Running Away

19 Capítulo 18 - Bloodsport


Notas iniciais
Hello, It’s me! Como estão? Ansiosos por este capítulo, assim espero! Eu só quero esclarecer, que a fic vai ter mais uns quatro capítulos se não estou enganada, então se eu demorar um pouquinho é porque não quero deixar nenhuma ponta solta, ok? Agradecimentos: Primeiro Simone, a louca que certa vez deixou um review tão surtado que eu até aprendi alguns palavrões novos ;) Obrigada pela recomendação. Eu amei, amei, amei muito, mas muito mesmo! Amo receber recomendações especialmente quando são tão carinhosas como a sua! Espero que este capítulo não te dê um ataque cardíaco =D e é sério quando eu digo que eu fiquei mega emocionada quando li tantas coisas lindas que você escreveu sobre a história e sobre a minha escrita. Deu aquela aquecida no coração e na autoestima! Um milhão de vezes obrigada! Se um dia eu publicar um livro, você não vai ter que comprar, faço questão de dar um pra você! E Patty!! Feliz aniversário atrasado, espero que o capítulo ainda valha como presente! Espero que curtam esse capítulo especialmente dedicado à vocês duas! E aos outros leitores, obrigada pelo apoio de sempre, pelos comentários lindo e pelos favoritos. Agora estão livres para ler, se é que já não pularam as notas e estão lendo há tempos!

Nothing is perfect but your imperfections are quaint

And your love is worth it and for that I will wait

And though you hate me when you have a turn

I drive you crazy but you always return

If I fall short, if I break rank

It's a bloodsport, but I understand

I am all yours, I am unmanned

I'm on all fours, willingly damned

Loving you's a bloodsport, yeah, yeah

Fighting in a love war yeah, yeah

It's not what I'm in love for, I'm yours,

But I don't know if you can help it, maybe I'm just being selfish,

Loving you's a bloodsport, yeah yeah

(Bloodsport '15 — Raleigh Ritchie)

Oliver Queen

Eu mostrei meu distintivo à entrada do prédio que ficava em frente ao meu, e segui pegando o elevador para o sétimo andar. Capitão Lance havia feito um chamado logo pela manhã exigindo minha presença, interrompendo Felicity e eu quando estávamos tendo um momento bem divertido. Pela movimentação de policiais no prédio, e de curiosos do lado de fora eu diria que um crime aconteceu ali. Minhas suspeitas foram confirmadas assim que a porta do elevador abriu, me vi num amplo corredor, a porta de um dos apartamentos estava bloqueada pela simples fita amarela onde se lia “não ultrapasse, cena de crime”.

Meu humor, que estava muito bom pela manhã, havia piorado consideravelmente. Lance havia me tirado do meu apartamento, da minha cama com Felicity para me delegar uma nova investigação. Não importa a merda que ele jogasse para cima de mim, eu iria recusar. Eu sabia que isso talvez não demorasse a acontecer, eu e Felicity estávamos em um relacionamento e considerando que eu nunca fui um cara de ter relacionamentos era óbvio para todos o quanto ela era importante para mim. Floyd Lawton havia percebido isso e usado da minha ligação com ela para jogar comigo. As coisas estavam entrando em um campo pessoal demais, e sempre que uma investigação se tornava pessoal, o policial em questão tinha que ser afastado. Essa era a regra.

Foda-se.

Eu nunca joguei pelas regras, não seria agora que eu começaria. Eu estaria no caso de Felicity, capitão Lance gostando disso ou não, eu iria apenas jogar toda a merda no ventilador logo de uma vez, explicar a ele como tudo funcionaria e daria as costas. Ele poderia até me afastar da investigação se quisesse, afinal ele era meu chefe, mas não poderia afastar Felicity de mim.

Cumprimentei o policial a porta com um aceno de cabeça enquanto ele erguia a fita amarela e eu passava por baixo dela. Entrei na sala do apartamento e meu olhar assimilando rapidamente a falta de móveis e indo diretamente para o capitão Lance que estava de costas para mim.

Eu deixei que o medo de me tirassem Felicity misturado a raiva por qualquer um que tentasse fazer tal coisa, falassem por mim, e quando me dirigi a Lance não havia nenhuma parte do policial que deveria prestar respeito ao seu superior.

— Escute aqui Lance, eu não estou disponível para um caso novo. Eu não me importo se acha que há conflito de interesses ou que as coisas estão pessoais demais. Eu não vou ser afastado do caso de Felicity. Você pode ir... — Segurei o xingamento antes que ele saísse assim que notei Capitão Lance compenetrado em outra coisa, que sequer me dava atenção. Desviei meu olhar na direção que ele olhava, um arrepio gélido percorreu minha espinha quando me dei conta do que era — Mas que porra é essa?

— Eu deveria responder isso a você e ao seu discurso impertinente. — Lance falou num tom muito mais condescendente do que eu merecia — Mas acho que temos algo mais importante para lidar do que a sua falta de educação e respeito as autoridades. E algo me diz que esse seu comportamento não vai se repetir. — Meneou a cabeça tornando a olhar em direção a parede.

Dei passos pesados indo até Lance e a parede que ele indicava. Engoli em seco, um gosto amargo descendo pela garganta enquanto eu me dava conta do que havia ali. Centenas de fotos. Todas de Felicity, com datas e especificações de locais, organizadas desde o momento em que ela colocou os pés em Starling City e finalizando com a foto dela de ontem a noite na varanda do meu apartamento. Formando uma maldita e detalhada linha do tempo.

A primeira foto era da chegada dela no aeroporto, puxando suas malas parecendo assustada no meio de tantas pessoas. Havia outras dela caminhando pela rua ou trabalhando no bar de Helena. Eu também estava em várias dessas fotos, olhando para ela enquanto servia mesas, passeando com ela no parque, no nosso encontro frustrado no restaurante. Em todo o momento ele esteve perto dela, ele poderia tê-la pego em qualquer instante, mas não o fez. O porquê disso eu não entendia. Arranquei uma das fotos grudadas à parede, era apenas um momento simples entre Felicity e eu, na vez que eu a levei ao parque, estávamos de frente um para o outro, minha mão tocava a face dela, ela sorria. Era um tão momento íntimo, e ela estivera lá a espreita.

Em cada momento ele estivera presente. Como não notamos? Eu sentia como se ele tivesse violado algo que eu nem mesmo sabia explicar o que era.

— Filho da puta. — xinguei, minha voz soando estranhamente fria. Eu estava cansado desse jogo, eu estava cansado do quanto ele estava presente em cada merda de momento. Eu estava puto porque eu não havia notado nada disso antes. Que merda de policial eu era? Como ele pudera estar tão perto, e tão invisível? Eu era assim tão cego quando o assunto era Felicity? — Como vocês encontraram esse lugar? — Perguntei Lance, forçando-me a segurar a raiva e assumir uma postura mais profissional.

— Foi pela foto que ele te enviou dela. — Explicou — Os peritos de fizeram alguns cálculos sobre ângulos e distâncias, os quais eu não consigo entender, mas o importante é que conseguiram determinar que a foto havia sido tirada daqui. — Lance abriu a porta dupla da sala que, assim como no meu prédio dava em uma varanda. E advinha só? A vista dava direto para o meu apartamento.

Quantas noites ele passou ali nos observando?

— Porque não me ligaram assim que descobriram? — Aquilo estava me incomodando, eu não gostava de ser o último a ser informado.

— Porque eu sou o chefe e não você. — Lance deliberou com uma nota leve de sarcasmo — Além disso, John Diggle disse que você já tinha muita coisa para lidar, com toda a coisa da boate dando errado. Isso era algo que podíamos cuidar e depois avisaríamos você. — rangi os dentes — Não somos um bando de incompetentes, Queen. — Suspirei, eu sabia que estava pegando pesado com eles, mas alguém poderia me condenar? Em anos na polícia de Starling, eu havia lidado com muitos caras maus, alguns até mesmo um tanto quanto doentios, mas nunca tinha lidado com um psicopata como esse. E o menor erro poderia me custar Felicity. — Infelizmente, quando chegamos aqui, não havia nenhum sinal do Lawton. Apenas as fotos e...

— Ele estava esperando que encontrássemos isso. — Conclui interrompendo. Ele era meticuloso, mandou a foto para mim e calculou exatamente o tempo em que a polícia demoraria para chegar a conclusão de onde ele havia tirado. — Ele está sempre a nossa frente, eu aposto que deve esta rindo da nossa cara agora.

— Provavelmente. — Lance disse enquanto saía da pequena varanda e fazia sinal para que eu o seguisse. Eu estava fazendo um esforço descomunal para conter minha raiva, para não gritar ou socar algo, tamanha era a minha frustração. Mas por mais que tentássemos Lawton parecia estar sempre à três passos a nossa frente. Como lutar contra isso?

Despendi um novo olhar para minha foto e de Felicity que eu ainda apertava em minhas mãos, estranhamento isso fez algo se acalmar dentro de mim. Sim, ele poderia estar lá nos vigiando, mas isso não mudava aquele pequeno momento entre nós, não tornava menos verdadeiro o sorriso nos lábios dela ou modificava que aquele tinha sido o ponto, ao menos para mim, onde meus sentimentos por ela começaram a ficar mais claros.

Voltamos para sala e novamente a parede repleta de fotos de Felicity parecia rir de mim. Da minha incapacidade de protegê-la. Forcei meus olhos a encararem qualquer parte do apartamento que não fosse aquela parede, e quando o fiz meus olhos se depararam com respingos de sangue no corredor, e pareciam fazer uma trilha em direção a um dos quartos.

— E todo esse sangue? — Questionei Lance, ainda seguindo o sangue que acabava em uma grande poça no chão.

— Eu ia chegar lá. — havia um pouco de pesar em sua voz ou era impressão minha? — Lawton manteve um refém, alguém de quem ele tirava algumas informações sobre a sua garota. — Definitivamente havia pesar ali, não apenas na voz, mas o jeito que Lance olhava para mim com solidariedade e compaixão.

— Gordon. — Abaixei a cabeça em derrota enquanto Lance confirmava. — E o que aconteceu com Gordon? — Questionei, observando a quantidade de sangue no chão, não era difícil imaginar. — Ele está morto?

***

— Ele está morto? — Felicity me perguntou com a voz tão baixa e trêmula, seus olhos tão expressivos olhavam-me com medo da resposta.

Era curioso que eu estivesse aqui agora, olhando para Felicity, para seus olhos que já viram tantas coisas ruins que os fizeram perder um pouco da luz, e eu estava prestes a responder a mesma pergunta que eu tinha feito ao capitão Lance naquela manhã. Eu queria que houvesse uma forma de esconder as coisas ruins dela, e mostrar-lhe apenas as boas.

Eu não queria ser aquele a dar uma notícia que a faria quebrar novamente.

— Felicity, o seu tio está vivo. — respondi, aliviado por poder dar essa resposta, ainda que temporariamente — Ele está no hospital se recuperando. — Talvez eu estivesse exagerando um pouco agora.

— Graças à Deus! — Exclamou aliviada, e logo em seguida lançou uma enxurrada de perguntas as quais eu não queria responder — Onde o encontraram? O que aconteceu com ele? Ele está muito machucado? Podemos ir vê-lo?

— Vá com calma. — pedi suavemente, colocando minhas mãos em seus ombros tentando desacelerá-la. Eu achava encantadora a forma como ela atropelava as palavras quando estava nervosa ou ansiosa demais com algo, mas eu precisava que ela não criasse muita expectativa — Eu não acho que esta seja a melhor hora para vê-lo, ou para responder todas essas suas perguntas. — ela me lançou um olhar suspeito.

— Oliver, o que você não está me contando?

Pensei no apartamento no prédio a frente, em todas as fotos dela, nossas, coladas naquela parede. Ele estaria perto quando eu saísse com ela? Ele nos seguiria em cada passo nosso? Eu não tinha dúvidas disso.

— Gordon, ele não está bem.

— Mas você disse que...

— Os ferimentos são graves e ele está inconsciente no momento.

— Mas ele ainda está vivo. Ele é um lutador, ele vai sobreviver, Oliver. — Deixei um sorriso escapar ao ouvir as palavras dela. Apesar de tudo estar indo ladeira abaixo, Felicity ainda tinha esperanças de que tudo ficaria bem. Poderia ser um pouco de ingenuidade da parte dela, mas ainda assim era algo bom, e eu ficava contente em ver que ela ainda tinha fé. Meu sorriso tinha um segundo motivo, as palavras de Felicity não eram dirigidas a si mesma, ela queria me confortar também, me dar um pouco da esperança que eu estava perdendo aos poucos no meio de toda essa situação.

— Você tem razão. — concordei, puxando-a para meus braços e envolvendo-a em um abraço caloroso.

Era sempre bom ter Felicity em um abraço, era quando eu sentia seus braços ao redor do meu corpo, sua respiração batendo em sopros leves contra o meu pescoço, que eu percebia o quão sortudo eu era em tê-la apenas para mim. Eu podia apenas abaixar um pouco a cabeça e tocar sua cabeça com meus lábios, eu podia sentir o aroma dos cabelos dela.

— Eu sempre tenho razão, Oliver. — Ele ergueu o rosto para mim — É melhor aprender isso agora, vai ser melhor para o futuro do nosso namoro.

— Anotado. — Meu sorriso se ampliou ao ouvir a palavra futuro. Eu queria um com ela. Eu nunca me preocupei com isso antes. Eu sempre estive satisfeito com a minha vida, eu tinha mulheres na minha cama, um emprego que me fazia extravasar a toda a adrenalina no meu sistema, e era isso. Não havia muita expectativa no futuro, quando eu pensava nisso a única coisa que eu mudava era a mulher na minha cama. Mas agora, quando eu pensava no dia de amanhã minha única certeza era Felicity. Na minha cama, na minha vida, no meu amanhã e em todos os dias que viessem depois.

Subi uma das mãos por sua coluna até sua nuca, acariciando calmamente, permitindo que meus dedos afundassem em seus cabelos macios, para só então inclinar sua cabeça para mim. Felicity fechou os olhos e entreabriu os lábios esperando ansiosa pelo o beijo. Eu demorei um pouco para fechar os meus. Eu gostava demais do que via no rosto dela para abrir mão dessa visão, era pura entrega, sem receios, sem medos, apenas vontade de amar.

Eu sorri ainda mais, deixando-me ser inundado por aquela sensação boa que era amar Felicity e, mesmo que nenhum de nós tenha dito, eu sabia que aquele sentimento era recíproco. Estava bom para mim.

Deslizei a língua por sobre os lábios dela saboreando sem pressa. Felicity suspirou e empurrou seu corpo mais para mim, suas mãos apertando e torcendo o tecido da minha camisa e exigindo muito mais do que eu estava oferecendo. Eu amava a reação dela, era por isso que eu gostava de ir devagar, apenas para ouvir seus suspiros que soavam quase eróticos aos meus ouvidos.

Quando finalmente tomei seus lábios não havia apenas o calor da luxúria, havia o calor de algo muito maior do que isso. E eu precisava disso, como se tudo dentro de mim estivesse frio e apenas Felicity me aquecesse, como se ela fosse o fogo e eu a brasa. E precisava dela, eu precisava do amor dela, percebi, para me sentir bem. Eu a beijei lentamente, deixando o fogo queimar entre nós numa constância agradável, deixando que o amor se espalhasse aos poucos por cada parte de nós. E quando o beijo teve seu fim, ele veio tão calmo que sequer parecia um fim.

Beijei os lábios dela novamente, incontáveis vezes. Apenas pequenos beijos, aqueles que damos quando simplesmente não conseguimos parar beijar a pessoa que amamos e não queremos nos separar.

Felicity sorria para mim um daqueles sorrisos íntimos que dizem muito mais do que palavras. Eu sorri de volta feliz por ser aquele que a fazia sorrir com algo tão simples quanto um beijo. Ela ergueu uma das mãos, acariciando levemente meus cabelos, seu sorriso se abriu um pouco mais, me motivando a dizer o que era óbvio. Mas antes que eu pudesse dizer algo, Felicity se adiantou.

— Você acha que há um horário de visitas ou podemos aparecer no hospital e ver Gordon a qualquer hora? — Pisquei confuso por um momento até assimilar o que ela queria dizer, e então enrijeci e instantaneamente meus braços se apertaram em torno da cintura dela, impedido que ela fosse a qualquer lugar longe de mim. Se eu saísse de casa com ela seria impossível para mim não imaginar se ele estaria ou não nos seguindo, eu ficaria paranoico demais, seria difícil esconder. E eu ainda me mantinha firme na decisão de não conta-la o quão longe Lawton já havia ido por causa dela.

— Eu acho que seria melhor se ficássemos no apartamento até que Gordon acorde. Não há muito o quê possamos fazer no momento, é melhor deixar os médicos lidarem com isso, e nós o visitaremos quando ele estiver melhor. — Falei forçando um desinteresse, enquanto tentava distraí-la desviando o meu olhar do dela e abaixando a cabeça em seu pescoço, fazendo meus lábios escorregarem pela pele, eu mal tive a chance de ir muito além dos pequenos beijos. Felicity era esperta demais para ser enganada assim tão facilmente. Ela espalmou as mãos em meu peitoral e deu um passo para trás tentando se afastar. Ela bufou ao perceber que não conseguia se afastar, eu ainda mantinha presa em meus braços.

Eu não ia soltá-la. Não agora, quando eu via a nuvem de fúria se formando em seus olhos e a única vantagem que eu tinha sobre ela era que as minhas mãos ainda estavam em seu corpo.

Talvez eu não a soltasse nunca.

Voltei a puxá-la para mim, dessa vez deixei que uma das minhas mãos brincasse com a barra da blusa dela, meus dedos fazendo movimentos lentos enquanto tocavam sua pele nua e subiam ao logo da barriga. Minha outra mão deixou sua nuca se colocando em seu pescoço acariciando com o polegar a delicada curvatura enquanto os outros dedos se afundavam em seu cabelo. Inclinei meu rosto para baixo, buscando pelos lábios dela, eu não iria ser suave dessa vez, eu queria apenas permitir que todo o desejo queimasse entre nós.

— Você está tentando me manipular com sexo. — Felicity disse num suspiro baixo fechando os olhos e virando o rosto impedindo que eu beijasse seus lábios. Por mim tudo bem, deixei que minha boca beijasse seu maxilar se arrastando pela pele em direção à sua orelha, minha respiração quente a fazendo estremecer.

— É claro. — dava para perceber meu riso sem vergonha no tom da minha voz. — Quase sempre funciona.

— As coisas seriam bem diferentes se eu tivesse o mesmo efeito sobre você! — Ela protestou, me fazendo parar a carícia por um momento e encará-la.

— Amor, você deveria jogar essa cartada comigo o tempo todo, eu sou totalmente manipulável por sexo com você.

— Sério? — Ela piscou os olhos arregalados para mim.

— Eu pensei que fosse óbvio, não vê o que faz comigo? Nenhuma outra mulher me deixa assim apenas por estar em meus braços. — Falei em seu ouvido enquanto roçava levemente minha ereção contra ela, a respiração dela se acelerou, seus dedos que antes estavam em meu peitoral deslizaram para baixo, ela mordeu o lábio inferior sugestivamente enquanto seus dedos desabotoavam minha calça.

— Porque eu ainda te ensino como me derrubar? — Meneei a cabeça erguendo apenas um dos cantos dos lábios num sorriso safado, enquanto novamente eu buscava pelos lábios dela.

— Espera. — Felicity pediu, seus olhos fitando os meus — Só para esclarecer as coisas, você não quer que eu vá visitar Gordon? — Eu soube nesse instante que isso não terminaria em sexo, e me vi obrigado a tomar uma respiração profunda.

— Não, eu não quero. — Admiti sabendo o quanto isso soava egoísta, eu soltei-a de meus braços deixando que ela se afastasse. Ela queria conversar, destrinchar toda a coisa e meus hormônios ainda estavam em ebulição. Eu não queria conversar com ela, eu não queria tê-la me pressionando para dizer o que realmente havia acontecido ao Gordon ou ainda, a perversidade de até onde ia a obsessão de Lawton por ela.

— Isso é um não à ideia de visitarmos Gordon, ou isso é um não porque você não quer que eu saia desse apartamento? — Seus olhos inteligentes se estreitaram para mim.

— Amor... — tentei, ela estava perto demais da verdade.

— Não. Não me venha com amor, ou use esse seu tom condescendente comigo! — esbravejou, seu tom ficando muito mais alto e suas bochechas vermelhas de raiva — Sabia que eu não falo com a minha mãe há meses? Eu a deixei para trás quando Lawton apareceu na minha vida, porque eu não queria que ela se machucasse ou que ele a usasse contra mim. Eu sabia que enquanto eu estivesse longe dela, ele também estaria. — meu coração se apertou um pouco ao ouvir isso — Gordon é tudo o que me restou, ele é o mais do que um tio para mim, ele é quase um pai. Eu preciso estar com ele, você não entende? — Eu não gostava daquilo, para ser justo eu odiava o quanto Felicity estava chateada. Mas era uma escolha entre a segurança dela e a felicidade, como eu escolheria? — Não seja como ele, não me afaste da minha família.

Lancei um olhar estarrecido para ela, não acreditando que Felicity fizera aquela comparação. Ela abriu a boca assustada consigo mesma e depois mordeu o lábio inferior como se desejasse retirar as palavras que dissera.

— Isso foi golpe baixo. — eu não percebi o quanto eu estava magoado com aquilo, até sentir a frieza das palavras em meus lábios.

— Eu sei, me desculpe. Eu não penso isso realmente, você sabe disso. — Felicity não estava apenas arrependida, ela estava envergonhada — Eu apenas não sei mais o que fazer, Oliver. Eu já perdi tanto, eu não quero perder o que ainda tenho. — Aquele de brilho de tristeza nos olhos dela me amoleceu, e me fez esquecer porque eu estava chateado com ela. Só havia em mim uma necessidade de tirar aquela tristeza de lá, e fazê-la sorrir com os olhos como ela fazia tão poucas vezes.

— Você não vai perder mais ninguém. — garanti, me sentindo ainda mais motivado a colocar Floyd Lawton atrás das grades. Felicity merecia ter de volta o que ele tirou dela.

— Eu espero que não, mas eu não sei o dia de amanhã. Eu entendo que você ache que isso o que está fazendo é me proteger. — Ela pegou minhas mãos e segurou com as suas — mas tente ver pelos meus olhos, Oliver. Para mim parece que você está me impedindo de estar com alguém que eu amo. Eu entendo o seu medo, eu mesmo já me senti assim por tanto tempo, mas agora o medo que eu sinto é de acordar em um dia qualquer e de repente descobrir que eu não tenho mais um dia com alguém que eu amo, que quando eu poderia estar com essa pessoa, ao lado dela, pelo tempo que fosse, eu não estive. O tempo não volta, Oliver, eu aprendi que tudo o que temos é o agora, e a esperança de um talvez no futuro. E eu não quero ser alguém cheia de arrependimentos.

Suas palavras tocaram-me, ela estava certa.

— Tudo bem, nós vamos ver Gordon.

***

A visita ao hospital não foi muito produtiva.

Como eu já sabia Gordon não estava acordado, os médicos o mantiveram sedado. Ele apresentava muitos machucados mais antigos, além de desidratação, e claro um facada no estômago. Floyd o havia acertado e o deixado no apartamento para morrer, por sorte Lance o havia encontrado a tempo e o trazido para o hospital, mas ainda assim, o ferimento era profundo e ele havia perdido muito sangue.

Era difícil para mim me esquivar das perguntas de Felicity, e no fim eu apenas admiti que Floyd estava envolvido, e a lembrei de que o importante era que estávamos com Gordon agora, eu vi pelo semblante que minha resposta evasiva não a satisfazia. Mas que diferença fazia atormentá-la ainda mais com todos os detalhes? Eu poderia apenas imaginar o que seria para ela descobrir que ele não a havia perdido nem por um segundo desde que ela deixara Gotham City, ele perseguira cada passo dela.

Por fim, depois de algumas horas nós deixamos o hospital.

Coloquei as chaves sobre a bancada da cozinha e fui direto até a geladeira em busca de comida. Com toda a confusão, eu não havia feitos compras e não estava a fim de sair de casa para fazer.

— Felicity, o que acha de pizza? — joguei a pergunta, e me virei para ela assim que notei que ela não me respondera, a imagem dela sentada sobre a bancada trazendo-me algumas lembranças divertidas. — O que há de errado? — Perguntei ao ver seu semblante franzir ao olhar para o relógio na parede da cozinha.

— Estou atrasada. — pisquei confuso — Para o bar. — acrescentou ao ver minha confusão e eu apenas bati a porta da geladeira com uma força desnecessária — hoje é dia de jogo e o movimento é sempre maior, eu tinha que chegar mais cedo e ajudar Helena a organizar tudo, Tommy não é muito bom com isso e provavelmente Helena deve estar soltando os cachorros em cima dele — ela pulou da bancada — Eu vou tomar um banho rápido, e...

— Você não precisa ir. — Segurei-a pelo pulso. — Muita coisa aconteceu, Felicity, você pode ficar e descansar, Helena entenderá. — Ela girou, ficando de frente para mim, com um maldito olhar determinado no rosto.

— Oliver, por favor, não vamos entrar nessa discussão novamente. — seu tom era doce e complacente ao mesmo tempo — Eu preciso disso, eu preciso seguir com a vida normalmente. Eu preciso respirar, ver pessoas, conversar e não ficar presa neste apartamento.

— Você ficaria presa comigo. — Ergui uma das sobrancelhas sugestivamente, fazendo um pequeno sorriso surgir nos lábios dela.

— A oferta é tentadora... — Me aproximei antes que ela pudesse completar a frase com uma negativa, eu conseguia prever um “mas” vindo e eu precisava ser mais rápido.

— Eu preciso lembrá-la de que sou um policial? — falei usando um tom mais baixo e deliberadamente sexy enquanto eu dava tantos passos quantos os necessários para deixá-la contra a parede, meu corpo pressionando o dela — Eu posso usar minhas algemas e te prender à cama se for necessário. — peguei as mãos dela e segurei-as no alto da sua cabeça — Inferno! Agora eu quero te prender na minha cama de qualquer jeito, e não necessariamente pelo motivo de te manter segura.

— Isso não é justo. — Reclamou quando meus lábios se apossavam do seu pescoço.

— Eu não preciso ser justo, eu preciso manter você comigo. — Expliquei.

— Eu amo estar com você, Oliver. — Eu parei ao ouvir a frase, não escondendo a felicidade que eu sentia em ouvi-la dizer “amo” — mas eu preciso respirar e ter uma vida. Acha mesmo necessário voltarmos à essa discussão?

Felicity apenas olhava para mim, seu olhar era sincero. Não havia tentativas de jogos nele, ela apenas me expôs o que queria acreditando que isso era o necessário para me convencer.

E era.

Suspirei vencido.

— Porque eu não consigo dizer não a você? — bufei irritado comigo mesmo, com minha incapacidade de fazê-la ficar e Felicity apenas sorriu para mim, e então tudo ficou claro. Eu soube que era por isso. Porque eu faria qualquer coisa para ver aquele sorriso em seu rosto. — Arrume-se, eu vou levá-la para o bar. — Concedi, ela se inclinou para mim e me beijou leve por sobre os lábios se afastando antes que meus braços a tomassem para mim — Pensando bem, eu vou para o chuveiro com você... — Ela me olhou por cima dos ombros — Isso não está em discussão, você tem uma dívida comigo amor.

***

Felicity Smoak

Normalidade. Era disso o que eu precisava ao invés de ficar no apartamento tentando inutilmente arrancar respostas de Oliver sobre tio Gordon, ou ainda vendo o olhar preocupado que ele sempre lançava para mim quando achava que eu não estava prestando atenção. Toda essa situação com o meu perseguidor estava acabando com ele, era visível. E por mais que ele achasse que tudo o que precisava era estar no controle de tudo, me ter a sua vista, trancada no seu maldito apartamento, eu sabia que não era assim que funcionava, eu estava nessa vida a mais tempo para entender o quanto um pouco de normalidade faria bem, não apenas para mim, mas para ele também. Olhei para Oliver sentado numa mesa no canto do bar com Sara ao seu lado, ele sorriu para mim assim que me viu o observando, assim como Sara.

Eu deveria me sentir um pouco ciumenta com relação a Sara Lance sendo a melhor amiga do meu namorado, ele era bonita, divertida e engraçada, é claro, ela não vinha com a mesma bagagem cheia de complicações. Ela seria perfeita para Oliver. Mas quando Oliver olhava para mim, eu via que era eu quem ele queria. Mesmo podendo ter qualquer outra garota, era apenas para mim que ele sorria desse jeito e isso sempre causava uma agitação dentro de mim.

Desviei meu olhar de Oliver antes que eu começasse a agir como uma garota apaixonada e me concentrei em limpar o balcão. Eu só precisava de algumas horas no bar rindo de Tommy tentando jogar seu charme não tão barato em Helena, enquanto ela simplesmente lhe dava uma das suas famosas respostas atravessadas. Mas ao que parece nem isso eu conseguiria hoje.

— Não vai ficar mais limpo do que isso. — Helena me surpreendeu sentando-se no balcão e me lançando um olhar intrometido. — Noite passada você simplesmente partiu sem sequer se despedir. E eu estou com a suspeita de que você está me escondendo algo e está se forçando a se ocupar para não ter que falar sobre isso. Então, vai me dizer o que está acontecendo? — seu interrogatório foi direto. Eu gostava disso em Helena, ela não era de fazer rodeios.

— Nada. — respondi automaticamente. — Só estou com vontade de limpar.

— Certo. — devolveu num tom de quem não comprava a minha resposta — Então é por causa desse “nada” que eu tenho metade dos policiais de Starling City no meu bar? — Segui o olhar dela, o bar estava cheio apesar de ainda faltar algumas horas para o jogo daquela noite, os clientes pareciam mais calmos e sem a agitação e discussão que eu sempre via em dias de jogos. — Todos a paisana, e aparentemente todos estão a serviço, já que nenhum deles pede nada além de um refrigerante. Quem vem a um bar para tomar refrigerante? — Eu não respondi, mas Helena parecia revoltada — Eles estão acabando com a imagem do Huntress, eu espero que isso não seja obra do seu namorado controlador. — desviou um olhar rápido para Oliver.

— Oliver não é controlador... — Olhei para Oliver, que mesmo sem saber que era o tópico da minha conversa fazia sua melhor cara de iniocente. Ele não teria colocado vários policiais no bar apenas para garantir minha segurança, teria? — ...Eu tenho certeza de que os clientes estão aqui pelo jogo. — Defendi Oliver e Helena revirou os olhos para mim.

— Hey alguém, sabe qual é a do carro de polícia parado lá do lado de fora? Eles exigiram a minha identidade quando eu estava passado, dá para acreditar? — Tommy se aproximou de nós questionando e Helena me lançou seu melhor olhar de quem diz “eu te disse”.

— Há um carro de policia lá fora? — Ignorei Helena e devolvi a pergunta a Tommy ainda incrédula.

— Seu namorado está com medo da competição? — Ele estreitou os olhos para mim, rindo com seu bom humor tão característico, mas parando assim que Helena lhe deu um tapa em seu braço.

— Diga a ela que isso vai acabar com a imagem do bar. — Helena demandou ao Tommy.

— Isso vai acabar com a imagem do bar. — falou para mim, forçando-se a ser sério.

— Você é como um cachorrinho adestrado, Tommy Merlyn. — Ele apenas deu de ombros e sorriu, me fazendo revirar os olhos. — Eu vou conversar com Oliver. — falei resignada.

Caminhei até Oliver, que se endireitou na cadeira a medida que eu me aproximava como se tivesse previsto qual era o assunto que eu queria discutir com ele.

— O que você está fazendo? — cruzei meus braços parando a sua frente e fazendo minha melhor expressão de que não estava feliz com ele.

— Bebendo.

— Você sabe o que eu quero dizer! É mesmo necessário tudo isso?

— Ok, eu acho que vou ao banheiro por alguns minutos ou talvez horas... — Sara se ergueu nos dando licença.

— Obrigada, Sara. — Agradeci sem sequer desviar meus olhos de Oliver.

— Não há de quê, mas tente pegar leve com Oliver. — pediu num tom solidário enquanto passava por mim.

— Você a escutou, pegue leve, amor. — Ele relaxou contra a cadeira e levou um gole da bebida a boca, escondendo um sorriso arrogante por trás do copo. Puxei a cadeira ao lado dele, e me sentei virando de frente para ele.

— Oliver, você está assustando Helena. Não acha que está exagerando um pouco? — comecei num tom sério — O lugar está cheio de policiais, e ouvi dizer que há uma viatura parada do lado de fora.

— Eu apenas informei alguns amigos que o bar é um ótimo lugar para ver aos jogos. — seu tom era baixo e quase tranquilizador, suas mãos se colocaram na minha cadeira arrastando-a para si, deixando-me perigosamente muito mais perto — E quanto a viatura, culpe Sara por isso. — deu de ombros — Ela tem o péssimo habito de pegá-la emprestada quando o carro dela estraga.

— Por favor, Oliver. — Ele suspirou, meneando a cabeça em clara negativa.

— Esse sou eu pegando leve, amor. — assumiu, suas mãos deixando a madeira da cadeira e se colocando sobre minhas coxas nuas, brincando inadvertidamente com a barra da minha saia. Seu toque ousado quase me distraindo. — Se eu estivesse pegando pesado, eu a jogaria por sobre os meus ombros agora, pouco me importando se faria uma cena e a levaria de volta para o apartamento. Esse é o único jeito de nós dois termos o que queremos.

— O que eu quero dizer é que tudo isso é desconfortável para mim. — coloquei minhas mãos por sobre as dele. Se ele não seria justo comigo, então eu não seria justa com ele. — Uma coisa é ter seus olhos me seguindo a noite toda, é meio que excitante. — me inclinei mais na sua direção exibindo um sorriso íntimo, enquanto fazia suas mãos subirem pela extensão das minhas coxas, por baixo da saia. Os olhos de Oliver faiscaram para mim, puro desejo brilhando neles, me aproximei ainda mais — Outra coisa bem diferente é ter olhos de desconhecidos em mim.

— Eles não ousariam olhar para você. — as mãos dele se apertaram com propriedade em torno das minhas coxas, fazendo-me morder o lábio inferior antes que eu soltasse um vergonhoso gemido — Você é minha, amor.

— Pegue leve. — pedi novamente, dessa vez retirando-as mãos dele de mim. Oliver franziu o cenho para mim.

— Você não está me chantageando, está? — perguntou — Isso não é algum tipo de declaração feminina para “faça o que eu digo ou não teremos mais sexo”? — Segurei meu riso ao ver seu semblante preocupado. Eu gostaria de ter pensado nessa solução, porém não era provável que eu conseguisse cumprir minha parte nela, embora houvesse certa diversão em fazê-lo achar que sim.

— O que você acha?

— Eu acho que você está blefando. — Oliver me conhecia bem.

— Sim, eu estou. — ri e verdadeiro alívio tomou conta de seu rosto — Mas Helena está começando a desconfiar de toda a situação, ela já me questionou o porquê de eu ter saído tão rapidamente na outra noite. E a única conclusão que conseguiu chegar é que eu tenho um namorado muito controlador, que isso não é saudável e que eu deveria terminar com ele. — Oliver não se abalou com minhas palavras.

— Conte a ela Felicity. — Oliver disse me surpreendendo, pensei que o veria se defender e dizer que ele fazia apenas o necessário, mas não, ele tinha suas mãos acariciando as minhas e um olhar doce nos olhos que eu não estava preparada para enfrentar — Eu não estou dizendo isso para justificar a presença dos policiais aqui, ou o porquê de eu ser tão protetivo com você. Mas se você a considera sua amiga, você devia contar essa parte da sua vida para ela. Essa é a coisa sobre amigos, nós podemos dividir qualquer coisa com eles sem sermos julgados por isso. Você tem guardado muita coisa para si, e eu sempre estarei aqui pra você. Sempre. — ressaltou apertando nossas mãos — mas você não precisa mais se esconder do resto do mundo. — Assimilei suas palavras, no fundo eu sabia que Oliver estava certo, havia uma parte de mim que eu deliberadamente escondia das pessoas.

— Inferno! Eu venho aqui para te obrigar a desfazer algo, e você acaba me convencendo de outra coisa.

— Porque você sabe que eu estou certo. — sorriu de canto daquele jeito que era um misto de confiança com doçura que apenas Oliver Queen conseguia — Eu vou me livrar do carro de policia lá fora, concordo que exagerei nisso, e vou me livrar também dos policiais que estão olhando para suas pernas perfeitas ao invés de fazerem o serviço deles. Tudo bem assim?

— Perfeito, obrigada. — agradeci não apenas por ele aceitar diminuir um pouco da proteção, mas pelo conselho também.

— Pense no que eu te disse. — Assenti me erguendo da cadeira, mas antes que eu pudesse me afastar Oliver me puxou gentilmente pela mão, fazendo-me cair sobre seu colo. Sua boca rapidamente encontrou o caminho para mim, e quando dei por mim eu estava completamente envolvida num beijo passional demais para ser exibido em público.

— Precisava da exibição? — Me ergui de seu colo rapidamente consertando a saia que havia subido alguns centímetros.

— Você me conhece, eu precisava fazer uma declaração para aqueles que ainda não entenderam que você é minha.

— Agora só falta bater no peito e uivar, mostrando que você é o macho alfa. — Devolvi fingindo que estava ultrajada com aquilo, e voltando rapidamente para o balcão onde Helena me esperava com seus braços cruzados e olhar curioso.

— Então...? — Inqueriu mais com seus olhos do que palavras propriamente.

— Oliver vai resolver isso.

— Excelente. — Falou, enquanto colocava alguns drinques sobre a bandeja — Mas porque há algo que precisa ser resolvido, Felicity? — Inspecionou e eu respirei fundo, Helena não iria desistir enquanto não soubesse o que realmente estava acontecendo, e Oliver estava certo, ela tinha sido a primeira amiga que eu fiz em Starling City, ela podia ser um pouco louca, mas ainda assim eu a considerava importante.

— Ok. Eu posso esclarecer isso depois. — Eu me forcei a dizer, era hora de parar de me esconder.

— Ok? Tão simples assim? — Helena parecia verdadeiramente surpresa — Eu estava esperando que você fosse ser mais evasiva, ou se colocasse na defensiva como sempre. Quando foi que eu me tornei tão boa em persuasão? — Ela parecia exultante consigo mesma.

— Mas eu tenho uma condição.

— Hum... Chantagista, não conhecia esse seu lado. Eu gosto. — Sorriu animada, apoiando o queixo em uma das mãos e me observando com atenção.

— Eu quero que você me conte a sua história com Tommy. — Seu sorriso sumiu rapidamente.

— Pelo que eu soube, Merlyn já te contou tudo. — havia claro desgosto em sua voz.

— Quem está na defensiva, agora? — devolvi, e a carranca em seu rosto apenas aumentou — Ele não me contou tudo, ele disse que havia partes da história que não seria justo ele me contar, que deveria ser você a me dizer.

— Sério? Isso foi... Hum, muito nobre da parte dele. — Helena pareceu seriamente admirada com isso, e seu olhar se perdeu no moreno que estava a alguns metros de nós conversando distraidamente com alguns clientes.

— Tommy? — Helena o chamou fazendo sinal com uma das mãos para que viesse até nós. — Querido, pode, por favor, cuidar do bar para mim? Apenas entregue esses pedidos, e anote os outros. Eu preciso de um minuto com Felicity. — Falou num tom tão doce e com um sorriso cálido, nenhum pouco comuns a Helena.

— É claro.

— Obrigada. — Agradeceu, e Tommy estreitou os olhos estranhando não apenas a cordialidade de Helena, mas também a forma que ela deliberadamente parecia flertar com ele com seus sorrisos e olhares.

— Você é terrível. — a repreendi — Porque não dá uma chance ao Tommy ao invés de brincar com os sentimentos dele?

— Eu posso oferecer uma trégua, sem olhares raivosos, sem me aproveitar da boa vontade dele. Mas é só.

— Nada disso, no mínimo você tem que escutar o que ele quer te dizer, pode ser importante. Quem sabe isso não derruba esse muro de mágoa que você construiu entre vocês dois ao longo dos anos. Saia em um encontro com ele. — Sugeri e Helena riu.

— Não há uma maneira de sair em um encontro com Tommy Merlyn e isso não terminar em sexo ou assassinato.

— E seria tão ruim assim? — Inqueri, contente por haver uma parte de Helena que cogitava sexo com Tommy.

— Sim, seria ruim. Em um deles eu seria presa por homicídio e no outro...

— No outro você prenderia o seu coração? — Completei.

— Você é tão romântica. — ela disse com certo pesar, como se algum dia ela tivesse sido assim — Ok, transar com Tommy não seria uma má ideia, mas há muito em jogo... — Falou parecendo pensativa. — Enfim, vamos conversar sobre você e não sobre mim e sexo quente e viciante, mas totalmente perigoso que Tommy Merlyn poderia me oferecer... — Helena disse, liderando o caminho até a sala do estoque.

***

Foi diferente compartilhar a minha história dessa vez.

Com Oliver tinha sido muito sobre me abrir novamente para o amor, deixar que ele derrubasse minhas barreiras e chegasse até meu coração. Com Helena era diferente, havia uma solidariedade feminina que eu não esperava. Ela me ouviu, ela me apoiou e no fim, ela me abraçou, eu não esperava por isso, mas era bom saber que eu tinha mais alguém importante na minha vida.

— Então, ele ainda está por aí esperando um momento oportuno demais para te pegar? — Helena perguntou, tão séria quanto eu jamais a havia visto antes.

— Algo assim. — Concordei

— Eu entendo o quanto isso deve estar deixando Oliver louco.

— Você não faz ideia. — Concordei — Sua vez Helena, eu te contei a minha história agora me conte a sua.

— O que Tommy te contou exatamente? — inspecionou.

— Não muito, ele apenas contextualizou as coisas. Tommy me contou que vocês namoravam há muito tempo, eram jovens e como a vida de vocês costumava a ser regada a muitas festas e bebidas. Até o dia em que após uma dessas festas, depois de ele agir como um babaca com você, você passou mal e foi levada ao hospital. — Helena assentiu, sabendo que essa era a parte fácil da história — Ele disse que seus pais ficaram muito preocupados com você e dirigiram até o hospital, mas eles nunca chegaram lá.

— Não chegaram, morreram num acidente no meio do caminho quando estavam indo até a filha irresponsável deles. — Falou em evidente autorecriminação.

— Essas coisas acontecem, é a vida. Eu também não escolhi ter um louco me perseguindo. Mas nós temos que conviver com isso da melhor maneira que pudermos, e não nos culparmos. — fui solidária, oferecendo o mesmo apoio que ela me oferecera — Você fez o que pode, Helena. Cuidou do bar, dos seus irmãos, seus pais estariam orgulhosos da mulher que você se tornou. Talvez seja hora de parar de se culpar e de se dar uma chance.

— Você é tão team merlyn. - me acusou Então ele não te disse que eu estava grávida? — abri minha boca pega completamente de surpresa pela nova informação — E que foi por isso que ele foi um grande babaca naquela noite. Ele disse que não estava pronto para ser pai. Como se eu estivesse preparada para ser mãe. — ela bufou, a lembrança ainda tendo o poder de deixá-la irritada — Ele me disse muitas outras coisas ofensivas naquela noite, nós discutimos. — Helena tentava controlar o tom, mas o ressentimento ultrapassa as palavras e se tornava quase palpável — Eu passei mal por que eu estava machucada demais, eu bebi muito para esquecer e eu consegui, eu apaguei e aquele momento foi ótimo, eu fiquei aliviada, eu me senti bem. Mas quando eu acordei na cama do hospital minha consequência não tinha sido apenas uma ressaca. Eu havia perdido meus pais, e perdi meu bebê.

— Helena... — Tentei confortá-la, sem saber o que dizer.

— Eu nunca me senti bem outra vez. — confessou — Então é por isso que por mais charmosos que sejam os sorrisos de Thomas Merlyn, eu o conheço o suficiente para entender que quando as coisas se tornam sérias demais ele foge. — Eu não estava acostumada a ver esse lado de Helena, eu estava acostumada em vê-la mais divertida, sorridente, nunca assim tão machucada. Ao que parece todos nós temos uma parte que escondemos do resto do mundo. — Ele não me procurou para falar sobre aquela noite. Ele não me procurou em anos, até que começou a aparecer no bar todos os malditos dias, lançando seus malditos sorrisos!

— Você mudou depois daquela noite, talvez ele tenha mudado também. — falei, e ela me lançou um olhar enviesado.

— Eu perdi tudo aquela noite, Felicity. Eu tive que me erguer apesar disso e seguir em frente? O que Merlyn perdeu? Porque tudo o que eu o vi fazer foi estampar as capas de jornais, indo de festas em festas como o playboy rico que ele é.

— Ele perdeu você, Helena. — expliquei suavemente — O bebê de vocês. — Ela bufou — Talvez ele tenha perdido a si mesmo. — Me forcei a tentar ver isso pelo lado de Tommy, ele estava tão empenhado em mostrar à Helena que havia mudado. Estava na lista dele. — Esse tipo de coisa afeta as pessoas de modo diferente, se você ao menos o escutasse...

— Nós devemos voltar, o jogo vai começar daqui a pouco e as coisas vão ficar mais agitadas. — Ela se ergueu da cadeira me dando as costas, e eu soube que a nossa conversa tinha acabado ali.

***

— Então, o que você e Helena fizeram lá no estoque que demoraram tanto? — Tommy se aproximou de mim já no final da noite. Helena recebia algumas contas e o bar estava prestes a ser fechado. Apenas Oliver ainda estava ali, encostado na parede esperando que eu estivesse liberada para irmos.

— Coisas de garotas. — Dei de ombros, enquanto colocava a bandeja sobre o balcão e secava os copos os organizando sobre ela.

— Isso soa quente aos meus ouvidos! — Brincou com aquela expressão sem vergonha nos olhos.

— Não foi nada disso seu pervertido! — Ri para ele, ao mesmo tempo em que o acertava com o pano de prato que tinha nas mãos.

— Eu sei como aquela caçadora pode ser persuasiva, você não seria a primeira a cair nos encantos dela. — Ele colocou um dos braços no balcão e se encostou de lado de um jeito despojado, ficando de frente para mim.

— Caçadora? — Não contive o riso ao escutar o apelido estranho.

— Era uma brincadeira particular.

— Posso imaginar... — Olhei bem para Tommy, para seu sorriso brincalhão, será que eu estava errada sobre ele? E ele era apenas o playboy rico que Helena dizia que ele era? Não, eu duvidava disso. Helena estava cega pela mágoa, mas eu via a verdade por trás de seus olhos risonhos e seu sorriso charmoso. Ele estava tentando consertar tudo. — Porque você não me disse sobre o bebê de vocês? — O sorriso dele sumiu, os olhos perderam o brilho divertido e pela primeira vez Tommy parecia alguém diferente, alguém mais velho.

Um longo e pesado silêncio se instaurou sobre nós, Tommy abaixou o rosto encarando os próprios pés, uma das mãos foi até seus cabelos, num movimento nervoso.

— Porque eu estava envergonhado, eu fui um idiota e isso custou tanto a ela, a nós. — Admitiu, finalmente erguendo o rosto e me encarando com um remorso de partir o coração em seu olhar — Talvez hoje estivéssemos juntos, os pais de helena estariam vivos e nós teríamos uma pequena Helena em miniatura correndo por aí. — um sorriso fugaz apareceu em seus lábios — Eu estraguei tudo, eu sei disso e não há uma maldita maneira de consertar.

— Por isso você escreveu a lista.

— Por isso eu escrevi a lista. — admitiu — Mas agora eu acho que a lista tem sido uma grande besteira. Talvez seja muito para superar, talvez noves passos não sejam o suficiente, talvez Helena nunca me perdoe...

— Eu não sei se gosto desse Tommy deprimido. — reclamei — Vá falar com ela, a obrigue a te ouvir, grite se for necessário. Mas faça algo, é sempre melhor perder lutando do que passar o resto da vida se lamentando por não ter feito nada.

— Ela vai me esfolar vivo — Ele disse olhando de relance para ela. Helena havia recebido do último cliente, e agora caminhava para o estoque para fazer o balanço do dia.

— Provavelmente. Mas você não é de desistir fácil. — o animei colocando uma das mãos em seu ombro — Você é um homem ou um rato, Merlyn?

— Posso pensar um pouco na resposta? — Ele me deu um pequeno sorriso, um pouco mais triste do que eu estava acostumada, e recebi a mão dele sobre a minha, a afagando.

— Pronta para ir? — Oliver me questionou aparecendo atrás de mim, colocando suas mãos possessivamente em minha cintura. O último cliente havia saído e restava apenas Tommy e eu conversando, já que Helena estava no estoque.

— Eu acho que essa é a deixa para eu tirar as mãos da sua namorada. — Tommy disse parando de me tocar imediatamente e erguendo as mãos num sinal de quem não oferece perigo.

— Algo assim. — Oliver estreitou os olhos para ele.

— Não se preocupe, homem, eu tenho um fraco por morenas hostis. Sua loirinha não corre perigo ao meu lado. — Tommy disse com bom humor, não parecendo nenhum pouco incomodado com a atitude de macho alfa de Oliver.

— Então vá atrás da sua morena. — Oliver não foi nenhum pouco sutil.

— Seu namorado é um encanto, posso ver porque gosta tanto dele. — Tommy piscou para mim se afastando indo em direção a saída.

— Não seja covarde, Tommy. — Eu exclamei antes que ele cruzasse a porta — Tente a número sete! — Ele parou no meio do caminho olhou para mim pensativo, depois sorriu e deu meia volta indo até o estoque atrás de Helena.

— O que foi isso? — Oliver me questionou.

— Só estou o ensinado a ser um homem e não um rato. — Girei-me em seus braços, finalmente encarando seu rosto belo. O bom de trabalhar no bar, mesmo com Oliver ali a poucos metros de mim era que dava para sentir um pouco de saudade dos seus braços.

— Vamos para casa? — Falou baixo soprando as palavras em minha boca fazendo-me ter vontade de bebê-las. Eu quase respondi a ele que eu já estava em casa. Seus braços eram meu lar.

— Eu só tenho que fazer uma coisa bem rápida. — Me desvencilhei rapidamente de Oliver e corri até o estoque, puxei a porta vagarosamente e girei a chave que estava na fechadura, trancando Tommy e Helena lá dentro.

— Eu estou quase certo de que não há uma cópia da chave dentro daquela sala. — ele supôs.

— Não tem. — concordei, nenhum pouco envergonhada pelo o que eu havia feito, na verdade eu estava animada com a minha pequena travessura. — Estou cansada desses dois não se acertando, e decidi dar um empurrãozinho. Ou eles se matam de vez ou se acertam. — falei contente, me sentindo estranhamente bem comigo mesma.

— Te faz bem trabalhar no bar. — Oliver disse, olhando de uma forma diferente para o meu rosto, como se visse algo novo ali.

— Me faz. — Concordei e Oliver assentiu parecendo resignado. Eu sei que apesar dele estar sendo o mais compreensivo possível, havia aquela parte dele que queria desesperadamente que eu parasse de trabalhar no bar.

— Então eu acho que passarei muitas noites aqui com você.

***

A caminhada para casa foi tranquila, mesmo eu tendo consciência de que não fizemos o caminho sozinhos. Havia alguns policiais andando um pouco atrás de nós, mas eu não me importei, eu estava com Oliver, nós conversávamos banalidades então foi fácil ignorar o resto e tornar isso um momento apenas nosso.

— Está cansada? — Oliver me perguntou assim que chegamos ao apartamento, ele trancou a porta e checou uma segunda vez.

— Não muito.

— Mentirosa. — Ele deve ter escutado meu longo suspiro assim que retirei os sapatos de salto e os joguei no canto sala. Senti seus braços me enlaçando por trás, seu nariz roçando a região do pescoço, suas mãos deslizando a minha jaqueta por meus ombros fazendo-a cair ao chão, e logo depois afastando meus cabelos enquanto seus lábios distribuíam pequenos e tentadores beijos pela minha nuca. — Eu posso lhe fazer a minha massagem especial, se você quiser. — Sussurrou em meu ouvido.

— O que tem de tem especial nessa massagem? — indaguei curiosa

— Ponto principal: você precisa ficar nua. — Eu gargalhei alto girando entre seus braços.

— Porque isso não me surpreende?

— Porque você me conhece bem, amor. — Ele disse seus lábios se apossando dos meus com fome, seu corpo empurrando o meu e me forçando a dar passos para trás enquanto Oliver nos guiava até o seu quarto. Escutei o clique do interruptor sendo aceso e a luz clara iluminou todo o lugar, eu esperei por mais de seus lábios, mais de suas mãos me despindo, mas Oliver não o fez.

— Algo errado? — Questionei ao ver que Oliver havia parado abruptamente, seus braços me segurando na cintura como se temesse que a qualquer momento eu desaparecesse bem na sua frente. Seus olhos analisando o quarto de forma metódica e sua boca se contraindo em uma linha dura parecendo não gostar do que via ali.

— Alguém esteve aqui. — Ele disse, e meus olhos fizeram o mesmo caminho que os deles.

Sobre a cama de Oliver, em cima dos lençóis brancos, que eu sequer me dera ao trabalho de estender naquele dia, havia uma simples rosa vermelha.

Notas finais
E então? Capítulo aprovado? Comentem, a opinião de vocês é muito importante para mim. Caso alguém queira dar uma olhada naquela listinha do Tommy: https://twitter.com/IngretDaiane/status/830130583095361536