Rubro como sangue

8 Ato II - Primavera de 2005


Notas iniciais
Ohayõ, gomen, gomen Sei que disse que iria postar logo, porém como o Nyah! entrou em manutenção, não consegui postar *carinha triste* *suspiro* Mas pude postar hoje, infelizmente só agora, porque o sono ta dificultando meu raciocínio, diminuindo minha capacidade intelectual em 56%, portanto somente agora me encontrei em condições para postar. Desejo uma excelente leitura. p.s.: tragam lencinhos. p.s.s.: não me matem antes das notas finais.

— Eu que deveria estar dizendo isso não acha? — Seu tom foi tão sarcástico quanto o do mais velho, em seus olhos, brilhou um olhar possessivo e assassino. — Afinal... ele é meu.— o silencio dominou o lugar e Ronald continuou atônito a situação. Depois de alguns instantes, Claude se afastou do aluno e pigarreou.

— Certo... fique a vontade — disse sorrindo cinicamente. “Criança maldita” praguejou enquanto saia a passos duros do lugar, amaldiçoando o garoto mais algumas vezes. Tristan seguiu o homem com os olhos, porém ambos esperaram até que o professor não estivesse mais em seu campo de visão para que pudessem conversar.

Assim que o fato aconteceu, Ronald finalmente se moveu e respirou, soltando um suspiro aliviado. Seus olhos correram o corpo do outro, analisando-o. Tristan é um rapaz alto de cabelos escuros, quase negros, que caiam bagunçadamente sobre sua tez clara e limpa, encobrindo, dependendo do ângulo, seus olhos estreitos, de íris mel, quase dourados, semelhantes a cristais de âmbar. Veste-se, nesta ocasião, com uma jaqueta de couro e calças justas, assim como com coturnos de couro, todos os itens em preto, num tom tão escuro quanto o breu.

Então, os olhos cinzentos de Ronald se encontraram com os brilhantes orbes mel, cores tão nobres, prata e ouro, juntos numa mesma aquarela, era digno dos deuses. Sem darem-se por conta, os rapazes se aproximavam, porém um chute acidental em uma pedra de tamanho insignificante, ambos notaram sua proximidade e quebraram o contado visual.

— Até que em fim... por que você demorou tanto? — O aloirado repreendeu outro enquanto sacava um cigarro de seu bolso. Tristan bufou e revirou os olhos. “E eu lá sou adivinho pra saber que vai estar correndo perigo, donzela?” pensou, porém o que disse nada havia relação com a resposta que lhe estava na ponta da língua.

— Já te disseram que não se pode fumar em área escolar? — rebateu cruzando os braços. Ronald acendeu seu cigarro com o isqueiro e absorveu a nicotina antes de responder e, quando o fez, soltou junto uma camada de fumaça.

— Tsc... e eu achando que ia dizer algo pelo meu risco de ter câncer ou qualquer outra doença por fumar, é uma maravilha saber suas prioridades... — seu tom foi de falso ego ferido. Tristan, apesar de não ter caído na conversa do outro, decidiu entrar no “joguinho” dele.

— Mesmo que eu te pedisse, implorasse ou oferecesse fazer qualquer coisa que desejasse, você não largaria esse vicio... — dramatizou. Ao terminar, segurou o queixo do menor com suavidade e delicadeza, inclinando-o um pouco.

— Nós nunca conversamos negociando termos... talvez tenha algo que me possa convencer — um brilho luxurioso se fez presente em seu olhar e recebeu um pintado da mesma forma de volta.

— Tsc, você não iria ceder. — disse Tristan, desviando-se dos olhos de Ronald. O menor decidiu que não queria brigar então jogou o cigarro no chão e o amassou.

— Está bem, está bem, agora vamos... está ficando frio. — resmungou colocando-se debaixo de um dos braços do outro. Tristan maneou a cabeça a fim de encosta-la sobre a do menor e suspirou.

— obrigado. — sussurrou, com pequeno sorriso brincado em seus lábios. Ronald teve um leve rubor lhe encobrindo as bochechas. “Chato. Meu chato.

Eles andaram pelo estreito caminho entre os dormitórios 2 e 3 naquela mesma posição, apenas sentindo o calor dos corpos um do outro, numa conversa muda, onde dois corações batiam num mesmo ritmo, numa mesma melodia.

Instantes depois eles já estavam na frente do dormitório de numero 2. Ronald estava um pouco pensativo e Tristan respeitava já que ele, apesar das manias arrogantes e o gênio infantil, era muito recluso. “Maldito” praguejou o maior em sua mente, ao recordar de quantas vezes já havia visto aquela mesma cena se repetir.

— ... então... — murmurou o aloirado, atraindo a atenção do moreno para si. — ...aquele “ele é meu”, não ficou faltando algo nessa frase? — concluiu olhando para o maior com curiosidade. Tristan sorriu, mas um sorriso pequeno, apenas entortando canto dos lábios e arqueando levemente as sobrancelhas.

— Você é meu... — disse confiante, recebendo um olhar confuso de Ronald. — meu amigo, meu amor, meu namorado, apenas meu. — confessou abraçando o corpo agora estarrecido do loiro. Não que ele já não o soubesse, porém sempre que ouvia o outro dizer aquelas coisas, o órgão no centro de seu peito quase parava, de tanto bater.

— o-o- o que v-vocce... — gaguejou, envergonhado com a confissão do outro, mas sendo impedido de prosseguir pelo som de um alto soluço choroso de alguém que veio de dentro do corredor. Os olhos rápidos de Tristan logo visualizaram uma figura pequena e desconhecida correndo na direção contrária a do quarto 23, parecia uma garota, por causa do porte esbelto, porém seria difícil encontrar alguma garota naquele dormitório, que era exclusivamente masculino.

— Quem é ela? — questionou o moreno em tom baixo, com os olhos expressando preocupação. Ronald reconheceu imediatamente, como sendo aquela pessoa, Grell Sutcliff, por causa do agasalho que lhe havia emprestado algumas horas antes.

— É um conhecido... — murmurou. “O que terá acontecido” pensou distraído. Porém, mesmo com segundos de atraso, Ronald viu que Tristan já seguia o garoto ruivo. — Ei! Me espera Tristan! — exclamou entrando no edifício e seguindo o namorado.

O olhar âmbar seguiu o garoto desconhecido até o banheiro compartilhado presente naquele andar. “Eu nem o conheço, mas sei que precisa de ajuda... não posso deixá-lo sofrer, sem nem ao tentar ajudá-lo” raciocinou Tristan. O grande coração escondido pelas roupas de roqueiro impedia que ele somente seguisse em frente sem se importar com aquele sofrimento alheio. O moreno suspirou, tentando pensar no que dizer para aquele desconhecido que lhe pudesse ajudar, e abriu a porta do banheiro, entrando no ambiente, que não tinha nada de muito especial, e encontrando com o desconhecido a si, no caso Grell, encolhido no canto mais extremo, com as mãos cobrindo a face e tentando abafar o choro. Tristan andou até ele e se sentou a sua frente.

— Com licença... — Chamou com um tom doce e preocupado. O ruivo sobressaltou-se e soluçou, hesitando um pouco antes de erguer um pouco a face e exibir seus grandes olhos chorosos.

— M-me deixe e-em paz. — suplicou com a voz trêmula, tudo que o menor queria era ficar sozinho e chorar desesperadamente. Tristan entreabriu os lábios, pronto para dizer algo, porém foi impedido pelo ruído da porta atrás de si sendo aberta abruptamente.

— Eu te disse pra me... esperar... — disse Ronald, assustando-se ao ver o estado do ruivo. Ele se aproximou dos dois. — O que aconteceu? — questionou olhando inocentemente para o ruivo e recebendo de Tristan um tapa na nuca como resposta. — Aaai! — gemeu por causa da pancada.

— Ignore-o... — pediu o moreno gentilmente, enquanto olhava com uma expressão nada agradável para o namorado. — Qual o seu nome? O meu é Tristan... — perguntou e quando não teve resposta, decidiu apresentar-se para ver se isso estimulava o outro a fazer o mesmo.

— O nome dele é Grell Sut... — Começou Ronald, sendo interrompido por outro tapa de Tristan.

— Eu estou falando com ele, não com você. — vociferou, já sem paciência — desculpe-nos por isso. — seu olhar repreensivo foi mais que o suficiente para fazer com que Ronald resolvesse ficar calado.

— Grell... meu nome é Grell — disse o ruivo, baixinho. As lágrimas já haviam molhado os joelhos de sua calça, deixando aquela área com uma coloração mais escura.

— Grell, por que esta chorando? — perguntou da forma menos agressiva o possível, já que ele estava visivelmente abalado. O ruivo soltou um ofego. “Eu... não deveria dizer, mas... não aguento mais isso guardado em meu peito” concluiu.

— m-meu pai. — engasgou com as próprias palavras ao lembrar-se das amargas que o homem proferira sobre si. Não que fosse algum segredo, mas ouvi-las sendo ditas a William partiu-lhe o já partido coração — ele... disse coisas horríveis... muitas vezes... desde que minha mãe nos abandonou... “Você é um lixo, assim como ela! Aquela mulher não queria ter que carregar um traste como você por ai. Ela te odeia! E não lhe faltam motivos, quem poderia gostar de uma criatura como você? Uma aberração como você?” As palavras dele sempre me machucaram como facas perfurando minha alma, mas desde quando ele começou a beber... eu tinha apenas 10 anos... tudo piorou, ele... ficou violento... não importava se ele estava bêbado ou sóbrio, ele me espancava e quando eu estava quase perdendo a consciência, ele vinha e me pegava no colo “ Me perdoe meu pequeno, você sabe que o Oto-san ama você não sabe?” era o que ele dizia, antes de cuidar das feridas que deixou no meu corpo... — Grell tremia enquanto transmitia seu relato com certa dificuldade. As reações de seus ouvintes não poderiam ser menos horrorizadas e chocadas.

Ronald tinha sua boca aberta em um grande “O” e seus olhos estavam arregalados. Naquele momento, o aloirado estava sem chão, nunca que imaginaria aquilo pudesse ter ocorrido com o ruivo, mesmo mal o conhecendo, aquilo mexeu consigo e arrependeu-se profundamente daquele sussurro dirigido a William, no refeitório.

Em relação a Tristan era difícil dizer precisamente qual era sua expressão corporal, poderia ser dita como estarrecimento ou confusão, caso em seus belos orbes dourados não houvesse aquele brilho estranhamente familiar.

O silencio prosperou durante os segundos nos quais os ouvintes digeriam e demonstravam suas reações e seu orador tentava se recompor para continuar seu relato. As memórias, cada vez piores lhe açoitavam, fazendo cada uma das cicatrizes presentes em sua pele arderem, mesmo que já tivessem se curado anos antes. Ronald parecia um tanto quanto perdido, pois todas as vezes que parecia disposto ter encontrado a palavras certas para se expressar, ele desistia e voltava a ficar com aquela expressão de espanto inicial.

— Antes, eu tinha um amigo.... eu não me lembro direito o que aconteceu com ele... mas ele não gostava do meu amigo... depois da primavera... eu não o vi mais... — As esmeraldas estavam um pouco opacas, mostrando que Grell estava mergulhado em suas lembranças.

— Primavera, hein... — pensou Tristan, com seus botões. Por algum motivo a menção da estação das flores lhe era estranha. Era como se ele tivesse se esquecendo de algo, algo importante.

Ronald ajeitou-se sobre as pernas e pegou um cigarro de seu bolso, junto ao isqueiro. O moreno ao seu lado, nem notou a ultima ação dele e inclinou seu corpo para frente, circulando os ombros do ruivo e abraçando-o transmitindo o melhor sentimento que conseguiu. Mesmo que não realmente trasmitisse um sentimento, aquela sensação de calor era reconfortante, embora lhe lembrasse do falso afeto de seu pai por si. O aloirado, por mais que estivesse comovido com o que aconteceu com o ruivo e entendesse que Tristan o havia abraçado por achar ser certo a se fazer, não pôde evitar de sentir ciúmes de Grell, logo repreendendo a si mesmo por sentir aquilo num momento delicado como aquele.

— Ele está aqui... ou estava... não sei mais... William... — sussurrou o menor deles, com a voz embargada. Tristan o abraçou mais forte até o momento em que ouviu passos se aproximando pelo corredor.

O som ecoava como os tambores de um povo preparando a execução de um de seus prisioneiros. Grell tremeu e segurou a mão do moreno firmemente. “Que não seja ele...que não seja ele... que não seja ele” pedia mentalmente a sabe Kami* quem.

Ronald ficou de pé e atirou seu cigarro, já quase no final devido ao nervosismo do momento, pela janela do banheiro e ficou ao lado do ruivo. Os três temia que por aquela porta entrasse o tão temido homem, segundo os pontos de vista dos menores, e odiado, pelo de Tristan.

Porém quando a porta se abriu , a figura não era exatamente assustadora, mas sua expressão fazia o trabalho de deixá-lo com tal aspecto. Quem entrava pela porta era William e seu olhar era fuzilante.

— Grell... — chamou o menor e o mesmo se encolheu entre os garotos mais novos. — eu posso explicar... — murmurou, alterando sua expressão para algo muito mais suave, porém sua voz era um fio de desespero.

— Will, não. — pediu o mais alto, seu tom estava alterado, porém mais próximo à calma que à ira. William o ignorou e deu mais alguns passos na direção deles.

— Não quero falar com você... — choramingou Grell. Na verdade não era de seu desejo afastar o seu amigo, mas ele estava assustado e não conseguia raciocinar direito.

— Mas... — William tentou ainda argumentar, mas foi cortado pelo moreno.

— William Taylor Spears, saia daqui! — esbravejou Tristan, pondo-se de forma protetora a frente do ruivo. O menor sentiu algo semelhante a angustia e...conforto. Os lábios rosado de Grell se entreabriram, como se ele fosse dizer algo. Em sua mente, as informações eram confusas, mas parecia que aquele nome, “Taylor”, quando unido a William e Spears lhe fez memórias voltarem. Coisas que há muito decidira esquecer ou bloquear, por algum motivo desconhecido.

Muito lhe começou a fazer sentido, principalmente em relação a algo que dissera sem ao menos ter conhecimento imediato do motivo. “Wiru?” pensou lembrando-se de perguntar-se do porque de tê-lo chamado assim mais cedo. Agora era como se uma luz surgisse em sua mente e aquele apelido era o único pensamento que lhe vinha.

— Wi...ru...? — gaguejou, incerto, mas com certeza. Aqueles olhos, como Grell poderia te-los esquecido? William fechou os olhos e expirou.

— Vamos conversar... em outro lugar

Notas finais
*saindo de fininho* *agarrada pela gola* certo, certo, vamos conversar civilizadamente. Minhas coisinhas lindas eu sinto muito se vocês desidratarem até o final deste Ato. (apesar de ser esta a intenção... ops) Quero agradecer as 525 f*@#% visualizações, eu to surtando com isso. Obrigada aos 12 coments que encheram e ainda enchem meus dias de alegria. Obrigada aos 12 acompanhamentos. Obrigada a todos vocês ♥♥♥ Obs.: se alguém achar um erro por favor me avisem, as vezes durante a revisão acaba passando batido. さようなら、心にキス (Sayōnara, kokoro ni kisu ) Ass.: Michaelis. M