Royalty
8 Que o jogo comece.
Notas iniciais
Voltei ao salão sentindo as pernas bambas e tentei a todo custo não olhar para o rosto de ninguém enquanto seguia para o meu lugar e jogava um pouco de cabelo em frente ao rosto controlando quantos segundos eu conseguia ficar inspirando fundo até ter que soltar o ar lentamente. Não ajudou nada ver que todos os homens da mesa, incluindo meu pai haviam se levantado segundos antes de eu sentar e me observavam tentar manter a discrição.
Era comum na etiqueta real que os homens se levantassem e esperam as mulheres se acomodarem para só depois, seguir o seu exemplo. A única pessoa que estava isenta disso era o rei, mas meu pai gostava de demonstrar respeito para as mulheres da vida dele. E por mais que eu gostasse da preocupação dele, eu achava que era apenas uma forma de ele suavizar o uso de modos tão arcaicos para tratar as mulheres como objetos frágeis de porcelana.
Mas o que contava era a intenção, certo? Certo.
Mantive as mãos cruzadas em cima do meu colo sem conseguir tocar em qualquer prato que me era indicado para provar, levantando a cabeça apenas o suficiente para notar que minha mãe mantinha um doce sorriso no rosto enquanto me cuidava. Ela aumentou o sorriso quando percebeu que eu a olhava de volta e acenou quase imperceptivelmente com a cabeça pra baixo. Um aceno.
Um aceno para que exatamente?
Levantei a cabeça quanto ouvi meu pai comentar com Richard sobre um acordo de importação de petróleo que seria feito com a Grécia e não pude deixar de sorrir quando percebi que Richard começava lentamente a assumir o controle de seu país, começando a fazer propostas de administração. Nada seria melhor para ele mostrar a dedicação à coroa do que conseguindo um aliado em importação para mostrar a seu pai.
Isso me levava a pensar que se eu me casasse com Richard, eu não estaria só me ajudando podendo assumir o trono como também estaria ajudando ele, fazendo com que a nossa aliança fosse mais do que algo meramente decorativo como era agora. Isso traria benefícios para ambos.
Pensar nisso deveria ter me deixado mais tranquila quanto a aceitar a proposta, mas eu não conseguia deixar de me perguntar se eu sacrificaria toda a minha felicidade para ajudar um amigo que precisaria disso no futuro. Eu deveria ter dito sim sem pestanejar certo? Era isso que uma boa rainha faria. É isso que minha mãe faz quando deixar de pensar na sua própria felicidade e comodidade para pensar nos seus súditos.
Então porque eu não havia aceitado?
Porque eu pensava mais em mim do que nos outros se eu quisesse ser sincera.
Eu deveria parar de pensar tanto em mim e pensar mais em como eu poderia afetar positivamente a vida das pessoas se eu subisse ao trono.
Quando eu subisse ao trono.
Isso era só uma questão de tempo. Eu pegaria aquela coroa.
Sorri quando Richard virou seu rosto pra mim e comentou baixinho:
— Podemos pegar a sobremesa na cozinha depois.
Eu ri por ele ter lembrado o que costumávamos fazer toda vez que ele vinha no castelo e minha mãe insistia em um jantar. Achávamos tudo pomposo demais e preferíamos coisas mais simples, então sempre depois que jantávamos nós dávamos um jeito de escapar para a cozinha e pedir para Martha preparar um sundae gigante da forma como gostávamos, com sorvete de morango, menta e chocolate, com cobertura de caramelo e chocolate derretido.
Ficávamos felizes em dividir o pote com ela, por mais que meu professor de etiqueta tenha achado inadequado quando eu contara pra ele. Não ligávamos para esse tipo de coisa.
Concordei com a cabeça e mordi meu lábio por dentro.
— Claro, como nos velhos tempos.
Ele abriu um sorriso caloroso para mim.
— Vamos fazer esses tempos voltarem.
Segurei sua mão e apertei seus dedos sentindo-o apertar de volta. Nada nunca poderia expressar a minha felicidade por ter Richard ao meu lado com tudo que está acontecendo atualmente. Tudo se tornava mais fácil quando uma pessoa estava aberta a apenas te ouvir sem julgamentos ou inquisições. Eu não o procurava para que ele me desse as respostas de minha dúvidas, eu o procurava, pois ele fazia eu perceber a resposta como se ela estivesse na minha frente.
Com esse pensamento em mente, eu sentia algo se movendo em minha perna e minha mão em meu colo se fechou com a surpresa.
Justin roçava lentamente sua perna ao longo da minha e o ambiente havia voltado a esquentar como se estivéssemos expostos ao sol do meio-dia. Apertei mais a mão de Richard conforme Justin subia o toque em minha perna, tomando cuidado com a barra do vestido.
Ele estava brincando comigo, tentando me desconcertar, e pela forma com que eu apertava a mão de Richard por cima da mesa ao ponto de ele virar os olhos para mim e ver se estava tudo bem, ele estava conseguindo.
Murmurei um tudo bem e continuei segurando a mão de Rick, dessa vez controlando a minha força.
Ele quer jogar? Vamos jogar.
Fingi estar ouvindo a conversa de meu pai com o pai de Justin e sorrateiramente tirei um de meus saltos, movendo minhas pernas em direção as suas. Toquei sua panturrilha e consegui ver com o canto do olho sua postura ficando rígida e o sorriso lentamente deixando o seu rosto.
Subi o pé em direção a sua coxa e fiz um esforço extra para me esticar sem me mover por cima da mesa, quase encostando a ponta dos dedos no seu quadril.
Virei a cabeça para Richard e falei alto:
— Acho que já poderíamos sair, certo?
Movi meu pé para a parte interna da coxa dele e me senti estranhamente nervosa quando sua mão fechou em torno do meu tornozelo logo quando eu estava começando a me divertir.
Olhei para Justin e ele me olhou, passando a mão para a minha panturrilha.
— Podemos ir se você quiser. — Richard disse pronto para se levantar
Justin puxou minha perna em sua direção, me puxando para mais perto da mesa.
— Ahn... — minha mente entrou em parafuso quando Justin começou a fazer desenhos aleatórios em minha perna, cada vez subindo mais as mãos
Da mesma forma inusitada com que ele havia começado, ele também parou, soltando minha perna, o que fez com que eu voltasse a realidade.
Botei rapidamente meu sapato e fiz menção de levantar.
Logo, todos os homens da mesa estavam em pé, incluindo Justin.
— Nós vamos nos retirar se vocês não se importam. — Richard disse ao meu pai, que apenas fez um gesto na mão de 'vão'
Richard me ajudou com a cadeira e eu com muito esforço reprimi a risada ao olhar para Justin.
O jogo havia começado, mas eu iria ganhar. E pegaria aquela coroa, nem que fosse a última coisa que eu fizesse.
Até poderia dizer que o jogo estava empatado, mas olhando bem para o Justin ao sair da mesa acompanhada, e vendo o quanto ele havia ficado excitado com a nossa brincadeira, eu vi quem estava realmente ganhando.
Eu estava.
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