Rubro como sangue

14 Acte trois - planos rubros


Notas iniciais
Ohayõ. Peço mil perdões pela demora e mais mil perdões por não ter tido um especial de Halloween. Acontece que eu realmente não estava passando, e ainda não estou, por uma época muito boa, mas vocês não estão aqui para saber da minha vida, então, lhes desejo uma boa leitura.

Você me ama? — questionou o loiro a Alan. O menor enrubesceu e sorriu minimamente, extremamente envergonhado. “Ele demorou tudo isso para perceber...” pensou rindo consigo mesmo de como parecia um tolo apaixonado.

— s...sim... — disse baixinho, gaguejando. Eric sorriu de forma debochada* e em seguida apertou mais forte a mão do kouhai.

— Sabe de uma coisa? — questionou, fazendo com que o moreno olhasse para si — tem um lugar que eu quero te mostrar tem algum tempo, será que podemos...?— sugeriu encarando os orbes verdes. Cinza e verde**. Alan apertou os lábios, hesitando. “Seria certo sairmos daqui? E se Grell nos chamasse, quisesse falar comigo ou...” pensou tentando desviar dos olhos do mais velho. — Você não quer, não é? — disse, perdendo o sorriso.

— Não! — exaltou Alan — quero dizer, sim... ahm... eu quero — se auto-explicou antes que Eric pudesse ter quais quer que fosse outras conclusões que não fosse a verdadeira. — Eu só me preocupo em relação à Grell-senpai... — confessou cabisbaixo. O loiro sorriu novamente e inclinou-se para frente, tocando a testa e topo da cabeça do menor.

— Ele estará bem e acho que como William-kun está com ele, não sentira nossa falta se sairmos alguns minutos. — argumentou Eric fazendo Alan parar e pensar alguns instantes. O moreno mordeu o lábio inferior, novamente hesitando em falar com o outro, mas terminou por suspirar e sorrir pequeno.

— Acho que sair uns minutos não será mal — murmurou. O loiro, surpreendentemente, ou não, puxou o mais novo pela mão, andando desta forma com ele até o tal lugar, que ficava a pouco mais de que dois quarteirões do hospital.

— Bem, isso que eu chamo de egocentrismo senpai... — disse o mais novo com sinceridade. O loiro fez uma careta, largando a mão de Alan, para a (in)felicidade do mesmo.

— Porque diz isso? Achei que gostaria de ver um lugar bonito para tirar um pouco seus pensamentos da sessão R.S. Depressão que está acontecendo com o ruivo. — confessou, fazendo-se de desentendido. Obviamente não era um lugar aleatório, como ele sugeriu com sua ultima fala, pois antes havia dito que desejava mostra-lo para o mais novo.

— Um canteiro de Ericas... não é necessariamente uma boa caso queira sair da “R.S.Depressão” — falou o moreno com os braços cruzados na frente do próprio corpo. Eric riu do comentário do mais novo e depois de alguns segundos lhe olhou nos olhos.

— Realmente, mas este aqui traz boas lembranças, não traz Alan? — disse, atraindo a atenção do mesmo, que fechou os olhos, aspirando o ar matutino.

— Traz sim, Eric.

Flashback on

O pequeno e recentemente transferido, Alan Humphries estava encolhido junto a um arbusto florido. Suas lágrimas corriam pela face, onde um hematoma avermelhado se fazia presente, sobre sua maça do rosto. Ele havia sido atacado na rua por um assaltante e este lhe havia levado tudo que parecia ter algum valor, deixando-o naquele jardim peculiar com a grade marca de soco no rosto. Estarei perdido se voltar para casa sem meus tênis, pensou, já imaginando a bronca que iria receber dos pais, encolhendo-se para ainda mais perto do arbusto.

Enquanto isso, Eric Slingby andava despreocupado pela mesma rua, ouvindo a música “Lithium”, cantarolando baixo no ritmo que Curt Cobain tocava. Os pensamentos do rapaz loiro, assim como a musica, foram interrompidos quando um soluço sofrido conseguiu invadir os ouvidos dele quando um dos fones caiu do mesmo. Os olhos cinéreos se estreitaram e ele girou minimamente o rosto, fitando acidentalmente a figura encolhida no jardim.

Eric arregalou os olhos, puxou o outro fone e andou até o garoto, tentando não fazer nenhum barulho para não assustá-lo.

— Humphries? — chamou quando estava em frente ao outro, que estarreceu devido a ter reconhecido a voz do loiro.

— S-slingby-senpai? — gaguejou em meio a um suspiro sofrido. Eric se ajoelhou na frente do mais novo e tocou-lhe o topo da cabeça de forma reconfortante, mas que apenas fez com que ele guinchasse.

— Ei, você está chorando? Alan! — exclamou o loiro fazendo com que o moreno olhasse para si. A face do menor estava vermelha pelo choro e pela pressão exercida por ele contra seus joelhos, com exceção a uma pequena área sobre sua maçã do rosto, que já possuía uma coloração arroxeada. Os olhos marejados, o nariz tão vermelho quanto o semblante, e os lábios entreabertos arfando de tristeza, faziam com que Eric sentisse uma amargura enorme em seu peito. Ele desejava acalmar o mais novo e sem realmente perceber, disse algo.

— Isso são flores? — seu tom foi suave e Alan acompanhou o olhar do loiro, até parar os orbes esverdeados sobre o arbusto de flores ao seu lado. Após isso ele os baixou novamente, soltando um muxoxo, sorriu pequeno.

— Essas são flores Ericas — murmurou, ruborizando. Eric soltou o ar que nem sabia que prendia e sorriu, erguendo o canto esquerdo do lábio.

— Ericas? É assim que elas são chamadas?— Perguntou com tom curioso, fazendo com que o menor olhasse para si. Alan pigarreou suavemente, devido sensação de garganta seca causada pelo choro excessivo.

— Sim...— disse olhando para o loiro com um pequeno brilho distante. — na linguagem das flores, elas significam solidão — Alan sorriu de forma triste, voltando os olhos para a quem ele se referia.

— Solidão?— questionou novamente Eric, tentando entender aonde levaria o rumo daquela conversa. O moreno então suspirou e fechou os olhos antes de continuar.

— As pessoas estão sempre em meio à solidão, desde o nascimento até o momento da morte... eu entendo que ninguém deve interferir no destino de outra pessoa — Clamou olhando diretamente nos olhos do loiro.

— Que solidão?— disse ele, após alguns instantes — Essas flores não estão brotando lindamente? Talvez seja verdade que uma pessoa é sozinha no nascimento e na morte, mas...— fez uma pausa — Assim como essas Ericas, sempre vai ter outras flores britando ao lado delas... por toda a eternidade — Eric fechou seus olhos. Alan mordeu o lábio inferior e sorriu timidamente.

— Eric-senpai, você realmente gosta de agir de forma calma, não é? — murmurou com um tom divertido. Eric emitiu um barulho baixo e abriu novamente os olhos.

— Sim, você deveria tentar fazer o mesmo algum dia — disse sorrindo de forma terna para o mais jovem, tocando novamente o topo de sua cabeça com a mão. Mas seu sorriso se desmanchou e um olhar preocupado se instalou no lugar. — O que foi que aconteceu? — pergunto com tom sério. Alan se encolheu no canto novamente. O loiro recolheu a mão e bufou baixo. Uma brisa fria, mas confortável soprou por ali, fazendo com que algumas pétalas de Ericas voassem livremente, como pássaros.

— As pétalas estão voando!— Exclamou o menor. — É quase como neve.— falou timidamente, esticando sua mão em direção a uma da pétalas que caia a sua frente, com o objetivo de tocá-la e tê-la em suas mãos.

— Sim, é mesmo — comentou Eric com tom calmo, optando por não questionar sobre o incidente. — vem, eu te deixo em casa. — chamou, ficando em pé e oferecendo a mão para o menor, que após alguns segundos hesitantes, aceito-a, ficando de pé. Um sorriso novamente ocupou o semblante do loiro, ele pegou uma das flores que caíra intacta do arbusto e a ofereceu ao menor, que agradeceu com um pequeno sorriso de canto, deixando-se ser levado pela mão por Eric.

Flashback off

— Eric, s-se você não s-sente nada por m-mim, apenas vá embora t-tá? — disse Alan com o tom embargado após rever toda aquela cena em sua mente. O loiro emitiu um som engraçado e negou com a cabeça, sorrindo com o canto esquerdo do lábio, a forma que o moreno achava mais bela. Ele se moveu até o arbusto onde o menor havia estado durante o acontecimento e de um dos galhos ele escolheu e colheu a mais bela cachopa de flores Ericas, girando o corpo para a direção onde o mais novo estava e lhe estendendo-a.

— Alan, eu queria te mostrar esse lugar... porque foi aqui que eu me apaixonei por você. — admitiu olhando no fundo dos olhos esverdeados, que se arregalaram com a declaração.

— vo-vo-você...— Alan não conseguiu formular a frase completamente, devido ao choque.

Eric sorriu e olhou para a própria mão, esperando que o outro compreendesse o que sugeria. O menor engoliu em seco e em seguida, depois de encarar a mão do loiro, se aproximou, tocando sua palma. Alan foi puxado pela mão de encontro ao corpo do mais velho, assustando-se devido a ação surpreendente do loiro.

— O-o qu.— sua fala foi interrompida pelo selar de lábios vindo por parte de Eric, que o fez arregalar os olhos de imediato.

No instante seguinte o moreno fechou seus orbes e se envolveu naquele osculo suave, que durou por mais poucos segundos, antes que eles se separassem e ficassem olhando um para o outro. Antes que qualquer um dos dois tivesse a oportunidade de dizer alguma coisa, o som da madeira estalando dentro da construção a qual pertencia o jardim, que sempre julgaram estar abandonada, se fez presente. Olhos se arregalaram e Eric envolveu o menor com os braços, abaixando-se junto ao arbusto. Passos foram ouvidos dentro do casebre e o som de duas vozes familiares discutindo fez com que ambos tentassem ao máximo aguçar sua audição.

Varias frases foram perdidas, mas poucos minutos depois eles finalmente podia realmente ouvir e a primeira voz que compreenderam, era uma terceira voz, não reconhecida por eles, que disse:

— então, como pretendem fazer isso? — era um tom suave, quase feminino. Mas quase, porém era discernível que não era realmente a voz de uma mulher. — Ele não é... tão suscetível a derrota o quanto imaginam... — o tom se afinou no final da frase, levemente orgulhoso, levemente temeroso. — Eu adoraria ter a visão dele debatendo-se tentando agarrar-se a vida enquanto ela se esvai de seu corpo, mas creio ser impossível, mesmo para vocês — outra vez o tom se alterou, agora assumindo algo como desafiador.

— Nos acha incapazes de exterminar uma aranha? — falou com escárnio uma voz verdadeiramente feminina. — Ele tem que pagar! E você sabe disso! Você mesmo disse isso! — exaltou a mulher, sendo seguida por um som seco, proveniente, provavelmente, de um soco contra a madeira.

— Ele vai pagar...vai pagar...vai pagar caro...muito caro por isso... — a segunda voz que era familiar, sendo esta masculina, praguejava em alto e bom som.

— Espero que tenham um plano melhor do que agirem por instinto, que é a forma a qual tem agido até agora. — falou a voz desconhecida, ainda com to desafiador.

— Seu moleque! Estamos fazendo um favor de não lhe matar também! Devia aprender a calar a boca de vez em quando! — exclamou o homem desferindo um audível tapa, dedutível que no garoto.

— ----- ! — nem Eric, nem Alan conseguiram ouvir o nome exclamado pela mulher — Se isso avermelhar, ele saberá! E tudo que planejamos terá sido em vão! — ela repreendeu de forma violenta, batendo seus saltos contra a madeira velha do piso.

— Você está certa pirralha. Você tem alguma coisa nessas suas tralhas vermelhas que evite isso? — falou o homem rangendo os dentes.

Outra vez os saltos foram arrastados e ouvidos se distanciando do local onde estavam os dois rapazes intrusos a situação. Alan minguou o olhar e deu uma olhadela rápida para Eric, que correspondeu o olhar. Ambos ficaram assim até que os soltos foram ouvidos novamente, fazendo-os voltar a prestar atenção no som interno.

— Isso vai tirar a vermelhidão. — afirmou a mulher. Um segundo depois um gemido ecoou, provavelmente vindo do garoto. — Ah, desculpe, isso pode arder. — falou sarcástica. Um praguejo mais baixo não foi audível, mas dedutível a ambos.

— Não ouse falar da minha irmã assim sua putinha! — ameaçou o homem, entre dentes.

— Não ouse me tocar de novo estúpido, ou eu terei que avisar a ele sobre os planinhos de vocês — retrucou a voz do garoto.

— Chega disso! Parem de agir como duas crianças! — gritou a mulher — Você, pare de agir como se realmente se importasse com isso, ou leve isso a sério de uma vez! Não vai ser tão fácil como das outras vezes... ele não é como elas... — alertou, provavelmente se dirigindo ao homem. — E você! Pare de agir como se não se importasse com a sua vida! — vociferou ela para o garoto.

— Pra que? Vocês querem apenas uma coisa que está comigo, depois irão me matar. Senão na hora, na primeira oportunidade. Vá por mim, estará me fazendo um favor... — declarou o garoto, com seu tom ficando distante com forme o final da frase se aproximava.

— É verdade, mas eu gostaria de brincar com ele um pouco, afinal, aquilo que está dentro de você é a única coisa que o fez manter-te com ele. — disse o homem secamente.

— Isso... é verdade... — disse com tom embargado o garoto. — Tirem isso de mim! Me matem! Eu lhes imploro! Me matem!

Notas finais
*(ou seria simplesmente sorriu? Afinal William chegou a conclusão de que esse era o sorriso natural dele) **uma manhã nublada sob uma colina esverdeada. (comentário de Nameless) -----------*------------ Bom, capitulo curtinho novamente. Perdão, mas o tempo está bem corrido. Qualquer erro que tenha ficado após a correção, peço para que seja notificado. Peço também que deixem um comentário caso seja possivel. Uso esse momento de agora para agradecer aos 21 comentários, 16 acompanhamentos, 4 favoritamentos e 879 visualizações. Realmente, muito obrigada. Até breve(ou não) my ladys e my lords. Michaelis e Nameless