Runaways

17 Capítulo 16 - O tapa olho


Notas iniciais
Um dos maiores capítulos, se não for o maior hahaha E um dos meus favoritos

– Não acredito que você deixou ela te fazer usar um tapa-olho. – Lily ria enquanto Sebastian revirava o olho. – Obrigada, Erika, por me proporcionar essa visão fantástica.

Evans dava risada e O’Brien fazia uma careta.

– Coisas que eu não faço por amor, não é mesmo? – O moreno disse e Lily revirou os olhos com a cantada mal feita do amigo para a ruiva.

– Amor a quem? Aos piratas? – Evans provocou e Erika gargalhou.

– Relaxa, não ta tão ruim assim. – A ruiva disse e Sebastian arqueou as sobrancelhas.

– Eu também não acho que esteja ruim… Mas é difícil continuar pensando isso com a Lily dando tanta risada da minha cara. – O’Brien falou e as duas riram mais ainda. – Cadê o meu colírio? Essa coisa não para de coçar e ta me irritando!

Sebastian ia tirar o tapa-olho para poder coçar o olho, mas Erika deu um tapa em sua mão o repreendendo:

– Não é pra mexer, senão piora! Até parece uma criança!

– Ele é uma criança, Erika.

Enquanto a ruiva fuçava sua bolsa em busca do colírio, Lily ainda ria e o moreno se deitava no sofá. Quando Erika encontrou o pequeno frasco, ela se sentou no mesmo sofá que ele, e colocou a cabeça de Sebastian em seu colo.

– Não se mexe. – A ruiva tirou o tapa-olho delicadamente do rapaz.

– Tá, pode pingar.

– Abre o olho, né?! – Erika pingou oito gotas rapidamente, fazendo Sebastian piscar repetidas vezes e se levantar de supetão. – Pronto!

– Você ta maluca? Quantas gotas você pingou? Eram só duas!

– Pinguei oito pra você sarar mais rápido, capitão! – Erika disse sorrindo e entregou o tapa-olho para O’Brien. – Não reclama!

– Erika, dessa vez vou ter que concordar com o Sebastian, você devia ter pingado o número que está na receita. – Lily disse e a ruiva fez uma careta.

– Relaxa, ele não vai morrer, não! – Ela disse se levantando do sofá e dando dois tapinhas no ombro do amigo. – Se você piorar, me liga.

– Aonde você vai? – Sebastian perguntou.

– Encontrar com o Jaime.

– Ah, não! – O moreno protestou de imediato. – Vai me trocar por aquela cópia?

– Vou. – Erika disse da porta, pronta para sair. – Qualquer coisa me liga. E vê se não fica cutucando esse olho! Tchau… Te encontro lá depois, Lily.

Evans assentiu e a ruiva acenou com a mão saindo do apartamento. Sebastian continuou com a cara emburrada.

Emma atravessou a avenida correndo. Ela estava com pressa. Não conhecia Dashner tão bem assim, mas pelo o que sabia, ele não iria perdoar… Não tão fácil. Só de pensar na hipótese Emma tinha vontade de voltar no tempo e não ter saído do mar naquele momento. A presença de Tony a deixou atormentada e sem saber como agir. Ela só disse a primeira coisa que veio a cabeça, mas não queria que Ben tivesse ido embora, e quando o viu se afastar dela, quis correr atrás dele imediatamente.

Miller adentrou o prédio do loiro e subiu correndo as escadas até o terceiro andar, parando de frente para o apartamento 32. Ela respirou fundo e deu três batidas na porta. Assim que a abriram, Emma entrou de supetão e começou a olhar por todos os lados da sala.

– O Ben ta aqui? – Ela perguntou para Jack, que estava parado na porta e a encarava de forma confusa.

– É claro que você pode entrar… – O rapaz disse, mas Miller não pareceu escutar. — Não, ele saiu. – Bower respondeu e voltou a se sentar em seu sofá.

– Mas a prancha dele está aqui! – Emma apontou para o objeto cheio de areia na varanda.

– Ele só deixou a prancha aqui, murmurou algumas coisas e saiu batendo a porta. – Jack explicou fazendo o estômago de Miller revirar novamente. – Aliás, ele nem percebeu que eu estava mal e com uma cara de bunda… O que é muito estranho já que o Ben adora dar lição de moral nos outros e principalmente em mim. – Ele fez uma pausa pensando que a garota iria rir, mas ela não esboçou nem sequer um sorriso. – Enfim, agora ele já perdeu a oportunidade.

Emma suspirou e olhou para cima tentando evitar sua vontade estúpida de chorar. Que coisa mais ridícula! Era só uma cara qualquer, por que tanto drama? Porque, no fim das contas, ele não era só um cara qualquer e esse fato a deixava mais atormentada ainda.

– Eu preciso falar com ele.

Miller caminhou até a porta e quando estava com a mão na maçaneta, Jack disse:

– Não acho que seja uma boa ideia.

– Por quê?

– Porque eu conheço o meu primo e eu sei que você falar com ele agora não vai adiantar nada.

– Como você…

– Ele me contou. – Jack a interrompeu. – Eu consigo ser uma pessoa muito insistente quando quero saber alguma coisa e o Ben não podia vir aqui, ter um ataque de nervos e sair me deixando curioso.

Emma sorriu e se sentou perto dele no sofá. Bower também sorriu e Miller pode perceber o motivo pelo o qual a amiga era apaixonada por aquelas covinhas.

– Ele tava muito nervoso?

– Tão nervoso que a veia da testa dele deu o ar da graça. – Jack respondeu sorrindo e Emma fez uma careta desanimada. – Ele ta de cabeça quente agora e se vocês conversarem só vão brigar mais ainda.

Eles ficaram em silêncio por uns minutos, mas Jack nunca gostou da falta de barulho, então quando a moça ia se levantar para dizer que ia embora, ela a atropelou falando:

– Mas não acredito que você trocou o meu primo pelo babaca do Tony.

– Eu não troquei! Só precisava terminar as coisas com ele e com o Ben ali não ia dar certo.

– Pareceu uma troca pra ele…

– Mas não foi! Não tem nem o que trocar. – Emma bufou, sentindo raiva de si mesma. – O Tony nunca foi nada meu, mas eu sei que ele é maluco, maluco de verdade… E sei lá, eu congelei!

– Acho que essa é a sina dos garotos do The Lobsters: A loucura precoce. — Jack disse pensando no embate que teve com o baterista alguns instantes atrás.

– Eu preciso explicar isso pra ele… – Bower assentiu e Emma sorriu, se levantando do sofá. – Bom, eu já vou indo… E obrigada por me escutar.

– Disponha. – Jack disse dando de ombros. – Antes de você ir, posso te perguntar uma coisa?

Miller sorriu como se tivesse lido a mente do garoto e falou:

– A Lily está bem, se é isso que quer saber. — Jack coçou a cabeça de forma envergonhada e a garota riu. – Você devia ir falar com ela.

– A gente já ta de boa. – Ele respondeu suspirando.

– Você não parece “de boa”. – Emma fez aspas com os dedos.

– Nós estamos nos falando normal. – Jack explicou. – Mas o normal da Lily com um qualquer é um saco. – Ele sorriu ironicamente. – E eu não quero ser um qualquer… Lógico que eu não vou arrastá-la para o meio do mar e dar um beijo nela! – Emma deu risada e Jack sorriu. – Até porque meu primo já roubou a minha ideia.

Emma riu mais ainda e voltou a se aproximar do sofá em que Bower estava sentando, mas ficou de pé:

– Então você devia tentar conversar com ela. Eu sei que ela e o Mike estão bem, mas a Lily não está tão “de boa” em relação a você. Ela ta confusa, e eu consigo sentir isso de longe. – Jack passou as mãos por seus cachos loiros e Emma fez uma pausa para tomar fôlego. — Se até eu e o seu primo, que brigamos como cão e gato, temos momentos bons, às vezes muito bons… Você e a Lily também podem se acertar… Então faça alguma coisa logo antes que seja tarde demais pra você tomar uma atitude.

– Ela não deixa. Muito complicada. – Jack respondeu com um suspiro triste no fim da frase.

– Você diz que a conhece tão bem… Descomplique pra ela.

A ideia o atingiu como um raio. É claro…Só descomplicar! Agora parecia tão simples que Jack sorriu e foi correndo em direção à porta. Mas antes de sair ele voltou e deu um beijo na testa de Emma, a fazendo rir:

– Conserte as coisas com o meu primo… Ele é um cara difícil, mas depois vale a pena.

Assim, Jack saiu do apartamento deixando Emma sozinha:

– Eu sei que ele vale a pena.

– Olá, ciúmes. – Lily provocou enquanto O’Brien fazia umas caretas.

– Não é ciúmes! É só que eu to precisando de assistência aqui e ela vai me largar pra ficar com o Jeremy!

– Você não ta aleijado, Sebastian, só ta com uma coceirinha no olho.

– Só um coceirinha? Você não sabe como isso é irritante! E dói pra caralho! E a culpa é dela!

– Para de drama. – Lily disse tentando conter o riso. – E obviamente não é ciúmes…

– NÃO É! – Sebastian gritou devido o tom de ironia na frase e a garota comprimiu os lábios pra não soltar uma risada.

– Tá bom, eu to concordando com você. – Ela disse sarcasticamente.

– Você é insuportável!

– E você é ciumento.

– NÃO É… – Sebastian sorriu e passou as mãos pelo cabelo. – Quer saber? Esquece!

– Ok, então… Capitão do ciúme. – Lily disse rindo e recebeu uma almofadada na cara.

– Cala a boca.

Lily continuou rindo e saiu da sala. Foi em seu quarto somente para pegar sua bolsa e mandar uma mensagem para Mike que dizia: “Estou indo”.

– Você também vai me abandonar? – Sebastian perguntou quando a amiga voltou para a sala.

– Não considere um abandono… Digamos que seja uma troca.

– Pior ainda, Lily! Aonde você vai? – O moreno perguntou.

– Ensaio do The Lobsters.

– Eu vou junto! – Sebastian disse e ficou de pé imediatamente.

– Acho que não. — Lily caminhou até a saída de seu apartamento.

Ao abrir a porta, Evans encontrou Jack pronto para tocar a campainha.

– Oi. – Ele disse e sorriu.

Foi o suficiente para o cérebro da garota pifar. Só um sorriso.

– Oi. – Ela respondeu.

– Ta de saída? – Ele perguntou coçando o cabelo e meio inseguro com sua própria voz.

– Nós estamos. – Sebastian respondeu e se juntou a Lily na porta. – Se quiser ir com a gente…

– O quê? – Lily encarou o moreno que sorria cinicamente e ela revirou os olhos. – Tanto faz.

O’Brien comemorou calado enquanto a garota já saía do apartamento apressadamente. Sebastian só voltou para pegar seu colírio e fechou a porta, indo atrás de Lily. Jack ficou um pouco pra trás, mas logo se lembrou do seu objetivo e começou a seguí-los, apertando o passo.

– Onde estamos indo? — Bower perguntou.

– Ensaio do The Lobsters. – Sebastian respondeu sorrindo.

– Ah, que ótimo. – Jack disse ironicamente e sabia que Lily estava revirando os olhos, mesmo ela estando de costas para sua pessoa.

Eles caminharam por uns dez minutos em quase silêncio total. Na verdade, eles ficaram escutando Sebastian reclamar sobre a coceira de seu olho, mas Jack gostava de fingir que estava silêncio.

– Falta muito? – O moreno perguntou e Lily bufou, fazendo Bower sorrir com a irritação dela.

– Se você perguntar de novo, eu juro que machuco seu outro olho!

Sebastian levantou os braços em sinal de rendição e Lily sorriu, satisfeita com o resultado da “ameaça”. Eles continuaram caminhando em silêncio, diferente da cabeça de Jack que estava a milhão… O que ele iria fazer se Evans não fosse sair? Ele ainda não tinha planejado o que ia dizer ao certo. Bower coçou os cabelos e percebeu que precisava de um plano. Não um plano, mas um planejamento, e sim, fazia toda a diferença.

– Você está quieto. – Lily disse olhando de soslaio para Jack e ele se surpreendeu. – Você raramente fica quieto.

– Só to pensando. – Ele respondeu sorrindo e a garota assentiu, voltando a olhar pra frente.

Sebastian ainda não tinha calado a boca. Jack nunca pensou que se irritaria com o barulho, mas o moreno estava atrapalhando o seu próprio raciocínio. Mas graças ao bom Senhor, depois de mais cinco minutos, a caminhada deles chegara ao fim.

O basculante estava erguido e dava para escutar a música Stand by me, do Oasis, do começo da rua. Lily sorriu e apertou o passo para chegar à garagem. Jack suspirou e percebeu que ia precisar de muito autocontrole para aguentar Lily e Mike se agarrando… Muito autocontrole ou muito álcool.

– Aonde você ta me levando? Posso saber? — Jaime indagou enquanto seguia Erika pelas ruas movimentadas de Huntington Beach.

– Se fosse pra você saber, eu já teria dito, né? — A ruiva disse e olhou em seu celular novamente. Ela olhava para todos os lados, tentando se localizar e achar o endereço que Lily tinha enviado por mensagem.

– Eu vou parar de te seguir!

– Vai nada.

– Se você me disser pelo menos o nome da rua, eu posso te ajudar. – Jaime disse e Erika bufou ao se dar conta que precisaria mesmo da ajuda dele. – Qual é o nome?

– Olha aqui porque eu não sei falar direito! – A ruiva disse e entregou o celular para o Collins número 1 que deu risada.

– Nós passamos por essa rua a dois quarteirões atrás, Ruiva.

– Então vamos voltar! – Ela disse e deu meia volta.

– Eu quero saber por que a gente não veio de carro. – Jaime perguntou.

– Porque a Lily disse que era perto.

– E era mesmo, mas você não percebeu isso e conseguiu deixar longe. – O garoto rebateu e Erika lhe mostrou a língua, o fazendo revirar os olhos e suspirar.

Os dois voltaram o caminho inteiro e quando chegaram na rua viram Lily acompanhada de Sebastian e Jack. Eles só estavam um pouco à frente, então o seguiram e entraram na garagem juntos.

– Você estava proibido de sair de casa durante o dia, Sebastian! — Erika disse e o garoto se virou sorrindo. Não tinha certeza absoluta de que a Cabeça de Fósforo estaria, mas ficou feliz. Ficou mais feliz ainda ao perceber que Jaime fez uma careta ao vê-lo.

– Não sabia que íamos ter tanto público hoje. – A baixista, Taylor, disse sorrindo e atrapalhando a bronca que Erika estava prestes a dar. – Por que você ta usando um tapa-olho?

A garota encarou Sebastian arqueando as sobrancelhas e ele fez uma careta, fazendo Erika dar risada.

– Não precisa ficar apontando. – O moreno respondeu e Taylor riu. – To com um problema no olho. Nada contagioso.

– Contagioso ou não, vocês não vão ficar aqui. – Tony respondeu e Judy o lançou um olhar de repressão. – Se quiséssemos público estaríamos tocando na praia.

– Cala essa boca, Jarvis. – O baterista disse e Jack arqueou as sobrancelhas, surpreso. – Vocês podem ficar… Desde que seja em silêncio.

Tony não discutiu, só acendeu mais um cigarro e pegou sua guitarra. Lily, que estava abraçada com Mike, lhe deu um selinho e se sentou em um dos puffs que ali estavam. Erika sentou ao seu lado e Jaime a seguiu, ignorando a cara de bunda de Sebastian, que estava sendo cercado por milhões de perguntas de Taylor. Fazer o que? As ruivas gostam dele.

– Por que não me disse que viríamos ao ensaio do The Lobsters? – Jaime sussurrou no ouvido de Erika.

– Porque se você soubesse, não iria vir.

– É óbvio! Não sei se você percebeu, mas não somos bem-vindos aqui. A não ser a Lily, mas isso é porque ela namora o baterista.

– E você, num futuro próximo, namorará a vocalista. Então, cala essa boca.

– Como você pode ter certeza? Vai obrigar a Judy a gostar de mim? – Jaime sorriu com a sugestão absurda, mas Erika não deu risada.

– Talvez. – Ela deu de ombros o Collins número 1 balançou a cabeça negativamente.

– Você é maluca.

Enquanto Jaime tentava não ficar encarando Judy como um idiota, Lily não se importava de babar olhando para Michael e isso fazia o estômago de Jack embrulhar.

– Taylor, depois você conversa com o pirata aí. – O baterista disse sorrindo e Bower teve uma ideia idiota. — Agora vem tocar.

– Mike, trouxe um negócio pra você. — Jack disse com um sorriso cínico estampado no rosto enquanto fuçava nos bolsos de sua bermuda. Ninguém estava ligando muito para o fato, só Lily e Michael.

– Sério?

– Seriíssimo. – O loiro disse e caminhou até o baterista, lhe entregando uma bala de menta e sorrindo debochadamente. – Achei que iria precisar.

Jack continuou com o sorriso no rosto encarando Michael que tentava se controlar para não surtar na frente de Lily, que os encarava sem entender nada.

– Uma piada nossa. – Jack explicou sorrindo e dando dois tapinhas no ombro de Mike.

Bower se acomodou perto de Jaime. Sebastian sentou-se ao seu lado assim que a ruivinha sorridente se juntou ao restante da banda para, de fato, começarem o ensaio. O’Brien estava irritado por dois motivos: O primeiro era seu olho que insistia em coçar e doer; o segundo era Jaime cochichando o tempo todo na orelha de Erika. Desde quando ela o tinha substituído tão na cara dura? O moreno bufou e pegou seu celular para olhar o horário. 17:30. Ainda estava muito claro para ele assassinar alguém. No caso, Jeremy.

Erika se levantou e perguntou para Lily onde ficava o banheiro porque ela estava apertada e sentia que sua bexiga iria explodir a qualquer momento. A ruiva tropeçou em dos puffs, caindo em cima de Jack e Sebastian, os fazendo rir. Ela se levantou rapidamente e seguiu seu rumo para o banheiro. Houston correu assim que enxergou o vaso sanitário e nunca tirou o shorts e a calcinha tão rápido. Ao sair do banheiro deu de cara com Sebastian.

– Também precisa fazer xixi? – Ela perguntou e o moreno se manteve paralisado. – Ou é cocô?

– Cala a boca, Cabeça de Fósforo. – Sebastian disse impaciente e ela deu risada. – Por que você veio aqui com o Jaime?

– Não te interessa. – Erika respondeu e tentou passar pelo amigo, mas ele entrou na sua frente.

– Se não me interessasse, eu não estaria perguntando.

– Sebastian, eu não vou te contar.

– Por que não?

– Porque não é coisa minha! Agora para de encher o meu saco! — Erika tentou passar por ele, mas a tentativa foi em vão. – Que foi agora?

– Ta na hora do meu colírio de novo. – Ele tirou o frasco do bolso e sorriu.

– Um karaokê que tem aqui perto. – Taylor disse animadamente. – É bem legal, vocês vão gostar.

– Não acho que meu dia possa piorar, então… Por que não? – Jack disse e Sebastian simpatizou com aquela frase.

– Nós vamos sim! – Erika disse abraçando Jaime pelo pescoço. – Eu e meu amigo aqui!

– Qual dos gêmeos você é mesmo? – Tony perguntou. – O que eu odeio ou o que eu não quero conhecer?

– Suponho que eu seja o que você não quer conhecer. – Jaime respondeu e Judy soltou uma risadinha, o fazendo sorrir.

– Menos pior, então. – O guitarrista respondeu acendendo um cigarro.

– Ele parece uma chaminé. — Lily sussurrou para Mike.

– Ele não só parece, ele é. — O baterista disse e passou seus braços em volta da cintura dela. Queria mostrar para Jack que ele não teria chances com a sua garota.

– Que horas são? – Judy perguntou e quem a respondeu foi Taylor:

– Nove horas. O ensaio rendeu hoje.

– Porque Michael estava inspirado. – Will, o Sutherland mais novo que permanecera quieto o dia inteiro, finalmente disse, lançando um olhar brincalhão na direção de Lily.

– Eu acho que ela te distraiu. – Tony falou e Judy revirou os olhos.

– Tony, vamos combinar uma coisa aqui. – A vocalista se virou para o primo. — Você só fala se realmente valer a pena, ok?

O guitarrista sentiu-se contrariado, mas só soltou uma risada debochada e saiu da garagem dizendo:

– Michel, você fecha.

Durante o caminho, Erika ficou empurrando Jaime para Judy, que não parecia notar o esforço da ruiva em aproximá-los. Ela estava focada em como a amiga, Taylor, tentava conversar com Tony e ele toda hora a empurrava de forma bruta. A loira sentia-se cansada de toda vez ter que fazer Taylor perceber que Tony não iria mudar por ninguém, nem mesmo pela a própria família e muito menos por ela… Talvez ele mudasse se encontrasse uma pessoa em forma de cigarro, mas as chances eram mínimas.

– Você ta bem? — Jaime perguntou e Judy encarou o rosto do rapaz com atenção. Sabia que havia estudado com ele no ensino fundamental e sabia que ele era o mais inteligente da classe até Ben chegar e roubar seu título. A loira era sua parceira nas aulas de português e achava que o Collins sentira ciúmes ou inveja por ter seu trono de inteligência roubado por um garoto como Dashner. Ele sempre fora bonito e Judy até chegou a ter aquele namoro de mãos dadas com ele, mas não era real, de fato. Além de bonito, inteligente e educado, como não sentir ciúmes de alguém assim? Mas não aconteceu. Jeremy e Ben se aproximaram naturalmente e tornaram-se melhores amigos desde então. Judy admirou isso no gêmeo, mas nunca compartilhou com ninguém porque não achava necessário. Ele era como um filme queimado em sua cabeça, ele esteve perto dela, mas depois… Sumiu.

– Tô. – Judy respondeu sorrindo gentilmente. – Só me irrita quando a Taylor pensa que pode conter o Tony… Ninguém pode.

– É, ele parece um cara legal. – Jaime disse com ironia e a garota soltou uma risada baixa.

– Você é o Jeremy, né? Tenho quase certeza porque o Collins que ficou com a Taylor tinha o rosto mais quadrado.

Jaime arqueou as sobrancelhas e riu.

– Meu irmão realmente tem um rosto muito bonito. – Judy riu e ele se sentiu ainda mais confortável perto dela. – Pode me chamar de Jaime, não gosto muito que me chamem pelo nome inteiro.

– Também não gosto que me chamem pelo nome inteiro, mas seu nome é legal… Já o meu, é de uma velha de noventa anos. – A loira fez uma careta. – Quando eu for idosa deixarei que me chamem de Judith.

– Faz sentido. – Jaime sorriu sem mostrar os dentes. – Então, você se lembra de mim no ensino fundamental? Nós éramos parceiros na aula de português.

– Eu lembro vagamente. Você era muito inteligente.

– Ainda sou. – Jaime disse rapidamente e ela riu. Ele se sentiu bobo por ter dito algo tão babaca. – Desculpa, é só que…

– Tudo bem. – Judy sorriu. – Tenho certeza de que a inteligência continua a mesma. Não estava duvidando de você.

– Não! Não achei que estivesse, é só que… – Jaime coçou a cabeça. Ele estava começando a perder o controle da situação e se deixando tomar pelo nervosismo de conversar com a garota que ronda seus pensamentos por mais de oito anos. — Você também é inteligente! – Ele disse de repente e Judy deu risada. – Quer dizer, você deve ser. – Jaime queria uma mordaça. Não precisava ser uma mordaça, podia ser uma fita isolante, mas qualquer coisa que o fizesse calar a boca e impedi-lo de dizer algo mais idiota. – E você também é bonita. Digo também porque você disse que o rosto do meu irmão é bonito, e o rosto dele é igual ao meu, então eu supus que você também me achava bonito e…

– Jaime, relaxa. – Judy colocou os braços no ombro do garoto e sorriu. – E eu disse que o rosto do seu irmão era mais quadrado que o seu.

O Collins número 1 respirou fundo e deu risada.

– É, mas se você passou tempo o suficiente o observando para reparar nos detalhes… Deve tê-lo achado bonito. E eu aceito o elogio em nome de nós dois. – Jaime sorriu novamente e Judy revirou os olhos, se divertindo com a situação.

– E eu aceito seu elogio sobre dizer que sou inteligente e bonita.

– E canta muito bem.

– E que canto muito bem.

Os dois riram e continuaram conversando enquanto Erika os observava de longe e sorria. Seu plano estava funcionando melhor do que o esperado.

– Esse Jeremy é muito baixinho. – Sebastian surgiu do lado da ruiva e ela deu um pulo.

– Não me assusta, seu idiota! – Erika disse e deu um tapa no braço do moreno. – E ele não é tão baixinho assim.

– Mas ainda é pequeno. A vocalista só não é mais alta que ele por uns dois centímetros.

– Sebastian, qual a porra do seu problema com o Jeremy? – Erika perguntou o encarando e O’Brien sorriu debochadamente.

– Nenhum.

– Você não sabe mentir! Não pra mim!

– Eu só não gosto dele, Erika. Não confio nele. E não confio em você perto dele.

A ruiva arqueou as sobrancelhas e segurou uma risada. Era praticamente o mesmo discurso de Jeremy na boca de Sebastian… Só que menos inteligente e sem lógica.

– Isso não faz sentido e você é um idiota porque o Jaime é um cara muito legal.

Sebastian bufou e revirou os olhos:

– Não elogia esse cara perto de mim. Só te peço isso.

O’Brien apertou o passo e saiu de perto de Erika. Ele não iria admitir que estava incomodado com a aproximação repentina da ruiva com a cópia, mas não conseguia manter sua boca fechada e se odiava por isso. Não era ciúme romântico e sim um ciúme de amigo. Sebastian odiava dividir e odiava ser substituído. Era um sentimento infantil, mas isso estava o consumindo aos poucos e passar à tarde com os dois foi ridiculamente chato.

– Chegamos! – Taylor falou sorrindo. – Eu disse que era perto.

Os nove entraram no tal karaokê e se surpreenderam com o lugar. Era bem simples e não tinha muita gente. Lily nunca foi de julgar pela as aparências, mas era muito difícil não fazer isso agora. O bar, que estava mais para um boteco, era dividido em três setores: Uma sala com duas mesas de sinuca; outro espaço com um pequeno palco onde um rapaz tocava violão e cantava alguma música country; e por fim, outra sala com isolamento acústico para o karaokê.

– Chique aqui, não? – Jack sussurrou pra si mesmo, mas escutou alguém rir de seu comentário.

– Pela cara de vocês, já vi que gostaram. – Will disse sarcasticamente. – Relaxem, é bem mais legal quando você está bêbado e cantando sem se importar com nada.

O guitarrista base tinha razão. Depois de uma hora naquele lugar todos já estavam extremamente alegres. As bebidas eram muito baratas e eles perderam as contas de quantas doses de tequilas e quantas cervejas haviam bebido. O lugar exalava álcool e ninguém se importava com isso porque aparentemente aquilo era muito legal.

Judy terminou de cantar Unwell e se escorou na cadeira ao lado de Jaime.

– O álcool deixa sua voz ainda mais sexy, sabia? – Collins disse e a loira lhe lançou um sorriso frouxo.

– O álcool deixa sua audição pior, sabia? – Ela rebateu e ele riu, dando mais um gole em sua cerveja long neck. – Eu to muito tonta. – Judy falou mole e sorriu, o encarando mais de perto. – E você é mais bonito do que o seu irmão.

– Nós somos gêmeos. – Jaime rebateu.

– Mas eu consigo ver a diferença.

A loira se esticou um pouco na direção de Jeremy e tocou os lábios do garoto com os seus gentilmente. Jaime demorou uns segundos para colocar sua cerveja na mesa e puxar Judy para mais perto de si e aprofundar o beijo. O gosto era o mesmo para os dois: Álcool e açúcar. O perfume dos cabelos de Judy o deixou inebriado e ele se sentiu mais bêbado do que já estava. Jaime estava com as duas mãos no pescoço da garota enquanto ela fazia carinho em sua nuca. O beijo era lento, calmo e tranquilo. A vocalista nunca teria feito aquilo sóbria, mas com certeza não se arrependeria disso amanhã. Eles se afastaram ao escutar algumas palmas e abriram os olhos sorrindo.

– Você tem amigos idiotas. – Ela disse e Jaime lhe deu um selinho.

– É, eu tenho.

Erika estava eufórica e bêbada. Não acreditava que Jaime tinha realmente beijado a garota por quem era apaixonado e estava muito feliz pelo amigo. Ela duvidava ter se sentido tão feliz por alguém como estava pelo nerd. Erika encarava os dois e foi a primeira a bater palmas e assoviar. Depois de trocarem mais alguns beijos, Jaime olhou para a ruiva e moveu os lábios dizendo: “Obrigado”. Erika fez um jóia e continuou batendo palmas até Jack esbarrar em seu ombro bruscamente e continuar andando em direção ao karaokê.

– Você quer mesmo cantar? – Tony perguntou debochadamente ao perceber a intenção de um dos intrusos de seu ensaio.

– Só pela diversão, Danny Zuco*… Penteado legal, aliás… Bem atual. — Jack respondeu e todos riram, menos o próprio guitarrista, que ergueu uma das sobrancelhas e acendeu outro cigarro. – E porque eu estou um pouco bêbado.

Bower observou atentamente o nome de algumas músicas até que seus olhos se fixaram em uma do Maroon 5, o fazendo sorrir.

– Se não quiser cantar sozinho, eu canto com você. – Sebastian disse meio embolado e se pendurando nos ombros de Erika.

– Muito romântico, cara, mas essa eu quero cantar sozinho.

Jack encarou a mesa por um segundo e fixou seus olhos em Lily. Ela não retribuiu o olhar, estava muito ocupada rindo de algo que Michael estava dizendo. Bower suspirou e pegou o microfone, batendo duas vezes no mesmo e escutando o eco sair pelo os alto-falantes. As primeiras notas começaram a tocar e Jack se balançou no ritmo da música de olhos fechados. Erika gritou ao reconhecer a introdução e Taylor e Judy bateram palmas, dando risadas. Estavam todos, realmente, muito bêbados.

Bower abriu os olhos e finalmente começou a cantar com sua voz desafinada e grave:

– So scared of breaking it that you won’t let it bend. I wrote two hundred letters I will never send. Sometimes these cuts are so much deeper that they seem.

Lily encarou Jack se balançando de um lado pra outro todo desengonçado enquanto cantava. A música Misery a tirou do transe que Mike lhe colocara e a fez prestar atenção na letra.

– You’d rather cover up, I’d rather let them bleed… So let me be and I’ll set you free. I am in misery, there ain’t nobody who can comfort me.Why won’t you answer me? The silence is slowly killing me. Oh yeah! – Jack se virou e encarou Evans novamente e dessa vez ela estava prestando atenção nele e em suas palavras cantadas. - Girl you really got me bad, you really got me bad. I’m gonna get you back, I’m gonna get you back.

Bower voltou a encarar a tela do karaokê assim que percebeu que Lily estava entendendo a mensagem. E ele sabia disso pelo simples fato de conhecer as manias da garota. Ela estava mordendo os lábios e mexendo no cabelo excessivamente. Jack deixou uma risada escapar e voltou a cantar:

– Your salty skin and how it mixes in with mine. The way it feels to be completely intertwined. Not that I didn’t care, it’s that I didn’t know. It’s not what I didn’t feel, it’s what I didn’t show…

As últimas frases do segundo verso atingiram Lily em cheio e ela pode sentir o próprio coração acelerar e sua respiração ficar descompensada. Ela não culpava Jack e muito menos sua voz horrível e estridente que saía pelo os alto-falantes… Era a bebida. Era o álcool. O refrão começou a se repetir na cabeça da garota e ela fechou os olhos. As frases pareciam como tatuagens em sua cabeça. Evans passou a mão nas têmporas e Mike perguntou em um tom preocupado:

– Ta tudo bem?

– Ahan. – Ela sorriu para o rapaz. – Só uma dorzinha de cabeça.

– Se quiser, nós podemos ir embora. – A sugestão do baterista quase a deixou sem ar.

– Não! – Ela respondeu rapidamente e ele arqueou as sobrancelhas. – Eu gosto dessa música. – Lily disse sorrindo e o baterista assentiu e voltou a conversar com Tony.

– You say your faith is shakin’ you may be mistaken. You keep me wide awake and waiting for the Sun. I’m desperate and confused, so far away from you. I’m getting there, I don’t care where I have to run. – Jack encarou a garota novamente e ousou sorrir para ela, que por uns instantes desviou o olhar. — Why do you do what you do to me? Yeah. Why won’t you answer me, answer me? Yeah. Why do you do what you do to me? Yeah. Why won’t you answer me, answer me? YEAH!

Sebastian se juntou a todos que estavam batendo palmas e se não estivesse tão bêbado teria sido capaz de captar a mensagem que Jack quis passar à amiga, mas ele não iria se esforçar para entender. Ele encarou o rosto quase transparente de Lily e como Mike parecia não perceber o efeito que Bower tinha em sua suposta namorada. Sebastian riu como se aquilo fosse uma piada ruim e se desvencilhou dos braços de Erika, indo ao banheiro.

O’Brien estava bêbado. Tão bêbado a ponto de querer o que não podia querer. Queria Erika. Queria agarrá-la e beijá-la naquele exato instante. Sebastian encarou seu reflexo no espelho e balançou a cabeça negativamente. Não podia fazer isso com ela, não de novo. Ele lavou o rosto e caminhou para fora do banheiro. Observou os cabelos ruivos de Erika. Foda-se. Sebastian sabia o que iria fazer, mesmo tentando se convencer do contrário. Ele odiava passar vontade.

O’Brien apertou o passo e só teve tempo de pegar a garota ruiva por um dos braços e beijá-la intensamente. Sebastian fechou os olhos e entendeu a reluta dela a abrir a boca para dar passagem a sua língua. Por uns cinco segundos a ruiva resistiu e depois se entregou ao beijo. Sebastian a beijava com força, mas Erika estava delicada demais. Erika não beijava assim. Ela era calorosa e toda vez que se encostavam dessa forma era como se queimar no próprio fogo. Sebastian abriu seu olho e se afastou.

– Você não é a Erika. – O moreno constatou e sentiu como o se fato fosse um soco no estômago.

– Não, sou a Taylor. – A baixista respondeu sorrindo e com a voz mole. Também estava bêbada.

– Cadê a Erika? – Sebastian perguntou aturdido e começou a procurá-la por todos os lados. – Onde ela se meteu?

– Sei lá. – Taylor respondeu dando de ombros. – Você beija bem.

– Pratiquei bastante. – Ele respondeu sorrindo, mas ainda assim procurando pela Cabeça de Fósforo. – Cadê a Erika?!

– Foi levar o Jeremy pra vomitar. – Lily respondeu, surgindo do nada e vendo o rosto de Sebastian ficar quase verde. – Você ta bem?

– Não. — O’Brien respondeu e vomitou no meio do bar.

*Danny Zuco: Protagonista do filme ‘Grease’.

Notas finais
Acho que todo mundo conhece essa música do Maroon 5, mas quem quiser escutar, ta ai o link >> https://www.youtube.com/watch?v=6g6g2mvItp4 o clipe não tem nada a ver com o Jack e a Lily, mas a letra, como vocês podem ver... É PERFEITA PRA ESSES DOIS *O*O*O*O*