Royals

27 Capítulo 27


Notas iniciais
Hahaha, obrigada por terem me deixado viver mais um pouco. Só espero não receber uma bomba depois desse.... AHH, antes que eu me esqueça.... Tudo vai ser explicado :D

Nenhuma forma de castigo que Gordon pudesse inventar poderia ser pior.

Já havia um mês em que eu havia sido jogada naquela sala escura e mofada, sem comida, roupas ou qualquer coisa para me proteger do frio. Mas a pior parte não era essa, e também não era as correntes que massacravam meus pulsos.

A pior parte era ficar sozinha, sem nada para me entreter das porcarias das lembranças de minha última noite fora daquela prisão. Eu não tinha mais lágrimas para chorar por Olívia ou pelo ódio que Thomas tinha de mim, mas a culpa me fazia querer chorar o que eu já não era mais capaz, e então meu peito inchava, assim como minha garganta ardia.

A sala na qual eu estava era feita para anular meus poderes de modo que eu não conseguia nem saber o que estava acontecendo lá fora, quantos amigos eu tinha perdido e como estavam Arthur, Kate, meu pai e Luce. Eles também me culpavam? É claro que sim, a ideia foi minha afinal e Gordon tirou a vida de Olívia por conta disso. Eles deviam me odiar, e com razão. Talvez aquela sala fosse o lugar certo para gente como eu.

Eu ri com certa ironia. Era incrível como, mesmo depois de todo aquele tempo, eu havia me tornado um grande nada. Foi me dado grande poder, e eu não tinha a capacidade de utilizá-lo; eu possuía milhares de pessoas que dariam a vida por mim e ao invés de agradecer, retribuía levando a vida de outra sem necessidade. Eu não era nem mesmo esperta.

–O quê? Quer experimentar? –Ele provocou e eu me encolhi.

–Não desejo morrer jovem, mas obrigada. –Retruquei, porém alguma coisa me incomodava.

–Eu não iria te matar, por mais que eu quisesse. –Por que a proposta me atraía?

–Eu não confio em você. Você faria doer, de qualquer jeito. –Neguei, entretanto uma parte bem funda de meu ser estava irritantemente curiosa.

–Quem disse? Eu estou de bom humor hoje, Amy.

Ri mais um pouco da minha desgraça. Ele deveria ter me matado lá no início, teria se poupado de muita coisa.

–Onde está Lupa?

–Ela veio me buscar e então ficou com Sarah, você não tem que se preocupar. –Ele falou e afastou meu cabelo para ver a mordida que sangrava até demais. Pegou um pano úmido e algodões e limpou aquilo para mim, com uma expressão que era capaz de assustar o cara que se considera o mais corajoso. –Você tem mais algum corte debaixo.... Você sabe.... –Ele não conseguiu terminar e eu neguei com a cabeça. –Bom. A mordia no pescoço vai sair em algum tempo, o corte do lábio vai sair rápido... Ele podia ter poupado seu rosto. –Murmurou.

–Quem sabe assim melhora. –Foi uma piada sem graça, mas para mim não era uma piada, afinal.

–Ou ele podia ter poupado seu cérebro. –Ele devolveu, irritado. Não entendi muito bem. –Eu espero que não me arrependa depois, mas você é uma garota muito bonita, Amy. E é a mais estúpida também por não perceber e ficar fazendo drama.

Pelo menos as chances de ele chegar a me encontrar de novo eram muito baixas. Uma vez que fui jogada naquela sala, não recebia nada, nem mesmo visitas. Eu não sabia porque não havia morrido de fome, sede ou infecção, e aquilo era ainda pior para mim, mas eu estava fraca, devia ter perdido muito peso e alucinações e pesadelos eram comuns. Já tinha conseguido até ver a imagem de minha tia Margareth falando nada com nada bem à minha frente.

Eu não estava morrendo, estava sendo encaminhada para um estado de loucura quase vegetativa da coisa.

Lembranças de Alex e Sarah também eram frequentes. Eles haviam me traído, sim, mas desde quando? Seria possível que eles soubessem desde o começo? Tivessem mentido e fingido desde o começo e eu sequer havia notado? Essa segunda hipótese só servia para me fazer sentir mais impotente e burra ao mesmo tempo.

–Você nunca deixou de ser uma criança. Inconsequente, tola.... –Minha consciência era outra que não estava contente comigo. Aliás, eu queria desistir dessa vida havia tempo, mas eu simplesmente também não era capaz.

Naquele dia eu completava trinta e três dias de aprisionamento e anos de agonia concentrados. Eu não sabia o que estava acontecendo lá fora, mas o sentimento era ruim porque eu podia sentir dores que não eram minhas.

Respirei fundo algumas vezes, recebendo as lágrimas que haviam me dado um tempo até aquele momento e encostei minha cabeça contra a parede úmida e fria. Sentia que estava quase para perder os movimentos, a força e talvez a consciência. Se eu fosse vegetar pelos próximos anos, poderia voltar a ter consciência se algum milagre acontecesse ou eu simplesmente poderia ser considerada morta, por mais que respirasse?

Mas vegetar para sempre parecia ser melhor.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

–Saudações, cidadãos do Sul. É com algum prazer que hoje vocês irão ter motivos para ceder à mim de uma vez por todas. –Fui capaz de ouvir a voz de Gordon, mas o barulho de pessoas gritando ao redor fazia minha cabeça girar. Não tinha forças para abrir os olhos para saber onde estava, tinha que usar tudo o que sobrara de minha energia para fazer minha mente funcionar. –Eu sei que está sendo um tempo difícil, carregado de dor e sofrimento para todos, acreditem, eu realmente estou ciente disso. Porém creio que está na hora de vocês desistirem.

Gritos furiosos fizeram meu estômago revirar.

–Vocês não virão de boa vontade, eu entendo, não os culpo por isso. Porém vocês poderão culpar-se em breve. –Fez uma pausa, finalmente recebendo silêncio. –Eu nunca desejei ser tão drástico nas minhas atitudes, de verdade. Porém minha família querida que me acolheu como um igual não permitiu. Seria muito para alguém que cresceu entre a família real mais bonita atingir a maioridade sem nada? Sem um mísero título ou posse? Eu não achei que fosse justo, ainda mais quando um filho simplesmente acaba resultando em dois filhos que, mesmo com toda a ignorância e inexperiência, são automaticamente colocados em minha frente?

“-Eu nunca quis machucar ninguém, como podem ver, porém as circunstâncias são diferentes agora. Para contribuir para a minha felicidade, vocês, cidadãos, revolvem me abominar após ter sido traído por aqueles que aceitei como família. Minha noiva, meu genro, meu irmão, meu pai e, é claro, minha querida irmã, Amy.”

Eu soube que ninguém era capaz de me ver, então imaginei estar sendo escondida em algum lugar.

–Que tipo de bruxa, eu pergunto à vocês, passa um mês sem necessidades básicas de vida e sobrevive? Que tipo de bruxa, outra vez, fica um mês definhando e sai com uma beleza que não possa nem ser comparada à qualquer cidadão nesse reino presente? Tão poderosa.... –Ouvi alguns murmúrios soando ao fundo. –Tudo bem, vocês não se importam, tudo bem. Eu também não me importo. Acontece que eu também não me importava.... Até que fui forçado a me importar, porque ninguém aqui conseguiu demonstrar qualquer nível de inteligência.

“-Vocês queriam sua princesa maldita de volta? –Ele gritou, soando colérico. –Então que a tenham! Ou o que sobrar dela.”

Eu não entendi o que estava havendo até ouvir gritos de horror, não conseguia enxergar nada e ao menos sabia o porquê. Só entendi quando senti um choque horrível e gelado percorreu meu corpo e me tirou o fôlego. As coisas não puderam ficar mais escuras, porém eu cheguei a sentir o impacto do chão contra a lateral de meu corpo, e então meu coração pareceu parar.

Depois disso eu flutuei.

Notas finais
Muito curto, eu sei, mas os outros já estão prontos, posto assim que terminar de receber os comentários. Guys, não sei se já deu para perceber, mas a fanfic está indo para o final. Não sei mais quantos capítulos vão ser postados, mas eu diria que no máximo 6... vou avisando nos próximos. Beijos e boa semana (amanhã é segunda, sad but true :/ )