

— Amor? — Balancei suavemente o corpo de Felicity tentando acordá-la, normalmente eu preferiria fazer isso com beijos, mas hoje se eu começasse assim eu não poderia levar as carícias muito longe. — Amor, eu preciso que acorde. — falei um pouco mais alto, fazendo Felicity resmungar se remexendo enquanto os olhos abriam aos poucos e focavam em mim.

— Eu dormi também? — ela perguntou confusa enquanto esfregava os olhos com as costas das mãos e eu assenti me sentindo fascinado com o quanto cada detalhe dela me encantava. Felicity se sentou sobre a cama puxando o lençol consigo, e então me encarou seus olhos astutos me analisando — Porque você está sorrindo?

— Tenho boas notícias. — o rosto dela se iluminou em expectativa, não era comum termos boas notícias — Gordon acordou.

— Oh, meu Deus! Isso é ótimo! — Ela se ergueu da cama e jogou os braços ao redor de mim me apertando contra o seu corpo quente e eu a abracei de volta, ficamos assim por um tempo até que não éramos os únicos animados — Oliver? — Felicity chamou meu nome com um pouco de censura e diversão, me fazendo uma pergunta sem realmente fazê-la.

— Amor, você não pode me abraçar estando completamente nua e esperar que meu corpo reaja de um modo diferente. — Me expliquei fazendo-a corar um pouco, enquanto ela se afastava dos meus braços e buscava pela blusa minha que ela estava usando mais cedo, esperei que ela a vestisse e então me aproximei novamente — Mas não se preocupe, vou tomar um banho frio para acalmar as coisas aqui embaixo e então nós vamos nos arrumar para ver Gordon. — Expliquei dando-lhe um beijo suave e rápido nos lábios e indo em direção a porta do quarto.

— Oliver? — Felicity chamou meu nome, um sorriso travesso nos lábios — Seu banho não precisa ser frio.

Sorri de volta para ela, eu nunca me cansaria de ter minha vida cheia de Felicity Smoak.

***

A porta do elevador se abriu revelando mais um corredor branco, com tons de cinza e um verde enjoativo. Mesmo essa sendo a ala dos pacientes em observação, que não corriam mais grandes riscos, médicos e enfermeiros andavam de um lado para o outro com pressa.

Apertei a mão de Felicity na minha, enquanto caminhávamos pelo corredor amplo até o quarto de Gordon.

— Porque Sara e Diggle estão na porta do quarto dele? — Felicity perguntou, observando os dois conversarem.

— Apenas precaução, não sabemos se... — comecei a explicar sem muita vontade, o dia estava bom demais, Felicity aceitara continuar morando comigo quando todo esse inferno tivesse fim, Gordon estava bem, nós estávamos mais unidos do que nunca e eu não queria estragar esse clima bom trazendo um nome ruim.

— ... Se Floyd irá aparecer e tentar acabar com o que começou — ela completou num tom amargo que não gostei de ouvir.

— Não se preocupe com isso. — Assegurei e Felicity assentiu, eu apertei a mão dela na minha novamente, apenas a lembrando de que estávamos juntos, e nada de ruim aconteceria enquanto permanecêssemos assim. — Mas Sara deve estar enlouquecendo aqui, ela não é a maior fã de ficar parada num lugar só, eu aposto que ela preferia estar nas ruas correndo atrás de um ladrão de bolsa. Mas como ela não me tem mais como parceiro, capitão Lance está mantendo ela aqui longe de encrencas com Diggle.

— Como ele está? — Felicity perguntou ansiosa assim que nos aproximamos de Dig e Sara.

— Acordado por enquanto, ele perguntou por você quando acordou. Mas depois adormeceu, ele está um pouco lento por causa dos medicamentos, o médico está com ele agora, apenas checando tudo. — Sara a respondeu com calma e um sorriso complacente nos lábios. — Ele vai ficar bem, Felicity.

Percebi Felicity um pouco mais aliviada, mas conhecendo-a da forma que eu conhecia a preocupação dela só iria embora depois que falasse com o tio e se certificasse com seus próprios olhos que ele estava realmente bem.

— Obrigada por fazer companhia a ele. — Felicity agradeceu. — Eu imagino que deva ser um pouco chato ficar aqui no hospital a maior parte do tempo.

— De modo algum, tem sido uma ótima experiência passar um tempo aqui. — Sara devolveu com uma animação que me surpreendeu, aquilo não combinava com ela. A garota gostava tanto de pegar bandidos que às vezes, nas noites menos agitadas ela me arrastava pela cidade para ir atrás de trombadinhas apenas pela adrenalina da perseguição.

— Oh, com certeza, Sara tem adorado cada minuto que passa aqui — Diggle respondeu rindo e recebendo um olhar enviesado da minha amiga. Diggle pigarreou e continuou, mais sério dessa vez — Eu tomei o depoimento, e preciso levar para a delegacia. Há mais dois policiais patrulhando os corredores desse andar, apenas caso seja necessário.

— Bom. — assenti.

— Eu estou indo. — Dig disse — Eu acredito que você Sara, vai querer ficar por aqui. Estou certo? — Sua pergunta tinha um duplo sentido que não entendi.

— Sim. — Sara respondeu com um sorriso radiante e Dig balançou a cabeça rindo. Ok, algo definitivamente estava errado. Eu estava começando a achar que minha melhor amiga tenha sido substituída por um robô simpático e feliz.

— E Oliver? Gordon pode estar medicado e um pouco aéreo, mas eu não sei como ele vai reagir à isso. — indicou minhas mãos unidas as de Felicity — eu espero que esteja com o seu colete a prova de balas. — Deixou a frase no ar e deu as costas com um sorriso divertido no rosto.

Oh, merda! Eu não havia pensado nisso, ameacei soltar nossas mãos e Felicity me lançou um olhar desafiador erguendo uma das sobrancelhas. E eu soube naquele momento que eu tinha duas escolhas: eu poderia entrar naquele quarto e aceitar as repreensões de Gordon por eu estar com a sua sobrinha, e mesmo medicado e grogue o homem ainda daria um jeito de chutar minha bunda para fora. Ou eu poderia ter Felicity chateada comigo.

Era melhor eu me acostumar a um traseiro dolorido porque eu tentaria minhas chances com Gordon. Nesse momento a porta do quarto de Gordon se abriu, um homem de uns trinta e poucos anos, cabelos escuros e um sorriso simpático nos encarou.

— Olá, eu sou Dr. Palmer. — sorriu — Vocês estão aqui pelo paciente VIP? — perguntou sorrindo ainda mais.

— VIP?

— É como eu chamo meus pacientes que tem uma visita constante, como a Srtª Lance. — Ele olhou para Sara e sorriu ainda mais — Ela permaneceu aqui durante todo o tempo, vocês tem alguém muito devotada aqui. — Sara sorriu de volta se fazendo de rogada.

— Oh, agora eu entendi tudo. — Eu falei rindo da razão de Sara estar tão contente com o trabalho de ficar sentada numa cadeira de hospital o dia todo, ela estava interessada no médico de Gordon. Aquilo era novo, Sara era conhecida pelo gosto peculiar por badboys ou badgirls. — Um bonzinho, não faz muito sua cara não é, Sara. — Sara me deu uma cotovelada no meio das costelas e Dr. Palmer nos olhou parecendo confuso com o que acontecia, até mesmo perguntou se Felicity estava bem quando ela tentara disfarçar muito mal o riso com uma tosse.

— Bem, Jim Gordon está bem, sinais neurológicos estão bons, os ferimentos estão cicatrizando bem e não há nenhum indício de infecção. — Falou naquele tom profissional de médico enquanto corria o olho pela ficha do paciente, e Sara faltou apenas começar a babar — nós vamos apenas mantê-lo aqui em observação e garantindo que ele tome todos os remédios para dor. Vai ser como um hotel.

— Eu aposto que tio Gordon não pensa assim. — Felicity comentou e Ray deu uma gargalhada.

— Oh, de jeito algum! Ele já tentou levantar várias vezes desde que acordou e vive dizendo as enfermeiras que pode fazer tudo sozinho que não precisa de ajuda. — Ray comentou e o rosto de Felicity se iluminou — Mas ele não vai estar tão ativo agora, eu acabei de aplicar mais uma dose da medicação, não vai demorar muito e ele irá dormir.

— Oh, tudo bem. — Felicity assentiu. — Podemos entrar e vê-lo?

— É claro. — o médico assentiu — Há um bipe ao lado da cama, para o caso de uma emergência. Eu não estarei longe, apenas irei almoçar no andar de baixo. — informou.

— Que coincidência, eu ainda não almocei também. Você se importa se eu acompanhá-lo Dr. Palmer? — Sara se ofereceu simpaticamente. Sim, definitivamente minha amiga foi substituída por um robô simpático cheio de sorrisos.

— De jeito algum, será um prazer. — Dr. Palmer se desmanchou em sorrisos parecendo encantado — E, por favor, me chame de Ray.

— Então vamos, Ray. — Quase ri ao vê-lo estender o braço para Sara. Onde estávamos? No século XVIII? Sem contar que eu nunca tinha visto Sara agindo daquele jeito toda animadinha por causa de alguém.

— Tenham um bom almoço... — falei enquanto os dois se afastavam e Sara, como uma bela criança, olhou para trás e me mostrou a língua.

— Vocês dois são como dois irmãos irritantes. — Felicity revirou os olhos.

— Eu acho que sim. — ri, pensando no meu relacionamento com Sara e como eu a via como uma pequena e irritante pedra no meu sapato, mas era a minha pedra no meu sapato. — Agora vamos ver Gordon, amor. — falei girando a maçaneta da porta com uma mão enquanto Felicity apertava a outra que estava entrelaçada na dela. É, vamos preparar essa bunda para ser chutada.

***

Gordon estava bem mais corado do que das outras vezes que o visitamos. Era bom não vê-lo cheio de tubos, ou parecendo tão frágil. Por outro lado eu não duvidava que apesar de estar medicado, como o Dr. Palmer disse que ele estava, ainda assim Gordon me chutasse para fora do quarto quando percebesse que Felicity e eu estávamos juntos.

— Tio Gordo! — Felicity se aproximou da cama, deixando um beijo sobre a careca dele — É bom vê-lo finalmente acordado.

— Bom ver que você está bem, apesar de tudo. — ele deu um sorriso cansado para a sobrinha. — Está até mesmo sorrindo. — Ele a encarou satisfeito por ver aquela mudança.

— Oliver tem me protegido direitinho. — Felicity comentou, e Gordon apenas me lançou um olhar e aceno de cabeça expressando gratidão.

— Isso é bom. — Gordon parecia satisfeito até que seus olhos desceram e fitaram nossas mãos unidas. Suas sobrancelhas se uniram, os lábios se contorceram numa carranca contrariada, e recebi um olhar muito mais duro dessa vez — Mas o que diabos está acontecendo entre vocês dois?

— Gordon... — pigarreei tentando encontrar uma forma simples de explicar, mas ele sequer me deixou tentar.

— Eu te disse para cuidar dela, porra! Não seduzi-la para foder com ela! — Me recriminou duramente e Felicity ria tentando disfarçar o riso com uma tosse — Me desculpe querida, você não deveria ouvir essas coisas. — Ah ele não achava que Felicity era uma pobre inocente, achava? — Mas eu preciso dizer Oliver o quanto eu estou desapontado com você. Eu imaginei que os dois encontrariam problemas para se relacionar no início, mas pensei que você pudesse ser melhor do que isso. Você não vai tratar minha sobrinha como trata as suas... — Gordon parou para respirar, perdendo um pouco do fôlego no meio de seu sermão, seu rosto ficando avermelhado.

— Tio Gordon... O senhor está bem? Devo chamar o Dr. Palmer? — Ela perguntou aflita, mas Gordon negou com a cabeça embora ainda parecesse sentir dificuldades para respirar.

— Inferno Gordon isso não é razão para se estressar! Precisa ficar calmo. — reclamei, me sentindo preocupado também.

— Eu estou bem, querida. — Era incrível a mudança no tom dele para doce quando falava com Felicity, mas logo que a conversa se voltava para mim o tom voltava a ser duro. — Você não vai tratar minha sobrinha como trata as suas vadias! — Determinou apontando o dedo para mim, seus olhos cansados expressando uma determinação firme que contrastava com a eminente fraqueza.

— Eu não vou! — afirmei em alto e bom tom, para encerramos aquilo. — Eu a amo, de um jeito que eu jamais pensei ser possível. — olhei para Felicity ao meu lado e senti meu coração inchar com todos os sentimentos que eu sentia por ela — Eu prometo a você, eu vou cuidar dela e não irei machucá-la, tudo o que eu quero é fazê-la feliz e mais nada.

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— Oh. — ele certamente pareceu surpreso ao me ouvir falar aquelas palavras, Gordon me conhecia bem para saber que eu não era o tipo de cara que me apaixonava e muito menos que falava de amor tão abertamente. Eu era um dos durões, será que ele virá o quanto Felicity me suavizara? — Eu acho bom, porque se você de alguma forma magoá-la, eu irei chutar a sua bunda tão forte que nunca mais você será capaz de sentar.

— Sim, senhor. — Aceitei a ameaça, contente por encerrarmos aquele assunto.

— Dito isso, eu já acho que estou começando a ficar grogue com tanta medicação, não é provável que eu fique acordado por muito mais tempo. — Gordon reclamou num suspiro — Oliver, se importa de nos dar um momento? Eu gostaria de falar com Felicity a sós.

Sim, eu me importava.

Dei um olhar para Felicity, e ela apenas assentiu dizendo que tudo estava bem. Me despedi dela com um beijo sobre a testa, e deixei o quarto tentando não mostrar o quanto eu estava contrariado com aquilo.

***

Os minutos passavam mais devagar.

Eu me sentia ansioso e não parava de checar as horas. Eu me levantava da cadeira, andava de um lado para o outro em frente a porta e tornava a me sentar. Eu contava a quantidade de médicos no andar e o que eles faziam, agora a pouco um deles saíra do quarto ao lado com um paciente em uma maca e havia uma enfermeira empurrando um garoto em uma cadeira de rodas com a perna engessada. Ela já tinha passado pelo corredor três vezes, eu estava começando a achar que era alguma novata perdida.

Quanto mais tempo eles demorariam?

Suspirei balançando meu pé num ritmo ansioso.

Eu não gostava de esperar e gostava muito menos de esperar estando longe de Felicity, mesmo sabendo que ela estava segura e a uma porta de distância.

— Já chega! — me ergui da cadeira mais uma vez, não aguentando mais esperar. Bati na porta do quarto me sentindo estranhamente nervoso — Felicity? Posso entrar? — Chamei seu nome através da porta, mas não obtive resposta.

Aquilo não estava certo.

Abri a porta sem hesitar, meu corpo inteiro se tencionou e eu quase caí de joelhos ao ver Gordon ao chão inconsciente, pétalas secas de rosas vermelhas espalhadas por sobre a cama e não havia sinal algum de Felicity no quarto.

Isso não podia estar acontecendo.

Era um pesadelo, eu precisava acordar desse pesadelo.

— Não! Felicity? — Comecei a gritar o nome dela esperando vê-la aparecer a qualquer momento enquanto eu checava os sinais vitais de Gordon. Bipei o médico e comecei a andar pelo quarto ainda sentindo o meu corpo tremer. Eu não estava bem, eu estava a beira de um colapso, mas tentava me conter. Chequei uma das portas, o banheiro estava vazio, até que chequei a segunda porta que havia ali e descobri que dava para o quarto ao lado, e então eu soube como ele havia chegado até ela — Desgraçado filho da puta! — urrei o xingamento chutando a maldita porta, a dor de perdê-la era grande demais para aguentar, eu queria destruir tudo o que estivesse a minha frente, e mesmo assim, eu não conseguia me livrar da maldita dor que era perdê-la.

— Oliver? O que aconteceu? — Sara entrou no quarto alarmada, junto com Dr. Palmer que imediatamente foi checar Gordon.

Ele a pegou, Sara. — as palavras rasgaram a minha garganta, eu sentia algo quente e úmido descendo por meu rosto, eu estava chorando.

— Vamos achá-la, Oliver. — Minha amiga me garantiu começando a fazer ligações pedindo reforços, pedindo para fecharem as saídas do hospital. Mas eu sabia que Sara não poderia me dar certezas.

— Felicity? Amor, onde você está? — Eu disse a mim mesmo fechando os olhos por um momento, eu estava desesperado e me sentindo miserável, eu mal conseguia respirar sem sentir meu coração implorando para que eu fizesse algo antes que fosse tarde demais. Milhares de imagens de coisas terríveis que ele poderia fazer com ela passavam por minha mente, ferindo-me ainda mais.

Ele iria quebrá-la novamente.

Ele iria destruir cada pedaço do seu coração, que eu passei tanto tempo empenhado em curar.

Eu não podia permitir que isso acontecesse, eu não podia tê-la perdido assim.

Não, eu não a havia perdido, ela ainda era minha, assim como cada batida do meu coração era dela. Ele havia a tomado de mim, bem debaixo do meu nariz, e eu sei que aquilo tinha sido uma provocação, uma demonstração de poder, e ele ainda não havia terminado. Eu estava começando a entender o jogo sádico da mente perturbada dele.

Eu iria entrar naquele jogo, eu jogaria a minha vida nas mãos de um psicopata se fosse necessário, mas eu faria de tudo para tê-la de volta em meus braços.

Notas finais
Estou com medo de perguntar o que vocês acharam, sei que muita coisa aconteceu e pode ser muito para digerir, enfim, o que vocês acharam? ps.: link da lista da Helena tá no meu twitter: https://twitter.com/IngretDaiane/status/852598968227966976