Runaways
12 Capítulo 11 - Palavras
Notas iniciais
Sebastian caminhou entre as poucas pessoas que estavam no bar naquele sábado a noite. Seus olhos estavam fixos em uma ruiva que estava bem perto do palco. Erika sorria e dava risada de algo que Emma dizia. Até que finalmente, ela percebeu a presença de O’Brien e que ele estava indo em sua direção. Ao invés de desviar o olhar, a ruiva continuou o encarando, até ele se aproximar dela e sorrir. Apenas sorrir. Erika não sorriu de volta, mas Sebastian continuou com o sorriso no rosto. Ele já tinha ensaiado mil vezes na sua cabeça e em todos os ensaios tudo acabava bem e a amizade dos dois era restaurada com sucesso.
– Quando as sua férias acabam? – Sebastian falou e Erika continuou calada. – Suas férias de mim.
Enquanto O’Brien tentava não parar de sorrir, a cabeça da ruiva estava a mil por hora. Como ele podia ser tão cara de pau assim? Nenhum pedido de desculpas antes? Ridículo. Erika desviou o olhar por um segundo e encontrou Jaime observando a cena de longe. Ela nunca tinha visto o Collins número 1 com uma expressão tão sombria. Apesar do olhar mortal direcionado a Sebastian, Jaime sorriu para Erika e assentiu com a cabeça. Ela precisaria enfrentar o seu medo de não resistir à O’Brien cedo ou tarde. Erika deu um sorriso discreto para o novo amigo e se virou para sua sina em forma humana, dizendo:
– Não essa noite.
A cara de tacho de Sebastian fez Jaime soltar uma pequena risada. A ruiva caminhou em direção ao Collins número 1 e o abraçou.
– Ele não vai estragar mais nenhuma de minhas noites.
– Sábia decisão.
– Também acho. – Ela sorriu. – E você nem precisou levar uma surra para defender a minha honra!
– Que honra? — Ele riu.
– Para, idiota! – Erika deu tapa no braço em que Jaime segurava a bebida e o líquido foi quase todo pro chão. – Eu te pago depois.
Dessa vez quem observava de longe era Sebastian. Ele fora substituído. Jeremy havia tomado seu lugar e aquilo o deixou mais nervoso do que ele pudesse imaginar. Não era nenhum tipo de ciúmes amoroso, mas era ciúmes de sua melhor amiga se sentir confortável perto de outro garoto que não fosse ele. E O’Brien sabia que ela estava confortável.
– Não deu certo? – Emma perguntou para Sebastian, que finalmente deixou de encarar a ruiva.
– Eu não gosto daquele cara.
– Nem eu. – Emma fez uma careta. – Espero que a Erika não namore com ele.
– Namorar? – Sebastian quase gritou. Quase. – Ela disse alguma coisa sobre namorar com aquilo ali? – Ele apontou na direção do nerd. — Eles estão ficando?
Ao invés de responder alguma das perguntas do amigo, Emma começou a gargalhar, deixando Sebastian ainda mais bravo, se é que isso era possível.
– Bom saber que você está sentindo ciúmes pela primeira vez na vida. Melhor ainda, ciúmes da Erika.
– Não é ciúmes!
– Para, Sebastian! Você não precisa mentir pra mim.
– Eu não to mentindo. — Emma revirou os olhos e o moreno bufou. – Ah, esquece. Vou beber.
Assim que o rapaz caminhou para o bar, o primeiro acorde anunciando que o show do The Lobsters havia começado soou. Emma reconheceu a música de imediato. Era uma versão mais agressiva de blue jeans, da Lana Del Rey. Nas primeiras notas da música ela fechou os olhos e se balançou no ritmo.
– Blue jeans, white shirt. Walked into the room you know you make my eyes burn. It was like James Dean, for sure. You so fresh to death and sick as ca-cancer.
Emma abriu os olhos e encarou Jarvis. Ele estava com um cigarro na boca, seus óculos escuros e sua jaqueta de couro, nenhuma novidade. Enquanto Miller encarava seu mais novo “ficante”, Ben observava a garota se derreter pelo guitarrista.
– Patético. – Ele tomou um grande gole de seu chopp.
– Também acho. — Uma voz feminina surgiu no meio do som do The Lobsters e o rapaz a encarou. – Também acho aquele cara patético.
Ben a observou atentamente. Cabelos no mesmo tom de loiro que Emma, alta, magra e esbelta (mas ele pensou na palavra “gostosa”) com olhos verdes bem claros.
– Oi. – Ele respondeu meio incerto e tomou outro gole de sua bebida.
– Você é bonito. – A moça disse e Ben a encarou arqueando as sobrancelhas. – Mora aqui?
– Sim.
Ele queria ser rude, mas ela era muito bonita e seria um desperdício. Até mesmo ele tinha suas necessidades quando se tratava de mulher. Ele não era nenhum Jonathan Collins ou um Sebastian O’Brien, mas ainda assim gostava de sexo, como todo homem normal.
– Não gosta de conversar? – A moça perguntou sorrindo maliciosamente.
– Não com alguém que eu não conheço. – Ela sorriu. – Mesmo esse alguém sendo incrivelmente atraente.
Apesar de responder de uma forma curta e grossa, Ben sabia que as mulheres gostavam dessa coisa de caras misteriosos e aparentemente impossíveis de se conseguir. Era como um imã.
– Meu nome é Rachel. Pode conversar comigo agora?
Tática aplicada e executada com sucesso.
– Ben Dashner.
– Apelido de Benjamin?
– É.
Ben odiava seu nome. Assim como Lily ele se apresentava somente pelo apelido e esperava que ninguém perguntasse se o nome dele era só aquilo.
– Quantos anos você tem?
– Quantos você acha que eu tenho?
A moça tinha cara de ser mais velha, por isso ele jogou a pergunta para ela. Ele não daria uma bola fora agora.
– Sua barba mal feita deve te deixar com a aparência mais madura, então, por isso, eu te daria uns 24.
– Acertou. – Ben respondeu sorrindo e tomou o último gole de sua bebida. – Você se parece com uma pessoa muito irritante que eu conheço.
Ele não queria ter dito isso. Não queria ter pensado em Emma porque obviamente ela não estava pensando nele. Não que ela pensasse antes, mas ele gostava de achar que sim. Se ela não fosse tão mimada e difícil, talvez desse certo. Se ela não fosse tão cabeça dura e irritante... Talvez ele não estivesse se apaixonando... Se ela não fosse tão insistente e imprevisível...
– Eu to querendo fazer uma loucura. – Ela sorriu maliciosamente e tentou roubar um beijo de Ben, que recuou um pouco e começou a rir. – Hoje é a minha despedida de solteiro.
– Você é maluca, moça. Talvez maluca demais.
Ben ficou de pé para sair dali, mas a mulher segurou seu braço e se aproximou perigosamente dele. Ela tinha quase sua altura e sua respiração batia no queixo de Dashner.
– Já te disse meu nome. – Ele reprimiu um sorriso debochado por ela ter dito algo óbvio. -Rachel Sophia Miller.
– Miller? – Ben engasgou e quase gritou o sobrenome de Rachel.
– Sim. E os Miller sempre conseguem o que querem. Principalmente eu.
E antes que o loiro pudesse pensar em qualquer outra coisa, ela o beijou.

– Sua cor favorita?
Lily pensou um pouco e se surpreendeu em como estava se divertindo com aquele jogo de perguntas idiotas.
– Verde.
– Verde? Que esquisito.
– Eu sou esquisita.
– Não foi isso que eu quis dizer, é só que... Ah, esquece.
Lily riu e Michael sorriu em resposta. Eles estavam na beira do píer, sentados lado a lado balançando seus pés acima do mar. O tempo estava frio para uma madrugada em Huntington Beach. Por sorte, Evans pegou seu suéter azul esverdeado antes de sair de casa.
– E a sua?
– Preto. – O baterista respondeu sem pestanejar. – Banda favorita? Pense bem antes de responder... Não se esqueça que está falando com um dos caras mais entendedor de música de todos os tempos.
Lily riu novamente e Michael continuou com sua pose de bad boy.
– E John Lennon jaz infeliz em seu túmulo. – Ela brincou e Mike sorriu. – Eu não tenho uma banda favorita.
– Como não? – O rapaz arqueou uma sobrancelha. – Todo mundo tem uma banda favorita.
– Eu não.
– Isso é impossível... Ou talvez você seja impossível de se entender.
– Acho que me encaixo melhor na segunda opção.
O baterista sorriu e Lily sentiu falta das covinhas. Não das covinhas no sorriso de Michael, mas sim das covinhas do sorriso de Jack. Por que ele insistia em ficar em seus pensamentos? Ela já estava cansada de ficar pensando na mesma pessoa por tanto tempo. Era como escutar a mesma música várias vezes. Você enjoa, mas a letra e a melodia conversam tão bem com quem você é, dizem tanto sobre os seus pensamentos e sobre sua essência, que você continua preso ao replay. Como é possível parar de ouvir algo tão perfeitamente feito pra você?
– Minha banda favorita é Oasis. – Mike quebrou o silêncio de repente e Lily o observou observar o mar. – Quando eu completei um ano eles lançaram seu primeiro CD. E esse foi o meu primeiro presente de aniversário...
– Que legal. – Ela sorriu. – Você chegou a ir a algum show antes da banda se separar? – Mike deixou de encarar o mar e observou Lily, surpreso. – Que foi? Eu não vivo em uma bolha, eu sei das coisas.
O baterista riu antes de responder:
– Não, não consegui. – Ele suspirou. – Mas eu superei esse problema há cinco anos na clínica de reabilitação. – Lily arregalou os olhos. – Eles não tratam só problemas com drogas. – A garota continuou calada até Mike sorrir. – Foi uma piada. Pode relaxar agora.
Ela respirou aliviada e tentou dar risada, mas não conseguiu. Será que era mesmo uma piada? A pergunta ficou martelando na cabeça da garota por muito tempo, mas ela resolveu deixar pra lá... Por enquanto.
– Você não tem uma banda favorita, mas tem uma música favorita? Uma música que você não consegue parar de escutar?
Tenho. Se chama Jackson Bower.
– Não consigo pensar em nada agora... Na verdade, eu estou tentando me desapegar de uma música.
– Hm. – Mike bagunçou o cabelo. – Ela é boa?
– Um pouco.
– E você não enjoou dela?
– Mais ou menos. – Lily deu de ombros e olhou para o céu escuro e estrelado. – Parece que ela foi feita pra mim.
– É só você pensar que uma música nunca é feita exclusivamente para alguém. Ela sempre vai decifrar milhões de pessoas. – Mike sorriu gentilmente. – Eu sei por que é isso que eu faço. Por mais que eu crie uma canção com um significado específico, quem escuta tem a sua própria interpretação.
– Nunca tinha pensado por esse lado.
– Talvez você só precise de outra música boa.
– Talvez.

Ela não tinha nome, pelo menos não a princípio. Jack estava tão bêbado que não se lembrava da maioria das coisas que aconteceram na noite passada. E uma delas era o nome da garota com quem ele tinha ficado. Ela era loira, isso era certo. Bower sentou-se devagar em sua cama e passou a mão pelos cabelos. Qual era mesmo a finalidade de beber tanto assim? Antes que ele pudesse pensar em uma resposta, o primo entrou em seu quarto acompanhado de John. Ben abriu a janela e Jack colocou a mão sobre os olhos.
– Acho que eu acabei de ficar cego.
– Contanto que você consiga falar, ta tudo certo. Você tem algumas coisas pra explicar.
– Tipo...?
– Tipo quem é a garota seminua dormindo no sofá da sala!
Jack massageou as têmporas enquanto o primo o encarava sério e o Collins número 2 dava risada.
– Ela é loira?
– É.
– Ah, então eu sei quem é, mas não lembro o nome.
Ben bufou e o John continuou rindo enquanto Bower continuava a massagear sua testa. A dor de cabeça era quase insuportável e a risada do rapaz não estava ajudando em nada.
– Você dormiu com ela? – Dessa vez quem perguntou foi John.
– Não sei.
– Não acredito que você não sabe se transou ou não com uma garota! – O Collins número 2 dizia. – Nem eu faço isso.
– Lá se vai o resto da minha dignidade. – Jack falou com um pequeno sorriso. – Acho que eu exagerei um pouco ontem.
– Um pouco? – Ben ironizou. – Você deve ter acabado com o estoque de bebidas do Johnny’s Bar.
– Ok, entendi. Será que dá pra pegar um remédio pra dor de cabeça?
– Não. – Dashner disse firmemente. — Sua dor de cabeça, sua garota no meu sofá, seu problema... Boa sorte.
O loiro saiu do quarto e antes de segui-lo John informou a Jack que eles estariam na praia.
– Boa sorte, Bower.
– Vocês não podem deixar um cego sozinho em casa! – Ele gritou e pode escutar a voz do Collins número 2.
– Peça ajuda para a sua loirinha quando ela acordar. – Ben gritou da sala e Jack sabia que o primo estava se divertindo à custa de sua desgraça. – Aposto que com essa barulheira ela já deve ter acordado.

– Então quer dizer que você pegou uma mulher mais velha ontem? – John perguntava animadamente e seu irmão fez uma careta.
– Pegou? Que verbo horrível. Ela não é um objeto, Jonathan. – Jaime disse e Ben deu risada.
– Sério. Absorventes. – O Collins número 2 falou.
– Sério. Verbos melhores. – O Collins número 1 retrucou.
Os três estavam sentados na areia com suas pranchas de surf observando o mar. Antes de surfar, eles gostavam de ficar apenas parados olhando a imensidão azul e vendo alguns caras levarem caldos para amaciar o ego.
– Então, quantos anos ela tinha?
– Ela disse que tinha 26, mas sei lá...
– Não acredito que uma mulher com o potencial de ficar com qualquer cara no Johnny’s Bar quis ficar com você, um garoto de 19 anos. – Jaime falou sem desviar os olhos do mar. – Eu a vi de longe, ela era bem gata.
– Ela continua sendo, usou verbo no passado por quê? – John disse sorrindo enquanto o irmão arqueava uma sobrancelha e ria em deboche. –Enfim, quantos anos você falou que tinha?
– Na verdade, ela disse que eu tinha 24.
– E você concordou? – John perguntou.
– Na verdade, eu não discordei.
Os gêmeos reviraram os olhos e encaram Ben ao mesmo tempo e com a mesma expressão estampada no rosto. Chegava a ser assustador.
– Dá na mesma. – Jaime falou e seu irmão assentiu.
– Vocês transaram ou não? – John perguntou animadamente.
– Você viu alguma garota nua na minha cama quando você invadiu o meu apartamento? – Ben falou e o Collins número 2 negou. – Então, não.
– Você é um babaca sabia? – Dessa vez quem disse foi Jeremy.
– Eu? – Ben perguntou rindo.
– Sim, você! Por que não transou com ela?
John começou a gargalhar e Ben fechou a cara.
– Motivos que vocês não entenderiam.
A verdade é que Rachel o lembrava muito a Emma. E seria muito errado fazer sexo com uma pessoa pensando em estar com outra. E pelo o que ela tinha dito, Rachel realmente era parente de Emma. O que seria mais errado ainda... Ou não... Talvez fosse a vingança perfeita.
– Por que você ta sorrindo desse jeito? – John perguntou e ficou de pé.
– Tive uma boa ideia. Só isso. – Ben também ficou de pé e pegou sua prancha. – Vamos?
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