Runaways
15 Capítulo 14 - I'm alive, I'm a lush
Notas iniciais
– Será que ela morreu? Sério, quais são as chances da sua irmã ter caído do píer e batido e cabeça em uma pedra?
– Poucas, porque ela não é retardada mental, Erika. – Emma respondeu.
– Ela pareceu bem retardada no meu ponto de vista. – Lily disse enquanto respondia mais uma mensagem no seu celular.
– Pra mim, ela pareceu bem gostosa. – Sebastian sorriu maliciosamente e recebeu um tapa na testa da Cabeça de Fósforo. – Ai! Por que isso? Aposto que o Ben vai concordar comigo.
– Cala essa boca. – Emma disse para Sebastian e ele deu risada. – Enfim, agora que a Rachel sumiu, esse “marido” dela fica ligando todo dia! Não sei como ele conseguiu o meu número! Aliás, to pensando em trocar só por causa desse cara.
– Ah, para. Ele tem uma voz bonita. – Erika respondeu e pegou mais um morango com chocolate. – Ele tem uma voz sexy. Sabe aqueles caras do tele sexo? Ele devia investir nisso ai!
O’Brien se incomodou com o comentário da Cabeça de Fósforo e fez uma careta, dizendo:
– Depois eu que sou o tarado.
– Você continua sendo! – A ruiva respondeu, dando de ombros. – Qual o nome dele mesmo?
– Joffrey Sullivan. – Emma disse, mergulhando mais uma fruta na calda de chocolate. – Pesquisei no Google, mas não tinha foto dele… Só estava escrito que ele é muito rico e dono de uma gravadora muito importante na Inglaterra.
– Ele tem sotaque? – Lily perguntou e Erika e Emma assentiram. – Então, ele realmente deve ter uma voz bonita.
– Eu preciso de amigos homens, urgente! – Sebastian exclamou e as três deram risada. – É sério. Olha só onde eu to. Só mulher, falando da voz de um cara que elas nunca viram, comendo foundue. Tem algo mais homossexual do que isso?
– Não consigo pensar em nada. – Lily respondeu e as meninas riram enquanto o O’Brien fazia uma careta.
– Vamos sair pra beber? Agora que todas vocês arranjaram um emprego, já podem me sustentar.
Depois do domingo turbulento da semana passada, as duas amigas resolveram ocupar a mente de Emma com algo que não fosse sua irmã ou homens: trabalho. Lily conseguiu um trabalho de período integral em uma livraria no centro de Huntington Beach. Só não foi o emprego perfeito porque ela teve que mudar o horário de sua faculdade para o noturno. Erika conseguiu a última vaga para trabalhar de garçonete no Pizza Hut que era ao lado do Jamba Juice.E Emma trabalhará no caixa do Sugar Shack, um café que ficava um pouco depois do píer.
– Nós ainda não começamos, Sebastian. – Emma falou e Lily assentiu.
– Sua mamata só começa na próxima semana. – Erika falou brincando e o moreno sorriu maliciosamente.
– Olha que eu vou cobrar… – Sebastian disse e deu uma piscadinha para a ruiva.
– Não comecem, vocês dois. – Lily respondeu em tom severo e fazendo Erika rir.
– Ah, qual é? Falar esses tipos de coisa me faz sentir menos emasculado. – O moreno disse e recebeu um morango sem chocolate em sua bochecha.
– Cala a boca. – Erika disse e arremessou outra fruta no amigo, que pegou em seu olho o fazendo gritar e criar a maior cena enquanto as garotas ficavam dando risada.
Apesar do escândalo, Sebastian finalmente se sentiu confortável em seu apartamento. Erika havia voltado a falar com ele, Lily continuava cortando qualquer tipo de brincadeira que ele fosse começar, e Emma… Bom, ela continuava a mesma desde o começo. Apesar do pensamento ridiculamente gay, o moreno não conseguiu evitar sorrir. Ele estava feliz e uma ansiedade crescia dentro dele em relação a esse novo começo com as velhas amigas. Sebastian muitas vezes já tinha se perguntado por que alguém como ele conseguiu três amigas fantásticas que conheciam seu lado sujo e podre, mas ainda assim continuavam ali. Nunca chegou a uma conclusão.
– É sério, acho que eu to cego! – O’Brien disse com uma falsa preocupação e se levantou para ir ao banheiro se olhar no espelho e percebendo que seu olho esquerdo estava realmente muito vermelho. – Acho que vou precisar ir para o hospital.

– Eles realmente foram para o hospital? – Ben perguntou à Emma e deu risada.
–Pois é, ele acordou hoje de manhã com o olho super vermelho e inchado.
Devido aos acontecimentos da noite passada, Sebastian teve mesmo que ir ao oftalmologista e Erika o acompanhou por se sentir culpada. O que ela realmente era.
– Espero que ele melhore logo. – O loiro coçou a cabeça e Emma sorriu assentindo.
Eles estavam se sentindo desconfortáveis. Ben saiu de casa com a intenção de ir surfar, mas alguém insistia em ficar em sua cabeça, e ele sabia que se realmente fosse surfar, iria levar vários caldos.
– Então, o que você faz aqui? – Miller perguntou de repente e Ben arqueou as sobrancelhas com a indagação surpresa.
Emma estava se sentindo acuada. Dez horas da manhã de uma sexta-feira e a perfeição em forma humana resolvia aparecer no seu apartamento com a sua arma do crime: A prancha que quase a afogou uma vez. Mentira, a verdade é que ela não se sentia bonita pela manhã e não teve tempo de se arrumar antes de abrir a porta com seu pijama de bolinhas rosas e seu cabelo desarrumado… Sem contar com o bafo.
Quando Ben adentrou a sala, Emma pediu licença e foi escovar os dentes e prender o cabelo. O loiro, pelo contrário do que ela havia pensado, a achou atraente e sexy com o pijama curto e a blusinha colada que deixava uma parte de sua barriga exposta. Não que ele já não a tivesse visto de biquíni, mas ainda assim, achou “legal”.
– Queria saber se você tava bem. – Ben, finalmente falou e limpou a garganta. – Você sumiu essa semana.
– Fui procurar emprego com as meninas. – Emma respondeu sorrindo. – Elas me mantiveram bem ocupada essa semana. Não me deixaram pensar na Rachel.
– Isso é bom.
– É.
Silêncio constrangedor. Que saco, será que o único modo de eles conseguirem conversar era brigando? Ben passou a mão pelos cabelos fortemente e bufou. Se ele quisesse se arriscar com Emma, precisaria passar mais tempo com ela e precisava ser capaz de conversar com ela.
– Você sabe surfar? – Ele perguntou e Emma fez que não com a cabeça. – Quer aprender?
Ele sorriu e apontou para a própria prancha.
– Depende, corre o risco de você me atropelar de novo?
– Não, porque quem estará em cima da prancha será você.
Ben cruzou os braços e deu um sorriso debochado, fazendo Emma revirar os olhos e depois sorrir.
– Tá, eu vou me trocar.
Enquanto ela entrou no seu quarto e trancou a porta ficou pensando que merda estava fazendo. Aprender a surfar? Emma mal conseguia andar de salto quem dirá se equilibrar em cima de uma prancha. Mas tudo bem, ela iria se esforçar só pra poder ficar perto do tanquinho definido de Dashner por tempo ilimitado.
– Vamos?
Emma saiu do quarto vestindo seu biquíni mais “seguro” e com uma canga enrolada em volta de sua cintura. O loiro a mediu de cima a baixo e soltou um riso silencioso.
– Acho melhor você colocar um shorts e um top por cima do biquíni… Os riscos de perder a parte de cima ou a de baixo são grandes… Não que eu esteja reclamando, mas é meu dever avisar.
– Você é um idiota, sabia?
– Se você quiser ir assim… Não tem problema, não sou eu quem vai reclamar.
Ele deu risada e Emma fez uma careta, entrando novamente no quarto e pegando um dos seus shorts de ginástica. Ela fuçou todas as suas roupas (e as de Erika), mas não encontrou nenhum top que pudesse usar, então pegou uma regata branca e a vestiu.
– Melhor assim? – Ela saiu do quarto e deu uma rodadinha enquanto Ben dava risada.
– Depende do ponto de vista. – Ele arqueou as sobrancelhas e sorriu de lado. – Pra mim, não. Pra você, sim.
Emma revirou os olhos e passou por ele, abrindo a porta do apartamento e dizendo:
– Vamos logo antes que eu desista.
Enquanto eles caminhavam até a praia (Lê-se: atravessaram a avenida) Miller pensava em o que estava fazendo. Tudo bem, ela quer ficar perto de Ben e sim, obviamente ela queria beijá-lo inteirinho, mas e toda aquela raiva que existia entre os dois? Não que ela esteja achando ruim, mas Emma sabia que com ele seria um tiro no escuro. Ben nunca demonstrou interesse por ela, só desprezo. Aliás, o convite para surfar foi totalmente inesperado, mas ela nunca recusaria. Emma não era do tipo de garota que ficava pensando muito antes de agir, e agora que iria ter a oportunidade, não tinha mais motivo pra adiar o que ela sempre quis fazer desde o momento em que colocou os olhos no loiro pela primeira vez.
Ainda tinha a questão do orgulho, mas o que era isso perto da perfeição ambulante que caminhava ao seu lado segurando sua prancha? Fora isso tudo, Miller nunca foi do tipo de pessoa que curtia se apaixonar e ficar com alguém por muito tempo. As duas únicas vezes que tentou algo assim, ela saiu machucada, desde então ela só se envolvia com quem sabia que a chances de se apaixonar eram nulas, e o loiro, definitivamente, não era uma dessas pessoas. Emma suspirou e afastou todos os pensamentos complicados de sua cabeça. Se é pra acontecer, vai acontecer. Ela sempre acreditou nessa coisa de destino, e nunca gostou de coisas previsíveis, combinadas… A surpresa é sempre mais emocionante, excitante.
Eles já estavam na areia e Ben fincava sua prancha na areia enquanto tirava a camiseta. Foi impossível os olhos de Emma não encararem a barriga definida do loiro. Quando Dashner percebeu o olhar da garota ele sorriu e pigarreou.
– Mas já? – Emma desviou o olhar e piscou várias vezes. – Nem pra disfarçar.
– Vocês não disfarçam quando olham para os meus peitos, por que eu devo disfarçar? – Miller falou e Ben riu, encarando o busto pequeno da garota. – Para de encarar os meus peitos!
– Foi você quem os colocou em evidência.
Ele sorriu e Emma revirou os olhos, mas queria dar risada, porque na verdade, o olhar malicioso de Ben não a incomodava nem sequer um pouco, ela gostava… E muito.
– Tá. Enfim, me ensine logo. – Ela disse e começou a caminhar em direção ao mar.
– Emma, primeiro você aprende na areia, depois vai tentar a sorte na imensidão azul.
– Você falou como a cópia mal feita. – Miller fez uma careta. – Eca.
– Você falou como a Rachel. – Ben sorriu vitorioso ao ver a garota arquear as sobrancelhas em reprovação. – Eca.
– Não cuspa no prato que comeu! Hipócrita! – Emma disse e dessa vez Dashner revirou os olhos.
– Vamos ficar nisso pra sempre. – Ela assentiu dando risada e ele sorriu. – Tá, agora deita na minha prancha. — Emma o encarou “assustada” e Ben riu mais ainda. – Você entendeu o que eu disse.
– É, entendi.
Depois de mais de duas horas aprendendo na teoria, Emma estava suada, cansada, de mau humor e se perguntando se tal esforço valia a pena só pra poder ficar vendo Ben gritar com ela e falar um monte de baboseiras sobre os perigos do mar e como se equilibrar na prancha.
Não, não valia.
– Será que podemos ir para o mar agora? – Emma interrompeu uma das frases de Ben. – Eu to com calor.
– Você acha que já está pronta pra ir para o mar?
– Eu acho que eu to pronta pra me refrescar! Eu vou entrar com ou sem sua permissão! Não precisa nem ser pra surfar, só preciso entrar no mar AGORA!
A voz de Emma saiu toda distorcida e fina, fazendo Ben franzir o cenho e controlando a própria vontade de colocar as mãos no ouvido.
– Só porque você acabou de atingir uma nova frequência com a sua voz capaz de ensurdecer um ser humano!
Ben respondeu e Emma respirou fundo, correndo em direção ao mar. O loiro a seguiu devagar e com a prancha na mão e quando atingiu uma profundidade considerável, subiu na mesma e ficou observando Miller nadar. É muito loucura achar o simples ato de nadar incrivelmente lindo? Não para alguém apaixonado.
– Ei, quer tentar? – O loiro gritou para Emma que o encarou com uma careta. – Quer só ficar sentada em cima dela? – Ele sorriu e deu duas batidinhas em sua prancha, fazendo Emma sorrir.
Miller nadou até ele e Ben desceu da prancha, dando espaço para ela poder se sentar. Ele a ajudou a subir e assim que Emma se equilibrou ela tirou sua regata branca, sentindo o vento quente da Califórnia bater em sua pele e fechando os olhos. Seria perfeito se algumas ondas não fizessem a prancha balançar tanto, dando a impressão de que ela poderia cair a qualquer momento. Emma abriu os olhos e encontrou um Ben sorridente a encarando.
– Acho que cabe você aqui. – A loira disse sorrindo de lado e se sentando um pouco mais pra trás, fazendo a prancha quase virar e Ben se debruçar em cima dela no seu lado oposto. – Ou não.
Eles deram risada e depois ficaram em silêncio, se encarando. Emma sentada na ponta da prancha e Ben debruçado do outro lado. Seria romântico se a garota não estivesse se sentindo tão exposta. Então, ela simplesmente desceu da prancha e se aproximou do loiro, que a encarou com as sobrancelhas arqueadas.
– Acho que surfar não é pra mim. – Emma falou e Ben sorriu e se aproximou mais um pouco dela.
– Você nem sequer tentou ficar em pé ou pegar uma onda.
– Eu mal consegui ficar sentada na prancha, quem dirá de pé.
– Eu podia ter te ajudado.
– É?
– É.
Eles já estavam a menos de um palmo de distância. Emma já podia sentir o hálito de hortelã de Ben em seu rosto e sorriu com isso. Ele fechou os olhos no momento em que Miller enlaçou seu pescoço, e rapidamente segurou a garota pela cintura. Por que nenhum dos dois concluía o que precisava ser concluído? Ben abriu os olhos e encarou Emma, que agora estava séria, e olhando para os seus lábios. Uma onda passou por eles, e ela se segurou mais forte no loiro.
– Acho melhor a gente ir mais para o raso. – Emma falou devagar e sua voz pareceu hipnotizá-lo ainda mais. – Não quero correr o risco de me afogar de novo.
– Você não vai se afogar. – Ele respondeu firmemente e apertou seus braços ao redor de sua cintura, a trazendo para mais perto. – Eu to te segurando. Não vou te soltar.
Não tinha mais nada pra se fazer além do que Emma fez. Miller eliminou o espaço que restava entre eles e o beijou com força. Durou cinco segundos, e então ela se afastou para ver a reação de Ben. Os olhos azuis do loiro revelaram um misto de surpresa e susto, fazendo Emma recuar mais ainda. Ela tentou se soltar dos braços de Ben, mas ele continuou com seu aperto firme e sorriu.
– Eu disse que não vou te soltar.
Ben manteve um braço em volta da cintura de Emma e usou sua outra mão para puxá-la pela nuca em direção a sua boca. O beijo começou rápido e intenso. Rapidamente Miller enlaçou suas pernas em volta de Ben e mordeu seus lábios, mas sem quebrar o contato entre suas bocas. O loiro a beijava com força e firmeza, estava finalmente saciando o seu desejo quase escondido e estava sedento por esse momento. Ele sentia seu corpo ferver e se derreter a cada toque, a temperatura da água aumentar e evaporar. Sentia tudo e mais um pouco, sentia pelo simples fato de se sentir mais vivo do que nunca.
Enquanto Emma tentava ter o controle da situação, tudo a sua volta parecia desprezível. Sentia a água batendo em seu corpo, mas a única coisa que importava era o toque de Ben em sua pele. Sua língua entrelaçada na dele e seu coração que insistia em quase sair pela boca. Ela sentiu um arrepio quando o loiro afastou os lábios de sua boca e depositou um beijo em seu pescoço. Ela segurou o rosto de Ben e o puxou para mais um beijo mesmo não sendo capaz de respirar regularmente.
Não fazia sentido pra nenhum dos dois porque isso demorou tanto para acontecer se era tão bom e cabível. Todas as partes de seus corpos pareciam se encaixar perfeitamente, encontrando a sintonia para tornar o momento mais sincronizado ainda. Nenhum dos dois queria ceder e se afastar, mas Emma acabou quebrando o beijo e Ben mordeu seu lábio inferior, a fazendo sorrir e o encarar ofegante. Eles não disseram nada porque nada precisava ser dito. Os olhares e sorrisos diziam mais do que mil palavras naquele momento.
O tempo pareceu congelar enquanto eles permaneciam em alto mar apenas se encarando. Emma começou a dar risada e Ben sentiu o ar faltar aos seus pulmões. Por que ela tinha que ser tão linda? Ainda mais sorrindo. Ele a beijou novamente, e dessa vez, tudo pareceu ser ainda mais feroz e ultrajoso, como se todos os beijos fossem novos e com outro sabor.
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