Notas iniciais
Gentee, o capítulo ficou enorme, eu sei. Mas como estou postando apenas uma vez por semana e não queria deixar as coisas pela metade, achei melhor não cortar nada. Espero que vocês não se importem e gostem... Ah, tenham uma boa leitura! Beijos :)

– Eu estou grávida.

– Grávida? – Questionou Heitor sem reação. – Não pode ser... Você tem certeza?

– Eu estou grávida de dois meses. Fiquei sabendo quando fomos para o México, eu queria te fazer uma surpresa, mas as coisas não saíram como eu planejei.

– Você deveria ter me contado... – Respondeu Heitor contrariado.

– Você não me parece feliz com a notícia.

– E esperava o que Rubi? Nós estamos nos separando, eu estou preso, sem dinheiro, e você... sem emprego. – Respondeu Heitor.

– Heitor, eu não quero me separar de você, por favor, me dê uma chance. Eu prometo que você não vai se arrepender.

– E eu já te disse Rubi, que não posso mais oferecer a vida que você quer. E como você só se casou comigo por interesse, não faz mais sentido o nosso casamento. Eu não tenho mais nada...

– Eu poderia ter todo o dinheiro do mundo, mas não seria feliz sem você ao meu lado. Deixa eu ficar com você, te apoiar nesse momento difícil, como você fez comigo quando eu fui presa. Por favor meu amor.

– Tem certeza que é isso o que você quer? – Questionou Heitor. – Está disposta a começar de novo do meu lado. Viver sem o luxo, sem o glamour com o qual está acostumada?

– Vamos pelo ao menos poder viajar as vezes?

– Daqui a alguns anos quem sabe... Eu nem sei se vou conseguir sair da cadeia.

– Tudo bem. – Respondeu Rubi o abraçando. – Eu estou disposta a enfrentar tudo por você. Eu te amo Heitor, e me desculpa por todas as coisas erradas que eu já fiz, me desculpa, você não merecia sofrer assim.

– Meu amor, eu também te amo. Quero sair logo daqui, para poder ficar com você, com a Lisa, com o Henry e com esse bebê que está aí na sua barriga. – Disse Heitor.

– Eu tenho que ir embora. Tenho que arrumar algum jeito de provar sua inocência... Eu não sei como, mas prometo que vou tirar você daqui.

– Obrigado Rubi, mas tenha muito cuidado. Você sabe que a Flora é perigosa.

– Não se preocupe comigo. Aquela maldita não sabe com quem mexeu. – Respondeu lhe abraçando novamente. – Eu te amo.

México

Mansão dos De La Fuente

– Elisa, eu tive uma reunião, e por isso cheguei tarde em casa, mas recebi o seu recado e vim o mais rápido que eu pude. O que houve de tão urgente? – Questionou Genaro a ex esposa.

– O nosso filho, o meu menino está preso. – Disse Elisa Chorando. – Genaro, você tem que ir para Nova York, você tem que fazer alguma coisa.

– Então, o Heitor estava certo... – Disse Genaro pensando alto.

– Como assim o Heitor estava certo?

– O Heitor me disse a alguns dias que a Flora Montenegro, queria acusar ao Rafael de fraude. E que ele poderia se prejudicar com isso... Mas eu não achei que fosse tão sério...

– Então você sabia? E porque não me avisou? Porque não disse nada Genaro?

– Calma Elisa! Não adianta você ficar nervosa. O nosso filho pediu pra que eu me calasse, e que não contasse nada para a Rubi e nem para você. Eu vou para Nova York, vou ver o que posso fazer para ajudar o Heitor. – Disse. – E o que você faz aqui, porque o deixou sozinho?

– Ele não está sozinho, a Rubi está com ele.

– Mas eles não iam se separar?

– Eu espero que isso não aconteça. Ela ama o Heitor, e tenho certeza que vai ajudá-lo.

– Mas você é a mãe do Heitor , não vai apoia-lo nesse momento?

– Eu não posso ir. A Rubi pediu para que eu ficasse com as crianças aqui no México, por causa do Alessandro...

– Você tem que ir Elisa, o Heitor precisa de nós nesse momento. O Alessandro nos conhece desde que nasceu. Tenho certeza de que ele vai entender a situação. Eu vou falar com ele.

– Será? As coisas mudaram Genaro, e se o Alessandro pensar que estamos fazendo isso para afasta-lo das crianças?

– Pelo amor de Deus, você sabe que ele não vai fazer isso. E perante a lei, o nosso filho continua sendo o pai do Henry e da Lisa, e enquanto o exame comprovando o contrário não ficar pronto, o Alessandro não vai poder fazer nada.

– Mas o exame fica pronto daqui a 5 dias, e a questão jurídica, daqui a um mês. E se até lá o Heitor não tiver saído da cadeia? Se nós levarmos as crianças sem o consentimento dele, pode ser pior. Ele pode até chegar a pedir a guarda das crianças. Eu não quero que isso aconteça. Eu amo o meu filho, e desejo muito vê-lo, mas tenho certeza que ele prefere que fique, e cuide dos meus netos.

– Você tem razão Elisa. Eu vou, e sempre que tiver alguma novidade eu te aviso.

– Eu vou ficar com o coração na mão. O Heitor e a Rubi devem estar precisando de mim. – Disse Elisa.

– Eu posso ir se você quiser Dona Elisa. – Disse Maribel.

– Você? – Questionou Genaro.

Nova York

Mansão dos Montenegro

– Senhora, ela não quis esperar que eu a anunciasse, eu tentei impedir mas ela já foi entrando. Me desculpe. – Disse uma das empregadas a Flora sobre a presença de Rubi.

– Pode ir sua mosca morta. Eu vou me espantar no dia em que você fizer o seu serviço direito. – Respondeu. – E você Rubi, a que devo sua agradável visita?

– É bom encontrar você e o Toledo juntos, porque aí eu evito ter que ir atrás dele. Vim avisar que a sua tentativa de me separar do Heitor falhou. Estamos mais unidos do que nunca, e eu vou fazer o impossível para tira-lo da cadeia. Sei muito bem que o seu marido é inocente, e que o meu, coitado, é mais inocente ainda, e eu vou arrumar um jeito de provar isso.

– Vai, e como? Pretende usar sua beleza para conseguir manipular o juiz?

– Não. – Respondeu Rubi de forma seca. – Ao contrário de você, eu não tenho só a beleza para oferecer. E daqui a algum tempo, nem a beleza você vai ter, porque está cada vez mais velha e amargurada. Mas não se preocupe comigo. Por enquanto, eu não sei o que fazer mas prometo que não vou demorar para agir. Eu disse pra não se aproximar da minha família e você não me escutou, agora, aguente as consequências. Eu vou fazer da sua vida um verdadeiro inferno.

– Família? Que família Rubi? Você se casou com o Heitor por interesse, nunca o amou de verdade, porque quem ama não mente, como você mentiu para ele durante anos, você ainda o roubou, e tem dois filhos de outro homem. Não queira bancar a matriarca perfeita. Essa sua carinha de inocente só consegue enganar aos outros, a mim não.

– Eu realmente fiz tudo isso, mas já admiti o meu erro. E você não é a pessoa mais indicada para me dar lições de moral Flora.

– E acha que admitir o seu erro é o suficiente?

– Isso não é problema seu. O Heitor continua amando os meus filhos como se fossem dele, e nunca vamos nos separar.

– Você sempre controlou o Heitor não é meu amor?! – Respondeu Toledo.

– O meu marido sempre foi um homem muito bom, e você sabe disso, pois viveu durante anos na minha casa.

– Ainda bem que você veio para o lado certo Toledo. Agora o Heitor não vai ter nenhum centavo. – Disse Flora que começou a rir em seguida.

– Ele pode perder tudo, mas eu vou estar ao lado dele para recomeçar a nossa vida.

– Que profundo. – Disse Flora debochando. – Dizer isso é muito fácil. Mas eu vou te lembrar de uma frase que você mesmo sempre disse: O amor sai pela janela quando a fome entra pela porta.

– Escuta aqui sua vagabunda. – Disse Rubi alterada querendo esbofetear a rival.

– Olha, se eu fosse você ficava um pouquinho mais calma, porque você está na minha casa, e eu posso muito bem ligar para a polícia e dizer que você está me ameaçando... Quer ir pra cadeia novamente?

– Não é necessário, eu realmente não devo me alterar, mas não é por você e sim pelo meu bebê.

– Bebê? – Questionou Toledo surpreso.

– Sim, bebê. Eu estou grávida, e prometo por esse filho que eu estou esperando, que vou tirar o Heitor da cadeia. – Respondeu antes de sair.

– Maldita! – Exclamou Flora furiosa. – Você não me disse que ela estava grávida Toledo.

– Mas... Eu... Eu não sabia. E a agora? O que vai acontecer? – Questionou Toledo.

– E agora nada. O problema não é meu se ela está grávida... Essa criança infelizmente vai ter um pai presidiário.

– Se eu fosse você não ficaria tão tranquila assim.

– Porque? – Questionou Flora. – A Rubi não pode fazer nada.

– Você não viu como ela estava furiosa? Aquela é a Rubi que eu sempre idolatrei. Astuta, esperta, e vingativa. Quando promete uma coisa, ela cumpre.

– Você não é mais tão leal a mim como era no início Toledo. O que pretende? Se a admira tanto ela assim porque a traiu?

– Porque ela estava boazinha demais, e só tinha tempo pros pirralhos insuportáveis, mas confesso que estou com saudades até deles... Quando eu comecei a enviar as cartas, eu só queria dar um susto nela, queria que ela voltasse a ser a minha preciosa. Eu gosto de ser mandado, mas preciso de uma diva ao meu lado... E convenhamos que você nunca chegará aos pés dela né Flora.

– Toledo, se você está pensando em ir correndo rastejar aos pés da Rubi, pode mudar de ideia. Eu jamais aceitaria uma traição, você viu o que aconteceu com o meu marido. Quer que eu te deixe na miséria como deixei aquele imbecil?

– Você está me ameaçando? – Questionou Toledo.

– Não. Eu não ameaço ninguém! – Disse Flora. – Eu estou apenas te alertando!

– É bom mesmo você não me ameaçar, porque eu sei de suas armações e quem sairia perdendo é você... Nós dois sabemos quem realmente desviou o dinheiro da empresa.

– Então é isso? Você está me virando as costas?

– Sim! Você não é exatamente o que eu pensava... É louca, psicopata, quer manter as pessoas ao seu lado na marra. Nunca será feliz de verdade pois você não sabe amar. Está sozinha, pois você sequer tem o amor do seu filho, que preferiu ficar com a empregada enquanto o pai está na cadeia.

– Eu acho até melhor... Eu nunca gostei daquele moleque maldito mesmo.

– Essa é a diferença entre você e a Rubi.

– Não me compare a essa... essa!

– Realmente eu não devo compara-las, pois a Rubi está em um patamar muito superior. – Respondeu Toledo lhe dando as coisas. – Eu não sei como pude ficar a seu favor. Adeusinho, senhora Montenegro.

– Toledo, volta aqui. – Gritou Flora. – TOLEDO! – Tentou gritá-lo novamente sem obter resposta.

Mansão dos De La Fuente

– Dona Elisa, eu vim matar a saudade dos meus filhos. – Disse Alessandro cumprimentando-a com um beijo.

– Oi Alessandro. As crianças estão brincando com o Carlinhos. Eles estão bem agitados, então eu te imploro de coração. Tenha um pouco mais de paciência com eles.

– Porque as pessoas sempre vivem me pedindo para ter paciência com eles? É você, a Sofia, a Rubi... Acham que eu não sei ser um bom pai? Acham que eu não sei cuidar de uma criança? – Questionou Alessandro inconformado.

– Não é isso filho. – Respondeu Dona Elisa. – Acontece que...

– Eles não estão acostumados comigo?

– É. – Concordou.

– E se as coisas continuarem assim eles nunca vão se acostumar. A Rubi sequer teve coragem de contar para eles a verdade, e aí eu não consigo quebrar essa barreira que existe entre nós. Não existe entre eu e os meus filhos aquela ligação especial. Eu os adoro, porque eles são duas crianças maravilhosas, e espertas. Mas...

– Mas?

– Deixa pra lá. – Respondeu Alessandro que encerrou o assunto ao ver Maribel descer a escada acompanhada de Jean Pierre que estava com uma mala na mão. – Uauu, alguém aí vai ter uma nova lua de mel? – Brincou.

– Quem dera. – Respondeu Jean com cara de poucos amigos. – A Maribel está louca.

– A Maribel tem um bom coração. – Disse Dona Elisa a defendendo.

– E sei ser agradecida. Está na hora de encerrar tudo isso. – Falou a moça.

– Espera... O que está acontecendo?

– A minha adorada Maribel está indo para Nova York consolar a Rubi que está passando por um “momento de dificuldade”. – Disse Jean Pierre. – Eu sei que ela é a mãe dos seus filhos, e também sei que você a ama, mas não consigo entender como vocês conseguiram perdoa-la.

– Ela salvou a vida do meu filho duas vezes. Isso é mais do que o suficiente para que eu a perdoe. Eu sinto que ela mudou, através de suas atitudes. O problema é que ela é teimosa, e não dá o braço a torcer.

– Alguma semelhança vocês teriam que ter. – Disse Jean.

– Eu tenho que admitir que a Rubi é uma mulher encantadora. Eu sei que ela é a esposa do seu filho Dona Elisa, e estou dizendo isso com todo respeito...

– Maribel minha filha, você vai perder o seu voo se continuar aqui de papo conosco. – Advertiu Dona Elisa. – Saia sem o Carlinhos perceber de preferência...

– A única coisa ruim é deixar o meu filho.

– Nós vamos cuidar dele. – Disse Jean.

– Eu já estou tomando conta de dois, vou adorar mais ainda tomar conta de três.

– Qualquer problema, me ligue. – Respondeu Maribel beijando a madrasta e saindo da casa com Jean.

– Eu queria tanto que elas fizessem as pazes.

Mansão dos Ferreira

– Dona Rubi, que bom que a senhora já voltou. Fez uma boa viagem? – Questionou Dr. Guimarães ao entrar no escritório de Heitor.

– Fiz, obrigada. – Respondeu Rubi sendo gentil. – Mas vamos direto ao assunto. Quais as chances do meu marido sair da cadeia?

– Eu vou ser sincero senhora Ferreira. A situação do seu marido não é uma das melhores. A Dona Flora o acusou de fraude corporativa e a empresa foi apanhada pelo ministério público por estar sonegando impostos.

– Não faz sentido. O Heitor sempre foi um homem muito honesto, e investimos quase todo o nosso dinheiro na empresa. Porque ela acha que estaríamos roubando? Temos 49% das ações.

– Os desvios realmente aconteceram Rubi, eu tive acesso ao resultado da auditoria e não há dúvida: Alguém realmente roubou muito dinheiro da empresa nos últimos anos. E a Sr. Montenegro quer a devolução do dinheiro dela... E isso é porque ainda não pensamos no prejuízo da sonegação, onde o Ministério Público cobra uma taxa de 75% sobre o valor não arrecadado.

– Isso é um absurdo. E se nós não pagarmos? Eles sabem que alguém roubou o dinheiro, mas não significa que tenha sido o Heitor.

– Você tem como provar que ele é inocente?

– Você está sendo pago para isso não é? Então faça alguma coisa, e tire o meu marido da cadeia.

– Eu estou fazendo o que posso Rubi, mas como eu já disse, a situação é complicada. Vocês vivem uma vida luxuosa, tem carros caríssimos, uma casa enorme, propriedades, uma quantia generosa no banco...

– O Heitor sempre teve muito dinheiro, o dinheiro que ele herdou dos pais e que sempre foi muito bem administrado por seu padrinho. Ele trabalha, e eu sou, quero dizer, eu era vice presidente de uma das maiores empresas de publicidade do mundo.

– Como assim não é mais? Eles te demitiram? – Questionou o advogado.

– Não. Eles não poderiam me demitir pois estou grávida. Eu pedi demissão antes de saber de toda essa confusão pois queria estar com a minha família.

– Que noticia maravilhosa a sua gravidez Rubi, o Heitor deve estar louco de felicidade agora que...que... – Gaguejou Dr. Guimarães. – Ele me contou sobre as crianças... – Prosseguiu advogado. – Eu poderia jurar que aqueles dois anjinhos eram filhos do Heitor. A Lisa é a sua cara, mas o Henry parece uma cópia melhorada o seu marido.

– Érr... não vamos falar sobre isso. Mantenha o foco Dr. Guimarães.

– Tem razão... Eu tenho um conhecido no Ministério Público, e vou tentar adiantar o pedido de liberdade provisória do seu marido. Se eu souber de alguma novidade, eu aviso. – Respondeu o advogado levantando. – Até mais Rubi, e tenha uma boa noite.

Dia seguinte

– Boa tarde. – Disse Dr. Guimarães ao delegado. – Eu fui ao Ministério Público hoje pela manhã e me informaram que eu teria um resultado sobre o pedido de liberdade provisória do meu cliente. O Sr. Heitor Ferreira.

– Eu vou averiguar. – Respondeu o delegado. – Aguarde um instante. – Prosseguiu enquanto Genaro e Maribel também chegavam na delegacia.

– Boa tarde, meu nome é Genaro Duarte, e eu sou padrinho de Heitor Ferreira. E... – Ia dizendo Genaro antes de ser interrompido por uns dos policiais que o atendeu.

– E gostaria de vê-lo não é? O delegado foi averiguar uns papeis, mas com certeza vai deixa-lo entrar, já que toda hora alguém vem visitar esse tal de Heitor.

– Isso é pra que ele saiba que todos nós confiamos nele. E que ele tem uma família que o apoia em todos os momentos. – Respondeu Maribel.

– E quem é você hein Dona? Que eu saiba, a senhora Ferreira é uma morena, de olhos claros... Muito bonita por sinal.

– Érr... Desculpa interromper a conversa de vocês. – Disse o advogado de Heitor. – Meu nome é Carlos Guimarães sou advogado e pelo que entendi, o senhor é padrinho do meu cliente, o Sr. Heitor Ferreira, certo?

– Sim, muito prazer. Meu nome é Genaro Duarte. Eu quero muito ver o meu filho.

– Eu acabei de chegar do Ministério Público e o juiz disse que daria uma sentença para meu pedido de liberdade provisória hoje à tarde. O delegado foi averiguar e eu estou aguardando.

– Então quer dizer que o Heitor pode sair hoje mesmo da cadeia? – Questionou Maribel.

– Sim, isso mesmo senhorita. – Respondeu Dr. Guimarães.

– Meu nome é Maribel.

– Bom, aqui está o que o senhor quer Doutor Guimarães. – Disse o delegado voltando e lhe entregando o papel.

– O que está escrito? Leia logo! – Exclamou Genaro.

– Eu vou ler. Disse o advogado.

“Não serve a prisão preventiva à punição sem processo, mesmo considerada a extrema gravidade do crime imputado, porque terminaria pondo em sacrifício desmedido o princípio constitucional da presunção de inocência, segundo o qual "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória" (artigo 5º, LVII, da Carta Magna), além daquele outro princípio que garante ao acusado o devido processo legal. A prisão preventiva há de ser adotada com parcimônia, para que não se termine por impor ao réu, desde logo, uma sentença apenadora. Por outro prisma, a ordem pública não se encontra seriamente ameaçada, tampouco a liberdade do réu irá desservir a instrução criminal. Tanto que, para apurar a responsabilidade criminal do réu, foi instaurado IP, não havendo notícia de que tenha criado embaraços à apuração dos fatos. Ademais, também entendo que, mesmo considerada a magnitude da infração, isto não bastaria, por si só, para legitimar prisão preventiva, uma vez que já transcorreu a instrução criminal, não podendo mais interferir na apuração dos fatos. O Ministério Público, portanto decidiu conceder ao réu liberdade provisória, mediante a assinatura do termo de comparecimento a todos os atos do processo, sob pena de revogação. Parágrafo único.

– Isso quer dizer que? – Questionou Genaro.

– Que acabamos de conseguir a liberdade provisória do Heitor. – Disse o advogado.

– Ai, muito obrigado. – Disse Genaro abraçando o advogado. – Você não tem noção do quanto eu estou feliz. Quando ele vai sair daqui? Quando vamos poder leva-lo embora?

– Hoje mesmo. – Respondeu o delegado. – Tonny, por favor traga o Sr. Ferreira. – Disse ao policial.

– Sim senhor. Eu volto em um minuto. – Respondeu o policial.

– Eu vou ligar para Senhora Ferreira. – Disse Dr. Guimarães.

– Eles fizeram as pazes? – Questionou Genaro.

– Sim, eles foram feitos um para o outro, o Sr. não acha não Sr. Genaro? E agora com esse filho que a Rubi está esperando, tenho certeza de que eles vão se unir cada vez mais. – Respondeu o advogado.

– Filho? A Rubi está grávida? – Questionou confuso.

– Eu pensei que o Sr. soubesse... não quis ser indiscreto.

– Então, não ligue para a Rubi. Vamos fazer uma surpresa. – Disse Maribel ao ver Heitor chegar acompanhado do policial.

– Padrinho? O que faz aqui? – Questionou Heitor o abraçando.

– Eu vim aqui te buscar meu filho, Vou te levar pra casa... Você está livre!

– É sério? Eu vou poder ir pra casa?

– Sim. – Disse o advogado. – Mas você vai ter que comparecer a todos os atos do processo, e ainda vai ter que arcar com a parte financeira. – completou.

– Eu já imaginava. – Falou Heitor.

– Bom, eu vou embora. Amanhã eu irei até a sua casa para nos conversarmos.

– Tudo bem. Aproveite para descansar ao lado de sua esposa. – Respondeu Dr. Guimarães saindo da delegacia.

– O que faz para ter duas mulheres maravilhosas atrás de você? – Cochichou o policial a Heitor que acabava de pegar os seus pertences.

– Duas mulheres?

– Sim, a morena que veio ontem e essa daí hoje...

– Eu não tenho nada com a Maribel. – Riu Heitor. – Maribel é apenas uma boa mulher que... que... eu não sei bem o que ela faz aqui. Mas posso te garantir que não temos nada. Meu único amor é e sempre será a minha esposa. A Senhora que veio aqui ontem me visitar. – Disse o rapaz. – Falando nisso, onde está minha esposa? Porque ela não está aqui? – Questionou Heitor a Genaro.

– Não a avisamos... Decidimos fazer uma surpresa, mas acho que deveríamos conversar em outro lugar. Vamos sair logo dessa delegacia. – Disse Maribel.

Rubi narrando

Eu estava um pouco enjoada, embora mal conseguisse perceber esses pequenos incômodos da gravidez. Eu estava morta de saudade. Mas, não era dos meus filhos, não era do Heitor... Meu coração estava vazio, desamparado. Eu estava sozinha, no momento em que mais precisei, graças a minha ambição desmedida, as minhas armações... O meu único amigo, o meu melhor amigo fez comigo o que eu fiz com a Maribel...

– Senhora. – Disse uma das empregadas de Rubi ao entrar na sala.

– O que foi? Não está vendo que eu estou tentando relaxar por pelo ao menos 5 minutos?

– Me perdoe, é que uma moça, que se identificou como Maribel De La Fuente, está aqui, e deseja falar com a senhora

– A Maribel?

– Isso mesmo Rubi. – Disse Maribel entrando. – Podemos conversar?

– O que faz aqui? Aconteceu alguma coisa com os meus filhos? – Questionou nervosa.

– Não é por isso. As crianças estão bem. Eu vim falar sobre nós. Temos uma conversa pendente a anos.

– Você voltou neste assunto? – Perguntou Rubi. – Não temos o que conversar Maribel.

– Sim eu voltei nesse assunto, e dessa vez, você vai me ouvir.

– Ouvir o que? Vai jogar na minha cara que eu provei do meu próprio veneno, ao ser traída pelo Toledo? Porque se for isso perdeu o seu tempo. Ele me fez um favor. Eu já não aguentava mais mentir para o Heitor.

– Eu não perderia meu tempo de vir aqui para dizer isso, sei que você não está bem e vim lhe oferecer a... – Ia dizendo Maribel antes de Rubi a interromper.

– E como você sabe Maribel? Virou advinha é?

– Eu consigo ver nos seus olhos o quanto você está sozinha, triste.

– E queria que eu estivesse como? Meus filhos estão em outro país, meu marido está preso, vamos perder todo o nosso dinheiro, e eu estou desempregada... Ah e eu já ia me esquecendo que para completar estou grávida. Mas eu não estou reclamando. Eu ainda sou muito feliz com tudo isso.

– Eu sei que você não está reclamando, mas imagino o quanto essa situação é ruim... Estou aqui para te ajudar.

– Porque? Porque insiste nisso Maribel? Eu já disse que não somos amigas, esqueceu tudo o que eu fiz?

– Sim, eu esqueci. – Respondeu a moça.

– Pois então eu vou refrescar a sua memória. – Disse Rubi. – Eu só me aproximei de você por dinheiro. Nunca quis sua amizade na verdade... sempre te achei uma maldita que reclamava da vida apesar de ter tudo enquanto eu não tinha nada. A boa e santa Maribel de quem eu roubei o noivo, e de quem eu roubei o namorado depois. Porque você sabe que o Alessandro só te largou por mim não sabe?

– Eu sei que sim, e confesso que sentia um pouco de inveja de você Rubi...

– Não me diga. – Disse Rubi irônica.

– Você era a aluna mais brilhante da turma, teria se tornado uma das maiores publicitárias do país. Você era boa no que fazia.

– Eu sei, e pra que conquistar só o México, se eu consegui conquistar o mundo? Eu fui a melhor durante três anos consecutivos em Nova York. Não está me dizendo nenhuma novidade. – Respondeu indiferente.

– Você era a mais bela de todas, e ainda é. Todos os homens eram loucos por você... E eu nunca tive chance. Também, quem olharia para alguém como eu.

– Também não é assim né Maribel. O problema é que você nunca soube se valorizar, vivia se menosprezando por ser manca, e não era esperta o suficiente para saber quem eram os seus verdadeiros amigos. Tínhamos interesses diferentes, ambicionávamos coisas diferentes, tínhamos valores diferentes. Você era uma boa amiga eu tenho que admitir, mas, eu não queria uma amizade. Tudo o que eu queria, era ter dinheiro, ninguém nunca conseguiu me entender, mas o eu queria, era dar uma boa vida a minha família, eu queria ser respeitada. Queria ser admirada, e nunca ia conseguir tudo isso se não tivesse casado com o Heitor.

–Isso te trouxe felicidade?

– Não, eu nunca consegui ser realmente feliz. A minha vida mudou quando eu vi os meus filhos pela primeira vez, mas eu estava sempre com medo, mentindo, não tinha sossego. E agora, eu estou aqui, sozinha, contando os meus problemas pra você, sua maldita. Eu sei que te fiz muito mal, e que pedir desculpas não repararia os meus erros. É por isso que eu prefiro me manter afastada de você.

– Rubi, nós podemos começar aos poucos. Eu já não tenho mágoas, como eu posso odiar alguém que salvou a vida do meu filho por duas vezes?

– Ele é que fique esperto porque não pretendo o salvar pela terceira vez. – Brincou Rubi. – Olha, eu preciso de um tempo. A minha vida está muito tumultuada, e eu estou muito emotiva. – Prosseguiu ao começar a chorar. – Eu estou com saudade dos meus filhos, eu estou com saudades do Heitor e nem sei quando ele vai sair da cadeia, e estou grávida. Não sei como vou fazer para cuidar de três crianças.

– Eu tenho uma surpresa para você. – Disse Maribel. – Feche os olhos. – Continuou ao indica-la o caminho.

– Onde estamos indo? Pra onde vai me levar?

– Estamos no jardim. – Respondeu. – Agora já pode abrir os olhos.

– Heitor?! – Exclamou Rubi confusa ao olhar para o rapaz.

Notas finais
E aí, o que acharam?