Runaway

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá pessoas, essa é a minha primeira fanfic e espero que gostem!
Agradecimentos à Dry por ser minha beta querida :)

Nunca gostei de cidades pequenas, um lugar onde todos se conhecem não pode ser confiável. Ainda assim, minha protetora parece achar uma boa ideia me tirar da capital da Califórnia e me levar para uma das menores cidades de Ohio, Ludlow Falls, um lugar com menos de seiscentos habitantes, que desconhecia tons que não fossem pastéis e com mais árvores em um bairro, que no Central Park inteiro.

A casa branca de dois andares que se estendia à minha frente era parecida com as – nem tantas – outras da cidade. O interior eu não saberia dizer se era semelhante, entretanto, achei estranho o sofá se posicionar diretamente sob a escada. As cores de todos os cômodos eram absurdamente claras, então cogitei o fato de a loja de tintas não ter tons fortes.

Subi para o meu quarto. Suspirei quando vi as paredes brancas que combinavam com a colcha da mesma cor e com os móveis também brancos, era quase como estar em um hospital.

Anne, minha protetora, entrou no quarto com seu sorriso amável de sempre.

Ela era, definitivamente, a pessoa mais gentil que eu já conhecera e, graças às minhas mudanças, eu conhecia muitas pessoas.

O cabelo loiro e os olhos castanhos lhe davam um ar doce, o que diferia da sua posição, mas comportava perfeitamente sua personalidade. Duvidava seriamente que alguém tivesse uma melhor protetora do que a minha

— Você gostou? – perguntou fazendo um gesto com os braços que abrangia todo o cômodo.

— Preferia que tivesse alguma cor – comentei sentando-me na cama de casal.

— Pode pintar seu quarto se quiser, não há restrições dentro dessa casa, quando não tiver mais ninguém aqui, é claro. – deu de ombros. — De qualquer forma, eu te inscrevi na escola local, seus novos documentos estão aqui. – disse, me entregando um envelope pardo.

Lá de dentro, eu tirei uma carteira de motorista e identidade. — Eve Turner, dezessete, nascida na Califórnia. – li interessada — Nos mudamos para essa cidade porque você conseguiu um emprego, meus pais morreram num acidente de carro... – comentei a história que normalmente contávamos.

— Exatamente! – exclamou sorrindo. — Vou sair para comprar comida, você pode ir conhecer a cidade, se quiser. Lembre-se de não chamar atenção! – advertiu.

— Seria mais fácil num lugar com mais pessoas. – comentei pegando minha bolsa. — E eu vou pintar essas paredes.

Antes de sair, fui até o único banheiro da casa que era, é claro, bege. O reflexo do espelho mostrava minha expressão de descontentamento. Os cabelos castanhos mal presos em um rabo, os olhos verdes, avermelhados graças ao sono.

Lavei o rosto e forcei um sorriso para mim mesma. Eu era boa atriz, poderia convencer aos cidadãos de Ludlow Falls que era uma garota californiana que perdera os pais e foi morar com uma tia. Podia fingir que gostava deles e estava feliz de estar aqui. Essa era minha vida, mentir para desconhecidos e permanecer viva.

A loja de material de construção não era longe, Anne me indicou o caminho e eu o segui sem problemas, mantendo a cabeça baixa e os fones de ouvido no máximo.

Não foi uma surpresa que o prédio fosse cinza, entretanto, o garoto por trás do balcão de atendimento foi um choque.

Os cabelos negros bem arrumados, os olhos azuis brilhantes e a blusa azul marinho com o logo da empresa. A beleza dele não era a parte surpreendente, mas o fato de que cantava uma música da Madonna e se movia no ritmo enquanto lia uma revista de fofoca.

Nunca pensei que iria encontrar um gay assumido em uma cidade com menos de seiscentas pessoas.

— Olá? – chamei, tirando os fones e esperando que ele levantasse o olhar para mim.

— Você é nova aqui! – ele constatou. — Comprou aquela casa na Walnut Street, não foi?

— Aluguei, na verdade. – Forcei um sorriso. Como Anne queria que eu fosse invisível nesse lugar?

— Oh, bem... – deu de ombros. — Meu nome é Kevin Martin.

— Eve Turner. – estendi minha mão e ele a apertou.

— E do que você precisa? Achei que tivessem consertado tudo antes de vocês se mudarem.

— Não tem nada estragado, só quero pintar meu quarto. – expliquei com uma careta involuntária. — Tudo por aqui é em tons pastéis. Isso me irrita.

Kevin riu e acenou com a cabeça. — Verdade. Bem, vou te mostrar a paleta de cores e você escolhe a que preferir.

Depois de procurar por diversos pedaços de papel, encontrei um vermelho berrante que me agradou. Kevin disse que eu não devia pintar todas as paredes porque o quarto ficaria menor. Resolvi acreditar nele, porque gays sempre sabem dessas coisas, então decidi pintar apenas duas. Comprei as tintas e o resto das ferramentas necessárias e segui de volta para casa.

No caminho, mantive a cabeça erguida e prestei atenção ao meu redor. As ruas pareciam todas iguais, assim como as pessoas que sorriam ao passar por mim na direção oposta. Eu os odiava, a todos eles. Não era justo que fossem normais e felizes. Não era justo que eu tivesse que fugir pela minha vida, que não tivesse amigos ou família. Ainda assim, eu sorria de volta e fingia ser como eles.

Notas finais
Espero que tenham gostado :)