Rubi - A descarada
21 Capítulo 21
Notas iniciais
México
Elisa Narrando
“Estava morta de saudade de meus netos, apesar de ter apenas duas semanas que eles foram embora. Rubi e Heitor também faziam falta. Era estranho sentir saudades daquela descarada, mas havia aprendido a gostar dela. Pensava em visita-los daqui a alguns meses, mas minha prioridade no momento era Maribel e sua gravidez. Ernesto a estava apoiando e era bom. Ela está frágil, precisa de amor. E ele... Bom, ele parece ama-la. Se a minha menina não tivesse casado com o Lúcio, se tivesse me escutado, as coisas seriam tão diferentes.”
– Dona Elisa, será que a senhora poderia ir me ajudar a escolher algumas coisas pra decoração do quarto do bebê?
– Já? Mas você ainda nem sabe qual é o sexo da criança.
– Eu quero um quarto mais neutro. Sem essa rotulação de rosa pra menina e azul para meninos. Branco serve para ambos além de ser uma cor que transmite calma.
– Mas você tem certeza?
– É claro. O Ernesto vai me ajudar em algumas outras coisas que eu preciso. Mas pra escolher a decoração da minha casa nova eu preciso muito da senhora. Você é como se fosse minha mãe e a Lorena minha melhor amiga está na Espanha...
– Tudo bem filha. É claro que eu te ajudo. Vamos comprar várias coisas para o bebê e para você também. E que história é essa de Ernesto? Vocês estão saindo?
– Somos só amigos. Ernesto é um bom homem que também precisa da minha amizade, passou a vida enganado pelo pai e agora que sabe de toda a verdade está se sentindo traído.
– Como assim ele foi enganado?
– Ernesto é filho do Belmiro. O ortopedista que cometeu algumas fraudes no Hospital Boa Ventura a alguns anos atrás e quis incriminar o Alessandro. Acontece que o Belmiro fez o Ernesto acreditar que o Alessandro sim era culpado, e Ernesto cresceu alimentando esse ódio. Até que descobriu toda a verdade e teve uma decepção enorme com o pai.
– Que horror. Como existe gente má nesse mundo. Eu acho que vocês deveriam se dar uma chance. Você ainda é jovem Maribel. Quem sabe essa é a grande chance da sua vida, de ser feliz ao lado de um bom homem.
– E se não for? E se ele me fizer sofrer como todos os outros fizeram?
– Você só vai descobrir se tentar. É melhor viver novas experiências do que se arrepender no futuro pensando que tudo poderia ter sido diferente se você tivesse tentando. Não viva o “e se”. Eu já passei por muitas coisas nessa vida minha menina. Se eu fosse lembrar da minha experiência com Genaro, poderia sentir medo de casar com seu pai. E agora estaria em minha casa, sozinha e amargurada. Aproveite minha querida. A vida passa rápido demais.
– Obrigada Dona Elisa. Vou pensar com muito carinho em tudo que você me disse.
– Eu sei que vai.
– E o Heitor? Deu notícias sobre Nova York?
– Está tudo bem. Estão amando.
– Fico feliz que tudo esteja bem.
– Eu também. Finalmente o Heitor está tendo a felicidade que sempre quis.
Três meses depois
Heitor narrando
“Estava ansioso para chegar em casa. Queria ver Rubi e compartilhar minha felicidade com ela. Queria abraça-la, beija-la... Queria fazer amor com ela. E quando Dora abriu a porta, mal pude me conter. Entrei correndo pela casa e a beijei de surpresa. A girei e ela me olhava sem entender o que estava acontecendo.”
– O que houve? Qual é o motivo de tanta felicidade?
– Meu projeto, o projeto que eu venho trabalhando nos últimos meses foi aprovado. É o projeto mais importante da minha carreira. E estou tão feliz, que minha vontade era chegar em casa e comemorar com você.
– Sério? – Indagou Rubi. – Ai meu amor estou tão feliz por você. Nem acredito. É claro que eles iriam te aceitar, você é o arquiteto Ferreira. O meu arquiteto Ferreira. E eu tenho tanto orgulho de ser sua esposa.
– Obrigada minha vida. Vai ter um grande coquetel de lançamento do projeto no fim de semana. Quero que você vá.
– É claro que eu vou. Jamais perderia essa oportunidade. É e falando nisso, nós precisamos conversar.
– O que foi? É algo sério?
– Não. É uma coisa que eu já tinha pensado desde quando estávamos em Cancun, mas como a gravidez era de risco acabei desistindo da ideia. Eu estava pensando em voltar a estudar publicidade. Faltava pouca coisa pra eu concluir o curso. E sei lá... Eu queria muito formar, e poder trabalhar. Me realizar, quero que meus filhos sintam orgulho de mim.
– Bom, você realmente me pegou de surpresa Rubi. Você sabe que eu iria preferir que você ficasse aqui em casa cuidando dos nossos filhos não é?
– Eu sei mas acontece que... – Rubi ia dizendo quando Heitor a interrompeu.
– Você terá meu apoio. Eu vou te ajudar em tudo o que for preciso. Se você acha que isso vai te fazer feliz, quem sou eu pra atrapalhar.
– Ai meu amor, eu sabia que você ia entender. Eu te amo e obrigada pelo apoio...
– Acho que mereço um beijo como recompensa.
– Só um beijo? Um beijo é pouco. – Respondeu Rubi de forma provocativa. – você merece meus beijos, minhas caricias... Que tal se fossemos para o quarto e eu te mostrasse tudo o que eu quero fazer com você? Tenho certeza que você não vai se arrepender.
– Não é uma má ideia. Aliás é uma ótima ideia. Só de pensar em seu corpo, e em suas caricias eu já fico excitado – Respondeu Heitor beijando o pescoço de Rubi. – você vai para o quarto mas vai no colo. – Sussurrou Heitor a pegando enquanto ela ria.
México
Hospital Boa Ventura.
– Alessandro, finalmente você chegou. Porque sumiu durante esses dias?
– Pedi uma folga a direção do hospital. Precisava colocar minha cabeça em ordem. Precisava tentar esquecer ela.
– Ao menos uma coisa sensata você fez.
– O que eu percebi é que não importa a onde eu vá. Não importa o que eu faça. Sempre vou amar a Rubi. Meu maior desejo era estar ao lado dela agora. Queria ser seu marido, pai dos seus filhos.
– Ai meu amigo, vai voltar nessa história de novo? Você deveria se casar de novo. Porque não procura a Maribel?
– Não Marcos. As pessoas não são brinquedos para que eu as use. Você não entendeu que nunca vou amar outra pessoa? Eu sei que não posso mais ter algo com ela. Mas o meu coração pertence a Rubi, e se não posso ficar com ela, não ficarei com mais ninguém. Vou aproveitar a vida, ter aventuras sem compromissos. A regra dos três encontros... Conhece?
– Alessandro, você está cada dia pior. Qual é? Está tirando uma com a minha cara não é?
– Não. O Alessandro que você conhecia não existe mais. Do que me adiantou ser um homem bom, honrado, integro, se no fim ela ficou com ele?
– Você é bem grandinho pra saber o que é certo ou o que é errado. Só espero que não se arrependa disso no futuro.
Três dias depois
Coquetel no Flariron Building
– Boa noite. – Disse o mestre de cerimônia a todos os presentes. – Gostaria de chamar ao palco o nosso querido prefeito Bill de Blasio. – Rubi e Heitor estavam presentes, ansiosos pelo discurso do prefeito. Rubi se sentia mais feliz ainda pelo status que ambos ganhariam após Heitor ser premiado.
– É um enorme prazer receber todos vocês essa noite. Estamos aqui reunidos para apresentar o vencedor do projeto arquitetônico denominado High Line. Quando muitas pessoas desejam morar no mesmo lugar a solução é reduzir espaços, e foi isso que a construtora Herald Towers propôs ao apresentar apartamentos de luxo projetados com 54m². A realização do projeto terá início na segunda quinzena do próximo semestre. Os critérios para a escolha dos trabalhos foram principalmente a preocupação com a questão ambiental, urbana e social. A inovação no uso de materiais e técnicas construtivas, atendendo as necessidades de nossa querida Nova York. Gostaria de chamar aqui o Arquiteto Heitor Ferreira, idealizador do projeto. – Todos bateram palmas. E Heitor que estava tímido e feliz ao mesmo tempo subiu no palco e pegou o microfone.
– É um prazer estar aqui com todos vocês. Eu gostaria de agradecer a Herald Towers, e ao meu amigo pessoal Rafael Montenegro que me deu a oportunidade de realizar o projeto. Mas tudo isso não seria possível sem o apoio de minha querida esposa, que é minha melhor amiga, minha inspiração. Esse prêmio eu dedico a você Rubi.
...
– Boa Noite. – Disse Blasio ao casal Ferreira. – Vim lhe cumprimentar rapaz pelo excelente projeto que fez.
– Obrigada Sr. Prefeito. É muita gentileza de sua parte vir aqui me parabenizar.
– Disponha. E essa bela moça? Quem é? – Resmungou o prefeito ao colocar os olhos em Rubi.
– Essa é minha esposa. Rubi.
– Muito prazer. – Respondeu Rubi com um sorriso de luxuria.
– Encantado bela dama. – Deu-lhe um beijo na mão e em seguida virou para Heitor. – Você tem um belo gosto arquiteto. É um homem de sorte. Qualquer um ficaria doido para ter uma esposa como essa.
– Eu sei que sim. Desculpa ser indelicado, mas eu gostaria de ir cumprimentar alguns conhecidos que não vejo a tempo. Vamos meu amor?
– Fique à vontade. – Respondeu o prefeito enquanto Heitor e Rubi saiam do lado dele.
– Heitor? O que houve? Porque saiu de perto do prefeito assim, você sabe que ele pode ser de grande ajuda pra nos dois não sabe?
– Acha que não percebi a forma como ele estava te olhando? Sabe que não suporto que te olhem desse jeito.
– Vai começar com seu ciúmes aqui também? Mal mudamos para Nova York e você acha que só porque ele me elogiou está interessado? Por favor Heitor... – Resmungava Rubi. – Pra completar aí vem o seu amigo com a insuportável esposa dele. Oh mulherzinha nojenta.
– Tente ser simpática Rubi.
– Você me pedindo para ser simpática? Não acha irônico?
– Olá Heitor. Flora e eu viemos lhe dar os parabéns pela sua conquista. – Disse Rafael Montenegro. – E como você está senhora Ferreira? Cada dia mais bela.
– Agradeço a atenção. Respondeu Heitor. – E como eu já lhe disse, não quero que nos trate com formalidade. Somos amigos!
– Eu estou bem Rafael. E você Flora? Está gostando da festa ou as pessoas aqui não estão a sua altura?
– A festa está ótima Rubi. Mas porque você não está em casa cuidando de seus filhos?
– Nossa ajudante ficou com eles. – interviu Heitor.
– Achei que uma mulher como você, gostasse de cuidar dos filhos.
– E eu gosto. Mas essa é uma ocasião especial onde o meu marido recebeu um troféu do prefeito.
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