Rubro como sangue

19 Acte Trois - 3 flores, 4 funerais


Notas iniciais
Konbanwá, pegaram os lencinhos que eu mandei? Talvez eu esteja exagerando, mas eu chorei muito escrevendo e revisando, então por favor, não me culpem se ficarem sem água no corpo. boa leitura.

E então, aquilo começou a ser investigado, sem a menor divulgação a publico da forma como as quatro “vitimas” haviam sido encontradas.

Com as investigações, fora descoberto que o conde Trancy havia sido assassinado em sua própria mansão e que seu assassino havia sido o mordomo, assim como que o mesmo era “abusado” pelo mais velho, apesar de na verdade o pequeno conde era apenas um masoquista.

Com as investigações, fora descoberto que além de matar o patrão, Faustus assassinara suas duas esposas, assim como também Thomas Michaelis e Rachel Phantomhive. Ele também violentara o enteado, o amigo do mesmo e seu mestre.

Com as investigações, fora descoberto na casa da baronesa Dalles-Bunnet objetos pertencentes a vitimas de um assassino em série misterioso, que parara de agir após a morte do conde Vincent Phantomhive. Chegando-se a conclusão de que a jovem baronesa, conhecida como Madame Red, era a assassina.

Com as investigações, fora descoberto que a vitima chamada Peter Sutcliff estava envolvida com as ações criminosas de Red e que havia ele sido o autor dos assassinatos daquela noite, embora fosse misteriosa a forma como morrera.

Com as investigações, fora descoberto que a arma do crime desaparecera.

E ao final das investigações, o caso foi fechado, arquivado e misteriosamente, desapareceram seus vestígios.

Porém, voltemos a história, os fatos citados a cima se decorreram paralelos a primeira semana após o fatídico acontecimento. As famílias, pelo bem da investigação, apenas foram notificadas após dois dias das mortes.

***

2 dias após o acontecido(pela manhã)

Ciel conversava distraído com Grell sobre algo como deixar os cabelos crescerem enquanto Sebastian e William haviam saído para comprar algo que não fora especificado aos que ficaram. Tristan, Ronald e Alan estavam na universidade enquanto Eric trabalhava.

Bem, como nenhum deles tinha conhecimento do que acontecera, apenas estavam preocupados com os repentinos desaparecimentos, mas nada que conseguisse tirá-los da “empolgante” conversa sobre troca de visual.

— Grell, você estava uma graça de cabelos longos. Devia deixa-los crescerem novamente! — afirmava Ciel olhando para uma das fotos do álbum da mãe de William que mostrava o ruivo com suas madeixas longas. Grell sorriu ao lembrar-se do dia que tiraram aquela foto, foi pouco antes de o moreno partir, mas havia sido um momento especial.

— Sim Chieru. — falou rindo enquanto tentava virar a pagina do álbum, sendo impedido pelo de cabelos ardósia que insistia na ideia de que o ruivo devia deixar os cabelos crescerem desde que vira a foto pela primeira vez.

— Não me chame assim, dessa forma me lembra do estrupício de Edward! — repreendeu o menor chacoalhando a cabeça ao pensar no primo exagerado que o chamava exatamente daquela forma. Grell murchou levemente o sorriso murmurando “desculpa” algumas vezes para Ciel, que instantaneamente mudou sua expressão de raiva para arrependimento. — Ei, desculpe Grell, não quis ser grosso com você, me desculpe — disse o baixinho abraçando o amigo e lhe afagando os cabelos.

Naquele instante, batidas suaves ecoaram na porta vítrea, atraindo a atenção dos dois amigos, Ciel sobressaltando-se e Grell começando a secar as lágrimas com a manta de sua cama.

Do lado de fora estavam a senhora Spears, presença normal para ambos, principalmente depois de que Grell e William se acertam, e curiosamente Vitória Grey, a qual surpreendera ambos.

— Podemos entrar? — disse a senhora mais velha com um sorriso simpático, mas o tom levemente embargado, disfarçando, não muito bem, que algo estava errado. Ciel sentou-se ao lado do amigo após se recuperar do choque e olhou para a tia, imediatamente pressentindo uma má noticia.

— Claro vó — respondeu Grell, fazendo tanto Ciel quanto a senhora Spears franzirem os cenhos. Vitória riu e beijou a testa do ruivo.

— Como assim “vó”? — indagou o garoto de olhos bicolores trocando olhares com a mãe de William. A mulher morena, que também não estava entendendo a situação, olhou para Vitória. A senhora Grey riu, quebrando um pouco da tensão que havia se instalado no ambiente desde que elas haviam chegado.

— Bem... eu tinha uma filha chamada Sonia — contou a grisalha adentrando o quarto. — Ah, como ela era uma menina linda, com longos cabelos castanhos e um sorriso tão bonito e tão puro... — divagou ela, agora na beirada da cama de Grell, acariciando a bochecha do garoto, que sorria, como se naquele garoto ela pudesse rever a filha — Mas ela era tão ingênua, bastou um olhar para que caísse de amores por um misterioso rapaz de cabelos rubros — agora a senhora tocava os cabelos de Grell — não adiantou nenhuma das palavras que eu ou o meu querido Albert lhe dissemos, pois ela, aos 15 anos, fugiu com aquele homem.— ela recolheu as mãos e olhou para o sobrinho — 1 ano depois, soube que minha filha havia morrido no parto e tudo que me restara dela foi seu filho recém-nascido que estava com aquele homem. — a dor nas palavras dela era palpável e as lagrimas amargas faziam com que todos os seus ouvintes também tivessem os olhos marejados. — Eu então fui atrás do meu neto, afinal, ele era tudo que me restara da minha amada filha, e, embora eu estivesse com um filho pequeno, não me importaria de criá-lo.

Lembrança on (Vitória POV)

Havia deixado Albert com Charles e me fui até o tal distrito de Shinigami, tomando coragem para rever aquele homem que tirara minha filha de mim.

Quando cheguei, a primeira coisa que me chamou a atenção foram as garrafas de álcool quebradas do lado de fora da casa. Eu sabia que ele era um bêbado, mas não esperava que mesmo com o nascimento de um filho e a perda de Sonia, ele mantivesse o habito.

Bati em sua porta, torcendo para que a criança estivesse em seus braços e não largada em um canto qualquer. Felizmente, o pequeno estava no seu colo.

“Você é a mãe da Sonia, Vitória, não?” indagou após abrir a porta. Olhei e vi nele algo diferente do que supus durante todos os meses anteriores, ele parecia abalado e exausto. Suspirei e sorri, mesmo com a dor, eu senti que deveria me mostrar forte.

“Sim, e você é... Peter?” perguntei gentilmente devido ao fato de não me lembrar com clareza de seu nome. Ele assentiu e eu lhe ofereci a mão, não que tivesse me esquecido da criança em seu colo, mas sim em uma espécie de teste, para saber o que ele faria.

“Perdoe-me por não cumprimentá-la apropriadamente, mas não posso descuidar ao segurar Grell” pediu ele arrumando o bebê em seus braços. Eu sorri e baixei os olhos para o pequenino. Estava envolto em uma manta carmesim, ressonando tranquilamente. “ Venha, entre, fique a vontade” disse ele abrindo espaço para que eu entrasse na casa.

“É uma bela casa” elogiei ao entrar na sala, seguindo-o. Não era muito grande, mas era confortável, eu podia imaginar minha Sonia ali, tocando seu violino.

“Foi ela quem escolheu tudo” comentou Peter sentando-se no sofá “eu só concordei com ela, apenas a queria feliz” confessou, pelo seu tom, pude saber que doía falar dela. “Você quer segurá-lo?” perguntou alguns segundos depois, me oferecendo o pequeno.

“Posso?” questionei e ele assentiu me entregando seu filho, meu neto.

Assim que tive aquela criança em meus braços senti algo diferente de qualquer outra coisa que senti antes, era como se eu tivesse novamente Sonia em meus braços. O calor daquele pequeno me confortava, era como se toda a dor tivesse sumido momentaneamente. Toquei o rostinho daquela criança delicadamente, as bochechas e o nariz visivelmente sardentos eram adoráveis, as formas pequenas e delicadas daquele menino eram as mais belas que havia visto. Os ralos fios de seu cabelo eram escarlates, assim como a manta que o envolvia.

“Grell, você é lindo” murmurei baixo beijando a testa suave do pequeno, ele, se remexeu nos meus braços e abriu seus lindos olhos que brilhavam em um tom esmeraldinos como os de minha Sonia.

Durante o ano seguinte eu o visitei, porém, conforme meu pequeno crescia, minhas visitas acabaram se tornando mais esparsas, principalmente após Peter voltar a beber, quando Grell tinha apenas 10 anos. Por mais que eu tentasse convencê-lo a vir morar comigo ele se negava a sair do lado do pai e assim, eu me encontrava secretamente com ele todos os meses até quando seu pai descobriu, com isso, o máximo de contato que tive com ele até que completasse 17 anos fora uma ligação mensal.

Lembrança off

— Então... — murmurou Ciel, olhando para a tia — eu e Grell somos parentes? — perguntou com o cenho franzido, fazendo a mulher rir.

— Sim Ciel, mas além desse, vocês também tem outro parente em comum. — contou a Senhora Spears, lembrando aos presentes sua presença ali. — Sua tia, Angelina Dalles. Ela também era sua tia Grell. — Então a senhora Spears relatou a história que a ruiva havia lhe contado quatro dias antes.

Grell e Ciel ficaram pasmos. Como era possível que tantos laços de sangue os unissem dessa forma? Bem, sendo como fosse, antes que eles pudessem se pronunciar, William e Sebastian voltaram ao quarto.

Ambos os rapazes recém-chegados tinham expressões assombradas nos rostos. O de olhos rubros, até tinha os mesmos cristalinos pelas lágrimas que por mais que tentasse disfarçar, ali estavam, sendo seguradas com toda a força possível. Ciel desesperou-se e olhou para William tentando entender o que havia acontecido para que Sebastian estivesse naquele estado, porém nada o moreno lhe disse. Enfim, o motivo que levara as duas mulheres até aquele quarto foi revelado.

— Grell, Ciel... — pronunciou Vitória, fazendo os olhares se voltarem para ela. — eu sinto muito... Angelina e Peter faleceram dois dias atrás.

***

2 dias após o acontecido (pela tarde)

Tristan e Ronald estavam aninhados na cama do mais velho após passarem algumas horas se divertindo com a maratona de “House” que o canal promovera naquela tarde. A pedido de William eles iriam visitar Grell depois do pôr do sol, pois o moreno dissera que queria um tempo a sós com o mesmo. Eles atenderam o que o amigo dissera e depois de voltarem da universidade, ficaram curtindo o tempo um com o outro. Já estava quase na hora marcada quando a campainha da casa de Tristan soou.

— Deve ser Claude — murmurou Ronald com tom temeroso, recebendo um olhar confortador do namorado, que já estava de pé.

— Ele não ousaria voltar agora, não se preocupe. Pode ser só meu irmão, ele disse que talvez passasse aqui. — argumentou pegando o cobertor e colocando-o sobre o aloirado. — Eu já volto — murmurou deixando um breve beijo nos lábios que aos poucos iam perdendo o gosto do tabaco. O menor rangeu os dentes por ter corado com aquela ação e cobriu o rosto com o cobertor. “Clichê, meu clichê” pensou sorrindo internamente com a ação carinhosa.

Enquanto isso, já em frente à porta, Tristan esfregou os olhos antes de espiar pelo “olho-mágico”. “Policiais?” ele se questionou, afastando-se do objeto e destrancando a porta.

Assim que a mesma foi aberta os dois policiais que estavam ali fora retiraram seus quepes em sinal de respeito. O aparentemente mais velho deles suspirou e olhou com olhos pesarosos para Tristan, que estarreceu.

— Senhor Faustus? — perguntou o policial mais velho, recebendo um aceno afirmativo de Tristan — Meus pêsames. — não havia uma forma fácil de dar aquela noticia, portanto ele decidiu ser direto — Seu pai foi encontrado morto dois dias atrás. — Tristan suspirou, fechando os olhos, em sua mente havia um conflito de ideias.

— Há algo que eu precise assinar ou... — perguntou calmamente, sendo interrompido pelo outro policial.

— Não, não. Um senhor chamado Undertaker já se encarregou dos detalhes — afirmou ele de forma calma.

— Obrigado por virem me notificar, tenham uma boa tarde. — agradeceu de forma fria. Os dois policiais voltaram a vestir os quepes, pois viram que aquilo era um sinal de que a conversa estava acabada.

— Não por isso. — despediram-se, partindo em sua viatura.

Tristan então subiu novamente, encontrando seu amado passeando pelos canais da televisão, aparentemente sem encontrar algo interessante para assistir. Ao notar a presença do moreno, Ronald largou o controle e olhou para o mesmo.

— Quem era? — perguntou enquanto se sentava melhor na cama. Tristan andou até a cama e sentou-se na lateral da mesma, seus olhos estavam embaçados. Ronald, ao notar isso engatinhou até as costas do maior, abraçando-o carinhosamente. — O que aconteceu? — tentou novamente, recebendo um suspiro tristonho como resposta.

— Meu pai esta morto.

***

2 dias após o acontecido (pela noite)

Ciel estava sentado na varanda da casa de Sebastian. Em seu rosto, lágrimas grossas rolavam sem que as pudesse conter. Nenhum som saia por seus lábios que estavam secos pelo tempo que passaram entreabertos. Sebastian suspirara tornando mais próximo o abraço que ele dava no menor.

Não era segredo para ninguém que Angelina havia sido uma das pessoas que mais influenciara a vida do jovem Ciel. Desde pequeno ele se lembrava da tia presente em sua vida e agora, sem mais nem menos, assim como sua mãe e seu pai, ela havia partido, ela havia o deixado.

Não era segredo para ninguém que Angelina havia sido uma das pessoas que mais influenciara a vida do jovem Sebastian. Desde o acidente com os pais de Ciel e que o menor havia entrado na vida do de olhos rubros, a medica ruiva o havia ajudado a “segurar as pontas”, o havia ajudado a entender a si mesmo e ao que sentia por Ciel, e agora, sem mais nem menos, assim como sua mãe, ela havia partido, ela havia o deixado.

A dor que os dois sentiam com a perda de Angelina era incontável, era como se tivessem perdido um ao outro, porque é o que teria acontecido se não houvesse a intervenção da ruiva, que tanto os apoiou, tanto os amou.

O acalento que tinham antes de uma mãe, desapareceu na noite londrina e de forma brutal, enquanto eles haviam rido, ela foi assassinada. Não se sabia se o sentimento pior era a dor de ter a perdido ou a culpa que eles criavam para si por ela ter morrido.

Ash, que havia saído para comprar algo para jantarem, chegara e largou as coisas sobre o balcão da cozinha. Ele suspirava pesadamente, afinal, ele também conhecia Angelina. Conhecia Angelina dos velhos tempos, das festas que reuniam os Phantomhive e a família de sua mestra.

Ele não sabia o que dizer, portanto fez o que sempre fazia em situações como aquela. Andou até a varanda onde os dois estavam, largou ali uma garrafa de vinho e saiu andando sem rumo certo, apenas saindo para que não incomodasse mais a eles.

***

No cemitério, 3 dias após o acontecido.

Lá estavam eles mais uma vez. Após apenas dois meses, eles estavam de volta ao mórbido lugar de descanso final. O cortejo e enterro de Angelina seria em conjunto ao de Peter, devido a consanguinidade entre eles, portanto, Grell, William e os demais estavam ali. Não que Peter fosse querido por todos eles, na realidade era odiado pela maioria, mas em consideração a Grell, os amigos estavam lá. Havia Angelina e por consequência Ciel e Sebastian, que também era motivos para a junção de jovens ali.

Ciel estava trajando as mesmas vestes da ocasião anterior, assim como Sebastian. A senhora Grey, estava vestida com um elegante e longo vestido negro e seus filhos, diferentemente do que era comum, também vestiam cores escuras.

Grell vestia-se com um sobretudo de tom vinho escuro, quase negro, que passava pouco de seus joelhos, permitindo a mínima visão de seus sapatos sociais e calças também sociais, ambos pretos. Na face do ruivo, uma expressão resignada se encontrava. William vestia também um sobretudo, sendo este negro, assim como o resto de suas roupas.

Os outros presentes também vestiam as cores mórbidas, porém não irei me aprofundar nos detalhes deles agora.

Undertaker parou entre as covas, a expressão do seu rosto, geralmente coberto pela longa franja, naquele dia era visível e a mesma era triste. Não era pena, apenas tristeza, Peter havia sido um bom amigo seu décadas antes e mesmo depois de que romperam relações, o grisalho mantivera a afeição que sentia pelo ex-colega. Ele fez um aceno para Ciel, indicando que ele deveria começar a falar seu discurso. O jovem de cabelos ardósia deu um passo para frente retirando, de um dos arranjos, uma calendula e girou seu corpo, olhando em direção a Grell e lhe fazendo um aceno para que o mesmo se juntasse a ele.

O ruivo, com ajuda de William, pois não conseguia se locomover direito devido aos seus ferimentos, foi em direção a Ciel, ficando ao lado do mais novo.

— Estamos de novo reunidos para nos despedirmos de alguém — murmurou o de cabelos ardósia — dessa vez, nós dizemos “até depois” para tia Ann e Peter. — continuou ele, trocando olhares com os caixões fechados. — vocês foram cedo. Tia Ann, nós precisávamos de você aqui, eu precisava. — lágrimas preenchiam os olhos de todos os presentes. Talvez não fossem grandiosas as palavras que o jovem dizia, mas o sentimento de corações já abalados completava a comoção. — está tudo bem.... agora estará com os seus irmãos, estará com seu amor e com seu filho. — finalizou com a voz embargada. Grell apertou sua mão suavemente e tomou a palavra para si.

— Pai, você fez e disse coisas horríveis para mim, mas sei que lá no fundo, da sua forma, você me amava. Sei que mentiu sobre mamãe para me proteger, para que eu pensasse que não foi minha culpa. Pai, eu não deveria talvez, mas eu te perdoo pelo que fez. — falou em um uníssono antes que engasgasse com as lágrimas amargas que chorava. William abraçou seu pequeno, deixando um suave ósculo no topo de sua cabeça.

Ciel, já tendo os braços de Sebastian a volta de seu corpo, ergueu a flor em suas mãos e a atirou para cima do caixão de sua tia. “Calendula é a flor do luto” foi a informação da qual lembrou-se. “Uma flor mais que apropriada” pensou Undertaker, mirando a flor avermelhada. “A rosa vermelha ardente em paixão não se comportaria tão bem quanto esta” disse o grisalho para si mesmo.

— Grell — chamou a senhora Grey, fazendo com que seu neto a olhasse. Ela sorriu pequeno para ele e seus olhos pequenos voltaram-se para o filho mais alto, este carregava consigo o estojo de um violino. — Ele gostaria que você tocasse para ele uma ultima vez — disse destrancando o estojo e exibindo o antigo violino de madeira e porte clássico, o ruivo sabia que aquilo pertencia a sua mãe, pois já o havia visto entre os objetos que Vitória guardava da filha.

Seus olhos marejados fitaram os dela e depois os de William, em duvida do que fazer. O moreno lhe sorriu de forma confiante, convencendo-o a fazer o que a avó sugeria.

Segundos depois o ruivo estava com o instrumento em mãos, havia algum tempo que não tocava, mais precisamente desde que perdera todas as suas preciosas e favoritas partituras no primeiro dia em que fora para Funtom Academy.

Após dedilhar as cordas e avaliar o arco, o ruivo começou a correr o arco nas cordas tocando acordes suaves, tristes e melancólicos que aprendera ao ouvir atentamente uma das canções do filme “A lista de Schindler”. (aqui)

As lágrimas acompanharam o resto da musica e quando ela chegou ao fim, um suspiro vindo de Undertaker ecoou e palmas baixas foram oferecidas a Grell.

O resto da cerimônia decorreu como deveria e no final, os amigos acabaram se dispersando, antes, porém, combinando de encontrarem-se no dia seguinte.

Grell e William partiram de volta para o hospital, donde o menor ainda não havia sido liberado; Ciel e Sebastian foram para casa de Vitória, onde encontraram Elizabeth e Edward; Alan e Eric partiram para o apartamento do mais velho.

Por ultimo, restaram Tristan, Ronald e Undertaker, os três dirigiram-se a área oposta aonde ocorrera o enterro anterior e ficaram obervando a um grupo curioso. Uma mulher de cabelos claros e pele “café com leite” e três rapazes de cabelos arroxeados estavam parados diante de dois túmulos novos.

O grisalho andou até eles e os saudou, porém os quatro apenas agradeceram a ele e foram embora. Tristan e Ronald não se demoraram a aproximarem-se das lápides e observaram os nomes gravados, “Alois Trancy” e “Claude Faustus” eram eles.

Ronald engoliu em seco e olhou para seu amado, este, abriu seu casaco e de seu bolso interno retirou duas flores, uma papoula presa a uma ninfeia e uma manjerona.

— senhor Trancy, apesar de sua extravagância fora do comum havia pureza em seu coração — murmurou pondo a papoula em frente a lápide de pedra branca. — Claude, pai, tudo que sinto por você é a mais pura vergonha — disse com os olhos estreitos, jogando com desgosto a flor de manjerona sobre a pedra negra onde o nome de seu progenitor estava entalhado. — esta é a ultima vez que me faz derramar uma lágrima.

Notas finais
Well, não me matem. Este é o penúltimo capitulo da fanfic e desde ja agradeço por cada um de vocês terem lido, acompanhado, comentado e favoritado a fic. Eu estou começando a ter meus olhos marejados, mas vou postar isso logo antes que eu chore, isso ficará para as notas do capitulo final. Kissus a vocês meus docinhos. Michaelis. p.s.: comecei a postar esta fic no Wattpad, então quem quiser dar uma passadinha lá, eu ficaria grata.