Rubro como sangue
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Notas iniciais
(sete anos)
Grell estava sentado na varanda de sua casa com o semblante entristecido. Seu pai ainda não havia voltado. Faziam dois dias desde que ele saíra pela porta dizendo que voltaria logo.
O garoto franzino de longos fios carmesins deixou os olhos marejarem. “Será que o Oto-san também me deixou?” pensou abraçando seus ombros. Não era a primeira vez que o homem saia sem dar a menor explicação ao filho ao deixar alguem tomando conta dele, mas era a primeira vez que o proibia de sair de casa enquanto não voltasse.
Os esmeraldinos refletiam a imagem da lua minguante de tão alagados que se encontravam. Um suspiro triste e desesperado escapou de seus lábios antes que ele agarrasse seus joelhos e gritasse suas lágrimas para fora.
— Eu só não queria ficar sozinho... nunca mais... — confessou chorosamente, sem que ele percebesse, ao mesmo momento em que uma estrela cadente passou por ele.
Enquanto isso, não muito longe da li, William olhava para a janela, também triste. A senhora Spears, ao ver tal astral dominando seu doce filho, foi ao seu encontro, ajoelhando-se ao seu lado e dando um beijo carinhoso em sua bochecha.
— porque tão triste meu amor? — perguntou afetuosa. O garotinho virou os olhos molhados para a mãe e a abraçou.
— Gureru não foi na aula ontem, nem antes de ontem... — disse com a voz chorosa. — será que não podíamos ir ver ele? — murmurou com o tom arrastado entre as lágrimas quentes. A mulher se surpreendeu com o pedido do filho e sorriu levemente.
— Acho que uma visita não faria mal, você não acha? — sussurrou ela erguendo o filho no colo. — Vamos querido. Pegue seu casaco. — um sorriso radiante ocupou o semblante até então triste e o garoto correu até o quarto.
Chegando nele, o pequeno revirou suas coisas até achar um pacotinho vermelho que cabia exatamente em sua mãozinha. Em seguida ele colocou um casaco azul escuro que estava pendurado no encosto da sua cadeira.
— está pronto? — perguntou a mãe, parada na porta, assustando o filho que estava muito concentrado e não tinha notado a mulher ali.
— Okaa-chan! — exclamou com o susto. A mulher riu e entrou no quarto, parando ao lado do filho, lhe oferecendo a mão.
— Desculpe querido, vamos? — chamou e o pequeno assentiu.
Poucos minutos depois os dois estavam em frente à residência dos Sutcliff. A mulher logo parou e deixou que William tomasse a dianteira, visto que o garotinho ruivo que era seu amigo estava sentado do lado de fora.
O pequeno moreno andou pelo gramado mal cuidado até onde Grell estava e parou a sua frente, quando ouviu o soluço.
— Porque está chorando Gureru-chan? — perguntou preocupado. Assustando ao menor, que não ouvira o outro chegando.
— Wiru-chan? — questionou com o tom que já estava entrecortado e choroso, um pouco assustado. Ao mesmo tempo que falou, o ruivinho ergueu o rosto e, quando viu seu amigo na sua frente, saltou da sacada para seus braços, enterrando seu rostinho no ombro do outro e abraçando-o de forma firme.
O moreno retribuiu, abraçando-o da mesma forma. Seus sorrisos eram tão brilhantes quanto à lua e a felicidade emanava de ambos.
Depois de alguns minutos eles se soltaram e William pegou o pacotinho vermelho, entregando-o para Grell. O ruivinho deu um salto com o presente, já que nunca antes havia recebido um, e abriu o embrulho, virando-o na palma de sua mão. Nela caiu uma pequena pulseira, feita de fios vermelhos entrelaçados com muito cuidado.
— o-obrigado, Wiru-chan — agradeceu com um sorriso e um beijo estalado na bochecha alheia — eu nunca vou tirá-la — afirmou amarrando-a bem firme em seu pulso.
(2015)
Grell estava sentado varanda de sua casa com o semblante entristecido.
Entre as suas coisas, o ruivo havia encontrado uma pulseira vermelha, um tanto puída, quando perguntou sobre ela, seu pai lhe bateu e mandou que juntasse suas coisas, pois iria para Londres.
Agora ele olhava para aquele item peculiar que lhe trazia uma agradável sensação. Seu pai saiu da casa e lhe jogou uma pasta com documentos.
— Vai ficar o dia inteiro ai olhando esse treco ou vai começar a pedalar? Vai ti embora porque tens que chegar na hora em Funtom Academy.
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