Rubro como sangue

5 End of 1st act - The time to remember


Notas iniciais
Ohayõ Buenas, antes que me atirem pedras, cadeiras, espadas, akumas, titãs, shinigamis e escrevam meu nome em seus Death Notes, eu tenho uma explicação para a minha mega demora para atualizar, porém ela se encontra lá embaixo, para que possam ler primeiro, assim como outra pequena explicação de como vai correr a fanfic a partir de agora. Sem mais delongas, boa leitura.

“Esse dia me lembra daquele... aquele de três anos atrás, o dia do acidente, o pior dia de nossas vidas... Ambos perdemos nossas mães naquele dia.”

Ciel tinha o mesmo pensamento do outro e, em meio a estes devaneios, o abraço apertado que recebia de Sebastian e as gotas de chuva escorrendo pelo vidro, fez a memória daquele dia lhe vir à mente.

Flashblack (POV.: Ciel Phantomhive)

Chovia forte naquela manhã, mas mesmo assim meus pais insistiram que eu deveria ir a Funtom para visitá-la. Não que já não conhecesse cada tijolo daquela construção, mas, segundo a minha psiquiatra, seria bom que eu visitasse lugares onde havia tinha tido lembranças felizes. Certo, nada contra ir até lá, mas eles bem que poderiam ter me deixado levar meu canivete... “Lembre-se da terapia, nada de objetos cortantes Ciel!” foi o que a minha mãe usou como desculpa. Ah mãe, a senhora deveria ter me deixado levar.

Bem, naquela manhã fomos a Funtom Academy e a visitação ocorreu como sempre, na verdade eu não me lembro de exatamente de todos os detalhes porque não estava prestando muita atenção no que meu pai falava, eu apenas queria voltar pra casa, não suporto que as pessoas fiquem me olhando e desde o acontecimento de dois meses atrás, ai então que ninguém mais me deixava em paz.

Enfim, depois que acabamos a nossa visita mensal, (sim, íamos todos os meses desde o ocorrido fazer essa visita ao “lugar das memórias da família Phantomhive” como o vovô, ou melhor, o mordomo Tanaka, costumava se referir à velha mansão que se tornou a universidade) retornamos ao nosso carro com destino a nossa casa ou talvez a alguma doceria, pois eu cogitava a ideia de pedi-lo aos meus pais.

A chuva parecia ter se intensificado e eu pedi para que esperássemos a chuva passar antes de entrarmos na estrada, mas minha mãe insistiu que fossemos logo porque teríamos que ir buscar minha tia Ann no aeroporto, já que ela insistia em que nós fossemos pessoalmente busca-la. A tia Ann ou Angelina Durless, estava se mudando para Londres juntamente aos meus primos Elisabeth e Edward Middleford, que perderam os pais muito novos e a pedido de minha mãe, sua irmã, ela cuidou das crianças.

No carro, já na estrada saindo da Funtom, estávamos apenas eu e meus pais. A musica, que se não me falha a memória chama-se “A morte do cisne”, tocava em um volume baixo, contrastando com o barulho da chuva. Eu apenas olhava para a janela do lado direito “vendo a chuva, chover” como dizia minha mãe. Na verdade eu tentava afastar do meu pensamento as memórias ruins das coisas que haviam me acontecido, quando senti meu corpo ser empurrado com força contra o banco que estava sentado.

Tudo ocorreu muito rápido, num segundo estávamos na estrada e no outro contra uma arvore, fora da estrada. Não que na hora eu tenha agido e aceitado a situação como estou fazendo agora, a final eu entrei em pânico, mas não vou comentar sobre isso.

O carro capotou e bateu contra uma arvore. O lado direito foi quase totalmente esmagado, o vidro daquele lado se estilhaçou, mas um dos cacos atingiu meu olho, eu o fechei quando senti o sangue escorrer e tudo daquele lado ficou escuro. Tentei ainda enxergar com o outro olho, mas era difícil, então optei por gritar.

— Socorro! Alguém me ajude! Pai! Mãe! Acordem! Por favor! Alguém me ajude! — esperneei com a vaga esperança de que alguém pudesse me ajudar. Se eu pudesse me olhar em um espelho naquele momento eu tenho certeza de que meu semblante era ainda mais aterrorizado do que o som da minha voz.

Tentei soltar meu cinto, mas ele estava preso firmemente e não parecia querer soltar de forma alguma. Meu desespero apenas aumentou e eu procurei em meus bolsos pelo meu celular, porém quando eu o achei não conseguia visualizar os números direito, era um telefone relativamente novo e por isso eu ainda não tinha memorizado onde ficavam os aplicativos, tornando o item inutilizável. Gritei de novo, sem palavras, apenas um berro inumano na esperança de que alguém viesse me ajudar.

Eu já havia perdido minhas esperanças quando ouvi uma voz do lado de fora do carro. O tom usado estava embargado e choroso, como se aquela pessoa estivesse chorando a pouco tempo, fato esse que tomei conhecimento de ser verdade algum tempo depois.

— Você tem que quebrar o vidro! — gritou para mim alguém batendo na janela que ainda estava intacta. Virei-me para onde achei ter ouvido o som de sua voz tentando descobrir onde ele estava, já que não conseguia enxergar devido ao meu olho ferido. Soube então que ele estava ao meu lado, ou melhor, do outro lado do vidro — Ei! Você! tente sair pela outra janela! — disse ele apontando, ou eu julguei ele estar apontando, para o lugar a que havia se referido. Eu me mexi um pouco, puxando o cinto com força.

— Eu estou preso! Não consigo sair! — gritei avisando-o com os olhos fechados. — Eu não consigo ver nada! Está tudo escuro! Não consigo ligar pra emergência! — esperneei, mostrando o celular em meu colo mãos.

— Certo, mas você precisa confiar em mim... — aquelas palavras saíram com certa dificuldade da parte dele, eu não sei o porque, mas também não queria saber naquela hora. — Eu vou ter que entrar ai! Vou dar a volta no carro e vou tirar você daí! — exclamou já se movendo até o outro lado do carro, soube disso pelo som ficar um pouco distante e depois se aproximar novamente.

— Os meus pais! E os meus pais?! — questionei. Ele suspirou e puxei a porta destruída, que por algum acaso não tinha ficado preso às ferragens e caiu com seu simples toque.

— Vamos tira-los também, mas primeiro você tem que sair, pra poder chamar a emergência! — disse-me apoiando-se no banco do carro e logo gemendo de dor, acho que ele deve ter se cortado com os cacos do vidro— Droga! — xingou alto, furioso com aquilo. Eu girei o rosto pro lado dele e foi quando me dei conta de como estávamos próximos. Em outra situação eu provavelmente teria corado, mas naquela eu só queria sair de lá. — Me dê aqui o telefone eu vou discar o numero e você fala com a emergência enquanto eu tento te soltar! — ordenou e eu obedeci. Ele pegou o aparelho e discou o numero rapidamente, certamente se certificando de que a ligação estava “chamando” antes de entregar o celular para mim. — aqui! — disse e ele colocou o aparelho no ouvido meu ouvido.

— Obrigado... — murmurei, segurando o celular com a mão trêmula, esperei até que a chamada parasse de emitir aquele “tu...tu...” e instantaneamente falei — Alô? É da emergência? — disse desesperado.

— Sim, qual é a emergência? — questionou uma voz feminina grave do outro lado da linha.

— Eu... nós, precisamos de ajuda! Por favor moça! — disse rapidamente com um tom desesperado. A mulher na linha pigarreou.

— acalme-se senhor, onde vocês estão? — questionou

— Na estrada, saindo da Funton Academy

— Como é o seu nome?

— Eu sou Ciel Phantomhive.

— Certo. Quantos anos você tem Ciel?

— 15, 15 anos!

— O que aconteceu Ciel?

— Sofremos um acidente de carro, eu e meus pais!

— Posso falar com um deles?

— Não... Acho que não estão conscientes.

— Bom, tem alguem ai com você?

— Um garoto está me ajudando, eu estou preso no cinto e ele tá tentando me soltar.

— Você sabe o nome ou idade dele?

— não, eu não sei. Eu não consigo enxergar, acho que um dos cacos de vidro machucou meu olho direito.

— Certo. Fique calmo. Existem só vocês quatro dentro do carro?

— Sim.

— Pergunte ao garoto se ele pôde ver fumaça do lado de fora.— pediu, eu afastei o aparelho e “olhei” para ele que, enquanto eu falava ao telefone, pegou um dos cacos maiores do vidro e passou com força contra o meu cinto de segurança , tentando cortá-lo.

— Você viu fumaça? — perguntei tentando não atrapalhar o trabalho dele.

— Ah, sim... quando eu estava bem perto do carro pude ver um pouco de fumaça — murmurou concentrado no que fazia.

— Você ouviu? — Perguntei a atendente.

— Sim, ouvi. — Depois de algumas tentativas falhas e alguns cortes que provavelmente ardiam em suas mãos, ele conseguiu romper uma das partes do cinto, liberando-me do item. Eu instantaneamente larguei a telefone e impulsionei o corpo para frente, entre os bancos do motorista e passageiro.

— Mãe, pai, vocês estão bem? — questionei tocando os seus ombros. Minha visão estava embaçada, mas mesmo assim pude ver a grande quantidade de sangue que escorria de minha mãe. Pensei no pior e comecei a chorar enquanto me virava para o lado de meu pai, com um grande nó já formado em minha garganta.

— Quem fala é Sebastian, eu que estou ajudando o Ciel... — disse o garoto prontamente, enquanto eu ainda chamava por meus pais. — Ei! Seu nome é Ciel certo? Eu vou te ajudar a tirar seus pais daí, agora saia do carro é muito perigoso. — exclamou tocando meu ombro suavemente. Me virei para trás e vi de relance, por causa do meu olho ferido e minhas lágrimas, que ele segurava o telefone contra seu ouvido.

— Mas você não vai conseguir tirá-los sozinho! Eu quero ajudar! — argumentei, fechando os meus olhos e girando meu corpo novamente para frente. Lágrimas misturadas com sangue escorriam pelo meu rosto. Eu só queria alguém para me abraçar naquele instante, mas abandonei a ideia assim que senti o olhar daquele garoto cair sobre mim. Ele me puxou para trás e eu deixei que ele me afastasse de meus pais.

— Fique do lado de fora pra esperar a ambulância, assim vai nos ajudar! — disse o tal Sebastian, tentando parecer convincente e eu hesitei um instante, pensando pela primeira vez se realmente podia confiar nele, antes de assentir. — Estou contando com você, agora saia daqui! — ordenou, empurrando-me para fora. — Escute a sirene, assim que ouvi-la grite com todas as suas forças! — sugeriu, provavelmente se lembrando de que não conseguia enxergar.

— Certo! — afirmei saindo andando. Na verdade dei apenas alguns passos, ficando a uma distância relativamente grande do carro, mas em que eu ainda ver interior do veículo. É, mesmo com... Sebastian... me ajudando eu ainda não confiava inteiramente nele.

Forcei meus ouvidos a ficarem mais que atentos para que assim pudesse escutar as ambulâncias assim como Sebastian sugeriu. Tentei espantar todos os meus pensamentos para me concentrar nos sons a minha volta, mas varias dúvidas insistiam em tentar me distrair. Coisas como o porquê de ele estar me ajudando, arriscando sua própria vida por um estranho, ou como estavam meus pais ou ainda se a tia Ann e os primos Middleford iam ficar bravos irmos buscá-los como havíamos prometido. Somente acordei dos devaneios quando ouvi um chiado baixo e distante, mas que logo reconheci por ser a sirene da ambulância. Alguns segundos depois, e eu posso afirmar que foram pouquíssimos, o barulho se tornou mais audível e foi quando decidi seguir a segunda parte da orientação dele, aspirei toda quantidade de ar que pude e gritei.

— Aqui! — gritei a plenos pulmões e soltei um sôfrego gemido, caindo no chão. Forcei meus olhos a se abrirem e a dor que se apoderou de mim poderia facilmente ser comparada a uma facada no crânio.

As sirenes faziam um barulho muito alto e piscavam, se alternando entre o vermelho e o azul. Tudo na situação era caótica demais. Senti minhas pernas tremendo e achei que fosse cair, mas esta queda nunca veio, pois alguém desconhecido, o qual descobri ser um paramédico, segurou-me pelos braços e eu apenas deixei meu corpo despencar nos braços daquela pessoa, perdendo minha consciência.

Quando aconteceu eu não sabia exatamente quanto tempo havia passado dormindo e quando acordei, abrindo meus olhos, ou olho, já que o direito estava fechado com um daqueles tampões para cirurgias. Estava claro demais no quarto, a luz parecia que ia me cegar de tão brilhante, e demorei alguns segundos para conseguir realmente enxergar o quarto onde eu estava.

Não era um quarto muito diferente do comum dos hospitais, com paredes brancas e um piso acinzentado com uma aparência de concreto, mas liso. Eu estava deitado em uma maca, cama, encostada contra a única parede de tijolos, já que as outras eram de vidro, janelas e portas. Não me lembro de exatamente as cores da roupa de cama, mas lembro de que tive uma bela alergia de qualquer que seja aquele material.

A mesma quantidade de tempo que precisei para conseguir focalizar ao meu redor, foi o tempo que levei para notar estar sendo observado, verdadeiramente pelo menos, e até que de perto, muito perto.

Ao lado de minha cama estava a tia Ann. Ela trajava uma blusa carmesim, calças negras e um jaleco branco com pequenos detalhes em vermelho. Seus cabelos ruivos estavam cortados curtos, na altura de seu queixo, como se ela tivesse tentado fazer um channel em casa, mas dera terrivelmente errado. Olhei para seu rosto e nele pude notar uma expressão abatida, triste, que ela parecia tentar disfarçar, mas nada naquele belo rosto, já não tão jovem, poderia ocultar ou disfarçar o olhar lançado pelos seus olhos rubros. Aquelas íris escarlates diziam mais do que as palavras que ela poderia talvez dizer, elas demonstravam dor, carinho, mas um brilho fulminante de raiva, ódio mais especificamente. Eu não compreendi naquela hora o por que, mas nos meses seguintes eu tomaria este conhecimento para mim.

Fim da lembrança (final do POV)

O carro parou lentamente em frente ao hospital Queen Victoria. Ciel acordou de suas lembranças e girou o rosto, procurando o do maior que ainda o envolvia com seus braços.O menor então girou também o corpo, ainda encostado no outro, e praticamente sentou em seu colo. O moreno pareceu se sentir desconfortável com a aproximação repentina, tal como no refeitório, porém em menor escala, pois se quer tentou afastar o menor de si.

— Sebasti... — Antes que o de olhos bicolores pudesse concluir a frase a porta do seu lado do carro abriu-se violentamente.

— Ciel! — quem exclamou foi seu primo Edward. O olhar do loiro se arregalou ao ver a cena que por pouco não se desenrolava no banco traseiro daquele veículo.

***

Enquanto isso, na Phantom Academy.

Grell fora arrastado para fora do refeitório e ainda estava confuso em relação à atitude vinda tão abruptamente do outro. Por mais que o ruivo esboçasse uma espécie de careta interrogativa, William continuou a arrastar o menor pelo campus até pararem em frente ao prédio administrativo e foi quando o moreno finalmente parou de correr, arfando, mas sem soltar o pulso do mais baixo.

Os olhos de tom musgo se encontraram com os esmeraldinos de Grell, que rapidamente os abaixou, envergonhado, com seu rosto adquirindo uma coloração rosada. “Droga, maldito Knox, maldito Faustus, maldito Sutcliff” uma centelha de ódio brilhava nos olhos verdes de William enquanto ele cerrava os punhos demonstrando, sem intenção, sua ira. Grell também arfava, porém ele estava mais era assustado, com medo, tentando imaginar se havia uma maneira correta de perguntar ao outro o porquê de tal reação, mas logo desistiu, preferindo ficar calado, apenas observando o outro com um olhar temeroso.

“Não sei o que está acontecendo agora, mas eu sinto que algo realmente ruim está para acontecer”

Notas finais
Vamos por partes, como diria meu velho amigo Jack, o estripador. I - talvez este capitulo pareça desnecessário, mas ele significa a quebra do ciclo de apresentação, do 1º ato, da calmaria antes da tempestade. II - O sistema novo será o seguinte, haverão atos que serão divididos por acontecimentos específicos, tal este. Agora a minha explicação pela demora. Como, suponho, vocês sabem eu tive catapora perto do final das férias então eu perdi aula pra caramba (perdão pela palavra) e estou tentando recuperar o que perdi. Alem disso eu viajei na quinta passada e voltei segunda, ou seja, mais aulas pra recuperar. Para completar, vem agora as provas, na semana que vem, então não creio que terei tempo para escrever. Portanto peço para que me perdoem se eu sumir de novo. Enfim, se gostou, comente! *sorriso* isso deixaria essa pessoa que ta levemente (leia-se muito) ferrada, feliz. Queria agradecer a 69GRELLIAM69 que favoritou, aos 8 acompanhamentos e as incríveis 345 visualizações, obrigada mesmo a todos vocês ♥ Kissus Ass.: M. Michaelis