Runaways

14 Capítulo 13 - Retalhos


Notas iniciais
brace yourself... TRETAS ARE HERE! Só pra avisar que tem "spoiler" sobre o universo marvel aqui, mas eu acho que todo mundo já sabe o que eu coloquei aqui, então... só isso, galera, enjoy! õ/

– Quantos anos de prisão uma pessoa pega por matar a própria irmã?

Lily perguntou para Mike e ele riu.

– Por que você acha que eu sei disso? Tenho cara de psicopata?

– Não. – Lily deu risada.

– Então, você está pensando em matar sua irmã?

– Eu não tenho irmãos, sou filha única. Mas, a minha amiga deve estar cometendo um homicídio neste exato momento.

Mike soltou uma risada e deu mais um gole em seu milk shake.

– Não vou perguntar o motivo.

– Se você perguntasse, eu não responderia.

O rapaz arqueou as sobrancelhas e sorriu. Sabia que Lily era uma pessoa fechada e difícil de lidar, mas até então, ela tinha sido bastante simpática. O baterista do The Lobsters recebeu dicas da vocalista, Judy, que no dia da garagem observou que Lily era parecida com ela. Apesar de Mike ser impaciente e teimoso, ele queria muito desvendar aquela garota. Era uma quase aposta consigo mesmo, então, ele seria paciente.

– Imaginei.

Lily estava começando a se acostumar com a presença de Michael. Não só com a presença, mas com sua companhia. As conversas pareciam não ter fim e assunto não faltava. E mesmo perdendo a briga do século entre Emma e sua irmã, ela não conseguiu cancelar o encontro. Na verdade, ela não queria cancelar o encontro.

– Você só tem um irmão? – Lily perguntou, mudando de assunto.

– Só, e ele já me dá muita dor de cabeça.

– Sério?

– A relação entre ele e o Tony é conturbada. – Mike coçou a cabeça e franziu o cenho. – O Tony é muito babaca às vezes.

– Ele tem cara de ser muito babaca. – Lily disse um pouco receosa. – Sei que ele é seu melhor amigo, mas ele exala babaquice.

– Relaxa. Você não é a única que pensa assim.

– Nem consigo imaginar o por quê.

A garota debochou e Mike riu. Depois daquela noite no píer, essa era só a segunda vez que eles se falavam pessoalmente, porque por mensagens eles já tinham passado a noite acordados conversando. Lily tinha medo de como estava gostando daquele breve período de tempo que estava passando com o baterista. Não o conhecia tão bem, mas podia sentir uma ansiedade crescendo dentro de si em relação a ele. Ela não gostava da palavra “apaixonada”, ela preferia a palavra “perdida”, porque era esse o sentimento predominante na paixão. E não, Evans ainda não estava apaixonada por ele, mas sabia que se as coisas continuassem assim, o resultado seria inevitável.

– Vai no meu show sexta-feira? – Mike perguntou, trazendo-a de volta a realidade.

– Acho que sim… Vocês até que tocam no ritmo. – Lily sorriu e o baterista se fingiu de indignado.

– No ritmo? Tocamos no ritmo? Você acaba de descobrir o meu ponto fraco. Odeio que critiquem minha banda.

– Sério? – Lily deu risada e Mike abaixou a cabeça.

– Sim… Então já sabe, se quiser continuar conquistando o resto da minha atenção… Não critique os The Lobsters.

Evans riu e sentiu um arrepio na espinha com as palavras do baterista. Michael tinha demonstrado ser um cara descente e legal. Ele tinha a combinação perfeita entre o humor e a inteligência, e Lily adorava isso.

– Posso criticar os membros da banda de forma individual?

Ela perguntou categórica e Mike sorriu sem mostrar os dentes. Um sorriso extremamente adorável e que deixaria qualquer garota babando e desconcertada se aquele sorriso fosse direcionado a ela.

– Isso sim. Mas não abuse, tá bom? No fundo somos pessoas legais.

– É, pretendo descobrir se você está certo ou não.

– Eu vou te provar que estou.

– Você não tem limites! Nunca teve! Trinta anos nas costas e ainda age como uma adolescente sem cérebro!

Emma só não tinha batido em sua irmã porque a seguraram e porque ela estava tremendo de raiva.

– Quantos anos você pensa que eu tenho? 19? – Rachel gritou de volta.

– Definitivamente, não 19.

Emma sorriu debochada e a Miller mais velha avançou para a cima da irmã, mas Ben a interceptou antes.

– Cala sua boca, pirralha! Isso tudo é porque você não conseguiu faturar o loiro aqui?! – Dessa vez quem sorriu foi Rachel. – Eu sei dividir, little sis.

Emma engoliu em seco e encarou Ben por um segundo antes de voltar a olhar para a irmã e responder:

– Por ele? Você acha que eu to brava porque você resolveu se esfregar em um dos meus amigos?

– Amigos? – Ben segurou uma risada. – Agora somos amigos?

– Cala a boca que eu nem comecei a falar com você! – Emma respondeu.

– Ah, então tem mais dessas palavras maldosas pra mim? – O loiro sorriu ironicamente. – Que honra a minha.

Os outros três meninos reprimiram uma risada e Emma começou a ficar vermelha.

– Eu acho que vocês deveriam sair daqui. – Ela disse com um tom mais baixo.

– Ta me expulsando do meu próprio apartamento? – Jack perguntou com uma falsa indignação.

– Ela gosta de fazer isso. – Rachel sorriu e tirou Ben da sua frente. – Você sempre foi essa garotinha mimada e acostumada a ter tudo que sempre quer! A vida não é assim, sabia? Nem sempre você vai ter aquilo que quer! E isso inclui homens! – Ela apontou para Ben atrás de si e Emma ficou mais vermelha ainda. – Não estamos em uma competição, sis... Mas se estivéssemos, eu teria ganhado.

– Você sempre pensa que é uma competição e sempre pensa que é a vencedora! Desde criança você é assim! Incrível como nossa mãe falhou com você...

– Só comigo? Acorda, pirralha, você não passa de um acidente! Todo mundo sabia que nossos pais não queriam que você nascesse. Nossa mãe até tentou te abortar e você vem falar que ela errou comigo?

– Lembra quando eu tinha dez anos e esse fato realmente me incomodava? – Emma ironizou. – Eu não ligo pra essa história de aborto e toda essa merda que você acabou de vomitar pela sua boca! Aliás, seria ótimo se você não encostasse essa sua boca fedida no Ben outra vez!

Emma só percebeu suas palavras depois que elas saíram de sua boca. Ela não queria ter dito aquilo, mas estava nervosa, e infelizmente, ela estava começando a ser irracional. Mesmo assim, ela tentou manter-se com superior... Pelo menos por fora.

– Acho que essa decisão não depende só de você e muito menos só de mim, little sis. – Rachel respondeu e encarou o loiro maliciosamente. – Seria meio impossível ele não querer mais de mim.

– É mesmo? Suas tetas têm gosto de cerveja por acaso? – Rachel fez uma careta e os garotos seguraram uma risada. – Então não é impossível!

– Você acabou de dizer tetas? – Rachel continuou encarando a irmã com uma expressão de nojo estampada no rosto. – Se a mamãe estivesse aqui, ela te daria um tapa no meio dessa sua cara rebocada de maquiagem!

E antes que a Miller mais nova pudesse responder, Erika entrou de supetão, assustando a todos e gritando:

– Cadê o Jeremy?!

– Agora sim, é a Erika. – John falou rindo, mas todos continuarão sérios. – Talvez devêssemos mesmo sair daqui. Só dizendo.

– Sabe, eu nunca pensei que você fosse descer tão baixo! – A Miller mais nova continuou. — Você está noiva! – Emma disse e todos, principalmente Ben, encararam a Miller mais velha espantados. – Vai se casar daqui duas semanas e não tem o mínimo de decência para se comportar como uma mulher! Nem pra isso você serve! Eu posso ser mimada, egoísta e ter todos os defeitos possíveis, mas eu não me sinto mal porque eu sei que existe alguém no mundo pior do que qualquer coisa que eu possa vir a ser! E esse alguém é vo-

Emma foi interrompida por um tapa ardido e forte do lado esquerdo do rosto. A Miller mais velha ofegava e encarava a irmã com um ar de superioridade.

– RACHEL! – Ben gritou antes que pudesse pensar em algo e foi ao lado de Emma, que agora estava com a mão sobre o rosto e com algumas lágrimas brotando em seus olhos. – Tira a mão da frente pra eu ver. – Ele falou mansamente e tirou a mão de Emma do próprio rosto.

– Da próxima vez, dobra essa língua pra falar de mim! – A Miller mais velha disse rispidamente.

Foi impossível não deixar as lágrimas caírem. Emma ficou sem reação e encarava o rosto de Ben perto de seu. De que lado ele estava afinal? Ela se afastou dele e colocou a mão em cima do próprio rosto novamente. Ela não estava “chorando” por estar com o orgulho ferido, ou porque todo mundo tinha assistido aquela cena, mas sim, porque sua irmã realmente tinha batido muito forte em seu rosto. Emma podia sentir com a mão as formas dos dedos de Rachel se formando em sua face e devagar levantou a cabeça para encarar todos os rostos a encarando. Todos estavam estáticos. Dashner encarava Emma com uma expressão preocupada e tentando desvendar qual seria a próxima coisa que ela faria. Jack e John estavam com a mesma cara: Olhos arregalados e a boca entreaberta. Jaime mantinha as duas mãos em cima da boca, como uma mulher faz ao ver alguém morrendo tragicamente em um filme. Erika era a única que não carregava nenhum um pingo de susto ou espanto. O olhar da ruiva só trazia uma mensagem: raiva.

– Você é louca? – Erika gritou depois de cinco minutos de silêncio. – Você mesmo, projeto de puta! – Ela apontou pra Rachel e a Miller deu risada. – Você bateu na minha melhor amiga, cara! EU VOU ACABAR COM A PORRA DA SUA RAÇA, SUA VADIA!

Jeremy piscou várias vezes e segurou Erika pela cintura com toda a sua força, e ainda assim, ela se debatia tentando chegar perto de Rachel. John levantou num pulo e foi ajudar o irmão a conter a ruiva, que a cada vez parecia mais próxima e empenhada em se soltar e arrebentar cada pedaço da Miller mais velha.

– Nossa, Emma. Quanto custou o seu cão de guarda? – Rachel apontou para Erika e deu risada. – Ela parece bem eficiente quando não tem ninguém a segurando.

Com essa frase, Rachel não só ofendeu a Cabeça de Fósforo ou Emma, mas Jaime também se sentiu insultado. Cão de guarda? Qual o problema das garotas dessa família? Principalmente, essa mais velha. Pode ser bonita, mas não vale o fardo. O Collins número 1 encarou Ben, mas o loiro continuava com os olhos fixos em Emma e provavelmente nem escutou o que Rachel disse sobre Erika.

– EU JURO QUE EU VOU ACABAR COM A SUA RAÇA! – A ruiva voltou a gritar.

– Olha só, nuca te disseram que cão que ladra não morde, ruivinha? – Rachel rebateu sorrindo e Emma arqueou as sobrancelhas e encarou a irmã, limpando as poucas lágrimas que escorreram.

– Já chega! – Emma quase gritou. – Sabe isso que você chama de cabelo? – Ela apontou para as mechas loiras da irmã. – EU CHAMO DE APLIQUE! — Emma puxou os cabelos de Rachel e um tufo de fios loiros saiu em sua mão. Os olhos da Miller mais velha se encheram de raiva e ela ficou mais vermelha ainda. – Você sabe que isso não vai mais crescer, né? – Emma sorriu e encarou a própria mão com os cabelos da irmã. – Talvez seu marido rico, ou até mesmo seu novo amante, possam comprar uma peruca nova pra você ficar apresentável na sua esquina!

– Amante? – Ben disse, mas sua voz logo foi sufocada pelo insulto de Rachel.

– Sua vadia! – Rachel gritou. – Eu vou dar a surra que você merecia quando era criança!

Antes que a Miller mais velha conseguisse chegar perto da irmã, Ben entrou na frente e segurou a mulher pelos braços. O loiro mantinha uma expressão séria e mal humorada, enquanto Rachel o encarava com as sobrancelhas arqueadas e um sorriso de deboche nos lábios.

– Você devia ir embora. – Ben disse calmamente.

– Eu devia? – Rachel falou quase rindo. – Você ta de brincadeira com a minha cara?

– Não. Agora saí. – O loiro mantinha o tom de voz baixo, mas ainda assim petulante. – Ou eu vou precisar te tirar a força?

– Saí você da frente dela. – Emma disse e Ben se virou para ela, ainda segurando Rachel. – Não se intrometa onde não é chamado.

– Ah, me desculpa, você quer apanhar mais um pouco? – O loiro ironizou. – Não se esqueça de que você está na minha casa. Se você quiser levar uma surra da sua irmã mais velha, não vai ser aqui, e não será na minha frente.

Emma bufou e Ben continuou a encarando enquanto suas mãos ainda apertavam firmemente os braços de Rachel.

– Você me deve! Se lembra disso? – Emma voltou a falar quase gritando.

– É, eu lembro. – O loiro respondeu e soltou Rachel, se aproximando da Miller mais nova e apontando o dedo em sua cara. – E vou te pagar agora, não deixando você apanhar da sua irmã! – Agora era ele que estava quase gritando. – Rachel, saí do meu apartamento!

A Miller mais velha pegou sua mala cor de rosa e antes de sair pela porta, sussurrou no ouvido da irmã:

– Isso vai ter volta! Quando seu cão de guarda ou com qualquer garoto idiota não nos interrompa!

Assim que Rachel fechou a porta com um estrondo, Emma suspirou quase aliviada. Erika correu até a amiga e a abraçou. A loira não iria chorar na frente daquelas pessoas, mas ela com certeza estava desgastada fisicamente e emocionalmente.

– Vou pegar gelo pra colocar no seu rosto. – Ben falou.

– Eu não pedi a sua ajuda. – Emma retrucou e recebeu um olhar de reprovação de Erika.

– Eu não perguntei se podia ajudar.

Só depois de uns vinte minutos que Ben conseguiu “cuidar” de Emma. A garota havia construído uma barreira em relação a ele, mas era até compreensível. Os dois ficaram sozinhos no apartamento porque cada um foi para um lado. Jack saiu de lá por não saber lidar com a situação, e a única coisa que ele poderia oferecer seria um comentário sarcástico e com certeza, não era daquilo que eles precisavam. Erika e Jaime foram para o apartamento dela para poderem conversar e John foi “caçar” mulheres na praia.

– Você tá bem?

Ben perguntou sem olhar para Emma. Ele estava em um sofá e ela em outro, toda encolhida, abraçando os joelhos e encarando a televisão.

– Eu acho que vou embora. – Ela respondeu.

– O Jaime ta no seu apartamento. – O loiro a lembrou e deu um gole em sua cerveja. – Você tá bem?

– Até que sim. – Emma respondeu. – Tirando a dor de cabeça que não passa.

– Quer um remédio?

– Não.

Ben reprimiu um comentário rude porque sabia que Emma não precisava daquilo agora. Por isso, e porque ele estava gostando de ficar com ela sem estarem brigando. A situação de tarde mexeu com ele e o fez pensar na possibilidade de ciúmes da garota. Ben não sabia qual era a relação de Emma com a irmã, mas com certeza Rachel ter traído o marido não era um fator tão importante assim... Ou era.

– Acho que estamos quites agora, não é? – Ben falou, mas se arrependeu no minuto em que as palavras saíram de sua boca.

– Não acho que você enfiar sua língua na goela na minha irmã seja uma boa forma de pagamento. – Emma respondeu rispidamente e o loiro soltou uma risada.

– Agora eu tenho certeza. Você definitivamente ficou com ciúmes.

– Pense o que quiser.

– Ok, pode deixar que eu pensarei. – Ben disse e sorriu maliciosamente, fazendo Emma revirar os olhos.

– Depois dessa eu vou embora. – Ela se levantou, mas parou assim que ouviu a voz de Dashner novamente, a fazendo revirar os olhos.

– O Jaime ta no seu apartamento.

– Acho que eu prefiro respirar o mesmo ar que ele do que respirar o mesmo ar que você!

– Por que você sempre começa uma briga comigo? – Ben perguntou segurando uma risada. Como ela conseguia ser infantil.

– Por que você sempre fala algo idiota.

– Eu não disse algo idiota, eu disse que uma verdade... Você com ciúmes de mim.

– Cala a boca.

Apesar do clima “tenso”, Emma não queria ir embora. E não porque a cópia desagradável estava em seu apartamento, mas porque, apesar dos pesares, ela gostava da companhia de Ben. E ele tinha a defendido, e a impedido de apanhar de Rachel outra vez. E cuidou dela. Dashnerficou pressionando o gelo no rosto de Emma por uns vinte minutos. E mesmo ela querendo sentir raiva dele por ter se esfregado em sua irmã, era impossível, porque no fim das contas, ele a ajudou.

– Obrigada por hoje. – Emma disse de repente e Ben engasgou com sua cerveja. – Eu não vou repetir isso, e se alguém me perguntar se eu disse, eu vou negar... Só pra você saber.

O loiro deu risada e Emma sorriu. É, essa foi a prova. Ben realmente estava se apaixonando por aquela garota. E ele sabia que seria um problema, sabia que daria errado, sabia que ia se ferrar, e sabia que era incerto, mas mesmo assim, ele gostaria de arriscar.

– De nada.

Ele levantou do seu sofá e sentou-se ao lado dela, ainda sorrindo. Ben colocou um de seus braços por cima dos ombros de Emma e ela se aninhou a ele, em silêncio. Eles não estavam se encarando e aquilo estava longe de se tornar um beijo, mas ambos sabiam que aquela atitude dos dois era algo importante. Assim que Ben passou seu outro braço ao redor de Emma, ela começou a chorar. Precisava daquele desabafo, precisava daquele choro. Ela sabia que em algum momento iria acabar desaguando na frente de alguém, mas pensava que seria na frente de Erika, Lily, ou até mesmo de Sebastian... E não com Ben. O estranho de tudo, é que não parecia estranho... Emma se sentiu confortável, e naquele instante, ela esqueceu que odiava aquela cara.

– Aquele ali é o Magneto?

– Não, aquele é o Shaw.

– Mas por que ele ta com o chapéu do Magneto?

– Não é um chapéu, é um capacete.

– Dá na mesma. – Erika deu de ombros. – Tem certeza de que aquele não é o Magneto?

Jaime e Erika estavam assistindo “X-Men: Primeira Classe” e obviamente a ruiva estava deixando o Collins número irritado.

– Lógico que eu tenho certeza! O Erik Lensherr é meu personagem favorito, eu sei quem ele é nos filmes!

– Quem é Erik?

– O Magneto!

– Pensei que o nome dele fosse Magneto.

– QUE MÃE DARIA O NOME PRO FILHO DE MAGNETO?

– Sei lá! Nos quadrinhos tudo pode acontecer! Tipo, o Batman, entendeu? O nome dele não é Batman?

– Agora você só ta fazendo pra me irritar.

Erika deu risada e assentiu.

– Verdade, mas sério, quem é o Magneto?

– Aquele cara ali. – Jaime apontou para o ator Michael Fassbender na televisão. – Do lado do Xavier.

– Nossa, ele é gato. – Erika sorriu maliciosamente e Jaime revirou os olhos. – Entendi porque ele é seu favorito.

– É, eu escolho meus personagens favoritos pela aparência. – Jeremy falou com ironia.

– E o Wolverine? – Erika perguntou. – O Wol também tem seu charme.

– O “Wol”? – Jaime repetiu com desdém. – Não o chame assim... Se quiser chamá-lo de alguma coisa mais “fofa”, chame-o de Logan.

– Por quê?

– Porque esse é o nome dele.

– Ah ta. Essa coisa de super-herói é muito confusa. E eu não sou viciada pra ficar lembrando todos os detalhes.

– Eu não sou viciado, só sou atencioso.

– Ahan, ok.

– Enfim, sabia que o Wolverine deixa os X-Men e vai para os Vingadores?

– Sério? – Erika disse entusiasmada. – E o que o Super-Homem faz?

– Hãn... Nada? – Jaime encarou a amiga com as sobrancelhas arqueadas.

– Como assim nada? – Erika perguntou inconformada. — Ele não é o líder dos Vingadores?

– Não, ele é o líder da Liga da Justiça, que é a DC Comics. Os Vingadores são da Marvel.

– Ah, ta.

– Eu não sei por que eu to explicando sendo que você vai esquecer isso tudo em cinco segundos.

– Verdade.

Erika deu risada e Jaime sorriu. Ele desligou a televisão e encarou a amiga.

– Sabe, eu gosto de uma garota.

– Sério? Eu estava quase comprando a ideia do seu irmão e pensando que você era gay.

– Engraçada, mas não. – Jaime falou e Erika continuou gargalhando. – Mas é sério, eu gosto dela desde que consigo me lembrar, mas a gente nunca chegou a conversar direito... Só no ensino fundamental quando ela era a minha dupla na aula de português.

– Tem certeza que você não é gay?

– Erika, dá pra focar no assunto? To tentando criar segredos contigo. – Jeremy falou sério e a ruiva usou todas as suas forças para não rir do amigo e apenas assentiu. – Eu gosto da Judy.

– A vocalista?

– É. Não é bem um gostar, acho que é mais que isso.

– E por que você não faz nada?

– Erika, ela é a estrela de uma banda. Até parece que ela cogitaria em sair comigo.

– Você é um babaca! Sério!

– Eu sabia que seus conselhos não me desapontariam. – Jaime disse com ironia.

– Você vai falar com ela amanhã! Já ta decidido! Eu vou fazer você ficar com essa mina!

– Não tem nada decidido, não.

– Tem sim! Se você não falar com ela, eu vou falar! – Erika sorriu e Jaime revirou os olhos. – E você sabe que eu falo!

– Eu não devia ter te contado. – O Collins número 1 disse e a ruiva deu risada.

– Ué, por que não? Pensei que estivéssemos “criando segredos”.

A Cabeça de Fósforo gargalhou e Jaime deu risada dizendo:

– Cala essa boca.

– To brincando. – Erika falou ainda sorrindo. – Você nem me deixou contar o que aconteceu com o Sebastian.

– Eu preciso mesmo escutar você falando dessa cara?

– Não, vamos ver... Ele me pediu desculpa e disse que sente a minha falta.

– E você acreditou? – Jaime disse com desdém. – Esse seu “amigo” só quer saber de sexo fácil com você, Erika.

– Não, eu fiz ele prometer.

– Ah, então tudo bem. Ele jurou de dedinho com você? – O Collins número 1 falou ironicamente. – Qual é, Erika, ele está sendo falso de novo. Não tem como confiar nele! O Sebastian tá te usando e você sabe que no fundo eu estou certo.

A ruiva se encolheu no sofá e se esquivou do olhar sério e certeiro do amigo.

– Eu só queria dar outra chance pra nossa amizade.

– Isso não é verdade... Você só o quer de volta pra tentar fazê-lo se apaixonar por você. Caras como ele não mudam, Erika. Eu sei por que tenho um irmão assim. E ele já partiu o coração de milhões de garotas e não se arrepende disso... Ás vezes ele até se orgulha.

– Sério? Seu irmão? Com aquela carinha de namoradinho ideal e fofo?

– Sim, esse mesmo e não tente mudar de assunto.

– Eu sei... É só que... Sei lá... Você tá certo, mas eu ainda quero tentar ser só amiga dele.

– Acho que isso só será possível quando você estiver apaixonada por outra pessoa.

– Então estamos em missão: Você vai atrás da sua paixão e eu vou encontrar a minha! – Jaime ia protestar, mas Erika foi mais rápida. – E nem pense em dar pra trás! Você vai me ajudar a esquecer o Sebastian e eu vou te ajudar a ficar com a Judy!

– Que horas são?

Sebastian perguntou vagarosamente. Ele estava sentado em uma das mesas do Jamba Juice junto com Leonardo, o carinha de cabelo azul.

– 20:00.

– Que tédio. – O’Brien falou. – Odeio domingos.

– Cadê uma de suas amigas pra te tirararem do tédio? – Leonardo disse dando risada e Sebastian só esboçou um sorriso.

– Cadê a sua irmã pra me tirar no tédio? – O moreno retrucou.

– Saiu com um carinha. Um tal de Jonathan... Ela disse que ele tem um irmão gêmeo.

– Filho da puta. – Sebastian disse, mas sorriu. – Por que todo mundo quer raspar minha canela?

– Vai ver é porque você não consegue dar conta de suas mulheres.

Os dois deram risada e Sebastian suspirou. Talvez fosse verdade. Deus sabe que ele não conseguirá dar conta de Erika e que isso seria uma missão impossível. A cabeça de O’Brien estava uma bagunça em relação a ruiva. Ele não sabia se seria capaz de cumprir o que prometera a ela mais cedo naquele dia. Mas ele tentaria, tentaria de verdade porque sabia que isso era algo importante para a amizade dos dois. Sebastian bagunçou os cabelos com força, como se estivesse tentando realmente colocar aquela ideia na cabeça e acreditar nela. Ele parou de encarar a mesa do Jamba Juice e olhou pelo vidro as ruas quase desertas de Huntington Beach.

Ele observou um casal andando de mãos dadas na calçada. Sebastian nunca pensou como seria namorar alguém, mas devia ser um saco e ele não queria experimentar tão cedo. Parecia ser algo tão pacato, tão igual, tão sem emoções. Não entrava em sua cabeça imatura como seria possível não sentir o gosto de outras bocas, desvendar outras pessoas e com certeza, não fazer sexo com outras mulheres. O’Brien suspirou e estreitou os olhos em cima daquele casal. Ele até se inclinou para poder enxergar melhor, e foi assim que percebeu que aquela garota era Lily.

Lily de mãos dadas com um cara. E não com qualquer cara… Com o baterista. Sebastian arregalou os olhos e começou a gargalhar. Não podia acreditar naquela cena, mas estava feliz pela a amiga. Sabia o quanto Lily era complicada e que aquele cara, sem dúvidas, era um guerreiro.

– Que foi? – Leonardo perguntou perante ao ataque de riso do moreno.

– Nada… É só que tem coisas estranhas acontecendo ultimamente. – Sebastian disse sorrindo.

– Bem-vindo a Califórnia.