Ruas Cegas

2 Trues in Dream


Notas iniciais
gente desculpe, eu sei que o capitulo anterior ta com um final muito estranho, e ainda com erros! Desculpem mesmo, eu tava sem tempo pra revisar, mas prometo que vou compensar com o segundo, oks? Sabe como é essa época de férias, e seus pais viajam praticamente te obrigam a ir junto, escrever no papel pra depois passar pro PC, me deixa ainda mais lerdo e zonzo, então desculpem mesmo! Ta ai o cap.2 espero que gostem. PS.: vai acabar com a dúvida de todos sobre tudo! Uff. (mão doendo, mas valeu a pena). Ah, acho que vale a pena dizer que essa fic eu dedico não só ao Ruki, mas sim a Kamijo também!

Takanori POV. ~

Era manhã de domingo, acordei ouvindo vozes vindas da sala (que bem por coincidência ficava ao lado do quarto que eu estava, é um detalhe importante, sem ele eu não teria me desesperado tanto ao acordar). Akira e Kouyou conversavam, agucei ainda mais a audição para saber o que eles falavam, após ter ouvido o nome de Yutaka, esperando certamente notícias dele.

-E então como ele esta? – consegui distinguir a voz de Akira.

-Já está um pouco melhor, ontem ele até riu. – respondeu a voz entediada de Kouyou.

-Hm, ele não sorria, pra ser mais exato, nem falava desde o acidente do Yutaka, só você mesmo pra conseguir isso dele, hein?

-É, eu sei. – disse Kouyou em tom modesto. – e o Yutaka, tem notícias dele?

-Bem, não muitas, me encontro de vez em quando com o Shiro, mas ele não dá muitas notícias. Ontem consegui falar com ele na saída do hospital, quando tentei ir visitar o Yutaka, eu não sei por que, mas por ora só ele pode ir vê-lo, então tive que ir embora decepcionado e o vi entrar todo estranho, com um sorriso esquisito no rosto... Bem, ele só disse que a segunda operação do Yutaka não foi...er... digamos, muito bem, entende?

-Isso quer dizer que ele vai mesmo ficar cego? – Suzuki não respondeu, mas seu silêncio obviamente me apontava o pior, por que é bem normal que eles estivessem festejando caso tudo tivesse dado bem, o silêncio é realmente cruel, e eu estava sentindo isso.

-Mas sabe, que apesar do Shiro ficar lá com ele uma grande parte do tempo, ele não esta assim muito feliz... – a expressão que Suzuki usara para dizer “não muito feliz” era algo que indicara “ele esta péssimo”, e de certa forma eu me senti aliviado ao ouvir. – consegui falar com ele pelo celular antes de tirarem dele... – sibilou Akira apenas para complementar.

-Hm, o Taka não esta muito diferente, isso pra não dizer que ele esta pior...

-Acho que imagino... mas não sou ninguém pra falar, torço simplesmente pra que tudo se acerte no final, sendo o que a verdade diz ou não. – Suzuki fizera uma pausa, encerrando o assunto, Kouyou, imagino que não deu muita importância.

Ouvi depois passos até a cozinha, e depois passos voltando à sala, um cintilar de copos batendo na pequena mesa da sala e copos se enchendo, sendo obviamente um dos wiskys de Kouyou que ele bebera em plena manhã, o que não me admira. Após o som de copos se esvaziando goela a baixo e copos voltando a bater na mesa, a voz de Akira retomou o local.

-E enquanto ao chibi, ele esta realmente se sentindo culpado, né?

-Claro que sim Akira. Hm, você não sabia que ele sempre gostou do Yutaka? – de certo modo me dera uma leve vontade de socar o Kou, embora eu tenha ignorado para continuar ouvindo a conversa e como ela se desenvolveria dali para frente.

-É, mas... se gostava mesmo deveria ter tomado um pouco mais de cuidado, não? – agora a leve (ok, talvez não tão leve) vontade de dar socar passara para Suzuki, antes de ouvir mais um cintilar de copo se enchendo esvaziando e tocando a mesa, aquele alcoólatra do Kou, ainda bebendo...

-Hm... – Kouyou parecia estar apenas analisando as palavras, para tirar de lá um ponto de vista, e assim continuou em silencio para que Akira continuasse.

-Por que, agora além do Yutaka estar acreditando na versão que transpareceu, ele está cada vez mais próximo do Shiro...

Ouvi o final daquela conversa como se as palavras do Akira houvessem me cortado, então desabei por completo, era aquilo o que eu precisava para me convencer de que eu já havia perdido por mim mesmo. Cai no travesseiro como se nada mais valesse a pena, como se eu não tivesse mais realmente nada para fazer, e para ser sincero, só não me matei por que estava trancado na casa de Kou. Acabaram as esperanças? Nas lágrimas readormeci.

Era um dia quente, estávamos gravando em uma fábrica enorme, Shiroyama e Yutaka conversavam atenciosamente, enquanto eu apenas os olhava de esguelha, isso me doía tanto... chorava por não tê-lo e rangendo por ele estar principalmente com Shiro o tempo inteiro e isso já havia uma semana.

Me distanciei e fui falar com Kouyou, ele era a única pessoa que me tratava “decentemente”, tudo bem que ele tem certo desdém no falar, mas sei que esse é simplesmente o jeito dele, e sempre em meio a suas palavras desdenhosas há palavras de carinho que me agradam muito (mesmo não saindo da boca de quem eu quero ouvir).

-Kouyou! Kouyou! Eles não param de falar há dias. – eu disse com a voz aflita e com tal cólera após ver a cena de Yutaka e Shiro conversando calorosamente.

-Aff, para de ficar dando uma de fresca. – respondeu Kouyou com a voz desdenhosa e entediada de sempre, enquanto afinava as cordas de sua guitarra.

-Ah, vai falar que você também não se afetou um pouco quando viu o Suzuki se agarrando com aquele cara ontem... eu vi a sua cara. – eu respondi em uma tentativa inútil de tirar o Kou.

-Não to nem ai... – respondeu com a voz entediada de sempre, como se falasse sozinho, eu nem estava lá.

-Hm? Sei...

-Não, não fiquei mesmo, eu não sou igual à você. – ele me olhou sério, fechei a cara em resposta, e ele começou a rir. – Adoro essa sua carinha de idiota Takanori. É por isso que eu não me importo com o Suzuki, tenho você como eu quero e quando eu quero. – ele olhou para mim com deboche e minha cólera aumentara instantaneamente.

-Por que você não vai se fuder Takashimaya?

-Brincadeira, pô, cê não sabe que eu te amo? – ele piscou fazendo uma carinha “fofa” o que apenas me deixou ainda mais irritado.

-Ok, dessa vez não é brincadeira... er... olha aquilo. – a voz dele mudou para séria e prestativa, eu olhei e quase me degradei.

Olhei na direção em que o dedo de Kou apontara, sempre fiquei muito irritado quando via Yutaka com Shiro, mas desta vez era um pouco mais doloroso. Shiro estava abraçando-o fortemente, com um sorriso convicto nos lábios, e olhando com um profundo olhar – de falsidade – para depois beijá-lo. Ver aquela cena era quase tão ruim quanto ver Yutaka cochichar uma coisa em um volume inaudível para Yuu após o beijo, então ele sorrio fraco e saiu, acho que a única cena que fora mais agradável fora a de ver Shiro se afastando, queria que aquilo fosse mais intenso.

Subi para a segunda arena do local e lá notei um aparelho de luz, o mais antigo na verdade, por que teria que fazer tudo parecer um acidente. Desequilibrei e desencapei os fios antes de mirá-los e prende-los por um fio fino que rapidamente se partiria. Pendurei-os em cima da cabeça de Yuu, não era nada muito prejudicial, era apenas um aparelho levemente se partindo em sua cabeça para descontar a cólera que ele me fizera passar e eu nada pude fazer, mas estava fazendo.

Desci as escadas para a primeira arena tranquilamente, apenas esperando ter que me admirar ao ver um objeto velho de luz que não suportara mais o peso do tempo se partir lamentosamente em cima da cabeça de quem eu odiava. Sorri. Olhei para cima e faltava segundos para o fio que segurava o aparelho se partir, depois olhei para Yuu bem abaixo e suspirei.

-Yutaka! Liga aqui os estabilizadores da guitarra pra mim? Preciso ir ao banheiro.

-Ok. – Ele se aproximava e agora trocava de lugar com Yuu, indo lá para “ligar os estabilizadores” e levar a pancada no lugar de Yuu. Me desesperei.

Yutaka andou lentamente a caminho de onde estava o maior, eu olhei para o aparelho e apenas um fiapo de linha sustentava seu peso, havia apenas alguns segundos para que ele caísse diretamente em sua direção, corri freneticamente para tirá-lo de lá, era tarde?

O aparelho não o atingiu , porém atingira os fios desplugados do estabilizador de Yuu, causando uma faiscagem que provocaria uma pequena explosão. Eu, correndo tão freneticamente para tentar tirar o pequeno da mira do aparelho que caíra ao seu lado, que nem percebi, nem pude parar, foi inevitável, eu havia o empurrado na direção da explosão materializada.

Dali eu não escutei, senti, nem pensei em mais nada. Vozes desesperados gritavam, mas eu estava em silêncio, o silêncio é, eu acho, muito pior. Te faz pensar no pior, no pior que você já fez, e a dor do arrependimento te corta. Me cortou.

-Takanori! Takanori! Acorda! Cê ta bem?! Acorda!

-Yutaka! Me perdoe! Yutaka!

-Takanori! – Kouyou me balançava cuidadosamente, e me despertou daquele sonho. – Takanori, você... você ta bem? – não respondia, eu apenas ofegava,até perceber que voltara a realidade, que não se encontrava muito distante do meu sonho.

-Eu, sonhei... mais uma vez... com aquele dia.

-Espera, eu vou pegar um copo de água pra você!

-Não, não precisa... aquela... aquela conversa que você teve com Akira, fez parte do meu pesadelo, ou foi apenas mais um trecho de realidade?

-Hm. – Kouyou não me deu resposta, me olhou com olhar melancólico e tentando ser “acolhedor” mas era impossível alguém me ajudar.

-Eu me meti num inferno... – uma lagrima escorreu pelo meu rosto frio, e quando percebi, já estava repleto delas.

-Sabe, Taka... acho... acho que o que você precisa mesmo... é simplesmente tentar contar a verdade pra ele. – ele falou com a voz direta, dando a mim uma decisão.

-Isso séria pior Kou... eu assim seria aquele que tentou matar quem ele ama... eu já me coloquei no lugar dele milhares de vezes, descobrindo a verdade, e só de pensar em saber que alguém tentaria acertar Yutaka mas felizmente me acertara já me dói de tanto ódio.

-Olha, eles já te odeiam sem você ter contado a verdade, a situação é a mesma que você disse só que do lado do Yuu, sabe, eu acho muito pior ser odiado por uma mentira do que por uma verdade e quanto mais você demorar a fazê-lo menor pode ser seu perdão, se é que você entende o que eu estou dizendo...

-Kou, eu não conseguiria... eu sei que esse talvez fosse o melhor a fazer mas... eu não conseguiria falar com ele... – me calei por poucos segundos, com os olhos fechados, deixando que algumas lágrimas escorressem – Eu amo ele de mais, e eu... nunca, nunca vou me perdoar pelo que fiz.

E então eu senti como as coisas podem ser estranhamente mudadas pelo destino. Querendo não causar muitos danos aquele por quem eu sentia uma grande raiva, acabei derramando aquilo que eu sentia por alguém que eu amava, e agora eu me afundava.

-Bom dia Uke-cham. – disse Akira ao entrar no quarto do hospital em que Yutaka estava.

-Suzuki? – respondeu o menor, aguçando os ouvidos para reconhecer a voz.

-Sim sou eu. – Falou Akira tranquilamente, fechando a porta.

-Como vai?

-Hm, sou eu quem pergunta isso, né?

-É, eu to bem. Apesar de não poder mais ver...

-Quando você vai receber alta? – perguntou o loiro, se sentando em um sofá ao lado da maca em que o menor se encontrava.

-Na próxima semana.

-Hm, e onde você vai ficar até lá?

-Na casa do Yuu, ele me convidou ontem a noite, apesar de eu não achar muito conveniente... eu aceitei.

-Bem que eu imaginei, ele foi o único que pode te visitar aqui... então vocês passaram bastante tempo juntos...

-Sim, ele só foi o único a passar tempo aqui comigo por que no período das operações os médicos só autorizam uma visita por pessoa pra não ficar muito tumulto na área, sabe? (mas agora que já fizeram tudo que foi possível...)

-Ah isso é bom, né? Nada melhor que o namorado pra ficar aqui com você...

-Namorado? Eu e o Yuu? Da onde você tirou isso?

-Hm, e não é? Bem, vocês estão assim juntinhos desde antes do acidente...

-Não não, é o Yuu que fica sempre comigo, nos somos só amigos mesmo... – respondeu Yutaka com a voz entediada.

-Entendo...– Akira deu um sorriso amistoso, mas que, porém não pode ser visto por quem recebia.

-Obrigado mesmo, viu Akira... – o menor sorrio brandamente, e se não fosse pela bandagem em seu rosto poderia se dizer que e seus olhos brilhavam.

-Han? Disponha Ukezinho... – respondeu Akira com a voz baixa e um pouco envergonhado.

-Sabe... só por você ter vindo... Todos já vieram me visitar menos o Taka... – disse Yutaka com a voz baixa, pensando sozinho, mas Suzuki o ouvira.

-Ele esta se sentindo muito mal... Ele esta se matando por dentro... e sem zoar – hesitou uns segundos, se aproximando um pouco mais do menor – Kou teve que levá-lo para casa dele para que ele não cometesse nenhuma grande bobagem irreparável.

-Eu... eu realmente não sabia disso! Pelo amor Suzuki, diz pra ele não fazer nada disso! – respondeu Yutaka com a voz falhada de espanto.

-Hm, isso quer dizer que você o perdoou?

-Eu não acho que tenha sido proposital... mas ele não veio falar comigo até agora, isso me faz obviamente pensar o pior... se ele não fosse culpado não teria que se esconder, entende?

Suzuki ficara confuso, não respondeu. Seu celular tocou e ele teve que ir, se despediu e foi.

-Kouyou... pensei no que você disse... e acho que você tem razão...

-Só agora percebeu isso? – respondeu Kouyou com a voz entediada e desdenhosa de sempre, que fazia parecer que estava falando com uma criança irritante, enquanto cortava cenouras para o almoço, Takanori ignorou o modo como foi tratado, já estava acostumado.

-Sabe, escrevi uma carta para o Yutaka... contando toda a verdade... como você disse...

-Que pena... – Kouyou respondeu com a voz dramática – Se o Yutaka te perdoar eu não vou mais precisar prender você aqui em casa... e eu não vou ter mais o meu brinquedinho... – Kouyou notou a expressão indignada de Takanori; riu baixo e largou as cenouras para pegar um copo de wisky em cima do balcão da cozinha.

-Eu gostaria que você fosse entregá-la para mim...

Notas finais
Bem ai está. Gostaria de dizer que tá sendo muito gratificante escrever essa fic! (tirando o mau humor do Ruki por eu entrar menos no msn... mas em fim... cof) Até o próximo capitulo ;)