Notas iniciais
Ohayõ, acho que pelo titulo você devem estar perplexos, mas acalmem seus corações, pois caso o contrário acho que não irão resistir para o que vem pela frente. Enfim, boa leitura, nos vemos lá embaixo.

— Amor?! Você é um enorme mentiroso! Você... é a única aberração aqui! — exclamou Grell saindo correndo desesperadamente do quarto.

***

Enquanto isso, no hospital...

— Ciel, meu querido menino! — disse uma senhora de idade indo até o menor que aceitou seu abraço sem resistir, mas também, sem corresponder. Sebastian, que estava ao lado dele, observou a cena, armando sua melhor expressão, para passar confiança a ambos quando falasse.

— Tia... — Ciel disse simplesmente. Seus olhos vaguearam até enxergar novamente seus primos, que se colocaram atrás de sua mãe.

— Senhora Vitória — cumprimentou-a Sebastian. A mulher ergueu seus olhos esverdeados para o moreno e lhe lançou um sorriso amável.

— Sebastian, é bom revê-lo, infelizmente nos reencontramos em outra situação como esta. — disse ela retribuindo o cumprimento do jovem.

Vitória Grey* é uma mulher não muito jovem, de tez clara e faces coradas. Pequenas rugas no canto de seus olhos indicava que ela era uma senhora sorridente, mas em sua testa haviam provas de seus sofrimentos passados. Seus olhos verdes denunciavam a amargura e tristeza presentes em seu coração enquanto o sorriso tentava expressar o contrário.

Suas roupas de classe indicavam seu alto poder aquisitivo e o medalhão em seu peito indicava que sua família descendia de nobres. Além é claro de ser o obvio, devido a sua relação com o clã Phantomhive.

Atrás dela, um homenzinho de pele clara e cabelo preto e curto com o topete penteado para o lado, estava de pé. Ele se veste profissionalmente, consistindo sua roupa em um terno escuro sempre completo, na tentativa de omitir o tamanho de sua barriga, e sapatos de bico fino. Apesar de parecer um “grã-fino” não passava de um ex-militar, que se tornar advogado e passava as tardes em sua “pequena” mansão na Alemanha, cuidando dos papeis de alguns de seus refinados clientes.

Vitória separou-se do sobrinho e se juntou aos filhos, deixando o advogado se aproximar e finalmente cumprimentar Ciel.

— Senhor Phantomhive, é um prazer revê-lo. — disse o Advogado cumprimentando o rapaz, que apertou a mão do mais velho apenas por educação.

— Diederich. — cumprimentou-o polidamente. O olhar do homem se perdeu na face perturbada de Ciel e foi necessária a intervenção de Sebastian para que o homem parasse de encarar o pequeno e notar sua presença.

— É um prazer conhecê-lo, senhor... — disse Diederich, com tom sério, usando um ar diferente para indagar sobre o nome do jovem ao lado de seu cliente.

— Michaelis, Sebastian Michaelis. É bom conhecê-lo também senhor Diederich. — falou Sebastian, cordial, curvando-se suavemente ao homem mais velho, em sinal de respeito. O alemão fez o mesmo e em seguida apertou a mão do mais jovem.

— Sim, sim. Senhor Phantomhive, será que nos podemos conversar em particular? — resmungou Diederich. Ciel moveu os olhos na direção do namorado que lhe sorriu pequeno em resposta, como se disse que não há problema.

— Se não fosse incomodo ao senhor, eu gostaria que Sebastian estivesse presente. — pediu o mais novo, surpreendendo a ambos a quem se referiu naquela simples oração. Diederich olhou para o cliente e em seguida para o moreno.

— Posso saber que tipo de relação você tem com o meu cliente? — disse indagador. Os olhos de Ciel faiscaram e Sebastian se preparou par atentar conter o pequeno.

— Ele é meu namorado! Não quero saber se você é a favor ou contra! Você é apenas meu advogado, minha relação com ele ou sexualidade não lhe dizem respeito! — exclamou com tom furioso e fogo queimando nos olhos heterocromáticos. Os olhos miúdos de Diederich se apertaram ainda mais e sob a pele clara, o tom levemente avermelhado fez-se presente.

— Perdão senhor Phantomhive, o senhor está certo. — pediu o Alemão, baixando os olhos para seu empregador. Ciel, ao contrário de assumir uma pose de superioridade, encolheu-se nos braços de Sebastian, apenas aceitando as desculpas do homem. O clima do ambiente se tornou desconfortável e o silencio de apenas instantes foi o bastante para fazer mais lágrimas rolarem caladas pela face do mais jovem.

— Ciel! Finalmente te achei! Venha, venha! — Quem o disse foi Angelina Durless, que entrou como um furacão vermelho e saiu da mesma forma, com a diferença de que arrastava Ciel pelo pulso e, por consequência já que o menor não o soltara, junto Sebastian.

A médica ruiva puxou seus “sobrinhos” até o quarto onde o patriarca dos Phantomhive jazia vivendo a base de aparelhos. Os olhinhos de dupla cor, que já estavam inundados de lágrimas, absorveram cada detalhe da imagem de seu progenitor.

Na cama de hospital, Vincent Phantomhive estava deitado. Diversos fios estavam ligados a seu corpo, assim como tubos, dentre eles um que lhe permitia respirar. Pendurado ao lado da cama estava um saquinho de uma substancia misteriosa, que pingava no conta-gotas e desciam pelo pequeno tubo ligado ao pulso do homem.

Do outro lado, o medidor cardíaco apitava lenta e espaçadamente, os batimentos fracos poderiam dar esperanças de que o homem estava apenas sedado e acordaria a qualquer momento, caso o mesmo não tivesse parado de reagir a estímulos externos 3 dias antes.

Vincent tinha morte cerebral, porém até que pudessem contatar Ciel, as maquinas permaneceriam ligadas, a pedido de Vitória. O garoto não sabia, porém nada além da visão de seu pai naquele estado foi necessário para que chegasse a esta conclusão.

O coração do menor descompassou ele mordeu o lábio para segurar as lágrimas, as quais prometera jamais derramar diante de Vincent, pois este havia lhe dito que nunca mais permitiria que o fizessem sofrer. “Grande ironia” Pensou triste e apertou mais forte a mão de Sebastian.

— Pai... — a voz saiu chorosa e embargada. Sebastian sentiu seu coração apertar, mas nada pode fazer, pois Ciel, a muito custo, soltou a mão do mesmo e andou até o lado do corpo de seu pai. — não sei se pode me ouvir, mas saiba que não é sua culpa... — o som saiu como um sussurro. Mais lágrimas desceram-lhe a face, porém ele suspirou e falou novamente. — Diga a mamãe que sinto saudades — assim que o garoto o disse, a maquina que apontava os batimentos cessou seu bip pausado em um único ruído continuo.

Angelina cobriu sua boca, espantada com a cena que presenciara. Seu corpo agiu antes de que sua mente e lanço-se em um abraço ao sobrinho, porém Ciel repudiou o toque e saiu correndo para fora do quarto.

— Ci...el... — chamou a mulher com a voz fraca. Não era grande segredo que um dia, muito tempo antes, Vincent havia sido um grande amor de Angelina e naquele momento ele partira seu coração novamente. Dos olhos da moça ruiva saiam lágrimas amargas e frases desconexas escapavam de sua garganta. Sebastian tocou o ombro da mulher, relutante, e disse:

— Eu vou atrás dele. — ele tentou lhe transmitir firmeza com aquela frase, porém ele estava desesperado por dentro. Conhecia Ciel e tinha certeza de que se não o encontrasse logo era capaz de que o menor cometesse alguma loucura.

Assim que terminou de falar, seguiu o caminho que o outro havia tomado, com o coração na mão. Sebastian correu pelo corredor e depois virou a direita, seguindo até o final do outro corredor e passando pela sala de espera, podendo notar que Vitória chorava abraçada aos filhos, e que Charles Grey havia perdido o sorriso zombeteiro que sempre mantinha nos lábios. “Ciel... onde você está?” questionava-se continuando a correr pelo hospital.

— Você viu um garoto, da minha idade mais ou menos que usa um tapa-olho? — perguntou a uma enfermeira que o olhava, assustada. A mesma negou e Sebastian continuou correndo.

Como ele corre tão rápido?” permitiu-se divagar enquanto a preocupação batia em seu peito. “não importa, tenho que achá-lo” concluiu parando em frente a uma das escadas de incêndio.

porque... porque tem que ser assim... tão difícil viver? — a voz chorosa e familiar fez com que Sebastian olhasse a sua volta procurando por seu pequeno dono. Não foi necessário muito, na verdade apenas um segundo, para que o moreno notasse a porta de banheiro a sua frente.

— Ciel! — exclamou entrando subitamente pela porta. O garoto de cabelos azulado não exibiu reação, apenas se manteve onde estava e soltou um suspiro.

Ciel estava parado diante de um grande espelho que ficava pendurado acima da pia, o mesmo se encontrava quebrado e nas pequenas mãos do garoto se encontrava um grande e afiado caco, facilmente dedutível como pertencente ao objeto quebrado.

Os rubis brilhantes de Sebastian se arregalaram e sua respiração parou por um instante. “Não... Ciel...” pensou e começou a tentar formular alguma frase para dizer ao menor.

— Ciel, o que... — começou, logo desistindo e reformulando. — não ... venha aqui... não faça isso, certo? — gaguejou pedido, obtendo como resposta apenas um gemido baixo. Pelo reflexo do espelho era visível o olhar lacrimoso e desolado de Ciel. — por favor... — implorou com a voz falha.

O de olhos bicolores dedilhou o pedaço do espelho em suas mãos. Um brilho diferente do anterior ameaçava se formar nos olhos dele, porém, mesmo assim, Sebastian se aproximou e tocou seu ombro.

— Porque com a morte o que é puro se torna sujo e o que é sujo se purifica? Porque o que é bom se torna mau e o mau se torna bom? — a voz distante do menor tornava a aura do momento triste e abatida.

— Tudo o que vive morre e o que morre, renasce. Ciel, não adianta eu dizer que seu pai não gostaria que você fizesse isso, mas eu... é egoísta da minha parte apenas pedir para não fazer isso por mim? — a voz era baixa de inicio e seu pedido foi feito em um tom quase inaudível. Ciel suspirou e fechou os olhos, melancólico.

— não... — Ciel desabou, largou o caco e encolheu-se no chão, soluçando alto.

Sebastian não teve controle de suas ações, assim como Angelina, e envolveu o corpo pequeno com seus braços. Ciel, diferente do que ocorreu com Angelina, não repudiou o toque. Na verdade o garoto aninhou-se no peito dele e chorou, soluçando mais alto e mais forte ao enterrar seu rosto no peito do outro. Apesar de tudo, o maior não o afastou, apenas o apertou mais forte, sentindo seu coração bater desenfreadamente. Doía-lhe, mas uma hora ele teria que superar aquilo de qualquer forma e o faria sem hesitar para poder ajudar Ciel.

Eu queria aprender a ser alguém melhor com você” pensou Ciel. O menor nada conseguia dizer, a dor em seu peito era grande, mas o sentimento vindo do outro era tão quente, tão suave, tão irresistível...

— eu... te amo... eu te prometo... nunca vou te deixar... sempre vou te proteger... sempre — disse acarinhando os cabelos do menor. Uma lágrima quente deslizou em seu rosto, o pânico e desespero em seu coração iam se dissolvendo enquanto ele sentia o calor e o coração pulsante do outro.

O garoto de olhos bicolores afastou-se alguns milímetros de Sebastian e, respirando fundo, ergueu seu rosto. “Eu já disse que te amo hoje?” pensou, sorrindo tristemente.

— eu também... — murmurou. O maior sorriu e, com delicadeza, beijou-lhe os lábios, sentindo o salgado gosto das lágrimas.

*** enquanto isso ***

Parte externa do dormitório 2

— Professor Faustus, por favor, não! — pediu Ronald com desespero na voz. O homem a sua frente sorriu de forma libidinosa e aproximou mais seu corpo do de seu aluno, que estremeceu.

— Ora, porque essa expressão assustada? Nós sabemos que... — sua voz era como um veludo de tão suave, antes de concluir sua fala, Claude decidiu ser mais ousado do que já havia sido, e moveu seus lábios até a altura do ouvido do menor e sussurrou — não é a sua primeira vez — Ronald arregalou os olhos e prendeu a respiração.

— Seu maldito solte-o! — exclamou um rapaz vindo pela lateral do dormitório e ficando diante daquela cena inusitada.

— E onde fica o respeito Tristan? — disse Claude, sarcasticamente. O rapaz sorriu com desprezo e olhou com escárnio para o professor.

— Eu que deveria estar dizendo isso não acha? — Seu tom foi tão sarcástico quanto o do mais velho, em seus olhos, brilhou um olhar possessivo e assassino. — Afinal... ele é meu.

Notas finais
Bem... é isso. Ah sim, pra quem ainda não conhece o Tristan, ele apareceu em uma one-short Grelliam que escrevi não tem muito tempo, aqui vou explorar um pouco mais o personagem, mas ainda teremos sua side-history (é assim que se escreve?). * Vitória Grey: É a rainha Vitória que é tia do Ciel que é mãe do duble Charles. Mas O Grey é filho biológico enquanto Phipps é adotado. */*/*/ há uma referencia a uma fala de um personagem em um mangá muito fofo e antigo ( publicado até meados de 2008) Quem acertar qual a referencia e qual o personagem que fala, ganha um spoiler da fic. */*/*/ Aproveito aqui para agradecer aos 11 acompanhamentos (nem creio nisso ainda), 486 visualizações, o favoritamento e as divosas MissSutcliffSpears e a Mitarashi-senpai (Mari Mitarashi) por comentarem no ultimo capitulo. Obrigada mesmo, de coração. ♥ Espero que tenham gostado e, se puderem, deixem um review para que o próximo capitulo saia mais rápido. ♥ さようなら、心にキス (Sayōnara, kokoro ni kisu ) Ass.: Michaelis. M