Royals
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Outra vez eu estava usando branco, tão claro que se confundia facilmente com um azul gélido. Havia uma capa vermelha-sangue mais longa do que o normal contrastando com o cenário todo branco, porém eu não sentia frio, nem mesmo precisaria daquela capa.
As coisas eram tão brancas, nunca mudavam. As visões eram tão lentas, pareciam durar minutos para completar uma volta completa do ambiente.... Mas eu havia me esquecido do que havia atrás de mim, estranho.
Meus cabelos, mais longos do que eu me lembrava, caíam até minha cintura num tom de branco, quase da cor da nove fofa que cobria o chão. O tempo estava passando? Não sabia.... Não tinha sol, não tinha lua, nuvens ou estrelas. O céu estava pintado de branco.
Parei de girar quando me deparei com um labirinto, mas eu quase não podia enxergá-lo, ele era transparente.... Mas tampouco eu poderia enxergar o que estava por trás dele, tudo permanecia pintado no mesmo tom de branco.
Eu morri? Bom, talvez eu estivesse em algum campo para espíritos estúpidos, mas eu era a única ali. Estava considerando sentar-me e dormir, porém um lobo cinzento apareceu bem em minha frente, seus olhos brilhando brancos como a neve e uma expressão tranquila.
–Eu estou numa espécie de purgatório de lobos? –Perguntei para o animal, mas esse pareceu não querer me entender ou até mesmo não ter sequer ouvido a pergunta. Conferi meus braços, pernas e mãos. Estavam ainda mais pálidas que o normal, porém permaneciam num formato humano da coisa, eu definitivamente não era um lobo.
Voltei-me para encarar o bicho, porém ele já estava à alguns metros de mim. Senti que precisava correr para alcança-lo e assim o fiz, seguindo para dentro do labirinto. Eu não me lembrava de correr tão devagar, mesmo na neve, mas achei que talvez a morte pudesse mudar as pessoas.
Felizmente consegui acompanhar o lobo, que parecia estar diminuindo sua velocidade para me acompanhar. Virei paredes e entradas incontáveis naquele labirinto no qual eu mal conseguia definir o que era uma passagem e o que era um muro de ar. Não senti a dor das batidas nas paredes, eu era apenas impedida de atravessá-las.
Segui o lobo pelo que pareceu serem horas, até que chegamos à um lago bem pequeno, quase que uma poça de água, e que ficava bem no centro daquele labirinto.
Passei horas analisando a água, vendo suas correntes e ondas pequenas circularem. Aproximei-me da margem e a água, antes translúcida, transformou-se em uma imagem. Eu via a mim mesma, dormindo numa cama grande, toda branca, com meus cabelos de volta à cor e ao tamanho original. Havia um lençol aparentemente fino sobre meu corpo e ao meu lado havia uma mulher, de cerca de vinte e quatro anos, cabelos louros bonitos, pele clara e olhos quase transparentes. Ela sorriu para mim com carinho, mas eu estava inconsciente na cama, então não tinha muito sentido uma vez que eu não poderia compreender.
Assisti enquanto ela se levantava e para ajeitar alguns fios de cabelo que caíam sobre meus olhos e só então reparei que ela tinha umas coisas longas e sedosas brancas pendendo de suas costas, caindo acompanhando o vestido que usava. Eu estava louca ou aquilo era um par de asas?
Ela sorriu para mim mais uma vez e eu achei que ela era doida. Claro, depois de algum tempo eu consegui lembrar que seu rosto era familiar, embora a situação era estranha porque minha mãe não tinha asas.
Jane disse alguma coisa para o meu eu inconsciente bem na hora em que o lobo uivou atrás de mim, me dando um empurrão surpreendentemente forte com o focinho, me jogando para dentro do único lago onde a água não molhava.
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Eu fiz algo que pensei que não chegaria a fazer outra vez. Abri os olhos.
A primeira coisa que foi o teto impecavelmente branco, sem qualquer sujeira ou falhas de tinta. Também havia um lustre de cristais transparentes bem no meio do lugar, que parecia estar iluminando o quarto no lugar da janela. Porém também havia uma janela, até grande demais para um quarto normal ou comparado ao que eu estava acostumada. Ela ocupava um grande espaço de uma parede, era quadrada e não tinha vidro ou cortina, estava totalmente aberta de forma que um ar fresco e límpido conseguia circular livremente.
Respirei fundo, sentindo a tensão deixar meu corpo de uma só vez.
Virei a cabeça para o outro lado e encontrei ninguém menos que minha mãe, exatamente como eu havia visto no sonho, porém ela acariciava a cabeça de um lobo cinzento com orgulho. Sorriu ternamente para mim quando me viu de olhos abertos.
–Perdoe-me por ter interrompido seu sonho, minha querida, porém você precisava acordar. –Falou, sem desfazer o sorriso.
Demorei bastante para compreender que eu só havia acordado quando aquele lobo, o mesmo que agora parava ao lado de minha mãe, me jogou dentro do lago. O lobo também tinha os olhos idênticos aos de minha mãe, portanto ele devia pertencê-la sem muita dúvida.
–Eu morri? –Perguntei, fazendo minha garganta doer seca.
–Sim, querida. –Assentiu, mantendo o tom suave e o sorriso. –Mas apenas parte de você. –Ela não me deixou entrar em pânico. –Você está mais viva do que nunca, Amy, apenas sem parte do que era antes.
Não entendi, ou não queria entender, mas mesmo assim aquilo era confuso demais para ser engolido tão fácil.
–Você não é uma bruxa mais. –Ela falou com cuidado. –Eles mataram essa parte de você.
–Por que você tem asas? –Perguntei, lembrando-me dos sonhos.
–Você também as têm. –Contou, dando de ombros.
–Não, eu não as tenho. –Eu nunca tive asas.
–Olhe para si mesma, querida.
Eu segui o que ela disse e consegui me sentar com bastante dificuldade, uma vez que minha energia parecia estar zerada. A primeira coisa que eu fiz foi tentar enxergar minhas costas, mas só fui constatar algo realmente diferente quando meu lençol de moveu, do nada, roçando minha pele como se fosse mais suave e macio que seda.
Perdi a respiração quando vi que eu não estava coberta por um lençol, e sim por coisas extremamente leves e brancas que pendiam do meio de minhas costas.
–Não se assuste, Amy, está tudo bem. –Jane se apressou em dizer quando percebeu que eu não estava respirando. –Você pode guardá-las quando quiser. –Complementou.
–Você é uma fada. –Falei sem ao menos pensar antes, mas aquilo pareceu fazer sentido.... Pelo menos para ela.
–Nós somos fadas, sim. –Ela corrigiu. –Mas você sempre foi. –Sorriu parecendo feliz, mas então ficou séria de repente. –Nós temos muito o que conversar, sim? –Ela sentou-se mais perto e então silenciou-se no momento em que a porta foi aberta, como se já esperasse por isso.
Levei o maior susto de minha vida quando vi a figura de meu irmão vindo em minha direção, com um sorriso trêmulo nos lábios. Arthur não hesitou e se jogou em mim com um abraço meio estrangulador, que me fez cair sobre os travesseiros.
–Achei que nunca mais fosse acordar, mana. –Sua voz também estava trêmula e ele escondeu seu rosto em meus cabelos. Bem, enquanto ele me abraçava, eu não lutava para conter as lágrimas. Quando poderia imaginar que o veria outra vez?
–Arthur? Vocês podem matar as saudades mais tarde, mas precisamos conversar agora.
Meu irmão se afastou relutante, mas apenas jogou-se ao meu outro lado da cama, segurando uma de minhas mãos com força.
–Pronto, mãe. –Ele falou, mas beijou meu rosto em seguida. Eu não consegui evitar um sorriso.
–Bom. –Falou, mas sorriu contente. -Seu irmão bastardo, Gordon, realmente conseguiu matar a parte de você que vinha dos bruxos. Bruxos não são imortais, não sobrevivem à feitiços dessa magnitude. –Começou. –Mas como pode ver, minha filha, você não está morta. Seu corpo apenas deixou o sangue bruxo que tinha e se inteirou de minha espécie. –Ela fez uma pausa. –Você não é vulnerável agora, e tampouco é mortal. A saída da parte mortal liberou seu corpo para a única magia pura, o que, como vocês devem entender agora, faz de você infinitamente mais capaz, mais poderosa.
–Eu me sinto fraca. –Resmunguei.
–Oh, bem, você está fraca. Esteve desacordada por onze meses, doze dias, quinze horas e vinte e quatro minutos exatamente. Isso é muita coisa. –Eu dormi mesmo tudo aquilo? Arregalei os olhos. –Mesmo com esse tempo seu corpo ainda não se acostumou com a mudança, e levará ainda mais tempo para o fazer uma vez que precisei te trazer para cá. Sabe, as fadas, quando nessa situação, encontram o caminho sozinhas para despertarem. –E então sua expressão se alterou por uma dolorosamente triste. –Eu senti como se não quisesse mais voltar, minha filha.
Eu senti meu rosto esquentar de vergonha.
–Não é como se ela não tivesse motivos, mãe. –Arthur murmurou, porém também parecia triste.
–Mais tarde, Arthur. Discutiremos isso mais tarde. –Ela suspirou, tentando recuperar o ânimo. –Agora você deve permanecer descansando. Há pessoas que virão visitá-la e ajudá-la. Não sou uma fada tão experiente assim, posso ajudá-la com poucas coisas. Vou deixar com que vocês dois conversem um pouco e irei acertar alguns papéis. Os dois voltarão para casa daqui a pouco, não podemos enrolar mais.
E ela saiu do quarto dando-me um beijo na testa.
–Onde estamos? –Perguntei à Arthur, ajeitando minha cabeça em seu ombro.
–Não sei a localização, porém todas as fadas moram aqui.
–Mas como chegou aqui?
Ele mordeu os lábios.
–Eu estava lá quando Gordon.... Você sabe. Mas acontece que quando seu corpo caiu e as pessoas começaram a gritar, eu soube que devia fazer algo. Alcancei seu corpo milésimos antes dele desaparecer e acabei aqui. Estavam esperando por nós e a vovó veio conversar comigo enquanto cuidavam de você. Como ninguém estava esperando que acontecesse isso com você, eles me incentivaram a fazer a mesma coisa, tirar a parte de bruxo que é limítrofe para seres como nós. –Fez uma pausa breve. –Fizeram um ritual e eu me vi livre dois dias depois. Nossos amigos conseguiram manter as pontar até lá e consegui acabar com a guerra em menos de um mês.
–Você matou Gordon? –Perguntei, não sabendo se ficava aliviada ou triste por não ter sido eu.
–Não fui eu, porém ele está morto sim. –Falou. –Bem, eu ganhei um passe para cá e estive vindo todos os dias para ver se você acordava.... Foi meio desesperador e frustrante. Mas o reino está em paz agora, as aldeias foram arrumadas, o palácio foi restaurado rapidamente e ninguém foi assassinado em meses. Eles criaram um novo programa para híbridos, um exame pelo qual todos os cidadãos devem passar assim que nascem. Pessoas sem o documento não serão cidadãos e serão proibidas de realizarem qualquer coisa. Não sei se vai ser suficiente, porém por agora parece ser bastante.
–Bom, soa-me como milhares de boas notícias. –Falei, tentando sorrir. Não sabia porque ele estava tão abatido.
–É, bem, a guerra acabou.
–O que há de errado então? –Perguntei, começando a temer.
–Você. As pessoas estão miseráveis e não conseguem fornecer mais um único sorriso. Papai está devastado, sem condições de sair do quarto; Criaram templos para você na maioria das aldeias e você virou alguma espécie de deusa, ou coisa do tipo. Tanto Kate quanto Luce estão definhando, ela às vezes passa dias sem comer e Luce não dorme à noite sem algum feitiço.
Tudo isso por mim?
–Mas eu não servi para nada! –Contestei. –Tudo o que fiz foi merda o tempo inteiro!
–Não fale assim! –Ele me repreendeu, soando bravo. –As pessoas te amaram desde que nasceu, tinham-na como uma espécie de esperança eterna, queriam-na como uma grande pessoa de poder algum dia. Eu não sei como isso começou, mas as pessoas te adoravam, mana. Você era como a joia mais valiosa que nosso reino possuía e foi destruída tão fácil.
Eu nunca vira Arthur chorar, mesmo não tendo convivido muito com ele. Mas eu não sabia o que dizer.
–Não foi justo. Não foi justo comigo, com papai ou com mais ninguém.
–Arthur, você sabia que eu estava viva. –Falei sem entender muito bem, mas o abracei, ignorando a pressão que ele fazia contra minhas costelas.
–Viva como? Você não voltava, você não queria voltar. –Grunhiu. Ele havia conseguido me fazer chorar também. –E eu não podia contar à ninguém também, embora algumas pessoas podem descobrir nosso segredo quando voltarmos.
Eu estremeci.
–Você não quer voltar? –Ele aumentou o tom, soando desesperado.
–Não é por você, Arthur, eu te amo. –Apressei-me em dizer, mas ele balançou a cabeça.
–Eu não vou deixar ninguém machucá-la de novo, mana. Isso eu posso prometer. –Falou, apertando-me ainda mais contra seu corpo.
Nos afastamos minutos depois, e dei um jeito de secar minhas lágrimas e ele limpou seu rosto com a ponta de minha asa. Era estranho como aquelas coisas pareciam ser tão frágeis, embora tão longas e resistentes, uma vez que eu mal sentia quando a tocavam.
–Mamãe foi falar com papai meses atrás. Ele conseguiu entender a situação inteira, soube que você não estava morta, mas também sabia que não estava voltando à consciência. Você conseguiu deixar a todos desesperados, mana.
Fiz uma careta, mas acabamos sorrindo no final.
Não demorou muito e a porta se abriu, dando entrada para uma avó sorridente e calma.
–É bom finalmente poder vê-la pessoalmente, Amy. Como se sente? –Perguntou, segurando minhas mãos.
–Não sei se tenho uma palavra certa, vó. É muito confuso.
–Eu sei, acredite. –Ela sorri divertida.
–O que tinha em seu diário, vó?
Ela deu de ombros.
–Nada importante agora. Mas esperava que pudesse fazê-la descobrir o que era quando precisasse. Não é minha culpa se nos pegou de surpresa.
Eu acabei sorrindo e ela também, sentando-se na beirada da cama.
–Eu acho que é minha vez de ajudar. Vou ser breve. –Avisou. –Sua mãe era de uma família híbrida muito antiga e então habitava o mundo junto com os feiticeiros. Não foi sem querer que ela conheceu seu pai e acabou por engravidar. Embora meu filho e Jane realmente se amassem, Jane precisava de crianças híbridas que pudessem acabar tendo relações futuras com a espécie inimiga, já devem ter ouvido falar sobre os duendes. Não houve uma maldição como as pessoas dizem, mas a verdade é que Jane precisou complementar algo à criança que carregava, então precisou ceder parte de si. Uma vez que o que ela trazia no ventre eram dois seres, a parte de bruxa que ela carregava não seria suficiente.
“-Sim, eu fui a pessoa a dar minha vida para o desenvolvimento híbrido da outra criança. Eu apenas não morri por conta do presente de gratidão que o conselho superior resolveu me conceder em troca do favor. E aqui estão vocês dois e aqui estou eu. E em algum lugar estão os duendes que estão esperando alguma união fixa que possa nos fazer parar de brigar de uma vez, e que então possamos voltar para o mundo comum e conviver”.
Pisquei os olhos algumas vezes.
–Confuso, vó. –Murmurei.
–Você entendeu, sei que sim. –Ela falou, revirando os olhos. Soube que ela tinha um gênio um tanto forte.
–Eu entendi que somos objetos de paz e que me arranjaram para um duende. –Parei por aí.
–Sim, e você está se recusando a pensar no assunto porque já entendeu. –Ela apontou. –É uma coisa típica de fadas, Amy, muito bem. Porém não vai durar muito.
Consegui controlar minha cabeça e não demonstrei muita emoção.
–Não quero pensar nisso agora. –Era engraçado, eu era capaz de cercar minha linha de pensamentos e barrá-las, portanto não queria dizer que eu não sentia o que estava sendo oculto.
–Tudo bem, mas não se esqueça de que está frágil agora, querida. Não gaste muita energia.
–Certo. –Murmurei. Mas minha voz saiu embargada e eu precisei controlar a umidade de meus olhos. Era injusto doer tanto.
–Agora, eu te trouxe um presente. –Falou. –Mas você vai precisar guardar essas asas e conseguir andar primeiro.
Bem, a parte de recolher as asas foi fácil, em segundos elas haviam desaparecido para dentro de mim. O problema mesmo foi quando eu tive de andar.
–Você não está andando se está pendurada em seu irmão, Amy. –Era a milésima vez que minha avó dizia e eu revirei os olhos. Já estava cansada de andar, não conseguia dar dois passos sem cair de cara no chão.
Eu levei exatamente uma hora e quarenta e sete minutos para conseguir voltar à andar, meu equilíbrio quase perfeito de antes, a única coisa é que eu estava fraca. Minha energia era pouca e minha força era menor ainda. Minhas pernas tremulavam com frequência e às vezes era complicado manter a coluna reta.
–Agora sim. –Ela finalmente aprovou, entregando-me uma caixa branca que eu não tinha ideia de onde ela havia tirado.
Respirei fundo por conta do cansaço e tirei um vestido verde água sem mangas, longo e todo feito de uma seda que se assemelhava muito à textura de minhas asas, se tão leve e macio. Ele tinha apenas o busto bordado em dourado e justo, já o resto caía feito uma cascata por meu corpo, exatamente do tamanho certo. Também havia um par de sapatilhas da mesma cor do vestido e uma tiara dourada encrustada de pequenos diamantes.
–Eu vou congelar. –Murmurei.
–Bobagem. Agora vá se trocar. –Ela ordenou, mas não havia um banheiro sequer naquela sala, então Arthur fez o favor de virar as costas e eu troquei a camisola de malha que estava usando pelo vestido, calcei as sapatilhas e ela veio dar um jeito no meu cabelo.
Eu havia sido bem cuidada até demais enquanto dormia e isso era uma coisa boa até demais, então fiquei um pouco mais aliviada. Uma pessoa que dorme por quase um ano e acorda não parecendo um monstro merece reconhecimento.
Minha avó, não sei como, fez cachos largos nas pontas de meus cabelos e os deixou soltos mesmo, apenas prendendo a tiara. Recebi também uma capa branca de lã bem quente onde não pensei duas vezes antes de me enrolar. Ela me passou um lápis de olho que saiu do ar e um batom rosado que também saiu do ar.
–Você é a mais bonita, minha querida, mas é hora de ir. –Ela cantarolou, entregando-me a única coisa que faltava, uma gargantilha simples.
–Por que eu estou vestida assim, aliás? –Perguntei, confusa.
–Para o baile, é claro.
Baile?
–Que baile?
–Para homenagear os heróis da guerra. Algo do tipo, mas apenas uma desculpa também, foi o que sua mãe conseguiu fazer por você.
–Mas eu não preciso de bailes para dizer que estou viva. Isso parece algo esnobe.
–Não fale assim, criança. Quando chegar entenderá o que sua mãe quis te dar, sim? Agora grude em Arthur e não solte até que cheguem à cidade.
Não tive tempo de perguntar por que íamos à cidade, Arthur agarrou meu braço e o chão sumiu.
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