Rubro como sangue

15 Acte Trois - olhos verdes, olhos cinzentos, olhos...rubros?


Notas iniciais
Oyasumi ladys, lords, outros. Obrigada a quem comentou, desculpem pela demora, to escrevendo essas notas rápido. Até lá embaixo.

— Isso... é verdade... — disse com tom embargado o garoto. — Tirem isso de mim! Me matem! Eu lhes imploro! Me matem!

***

William havia saído para procurar sua mãe, deixando Grell aos cuidados de Tristan e Ronald, advertindo-os que não deveriam falar a respeito da causa de o ruivo estar no hospital em nenhuma circunstância. Assim que a encontrou, perguntou-lhes a respeito do desejo do amigo, a mulher disse que não havia problemas, mas o advertiu que deveria comprar algo em uma confeitaria, piscando de modo cúmplice para o filho e dizendo que iria visitar o garoto ruivo em alguns minutos. O moreno, então, saiu apressadamente, não antes de receber um beijo estalado na testa.

Com o olhar no piso, ele parou na recepção na procura de um de seus amigos que possuía carro, mas não encontrou nenhum deles. William cerrou suspirou irritado e tomou o celular em mãos, enviando mensagens tanto para Sebastian quanto para Eric, mas quem o respondeu foi Ciel, depois de dez minutos agonizantes.

(09:24)William:

Onde vocês estão?

(09:30)Ciel:

Na minha casa, o Sebastian disse que precisava

de um banho antes que pudesse falar com Grell

(09:31)William:

Certo. Você sabe onde o Eric foi? Eu preciso muito

de uma carona

(09:31)Ciel:

Ele saiu com o Alan, mas deixou o carro. Eles não

devem estar longe.

William agradeceu pela informação e suspirou outra vez, agora parecendo mais decepcionado que irritado. Ele acabou por decidir que iria andando mesmo, talvez tivesse sorte e encontrasse os dois pelo caminho.

Os passos rápidos que dava eram audíveis devido a certa violência que seus pés colidiam com a calçada. Uma quadra, duas quadras e nada dos amigos, quando ele entrava quase que na terceira quadra, ele viu a figura dos dois amigos, encolhidos juntos. William então parou, tomando seu celular em mãos novamente e, dessa vez, discando o numero do loiro, coisa que por motivo desconhecido não pensara em fazer antes. Alguns instantes de silêncio e logo em seguida Eric se moveu passando as mãos nos bolsos a procura do item que vibrava, graças ao mesmo ter colocado-o em modo silencioso enquanto ainda estavam no hospital.

William assoviou baixo para eles, tentando chamar a atenção de um deles, logo obtendo o olhar arregalado de Eric sobre si. Não era necessário saber fazer uma boa leitura labial para saber que o loiro o havia xingado baixo. Um riso anasalado saiu dos lábios do moreno mais velho, mas logo ele se interrompeu quando uma garota se aproximou dele completamente esbaforida.

— Moço, o senhor viu uma menina? Ela é pouca coisa mais alta que eu, tem cabelos ruivos-acastanhados e olhos bem verdes. — ela disse apressadamente, demonstrando com as mãos a provável altura da pessoa que procurava. William negou e o olhar da jovem pareceu ainda mais desesperado. — Por favor moço, o senhor tem que me ajudar! Ela é minha irmã mais nova, o mundo estará perdido se eu não encontrá-la logo! — a frase já veio em tom embargado e os olhos da garota marejaram. O moreno olhou para seus amigos, que a essa altura já estavam ao seu lado, como se conversassem silenciosamente entre si.

— Q-qual o seu nome? — questionou Alan de forma doce. A garota se voltou para ele e sorriu nervosamente.

— Lia. — falou “engolhindo” suas lágrimas. — o nome dela é Ella — Lia fechou os olhos bruscamente e comprimiu os lábios em uma linha reta. Os rapazes se questionaram a respeito de com ela sabia que perguntaria o nome de sua irmã, mas o desespero dela fez com que eles se esquecessem de questões tão triviais quanto aquela.

— Certo... Lia, onde foi que viu sua irmã pela ultima vez? — perguntou William olhando para a garota aflita. Ela abriu os olhos, revelando os orbes rubros, que até o momento não haviam sido realmente notados.

— Próximo à confeitaria Anally’s. — afirmou Lia girando seu rosto na direção oposta a que olhava anteriormente. Um brilho passou pelos olhos de William com a citação da confeitaria.

— Ela não pode ter ido longe, podemos procura-la pelas redondezas da confeitaria. — afirmou o moreno, pensando que poderia aproveitar e passar no estabelecimento para comprar o tão desejado doce que seu querido amigo desejava.

— Sim! Vamos! Agora! — falou ela esbaforida enquanto puxava tanto William quanto Alan por seus braços.

***

— Vocês não acham que o Wiru está demorando muito? — perguntou Grell enquanto se movia lentamente, com o objetivo de sentar-se, logo exprimindo um gemido baixo de dor. Os dois amigos que estavam com ele, primeiramente estavam pensando em como explicar que William havia saído para conseguir o tal doce que ele desejava, porém ao ouvirem o sofrido gemido que o ruivo produziu, eles estarreceram. — isso dói... — reclamou o de olhos verdes levando a mão que não estava ligada ao soro em direção a sua cintura e esfregou a lateral com cuidado. Tristan suspirou baixo e sorriu breve, tentando mudar de assunto em sua própria mente.

— Você sabia que o Ron quer parar com o tabaco? — murmurou o moreno dando uma piscadela para o namorado, este, reagiu com uma carranca. Grell sorriu divertido, levando a mão em direção o próprio colo.

— Fico feliz por você Tris — disse ele francamente — Ron, fico feliz por ter tido essa iniciativa. Tenho certeza de que vai conseguir. — elogiou. Ronald chiou baixo, na verdade ele havia prometido que pararia de fumar caso Grell ficasse bem após todo o acontecido, como o ruivo não se lembrava de nada e estava seguro, ele decidira começar a cumprir sua promessa.

— É bom ver que está bem Grell... sabe... ver que você continua sendo... do seu jeito... — murmurou o aloirado, fazendo com que o ruivo estreitasse suavemente os olhos, quase que imperceptivelmente (tanto que nenhum dos dois notou), mas logo voltando ao normal e sorrindo.

— Ah sim, eu me sinto bem, apenas tenho a sensação de que me esqueci de algo, algo importante... — disse com tom reflexivo. Tristan disfarçou seu sobressalto pigarreando enquanto Ronald engoliu em seco. — Hoje não é aniversário de ninguém, não é? — questionou, arrancando uma risada nervosa do aloirado e um suspiro abafado do castanho.

— Quanto a isso, eu não sei Grell... — falou a Senhora Spears entrando no quarto e surpreendendo os três que já ali estavam.

— Tia! — Exclamou o ruivo ao ver a mulher, que veio em seu encontro. Ele abriu os braços e ela o abraçou apertado, acariciando os cabelos bagunçados e deixando um beijo em sua testa quando se separaram.

— Meu menino, é tão bom vê-lo acordado. Como se sente? — perguntou ela, tocando-lhe a ponta do nariz com o indicador. Grell ruborizou com a brincadeira da mulher e riu baixo.

— É bom ver a senhora também. Eu me sinto bem, só com muita dor aqui — ele apontou para os quadris — e aqui também — mostrou os pulsos, que estavam com marcas arroxeadas e visivelmente machucadas.

— Entendo. Pedirei a uma enfermeira para trazer algo para sua dor mais tarde. — ela disse complacente — Agora, posso ver seu pescoço? — pediu com delicadeza. O ruivo engoliu em seco e levou a mão em direção ao pescoço, tocando-o e sentindo a faixa de gaze que o cobria. Poucos instantes depois ele assentiu, baixando o olhar. A médica olhou para trás, vendo os dois garotos que estavam ali parados. — poderiam dar-nos licença? — pediu outra vez, recebendo as afirmações rapidamente como resposta.

— A gente vai comer alguma coisa e já volta tá Grell? — falou Tristan, já puxando Ronald pela mão em direção a saída do quarto, deixando o ruivo sozinho com a mulher.

Assim que saíram, Grell obteve uma expressão sombria no rosto. A senhora Spears havia ido em direção a uma mesa de apoio para pegar o material necessário para a troca do curativo e não reparara na face do garoto, surpreendendo-se com o que ele disse em seguida.

O que aconteceu comigo? — disse com o olhar parado em seus pulsos. A mulher estarreceu, fechando os olhos e inspirando profundamente, tentando manter a calma. — Nenhum deles me disse nada... eu posso parecer, mas não sou idiota... — ele fez uma pausa — A dor que sinto... essas marcas nos meus pulsos... só consigo pensar em uma coisa... — outra pausa, agora, Grell ergueu o rosto triste, olhando para a sua “tia”, que ainda estava de costas para si — Por favor... me conte... — pediu com a voz fraca. A mulher soltou todo o ar que acumulou e se virou para o ruivo, carregando consigo os itens que havia ido buscar.

— Vamos ver isso primeiro — disse ela olhando para o pescoço enfaixado do menor.

***

—Tem certeza de que ela estava por aqui? — perguntou William à Lia. A garota afirmou, olhando para os dois lados antes de atravessar a rua. — Nós estamos revirando esses arredores tem 20 minutos e não achamos nada! — exclamou já do outro lado da rua.

—E-eu sei que ela está por aqui em algum lugar... — falou a garota cerrando seus pulsos e rangendo os dentes de forma violenta. Eric assustou-se com a mudança de atitude dela e a olhou de forma “atravessada”, agarrando firmemente na mão de Alan. O moreno baixinho se sobressaltou com o aperto repentino e logo em seguida enrubesceu, tentando pensar em algo para dizer a garota.

— Ela pode estar lá dentro... — disse Alan, fazendo com que todos os olhos se voltassem para si — Acho... foi o único lugar que nós não procuramos, sabe é o lugar mais óbvio e... — ele baixou a cabeça, se encolhendo em seus ombros, temendo pela reação dos outros, mas foi surpreendido com um puxão forte pelo pulso que estava sendo segurado por Eric.

O mais jovem entre eles pareceu estar confuso, mas logo entendeu o que estava acontecendo. Assim que ouviram sua ideia, aquilo soou plausível e decidiram descobrir se ele estava certo ou não. William e Lia correram rapidamente até a confeitaria, sendo seguidos por Eric, que teve que arrastar Alan, pois ele ainda estava processando tudo aquilo.

Ao entrarem no estabelecimento, foram recepcionados por uma jovem de cabelos rubros vividos, grandes óculos ovais e uma expressão atrapalhada.

— Posso ajudá-los? — perguntou a ruiva, apalpando o bolso do avental na procura de papel e caneta. Lia negou e depois assentiu, tirando os óculos da ruiva. — Lia! Sua irmã estava preocupada com você... — ela se interrompeu ao notar os olhares curiosos dos rapazes atrás dela. — Quem são esses? — disse a ruiva, mordendo a parte de baixo da caneta.

— William, Alan e Eric. — falou Lia, apontando para os respectivos donos dos nomes. — Cadê a Ella? — questionou, recebendo um olhar interrogativo da ruiva. — Mei rin, cadê a minha irmã? — as palavras saíram com um tom tão forte que feriram os ouvidos de todos ali, fazendo-os questionarem-se sobre o que estava acontecendo. Mei rin abaixou a cabeça e apontou para uma sala privativa, de numero 3 por acaso.

— Obrigada. — disse ríspida — Peguem o que quiserem daqui, pagarei para vocês por terem me ajudado. Agora eu devo ir. Mais uma vez obrigada. — Lia se despediu caminhando a passos largos até a porta com o numero 3 gravado.

Os quatro jovens acompanharam os passos da garota de estranhos olhos rubros até que ela desaparecesse atrás da porta, deixando um clima levemente perturbador instalado no ambiente, pois, por mais que tenham sido milésimos de segundos, os que a observavam puderam presenciar o brilho róseo no olhar dela.

O silêncio instalado entre eles foi quebrado pela voz tremula de Mei rin, que desejava apenas cumprir o que aquela garota dissera.

— O-o q-que v-vocês v-vão querer? — perguntou a ruiva, guiando os rapazes até a frente do balcão onde um garoto, que parecia uns bons anos mais novo que eles, arrumava algumas presilhas na franja do seu cabelo loiro.

O garoto se chamava Finnian pelo que puderam ler no seu crachá e ele ainda estava no ensino médio, fato que Alan acabou por descobrir. Assim que o garoto recebeu as instruções da ruiva sobre como prosseguir, os três amigos fizeram seus pedidos: Um petit gateau, para Alan, uma fatia de tiramisu, para Eric, e uma pequena torta de chocolate e cereja que serviria a William e Grell.

O loiro e o moreno mais jovem decidiram ficar e degustar seus doces ali mesmo, dizendo para William que não demorariam a retornar para o hospital. Depois de lançar um olhar desconfiado para os dois amigos, o moreno suspirou e saiu da confeitaria com o seu pequeno embrulho em mãos, porém antes que pudesse atravessar a rua, o garoto, Finnian, correu até ele.

— Senhor William! A senhorita Lia pediu para que te entregasse isso! — disse rapidamente o loirinho, entregando uma nota de £20 (libras/pounds/tenner). Porem antes mesmo que William pudesse negar-se a aceitar o dinheiro, Finnian já havia voltado para dentro da confeitaria.

O moreno suspirou e guardou a nota com cuidado dentro do bolso da calça, pensando em devolvê-la assim que reencontrasse a garota de olhos rubros. Assim que ele atravessou a rua, uma precipitação em forma de chuva começou, assim como era comum acontecer em Londres. “Precisarei de um taxi” pensou, calculando que o custo daria algo em torno de... “20 libras” ele se sobressaltou. “Poderia ser isso tudo uma coincidência?” questionou-se chamando um dos taxis que por ali passava e entrando no mesmo, dando seu destino e continuando a pensar em como era estranho tudo aquilo.

***

Entre quatro paredes a prova de som, Lia degustava uma boa xícara de café enquanto a irmã lhe olhava de forma severa.

— Você sabe que não devemos interferir... — disse a garota de olhos verdes vivos. Lia riu baixo e suspirou.

— De qualquer forma, Ella, não era a hora deles ainda sorriu a de olhos rubros, com os mesmos se alternando para um tom róseo.

Notas finais
Pois é. Isso é o que temos para hoje. Obrigada a quem comentou no ultimo capitulo, bem vindos os novos(as) leitores(as). Se puderem deixar um comentário ficarei muitissimo grata. Michaelis