Ruivas
6 Katherine
Notas iniciais
“Serial killer, basicamente é uma pessoa que comete assassinatos de forma planejada com certo espaço de tempo que pode variar de dias á anos, suas vitimas tende a ter algo em comum ou são escolhidos aleatoriamente visando algo que seja de interesse do ‘agressor’, o assassino normalmente é alguém que teve problemas na infância e muitas vezes podem interagir normalmente na sociedade sem erguer nenhuma suspeita, são pessoas agradáveis em sua maioria e de inteligência invejável. Em certos casos podem apresentar múltiplas personalidades sem que isso seja de seu próprio conhecimento” – diz o Dr. André Luis Vilanova, psicanalista que atua juntamente com a policai federal no caso que esta sendo chamado de Ruivas, onde uma serie de assassinatos tem ocorrido neste mês em três cidades do estado [...].
[...] a ultima vitima desse serial que cultiva preferência pelas ruivas foi Katherine Castlemoore de 19 anos, a promissora modelo escocesa que atraia atenção pela beleza, espontaneidade e suas incríveis madeixas ruivas foi encontrada morta no ultimo domingo dia 29 em seu quarto de hotel [...]
Interessante o ponto de vista desse psicanalista, mas isso não significa que ele esteja certo, pensei empurrando o jornal para o lado e voltando a atenção para o transito irritante que parecia parado, estou sentada no ponto de ônibus esperando condução para qualquer lugar fora daqui a mais de uma hora e as pessoas falando sem parar perto de mim estão começando a me causar histeria.
Serial killer eu? Á tá é claro como se eu tivesse culpa de tudo o que aconteceu comigo e esse psicanalista com essa reporte policial sem graça não sabem de nada, além de que só foram 8 e três deles nem eram ruivos. Aliás, que tipo de pessoa fica se metendo na vida alheia para descobrir coisas que não lhe dizem respeito? Pessoas morrem todos os dias em todos os lugares e o mundo para por que uma modelo com sérios problemas alcoólicos foi encontrada morta em seu luxuoso quarto de hotel cuja diária poderia alimentar uma família de seis pessoas famintas por uma semana.
Estou impaciente e agradeço por estar sentada do contrario estaria andando em círculos e falando como uma louca, Serial Killer é uma ova. Katherine era de fato a mais bela ruiva das ruivas belas que meus olhos já contemplaram e foi por mero a caso que a vi não tenho culpa dela estar bêbada e ter deixado sua bolsa extremamente cara cair do segundo andar do hotel no exato momento em que eu passava contando meus passos pela calçada. Quer um culpado culpe o acaso ou aquela coisa cruel chamada destino que me sorri e depois me empurra precipício abaixo.
– Ei cara – gritou ela bêbada com as palavras enroladas mais pela bebedeira que pelo sotaque – me trás essa bolsa aqui no quarto 6 segundo andar, te dou uma boa grana de gratificação.
Eu podia muito bem seguir meu caminho e deixar que ela descesse se não fosse por um, porém, eu já havia olhado para cima e quando vi aquela cortina de cabelos ruivos emoldurando aquele rosto angelical perdi qualquer sensatez que me faria em outros casos a mandar se lascar, peguei a bolsa e entrei no hotel passei direto para o elevador apenas acenando para o cara de cabelos ridiculamente bem penteados na recepção. Ao me olhar no espelho do elevador notei o porquê ela me chamou de “ei cara” eu estava usando um gorro preto desbotado, camisa de manga longa que cabia duas de mim e ainda sobrava espaço, uma calça folgada e um tênis cujo cadarço abaixei para amarrar.
Bati na porta e a louca gritou para que eu entrasse claro eu entrei sou acima de tudo curiosa e minha curiosidade me impede de raciocinar de forma lógica às vezes – parar urgentemente de fazer idiotices – ela estava sentada na ponta da cama com as duas mãos na cabeça eu mais que rápida perguntei se ela estava bem. Fiquei sem palavras quando aquele par de olhos grandes e cinzentos me fitou atordoados e lacrimejantes, sua boca de lábios perfeitos se abriu com uma voz rouca e cansada.
– Eu não aguento mais, eu quero morrer – depois ela foi para a janela.
Ela ia simplesmente pular do segundo andar do seu quarto de luxo que era exageradamente grande para uma pessoa sozinha, eu corri e a impedi puxando ela para dentro pela blusa. Ela me fuzilou com aqueles olhos borrados de maquilagem e ainda assim lindos.
– Sabe quem sou? Eu sou a raazão da fortuna de fotógrafos, jornalistas e es-estilistas. Eu sou uma mer-erda de corpo sexy e cara de puta barata. É minha vida e eu vou morrer agora.
Eu a segurei pela blusa irritada com aquela cena patética, ela era a ruiva mais linda da cidade – eu diria mundo mais isso seria injustiça – e queria se matar por ser uma merda de pessoa?
– Garota você ficou louca?
– Louca eu? – ela cuspiu, literalmente, as palavras em mim – eu sou brilhante, mas achei que meu corpo era suficiente para me tornar rica e me tornou, mas á que preço? Eu não como há dias e tudo o que faço o mundo todo descobre, e essa blusa que cê segura custa mais caro que um carro então me solta que eu tenho que morrer antes do próximo desfile.
Eu fui até a janela bloqueando o caminho dela que estava parada chorando feita criança mimada.
– Sinto informar que se pular há grande probabilidade de ficar deformada e não morrer.
Ela me olhou curiosa e fungou alto. Ficou me olhando enquanto pensava.
– Me faz um favor? – sussurrou depois de um desconfortável silêncio.
– Que?
– Compre veneno para mim?
Eu a olhei, ela estava pedindo para que eu a matasse?
– Você esta bêbada e não esta pensando de for...
– E desde quando estar bêbada significa ter ficado burra? Eu poderia subir no ultimo andar e pular, mas isso como você mesmo disse me deformaria e a ultima coisa que quero é dar o gostinho aos abrutes da moda de me ver destruída onde sou melhor que elas.
Enfatizou o final das palavras se virando para o espelho, por onde me olhou com interesse.
– Você é uma garota bonita, tirando essas roupas ridículas de homem. Só quero me libertar não estou pedindo para você me matar eu farei isso sozinha é só provocar uma overdose e adeus mundo cruel. Por favor!
Ela exclamou se virando para mim seus olhos cheios de tristeza e...
... Eu descobri naquele momento que tinha mais em mim que obcessão, acho que a palavra é compaixão. Eu perguntei se ela tinha um par de luvas e ela me olhou confusa, depois pegou um par de luvas de renda preta muito fina e bonita e me entregou disse que era as únicas luvas que ela tinha. Perguntei se ela tinha certeza que queria aquilo e ela sorriu me abraçando.
– Ah! Moça você é um anjo que Deus colocou em meu caminho.
Meu coração palpitou diante aquele contanto e eu a beijei, ela correspondeu e quando nos separamos ela se deitou na cama e pediu que eu não a deformasse. Foi rápido, embrulhei a garrafa de uísque que estava na cama em um lençol e quebrei cortei a garganta branca dela e sai do hotel. Foi só isso, simples assim sem resistência e sem medo, apenas a ajudei atendendo seu desejo mais doentio e ainda assim me chamam de serial killer.
– Só embromação não acha menina? – pisquei olhando para o homem de terno azul ao mau lado, ele segurava o jornal que eu tinha acabado de empurrar para o lado.
– Oi?! – perguntei confusa ainda pensando em Katherine
– Esse cara entra pra matar a modelo ruiva no dia exato em que por acaso o sistema de segurança do hotel estava em reparos.
– Como? – o olhei aflita havia câmeras no hotel.
– Aqui diz que as câmeras dos três primeiros andares estavam em manutenção durante o fim do dia de domingo, exatamente quando o assassino entrou no quarto da modelo.
Eu suspirei de alivio, duplo alivio o ônibus acaba de parar para me tirar de meu temor em ser pega e pelas graças do destino a quem injustamente acusei de cruel as malditas câmeras estavam em manutenção, peguei o jornal de volta e entrei no ônibus, vou ler com a máxima atenção o artigo do caso “Ruivas”.
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