Rubro como sangue

18 Acte Trois - sangue rubro


Notas iniciais
Ohayo ladys, lords, andrógenos... Obrigada a quem comentou, obrigada por não terem desistido de mim nem da fic. Insisto que leiam todo o capitulo, tudo é importante. Boa leitura.

— Wiru, eu sempre...— balbuciou Grell, afastando-se minimamente do amigo, olhando-o nos olhos. O coração do ruivo estava descompassado e sua respiração abafada. William escorregou a mão do topo da cabeça dele até o maxilar e acenou para que ele continuasse. O menor tomou ar e finalizou a frase — ...sempre te amei

***

Eric, Alan, Tristan e Ronald conversavam sentados na recepção quando uma médica passou por eles conversando com uma enfermeira.

— O exame de sangue indicou queda de hemácias? — perguntou a médica, fazendo com que o Alan erguesse o olhar em direção a ela. "Aquela voz de antes" pensou o moreno, que cutucou o namorado e cochichou no ouvido do mesmo.

Aquela médica tem a mesma voz daquela moça da casa "abandonada" — falou apontando discretamente para ela. Eric franziu o cenho e depois de alguns segundos pensando, agiu.

— Doutora! — chamou ele fazendo Alan se encolher nos próprio ombros, completamente ruborizado. A mulher se virou na direção em que havia sido chamada, vendo que Eric a chamava, ela pediu licença à enfermeira e andou até o grupo de jovens.

— Está tudo bem aqui? — perguntou ela gentilmente. Os amigos dos rapazes estavam com expressões interrogativas que foram notas pela médica. Eric pigarreou.

— Estamos esperando para ver um amigo e o meu namorado acha que está com febre, será que poderia fazer a gentileza verificar? — perguntou o loiro com a maior sutileza que conseguiu, indicando Alan com o olhar.

— Claro que sim. Querido, me chamo Angelina Dalles, deixe-me verificar sua temperatura.— disse sorrindo.

***

William engoliu em seco, aquilo era real? Ele realmente havia ouvido aquelas palavras saírem da boca do seu melhor amigo? Bem, sendo reais ou não, fizeram uma lágrima escorrer pelo olho direito do moreno. Ele sorriu francamente um sorriso trêmulo, fazendo uma pequena caricia com o polegar no maxilar do ruivo. Com esta mesma mão, mas agora o indicador curvado, ele limpou as lágrimas que ainda marcavam o rosto sardento, pois Grell havia parado de chorar.

— Gureru... — chamou com o tom terno e calmo. O menor apertou os lábios e expirou pelas narinas, com as bochechas ainda tingidas do rubor de sua confissão. — sabe por que lhe dei isso? — questionou suavemente, apontando a pulseira de fios vermelhos entrelaçados no pulso do ruivo*. O menor olhou para o acessório e depois de alguns segundos, negou. — Desde quando nós éramos pequenos, eu sempre soube que você não gosta de se sentir sozinho, então eu fiz isso para você, para que sempre tivesse algo que o lembrasse de que eu sempre estarei aqui para você. — um pequeno sorriso brotou nos lábios do menor — Grellie, eu achava que o motivo disso era porque você é meu melhor amigo... — o moreno sorriu consigo mesmo, inclinou minimamente o rosto do ruivo — mas na verdade, eu, desde sempre, amei você Grell Sutcliff.

***

Ciel e Sebastian chegaram ao hospital no final da tarde, perto do crepúsculo. Eles teriam pouco mais de uma hora antes que o horário de visitação se encerrasse e por isso não se demoraram passando por áreas comuns, indo diretamente ao andar onde o ruivo estava.

***

Grell estava processando o que William dissera. Primeiro ele dissera corretamente seu nome, muito embora ele não se importasse com as pronuncias erradas, pessoalmente ele até as achava fofas, mas era estranho vindo do moreno, e segundo, ele dissera que o amava.

O ruivo piscou lentamente enquanto inconscientemente se aproximava de William. O já curto espaço entre eles foi diminuindo e diminuindo e diminuindo até que suas testas estivessem encostadas e respirassem o mesmo ar. Grell tinha seus lábios entreabertos que, após de uma olhada hesitante, foram selados pelos de William.

Um ósculo lento, suave e doce teve inicio, cada elemento daquele beijo ocorreu da forma mais carinhosa e gentil possível. William deixara que Grell controlasse toda a ação, afinal ele não sabia até onde poderia ir e preferia não arriscar-se a magoar o ruivo ou fazê-lo lembrar-se do horror que vivera na noite anterior.

Depois de alguns segundo, Grell encerrou o beijo, deixando um leve selo após a finalização da ação maior. Sorrisos estampavam as faces de ambos e uma sensação indescritível preenchia seus corações, que palpitavam. O menor abraçou William, que foi instantaneamente retribuído.

Era como se uma bolha tivesse cercado-os, o mundo lá fora não importava mais, a dor do que passou, estava exatamente onde deveria, no passado.

— ahm... Ciel acho melhor voltarmos depois... — disse Sebastian indicando a cena que acontecia dentro do quarto com a cabeça para o namorado. Os dois mais velhos se sobressaltaram com Grell ficando estático e William fechando a expressão, ambos ruborizados.

— Sebby! Agora você os envergonhou! — disse Ciel com tom repreensivo. As bochechas do rapaz de cabelos ardósia estavam rosadas. Sebastian se encolheu nos seus próprios ombros pela vergonha, mas logo voltou a postura normal.

— Desculpem-me — falou ele com o olhar baixo. Grell e William riram de maneira nervosa, trocando um rápido e denunciador olhar. Ciel sorriu de uma maneira boba e puxou o maior pela mão até estarem de frente para o novo casal(?). — Como você está Grell? — perguntou Sebastian. O ruivo suspirou e sorriu.

Melhor do que nunca.

***

Alan voltava com Eric do quarto de Grell, pois o horário de visitação havia se encerrado e William anunciara que ficaria de acompanhante. O loiro comentava algo sobre um filme o qual assistira ao trailer, mas o moreno não prestava atenção, ele ainda tentava entender o por que de achar a tal médica tão familiar, quando, no meio final do corredor, em frente ao elevador, ele avistou a Senhora Spears conversando com a tal Doutora Dalles. Ele observou quando a ruiva saiu apressadamente em direção ao elevador exclamando “muito obrigada por me permitir sair mais cedo”. Assim que a porta do objeto metálico se fechou, os rapazes que aproximaram da morena.

— Senhora Spears! — chamou Eric, fazendo com que ela olhasse para os dois que iam em sua direção. — Quem era aquela lunática? — perguntou, levando uma cotovelada fraca nas costelas, cortesia de seu amado, e exprimindo um ruído de dor.

— Peço perdão pela forma como ele chamou a sua colega. — disse Alan curvando-se suavemente para frente.

— Aceito seu pedido de desculpas. — A mulher riu baixo — É engraçado como vocês são parecidos. Você me disse a mesma coisa mais cedo, não se lembra? — questionou fazendo com que o moreno recordasse do acontecido enquanto Grell ainda estava sedado. Aquela mulher trabalhava ali e, se sua memória não estivesse errada, era tia do mesmo.

Foi então naquele momento em que tudo se mostrou com clareza para o jovem Alan.

— Perdão Tia, mas nós temos que ir... tenho que... fazer um telefonema...

***

Um arfar de dor foi ouvido pela escuridão da noite. Um chicote com pontas de metal aquecido castigava sem dó, piedade ou chance de redenção o corpo que já sangrava pendurado pelos pulsos na parede.

Cortes fundos, lacerações, perfurações, queimaduras, hematomas e todos os outros tipos de marcas estavam presentes ali. O piso abaixo dele estava coberto de seu sangue, mas tudo que jazia em sua expressão era o mesmo sorriso cruel e desalmado de antes, o mesmo que permanecera desde a noite anterior. A pessoa cujo corpo estava sendo agredido e torturado era Claude Faustus.

O professor cuspiu o bocado de sangue que se acumulou dentro de sua boca devido à hemorragia que estava tendo e voltou a sorrir, agora encarando seu carrasco, que fizera a gentileza de trazer consigo o corpo sem vida de Alois.

Era um homem, um homem forte, alto, trajava uma capa negra e em sua mão tinha sua arma mais valiosa, um bisturi cirúrgico de longo fio, mas alem disso, além de ser uma peça extremamente cara, tinha uma característica peculiar, ele não servia para cortar apenas pele, ossos e músculos humanos, não, ele servia para algo além, algo mais realmente efetivo, servia ele, para recolher almas.

E Peter Sutcliff, diferentemente do que se imagina, não era um reles humano, não, assim como sua arma, ele era algo além, ele era um ceifado e a arma, sua foice.

— Deixe-me ver o seu registro! — exclamou Peter golpeando a criatura a sua frente pela enésima vez. Isso, criatura, pois qualquer ser humano já teria morrido apenas com o primeiro golpe.

Claude, que não conseguia falar por estar sangrando pela boca, usou forças tiradas de um lugar desconhecido e apoiou-se nos cotovelos, estufando o peito, indicando que não tinha medo, afinal, como já antes disse Peter, ele era um demônio e demônios não sentem medo.

Abrirei um pequeno parêntese para explicar isso agora. Muitos anos antes, um garotinho pequeno o invocou acreditando ser ele uma fada que realizava desejos, eles firmaram o contrato e anos se passaram até se depararem com outro garotinho pequeno que possuía um contrato.

O mestre de Claude tornara-se obcecado pelo garotinho assim como o mesmo. Muitas aventuras e desventuras se passaram até que Claude provou do sangue, a degustação de alma, do garotinho que possuía um contrato.

Não irei aprofundar mais do que isso, farei em outra oportunidade, mas ao fim, os dois garotinhos acabaram mortos e os dois demônios fizeram um trato, ambos eles morreriam ali e retornariam anos no futuro, como descendentes, assim como seus mestres, para terminarem sua batalha e isso aconteceu.

Apesar de ter o nome diferente do que o que seu jovem mestre lhe havia dado, Thomas Michaelis era Sebastian e em forma de homenagem, disse à esposa que desse este nome ao filho que esperava. Por fim, Thomas perdeu para Claude, perdeu sua vida e o direito sobre a alma de seu bocchan.

Mas, voltando ao momento de agora, antes que o ceifador lhe cravasse a foice no peito, Angelina Dalles entrou no lugar.

— Peter... — ela disse levando a mão em frente aos lábios, surpresa.

— Olha Angie, fico feliz que tenha chegado a tempo de assistir a um filme. — disse sorrindo de forma cruel — gostaria de ter as honras? — questionou, lhe oferecendo a foice.

A ruiva pegou o objeto pelo cabo e aproximou-se de Claude. Com a destra erguida ela preparou seu ataque, mas não o completou devido a uma voz em sua cabeça que lhe disse:

Esquecerá sua promessa?

— E-eu não posso! — exclamou a mulher soltando a arma e caindo de joelhos. — Por mais repugnante e vil que você seja — ela apontou para o homem a sua frente — por mais ódio e asco que eu tenha por você... — as palavras dela se enrolavam aos soluços das lágrimas que escorriam pelo semblante de expressão triste. — eu prometi a Rachel não fazer isso novamente! — gritou batendo ambos os punhos no chão ensanguentado. Uma risada curiosa se instalou no recinto e esta cessou quando Angelina girou seu corpo para trás e ergueu os olhos.

— Ah Angie, que decepção. — disse Peter, que já possuía sua foice em punhos, apunhalando o coração da mulher ruiva, que exprimiu um berrou gutural enquanto seu registro saia de seu corpo.

Em seu registro cinematográfico, memórias, de seu primeiro amor, de sua amada irmã, de seu puro, bom e falecido marido, de seu filho que tanto esperou, mas nunca veio à vida, de seus “sobrinhos emprestados” que se tornaram seus filhos, dos amados sobrinhos filhos de seus irmãos e, por ultimo, ele, seu irmão, o irmão que a traíra e matara. Então o registro cessou.

— No final, você não é diferente de uma mulher comum, se deixando levar dessa forma por sentimentos e promessa inúteis... não tenho mais interesse em você — falou Peter, de forma fria e indiferente, chutando o corpo inerte da mulher para fora da frente de seu caminho. Claude assistiu a aquilo, a parte humana de sua alma estava horrorizada, mas logo esta foi suprimida pela obscuridade de sua parte demoníaca.

— Nós trabalharíamos bem juntos, ceifador. — afirmou o de olhos âmbar, cuspindo um pouco mais de sangue e rindo com escárnio da cena presenciada. Peter atravessou um olhar assassino para o homem e colocou a ponta de sua foice no centro do peito do mesmo.

— Certamente, mas você fez algo imperdoável. — disse e após isso esfaqueou o coração negro do demônio. Este, agonizando, cuspiu sangue na face do ceifador.

— E não me arrependo. — foram suas ultimas palavras antes de o corpo pendesse para baixo e seu registro fosse exibido.

Registro on (Claude POV)

Acordei neste corpo semelhante ao meu ultimo e andei dias sem fim até encontrar meu mestre.

No caminho, porém, encontrei meu inimigo, Sebastian Michaelis, que agora se chamava Thomas e servia ao pai de seu futuro mestre. Eu teria de me livrar dele e que melhor oportunidade que aquela? Ele distraído com a esposa, que esperava seu filho.

Juntei na cidade alguns homens que se igualavam a vermes inferiores a humanos e naquela noite ataquei a mansão Phantomhive. Aparentemente ele não havia despertado, para minha sorte, e foi assim que o matei. Tornando meu o direito daquelas almas naquela mansão. Decidi esperar, afinal, qual seria a graça de provar uma alma sem sofrimento?

Voltei à busca de meu mestre e quando o encontrei, descobri que nesta vida, ele gozava de luxos e carinho de sua família, isso não estava correto. Tratei de concertar aquilo, eliminando os membros daquela família, um por um, até que apenas restasse o meu mestre, como deveria ser.

Em uma noite, ainda antes que ele soubesse que eu o espreitava, fui até seu quarto enquanto dormia após lagrimas incessantes e devolvi o item que era seu de direito, o anel da família Trancy. Anel esse que guardava memórias, algumas das memórias que restaram de Alois Trancy nascido Jim Machen.

Nos segundos que se seguiram, ele despertou. Outra vez eu havia tido sucesso ao fundir duas almas. Como sempre, fiz o que your highness disse-me. Fui atrás da história do corpo que eu agora habitava e em meio a milhares de memórias desprezivelmente felizes, encontrei um filho. Fui atrás de tal criança, que estava com os avós e trouxe para mim, levando-o para casa que a “mim” pertencia. [...]

Depois de anos decidi então tomar para mim as almas que eram minhas de direito, primeiro tomei a de meu mestre, tirando dele a pureza de seu novo corpo, assim como o conde Trancy tirara na vida anterior. O tornei meu assim como eu era dele.

Prossegui então até o filho do meu inimigo, tendo que me casar com sua insana mãe para consegui-lo, ele era desconfiado, mas facilmente o dobrei após usar um veneno paralisante. O tornei meu assim como já era por direito.

O que eu não contava era que o garoto encontrasse com Ciel e o ajudasse. Talvez aquilo tornasse o jogo mais interessante, foi o que pensei na época, hoje me arrependo de ter sido tolo. Não consegui torna-lo meu, pois Sebastian já o havia feito.

Passei tanto tempo sem comer que meus dons se congelaram. Eu teria de esperar que voltassem antes do próximo passo e foi assim que esbarrei na pureza de uma alma, a alma de Grell Sutcliff, que outrora fora um ceifeiro, mas agora voltara como humano.

Com tal pureza a minha frente, não pude evitar e o fiz meu, embora ele tenha me negado como o anterior, pobre coração jovem apaixonado.

Registro off

Peter fechou os olhos, já havia sentido a presença de mais alguém ali, porém preferiu ignorar. Já sabia que seu destino estava traçado desde o momento em que matou alguém que não estava na lista de mortes pela primeira vez. Um pigarrear foi ouvido e isto fez com que ele, após um suspirou, girasse o corpo para trás, tendo a visão de duas jovens.

— Peter Sutcliff, subsupervisor do setor de despacho de Londres, acusado de ceifar dezenove almas que não estavam programadas para serem coletadas, além de outras quatro possíveis, sua sentença é a eliminação. — disse Lia com um sorriso cínico nos lábios. A irmã da mesma tinha um caderno de mortes em mãos, mas ela o colocou no bolso do casaco que vestia, tirando de lá uma pequena foice de estilo clássico, com uma lâmina curvada e cabo.

— Senhor Sutcliff, pelo direito que a nós foi incutido pela própria morte — disse a de olhos verde encostando a ponta de sua arma com a de sua irmã — nós o eliminamos! — exclamou quando as lâminas partiram o peito do homem ruivo.

Sangue rubro escorreu pelo tronco de Peter, a expressão no rosto dele era pacifica e aos poucos, eternizou-se como aquela, quando seu coração parou. O registro cinematográfico passou a ser exibido, nele, cenas de sua vida de ceifadora e humana apareciam simultaneamente. Os olhos rubros acompanhavam conforme as memórias flutuavam para fora daquela casa, passando por qualquer brecha que achava.

— Nós fizemos o certo. — confortou a mais velha ao notar uma diminuta lágrima correndo pela bochecha de Ella. A de olhos verde fungou e limpou a lágrima, soltando um suspiro. — Vem logo alguém vai aparecer, vamos para casa. — Chamou Lia tocando o ombro da irmã com carinho. A mais nova sorriu, mas antes que ela pudesse responder uma figura em negro surgiu no recinto, com um som de objetos indefinidos batendo-se uns contra os outros.

— Vocês fizeram uma bela bagunça aqui garotas — disse a pessoa olhando para o corpo inerte. — Já fizeram seus relatórios? — perguntou ajoelhando-se ao lado do cadáver e tocando sua pele com a ponta das longas unhas negras.

— Voltaremos para o Departamento e faremos nossos relatórios senpai! — afirmou a mais nova trocando o olhar entre a irmã e a figura. A mais velha assentiu em concordância e o senpai riu baixo.

— Esta bem então... adeus hibrida, adeus pequena ceifadora. — acenou a figura, exibindo pontos esverdeados em meio à escuridão do manto que lhe cobria. — fiquem tranquilas, nenhuma gargalhada será o suficiente para pagar por esta informação.

Notas finais
* : referência ao especial de 700 visualizações, não leu? corre lá >u< ~~~~~~~~~~ Well, comprido né? Ficou bom? Agonizante? ruim? digam para mim. Duvidas? deixem também que responderei com prazer. Lembrando que o próximo será o penultimo capitulo. Michaelis p.s.: preparem os lencinhos para o próximo capitulo, eu insisto com isso.É serio, peguem os lenços.