Runaways

11 Capítulo 10 - Do amor ao ódio, do ódio ao amor


Lily chegou a seu apartamento e se jogou no sofá. Sebastian não estava, então ela poderia curtir o resto do dia tranquilamente com Jimmy, seu violão. Ela pegou o instrumento e começou a tocar os primeiros acordes de uma música que há muito tempo ela não tocava. Dm, Gm, Bb, A7. Era como se ela nunca tivesse dado um tempo de seu violão.

– He left no time to regret. Kept his dick wet with his same old safe bet. Me and my high, and my tears dry, get on without my guy. You went back to what you knew, so far removed from all that we went through. And I tread a troubled track, my odds are stacked, and I’ll go back to black. We only said goodbye with words. I died a hundred times. You go back to her and I go back to us. I loveyoumuch. It’snot...

– Tinha esquecido como você canta bem. — Uma voz vinda da porta assustou Lily, que deu um pulo colocando a mão sobre o peito.

– Como você entrou aqui?

– A porta estava destrancada e eu te escutei cantando. Entrei de mansinho porque sabia que você pararia de tocar assim que me visse.

Lily sorriu e continuou observando Jack escorado no batente da porta também sorrindo sem mostrar os dentes. Por que algumas pessoas eram abençoadas com covinhas? E por que uma dessas pessoas tinha que ser Jackson Bower? Ela suspirou e sentiu seu celular vibrar. Desde que tinha deixado Emma sozinha na praia, Lily e Mike tinham trocado mais de cinquenta mensagens em menos de uma hora. Ele era bem legal e parecia ser um cara descente. Mesmo não querendo admitir, Lily estava se deixando levar pela lábia do garoto. Garoto esse que não tinha as covinhas... Não tinha o mesmo sorriso que se aproximava dela agora. Pura covardia esse sorriso. Pura covardia.

– Ah, senta ai. – Lily colocou o violão de lado.

– Pode continuar a tocar. Eu não ligo.

– Você sabe que eu não vou continuar tocando.

– É, eu sei. Mas não custa tentar. – Ele deu de ombros e se sentou no sofá, ao lado dela. – E então, como vai o coração?

Lily estranhou a pergunta e soltou uma risada singela.

– Batendo.

Jack riu da resposta (um tanto esperada) da garota e voltou a dizer:

– Ouvi dizer que você tem conversado com o Michael...

A garota engoliu em seco e se surpreendeu com a frase do loiro. Bower sorriu assim que percebeu que a tinha deixado desconfortável. Não que ele gostasse de saber que ela ficava nervosa ao ouvir o nome do baterista, mas era legal saber que ela se sentia nervosa pelo fato dele saber disso.

– Não muito... Só um pouco.

– Hmm... Você ta afim dele?

Por quê? Mas por que ele tinha que ser tão direto assim? Lily ficou confusa, olhando para as paredes, o tapete, o abajur. Pensou tanto em como fugir daquele momento, ou em como voltar no tempo não dando brecha para tal pergunta que se esqueceu de respirar direito e acabou engasgando na própria saliva. Enquanto Jack dava tapinhas em suas costas, Lily finalmente soltou a voz:

– To bem. – Ela respondeu entre a tosse. – Pode parar de espancar as minhas costas!

– Ah, desculpa. – Jack respondeu dando risada e Lily começou a encará-lo com uma careta.
– Que foi? – A garota continuou com a careta e ele finalmente entendeu. – Eu não posso perguntar se você ta afim de um cara? Pensei que fôssemos amigos... Amigos conversam sobre esse tipo de coisa.

A ironia nas palavras de Bower era quase palpável e fez Lily revirar os olhos.

– Nós não somos “esses” amigos que conversam sobre “esse” tipo de coisa.

– Não? Pensei que a gente tinha combinado de pelo menos tentar.

Lily esboçou um sorriso. Era bonito de ver, apesar de intrigante, o esforço de Jack em tentar fazer com que tudo acontecesse como se não tivesse existido o tempo que passou.

– Não... Sério. A gente tinha combinado de tentar. Por que não começamos com você respondendo minha pergunta? – O garoto insistiu.

– O problema não é a pergunta. Acontece que depois dessa, vão vir outras e outras. E já começou num nível de intimidade que a gente não tem, Jack. Você sabe que pra ter uma conversa assim eu preciso de tempo.

– Lily, a gente já se conhece. Não dá pra chegar aqui e fingir que você é o tipo a menina que encontrei na praia de manhã. Não preciso ter uma conversa de qual seu tipo de filme preferido ou o que você quer ser quando crescer. Eu já sei. Entende?

– Você não sabe. Não é assim que funciona.

– Como funciona?

– Só não desse jeito. Quatro anos! É bastante tempo, sabia? E não foram quatro anos com a gente conversando de final de semana. Foram anos de silêncio total.

– Eu ainda sou o mesmo. Você também...

Lily se levantou rapidamente, interrompendo Bower:

– Não gosto de pensar que sou a mesma pessoa de quatro anos atrás. – Enquanto se sentava na mesa de centro, a garota continuou, agora em tom de voz mais baixo – Não sei da sua vida. Acontecimentos fizeram com que eu mudasse. Com você a mesma coisa.

– Queria saber desses acontecimentos. Queria saber se você ta ou não afim de outro cara. Queria que você confiasse em mim como antes. Por que nada mudou. Eu ainda sei seu lugar preferido, o momento do dia que você mais gosta, sei que você é esse livro fechado e trancafiado, sei que você ta mexendo nesse seu cabelo porque ta nervosa agora e queria tacar esse violão na minha cabeça pra eu parar de falar. Eu sei de você, Lily Evans.

Silêncio.

Fazendo aspas com os dedos, Lily quebrou o gelo:

– “Eu sei de você”, “Eu te conheço”. Você tem essas frases escritas na sua parede? Nossa, meu.

– Tanto quanto você escreveu “eu mudei” “blablablá” “não sou sua amiga” “vai embora, seu idiota”.

– Você é mesmo um idiota.

– Eu acho que vou fazer a maior idiotice agora. Depois você me dá um tapa na cara, tudo bem. Mas eu preciso disso. Não sei quando vou poder ficar tão perto de você assim de novo. Não vou esperar mais nove anos.

Jack segurou as mãos de Lily. Ele se aproximou um pouco de Evans. Por que ela não se afastava?

– Vai ficar ai me encarando?

O que? Ela queria beijá-lo também? Bower, sorrindo com suas covinhas, se aproximava cada vez mais dos lábios de Evans.

– E ai, Jack? Jack? – Lily estalou os dedos erguendo uma sobrancelha.

– Oi.

– Ta passando mal? – Evans perguntou. –Quer dizer alguma coisa?

– Não, eu... Ah, esquece! – Jack estava atordoado. Nunca se perdera em seus pensamentos dessa forma. Foi tão real. Ia acontecer.

– Eu sei que você ia falar alguma coisa. Você sabe que não vou esquecer.

– É ISSO! Pelo amor de Deus, você acabou de dizer! Ta vendo! – Ele parecia explodir de felicidade.

– É diferente. – Evans se sentia tão culpada por ter se expressado daquela forma.

– Não é. Não é.

– Repetir tudo isso não vai fazer tornar verdade. Você só ta tentando se convencer de que ontem foi há quatro anos. Mas não foi. Esses quatro anos existiram, cacete.

– Só quero me aproximar de você. Saber o que se passa ai dentro, por de trás de toda essa armadura ai. É difícil pra mim... Falar de caras com você, tipo, sei lá. Mas eu preciso saber.

– Não precisa, não. – Lily estava convencido disso.

Bower balançou a cabeça de forma afirmativa enquanto se levantava. Seria insuportável, mas ele teria que aceitar que havia perdido.

– Espero que esse Michael tenha mais sorte do que eu.

Educação. Um conceito simples de moral e ética, mas que nem todos conseguem ter. Tony deixou Emma esperando por uns vinte minutos antes de chegar até o píer. Ele a cumprimentou com um aperto de mão porque não queria tirar seu cigarro da boca. Mala. Essa era a palavra. O dia estava quente, como de costume em Huntington Beach, mas o tempo não era motivo para não se usar uma jaqueta de couro grossa. Não para Jarvis.

– Eu não acho que você tenha cara de mimada.

– Obrigada!

Emma sorriu com a frase do guitarrista, mas mal sabia ela, que na verdade, ele a achava sim uma garota mimada. Uma mimada bonita e por isso Tony mentiu. Na verdade, ele só estava discordando porque Emma resolveu mencionar o seu vizinho Ben, com quem ele não dividia muito carisma.

Eles já estavam no Tuna Town, um restaurante japonês que ficava no centro de Huntington Beach. O Tony conseguia ser simpático quando queria, mas dificilmente ele era, porque dificilmente ele queria. Já tinha passado mais de uma hora de encontro e Emma ainda se sentia sem espaço. O que era incrivelmente estranho já que quem a tinha convidado para um almoço foi ele. Não que estivesse chato, mas era bem cansativo ficar ali tagarelando como uma maritaca sem ter nenhum retorno plausível.

– Esse não é o seu tipo de ligar favorito, né?

– Não exatamente. – O guitarrista respondeu e pegou mais um hot rollda barca.

Só isso. “Não exatamente”. Emma bufou e pegou seu celular. 14:30. Quatro mensagens. Duas ligações perdidas.

– Eu já volto, vou ao banheiro.

Miller se levantou e caminhou para fora do local, ligando para Erika, que era uma de suas ligações perdidas. Chamou duas vezes antes da ruiva atender rindo.

– Onde você está? – Emma perguntou impacientemente.

– Na casa dos gêmeos, por quê?

– Não acredito nisso! Você só fica enfurnada no apartamento das cópias mal feitas depois que brigou com o Sebastian!

– Eu preciso de companhia masculina também! Quando o seu pênis ou da Lily crescerem me avisa, ta? – Erika disse soltando sua risada inconfundível e Emma revirou os olhos.

– Por que você me ligou?

– Queria saber se você tava a fim de colar no Johnny’s Bar hoje a noite. Parece que o The Lobsters vai tocar. – A loira olhou através do vidro e encarou a imagem de Tony palitando os dentes. Deprimente.

– Acho que pode ser uma boa ideia. – Ela sorriu pensando na possibilidade de finalmente o guitarrista voltar a se tornar uma pessoa interessante. – Que horas?

– Que horas vocês vão? – Erika gritou e Emma quase ficou surda. – Umas nove, pode ser?

– Fechado... Mas, espera... Quem ta ai com você?

– O Jaime, o John e o Ben. – Miller engoliu em seco e escutou um burburinho do outro lado do telefone. – Ah, e o Jack acabou de chegar aqui com uma cara nada boa!

– Que lindo, Erika. Você já pode montar seu harém!

Sem o Ben. Emma se assustou com o próprio pensamento e engasgou.

– Verdade! – Erika riu do outro lado e dessa vez Miller não revirou os olhos. Era bom saber que a amiga se sentia feliz sem precisar do Sebastian. – Então às nove horas a gente saí! Vou desligar, tchau!

Ao ouvir a linha perdida em sua orelha, Emma suspirou e entrou novamente no Tuna Town.

– Você demorou. – Tony disse assim que ela sentou-se na cadeira.

Se fosse Erika a garota do encontro, ela provavelmente diria que tinha demorado porque estava fazendo o número 2.

– A fila do banheiro estava enorme. – Miller disse com um sorrisinho.

– Essa desculpa é horrível. – Tony respondeu e sorriu. – Eu já paguei a conta. Quer ir pra outro lugar?

Ele não precisou pedir duas vezes. Assim que saíram nas ruas de Huntington Beach, Jarvis colocou seus óculos escuros e parte do seu charme foi restaurado quando ele acendeu um cigarro e sorriu. Emma mordeu os lábios e continuou o encarando atentamente. Era ridículo perceber o quão superficial isso podia ser. O que encantou no guitarrista tinha sido o fato dele se parecer tão bad boy que o alvo seria quase inatingível. Mas cá estavam eles, em um encontro. Foi fácil. Talvez o grande desafio seja sair com Ben. NÃO! Credo. Por que ela iria querer sair com Ben? Não, que estúpido. Com certeza Tony era sua opção mais plausível.

– Acho melhor a gente sair daqui. – Tony disse arrastando Emma pela mão até o outro lado da rua e andando rapidamente até chegarem a praia.

– O que houve?

– Eu não paguei o restaurante.

– O quê? – Emma puxou sua mão da do guitarrista e ele sorriu debochadamente.

– Relaxa, não é a minha primeira vez.

– Ah, então tudo bem. – Ela falou ironicamente. – Qual o seu problema?

– Que foi? Ta com medo? – Tony abaixou os óculos escuros e a encarou ainda com um sorriso no canto dos lábios. — Ta com medo de um segurança de restaurante?

– N-não. – Emma hesitou por um instante. – É que eu gostei muito da comida de lá e agora não vou mais poder voltar!

Tony deu risada e a pegou pela mão novamente.

– Relaxa.

Jarvis continuou a puxando e Emma se deixou levar por ele. Apesar do frio na barriga, Miller estava até gostando da sensação de adrenalina que corria pela suas veias. Tony falou tão calmamente que não tinha pago o restaurante que parecia algo rotineiro pra ele... E talvez fosse.

Emma olhou pra trás por um segundo só por precaução e não encontrou ninguém a seguindo. Ótimo. Apesar da sensação de adrenalina ser boa, ela não planejava ser presa tão cedo. Miller riu com o próprio pensamento e não pode evitar bater a cabeça nas costas de Tony quando ele parou abruptamente e se virou pra ela.

– Eu vou te beijar agora. – O guitarrista tirou o cigarro da boca e colocou seus braços em volta da cintura dela. – Tem um cara atrás da gente e eu acho que ele é um dos seguranças do Tuna Town. – Ah, que romântico. Ele a beijaria por obrigação. Emma ia olhar para trás, mas Jarvis puxou seu queixo em direção a sua boca. – Não olhe... Feche os olhos.

E ela fechou. Os lábios de Tony tinham gosto de nicotina, obviamente. Mas isso não era nem de longe um problema. Mesmo não gostando de cigarro, Emma se deixou levar porque o guitarrista sabia muito bem o que fazer. Uma mão do garoto subiu ao seu pescoço e a outra permaneceu em sua cintura. O beijo era apressado e ao mesmo tempo devagar. A cabeça de Miller girava de uma forma intensa, até parecia que ela estava chapada... Chapada de Tony. Uma droga que não era tão prejudicial a saúde, mas era bem viciante.

– Pronto. – Ele sussurrou e se afastou devagar.

Emma abriu os olhos e a luz do sol quase a cegou. Que beijo foi esse? Com certeza um dos melhores que já provará. Ela olhou para trás para ver o tal segurança do Tuna Town, mas não enxergou ninguém.

– Não tem nenhum segurança aqui. – Ela disse e o guitarrista sorriu.

– Eu sei. – Tony se aproximou e chegou bem perto de sua boca. – Mas valeu a pena a mentir.

Emma só teve tempo de sorrir por cinco segundos antes de Jarvis a beijar novamente. Era um encontro de um tornado e um vulcão. Os dois pareciam se esquecer que tinha pessoas em volta e que os encaravam sem nenhum tipo de descrição. Não que eles pudessem exigir descrição, até porque eles estavam se engolindo no meio da praia a luz do sol.

– Acho que temos espectadores. – Emma sussurrou entre o beijo e abrindo um olho.

– Eu não ligo.

– Não to com vontade de sair hoje.

– Ah, qual é, Lily! Por favor! É a minha chance de voltar a falar com a Erika!

– E você precisa de mim por quê...?

– Apoio emocional.

Lily deu risada e encarou o colega de apartamento com uma careta debochada.

– Desde quando você tem emocional?

– Há-há, muito engraçada. Mas sério, vamos! Todo mundo vai!

– Defina todo mundo.

– Eu, Emma, Erika, os gêmeos, Jack...

– Eu não vou. – Lily o interrompeu. – Daqui uma semana começa a faculdade e eu preciso organizar algumas coisas.

– Você ta de palhaçada, né?

– Não.

– É o show do The Lobsters.

– Sebastian, eu não vou. Fim da história.

Lily saiu da sala e se trancou no quarto, deixando O’Brien sozinho e bufando no recinto. Ele resolveu ignorar o mau humor da amiga e começou a se arrumar para ir ao bar. Já eram 20:30 e ele sabia que as meninas sairiam as 21:00. Mesmo sabendo que Erika iria detestar vê-lo lá, em algum momento ele precisaria voltar a se encontrar com a ruiva. Sebastian sentia muita saudade de conversar com a Cabeça de Fósforo, e ele já estava cansado de ficar parado sem fazer nada além de conversar com Lily sobre isso.

Enquanto Sebastian terminava de arrumar seu cabelo, Lily estava estirada na cama fazendo criptograma. Sábado animado assim são pra poucos. Evans passou a tarde inteira se remoendo pela briga que teve com Jack, e na verdade até seria bom sair de casa para espairecer as ideias. Mas parecia que ela podia tentar fugir para qualquer lugar, ele sempre estaria lá, a perseguindo em seus pensamentos.

O celular da garota vibrou anunciando mais uma mensagem do baterista do The Lobsters.

“Vai sair hoje?”

“Não estou muito no clima”

Ela obteve a resposta em menos de dois minutos.

“Pensei que você fosse noJohnny’s bar... A gente vai tocar e eu fiquei sabendo que o Tony teve um encontro com a sua amiga... Pensei que você viria com ela.”

“Não... Desculpa.”

Lily respondeu brevemente e pensou que ele não responderia depois do que disse, mas seu celular vibrou uma última vez:

“Queria te ver hoje, mas você não facilita pra mim u.uhahaha Não pense besteiras, eu não sei o que a Judy ou a Taylor te disseram aquele dia, mas eu gostei de você... E queria te conhecer melhor. PS: vou entender se você parar de me responder depois dessa mensagem deprimente e ridícula.”

Mesmo tentando achar aquilo tudo realmente deprimente e ridículo ela sorriu. Sorriu com direito a uma fraca e breve risada.

“Que horas acaba o show? E pode ficar tranquilo, suas amigas não disseram nada demais hahaha”

Talvez ela tivesse uma maneira de tirar Jack de seus pensamentos, de si mesma. Parecia que ela estava presa a ele mesmo depois de tantos anos.

“Lá pra meia noite e meia, pq? Ufa! Ainda bem! A Judy não me preocupa, mas a Taylor tem um cabeça de vento as vezes haha”

“hahahaha a Taylor parece ser fofa :3 meia noite e meia ainda é dia...”

Lily respondeu apreensiva. Ela não queria convidá-lo para sair, mas estava esperando que ele entendesse a indireta e a convidasse. Não era certo, mas Evans precisava se distrair e felizmente tinha alguém disposto a distraí-la. Alguém do sexo oposto e bonito. Seu celular vibrou novamente e ela sorriu ao ler a última mensagem daquela noite:

“Te encontro no píer depois?”

– Esse lugar é muito barulhento! – Emma fazia uma careta enquanto entrava no Johnny’s Bar. – Não sei por que eu resolvi vir.

– A gente mal chegou e você já ta reclamando! – Erika falou gesticulando bastante com as mãos. – E você veio pra ver seu guitarrista pirado... Ou o Ben... Enfim, você veio pra ver homem!

Enquanto as duas procuravam um lugar pra sentar, os gêmeos procuravam por Jack que tinha sumido no meio da multidão.

– Talvez ele não queira ser encontrado. – Jaime disse dando de ombros e se encostando em uma das pilastras do salão.

– Talvez ele queira beber sem a gente pra encher o saco. – John respondeu dando risada.

– Talvez tenha acontecido alguma coisa pra ele querer beber sem a gente pra encher o saco. – Jaime falou enquanto coçava a cabeça e seu irmão revirou os olhos.

– Que legal, mocinha. – O Collins número 2 fez uma voz mais fina. – Já comprou seu pacote de absorvente pro mês? – Jaime fez uma careta e recebeu um tapa de “macho” no braço. – Ah, qual é, você pensa como uma mulher! Deixa o Jack beber sozinho e pegar as mulheres da vida! Ele não precisa de babá e eu também to a fim de ficar bêbado!

– Que belo discurso. – Ben apareceu dando risada e com uma Heineken na mão.

– Heineken? Sério? Virou moça também, foi? – John falou rindo.

– É, virei. – Ben respondeu ironicamente. – Aliás, Jaime, se você quiser, tem uns absorventes sobrando lá em casa...

Os três riram e resolveram ir até o bar pegar uma bebida mais forte. Ao chegarem no balcão, encontraram Sebastian. John logo ficou animado com a possibilidade de sair pra caçar com O’Brien, mas a expectativa foi por água a baixo quando o rapaz revelou que veio para conversar com Erika. Jaime sentia seu corpo formigar. Raiva. Ele sentia raiva de Sebastian, e o sentimento piorou quando ele escutou as intenções de O’Brien para estar ali.

– Acho que você já estragou muito as coisas com ela. – O Collins número 1 falou e deu um gole em seu whisky.

– Como? – Sebastian sorriu ironicamente.

– Você entendeu. Ela está bem sem você, cara... Ela finalmente está seguindo em frente.

– Seguindo em frente? Vem cá, há quanto tempo você conhece a Cabeça de Fósforo? Duas semanas? Eu a conheço há três anos, cara. – Sebastian deu dois tapinhas provocativos no ombro de Jaime, que só acompanhou o movimento com o olhar. – Não acho que você tenha o direito de me dizer o que fazer em relação a Erika.

– É, você realmente tem se demonstrando um ótimo amigo. – Jaime falou com ironia e O’Brien arqueou as sobrancelhas, surpreso com o “ataque” do nerd. – Incrível como o sarcasmo soa melhor na boca de outras pessoas, não é?

Ben deu um passo a frente e se colocou entre os dois rapazes. Ele sabia como uma briga começava, ele estava em uma semana passada. Enquanto Dashner tentava não deixar Jaime levar uma surra, John só observava tudo muito entretido e tomando seu chop tranquilamente.

– Você se acha esperto, não é?

– Eu sou esperto.– Jaime o respondeu e afastou Ben pelo ombro para poder ficar cara a cara com Sebastian. – Mais esperto que você pelo menos... Porque eu nunca faria o que você fez com a Erika... Mas vai lá, vá atrás dela. “Conserte as coisas”. – Ele fez aspas com os dedos. – Só quero deixar claro que se você não estiver se sentindo um merda por ter feito o que fez, você é uma péssima pessoa... Você é um péssimo amigo.

Ben segurou Sebastian enquanto Jaime saiu andando calmamente na direção oposta do moreno. O’Brien sabia que estava errado, mas quem era aquele merda pra dizer alguma coisa sobre o assunto? Ele não entendia e nunca seria capaz de entender a sua relação com a ruiva. Ninguém entenderia. Era algo só deles e não precisaria do entendimento de outras pessoas.

– Jaime passou muito tempo com ela essa semana. – John quebrou o gelo. – Meu irmão se importa com ela também, Sebastian.

– É. Percebi. – Ele respirou fundo e se soltou de Ben. – Você a viu em algum lugar?

– Ela tinha ido procurar uma mesa vaga com a Emma.

Os três começarem a olhar em volta e Dashner pode ver Miller de longe. Sorrindo de algo que alguém tinha dito... Não um alguém qualquer, Tony. Quando os lábios do guitarrista se grudaram no dela, Ben sentiu uma pontada muito incomoda do lado esquerdo do peito.

– Ali estão eles! – John disse apontando para perto do palco. – Essa Emma não perde tempo, hein?

– Não. – Ben respondeu e virou a metade da garrafa de cerveja em menos de um segundo. – Ela não perde tempo nunca.

Notas finais
Sebastian vs Jaime